8 Metros
3 Chapter 3
Notas iniciais
No verão, eu custumo ir no sítio do Theodore, nosso vizinho do lado. Ele tem um sítio dentro de casa. Na maioria das pessoas, elas têm um quintal ou um jardim, Theo resolveu apostar diferente e optou por um mine sítio, onde havia um campo lindo e que no meu havia uma macieira enorme e formosa, ele deixa apenas eu entrar.
—Deve saber que não tenho amigos — penso.
Eu geralmente fico sentada próximo à árvore, ou subo-a chegando no topo — que cá entre nós é uma emoção muito legal, pois ela é muito grande. Venho aqui para me desconectar do mundo, escrevendo, lendo ou ouvindo música. Na minha infância eu vinha aqui nos meus sete ou oito anos e tinha o sobrinho dele (que simplesmente foi para a Nova York e não voltou mais) que passara suas férias aqui e quando me avistava vinha conversar ou brincar comigo.
Acho que ele foi meu primeiro e único amigo — murmurou, suspirando — ironia meu único "amigo" desaparecer, deve ter fugido.
Nem me lembro mais o nome dele, mas uma vaga me lembrança recordara-me que era era um ano mais velho que eu e que fazia aniversário um dia antes que meu irmão.
Mas também só me recordo disto — penso.
Eu nunca mais fui lá. Eu também ia pela primavera, mas essa está muito fria, não é muito longe daqui de casa, uns oito metros.
Hoje eu irei — digo me motivando, sem perceber um sorriso que bobeara na minha face.
+++++
Quando chego da escola, vou para o meu quarto e me jogo na cama, pego meu celular que estava no meu bornal, desbloqueando-o e abrindo naquele aplicativo que manda mensagens instantaneamente e clico n conversa com minha mãe, aproveitando que a mesma estava on-line :
*chat on*
—Oi, onde você tá? — Digo, iniciando a conversa
—Oi criança, tô no expediente, aconteceu alguma coisa? —
—Não, mas vou no Theodore hoje
—Theodore?
—Sim. O vizinho, mãe!
—Ae!!! Me esqueci dele
—Viu, xau — tendo sair do assunto e da conversa
—Só era isso?
—E o que mais seria?
—Como foi a escola? — Me pergunta a mesma, querendo puxar mais assunto.
—N.O.R.M.A.L — ela sabe que eu odeio a escola e vem me perguntar justamente sobre.
—tá acabando, kay.
—Parece que quanto mais perto chega, mais longe fica.
*chat off*
Saio do aplicativo e bloqueio o celular. Me levanto indo em direção ao banheiro, fiz minhas higiene e ao sair, troco a minha roupa — visto um top preto com um detalhe na alça em movimento "zigue-zague", mas com um casaco fechado de manga longa vermelho e uma calça jeans preta e botei um tênis branco do All Star — peguei minha bolsa que estava localizada na cama, botando o celular e o fone dentro, desci, peguei uma bolacha, o meu livro que estava na mesa de centro na sala, enfio tudo dentro da bolsa, pego a chave e saio trancando a porta, boto a chave também na bolsa e vou em direção a casa do Theo.
Estava nublado e tinha bastante movimento de carro na rua, o céu estava um cinza meio branco com algumas nuvens negras, parecia que ia chover mais tarde.
Chegando lá, toco a companhia
Será que não tem ninguém ou cheguei numa má hora? — Digo quando percebo que ninguém atende a porta, mas um tempo demos percebo um movimento de dentro de casa pegando a chave e abrindo a porta. Um homem de cabelos loiros cacheados e grandes abriu. Era o Theodore
—Oi garry- brinco, cumprimentando-o com um abraço
—Já esqueceu meu nome, princesa? — Diz ele, retribuindo o abraço
—Olá Theodore Jones — digo mudando o semblante do meu rosto para um mais sério, que logo saí com um pequeno riso — melhorou?
—Muito melhor, não? — Diz ele com tom de risada
—Tá de saída? — Digo saindo do assunto, o vendo arrumado de camisa social e bermuda.
—Sim, mas pode ficar aqui — ele me diz, dando- me permissão — estou indo buscar o Adam
—Adam?
—Vocês não se vêem há uns 10 anos
—Oito- digo corrigindo-o — mal lembro dele
—Espero quando chegar, lhe ver aqui ainda — diz ele
—Obrigada — digo me referindo à ele deixar eu ficar ali — você não faz idéia de quanta falta senti desse lugar lugar — digo, rodopiando pela sala
—Tem uma nova amiguinha pra você — diz ele assobiando e vem uma linda cadela vira-lata marronzinha latindo.
—Theodore Jones — digo puxando o "R" imitando o sotaque gaúcho dele
—Gostou?- Ele me pergunta, rindo
—Amei — grito acariciando a cadela
—É lara
—Oi lara — afinando a voz, como se estivesse falando com uma bebê
—Tô indo — diz Theo se despedindo
Quando theo sai de casa, eu vou até a macieira e sento no "pé", Lara senta no meu colo, pego meu livro e leio o resto do que não terminei no shopping. Se passaram uns vinte e cinco minutos e ouço a porta se abrir
— Seja Bem-vindo — diz uma voz conhecida que vinha da sala, provavelmente o Theo.
Lara desperta ao ouvir a voz do dono, mas eu continuo no mesmo lugar, fazendo minha leitura, ponho meus fones, mas observo uma movimentação chegando mais perto de mim, eu tomo um susto, mas logo após reconheço o Theodore.
— Oi garry, você me assustou! — Digo ofegante
—Desculpa, não foi minha intenção — diz ele rindo — Garry?
—Sim, vai ser seu apelido — ele resmunga — não reclama que é carinhoso — ele sorrir
— E onde ele está? — Pergunto me referindo ao Adam
—Tomando banho, mas daqui a pouco desce — ele dá uma pausa, observando meu olhar curioso — ele disse que está ansioso para te ver
Eu fico nervosa, como será que ele tá? será que ele tá bonito? Namorando, talvez? Será que vai me reconhecer?. Mas paro de ficar pensando nisso porque Lara vem na minha direção querendo brincar, e como eu amo um cachorrinho, eu paro minha leitura deixando meu livro e meu telefone na bolsa, me levantando. A Lara corre, me fazendo correr até uma casa grande bem no fundo do sítio, imagino que fosse um mine celeiro, Lara entra e eu entro juntamente a ele, mas com a velocidade reduzida, mas lá dentro lara ainda me faz correr e quando estou prestes a pegá-la, me bato em alguma coisa, era um rapaz, ele rodopia comigo, fazendo nossas posições inverteram e envez dele cair em cima de mim, eu caio em cima dele. Ele era lindo, estava sem a camisa, tinha cabelo cacheado, preto e o sorriso branquinho. Eu o reconheci, foi ele que vira na praça de alimentação do shopping ontem, quando estava lendo o livro e ele tentava trocar sorriso comigo, mas não conseguiu.
—ei, cuidado, o que você está fazendo aqui? — Digo, me levantando de seu colo e me limpando. Lara, havia corrido e pelo visto para longe, pois não ouvia mais seus latidos.
Ele ria enquanto se levantando, eu estranhei pelo fato de termos acabado de caído — o que chegava a ser engraçado, mas não parecia ser por isso o motivo daquela risada.
—O que há de tão engraçado? — Digo aumentando a voz e visivelmente irritada com a situação
Ele ficou calado, e parou de rir daquela maneira, mas o sorriso ainda estampado no rosto, me incomodava.
—Vamos, diga alguma coisa! — Ele tava calado e não respondia minhas perguntas, então tive que tomar uma breve atitude
—É uma história longa, me acompanha? — Ele dizia com um tom de riso
—Tá — digo o mais fria que pude
Eu o sigo e ficamos fora daquela casa que ainda acho que é um celeiro, vou até a macieira e pego minhas coisas. Quando entramos dentro da casa, avisto ela e me despeço dela com muitos beijos enquanto ele está pegando a camisa em cima da poltrona e vestindo e _que peitoral_, quando ele se veste, ele abre a porta e eu passo, mas quando estamos saindo, o "Garry" aparece:
—Pelo o visto já se viram — diz Garry com tom de riso e pisca o olho para o menino
—Shh — diz o menino que estava corado e nervoso
Eu ignoro, sabendo e deixando bem claro que ele teria de me explicar tudo. Eu caminho ao lado dele, o asfalto estava molhado, provavelmente quando estávamos caindo, estava chovendo e estava fazendo um frio do caramba e ele não esperava por isso e estava com uma camiseta, deixando a amostra seus músculos.
—Eu não deveria tá fazendo isso, mas se eu tivesse no seu lugar, iria querer que fizesse isso. — Ele sem entender, ouviu calado. Então tirei meu casaco, ficando de top e dei para ele. Claro que não caberia, mas ela só pra ele jogar pra pelo o menos aquecer-lo.
—Obrigado — ele agradece e da um sorriso
Vamos até uma lanchonete e o clima está bem pesado, não conversamos mais nada no caminho. Chegando lá, sentamos numa mesa perto da janela e ele chama a garçonete, trazendo o cardápio.
—Já almoçou? — Ele pergunta-me
—Não, mas não tô com fome. Obrigada
Ele vira para a garçonete que estava com um bloco de notas e caneta na mão, prestes para anotar o pedido.
—Vou querer uma porção de linguiça, arroz e feijão — ele faz o pedido dele
— E você? — Pergunta a garçonete
—Vou querer apenas uma porção de fritas média — respondo-a
— E para beber? O que o casal vai querer? — a garçonete questiona, com um sorrisinho estampado na sua rosada e lisa cara
—NÃO SOMOS UM CASAL — respondemos os dois ao mesmo tempo e em seguida nos olhamos, trocando um pequeno sorriso.
—e eu quero um refrigerante — digo séria, pra não dá mais liberdade a garçonete.
—quero o mesmo que ela — diz ele, me indicando com o olhar.
E a garçonete foi para o balcão entregando o pedido à sei lá quem. Eu o fito, forçando-o com o olhar sereno e sério.
—tá legal- diz ele como se quisesse começar, mas busca as palavras — Prazer meu nome é Adam, sou sobrando de Theodore, o seu vizinho e há uns 8 anos éramos melhores amigos, mas minhas férias acabaram e tive que voltar pra Nova York, mas já terminei o ensino médio e vim morar aqui em Middleburg com meu tio. E ontem no shopping estava com meus dois amigos, Helena e Nick, eles são irmãos e eu passei o dia na casa deles, porque meu tio não estava em casa, e hoje que vi ele.
Após ouvir tudo atentamente, me levantei, e sentei do lado dele, o abraçando e beijando na bochecha:
—Aí meu Deus — continue dando beijos nele — bem que você parecia bem familiar pra mim. — Eu Nunca imaginei que fosse ele — você não sabe como foi horrível minha vida, sem a sua amizade. Desde então nunca tive amigos.
Expliquei à ele sobre eu não ter amigos e onde estava Kaliel — meu irmão e meu p Auston e minha mãe Estefany e ficamos conversando até nosso lanche chegar e após ver nossa aproximação, a garçonete teve a audácia de dizer:
—e depois dizem que não são um casal? — Ela ri e saí
Acabamos nosso lanche e depois do Adam ter roubado umas batatinhas e eu ter batido nele, e muitas vezes nos abraçamos, e quando vi já era umas três horas da tarde, saímos da lanchonete e fomos para o parque, onde tinha um lindo jardim onde brincava crianças, cachorros
—Qualquer dia desses a gente vem com a Lara — digo, ele assenti com a cabeça
Deitamos na grama e ficamos olhando as nuvens e seus formatos.
—Olha! — Aponto para uma nuvem que ambo formato é de uma tartaruga em um trono — ali parece um rei tartaruga
—É verdade — ele ri, e logo após aponta para outra nuvem — ali parece uma caixa de som
—Ainda sente falta? — Digo, rolando e pousando nos seus braços que estavam abertos, olhando em seus olhos — da dança?
—Sabe? Tem um ponto, onde você chega no ápice e vi que não dava mais pra mim, mas...
—Mas o street dance vive em você — diz um homem se aproximando e interrompendo-o, ele era alto, forte, tinha uma barbicha
—Ora, ora, ora — diz o Adam, se levantando, indo ao seu encontro e o abraçando — vejamos se não é o Channing Tatum
—E aí, parceiro? — Diz o Channing
—Ontem eu estava com a sua irmã e o namorado dela, você não estava lá — diz o Adam aparentemente decepcionado
—Eu sei, voltei de viagem hoje, neste estante — o Tatum diz fitando o Adam
—E a Aly? — Adam pergunta preocupado
—Tá bem, ela foi pra Alemanha, abriram uma escola de dança e convocaram ela pra passar um ano como professora — responde o Tatum com um tom meio sarcástico de tipo "Olha onde ela tá"
—Ah! Sério? — o Adam fica meio desconfortável, talvez por eu estar lá e ri- Fico feliz por ela
—Mas e essa? — O Tatum diz, apontando — me com o olhar
—Ela é a Kayla Hathaway — o Adam me apresenta
—Namorada? — Diz ele rindo
—Não — eu quero o papo, visivelmente nervosa e incomodada com aquela pergunta — ele só é meu único e melhor amigo e já faz oito anos que não nos vemos
—Prazer — diz ele, esticando a mão para eu tocá-la — agora não é mais o único — ele ri e eu assento com a cabeça
— E você? — Digo, curiosa
— Eu e o Adam... — Ele iria continuar, mas é interrompido pelo Adam
—Somos melhores amigos e colegas de dança — diz o Adam visivelmente feliz e empolgado
—Vou ali comprar um sorvete, querem? — Digo pra arrumar algum pretexto pra sair e deixá-los à sós
—Eu vou com você — diz o Adam indo em minha direção
—Não — sou observada surpreendentemente pelo Adam e o Tatum — Vocês têm muito que conversar — pisco o olho direito
—Eu vou querer de creme — diz o Tatum, tirando da carteira dois dólares
—E eu de... — Diz o Adam, mas sendo interrompido por mim.
—Flocos — dou uma risada irônica
—Como você sabe? — Diz ele surpreso
—Eu praticamente morava na sua casa, tinha que saber ao menos isso, além de que comíamos sorvete quase todos os dias e você sempre escolhia esse e pelo visto ainda prefere ele — sou observada curiosamente pelo Adam e o seu, meu, nosso amigo.
Ele tira dois dólares também de sua carteira e eu deixo os dois à sós, indo em direção ao carrinho se sorvete.
—Oi, por favor três. Um de flocos, outro creme e o outro morango com chocolate — peço ao vendedor que me dá os três sorvetes em casquinha.
— Seis dólares, senhorita — diz ele e eu entrego-lhe o dinheiro, pegando os sorvetes e vou indo em direção aos meninos.
Quando estou retornando, tenho uma demente ideia de querer dar um susto no Adam sempre fazíamos isso quando éramos pequeno . Tive uma breve lembrança, e como estávamos próximos a uma árvore decidir ficar atrás da mesma. E quando estou próxima aos dois. Escuto eles conversando e decido ouvir, sei que é errado, mas o que é que tem né?
— e aí cara? — diz uma voz mais grossa, receio ser do Tatum — tá mesmo gostando dela?
— não- alguém responde e temo que seja do Adam — estou amando, afinal foi por isso que vim, por ela, pra encontrar ela, saber mais dela, estava com saudades. E fiz um grande erro, onde sofro as consequências
—como assim?
— não pensaria que fosse tão forte assim, ela tá maior, e mais bonita . Porém... — ele é interrompido e tenho uma leve impressão de que eles estão falando de mim
—porém?
— acho que ela só me vê como um amigo, que havia desaparecido e voltou depois de uns anos — ele para, sem ser interrompido , dando uma respirada — ela me vê como um irmão— ele diz em um tom de desabafo.
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