Notas iniciais
Mais uma fanfic lotada de romance, fofura, luta e drama (porque sim, pois as fanfics da Pixel aqui tem uma marca: drama). Obrigada a quem veio ler. Espero que realmente gostem da história, que faço com muito carinho! Já fiz uma fanfic do Zoro, justo que tenha agora uma de seu 'mestre' ♥
A fanfic do Zoro não está aqui no Fanfiction, só no SS.

Como todo falcão em meio a sua jornada de caça e de sobrevivência, o grandioso Dracule Mihawk traçava seu caminho pelo calmo mar naquela tarde. O som das ondas se quebrando ao bater na proa de sua jangada era seu principal mantra, ago que o acomodava naquela solidão. Gostava de ficar sozinho, pois trabalho em equipe nunca foi vantajoso para alguém com sua personalidade forte e arrogante. Companhias não eram agradáveis, além de que o espaço que tinha para si não era suficiente para alguém além dele.

Em meio a tarde ensolarada em mar aberto, Mihawk nunca pensou que seu destino lhe pregaria uma peça com tamanha magnitude. Estava sentado em sua jangada, com os braços cruzados e de olhos fechados, apreciando o som das ondas. Seu peito nu recebia a brisa fria e lhe trazia calmaria e paz. Teve vontade de se livrar de seu longo sobretudo e de seu chapéu de estilo mosqueteiro, mas a paz no ambiente lhe impedia de fazer tamanho esforço.

Nada poderia tirar a calma daquele falcão solitário naquele momento, até que um som lhe chamou a atenção. Os olhos de falcão se abriram e se tornaram alertas. Orbes dourados vasculharam o horizonte ao ouvir aquele som de quebra de ondas encontrando uma barreira. Era o mesmo som oco que fazia quando a água atingia sua jangada, mas desta vez vinha de algum lugar do mar. Ele pensou que poderia ser um navio, portanto esperou que o vento empurrasse gentilmente suas velas negras até a fonte do som.

Mais rápido do que imaginava, Mihawk então viu destroços do que um dia poderia ter sido um pequeno bote boiando na água cristalina. Pedaços que ficavam cada vez maiores, até que o espadachim viu então metade daquele bote boiando, enquanto algo estava jogado sobre ele.

Deveria haver corpos boiando na água, mas era notável que só deveria haver um tripulante naquele bote. Naquela metade do bote, o falcão viu o contorno de uma pessoa trajando vestes brancas flutuando apenas graças aos braços agarrados ao bote. O corpo era movimentado delicadamente graças as correntes do mar.

Achando estranha a presença de botes próximos a sua ilha, Mihawk ficou de pé e esperou a aproximação completa do corpo inerte e se surpreendeu quando chegou.

Era uma moça. Os curtos cabelos cor de areia boiavam sobre seu rosto, o cobrindo completamente. O corpo pequeno e com curvas gentis era quase totalmente visível devido ao vestido branco molhado. O contorno de suas costas semi nuas era a parte que estava exposta ao sol, pois as pernas estavam boiando na água. Devido a posição, se houvesse alguma onda forte, o corpo se desprenderia do bote e seria levado para as profundezas. Porém o que foi mais estranho naquela visão foi a enorme quantidade de penas cinzentas e castanhas flutuando ao redor do corpo.

Mihawk queria se certificar de que a moça estava mesmo morta antes de ir. Não costumava prestar ajuda a qualquer um, mas a moça estava sozinha naquela imensidão próxima a sua ilha, e caso estivesse acordada, não seria muito humano deixa-la alí para ser devorada por criaturas.

— Garota? –exclamou ele quando se aproximou completamente. Estava tão perto que se ficasse de joelhos, poderia puxá-la para sua jangada.

Quando não ouviu resposta, ele se ajoelhou diante do bote e alcançou com os dedos a jugular da moça, coberta de cabelos. Ainda tinha filetes de vida em seu corpo pois o sangue pulsava na enorme artéria. Sem saber da gravidade dos ferimentos da moça, Mihawk enfiou as mãos nas axilas dela e a puxou para longe da água, até sua jangada. Era cuidadoso nos movimentos, mas bruto de certa forma. O corpo molenga e leve dela veio rapidamente até o piso da jangada. Ela não era uma mulher grande, devia ter pouco mais de 1 metro e meio, contrastando com os quase dois metros de seu salvador.

Quando deitou a moça na jangada, aos pés de seu acento, Mihawk afastou o cabelo de seu rosto e notou o quanto esta era bonita. Ela tinha lábios bem desenhados e rosados. Os olhos fechados esbanjavam cílios longos e curvados. O vestido que usava cobria parcialmente seu colo, com as alças caídas pelos braços. Ela tinha corpo, era bem notável, o que indicava que não era uma criança. Se Mihawk não fosse um homem totalmente sério e decente, teria parado para ver todo o corpo exposto por debaixo do tecido da moça, mas ele não o fez. No lugar de olhar, ele apenas retirou o próprio sobretudo e o jogou sobre o corpo da menina, deixando apenas sua cabeça exposta, pois provavelmente ela sentiria frio devido as roupas molhadas.

E voltando a se sentar, Mihawk aguardou o despertar da moça para descobrir o que se passara e se possível prestar alguma ajuda.

***

O vento já estava ficando forte e gélido naquele fim de tarde. Devido a lentidão da jangada por ter um peso extra, Mihawk sabia que não chegaria em sua ilha antes do anoitecer. O homem lançou um olhar impaciente para a moça, que parecia ainda em sono profundo. Algumas vezes espetou o dedo na jugular dela para verificar se ainda estava viva, mas parecia apenas dormir. O falcão voltou a posição inicial, cruzando os braços sobre o peitoral forte e perfeito e se deixou cochilar um pouco. As longas viagens eram sempre cansativas, e naquele dia em especial, ele se cansara em dobro.

As luzes verdes e sinistras das velas nas extremidades da jangada iluminaram os olhos dourados que se abriram naquele momento. Quando a moça misteriosa arregalou os enormes olhos de ouro, o desespero bateu em seu corpo em uma onda de flashes do que ocorrera naquela tarde. O redemoinho que se formou em sua cabeça era destruidor... ela ouviu novamente as pessoas gritando e correndo atrás dela. Lembrou de quando conseguiu subir no bote, andando de um pé só, pois o outro fora brutalmente quebrado para evitar sua fuga. Queria fugir para o mar e quando finalmente achou que estava salva, alguém já havia posto uma armadilha dentro do bote. Quando a pequena bomba caseira explodiu, o bote se despedaçou. Ela conseguiu se segurar no bote e ficar flutuando acima dele, mas sabia que se o mar ficasse agitado, ela seria carregada para a escuridão... e o mar lhe deixou fraca e ela finalmente desmaiou.

Agora com os olhos abertos e com o corpo protegido do vento frio, ela pensou que fora finalmente pega por aquelas pessoas... mas não era possível. Ela estava sem algemas, livre, apenas coberta por algo que parecia uma manta. O frio gelava seus ossos e por um minuto ela não sentia a dor da fratura em sua perna, porém ela se assustou ao ver o que estava diante de si.

Com a boca aberta, como quem parecia estar vendo o sonho mais empolgante e belo da vida, a moça avaliou o homem que dormia na sua frente, sentado e com os braços cruzados sobre um peitoral lindo e definido.

Aquele homem parecia um anjo da morte de tão belo e tentador. O bigode formava dois “V” acima da boca e o cavanhaque era bem cortado e liso. O contorno aquilino e másculo de seu rosto era como o de uma obra de arte feita por algum pintor que queria retratar o mal diante de si. Sim, aquele homem parecia o mal em pessoa, tão bonito e tentador, perigoso de alguma forma.

A garota estava tão admirada com aquele homem, tão hipnotizada que se levantou bruscamente para tocá-lo, mas foi acometida pela dor torturante de sua perna esquerda. Ela soltou um gemido desesperado e se pôs a chorar.

O choro despertou o falcão daquele cochilo atento. Ele então se deparou com a garota sentada, apertando a coxa da perna esquerda e apertando os olhos. Então ela finalmente estava acordada e parecia sentir muita dor.

— Você está bem? –ele perguntou se ajoelhando no pequeno espaço diante dela e esperando uma resposta. Os cabelos negros agora eram expostos, pois seu chapéu repousava no seu assento.

A moça abriu os olhos ao ouvir a voz forte e tão adulta daquele homem, e quando os olhos se encontraram, longos momentos de silêncio foram causados.

Olhos igualmente dourados. Olhos de falcão, como era conhecido Mihawk, nunca imaginou que um dia veria olhos parecidos com os seus... porém naqueles olhos havia algo mais puro e angelical. Olhos que pareciam ouro derretido e encrustado como uma pequena joia. Por um momento ele se deixou encantar, mas logo voltou a sua posição inicial, lembrando do por que olhar naqueles olhos.

— Responda. Você está bem? –ele repetiu a pergunta agora falando em um tom mais sério.

E então a garota deu atenção novamente a dor. Aquele homem parecia não lhe conhecer, então aquilo lhe deixou mais tranquila, além de fazê-la sentir salva.

— Minha perna... –ela gemeu. Sua voz era doce e calma como o mar.

Mihawk então retirou seu sobretudo das pernas da menina, expondo a perna esquerda. A panturrilha estava inchada e parecia ter uma coloração mais escura que a tonalidade da pele da moça. O falcão levou a mão até a perna dela e tentou erguê-la, porém ouviu o gemido da moça, alertando a dor que sentia.

— Está fraturada. –disse ele sem emoção e ficando de pé. — Me diga seu nome e o que estava fazendo no meio do mar.

Ele foi até um compartimento atrás de seu assento e retirou de lá um remo. Se posicionou na lateral da jangada e começou a remar, prestando atenção somente no horizonte. Queria chegar rápido em sua ilha para procurar uma forma de ajudar aquela moça.

— Ah... –a moça começou dizendo. Ela se encostou onde era o assento de Mihawk e abraçou o sobretudo que ainda estava em seu colo, sentindo o calor que emanava dele. — Meu nome é Wyvia. Eu estava indo embora da minha ilha e acho que bati em algum recife. E o senhor, quem é?

Não gostando de ser chamado de senhor, Mihawk continuou remando, ignorando a denominação.

— Dracule Mihawk. –disse ele sem intenção de dizer do que as pessoas o chamavam. — Por que estava partindo apenas em um bote?

A garota empalideceu. Não conhecia aquele homem, não sabia nada sobre ele além do nome, apenas que foi salva. Não queria contar o que lhe aconteceu, pelo menos não naquele momento. Ela pensou em alguma desculpa, mas realmente não tinha.

— Não sei... –ela disse com simplicidade. — Eu acho que pensei que conseguiria ir embora tranquilamente. As pessoas de Jaman tem costumes muito ruins e uma cultura puramente criada a partir de lendas e superstições.

Metade daquilo era verdade. Wyvia se encolheu mais ainda de frio, olhando para as costas do remador a sua frente. As costas dele tinham músculos tão bem definidos e bonitos que causou nela um arrepio delicioso em meio a sensação de dor. Os cabelos curtos e bagunçados também lhe chamavam. Aquele homem era lindo... era admirável e realmente se parecia com um anjo da morte.

— Jaman não fica muito longe de onde eu moro. –comentou Mihawk logo avistando sua ilha no horizonte escuro. Era um borrão negro e característico que ele conhecia muito bem. — Vou permitir que fique na ilha até que sua perna esteja boa o suficiente para você se cuidar sozinha. Quando melhorar, pode partir novamente para onde quer ir.

Wyvia se cobriu mais ainda com o sobretudo. Não sabia para onde ir. Não tinha um lugar para ela naquele mundo. Jaman era uma ilha com pessoas cruéis e a última coisa que queria era voltar para onde as pessoas a feriam. Agradeceu em silêncio por seu salvador e pela hospitalidade que estava oferecendo. Nunca pensou que alguém a ofereceria abrigo. Aquele homem realmente era um ser diferente... e o melhor de tudo: não era de Jaman.

Notas finais
~Fiquem a vontade para comentar, criticar, elogiar, falar mal, gostar, amar, favoritar, querer me abraçar... vocês decidem ♥