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4 Quatro - Um adeus inesperado


Notas iniciais
Demorou mais saiu, estou me dando ao trabalho de revisar mais os capítulos. Espero que gostem desse capítulo que revela algo quem nem a própria Anne sabia. Algo que deixarão vocês surpresos. Espero que gostem. Boa leitura!

Um pesadelo. Não apenas um pesadelo, mas o que trazia fantasmas que lhe gritavam aos ouvidos coisas que não queria saber, que não queria presenciar. Algo que se escondia no apartamento quinhentos e cinco. O pior de tudo que agora a pessoa de seu pesadelo tinha sido revelada. Seu novo vizinho. Misterioso, lindo e sádico. De alguma forma ele se introduziu naquele pesadelo que perseguia Anne há vários meses atrás.

O travesseiro estava ensopado de suor. Suor frio. De medo. O pesadelo foi real de tal forma que Anne ao acordar sentiu seu pescoço enrijecer. Aquilo a deixou incomodada por um longo tempo. Passou horas deitada na cama olhando o teto com luas e estrelas que brilhavam no escuro — vestígios de sua infância que ainda permaneceram no quarto. O despertador tocou e ela se deu conta que já era segunda-feira e tinha de se arrumar para o colégio.

Não teve notícias de Isabele por todo o final de semana e nem procurou saber para não se meter em problemas, mas aquilo a incomodava. Será que Isabele estava bem? O dia amanheceu nublado. Sua mãe saia cedo todos os dias e chegava tarde demais. Anne e a mãe eram praticamente desconhecidas uma para a outra, nem pareciam que moravam juntas. Depois de tomar todo o seu cereal matinal resolveu se apressar. Tentar encontrar Isabele no colégio antes de qualquer outro seria uma maneira boa de começar a manhã.

Abriu a porta lentamente e se esgueirou para fora, olhou os lados e viu que não tinha ninguém por lá. O corredor vazio, para sua sorte. Trancou a porta, ajeitou a mochila nas costas e olhou para trás. Os números “5-0-5” brilhavam com a luz da lâmpada velha do corredor. Esfregou os olhos, ainda com sono por ter acordado antes da hora e virou-se para descer as escadas. Anne deu um pulo quando sentiu algo passando sorrateiramente entre suas pernas. Era o gato preto da Senhora Madison.

Anne já estava pensando em chutar o gato, mas ele não tinha culpa pela dona estranha que tinha. Ela viu o gato se sentando na porta do apartamento quinhentos e cinco e balançando o rabo lentamente no ar. Os olhos amarelos na direção de Anne que se virava e trotava escada abaixo. Agora sem bicicleta, tinha de ir andando para o colégio. Ela chutou uma pedra no caminho e sentiu a presença do garoto loiro ao seu lado, de relance. Olhou para trás e viu-o entrando no prédio.

— Surpresa! — a voz fez Anne virar para frente num estalo.

Isabele?

— O que você está fazendo aqui? — Anne começou a andar e percebeu Isabele caminhando ao seu lado.

Sua pele parecia brilhar mais que o normal. Chegava a fazer os olhos de Anne doer. O mesmo vestido vermelho de bolinhas brancas parecia melhor agora no corpo magro de Isabele. Os cabelos cacheados e sedosos caindo em cascata nas costas e o sapatinho lilás. Ela estava praticamente da mesma forma que o dia da festa, só que mais bonita, parecia até ser de mentira. Anne ficou confusa com aquilo e antes que Isabele respondesse sua pergunta interrompeu com outra.

— Por que está com a mesma roupa da festa? — indagou Anne enquanto atravessavam a rua.

Isabele apenas riu e girou no meio da rua como uma bailarina. Saltou e pousou perfeitamente na calçada, se curvando em agradecimento como se aquilo fosse um espetáculo. Anne parou por um tempo e encarou sua amiga que era mais para Darth Vader do quê Barbie Sunshine, mas que agora se transformara numa doce bailarina sorridente, sem ódio algum da vida.

— Isso não importa no momento! — a voz de Isabele tomara um tom mais sereno e suave — Só quero saber se você me perdoa por todas aquelas coisas que lhe disse na noite passada, foi só um momento de raiva, eu sei que você não é nada daquilo.

Anne ficou boquiaberta agora. Realmente não acreditava no que acabara de presenciar. Isabele admitindo estar errada. O mundo devia ter parado, uma chuva de meteoros cairia sobre elas ali mesmo, era o fim do mundo. Anne ainda boquiaberta assentiu respondendo a pergunta de Isabele que a abraçou, mas Anne não sentiu nada. Como se nada a tocasse, era algo estranho. O abraço fez Anne sentir algo frio atravessando seu corpo. Isabele se afastou e sorriu para sua amiga.

— Agora eu tenho de ir embora!

Embora? Para onde?

— Temos aula, você vai para onde? Como assim “ir embora”?

As perguntas de Anne foram ignoradas e Isabele acenou para ela e deu as costas correndo no meio da rua deserta. Girando e saltitando, brilhante e magnificamente bonita. Parecia um anjo. O vestido dançava ao vento enquanto Isabele sumia já bem longe de Anne.

Um nó se formava em sua garganta. Uma dor tomava conta de seu coração, um frio atravessava seu estômago e seu corpo tremia. O céu se fechava em nuvens escuras e relâmpagos começavam a tomar conta do lugar. Trovões e mais trovões que faziam o chão tremer. Como flash de uma câmera, a luz forte vinda do céu começava a cegar Anne. Várias vezes, um depois do outro, devia haver algo de errado com o tempo. Ela recuperou as forças e correu. Correu cada vez mais rápido. A luz dos relâmpagos continuava a piscar freneticamente, como se fosse luzes de uma boate.

Anne estava perto de enlouquecer quando enfim cessou. Estava na frente do colégio Saint Dennis. Um pingo gélido caiu em seu rosto. Começava a chover. Ela subiu a escadaria correndo e entrou no colégio. Mais uma vez chamando a atenção de todos. Mas algo estava diferente nos rostos dos alunos. Pareciam tristes. Ela caminhou lentamente pelos corredores enquanto olhares a acompanhava. Perto de seu armário encontrou Emily ajoelhada na frente de inúmeras velas acesas. Abraçava algo.

— Emily? — Anne parou confusa e olhou para a amiga que chorava sem parar, os óculos pendurados na gola da camisa.

Os olhos inchados e solitários. Anne se ajoelhou ao lado dela e viu que segurava um porta-retratos. Esticou a mão lentamente e tirou-o das mãos de Emily. Não era possível. O porta-retratos caiu de suas mãos no instante em que viu quem era a pessoas da foto e depois de um tempo reconheceu o armário cercado por velas.

— Não acredito nisso! — a voz de Anne começava a falhar, seu lábio inferior tremia — É impossível, isso não pode ter acontecido!

Emily começou a chorar e Anne desabou no colo da amiga, lágrimas solitárias saiam de seus olhos. Uma de cada vez. A mesma dor que sentiu após ver Isabele indo embora tomou conta de seu coração. Devia estar enlouquecendo, pois tinha certeza do que havia visto no caminho para o colégio, mas os fatos a sua frente só mostravam o contrário. Algo que ela não poderia mudar. Isabele estava morta.

Notas finais
O que acharam??? Gostaram do capítulo? Digam tudo que estão pensando, não economize nas palavras. Se estiver gostando da história, recomende-a por favor. Assim outros terão a chance de ler também. Obrigado por acompanharem!!!