7 Maldições
12 Conexões Invisíveis
Notas iniciais
Sei que o cap. é pequeno, mas explica de vez o poder do sangue Canis e os mistérios mais simples do diário.
[...]
– Grilo! Grilo! Cadê você seu infeliz? — Regina adentrara a casa do doutor sem nem ao menos esperar uma resposta positiva.– Ah! Regina, eu... NÃO! NÃO! PONGO!!!O bicho havia ouvido a voz da rainha e viera lhe cumprimentar, pulou em cima da prefeita a derrubando no chão. As lambidas incessantes do bicho em sua bochecha lhe fizeram rir de cócegas. Até que Archie havia tirado o animal de cima da morena que levantara-se se recompondo.– Desculpa Regina, mas parece que ele gosta mesmo de você. — O doutor pegava o bicho e o levava para os fundos da casa.– Tudo bem, eu também gosto dele. — Limpou por último a lapela de seu sobretudo.Archie voltou logo para ver o que Regina queria com ele.– Pois não Regina, diga o que veio fazer aqui.– Preciso tirar algumas dúvidas.– Pois então... Fale.– É possível que flashes de memória pertencentes a outra pessoa sejam compartilhados comigo?– Estamos falando de quem?– Emma, é claro...– Oh...O Grilo alcançou seu óculos em cima da mesinha de centro e sentou-se em um sofá. Fez um gesto para que a mulher se sentasse também. A morena se sentou no outro sofá.– Bom, Regina... Nem mesmo na Floresta Encantada havia ouvido algo assim que não fosse por conta de uma poção ou algo parecido.– Eu sei, mas... Este livro. — Mostrou o livro. — Aquele mesmo de ontem. Ele diz que quando a quinta maldição fosse quebrada, nossa ligação seria mais forte. — A prefeita respirou. — Mas parece estar mais forte agora mesmo, eu sei que a maldição não se rompeu, pois eu saberia...– Regina! Calma mulher... Do que se trata o livro exatamente?– É um diário de uma mulher contando sua trajetória com a maldição.O grilo ficou pensativo.– Regina... Olha... Todo casal é... Diferente. Cada um tem um ânimo diferente, histórias diferentes e essas coisas. Talvez a ligação de vocês seja bem mais forte do que a delas. O amor é algo único, mas como já disse isso varia de casal para casal.– Eu entendo, então creio que eu não precise mais ir ao hospital a todo momento para falar com ela, quem sabe ela me ouça assim como me ouviu toda vez que eu estava ao lado da cama dela.Archie diria algo se não fosse a interrupção de uma nuvem de magia que já até sabia a quem pertencia. Rumplestiltskin.– Espero não estar atrapalhando nada. — Irônico sempre.– Não. Imagina. Transportar-se para minha casa interrompendo minha conversa de sigilo. Imagina. Fica a vontade. Quer um chá? — Bufou o doutor.– Eu aceitaria, mas tenho coisas a tratar com a rainha. — Olhou para sua aprendiz que não se incomodava mais com a presença do ser. — Regina. — Fez um gesto que parecia algo como: "Vamos, isto é particular."– Olha não precisam ir, podem conversar aqui. Tenho que dar ração ao Pongo ainda. Fiquem a vontade. — O doutor disse menos incomodado.Mal saiu da sala e Regina já começara o debate.– Onde foi que arranjou isto? — Mostrou-lhe o livro.– Regina não é hora disso, preciso lhe alertar de uma coisa.– Onde Rumple?Já estava nervoso de preocupação com o que acabara de ouvir de Encantado, muito mais quando juntara as peças do quebra-cabeça que se tornara toda aquela história.– Regina, você se lembra de Irina?– Claro que me lembro. Aquela louca. Me culpa até hoje a morte do marido que ela mesma matou. Foi ela que amaldiçoou Emma.– Eu sei. Vim lhe explicar algumas coisas e quero depois dessa conversa seja o mais cuidadosa possível.– Diga Rumple.– Há anos atrás, antes de eu conhecer até mesmo sua mãe eu viajava muito entre mundos até que me encontrei em um, particularmente muito distante daqui. Izur para falar a verdade. De acordo com as histórias, Izur foi o herói da princesa Wedja filha de um tirano que governava aquelas terras. Izur sonhava ser um guerreiro bravo e corajoso, filho de pobres camponeses vivia na parte marginalizada onde terríveis bandidos viviam. Quando cresceu decidiu começar a caçar para a família, assim enquanto o pai cuidava da agricultura ele levaria para casa a carne. Coisa bem vinda em um lugar tão pobre. Durante um tempo deu certo, mas houve um dia que o rapaz viajara para tão longe que nem mesmo conseguia voltar, e por conta disso mal havia percebido que havia adentrado as terras do tirano. Soldados do déspota levaram-no para ele. O tirano achou graça no rapaz, pois este furioso lhe ameaçava de morte mesmo depois de saber quem ele era. Um rapaz tão corajoso merecia um lugar ali. Então o tirano fez um trato com o garoto, dizendo que se ele o servisse enviaria suprimentos para sua família. O rapaz mesmo contrariado aceitara, mas adicionara algo no trato, que ele pudesse ir e vir uma vez ao mês junto com a carga. O déspota não concordara com isso, mas se não tinha outra forma de fazê-lo. A cada mês que se passava o rapaz no ultimo dia do mês ia junto com a carga para visitar a família e lhes deixar informados sobre sua situação. Cada vez que o rapaz voltava estava mais alegre e isso não era uma característica de um soldado que o servia. Em segredo enviara alguns soldados às terras do rapaz para matar sua família. Quando o rapaz soube que seus pais morreram, pediu ao tirano para que deixasse-o ir por algum tempo para descobrir quem matara seus pais. O que o tirano não esperava era que houvesse testemunhas. Um garoto que morava nas redondezas da casa da família de Izur dissera ao rapaz que os soldados vieram e mataram seus pais. Possesso pela raiva decidira-se que iria vingar a morte dos pais, matando o bem mais precioso do tirano. Sua filha Wedja. Quando retornara mentira e lhe dissera que não havia descoberto nada. Planejou que na noite do aniversário da moça a mataria. Vira a moça em apenas duas ocasiões, mas ainda se lembrava dela. Em uma noite, entrara no quarto da moça sem que os companheiros o vissem, sacou a faca e quando tentou lhe matar, a moça abrira os olhos e pudera ver seu algoz que deixara algumas lágrimas caírem sobre si tentando se forçar a fazer o que iria fazer. A moça era uma feiticeira, por isso quase ninguém a via, nem mesmo o pai. Ele lhe pedira desculpas e a moça enxergando o coração pura que não fora enegrecido pelo ódio entendera o que o fizera ser levada até aquilo. Beijou a testa do moço e prometeu-lhe não contar ao pai o que o moço havia feito. Com o tempo os dois foram se tornando amigos e o ódio fora substituído pelo carinho e afeto novamente. O déspota não gostara nada disso. Decidira que para ter o rapaz junto dele, pois era seu melhor homem, sacrificaria seu maior bem. Sua filha. No décimo oitavo ano da moça o pai mandou que um de seus soldados prendessem Izur enquanto assistia o próprio pai da moça tirar a vida dela. Antes mesmo que pudesse pegar a faca se soltou dos companheiros e correu para salvar a moça. Felizmente pode salvá-la, mas a faca acertara em cheio seu coração. A moça desesperada derramou uma lágrima sobre o ferimento depois de ter tirado aquele objeto. O moço caiu sem vida no chão, outras lágrimas caíram sobre o ferimento dele e por incrível que pareça o rapaz voltou a vida, mas já não era mais só ele. As lágrimas da moça eram mágicas e isso converteu o sangue dele. Ele era algo diferente, tinha um ar feroz, mas este ar feroz o salvou do tirano. Fugiu com a princesa o mais rápido que pôde para o mais distante dali. Não pudera perdoar o déspota, matara ele e seus soldados, tomando as terras. Quando contou a moça o que fizera, ela o amaldiçoou, as lágrimas derramadas sobre o ferimento fizeram com que a maldição o transformassem no que são hoje as pessoas em Izur. Canis. Claro que os dois ficaram juntos, mas somente alguns anos mais tarde de muitos pedidos de perdão e o coração perturbado de Wedja poder verdadeiramente perdoar o rapaz. Bom, Regina eu era o velho que o diário de Wilma menciona, eu ajudei a ela e a amada a ficarem juntas novamente. E em troca do verdadeiro diário dupliquei-o, deixei a cópia em Izur e fiquei com o verdadeiro. Ela me disse que queria fazer uma coisa, somente os canis poderiam ver o diário sem restrições, então usando a magia de seu sangue e minha ajuda com latim, ocultamos os escritos. Humanos só podem ler as coisas mais básicas.
Regina abriu o livro e o folheou para mostrar a ele que estava totalmente revelado.– Então minhas suspeitas se concretizaram enfim. Tem alguém da raça Canis aqui.Uma garota loira abriu a porta e viu Regina e Rumplestiltskin, ela arreganhou os dentes para o homem. Afinal não o conhecia. O Senhor das Trevas lhe olhou tentando entender como ela havia parado ali. Sua presença lhe dizia que era uma lupina Canis, sorriu de lado.– Regina. Quem é ele?– Calma Kalevra. Ele é...– Kalevra? Cão Danado?– QUEM É VOCÊ?!!!– Oras, todos os Canis me conhecem minha queridinha. — Seu corpo ficou mais atento aos movimentos da menina.– Por que eu o conheceria, você é um humano.O doutor ouvindo as vozes ficando mais altas resolveu intervir aparecendo na sala.– Kalevra! Fiquei preocupado com você. — O doutor estava mesmo preocupado com a garota, mas fez mais para que a discussão tivesse fim.[...]Olhava encantado o quarto novo. Era simples, mas muito mais do que tinha ao lado de sua senhora. Fascinado tocava todos os móveis com adoração. Parecia querer gravar todos os detalhes daquele lugar. Como se fosse ser arrancado de lá a qualquer momento. Lembrara-se que tinha uma missão a cumprir. Achar a adaga de Rumplestiltskin.
Notas finais
Espero sinceramente que gostem do cap.
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