Notas iniciais
Oi morangolinas, aqui é a morangochan. Avisando que se vocês querem saber como vai ser a tal dança, é essa aqui: - http://youtube.com./watch?v=WpmILPAcRQo Boa leitura.

A peça era um modo de recolher fundos para um abrigo de animais, que no caso seria o que Nathaniel trabalhava. A peça era infantil, vieram várias famílias. A peça não era nada mais nada menos do que João e Maria. Foi até divertido ver as criancinhas fazendo a peça enquanto eu e Kentin tocávamos a música.

Assim que a peça terminou, corri para trocar a roupa. Certo que a minha vez com Castiel iria demorar, mas eu queria ver as pessoas pagando mico antes. A primeira apresentação era de uma coreografia idiota de Ambre e as amigas dela, vulgar demais, nem sei como deixaram elas apresentarem aquilo. O pior é que elas foram aplaudidas de pé, por uns cinco minutos e acompanhados de gritos histéricos.

– Lynn. – Castiel me chamou.

Olhei para trás, os gritos eram por causa de Castiel. Ele sorria, as pessoas me olhavam sem acreditar que eu iria dançar com ele. Castiel pegou minha mão e me levou até o centro do palco, ele foi até o cara que colocava as músicas, ou seja, ele saiu do palco já que o menino ficava ao lado do palco coberto pelas cortinas.

Assim que a música começou a tocar meu coração acelerava, Castiel veio andando até mim fazendo um gesto com o dedo indicador para que eu chegasse nele. Ele colou em mim assim como era na dança original, ficávamos tão próximos que dava impressão de que íamos nos beijar a qualquer momento, se eu já ficava envergonhada nos ensaios, imagina em público. Assim que começamos a fazer os primeiros passos, as pessoas já aplaudiam.

– Meus pais estão aqui. – ele falou me olhando enquanto dançávamos.

– Onde estão? – perguntei.

– Depois eu mostro. – ele hesitou.

– Fala. – insisti.

– Concentra. – ele resmungou. – Quer que eu faça você se concentrar de novo?

– Não! – respondi curta e grossa.

Tinham momentos em que nossos rostos ficavam quase grudados, aquilo me deixava tão envergonhada. Iam acabar pensando que eu era a namorada dele. A coreografia tinha acabado, era o que eu achava. A música deveria ter sido cortada, então ele pulou do palco. Na hora eu me lembrei do que acontecia no filme, ele iria imitar tudo. Bati a mão na testa morrendo de vergonha. Ele foi dançando sozinho de calça COLADA com todo mundo olhando pra bunda dele até chegar num grupo de garotas, logo eles viraram de frente para o palco e vieram andando enquanto dançavam. Era idêntico, parecia que eu estava no próprio filme que isso acontecia. E eu estava surpresa, ele não tinha combinado nada comigo, a não ser o salto, que ele disse que ia cancelar com medo de me deixar cair.

Castiel deu uma mordidinha nos lábios, apenas observei. Dois caras apareceram em frente ao palco e me tiraram dele, fui correndo até Castiel e fizemos o salto, do qual ele me segurava. Ele me desceu e terminamos a dança com um abraço apertado, eu toda sorridente e algumas meninas lá atrás com cara de bunda, a Ambre por exemplo.

Assim que saímos de cena, as pessoas tomaram a pista de dança, já que não teria o halloween naquele dia o dia ia se encerrar assim.

Castiel foi me puxando para fora da escola, era meio estranho, mas talvez porque lá fora estivesse mais vazio ou mais frio.

– Disse que me mostraria seus pais. – cruzei os braços soltando a mão dele.

– Acredite em mim, você não quer conhecê-los. – ele falou afrouxando a gola da camisa, estávamos andando como se estivéssemos fugindo ou nos escondendo. – Eu os conheço desde que nasci e até hoje eu desejo não ter os conhecido.

– Isso é modo de falar com seus pais? – uma mulher loira surgiu atrás de nós.

– Principalmente com você, mamãe. – Castiel deu um sorriso sarcástico.

– Deveria respeitar a sua mãe. – um homem ruivo bronqueou, aparentava ser o pai.

“A mãe do Castiel deve ter pulado a cerca”. – pensei guardando o riso para mim. – “Todo mundo sabe que Castiel não é ruivo natural”.

– E você deveria parar de fazer as vontades dela. – Castiel cruzou os braços.

– Nem deveria estar nesse tipo de evento, o herdeiro não participa dessas coisas, só as pessoas comuns. – a mãe de Castiel cruzou os braços. – Deveria estar com seus amigos e não com qualquer uma. – ela referiu-se a mim.

– Ela é minha amiga. – ele pegou a minha mão. – Algum problema? – ela fez feição de que iria falar, mas Castiel a cortou. – Claro, se achar problema pode ir embora, aliás, nem sei por que veio.

Adentramos no prédio novamente, aquela falta de comunicação e de respeito deveria ser por causa da ausência dos pais dele. Mas confesso que a mãe dele é um porre, preferia não ter a encontrado. Então eu tinha confirmado da fonte os boatos que eu ouvia sobre o Castiel ser o herdeiro da escola. Disseram que a família dele é uma das mais ricas do país, dava para ver isso, ainda mais sendo dona de um patrimônio como a Sweet Amoris. Eu achei que a mãe do Castiel tinha pulado a cerca, até poderia, ele não parecia com nenhum dos dois. Mas depois Castiel disse que aquele era o padrasto dele, Castiel disse que o odeia por ele querer mandar nele com autoridade de pai. Verdade... Armin me contou que o pai de Castiel estava na reabilitação.

No dia seguinte no halloween fiquei na duvida se ia ou não. Tive uma breve conversa pelo celular e Nathaniel me contou que conseguiram arrecadas fundos o suficiente para reformar o abrigo e também conseguiram várias adoções, já que algumas pessoas não sabiam sequer da existência do abrigo de animais.

A maioria das pessoas foram de roupas normais, poucos foram fantasiados. Como a palhaça da Ambre, ela e as amigas foram de “As três Panteras”.

– Roubou todo o foco ontem, plebeia. – ela falou esbarrando comigo.

– Sorte a minha. – sorri provocante.

– Oh! Claro. – ela cruzou os braços. – O que você fez pra dançar com o Castiel? No mínimo aquele irmão do Armin deve ter convencido ele.

– Você mencionou o Alexy, ele tem nome, sabia? Você é tão mal amada e tão carente que aposto que o Alexy é um dos seus sonhos de consumo. – inclinei a cabeça.

– É, pode ser até que eu seja interessada nele. – ela cruzou os braços. – Ele é muito bonito, jamais iria querer algo com uma menina como você, de qualquer forma eu tenho mais chances.

– Pro seu governo eu já o beijei. – ao ver a cara que Ambre fez eu passei direto me sentindo a poderosa da noite.

Eu não ia contar nada do ensaio, apesar de ser uma boa coisa pra esfregar na cara da Ambre, eu não queria ser vista como a namorada do Castiel, o líder do F4. Certo que Castiel estava mais simpático, mas não muda o resentimento que eu ainda sinto. Ele me fez muito mal nessa escola e eu não sou do tipo que deixa o vento levar as coisas ruins que me acontecem, ainda mais quando são provocadas intencionalmente por alguma pessoa.

Ao zanzar pela festa encontrei com Alexy, ele parecia meio perturbado enquanto conversávamos. Estava evidente que algo lhe incomodava.

– Lynn, você notou algo no Castiel? – ele corou.

– Algo de que tipo? – cruzei os braços.

– Ele anda mais gentil com você? – Alexy deu um sorrisinho.

– Sim, parece que ele mudou o humor dele. Isso até que me deixa surpresa, ele ter mudado tão rápido. – devolvi o sorriso.

– Oh... Sabia que você ia pensar assim. – Alexy coçou a cabeça. – Não é querendo dizer nada não... – ele pausou meio envergonhado. – Acho que ele está a fim de você. – Alexy logo sacudiu as mãos. – Não fale nada disso com ele, eu posso estar errado.

– Mas... Ele... Não tinha só ficado gentil? – perguntei pasma.

– Não. – Alexy negou. – Castiel nunca muda, nem por nada, nem por ninguém, ele só é gentil com as pessoas que ele quer, normalmente com os amigos ou pessoas que ele gosta... Achei que ele estava interessado em você, mas ainda acho meio impossível ele esquecer a Angela depois de tantos anos de amor incondicional, e logo que ele a beijou na ultima vez que a viu... Acho que ele está te considerando como uma amiga, só acho. – Alexy encerrou com um sorriso. – Foi só um pensamento bobo, então esqueça o que eu falei sobre ele estar interessado em você.

Aquilo me deixava aliviada, apesar de ter uma possibilidade, Alexy tinha razão no que falou por ultimo. Sem contar que eu achava a possibilidade de Castiel gostar de mim absurda. De qualquer forma eu nunca iria ver ele de outra maneira a não ser como o vejo, certas visões não mudam.

Andava pelo meio da festa, solitária. Tinham batizado o ponche, queria saber quem foi o merda que tacou tequila e licor ali em menores de idade. Todo mundo já estava locão, Alexy era o primeiro, estava no esfrega com quatro meninos diferentes. Fui ao banheiro do terceiro andar, estava mais vazio por lá já a festa ocorria nos andares mais baixos da escola. Fui afastar minha cabeça daquela música alta, que no terceiro andar ainda se escutava, mas não na mesma altura. Meus ouvidos agradeciam.

Ouvi uns soluços vindos do banheiro, me virei bruscamente, vinha de uma das cabines. Olhei para o chão, havia mechas de cabelo no chão que faziam um rastro até uma das cabines. Vi uma fita vermelha no chão, era a que Iris usava para prender a trança que sempre fazia.

– Iris? – bati compulsivamente na porta da cabine. – Iris, o que houve? O que aconteceu com o seu cabelo?

Assim que ela abriu a porta da cabine vi seu cabelo que agora não era mais comprido e sim que mal chegava aos ombros.

– A Ambre... – foi o que ela conseguiu dizer entre soluços.

– Ah meu Deus... – a abracei enquanto chorava. – Por que ela fez isso?

– Por que... – ela me afastou com os braços encarando o chão. – A Ambre queria que eu ajudasse ela a cortar o seu, depois que eu me recusei ela fez isso e saiu.

A abracei mais forte, senti uma vontade de dar um sacode em Ambre. Na verdade eu procuraria uma forma muito melhor de me vingar. Quase todos estavam chapados, sei que a maioria não iria lembrar-se do que aconteceu ali.

Arrastei Iris até a pista de dança onde todo mundo se esfregava. Observei de longe e vi a mocreia da Ambre sendo encoxada por Alexy enquanto outras pessoas dançavam. Alexy devia estar muito doidão mesmo. O chamei de lado acabando com a alegria dela.

– Hei. – falei no ouvido dele. – Poderia fazer um favor animando uma amiga minha?

– Quer que eu transe com quem? – ele perguntou dando risadas, só pelo modo que ele falava já dava para ver que era o álcool falando e não ele.

– É essa aqui. – falei puxando o braço de Iris.

Eu mal falei que Alexy já foi se agarrando com ela, metia a mão dentro da blusa dela e já mordia o pescoço e eu só assistindo quase tendo um troço de tanto que eu ria. Minha maior felicidade foi ver a cara que Ambre fez, sim, eu tinha acabado com as chances dela. Ela achava que tinha chances porque Alexy estava chapado, poderia até ter, mas comigo aqui a parada é outra.

Naquela noite eu me lembrava de ter sido encoxada várias vezes, até por meninas que estavam ali. Apenas ignorava, empurrava, socava, espancava e saía andando a procura de paz.

Os dias das férias já se arrastavam, eu achava que para o dia 20 de Dezembro chegar iria demorar uma eternidade, muito pelo contrário, chegou rápido como um inseto batendo no para- brisa.