7 Poemas Profanos
1 Amor
No céu nublado e a fria névoa da manhã
O jovem ladrão corria sem medo
Suas mãos leves e pés velozes
O preveniam da captura
A imensa muralha de pedra em volta da cidade
Tinha suas seguras brechas
Uma escapada rápida e sem delongas
Assim eram os dias do jovem
Com os saques, irmãos e irmãs bem alimentados
Medo, uma palavra desconhecida
Audácia e sangue frio... seu lema
Sua rotina parecia imutável
Muitas vezes a sorte estava ao seu lado
Nas raras vezes de azar
Fora brutalmente capturado!
Jogado nos fundos da terra
Tentando encontrar conforto nas úmidas pedras
Passando longas noites de frio e fome
Pequenas alucinações já o assombravam
A dor de ver seus irmãos o agonizava
Em um longo e novo dia
Homens o carregam para a praça
Algemado pela vergonha, uma execução pública
A lâmina do carrasco já estava alta
Os sinos da morte já ecoavam em seus ouvidos
Uma forte dor nasceu em sua nuca
Os pavorosos gritos surpresos da multidão
O abraço da morte não lhe foi dado
Os olhos verdes do jovem foram lentamente se fechando
Não... ainda não acabou.
De volta à cela da solidão
A luz da lua entrava pela grade
Sua dor física o deixava tonto
Pela primeira vez na vida
Desejou a egoísta morte rápida
Ele suava frio, algo há tempo ardente
Antes de fechar os olhos, desejando o descanso eterno
A luz da lua havia diminuído
Um som doloroso de ferro batendo
Os bastões da grade desabam silenciosos no chão
Uma silhueta desliza para dentro
Sim, aqui se pode tudo acabar...
‘’Seria esse o paraíso?’’, o jovem se perguntara
Despertando no meio da floresta, um ar quente e convidativo
As dores haviam abrandado
E a doce cama de grama onde fora deitado
Desafiava-lhe a um longo descanso
Ele lentamente vai abrindo os olhos
Alguém carinhosamente acariciava seus cabelos
Uma bela ninfa teria tido compaixão pelo pobre humano
Olhos castanhos, cabelos escuros e uma pele branca cor de leite
Suas feições eram delicadas, seu corpo era um legitima escultura grega
‘’Que lindo ser divino... ’’ exclamava seu coração.
Dias e dias...
E o guerreiro já quase totalmente recuperado
Semanas e semanas...
Treinava com uma espada que havia encontrado num riacho próximo
Meses se passaram...
A floresta havia se tornado sua casa
Em seus longos treinamentos com a espada
O jovem também sentia prazer em ouvir a natureza
Em uma pedra no riacho, a ninfa entoava belas canções
Melodias tão belas que até mesmo os pássaros cessavam seus cantos
Felizes sorrisos eram trocados entre o guerreiro e a jovem ninfa
Eles dividiam o mesmo sentimento, assim como o mesmo medo
O medo de se machucar por amor...
Em uma noite de lua cheia
Estrelas cadentes escorriam pelos céus
Os dois estavam deitados em uma clareira
Um vento quente de verão soprava
O jovem se levantou e estendeu sua mão
Era um singelo convite para um banho no riacho
Sem demoras, já despidos pularam na água
Brincaram e nadaram na água como crianças
Em algum momento, seus rostos ficaram frente a frente
E o beijo sob a luz do luar fora inevitável
Selando o sentimento verdadeiro entre eles...
Ao redor, barulhos quebram esse glorioso momento
Em segundos, uma saraivada de flechas voa em direção deles
Arqueiros reais finalmente haviam encontrado o ladrão
Os dois nadam até a outra margem
E em uma magia da ninfa
Já secos, vestidos e armados
Disparam floresta adentro...
Em um rochedo, o casal para
Logo se vêem cercados de arqueiros
Eles se defendem como podem, em vão
Uma flecha brota no peito da jovem
O guerreiro joga sua espada em um arco giratório
Afugentando temporariamente os inimigos
Ele segura o corpo inerte de sua amada
Olhando dentro dos seus olhos, lentamente o brilho foi sumindo
Um beijo em seus lábios frios numa tentativa de trazê-la de volta
Foi inevitável, uma parte do guerreiro havia morrido
Suas lagrimas escorriam pela pele pálida da ninfa...
Sua tristeza se transformou em raiva
A espada do guerreiro se tornou um relâmpago
Veloz e infinitamente destrutiva
Os oponentes caíram, decapitados
Em uma última homenagem
O jovem pega sua amada nos braços
A leva até a clareira, perto do riacho
Cava um buraco com as próprias mãos
E, graciosamente, a posiciona no fundo
Em volta dela, flores de todas as cores são colocadas no fundo
E, lentamente, a terra é jogada no túmulo
Ao terminar o enterro de sua vida
O guerreiro se ajoelha em reverência
3 dias e 3 noites...
Orando ao deus que o ouvisse
Para que proteja sua amada no outro mundo...
A vida também já o estava abandonado
E, caído no chão, agonizado pela falta de comida e água
Uma flor de pétalas brancas cor de leite desabrocha em cima do túmulo
Em um último suspiro, o humano morre.
Com um sentimento único
O último sorriso da verdadeira felicidade...
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