7 Maldições

7 Kalevra part.2


Notas iniciais
Segue o mesmo estilo do 6 capítulo. Capítulo 8 sairá novamente na cronologia exata. Espero que curtam depois de muito tempo parada.

[...]

– Ai minha cabeça. — Ruby passou a mão sobre o local em que bateu com a cabeça na porta, não sangrava, mas doía muito. — Não precisava ser tão violenta. — Recostou no sofá.
– Me desculpe, não é você quem eu queria pegar, achei que era... Ah! Esquece.
– Acredito. — Pôs agora as duas mãos para amenizar um pouco da dor. Frase carregada de ironia. — Cadê o Archie?
– Quem é es... Ah! O doutor. Foi comprar a comida. — Sentou-se no braço do sofá e olhou para a garçonete.



Ruby virou seu rosto em direção á linda albina á sua frente de cabelos louros claros. Aquele aroma de mais cedo era dela, a dona dos olhos castanhos claros, a voz mais encantadora que já escutara. Notou agora as roupas que ela usava, uma regata surrada branca amarelada combinada com um jeans claro rasgado nos joelho e tênis preto mais surrado do que todos os tênis surrados da face da terra. Aquela roupa podia ser horrível, mas o corpo da outra era um belo chamariz.


– Quem é você? De onde veio? E que força é essa garota?!
– Como já disse, meu nome é Kalevra. Vim de terras mágicas bem distantes daqui. Sou uma criatura mágica diferente diga-se de passagem, não sou exatamente humana.
– Como diferente? — Ruby sentiu a cabeça latejar novamente.



Viu a mesma se mover até o centro da sala. A loira fechou os olhos em um instante e no outro seus olhos eram azuis. A garçonete não tinha se assustado, era normal para ela. Os dentes caninos da outra aumentaram um pouco na proporção que as unhas também cresciam afiando-se. Decidiu que deveria ficar naquele estágio da transformação, então se concentrou para voltar ao normal.


– Você é uma lobisomem?!
– Não. Sou uma Canis.
– Não dá no mesmo? — Ruby levantou-se, mas pôs a mão no lugar dolorido.
– Na verdade Canis é só um nome fácil para o que na verdade somos.
– Somos? Tem mais de você?
– Claro que tem. Somos Canis Transmutadas.


De repente a porta da sala se abriu e o psicólogo olhou para Ruby primeiro e depois para a loira. Entrou, fechando a porta e já tentando arrumar uma explicação para o que acontecia.

– Hey Archie! Não se preocupe, ela me falou um pouco dela... — Nem deu tempo para a loba dizer algo, o doutor pôs-se a tagarelar como mulher.
– É que hoje mais cedo eu a encontrei, ou melhor, ela me encontrou, me ameaçou se não lhe desse algo de comer disse que me mataria. Então eu disse que ela poderia ficar aqui em casa por uns tempos, então ela ficou de me falar um pouco dela... O quê? Você se apresentou para a Ruby? Ruby por que você está com este galo enorme na cabeça?...
– Archie, respira homem. — Ruby acalmou o amigo com esta frase.
– Eu contei pra ela apenas o que te contei doutor. E eu não falei sério sobre matá-lo.
– Me chame de Archie. — Pediu o homem á menina.
– Ok! Archie... Olha eu vou contar a vocês um pouco de mim a... — Foi interrompida por algo muito anormal.



Um barulho muito estranho vindo do telhado da casa de Archie. Os três olharam para cima, duas conseguiam farejar o que poderia ser, mas só uma sabia o que estava acontecendo, já estavam lhe caçando, pensava Kalevra.

– O que foi isso Kalevra? — Ruby se manifestou e logo arreganhou os dentes para o telhado.
– Acho que já estão me caçando.

Um alto uivo veio de cima do telhado. A menina de cabelos louros ficou rija com o barulho. Ruby se aproximou dela e tocou seu ombro, tirando a menina do transe. A loira tomou a decisão de sair dali correndo, não queria que nada acontecesse com os dois que estavam lhe ajudando. Ruby vendo a atitude da menina olhou para o doutor dando um olhar de preocupação e ele lhe devolveu um olhar de incentivo. O doutor correu em direção do telefone e a garçonete correu em direção da garota. Viu duas outras garotas pulando do telhado, uma ruiva e uma outra loira, nem mesmo sentiram a queda, correram atrás de Kalevra. Não podia deixá-la na mão das duas.



[...]

– Já chega dragãozinho, vamos acabar com isso agora. — pulei do pescoço do dragão e chamei a atenção dele. — Vem cá bafo quente! Vem me pegar.


Senti as minhas pernas queimarem de tanto correr, foi rápido demais o que aconteceu. Me joguei por trás das pilastras antes das chamas me pegarem. Olhei pelo outro lado e visualizei meu alvo. O coração do dragão. Quando o mesmo para de flamejar sobre a pedra corri para o salto. A espada entrou macia na pele escamosa, o bicho soltou seu maior grunhido. Cambaleou para lá e para cá, mas antes de cair, com minha força retirei a espada e saí correndo para o mais longe possível.

– GRAWWWWwww... — Caiu pesadamente sobre duas estalactites, perfurando seu corpo bem escamoso.
– Finalmente bicho ruim.

[...]

– Para de me seguir, elas não perdoam ninguém. — Kalevra gritou para Ruby que nem mesmo lhe deu ouvidos.


Ruby olhou para trás procurando as duas que estavam atrás da garota loira. Não havia ninguém mais. Parou por instante o que fez Kalevra também parar. Olhou em volta, mas quando se deu conta viu uma mão vir de encontro a sua face, que desviou, mas o golpe a seguir não pôde evitar, já que estava em um desequilíbrio evidente. O soco que recebeu na garganta a fez cair no chão de vez, sentindo-se sufocada. Os cabelos ruivos da oponente estavam desalinhados. Não conseguiu ver o rosto, sua visão estava lhe traindo, a falta de oxigênio não ajudava mesmo. Tentou segurar a perna da ruiva.

– Vai Emily, pega a traidora. Eu cuido dessa aqui. — Disse pra outra garota que nem mesmo conseguia distinguir quem era, só sabia que tinha cabelos claros assim como Kalevra. — Você é minha. Prefere uma morte rápida ou lenta e dolorosa? HAHAHAHA.


Viu a menina correr rápido, as duas louras se distanciavam em alta velocidade. Precisava ajudar sua nova companheira. Sentia-se tonta, mas sua oxigenação estava voltando ao normal. Apertou o local que agarrou na ruiva.

– O que você está fazendo? Maluca. — Sentiu o local doer, ela era realmente forte. — Já escolhi. Vou te matar lentamente! Sua VADIA!
– É o que vamos ver. — Ruby pronunciou bem devagar.

A ruiva pegou na blusa de Ruby e levantou, até mesmo do chão a tirou. Olhou com fúria nos olhos.

– Bem forte para uma garota. — Comentou Ruby. — Parece até mesmo um homem. — Provocou.
– E eu não sou a única, não é mesmo? — Estava se enfurecendo com ela.
– É típico de nós lobisomens sermos fortes. Hum. — Um sorrisinho se formou em seu rosto. — E você? Você é quem comanda na relação entre você e a... Emily? — Provocou sabendo do resultado daquilo.
– Filha da puta! Vou te matar! — Preparou o soco, mas não pôde acertá-la, ouviu um uivo longe, sabia bem o que significava. — Deu sorte sua vadia, da próxima vez que eu te ver não vou ter dó. — Jogou Ruby no chão.

Correu e deu um salto se transformando em um lobo grande. Ruby puxou o ar que estava lhe faltando se pondo de joelhos no chão, olhou pra frente e sorriu. A outra lhe deixara pegadas, poderia segui-las, mas seu azar era justamente por estar sozinha, não estar em lua cheia e serem duas garotas inimigas com a mesma força que Kalevra. Se não morresse, mataria a garota depois. Levantou do chão e esperando que seu corpo auto-curasse. Caminhava lentamente, sentindo a diferença. Já tinha começado. Sentia o ar preencher os pulmões, sua visão voltou ao normal e sua determinação lhe fez correr para salvar a garota Kalevra.

[...]


Olhei para o bicho morto no chão, ainda tinha o escudo e a espada em mãos, a qualquer momento o bicho poderia... Ressuscitar, quem sabe? Em um espaço de tempo de dois segundos o bicho havia desaparecido. Assustei-me preparando para lutar contra qualquer coisa que surgisse.

– Merda. Aparece! Seja lá o que for.

Uma caverna surgiu em minha frente. Um buraco, um túnel. Normal até o instante que adentrei aquele negócio e ele deu de frente uma porta.Quando abri, eu estava novamente no cais, na mesma situação que antes, vendo Tamara e Neal, respirei fundo. Me levantei para pegá-la, ela se assustou, nada muito incomum.

– Você não vai mais nos machucar.
– Emma sua maluca! O que está fazendo?
– Nada que eu não queira. Morre sua vadia. — Peguei a arma na perna dela e atirei nela. — Desgraçada.
– Emma. — Surpreso se fez presente novamente.
– Desculpe Neal, mas eu sei de uma coisa agora, eu não te amo... Pelo menos não me lembro, mas você é importante para mim, mas quem eu amo não e você... Espero que possamos ser bons amigos.

Ele sorriu para mim e me abraçou.

– Eu sei. Podemos ser amigos.
– Obrigada Neal.

[...]

Kalevra corria de duas lobas em sua forma selvagem, mas sabia não duraria por muito tempo, estava ficando exausta de tanto fugir pela floresta. Estava preocupada com Ruby. O uivo da cinzenta loba (a ruiva: Kia) lhe fez ficar mais preparada, sabia que o ataque dela era poderoso e bem eficaz, muito mais que o da loba cor de areia (a loira: Emily). Suas patas estavam ficando pesadas, nada que fizesse mudaria o que estava para acontecer, voltaria a sua forma normal. Suas perseguidoras voltaram a forma humana primeiro, logo depois Kalevra também.

– Deu azar garota, você vai morrer.
– Pare Kalevra! — Emily gritou.

Sentia-se tão cansada, despistou a duas e conseguiu se esconder por entre algumas árvores. Por poucos minutos. Estava com alguns arranhões das investidas de Emily, antes de Kia chegar. Olhou para o artefato dentro de sua calça. Uma bússola. A mesma que havia roubado mais cedo de sua ex-mestra. Guardou novamente. Olhou para o céu que estava ficando mais estrelado. Já era início da noite.

– Ora, ora, ora se não é a traidora? — Kia, como sempre falastrona.
– Demorou Kia, até Emily é mais rápida que você.
– Ganhou alguns minutinhos de vida. Pra quê? Para nada.

Sua sorte era que as três estavam sem forçam para transmutar, seu azar... Elas eram duas. Olhou em sua volta procurando alguma coisa que pudesse usar contra as duas. Estava cansada, a única coisa que pôde fazer foi correr para a clareira mais próxima, seu corpo estava ficando doído. Nada que já não fosse normal depois de transmutar cinco vezes no dia. Emily que nem de longe era a mais briguenta, atacou Kalevra com seu melhor golpe. Usando suas garras para tentar matá-la de uma vez nem mesmo viu de que direção viu o soco que lhe atingiu. Pungindo-lhe a face, caiu no chão. Kia que ficou furiosa partiu para cima e recebeu um abraço feroz e bem apertado que fazia parecer que estava sendo esmagada, tentara respirar, mas seu pulmão não deixava que ar algum adentrasse o pulmão. Quando se deu conta de quem era, tentara mover-se, mas percebia ser impossível afinal seus braços estavam imobilizados e com aquela proximidade, não podia mover suas pernas.

– Va... Dia — Disse antes de desmaiar.
– É eu sei. — Era Ruby. — Você está bem? — Perguntou a Kalevra.
– Sim. Eu só... CUIDADO!



Ruby foi golpeada com um chute, e caiu no chão. Era a outra loira. Quando conseguiu se levantar a tal Emily estava segurando Kalevra pelo pulso. Ruby correu em sua direção e lhe puxou. As unhas de Emily feriram Kalevra. Deu um cotovelado tão forte no rosto da outra que também caiu inconsciente no chão. Próxima da ruiva.

– Estou bem. E você Ruby?
– Elas são fortes. Estou bem sim. Seu pulso.
– É, eu sei. — De repente a visão da outra começou a ficar turva. — Eu só... — Desmaiou, mas antes que ela caísse no chão, foi amparada pela garçonete.
– Garota? Garota? Kalevra. Ai droga! — Pegou a mesma nos braços e correu para o mais longe possível dali.



[...]



Senti algo forte me puxar, como se tudo aquilo fosse um sonho, mas somente voltei ao ponto de partida, só que agora aquela grande caverna me parecia mais hostil, tanto que o chão se abriu e eu fiquei inconsciente por breves segundos, somente para me ver novamente presa naquela árvore, me prendendo com força. Vi meus pais, meu filho e a mulher pela qual parecia que eu tinha fortes sentimentos, sentimentos bons. Tentei puxar meus pulsos, mas a árvore não deixava. Vi novamente aqueles dois em minha frente e senti ódio, repulsa com o que eles faziam. Novamente a mesma ladainha. Só que agora eu tinha uma coisa em meu favor, esperança. De repente senti algo que parecia ser uma faca em minha mão. Usei o mais rápido possível, uma das minhas mãos estava libertas, agora o desafio era soltar a outra, já que era destra e minha mão esquerda era péssima para segurar utensílios. Nada que alguns segundos não fizessem para mudar tal coisa. Em mais alguns instantes, sabe-se lá como, senti minha mão se mover sozinha, joguei aquela faca verde no Greg, acertei. Tamara se assustou e apontou a arma para o meu filho. Senti tanto ódio que a primeira coisa que vi joguei acertando sua cabeça. Uma pedra. Fez o ferimento que esperei que faria. Eu estava combatendo o medo. Era isso. Meu medo. Os quatro estavam chorosos, soltei todos eles. Meus "pais" me abraçaram bem forte, tão forte quanto minha vontade. Senti o ar faltar em meus pulmões. Logo foi a vez de meu filho, que só alcançava minha cintura. Tão lindo aquele momento, mas o momento que internamente mais desejava, era de ter aquela mulher em meus braços novamente. Meu filho me soltou e eu fiquei a encarar a morena em minha frente. Como ela era linda. Sim, linda. Os olhos castanhos escuros, os curtos cabelos também castanhos, a boca vermelha, a cicatriz no lábio superior também e tudo que a compunha.

– Venha Henry, suas mães precisam conversar. — O homem se anunciou. — Você também Branca.
– Vamos Encantado. — Minha mãe, Branca? Meu pai, Encantado? Meu filho, Henry?



Eles se afastaram nos deixando a sós, quando eu tentei dizer algo ela veio de encontro a mim e me beijou, me beijou como se fosse a última coisa que faria, sua língua quente adentrou minha boca que estava se adaptando a aquilo tudo. Enlacei sua cintura e trouxe mais para mim, finalizamos o beijo quando o ar faltou, mas eu queria muito mais do que aquilo, ela estava despertando em mim algo que não sei dizer bem, mas me fez sentir-me em chamas.

– Me diz seu nome... — Pedi a ela.
– Regina.

"- NÃÃÃÃÃÃÃÃOOOOOOOO." — Parece que apenas eu ouvi o grito. Quando tudo desapareceu novamente.



Eu estava na caverna novamente, mas agora eu tinha certeza que tinha vencido meus medos. Sim, medos. Corri o mais rápido possível para as escadas, na metade do caminho senti um tremor forte me fazer perder o equilíbrio, estava eu ali meio desorientada por ter batido a cabeça no chão. Vi estalactites de pedra caírem no chão, a caverna estava desmoronando e minha única chance de escapar dali era eu conseguir sair dali e atravessar a porta que acabara de se abrir. Quando levantei do chão corri de novo para a escada mas meu pé me traiu e eu caí quando meu pé se enroscou nas pedras, senti tanta dor no momento, vi mais e mais pedras caindo, achei que seria meu fim. Tentei retirar meu pé dali, mas nenhum esforço que fiz foi o suficiente, por um momento acreditei que morreria ali.



[...]



– NÃÃÃÃÃÃÃÃOOOOOOOO. — A bruxa gritou, viu que os medos da garota estavam se dissipando.

Viu o corpo da garota voltar a caverna, sentia ódio demais para pensar. Agora que ela sabia o nome da mulher que ela amava. Nada poderia impedir de que a maldição se desfizesse, nada... A não ser que a matasse agora. Afinal se ela morrer dentro da maldição, ninguém mais poderá ajudá-la. Fez com que a caverna começasse a se desmoronar.


– Morra Emma! MUAHAHAHAHAHAHAHA.



[...]



"- Eu te amo minha xerife. Voltarei para você mais tarde, estou com você aqui."

Eu ouvi a voz dela. Regina, me livrei das pedras não sei como, mas foi o suficiente para que me fizesse subir aquelas escadas correndo, mas de repente ela começou a se quebrar, mas antes que ela caísse eu saltei para a parte segura, levantei e passei a porta. Quando atravessei a porta na mesma hora ela se fechou. Quando tomei fôlego novamente, olhei para frente, sorri.

– Consegui. Eu consegui.


[...]

Notas finais
Espero que tenham curtido. Deixem seu review dizendo se estão gostando ou não da história. Bye Bye galera.