Notas iniciais
Oi morangolinas, aqui é a morangochan. Eu vi uns comentários agora, porém estou sem tempo para responder, desculpe :c Então, eu vi umas mina falando que um shipp tava descartado e dizendo que não queria que a Lynn se pegasse com tal paquera. Eu não garanto, mas shippem todo mundo com a Lynn, o bagulho vai ser esculhambação. -q Boa leitura.

– Só para deixar claro. – ele alertou. – Eu não gosto de você... Só acho que se não fizer isso eu vou me arrepender de alguma forma.

– O Castiel gosta de mim, que bom amigo você é. – dei um sorriso sarcástico.

– Eu não disse que eu era um bom amigo. – ele devolveu o mesmo sorriso. – Eu só quero ver o circo pegar fogo, mas comigo fora dele. De qualquer forma... – ele pausou. – Ontem eu queria ir atrás de você para falar com você sobre isso.

– Você fala como se tivesse necessidade disso. – fiz careta.

– Nossa Lynn, você deve ter muita autoestima para me rejeitar. – Armin deu um sorriso.

– Eu não rejeitei você. – retruquei. – Apenas comentei. – esclareci.

– Quer saber de uma coincidência? – ele olhou para o chão, continuou sem esperar resposta. – O Kentin e o Castiel gostavam da mesma menina, mas o Kentin e o Castiel não foram os únicos a gostarem da mesma menina. – Armin confessou com um suspiro. – Eu e Lysandre já saímos com a mesma menina. Todo mundo sabia que ela era uma cachorra, menos a gente.

– A menina da trança? – perguntei, Armin soltou uma risada.

– É verdade, ela andava sempre com tranças. – Armin olhou para o teto, pensativo. – Desde que eu namorei aquela menina na Alemanha e ela terminou comigo, eu nunca mais fui o mesmo. Nunca mais quis compromisso, e a “menina da trança” reforçou a minha decisão. Quando saí com ela, era com alguma esperança de que eu estava errado e que eu poderia sim gostar de alguém. Mas aquela galinha me provou que eu estou errado. – ele encerrou a frase com um sorriso meio forçado.

– Eu só a conheço por “menina da trança”. Qual é o nome dela? – perguntei.

– Nica. – ele respondeu. – É a irmã mais velha da Nina. Você quem é a Nina, né? A maluca que persegue o Lysandre. – fiz que sim com a cabeça. – Eu não sei com qual de nós ela saiu primeiro, mas... Não brigamos por ela, cada um soltou a corda e virou para um lado, por assim dizer. – Armin suspirou. – E assim está sendo. Digamos que eu sou só um narrador observador, não sou mais personagem. SE vão ter catástrofes por sua causa, eu apenas observarei sem comentar nada, a não ser para colocar lenha na fogueira.

– Como pode dizer isso? – perguntei dando uma risada, Armin também não falava em um tom sério, por que eu deveria?

– De qualquer forma... – ele pausou segurando meu queixo e olhando nos meus olhos, desviei o olhar. – Vamos, Lynn. Parece que tem medo de olhar nos olhos das pessoas. – ele insistiu até eu olha-lo. – Eu me arrependo de muitas coisas que não cheguei a fazer, não quero mais um arrependimento. Até porque o que a gente vive é uma vida e nada mais. – ele chegou mais perto já fechando os olhos. – Se eu sentisse algo por você, eu com toda certeza lutaria para ter você para mim. – ele sussurrou por fim selando nossos lábios. Logo começou a aprofundar cada vez mais o beijo.

Então, certo. Vamos organizar os milhares de pensamentos que eu tive naquele momento. Primeiramente se o Kentin ou o Castiel descobrissem nós dois estaríamos ferrados, mas como o Armin não quer se ferrar, ele é quem não vai abrir a boca para falar para alguém. Armin não sentia nada por mim, mas mesmo assim me beijou. Ótimo! Porque aquilo estava legal.

Quando Armin recuou, deu um meio sorriso. Fiquei uns segundos pensando na expressão que eu faria para não ficar parecendo uma monga. Apenas corei mais do que eu já tinha corado e olhei para o chão.

– Naquele dia você aparentou ter ficado bem zangada com isso. – ele deu uma risadinha. – Então eu resolvi completar tudo, feliz?

– Não pedi por isso! – exclamei.

– Eu não disse que você pediu. – ele retrucou. – Apenas perguntei se estava feliz, mas parece que você nunca está de bom humor. – ele colocou as mãos atrás da cabeça, lembrava um pouco Alexy.

Armin sempre estava caçoando de tudo, aquilo era negativo em alguns pontos. Acho que eu estava vendo pelo lado errado, talvez estivesse pegando o humor de velho de Kentin por tanto conviver com ele. Era legal ver alguém como Armin e Alexy, eles não se parecem apenas fisicamente, aliás, fisicamente eles nem se parecem mais TANTO assim, já que Alexy tem aquele “farol azul” na cabeça. Eles também se parecem na personalidade e às vezes na forma que se comportam. Pessoas como eles sempre são pessoas fáceis de conviver, por assim dizer.

Após aquilo, Armin desceu as longas e cansativas escadas do observatório junto comigo. Ele ia na minha frente, sorrindo. Realmente Armin era um menino que tinha muita energia, mas só quando ele queria demonstrar, quando não, passava o dia inteiro em frente a um vídeo game. Ao chegarmos na calçada, fui para um lado e ele para o outro. Precisava ir trabalhar, e almoçar também.

“Quem sabe se tia Cristal fez aquela sopa hoje”. – pensei.

Para evitar a euforia de Lana, pensei melhor e resolvi não contar nada, só depois. Mas ela estava naquela velha desconfiança.

– Você está com uma energia tensa. – ela fez bico. – Aconteceu algo?
“Sim.” – pensei.

– Não. – respondi tentando ser natural.

Ao chegar em casa, Kentin me olhou também desconfiado. Qual é? Eu estava querendo parecer natural, mas parecia que estava ficando com cara de quem aprontou. Passei direto para meu quarto para evitar perguntas.

– Já vai dormir? – Kentin perguntou.

– Não. – respondi. – É que eu tenho um trabalho da escola para fazer e tenho que começar logo.

– Por que não fez antes? – ele indagou cruzando os braços.

– Lana lembrou-me agora a pouco. – joguei qualquer desculpa e bati a porta.

Aquele trouxa engoliu a primeira desculpa que eu dei, se me conhecesse direito, saberia que é muito raro eu esquecer de fazer um trabalho da escola. Mas assim era melhor, sem que ele desconfiasse de nada. Certo, estava me sentindo meio culpada por estar indo contra Kentin, mas foi ele quem começou indo contra mim! Saiu sem nem ao menos dizer para onde, mesmo eu dizendo para ele não sair. Se eu fui mandona? E daí? Ele também é. E se ele quer ser um exemplo para mim, vai ter que se esforçar, porque até agora ele só me mostrou ser um moleque encrenqueiro e birrento.

Liguei para Lana e fiquei fofocando por uns minutos, ela disse que Iris estava doente, vomitando e tudo, por isso que tinha faltado todo aqueles dias. Certo, estava pouco me fodendo. Iris parecia ter simplesmente esquecido de mim depois que começou a falar com Lety com mais frequência. Não era agora que eu soube que Iris estava doente, eu e Lana fomos até a casa dela outro dia, só que naquele dia ela não estava vomitando. Lana estava por dentro das fofocas porque estava conseguindo informações de Iris, Iris é amiga de Lety e Lety é uma fofoqueira de primeira.

– Iris pediu para que eu te convidasse para uma festa que ela vai dar amanhã.

– Lana falou. – Pelo que ela me contou, a festa vai ser bem legal. – acrescentou.

– Eu quero ir. – choraminguei. – Mas você sabe que o Kentin é um mala e não vai me deixar ir. – resmunguei.

– E se você... – Lana parou no meio da frase.

– O que? – perguntei curiosa.

– É errado, mas... – ela deixou a frase pela metade novamente.

– Está dizendo para eu ir escondida dele? – logo Lana confirmou. – É, pode funcionar. Se eu for cautelosa, pelo menos.

Provei do meu próprio veneno quando Kentin me proibiu de sair, admito. O que ele estava fazendo não era injusto, ele só estava fazendo o que eu fiz com ele. Eu o impedi de ver meninas e ele me impede de sair pensando que eu vou ver meninos, no caso não são MENINOS, é só o Castiel. Talvez ele pensasse e se sentisse como eu, quem sabe. De qualquer forma eu tinha que arrumar um jeito. A festa era tarde da noite, meia-noite começaria a chegar as pessoas para depois começar a festa de verdade. Certo... Lana disse que a mãe dela deu permissão para ela ir... Tia Cristal estava ficando boazinha, deveria ter aceitado que Lana está crescendo.

No caso, o plano seria cansar Kentin de alguma forma, esperar a calada da noite, tomar muito energético e me mandar. Como a festa era amanhã, eu tinha que dar um jeito para Kentin dormir mal. Claro, os grilos tinham acabado de passar pela época de reprodução, havia muito mais. Capturei três no jardim e os coloquei no quarto de Kentin sem que ele visse. Eu convivo com Kentin todos os dias, certo que não faz tanto tempo assim que eu me mudei para viver no mesmo teto que ele, mas eu sempre observo muito as coisas. Kentin tem um sono MUITO leve. Quando eu saio do quarto no meio da noite, ele escuta. Pelo menos quando eu não tenho cuidado para fazer silêncio.

Tomei banho, fiz um lanche e fui me deitar. Já estava num sono muito bom, quando Kentin abriu a porta do meu quarto com o travesseiro e uma coberta.

– Afasta. – ele pediu deitando-se ao meu lado.

– O que faz aqui em plena três da manhã? – cocei os olhos me fazendo de desentendida.

– Me lembre de comprar veneno para grilo. – ele resmungou.

Missão cumprida, horas mais tarde Kentin estava parecendo um zumbi e como ele não gosta de café, ele ia chapar durante a noite. Assim foi, Kentin foi para cama cedo. Comecei a me arrumar depois que vi que ele foi para o quarto. Como iria para a festa? Pegaria a moto de Kentin. Se eu tinha carteira ou sabia dirigir? Não, mas que importância tinha?

Um short jeans escuro de cintura alta, blusa de ombro caído da cor branca com detalhes pretos, uma meia calça preta e a minha bota favorita que cobria até o começo da coxa. Estava mais do que pronta, achei a chave de Kentin junto com o capacete, fui em direção à garagem.

– Mas o que? – olhei quando não vi o carro. Voltei até o quarto de Kentin e abri a porta bruscamente, saí o chamando pela casa. — ELE SAIU ESCONDIDO DE MIM?! – bradei.

Foi aí que eu fiquei com raiva e fui logo pegar a moto para sair na maior adrenalina. Ao chegar à festa, gente! Todo mundo estava arrumadinho tomando um drink ou outro sentado nas mesas ou junto ao barman. Eu juro que uma hora depois a música eletrônica tocava alta e todo mundo roçava em todo mundo.

– Lynn. – Lana falou no meu ouvido por conta da música alta. – Mamãe me passou uma mensagem de texto, aconteceu algo na loja.

– O que? – perguntei.

– Acho que alguém arrombou a loja. – Lana fez uma cara de desespero. – Ela disse que vem me buscar, espero que não se importe.

– Não, pode ir. – sorri.

Fui em direção ao barman, por que não? Parecia que eu era a única sóbria ali. Lety dançava feito uma puta em cima de uma mesa, provavelmente chapada. Tomei uns dois drinks leves, tudo normal na festa, a não ser alguns desmaiando no chão.

– Parece que as coisas estão fora de controle. – um menino comentou de lado, dando uma risada.

– Concordo, nem sabia que iria acontecer isso. – devolvi a risada. – Aconteceu isso no halloween da Sweet Amoris, mas não pensei que fosse acontecer numa festa fechada... Conhece a Iris?

– Oh! Sim. – ele respondeu. – Eu sou o Jade, prazer em conhecer. – ele estendeu a mão.

– Sou Lynn. – sorri apertando a mão dele. – Onde a conheceu? – logo ele corou.

– Somos amigos. – ele sorriu meio constrangido tentando contornar a situação. – Eu namorava com ela, entende?

– Faz tempo que terminaram? – quis saber.

– Muitos anos. – ele respondeu encarando o teto. – Eu sou da Inglaterra, nos conhecíamos desde que éramos pequenos.

– Por que terminaram? – interroguei virando um drink de uma vez, estava meio soltinha por conta de um drink ou outro. – Oh... Acho que estou sendo intrometida... – reconheci.

– Oh! De maneira alguma. – ele sorriu gentilmente. – Iris viajou para cá quando era criança, depois de uns anos voltou para Inglaterra e três anos depois voltou para cá. – aquilo não tinha respondido minha pergunta, ele estava querendo era me enrolar. – Terminamos por causa de umas loucuras que ela cometeu. – confessou, assim respondendo minha pergunto.

Resolvi que as perguntas cessariam de ali em diante, eu tinha esse defeito, de ser curiosa demais. Mal conhecia o menino e já tinha metralhado ele de perguntas. Fiquei meio envergonhada com isso, disfarcei tomando mais um drink, eles tinham um teor baixo de álcool para minha sorte. Tentei contornar a situação, o silencio caiu na conversa, não no ambiente, até porque tinha gente gritando e a música doía nos ouvidos.

– Você toca violão? – interroguei vendo o violão próximo a ele dentro de uma capa.

– Sim, desde criança. – ele me olhou. – Quer ir ao terraço? Aqui está meio barulhento, não acha?

– Sim. – concordei.

Fomos até o terraço da casa de Iris que estava completamente vazio. Jade tocava o violão. Todos os drinks que eu bebi eram muito doces, estava com sede. Por sorte tinha pego água antes de vir. Logo vi que a mesma tinha acabado.

– Pode pegar a minha. – ele ofereceu.

– Obrigado. – agradeci com um sorriso, logo em seguida dando uns goles.

Minutos depois comecei a me sentir tonta, devia ser por causa da bebida, talvez. Nessa brincadeira eu acabei apagando. Acordei de manhã, ao abrir os olhos o pânico bateu, não estava no meu quarto e sim em algum desconhecido. Estava com uma camisola que não era nada coberta, minhas roupas estavam espalhadas pelo quarto. O quarto aparentava ser de casal, amplo, cama de casal, bem decorado. Ao lado da cama havia uma penteadeira, no espelho havia escrito uma mensagem com batom vermelho.

“Obrigado pela noite de ontem”. – li mentalmente. – “Ah meu Deus... O que aconteceu?”. – pensei.