Notas iniciais
Oi pessoal, espero que estejam gostando da fanfic

Os boatos sobre aquela enorme e sinistra ilha pareciam todos verdadeiros e Wyvia precisou ver com seus próprios olhos para acreditar. Kuraigana era uma ilha tão escura e sombria que parecia sair de um conto de terror de Jaman. A ilha devia ser sede de um reino, que agora estava em ruínas. Todo o lugar parecia imerso em escuridão e os destroços eram a principal decoração, além de árvores distorcidas e nuas.

Surpresa e encantada ao mesmo tempo, Wyvia observou enquanto Mihawk puxava a jangada para ancorá-la na ilha. As velas se apagaram imediatamente e o contorno de seu herói não era mais visto. Sons de galhos sendo quebrados e passos estranhos deixaram a garota assustada, que abraçou mais ainda o sobretudo que lhe cobria. Passava frio, e agora com medo conseguiu recuperar um pouco do calor.

— Você demorou tanto! Achei que tinha morrido em algum lugar. –disse uma voz feminina e meio aguda no meio da escuridão.

Sem ouvir uma resposta de seu herói, Wyvia aguardou por alguma coisa, alguma ordem ou algo do tipo, mas isso não aconteceu. Passos pesados na jangada demonstraram a aproximação do homem, que parecia enxergar completamente bem naquela escuridão.

Como se acordasse do transe, Wyvia percebeu que enxergava melhor que qualquer ser humano do mundo. Ela apertou os olhos dourados e enxergou completamente as duas pessoas diante de si. Parecia acordar alguma coisa dentro de si que lhe deu uma visão noturna excelente. Uma das silhuetas era de uma mulher trajando roupas extravagantes e coloridas. Os cabelos rosados formavam cachos enormes atrás da cabeça e um chapéu cobria o alto da cabeça.

— Ué, quem é essa menina? –perguntou a mulher se aproximando alguns passos e vendo a garota bonita que era coberta pelas roupas de Mihawk. — O que ela faz aqui? Como a encontrou? Ela tem quantos anos?

— Cala a boca, Perona. –ordenou Mihawk se ajoelhando diante da menina e dando uma olhada na perna ferida e inchada. — Procure ser útil e prepare um quarto pra ela.

Wyvia ficou calada, sem saber o que dizer. Se sentia uma intrusa naquele local e preferia ficar calada. Não conhecia aquela mulher e mal conhecia seu salvador, portanto precisava ser cautelosa para evitar que algo lhe acontecesse. As pessoas sempre demonstravam interesse nela por algum motivo, e talvez não fosse diferente com as pessoas estranhas daquela ilha. Enquanto era distraída pela aparência extravagante da mulher, Wyvia se sentiu sendo erguida do chão. Mihawk a pegou no colo e começou a carrega-la para longe da jangada em direção a uma trilha no meio das árvores sinistras. Se agarrando ao pescoço dele e sentindo um certo alívio nas dores na perna enquanto estava tão próxima a aquele homem tão admirável, Wyvia observou a mulher que começou a flutuar ao lado deles, como se fosse uma fantasma. Os pés flutuavam levemente erguendo um pouco da fumaça sepulcral do chão, e permaneceu com os olhos negros fixos nos olhos dourados da nova garota.

— Você é muito pálida! –disse Perona apertando um pouco os olhos para fitar a menina. — Nem a luz da lua é tão morta quanto sua pele! Você está nua? De onde você veio? Qual o seu nome?

As perguntas eram tantas e feitas tão rapidamente que Wyvia não sabia o que responder. Ficou apenas olhando, com a mesma cara de curiosa por cima da aba do chapéu de mosqueteiro.

— Perona, dê a ela algumas roupas suas. –disse Mihawk cortando o silêncio pós perguntas constrangedoras. — Ela não tem nada para vestir.

Os olhos já grandes de Perona se arregalaram ainda mais e ela flutuou mais rápido para voar na frente de Mihawk, cobrindo sua visão do caminho que seguiam.

— O que?! Minhas roupas não! Ela não combina com minhas roupas! Ela não tem o charme para usar! –começou a protestar, mas notou que Mihawk não ligava nem um pouco para suas lamentações sobre as roupas. Ele continuava caminhando, tentando ignorar a presença da mulher, como sempre tentava fazer.

— Devo lembrar que não concordo com sua presença nessa ilha? –perguntou Mihawk de forma penetrante. Perona era uma intrusa em sua ilha e a presença dela as vezes incomodava o espadachim, que gostava de ficar sozinho. Porém, ele não foi ruim o suficiente para enxotá-la da ilha. Não era de seu feitio fazer isso.

— Sempre vai ficar jogando na minha cara que não sou bem vinda... agora tenho que dar minhas roupas, pode isso?–resmungou Perona voltando a flutuar ao lado dos dois, as vezes lançando um olhar ou outro para a jovem garota nos braços de Mihawk. — E você não vai responder minhas perguntas?

Wyvia deu um sorriso pequeno. Não gostava muito de falar de si, mas como era uma intrusa naquela ilha –mais que Perona –resolveu falar, afinal, o próprio Mihawk precisava conhece-la melhor para criar confiança.

— Me chamo Wyvia, tenho dezenove anos...

— MENTIRA! –gritou Perona, chocada. — Você é pequena e fofa, não é possível! Que gracinha, você tem idade para ser filha do Mihawk!

Wyvia sentiu seu rosto queimar quando ouviu aquilo. Olhou para o rosto de perfil de Mihawk. Ele continuava com a expressão vazia e ranzinza. Parecia que aquela expressão era a única que havia em seu rosto, como se fosse uma estátua de mármore.

O resto do caminho só foi preenchido pelas perguntas de Perona. Perguntava para Mihawk onde ele havia ido, onde encontrou a menina, o que estava acontecendo no mar, mas o espadachim se limitava a respostas curtas. Tinha pressa de cuidar daquela garota logo para que ficasse bem e saudável para seguir sua viagem.

Quando chegaram no enorme castelo, passando por toda a destruição do que deveria ser um reino, Perona entrou primeiro e deixou que os dois ficassem para trás. A mulher foi encontrar roupas e um quarto para a nova companheira de solidão daquele enorme e escuro castelo.

— Senhor... –disse Wyvia cortando o silêncio do caminho iluminado por velas de um dos corredores do castelo. Ela estava com as bochechas rosadas. — Eu acho que esqueci de agradecer por não me deixar para morrer no mar. Serei eternamente grata ao senhor.

— Agradeça quando estiver bem e pronta para voltar a sua viagem. –respondeu ele, seco como sempre soava.

Wyvia se calou. Ficou o resto do caminho observando agora o rosto do homem desta vez iluminado pela luz das velas. O rosto dele era tão másculo e bem desenhado que não parecia real para ela. Nunca vira um homem com uma aparência no mínimo parecida em Jaman. Era algo tão único que por vários momentos chegou a acreditar que só poderia ser obra do destino, especialmente quando dava atenção aos olhos dourados dele.

— Seus olhos se parecem muito com os olhos de uma ave de rapina. –disse ela admirada. Desta vez os olhos dele se voltaram para os seus. Ela conseguia olhos de aves como ninguém.

— Olhos de falcão. –disse ele em resposta. — Escuto isso sempre.

E então Mihawk viu Perona no fim do corredor, abrindo a porta de um quarto e segurando um castiçal em mãos. Os dois foram até o quarto, onde havia uma cama singela, com cobertores e no outro extremo havia um banheiro.

— O que você está fazendo? –perguntou Mihawk que se recusou a colocar Wyvia deitada naquela cama, que parecia totalmente coberta por poeira.

Perona sacudiu os braços de forma impaciente.

— Não é óbvio? Estou arrumando aqui pra ela! Não quero ter que dividir meu quarto.

— Está ótimo... –disse Wyvia tentando evitar qualquer tipo de incômodo. — Eu fico aqui, não parece tão ruim. Digo, basta tirar a poeira.

Mihawk lançou um olhar reprovador a ela e depois se voltou para Perona.

— Não precisa, Perona. Acho que já arrumei um lugar melhor pra ela. –e então ele voltou para a porta de onde veio. — Nem mesmo um babuíno dormiria nesse quarto imundo e caindo aos pedaços.

E ele deixou Perona para trás, que resmungava sobre ter perdido tempo limpando aquele quarto, mesmo que tivesse feito aquilo há menos de 5 minutos.

Ainda no colo de Mihawk, a moça pensava em como deveria estar incomodando e o quanto se sentia mal sobre isso. Estava ferida, sem roupas, cansada e com fome. Se sentia muito agradecida, mas mesmo assim a sensação de incômodo era gigantesca. Mihawk não parecia incomodado, na verdade ele não parecia sentir nada ao contrário de Perona.

— Perona reclama, mas ela não fará objeções para cuidar de você. –disse Mihawk subindo umas escadas em pedraria. Escadas que deram acesso a um quarto grande e neutro, com decoração simples e sem exageros. Uma enorme cama de casal era coberta por panos negros e vermelhos, sempre com tons escuros. Era limpo e organizado. — Fique aqui por enquanto. Vou arrumar o seu quarto agora.

Então ele deitou Wyvia gentilmente na cama, com cuidado para que o pé ferido da moça não se chocasse com brutalidade no colchão. Ao deitá-la, ele também retirou de cima dela seu sobretudo, agora o passando sobre os ombros e vestindo novamente. Somente naquele momento que Wyvia reparou nos músculos do abdome dele e do tempo que permaneceu em contato com a pele alva e musculosa. A moça corou com o pensamento e abraçou o próprio corpo, afim de criar uma zona de conforto para si, justamente por estar com as roupas ainda úmidas e transparentes.

Sem dizer mais nada, Mihawk então deixou a moça alí e acendeu as luzes do quarto, saindo logo em seguida. Sozinha naquele imenso quarto, a moça aproveitou para explorar com os olhos. Tudo era muito singelo e normal, coisa de um quarto digno de um homem. Sugeriu que fosse o quarto de Mihawk. Passando a mão pela cocha da cama, a garota sentiu a maciez e imaginou o homem dormindo naquela cama onde agora ela estava. Ninguém colocaria em seu próprio quarto uma pessoa qualquer, e aquilo deixava a garota um pouco desconfiada e assustada. Era muito precavida, algo que a vida lhe ensinou a ser.

Ele confia em mim a ponto de me trazer para sua casa e me deitar em sua cama... será que posso confiar nele da mesma forma? As pessoas me querem apenas para uma coisa: riqueza e poder. Não posso oferecer isso a ninguém, e espero que esse homem seja inteligente e saiba disso, pensou a moça.

Cortando seus pensamentos, surgiu a voz feminina adentrando no quarto. Perona flutuava, segurando uma muda de roupas e uma caixa de curativos. Ela não tinha mais uma expressão de impaciência. Agora parecia mais tranquila e sociável.

— Minhas roupas não ficariam bem em você porque nosso porte físico é diferente. –disse a mulher se posicionando ao lado da cama e colocando as coisas de frente para a garota. — Quer dizer, seus seios são pequenos. Até que tem um corpinho legal, mas não chega a ser isso aqui. –ela riu passando a mão pelo próprio decote e espartilho.

Corada, Wyvia pegou uma das roupas que estava disposta na pilha. Era um vestido preto com listras roxas. Tinha uma alça delicada de seda e parecia apenas uma camisola para o corpo da dona. Em Wyvia aquilo daria um vestido.

— Ah, obrigada senhorita Perona. –disse Wyvia verificando as outras roupas. Uma mais extravagante que a outra. Até mesmo as roupas íntimas pareciam ter um toque muito sensual. Roupas de todas as cores e formas, incluindo corsets e meias-calça.

Perona ajudou a garota a tirar as roupas molhadas. Wyvia estava um pouco envergonhada, mas não tanto quanto estaria se fosse um homem no lugar de Perona. Ela era mulher, tinha as mesmas coisas que ela, e para piorar a dor que Wyvia sentia na perna era grande demais para que pudesse se trocar sozinha.

— Você vai tomar um banho agora e vou ver o que faço com essa sua perna. –disse Perona ajudando a garota a ir ao banheiro. — Após isso, vamos jantar. Odeio admitir mas o Mihawk cozinha muito bem.

Notas finais
Deixem um comentário, pessoal hahaha preciso saber a opinião de vocês :3