Era um dia comum no Distrito 3, a rotina de todos seguia normalmente. Mas os jovens tinham em mente que aquele não era um dia comum. Era a época da Colheita. O dia em que a sorte iria decidir quem ia ser o "felizardo" que teria a honra de ir para os Jogos esse ano. Nenhum desses jovens queria estar lá, nenhum deles queria por seu nome à mercê da sorte, para que ela pudesse julgá-los quem iria ou quem ficava e vivia mais um ano. Por ser um distrito cuja a principal ocupação era produzir a tecnologia que não poderia faltar na Capital, nenhum dos pais pôde acompanhar seus filhos por ter que ir trabalhar nas fábricas e indústrias

Letícia acordou cedo e percebera que sua mãe não estava em casa, levantou-se de sua cama, e foi tomar um banho. A todo momento ela tentava tirar da cabeça a lembrança de que dia era aquele, afinal, sua irmã caçula estava no seu primeiro ano. Saiu do banheiro, se enxugou e vestiu-se, amarrou os cabelos em uma trança atrás da cabeça, pôs no dedo um anel com um pequeno e delicado raio como enfeite. Ela teve que se virar sozinha para ir com Lucy, sua irmã, pois era o primeiro ano dela na Colheita e o quinto de Letícia. As duas se arrumaram usando vestidos cor salmão. E se dirigiram sozinhas ao Edifício da Justiça. As duas estavam nervosas, inquietas, tristes ao imaginar que uma delas poderia ser sorteada para aquela carnificina. As duas andam lentamente até que Lucy para e começa a chorar.

–Ei? Calma. É seu primeiro ano, seu nome não vai ser sorteado. Não se preocupe. –fala Letícia à irmã e a beija na bochecha, e as duas começam a andar em direção ao Edifício da Justiça.

Chegando lá, Lucy foi pra uma fila e Letícia pra outra. Ambas se olhavam apreensivas, temendo que uma das duas fosse escolhida.

Letícia, 17 anos. Era uma garota muito bonita de aparência. Seus cabelos castanhos lhe caíam na altura dos ombros, os olhos castanho escuro davam a ela uma aparência de menina, bochechas rosas e macias, lábios bem vermelhos que ocultava um sorriso lindo. Bastante esperta e determinada, uma garota que não descansava enquanto não tinha o que queria, mas fora isso, era uma garota muito doce e simpática. Muito desconfiada das coisas, de vez em quando, tinha um olhar frio, que acabava com a sua simpatia. Podendo se tornar uma pessoa violenta para poder se defender. Nunca se importou em aprender a usar qualquer tipo de arma, achava perda de tempo. Afinal, sempre tivera certeza de que nunca seria selecionada para ir pros Jogos. Muito rápida e ágil quando o assunto é correr, e muito astuta quando era pra se esconder. Tinha um carinho muito grande pela irmã mais nova, a protegia de tudo e de todos. Seu maior medo era ver Lucy sendo escolhida para ser um tributo para os Jogos.

Lukacs não conseguiu ficar até tarde na cama, sentia-se incomodado, ansioso, já que, aquele dia não era como os demais, era o dia da Colheita. O dia em que ele veria mais dois jovens do seu distrito serem cruelmente assassinados em uma arena. Levantou-se rapidamente e se dirigiu ao banheiro e tomou um banho rápido, vestiu-se e arrumou-se o mais rápido que pode. Usando uma camiseta vermelha, calça jeans e tênis brancos amarrou no pulso uma fitinha azul que ele tinha desde quando era bebê, sua cor favorita e seu amuleto de sorte. Foi até a cozinha, sentou-se para tomar café da manhã e depois saiu. Andou a passos lentos até o Edifício da Justiça e se botou no seu lugar na fila dos meninos.

Lucaks, 17 anos. Um rapaz bonito de aparência, era alto, possuía um corpo forte, cabelos pretos curtos, os seus olhos castanhos escuros proporcionavam a ele um olhar misterioso, tinha um sorriso bonito. Um dos garotos mais bonitos daquele Distrito quando o assunto era beleza. Era bastante paciente, mas possuía um gênio forte, por isso era meio brigão. Era muito habilidoso na montagem de armadilhas, era um bom corredor e bastante ágil. Era bastante silencioso e quase imperceptível. Não era um profissional como os garotos dos Distritos 1 e 2, mas sabia usar muito bem uma lança. Não treinava todos os dias, mas ele era bem rápido quando portava aquela arma. Tinha bastante coragem e não tinha medo de nada, eram poucas as coisas que o amedrontavam.

Quando todos os jovens já estavam posicionados em frente ao Edifício da Justiça, Emily Collins saiu de seu aerodeslizador e foi até os tributos. Ela era diferente dos demais que selecionavam os nomes, era mais tímida e recatada, uma garota de poucas palavras, mas como todos os cidadãos da Capital, usava roupas esquisitas e maquiagem exagerada. Posicionou-se à frente do microfone e falou:

–Oi. Bom Jogos Vorazes, e que a sorte esteja a seu favor. Antes de os nomes serem tirados, tem um vídeo que eu trouxe pra vocês lá da Capital.

O vídeo tem a duração por volta de dez minutos, quando ele termina, Emily volta novamente ao microfone e fala:

–Vamos aos nomes. E como acontece todos os anos, as garotas são tiradas primeiro.

Emily põe a mão na caixa dos nomes. Há um silêncio tremendo entre os jovens que se podia ouvir uma agulha cair. Ela finalmente tira o nome da “sortuda”. Letícia estava com medo do seu pior pesadelo se concretizar, o de ver sua irmãzinha morrer sem ao menos poder se defender.

–Lucy Bacelar.

Letícia sente seu coração parar, várias lágrimas formam-se em seus olhos, ela não conseguia acreditar que aquilo era real. Seu olhar encontra o de Lucy, que está aos prantos com aquilo. Não suportando ver aquilo, ela age por impulso tomando uma decisão.

–Não! Não! Eu me ofereço! Eu me ofereço! Eu me ofereço como tributo! –grita Letícia.

–Uma voluntária. OK. Venha aqui. –ela gesticula para que Letícia vá até ela.

Ela anda até lá com passos lentos e chorando, olhando pra trás e vendo sua irmãzinha desesperada e chorando muito com a partida da irmã.

–Como você se chama?

–Letícia... Bacelar. –ela começa a chorar.

–Pra você ter essa reação, aquela deve ser a sua irmã, não é?

–Sim...

Emily a olha com um olhar de pena, e aponta para Letícia uma cadeira para que possa sentar e esperar pelo nome do rapaz.

–Agora eu vou tirar o dos garotos.

Emily põe a mão na caixa dos nomes dos garotos e a tira rapidamente. Volta até o microfone e limpa a garganta pra poder falar.

–Lukacs Praxedes.

Ela tira os olhos do papel e os dirige à multidão. Lukacs apenas dá de ombro e sai do seu lugar e vai até Emily. Eles se cumprimentam e senta em um lugar ao lado de Letícia, e ela fala novamente.

–Os tributos desse ano já foram escolhidos. Uma boa sorte aos dois!

Quando Emily termina de falar, dois Pacificadores andam até Lukacs e Letícia para escoltá-los. Os dois são levados para compartimentos para terem o direito de se despedir. Após algum tempo sozinha, a porta se abre e sua irmã entra desesperada aos prantos e soluços incontroláveis.

–Me diz porquê? Você não deveria ter sido voluntária no meu lugar! –pergunta Lucy em meio as lágrimas.

–Eu sou sua irmã mais velha. Sei o que faço. –diz para a irmã tentando confortá-la.

–Você vai morrer! E eu não quero que você morra. –diz ela

–Ei, eu não vou morrer. Eu vou voltar pra casa. Você vai ver. –fala Letícia com determinação.

–Tudo bem então. Conto com você, Letícia.

–Não se preocupe, maninha. Eu vou ficar bem.

Depois que as duas se despedem, um Pacificador entra pra buscar Letícia, que o segue sem reclamar. Lukacs não pôde se despedir de seus pais, pois eles estavam trabalhando nas fábricas. Então ele fica esperando no seu compartimento até dar a hora de partir. Um Pacificador entra no seu compartimento e diz que já é a hora. Lukacs e Letícia são escoltados direto para a plataforma do trem. Os dois tem como necessidade e obrigação voltar pra casa vivos, mas não sabem se isso vai realmente acontecer. Chegando lá, se encontraram com Dustin Hanson, o vencedor da Edição retrasada e mentor deles naquele ano. Os três se cumprimentam, entram no trem que parte rumo a Capital.

Notas finais
E ai? Gostaram?