A Órfã Doce
70 A casa caiu
Notas iniciais

Depois do intervalo, fui à procura da sala do F4 para executar o plano de guerra. Estava ansiosa para que eu revelasse para a escola quem era aquela pestinha! Certifiquei-me que Kentin tirasse Castiel da sala do F4, que era a sala do escritório dos membros do F4. Fiquei sentada na cadeira que pertencia à Kentin, as cadeiras de lá eram giratórias, fiquei de costas para a porta. Armin entrou no plano e fez as instalações que ligavam dois microfones aos alto-falantes da escola. Lana estava na sala para cuidar de um dos microfones, por isso ela estava escondida atrás de uma cortina que ficava ao lado da mesa em que eu estava. O papel de Alexy ali era de atrair Debrah até a sala do F4 e a trancá-la lá sem que ela percebesse.
– Gatinho? Você me chamou?
– Olá, Debrah. – sorri assim que me virei para a porta. Parecia até aquelas cenas de filmes. – Achava mesmo que tinha se livrado de mim?
– O que? – ela arqueou a sobrancelha. – O que está fazendo aqui, sua intrometida? Onde está o Castiel?
– No meu bolso. – provoquei.
– Ora, menina! Já não basta o fora que levou lá no telhado, o que quer mais? Está pedindo humilhação pública? – ela sorriu provocando mais ainda. – Se você quiser saber, eu já espalhei pra todo mundo sobre o que aconteceu no telhado.
– Também falou que você é uma cobra manipuladora?
“Vamos... Diga algo que te incrimine”. – pensei. Ela tinha que falar algo que a entregasse.
– E você falou que você quer me separar do Castiel? – ela fez uma expressão triste, levou o dedo indicador dos olhos até o queixo fazendo um gesto de uma lágrima. Ela já tinha feito aquilo antes.
– Quem quer me separar dele é você.
– Eu cheguei primeiro aqui!
– Foda-se. Saiu, perdeu o lugar. – levantei-me da cadeira e comecei a caminhar para lá e para cá dentro da sala. Vi o trinco da porta se mexer discretamente, Alexy já tinha trancado. – Você só quer usá-lo para ganhar fama.
– Francamente, qual utilidade que ele tem a não ser essa? Castiel não é só conhecido aqui, é conhecido no estado inteiro! Se ele se juntar à minha equipe, eu ganharei fama e dinheiro. Depois que ele estiver ultrapassado, vai ser descartado como os outros membros da banda. E você, você perdeu! Loser. – ela fez um L com o polegar e o indicador. – Você não tem chances com o Castiel.
– E você teve chances por quê? Não me diga que mostrou os peitos para “conquistá-lo”. – provoquei, ela fez uma cara zangada. – Claro, uma piranha como você faria de tudo para convencer um garoto, como você tentou com o Nathaniel. Mas diferente do Castiel, o Nathaniel é forte, tem um bom caráter e não gosta de aproveitadoras como você. Castiel é tão idiota que quando viu vocês dois, pensou que a culpa fosse do Nathaniel! E você o incriminou de propósito!
– É claro, sua tonta! – ela arqueou a sobrancelha. – Ele me ouviu dispensar aqueles dois pelo telefone, você acha que eu o deixaria espalhar meu segredo pra todo mundo? Depois que eles dois se espancaram e apareceu alguém para separá-los, ninguém nunca mais acreditou no que o Nathaniel disse. Resolvi todos os meus problemas por causa da idiotice do Castiel. – ela pausou um pouco tomando ar, logo apontou para mim. – E você! Não se ache especial porque o Castiel disse que gostava de você! Ele só queria te usar para esquecer a Angela e ME esquecer.
– Não se preocupe, você foi usada também. – sorri provocando. – Eu realmente não ligo para o Castiel, mas ao mesmo tempo não acho que ele mereça estar na companhia de uma vadia como você. Vadia, piranha, sem grana, sem talento e totalmente desconhecida.
Pronto, consegui o que eu queria. A primeira reação dela foi ficar mais zangada do que estava, ela relevou os xingamentos até onde nós estávamos, mas se quer ferir o ego de um cantor, fale isso que a casa cai. Ela levantou a mão pra mim e já ia querer me bater. Ouvi um chute ensurdecedor na porta, tomei um susto, aquilo não fazia parte do plano. No segundo chute, a porta abriu. A maçaneta quebrou e um ruivo entrou porta a dentro com uma cara mais feia do que o normal.
– G-gatinho?! E-eu... Eu posso explicar!
Castiel fez o mesmo que Debrah há alguns segundos. Quando eu o vi fechar a mão, entrei na frente de Debrah e aparei o soco com uma das mãos.
– Não se bate em uma mulher.
Lana saiu de trás das cortinas e desligou os microfones. Agora sim a treta ia começar, e não era com Debrah no meio. Debrah se recolheu num canto da sala chorando.
– Por que me defendeu? Eu magoei você.
– Não, você não me magoou. A culpa foi do idiota do Castiel! – exclamei dando um empurrão no mesmo, logo comecei a falar o encarando. – Você merece, você merece TUDO isso. A culpa é sua, você me fez chorar, você me humilhou, você me rejeitou. Agora eu quero ver você quebrando a cara por culpa dela! O Nathaniel era inocente e você jogou o F4 nele. Ele quase morreu! – Castiel passou uns segundos sem falar.
– Mas eu salvei a vida dele. – era verdade... Mas era o mínimo que ele poderia fazer quando anteriormente quase matou o Nathaniel. – Por que... Você disse que as pessoas tinham que ser altruístas... – fiquei muda.
– Mas você ainda está errado, Castiel. – Lana suspirou. – Se você fosse uma pessoa tão boa assim, não teria mudado o comportamento por causa de ninguém. – ela fez referencia lançando um olhar contra mim. – A bondade não vem dos outros, vem de dentro. Se você fosse uma boa pessoa, teria apresentado essa bondade há muito tempo. E se acha que a Lynn é ingênua para cair nessa sua laia com você se fazendo de santinho, está muito enganado! Agradeço pelo que fez por Nathaniel, mas acha que isso resolve tudo? Aliás, acha que eu não sei sobre as mentiras que você contou para ela?
Castiel me olhou fixamente com uma expressão de espanto, até eu mesma estava espantada. Lana mostrou um comportamento mais maduro e não estava mais tão abalável como antes. Quem sabe aqueles ocorridos com Nathaniel a ensinaram algo.
– A culpa também é sua, Lynn. Por se deixar levar por um garoto do tipo de Castiel. – ela cruzou os braços e lançou um olhar frívolo ao mesmo. – Um garoto pelo qual a metade das meninas da escola é derretida. Aliás, você já deve ter sucumbido aos desejos dessas tais. Fornicador!
Às vezes as expressões de Lana me lembravam as de Charlotte. Ambas eram inteligentes e às vezes usavam uma linguagem mais culta mesmo que para ofender alguém. As palavras da mesma causaram impacto a todos daquela sala, de alguma coisa Lana deveria saber mais do que eu, até porque Lana não é pessoa de levantar falsos. De qualquer forma, ela só afirmou idéias que eu já tinha suposto na minha cabeça. Se Castiel era tão cafajeste assim, por que Kentin estava meio que permitindo que eu ficasse em companhia do mesmo? Será que Castiel enganou até o próprio F4? Não... Isso não tinha o menor sentido!
A máscara de Debrah havia caído e se espatifado no chão como um espelho que trás sete anos de azar. Era tudo isso que eu queria ter feito, meu orgulho estava recuperado. Apesar de concordar com o que Lana disse, uma parte dentro de mim não conseguia negar que, mesmo que tudo aquilo tivesse acontecido, um sentimento por Castiel ainda permanecia intacto.
“Se Kentin não me dá exemplos, eu também não seria o tipo de pessoa no qual alguém deveria se espelhar”. – pensei. – “Que tipo de pessoa é tão teimosa quanto eu? Que tipo de pessoa erra e não aprende? Não mereço méritos”.
Desse modo, a melhor coisa a se fazer seria manter a maior distancia possível de Castiel. Talvez ele fizesse o mesmo, ou talvez ele viesse ao meu encontro para conseguir meu perdão. Eram hipóteses, talvez a opinião dele sobre mim tivesse mudado com aquilo que aprontamos para desmascarar a fulana e deixá-lo com cara de idiota. Talvez a distancia fosse o melhor remédio para matar aquela bactéria que persistia, no fundo do meu coração, a pulsação daquele sentimento doentio. Castiel não gostava de mim, a prova foi totalmente exposta, só não via quem não queria. Assim que Debrah apareceu, de uma hora para outra ele deixou de gostar de mim. Que raio de amor era esse?
– Hei! – Kentin exclamou, chamando minha atenção quando abriu a porta do meu quarto e foi entrando. – Toma isso aqui.
Era um buquê de rosas azuis, enorme. Arregalei os olhos e os mesmo brilhavam, nunca havia visto rosas azuis na minha vida. Eram simplesmente perfeitas.
– Você comprou?
– Não exatamente. – ele revirou os olhos e coçou a cabeça. – Veio com um cartãozinho de alguém. – ele falou tirando um papel amassado de dentro do bolso do short. – Mas acho que você não precisa ver.
“Castiel”. – pensei soltando um leve suspiro.
Kentin saiu do quarto. Depositei as rosas no criado mudo e me encolhi em minha macia cama. Saquei o celular e olhei a foto da qual Kentin me passara para suspender meu F4. Castiel parecia mesmo uma menina, resmunguei algum xingamento aleatório. Eu fiz o que eu queria, mas mesmo assim não me sentia satisfeita.
Tirei um cochilo, quando acordei pensei em ligar para Lana e marcar alguma coisa com ela, sair ou coisa do tipo. Quando peguei o telefone fixo, vi que Kentin estava usando a outra linha que ficava no primeiro andar da casa. Fiquei escutando.
– Poderia reconsiderar. Não acha que poderia dar uma volta com ela? – era a voz de Kentin.
– Não me leve a mal, mas eu me recuso. A situação está tensa entre mim e ela. Ela gosta do Castiel, isso me incomoda. Por que você não sai com ela?
– Porque ela não vê graça em sair comigo.
Demorei uns segundos para reconhecer a voz grave que vinha do outro lado da linha. Era Lysandre. Eles continuaram a conversa e eu continuei a ouvir.
“Puta que pariu”. – pensei. – “Ta vendo?! Essas merdas só acontecem comigo!”.
– Ela é uma garota muito complicada. – Lysandre suspirou. – Do que adiantaria eu fazê-la rir, do que adiantaria eu tê-la consolado naquele dia se eu não seria o escolhido, e sim o Castiel?
Um silencio se instalou na linha, até achei que haviam desligado o telefone. Meu coração doía.
– Espera! Não que eu só a acompanhe com segundas intenções, não é isso! – Lysandre disse rápido tentando se explicar.
– Eu acho que eu sei como você se sente. Ela é meio mal agradecida, mas ela acaba reconhecendo o esforço do qual nós fazemos. Talvez seja melhor a Lynn ficar longe de garotos por um tempo. Talvez seja melhor para todo mundo ter uma problemática em casa, quieta. – ouvi uma respiração pesada na linha. – Certo. Desculpe por incomodar. Até mais.
– Até.
Ambos desligaram, coloquei o telefone onde estava. Ia ligar para Lana, mas tinha até perdido a vontade. Voltei a deitar-me de bruços na cama com a cara enfurnada no travesseiro. Arrependi-me. Quando Lysandre me perguntou se eu gostava de Castiel, eu deveria dizer que não, mesmo que fosse mentira. Eu tinha que por na minha cabeça de vento que Castiel era um cafajeste e que ele não servia para mim! Sem chances, sem dó, sem querer gostar de alguém! Se eu soubesse que o amor complica a vida das pessoas, nunca nem teria tido a curiosidade de obtê-lo.
Eu poderia querer deixar o amor de lado e toda essa baboseira de sentimentos complicados, mas ainda havia Lysandre na minha vida. Seria ele a nova pessoa que seria responsável por complicar tudo? Eu queria esquecer tudo isso, mas eu também gostada de Lysandre. No caso, Kentin estava certo quando falou que era bom eu me manter distante de garotos por um tempo.
A solução era simples, manter distancia. Mas é fácil de falar, por isso em prática seria uma missão completamente complicada. Eu queria que minha cabeça fosse como um navegador de um computador, no qual se tem a opção de “apagar histórico”. Teria que ser tudo friamente calculado de agora em diante, teria que ser inteligente! Para mim, ser inteligente é saber quando parar de dar corda naquilo que não tem futuro. Além de burra, eu era cega.
– Quer sair? – Kentin convidou quando abriu a porta sem nem ao menos pedir licença. – Opa...
Como estava sozinha no meu quarto antes dele chegar, e o aquecedor estava ligado no máximo, eu tinha tirado o short que estava apertado e havia ficado de calcinha e blusa. Ele já havia me visto quase pelada, mas ele era muito descarado e inconveniente!
– Sai! – berrei para ele. Kentin revirou os olhos, pegou uma das cobertas e jogou em mim, tapando o que estava descoberto.
– Quer sair? – neguei freneticamente com a cabeça. – Que pena, porque você vai sair. E é melhor se vestir, ou eu mesmo vestirei você.
Ele estava blefando, saiu do quarto e bateu a porta. Fiz corpo mole, mas coloquei qualquer roupa que veio pela frente. Ele mesmo disse que talvez seria bom que eu ficasse longe de garotos. Que boa ajuda ele estava me dando!
Fomos a um restaurante japonês. Lana, Armin e Alexy estavam lá também. Tive a leve impressão de que Kentin tinha marcado de ir com eles. Logo o mesmo confessou:
– Eu não poderia te deixar em casa sozinha.
Armin ficou resmungando alguma coisa sobre não gostar muito de comida japonesa e preferir a Alemã, mas Kentin discordou dizendo que era muito gordurosa. Lana entrou no assunto dando a sua critica sobre as culinárias, já que ela é meio que “especialista” nesse assunto. De todos nós, Alexy era o mais tenso de toda a mesa. Talvez por ainda se sentir culpado pelo que disse comigo e com Lana, apesar de que ele me ajudou com meu plano. O que ele esbravejou no corredor sobre meus “lances” com Lysandre e Armin, pareceu não haver conseqüências graves, até porque quem estava por fora do assunto não entenderia muito bem do que se tratava.
No restaurante, houve um pequeno constrangimento: Eles vendiam bebidas alcoólicas. Uma tal bebida chamada de “saquê”. Todo mundo tomou uma dose, menos Lana, ela disse que se recusava a chegar em casa cheirando a quaisquer tipos de bebidas. Isso tudo porque eu sei que o padrasto de Lana bebia e fumava muito, tia Cristal tem horror a essas coisas. Alexy ficou mais soltinho, na verdade, foi o que mais bebeu na mesa. Armin e Kentin eram os motoristas, só tomaram uma dose.
Sobre Armin eu não sei, mas Kentin não ficava chapado tão fácil, e isso fazia lembrar-me de uma coisa... Houve um dia em que eu bebi demais com Kentin e acordei sem blusa desmaiada na escada. Tentei esquecer aquilo, e de fato eu havia esquecido, mas a lembrança voltou no momento. Ele nunca tinha falado sobre o assunto.
Alexy contava umas coisas para mim e para Lana. Ele falava sobre um assunto que envolvia Kentin, mas além de Alexy falar disso na presença dele, ainda falou alto. Primeiro ele começou a falar sobre algumas vezes que ele tinha visto os meninos do F4 pelados. Até me lembrei de uma vez que Castiel disse: “Nada de olhares esquisitos!”, quando eles foram para o ofurô.
– Que pena que é o seu irmão. – Alexy olhou para mim e apontou para Kentin. – Todos são grandões, mas o dele é um dos maiores.
Tapei a boca com a mão, observei a expressão de Kentin, era pior que a minha, estava totalmente vermelho. Armin jogou a cabeça pra trás e deu uma risada totalmente escandalosa. Uma das coisas que eu acho engraçado em Armin é a risada, quando ele dá uma risada escandalosa, parece até que um bicho acordou dentro dele e está querendo sair. Tanto que quando alguém faz uma piada e ele dá uma risada escandalosa, eu não dou risada da piada e sim da risada dele.
– O que? Não entendi. – Lana era a única da mesa sem reação alguma.
– Ele ta falando do sashimi do Kentin. – Armin brincou. Kentin bateu a mão na testa quando me viu rindo da piada de Armin.
– Hei! Eu não estou falando das coisas de vocês! Parem de falar das minhas! – ele reclamou.
– “coisas”... – Lana repetiu, parecia até quando você pesquisa alguma coisa em internet discada e demora pra carregar. Assim que a ficha caiu, achei que Lana iria corar, mas pelo contrario, ela deu uma risada escandalosa junto com Armin. Quem olhasse de longe, parecia até que os bêbados eram eles, e não Alexy.
Lana concordou em voltar para casa conosco, não achava uma boa idéia ir com Alexy naquele estado.
– E se rolar incesto, não quero nem ver! – ela exclamou entrando no carro comigo e Kentin.
Dei uma risada. Na cidade havia uma parte que não havia construção alguma em volta. Era só a estrada de asfalto por uns dois quilômetros, se eu não me engano. Aquele carro de Kentin tinha um alarmezinho que ficava fazendo barulho enquanto os passageiros da frente não colocassem o cinto de segurança. Eu e Lana ficamos no braço de trás conversando e cochichando algumas coisas. No caso, só ele colocou o cinto.
– Não devia estar dirigindo! – Lana passou sermão. – Você bebeu!
– Cala a boca, anã de jardim. – ele reclamou olhando para trás. – Eu não ficaria bêbado com uma dose de uma bebida tão fraca! – ele virou-se para frente. Estávamos entrando na estrada que eu havia citado, havia poucos postes também.
– Ainda estou rindo com a parada do “sashimi”. – brinquei.
– Hei! Já disse para parar de falar nisso! – Kentin bronqueou virando o rosto para mim.
– A ESTRADA! – Lana exclamou.
De uma hora para outra apareceu um carro desgovernado na contramão. Kentin virou bruscamente o volante para o lado para conseguir evitar a batida. Ao lado da estrada, havia uma parte mais baixa que havia deslizado no período das chuvas mais fortes. O carro capotou umas três vezes, eu apaguei na hora. Quando abri os olhos, percebi que só havia a iluminação dos faróis do carro, ouvi o barulho do choro desconsolado de Lana, ela segurava o braço e parecia chorar de dor.
– Você consegue se mexer? – perguntei.
– Não sei. – ela respondeu entre os soluços.
Não estávamos num ambiente muito iluminado, mas na hora eu percebi que ela tinha deslocado o ombro. O carro estava de cabeça para baixo, Lana estava sentada, aparentava que já estava consciente há alguns minutos. Kentin estava de cabeça para baixo sendo segurado pelo cinto de segurança. Coloquei a mão na cabeça, sentia sangue escorrer na minha testa. Meus braços estavam arranhados, Lana tinha poucos arranhões, mas o ombro parecia ser uma coisa séria. O que era mais sério é que eu sentia cheiro de gasolina.
“Está vazando, merda!”. – pensei. O carro havia virado uma bomba relógio, mas não contei a Lana, ela ficaria muito desesperada e isso me deixaria mais nervosa ainda.
Tirei a trava de segurança da porta e a abri na base de chutes. Assim que consegui sair, fui logo abrindo a porta do motorista para tirar Kentin de lá.
– Lana. – a chamei, ela ainda estava dentro do carro. – Solta o cinto dele.
Eu não tentaria subir até a estrada com Kentin, seria quase impossível. Ainda mais porque era só eu para carregá-lo e Lana não conseguiria subir sozinha com o ombro fora do lugar. O que tínhamos que fazer era nos afastar do carro o mais rápido possível.
– Alô? Sofremos um acidente aqui na rodovia 125. Precisamos de uma ambulância o mais rápido possível.
Lana já havia ligado pedindo ajuda. Assim que ela desligou o celular, pegou Kentin pelo braço e começo a arrastá-lo comigo para longe do carro, ela usava o braço que não estava machucado para me ajudar a carregá-lo. Ela parecia desesperada, aposto como sentiu o cheiro de gasolina também. Um clarão incomodou minha visão, o cheiro de fumaça me fez tossir. O carro estava em chamas.
– Pode soltar. – disse a Lana, mas continuei a arrastar Kentin para mais longe.
Kentin ainda estava inconsciente, mas ainda estava respirando. Deixei-o deitado e tentei acordá-lo, mas não adiantava. Olhei para Lana, o ombro dela estava alto. Fiz careta me sentindo incomoda com as caretas que ela fazia.
– Quer que eu coloque no lugar?
– Não! – ela exclamou de uma vez. – Dói muito.
A situação do carro piorava, tanto que a fumaça estava vindo onde nós estávamos. Peguei Kentin pelos braços com a intenção de continuar arrastando-o para mais longe do carro. Um pequeno estrondo veio do carro. Joguei Lana por cima de Kentin e me joguei em cima dos dois para protegê-los. Depois da primeira pequena explosão, o fogo chegava até o reservatório principal que era o tanque de gasolina. A explosão fez um estrondo enorme, uma das partes do carro voou em minha direção e me acertou nas costas e na cabeça.
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