A Órfã Doce
82 Docete
Notas iniciais

Com a bofetada, dei dois passos para trás até conseguir o equilíbrio novamente. Repousei a mão no rosto. Havia acertado onde estava machucado. Uma chama acendeu em mim e eu tive vontade de pegar uma faca e fatiar o Castiel.
Uma mão quente me puxou para trás e avançou com um soco na cara do ruivo. Nas costas da jaqueta estava escrito “Kentin”. Ao derrubar Castiel no chão, socos iam e vinham da parte de ambos. Lysandre levantou-se para tentar apartar a briga, mas apenas levou um empurrão para o lado. Agarrei meu irmão por trás e o puxei para o lado.
– VEM CÁ, SUA PIRANHA! – berrou Kentin para Castiel. – E você! – ele apontou para Lysandre. – Eu disse a você que ficasse longe da minha irmã!
Lysandre respirou pesado, com uma expressão que demonstrava um pouco de raiva. Um rastro de sangue escorreu pelo canto da boca, que logo em seguida, ele limpou com o polegar.
– Não acho que faça tanta questão pela segurança da sua irmã. Veja só o que aconteceu. – Lysandre rangeu os dentes.
– Ora seu! – o moreno bradou, o repreendi com um olhar.
Entrei na frente de Kentin e o empurrei para trás.
– Acha que eu não sei me defender, Lysandre? – ele permaneceu em silêncio. – Acha que eu sou uma mocinha indefesa que precisa de ajuda toda hora? Nunca pensei que você diria algo tão patético. – ele arregalou os olhos e encarou o chão. – Kentin. – me virei para o mesmo. – É incrivelmente patético da sua parte, ficar me defendendo toda hora. Indiretamente, você diz a mesma coisa que Lysandre. E isso é inadmissível! Não aceitarei mais esse tipo de super proteção. Não sou criança! – por ultimo, me virei para Castiel. – E você, você é o mais patético de todos. Além de patético, é covarde por querer bater em mulheres. Aliás, eu não me surpreendo tanto. Se não fosse por mim, você teria batido na Debrah. Acha-se tão valente para bater em mulheres, mas leva uma surra de qualquer homem. Na escola, vários alunos têm medo de você. Mal eles sabem que o “grande” Castiel é só uma criança mimada e medrosa. Pagar de machão não te faz homem, bater em mulheres, muito menos. E se acha que vai conseguir me convencer a ser sua namorada ou qualquer coisa do gênero, pense novamente. Pense novamente e desista. Perdedor! – pausei um pouco, respirei, lancei um olhar de desprezo. – Eu poderia chutar você, mas o meu pé é bom demais para voar na sua cara.
Saí de dentro do circulo que os três formavam e fui marchando sobre a areia fria da praia. Corri para o quarto e me tranquei lá. Depois daquele surto, nem Kentin se atreveu a vir me procurar. Não chorei, não precisava, não era necessário. Eu não tinha motivo, não fiz nada de errado. Mesmo assim eu tinha que pensar no que fazer...
– Ir embora.
Saí pegando minhas coisas do banheiro e colocando na mala. No meio deste meu processo, bateram em minha porta. Parei de andar, para evitar o barulho, fiquei parada.
– Lynn... Você está aí, não está?
Permaneci em silêncio. Pensei que ele iria embora, já que eu não havia respondido.
– Tampinha, não seja palhaça. Estou chamando, sei que está aí!
– O que quer?
– Liguei para a mamãe. Ela disse que viria nos buscar no jato, trate de arrumar a mala.
– Certo.
Dito isso, ele saiu. Ao me olhar no espelho, vi que estavam muito bem marcados os dedos de Castiel na minha bochecha. Tive que acordar Lana através de uma mensagem para pedir que ela trouxesse alguma coisa para me ajudar.
– O que aconteceu? O que aconteceu? – ela perguntou desesperada ao ver minha situação.
– Foi o Castiel.
– Te bateu?! – ela quase que gritou. – Como ele se atreve? Eu deveria muito bem dar uma bem no meio da cara dele para deixar uma...
– Ele me viu com o Lysandre. O Lysandre me beijou e ele viu.
Lana engoliu as palavras das quais usaria para terminar a frase. Umedeceu os lábios e continuou com a face protestante.
– Mesmo assim não justifica. Mesmo que você fosse namorada dele, isso não justificaria!
Lana resmungava algumas frases e bradava outras. Havia trazido gelo e uma pomada que fez com que a vermelhidão diminuísse.
– Você deveria ter metido a mão na cara dele.
– Eu queria, mas o Kentin apareceu e interferiu.
– Tsc! Seu irmão, sempre sendo inconveniente. – já iria concordar, quando ela continuou. – De qualquer forma, deveria ter batido.
– Eu briguei com os três. Com Lysandre, com Kentin e com Castiel. Lysandre é mais sensível, eu não precisei de muito para magoá-lo. Kentin já é acostumado comigo e minha rabugice, mas com Castiel, eu fui má, má pra valer. – mordi o lábio inferior. – Acho que já está na hora de deixar ele de lado.
– Pensei que já tivesse feito isso.
– Querendo ou não, demonstrando ou não, eu ainda gosto dele, nem que seja um pouquinho de nada. – gesticulei com o polegar e o indicador.
– Deveria ter tomado uma decisão há mais tempo! Como se deixa abater por um idiota desses? Que te trocou por outra, ainda por cima!
– Perdão? – arqueei a sobrancelha, incrédula. – Até parece que a sua situação é diferente. – ela corou, envergonhada.
– Sinto muito. Mas eu já estou quase resolvida.
Revirei os olhos. Estávamos sentadas na cama do quarto que eu estava hospedada, uma de frente para a outra.
– De qualquer forma, eu precisava te dizer que eu e Kentin iremos para casa ainda hoje. Acho que pelo final da manhã. – olhei para o relógio de parede que marcava algumas horas da madrugada.
– Bom, então está ok. – Lana disse levantando-se.
– Já vai?
– Sim. Arrumar minha mala, irei com vocês.
“Irei com vocês”. O mesmo que: Oba! Vou me livrar do Armin e da minha grande “escolha”. Eu poderia estar errada, mas às vezes Lana é bem previsível. De qualquer forma, eu também não queria deixá-la sozinha. Ela poderia ter criado um vinculo de amizade muito forte com os garotos, mas mesmo assim a nossa intimidade era maior. Além do mais, fui eu quem falei com a mãe dela, para que ela viesse comigo. Então era minha obrigação de trazê-la comigo.
Eu não dormi, só esperei que desse à hora de ir embora e a hora de ficar em paz no meu quarto, na minha casa. E quem sabe, contar a Miki o que aconteceu comigo.
– Olá, querida. – disse a tia, animada inicialmente. – O que... Houve com a sua...? – ela apontou para seu rosto, sem conseguir completar a frase.
– Explico depois, mãe. – Kentin se meteu na frente.
Depois da cansativa viagem, a primeira coisa que eu fiz quando cheguei em casa, foi correr para minha cama. Estava exausta, e só de pensar que ainda teria que encarar uma conversa com a tia, me deixava mais cansada ainda. Depois de uma hora, foi dito e feito. Duas batidinhas na porta, ela se entreabriu.
– Se importa? – fiz que não com a cabeça. – Bom, o Kentin me contou o que aconteceu. E ele me falou sobre esse tal Lysandre e sobre o Castiel.
– Precisamos falar deles?
– Sorte sua de eu não querer falar sobre o garoto que quis te estuprar. – ela falou em um tom seco. Engoli a saliva, ela estava falando de uma maneira que me deixava nervosa. – Então você beijou um garoto e o outro te bateu?
– Eu teria batido nele se o Kentin não tivesse aparecido!
– O seu irmão te protegeu, duas vezes! Por que age dessa forma?
– Porque você não o conhece. Tia, a senhora não é presente pra conhecer o seu filho de verdade. Ele só fingiu que cuidou de mim, ficou na ilha com garotas. GAROTAS! Meninas estranhas! E além disso, ele só se mete quando não é necessário. E isso vem acontecendo muito ultimamente! Ele também já me bateu por causa do Lysandre!
A boca dela foi se abrindo a cada palavra minha. A boca permaneceu aberta, com uma expressão de espanto. Seu olhar logo foi se transformando em um olhar meio que maligno e esse olhar foi direto em direção ao quarto de Kentin.
“Se fode aí, trouxa”.
– Vamos continuar sobre o assunto. Converso com ele mais tarde. – ela umedeceu os lábios. – O que pensa em fazer?
– Esquecer. Eu não devo nada a ninguém.
– Você não pode ser assim, Lynn. – ela suspirou.
– Tia. Esse garoto, o Castiel. Eu gostava muito dele, e ele sabia disso. Mas quando outra garota mais bonita apareceu, ele me jogou pro lado como se eu não fosse nada. Eu tenho que me desculpar?
– E o outro rapaz? – ela interrogou. Baixei a cabeça.
– Bom... – me calei, cocei a cabeça, constrangida.
– Houve uma época na minha vida em que eu descobri que não era fértil. Eu perdi o bebê e o meu noivo me deixou, mais ou menos como aconteceu com a Miki. Ele me trocou por outra mulher e teve um filho com ela.
– E o Kentin?
– O tratamento deu certo e eu o gerei depois.
– A senhora casou com o pai dele?
– Não. Ele não era uma pessoa muito agradável.
– E então?
– Eu quis um filho, só isso. Nunca precisei de homem para continuar seguindo a minha vida.
– Mas houve problemas com a guarda dele, não?
– É. – ela suspirou. – Infelizmente o pai do Kentin morreu, mas a vida continua.
Ela disse calmamente, com a voz serena, olhando para o papel de parede do meu quarto.
– Acho que deve se desculpar com esse rapaz.
– O Lysandre? – ela fez que sim com a cabeça. – O Kentin contou o que o Lysandre...?
– Não tenho problemas com isso. Maconha é uma droga, cigarro e bebida também são. Se você parar para pensar, eu e seu irmão não somos tão diferentes desse garoto.
Ela sabia que Kentin bebia, mas pelo visto, não sabia que às vezes eu também fazia isso. Ou até soubesse, mas esqueceu de citar-me junto a eles.
– Ele só fez umas escolhas erradas, como eu. Como você também. – concluiu.
Concordei com a cabeça. E ela saiu do meu quarto.
Acabei descendo horas depois. Finalmente todos da casa resolveram interagir entre si. Fizemos o almoço juntos, todos três. Kentin mal falou comigo, e só falava quando a tia falava com ele. E ela falava como se não tivesse ocorrido conversa alguma, como se não tivesse ocorrido nada. Essa era uma de suas virtudes: por mais que acabasse de se deparar com uma situação tensa, ela não mudava de comportamento. Só fingia que nada tinha acontecido.
– Hei, tampinha. – Kentin resmungou me cutucando o braço. – Que história é essa de eu ter ficado com meninas na ilha?
– Eu não vi você, e o Lysandre disse que você estava com garotas.
– Eram as moças das lojas.
– Eram garotas da mesma forma. E você estava flertando com elas, não?
Ele fez cara feia e virou o rosto. Calado ficou.
Quando nos sentamos para almoçar, a tia disse que depois do almoço, já iria sair novamente. Além disso, ela ficou contando algumas coisinhas sobre os ensaios fotográficos.
– Me fizeram a proposta da play boy, acredita?
– Você não vai! – ele disse em um tom alterado, logo se recompôs para contornar a situação. – Não é?
– É claro que não vou. – ela fez bico.
– Não sei que problema você vê nisso. – retruquei. – Você vive vendo mulheres peladas na internet e nas revistas.
– Mas nenhuma delas é minha mãe. – respondeu ele dando uma garfada na comida.
– E aquela revista dela que você tem da tia pelada guardada no quarto?! – arqueei a sobrancelha, com um sorriso maroto.
A tia deu tossidas, engasgando-se com a comida. Bebeu água para descer e continuou o ataque respirando rapidamente.
– Como encontrou essa revista?! – ela trovejou.
– Muito obrigado, tampinha!
Que ótimo, eu havia arruinado o almoço em família. Você pode pensar: “É a mãe dele, o que tem de mais ele ver o corpo dela?”. Mas o problema não é porque ele viu, e sim o que ele fez com a revista. Quando se trata de um menino pervertido como Kentin, nem precisa dizer o que ele fez com a revista. E aliás, a tia havia me provado que conhecia o filho dela. Uma mãe que sabe esse tipo de coisa sobre o filho, é porque o conhece de verdade. Talvez fosse eu quem não conhecesse nem o Kentin e nem a tia.
Saí de fininho da discussão e fui para meu quarto.
“06/11/2025. Bem... Digamos que as minhas férias foram por água a baixo. Eu magoei Lysandre novamente. E por mais que eu não queira mais ficar emendado situações toda hora, eu reconheço que ele merece ouvir desculpas da minha parte. Ele me disse que a culpa era dele, que a culpa de coisas que aconteceram, era dele. Lysandre costumava a se importar mais com os outros, inclusive com o Castiel. Por isso Lysandre nunca havia proposto namoro, porque sabia que o Castiel gostava de mim. E Castiel fez de novo, passou por cima de tudo outra vez. Se você passa por cima de um amigo por causa de uma garota, é porque você a ama muito. Mas será certo passar por cima do coração de um amigo. Melhor ainda: será que eles eram mesmo amigos? O F4 em si, é cheio de rachaduras entre os membros. Castiel tem parceiros, colegas, mas no F4, acho que ele não tem amigos de verdade. Ou até tenha, mas eu não entendo a amizade deles. E sobre Castiel... Bom, eu parei de sentir piedade dele. Eu o via mais como um filhotinho abandonado na vizinhança querendo companhia. Que feio da minha parte... Eu sei que pena é a coisa mais repugnante que alguém pode receber... Mas eu sei que eu fiz certo quando gritei com todos. Se voltasse no tempo, faria o mesmo de novo”.
Fiquei encarando meu celular em cima do criado mudo. Engoli a saliva, o peguei e fui até a agenda dos números.
“Lys fofo” – esse era o nome do contato.
Optei por ligar para ele, mas logo desliguei, sem saber o que falar.
“Que tal um café?”. – mandei uma mensagem para ele. Uma mensagem foi a melhor saída.
Larguei o celular no criado mudo e me esparramei na cama. Kentin invadiu meu quarto com uma toalha na cabeça, aparentemente logo após de ter saído do banho.
– Você fodeu com a minha vida. – ele berrou.
– Não seja dramático. – retruquei.
– Agora a minha mãe sabe que eu fiz “coisas” olhando pra revista dela.
– Pensei que ela já soubesse. – virei a cara.
Peguei o celular no criado mudo e coloquei em qualquer joguinho, para que Kentin visse que eu não estava a fim de papo com ele.
– Hei! – ele bateu com a ponta da toalha molhada em mim. – Estou falando com você. Não me ignore!
– O que quer? – reclamei passando a mão no braço com um rastro avermelhado e molhado.
– Lysandre te disse que eu estava paquerando garotas na ilha?
– Não, ele só disse que você estava com garotas, ao invés de estar me protegendo dos perigos que eu não tinha conhecimento.
– Grande bosta. – ele revirou os olhos. – Se você se machucou, é porque estava precisando aprender a voltar a se defender. Não te entendo! Uma hora você diz que não precisa de proteção, e outra hora me culpa por não te proteger. Que merda é essa? – fiz cara feia. – A propósito, mesmo que eu estivesse transando com alguma garota na ilha, nem você e nem o Lysandre tinham o direito de ficar se queixando.
– E então...? – tomei ar. – Se não estava paquerando com garotas na ilha, o que estava fazendo?
Ele saiu do quarto e voltou com uma sacola nas mãos, tirou uma blusa de dentro e jogou outra na minha direção.
– O que é...?
Um sorriso brotou em meus lábios. Olhei para Kentin, ele apenas olhava para sua blusa, ainda com uma expressão emburrada.
– Eram só as garotas da loja de camisetas. – ele justificou. – Quando fui, não tinha da cor que eu queria. Falei com elas depois, para saber se já havia chegado e fui com uma delas até a loja para dizer o que tinha que estampar nas blusas.
Tanto a minha, quanto a dele eram de uma estampa camuflada, atrás da minha blusa, havia o nome “docete”.
FLASH BACK ON
Naquela tarde, a tia estava em casa e Kentin havia me convencido a ir correr com ele. Correr com ele enquanto NEVAVA. Isso tudo porque ele disse que era só uma nevezinha e que já iria parar de nevar. Quando cansamos de correr e quando começou a nevar mais forte, fomos andando mais devagar, para não escorregar na neve que cobria as calçadas. Kentin só tinha um bolso no seu casaco, ele enfiou a mão nesse bolso e com a outra, ele agarrou minha mão.
– Não deveríamos ter saído sem as luvas.
– Não deveríamos nem ter saído. – reclamei.
A mão dele escorregava na minha, entrelacei os nossos dedos. Umas garotas que passavam na rua nos olharam e cochicharam entre si.
“Pensam que nós somos namorados. Que vergonha”.
Quando voltamos para casa, Kentin subiu as pressas para o quarto, andando meio estranho.
– O que você tem? – perguntei fazendo careta.
– Eu acho que o meu saco colou na minha coxa. – ele respondeu, logo em seguida fechou a porta do quarto e ligando o chuveiro do banheiro. – Ajusta o aquecedor de água lá em baixo. Eu tenho que descongelar tudo aqui!
Desci para ajustar a droga do aquecedor para aquele nojento. Subi, fui ao meu quarto, peguei minha roupa e fui para o banheiro principal do andar de cima. Tranquei a porta e fui para o ofurô. Depois do banho renovador, fui vestir minha roupa.
– Onde está? – procurei entre a muda de roupa que havia trazido comigo.
Abri a porta do banheiro, a primeira coisa que eu vi foi Kentin com a minha calcinha na mão. Ele encarava e encarava, quando me viu, esticou a calcinha e virou a parte traseira para mim, onde havia escrito:
– Docete? – ele deu uma gargalhada. – Então a vovó te deu isso?
– O que está fazendo com a minha calcinha?! – berrei tomando da mão dele.
– Ah ta, como se eu fosse roubar uma calcinha infantil dessas. – ele cruzou os braços. – Você deixou cair no chão, tampinha!
FLASH BACK OF
– Eu sabia que era o seu apelido na escola militar.
– Qual era o seu?
– Eu não tinha.
– Era Ken, não era?
– Não gosto! Não me lembre desse nome, por favor.
– Por que não? A tia até te chama assim.
Ele encarou o chão e engoliu a saliva.
– Bom, é que... Usavam esse apelido para debochar de mim.
– Eles debochavam de você porque você era um palito?
– Olha só quem fala! – ele berrou.
– Você também era quatro-olhos. – gesticulei fazendo dois círculos com os dedos e os colocando em frente aos olhos.
– Hei, tampinha! Quer levar um sacode?!
Dei uma gargalhada. Meu celular tocou, minhas mãos tremeram e eu deslizei o dedo sobre a tela do celular, para atender.
– Alô? Lysandre? – permaneci em silêncio, até ouvir uma risada feminina do outro lado da linha. – É você Lana? O que foi?
– Posso ir à sua casa? É urgente!
– Pensei que iria passar a tarde com os gêmeos.
– É que o Castiel apareceu.
– E... O que aconteceu?
– Bom, eu prefiro não falar por telefone. Posso ir aí?
– Claro que pode.
– É que a sua mãe está aí, então eu pensei...
– Não está mais.
– Certo. Chego em alguns minutos.
Repousei o celular no criado mudo. Meu rosto estava cheio de incerteza, medo e ansiedade. Para camuflar tudo aquilo, dei um sorriso e voltei com as mãos ao presente de Kentin.
– Quer sair com o Lysandre mesmo que aquilo tudo tenha acontecido?
– Não quero sair com ele, quero me desculpar com ele. – corrigi. Ele ficou em silêncio, de pé, em frente a minha cama. – Você sabe...?
– O que?
– O motivo da Lana querer vir falar comigo com urgência? Ela disse que era sobre o Castiel.
– Não, eu não sei. – ele olhou para a janela.
– Você nem ao menos sabe mentir! – fiz bico. – Olha pra cá! – ordenei, ele olhou. – Você sabe, não sabe?
Kentin colocou as mãos nos bolsos, umedeceu os lábios e puxou ar:
– Ele quer expulsar você e o Lysandre da Sweet Amoris.
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