Notas iniciais
Oi morangolinas, aqui é a morangochan. Eu to simplesmente muito agradecida pelas recomendações

Certo, o que tinha acontecido? Não me lembro de nada desde que estava no terraço com Jade. Era cedo, sete horas da manhã de sexta. Vesti minhas roupas e notei algo na penteadeira.

“Fotos”. – pensei.

Eram fotos dele comigo na cama, ele estava sem camisa e eu com aquela camisola, o rosto dele estava censurado e eu estava desacordada com ele me abraçando com o braço esquerdo. Coloquei aquelas fotos na bolsa, ele teria cópias? Se o rosto estava censurado ele deveria ter cópias. Estava suspeitando que aquilo fosse uma armação. Estava num hotel de luxo, agora pelo menos sabia onde estava. Recusei o café da manhã e fui com pressa na moto de Kentin para casa, ele não tinha chegado.

Suspirei aliviada, pelo menos ele não descobriria que eu saí e do que tinha acontecido, ótimo... Eu não sabia quem era aquele cara, muito menos o que ele fez comigo.

– Seria bom procurar um ginecologista? – pensei alto.

Uma agenda voou na parede próxima a mim e se abriu ao cair no chão, era uma agenda de telefones. O primeiro número era de um ginecologista.

– Obrigado, Miki. – agradeci, Miki estava atenta a meus movimentos pela casa, ainda mais sobre o que eu falava. Afinal, ela estava sozinha em casa, não estava?

Permaneci no meu quarto até ouvir Kentin dar passos quase que silenciosos até seu quarto. Passei o removedor de maquiagem, baguncei meu cabelo e pus uma roupa de dormir, me deitei por meia hora e depois levantei indo em direção à cozinha.

– Bom dia. – falei fingindo uma voz de sono. – Ah meu Deus! – exclamei ao ver Kentin. – Você parece que foi atropelado.

A aparência dele estava horrível, olheiras enormes, cansaço notável e ele suava muito.

– Acho que estou doente. – ele choramingou levantando-se.

– Já acordou assim? – perguntei.

– Sim. – ele respondeu sem me encarar. – Não quero ir a aula na segunda.

– Mas ainda é sexta. – retruquei.

– Você é minha mãe por acaso? – ele suspirou. – Se eu digo que eu não quero ir, é porque eu não quero ir.

– Hein?! – cruzei os braços fazendo careta. – Eu deveria era te empurrar para debaixo do chuveiro frio como você fez comigo. – virei a cara.

Será que alguém da escola tinha me visto com Jade? Se tivesse, seria um caos. Mas... A maioria estava bêbado, acho que os que estavam bêbados não seriam um problema para mim.

– Vou marcar uma consulta no médico. – falei.

– Não precisa, eu estou bem. – Kentin falou se espreguiçando.

– Alguém disse que é pra você? – retruquei arqueando a sobrancelha. – A consulta é para mim.

– Está doente? – ele indagou com um tom de preocupação na voz.

– Só consulta de rotina, tenho que fazer uns exames de sangue e essas coisas.

Arrumei-me meio apressada, peguei a moto de Kentin, claro. Ele deixou, mas mesmo que não deixasse eu ainda iria só de onda. Sério, não sei o que deu na cabeça de Iris de fazer uma festa em plena quinta-feira. Eu notei que os alunos da escola estavam em um número bem reduzido.

Ao chegar à sala eu me deparei com Lana. Ela parecia triste, ou meio zangada... Sei que era um sentimento negativo que ela estava sentindo. Deveria ser sobre a loja...

– Oi Lana. – a cumprimentei.

– Oi. – ela respondeu em um tom meio amargo.

– Algo errado? – perguntei.

– Estou meio confusa. – ela coçou a cabeça. – Por causa de ontem, sobre a loja. – explicou. – Arrombaram, mas não levaram nada. Nadinha.

– O alarme deve ter afugentado os ladrões. – deduzi.

– Não sei... – ela ainda pensava alto. – Mesmo assim, a policia não chegaria rápido ao local. Eles poderiam ter levado algo.

– Credo, Lana! Era para estar feliz por não terem levado nada. – bronqueei.

– Eu sei... – ela corou, sem graça. – Mas não parece estranho?

Tive que concordar em parte, era estranho sim. Talvez fossem aqueles ladrõezinhos burros que não sabem nem arrombar uma loja direito. Mas ainda bem não aconteceu nada demais... Ainda bem.
Se eu contei para Lana sobre Jade? Não queria contar ali... Vergonha, medo de alguém escutar.

Na hora do almoço vi que tinham trocado a TV que Kentin tinha quebrado. Provavelmente a escola, duvido que Castiel pagou para que ela fosse trocada, ainda mais porque a ultima ocorrência me incomodou muito.

– Lynn, Lynn! – Lana me chamou eufórica quase chorando. – Vem ver! Vem ver!

Em poucos segundos vi o amontoado de pessoas em volta da TV, inclusive o F4. Aproximei-me para ver do que se tratava, passei pelas pessoas e fiquei em frente à TV. Não, não era uma noticia idiota de Peggy... Era algo muito pior, muito mesmo.
Eu tinha razão, aquele cara tinha a cópia das fotos. Ao ver aquilo fiquei em choque.

– Que feio, dona Lynn. – Ambre fez uma expressão de reprovação com a cabeça.

– Sai daqui! – exclamei.

Castiel olhava para a TV fixamente, não piscava os olhos nem por um segundo. Meti-me na frente da TV quando o vi assim.

– O que significa isso? – ele bradou.

– Eu posso explicar, eu juro. – falei olhando para Castiel. – Eu acho que armaram para mim.

– Acha que eu sou algum trouxa que engole a primeira desculpa que você manda?! – ele me agarrou pelo meu braço. – E pensar que eu estava mesmo gostando de você. – ele soltou meu braço com violência, virou-se de costas para mim e saiu andando.

Dei passos para segui-lo. Ambre e suas amigas se meteram na minha frente.

– Eu ouvi bem o que o Castiel disse? Ele gosta de você? – ela rugiu cruzando os braços. – Como pôde magoar o Castiel? Você sabe o quão poderoso ele é? Ainda bem que ele te deixou para trás. Você só se comportou como uma vadia! – ela exclamou por fim.

– Cai fora, nojenta! – Lana gritou empurrando Ambre pelos ombros. – Você nem sabe o que aconteceu!

Eu não havia contado para Lana, mas mesmo assim ela me defendia. Lágrimas vieram a meus olhos, um trovão soou, a chuva caiu enquanto eu segurava o choro. Avistei Peggy vendo a situação, já fui em direção dela com o punho cerrado.

– Não foi ela! – Lety se intrometeu segurando meu braço. – Ela pegou catapora e ficou doente em casa, não tem como ser ela a responsável por isso!

– Eu mandei você se meter? – bradei puxando meu braço.

– Mas se eu não tivesse me intrometido, uma inocente iria sofrer nas mãos de uma bruta como você. – Lety cruzou os braços. – Você tem que parar de agir com as suas próprias regras, logo agora que o Castiel virou as costas para você, não pense que a escola vá lá lhe respeitar! – ela soltou uma exclamação parando um pouco e tomando ar. – Fique esperta. – ela aconselhou. – E pare de ser tão infantil! – completou.

Engoli a seco, certo. Lety era peixe pequeno nesse momento, estava aparentando que eu amarelei, mas estar ficando com fama de puta era minha preocupação principal, e não ela. Sim meu colega, estar ficando com fama de puta, mesmo que a noticia chegou aos olhos das pessoas há menos de cinco minutos. Isso prova o quão fofoqueiros aqueles riquinhos mesquinhos são.

A discursão de Lana com Ambre não foi para frente, foi interrompida quando Lety segurou meu braço. Depois disso cada um foi para o seu lado. As pessoas fofocavam enquanto riam de mim sempre que eu passava.
Fui para o jardim, mesmo na chuva, que caía sem dar trégua por um segundo e que só aumentava sua fúria. Me perguntei se até a chuva estava zangada comigo.

Dei passos lentos, por conta da chuva não havia ninguém fora da escola, estavam por onde era coberto. Andei até os jardins onde encontrei aquele banco vazio. Onde em dias normais, nublados, Kentin tocava o violino. Passei a mão no banco e sentei lá, já com lágrimas que se misturavam a chuva. Pensei o quão irritado Kentin ficaria se descobrisse... Será que ele iria virar as costas como os outros fizeram?

– LYNN! – uma voz gritou por mim.

Olhei para o lado, Alexy vinha correndo em minha direção, com a roupa ensopada. Ele parecia chorar, estava com o rosto meio vermelho. Levantei-me assim que ele chegou perto, ele me abraçou apertado entre soluços.

– Eu acredito em você, não neles! – ele falou desesperado.

Nem tudo estava perdido, eu tinha Lana e Alexy, certo? Isso para mim já era muita coisa, quando todo o resto virou as costas para mim.

– Eu sei que você nunca faria isso, nunca! – ele me apertou contra ele, o abracei com força, deixei o choro sair de uma vez. – Eu os farei acreditarem em você, e eles vão se arrepender por duvidarem de você!

– Obrigado. – mantive o abraço com a testa encostada no peito de Alexy.

Lysandre apareceu do nada, com dois guarda-chuvas, um ele segurava para se proteger e o outro ele estendeu na nossa direção. Na hora eu lembrei de Nathaniel que tinha me ajudado enquanto nevava.

– Vamos para a sala do F4. – Lysandre falou entregando o guarda-chuva a Alexy.

– Mas... Castiel... – balbuciei algumas palavras com a voz meio rouca e ainda com um tom choroso.

– Ele disse que ia sair de lá quando eu disse que viria atrás de você. – Lysandre soltou um suspiro. – Temos muito o que conversar, dona Lynn.

Ao chegar na sala do F4, o aquecedor ligado no máximo, Lysandre retirou o colete e ficou com a camisa social.

– Certo... – ele suspirou me olhando. – Eu quero acreditar em você, eu juro.

– Então por que não acredita? Alexy e Lana acreditaram em mim. – retruquei cruzando os braços.

– Se eles dão a confiança deles a você, a decisão é deles, não minha. – argumentou sentando-se de frente para mim. – Eu poderia acreditar em você, mas... Eu tenho que ter provas. E se você não estiver falando a verdade?

– Eu estou falando a verdade! – exclamei.

– As fotos foram bem convincentes... – Lysandre encarou o chão pausando a frase. – Para os outros. – ele ergueu o olhar. – Havia uma terceira pessoa no quarto, aquele menino estava ao seu lado, não poderia ter tirado a foto naquele ângulo.

– Então... Você acredita em mim? – já abria um sorriso, mas ele o cortou.

– Não afirmo isso. – ele suspirou novamente, estava suspirando demais! – Mas estou seguindo a lógica que vi. Você poderia muito bem ter ficado com ele e algum amigo dele se aproveitou da situação para difamar você. – Lysandre olhou nos meus olhos. – Você é próxima do F4, o Castiel gosta de você, você agora é filha de uma modelo famosa. Podem ser fatores. Acredito que você falou a verdade quando disse que talvez tivessem armado para você. Mas...

– Você acredita ou não? – fui direta. Lysandre estava dando voltas no mesmo assunto falando a mesma coisa ou se contradizendo.

– Me dê seu dedo. – ele falou estendendo a mão para mim.

Entreguei a mão para ele. Lysandre pegou um aparelho que para mim era desconhecido. Furou meu dedo e passou no aparelho. Fiquei em silencio, o que ele tinha feito? Aquilo era um teste para alguma coisa?

– Te deram um “boa noite cinderela”. – ele me olhou. – Deve ser o Ácido gama hidroxibutírico que ainda está no seu sangue. – encarei o chão,então... O que será que fizeram comigo? – Agora eu acredito em você.

Logo após ele explicou que esse ácido gama era usado como droga, era o composto que causava o efeito alucinógeno do “boa noite cinderela”. Certo... Mas como ele sabia disso? E melhor ainda, como ele tinha um teste de drogas à mão?