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5 Cinco - Lotus Flower - Parte 1
Notas iniciais
Semanas Depois...
As lágrimas cessaram, mas a dor sempre vinha no intervalo das aulas. A falta que Isabele fazia era muito grande na vida de Anne, afinal, ela era sua melhor amiga, mesmo com todos os seus defeitos. Agora o trio estava incompleto. E nada poderia mudar aquilo. Anne estava mais feliz do que nas últimas semanas. Emily nunca mais foi ao colégio desde aquele dia. Anne ficou pensativa com aquela visita inesperada de Isabele a caminho do colégio. Ficou mais assustada por saber que não era Isabele em carne viva ali ao seu lado e sim o espírito. O que Anne era? Agora tinha poderes paranormais?
Anne acordou como todas as manhãs. Antes de o despertador tocar, pelas longas noites em claro causadas pelos seus pesadelos idênticos. Chegava a ser perturbador aquilo. Não sonhar com mais nada, somente pesadelos e mais pesadelos, quer dizer, o mesmo pesadelo todas as noites. Parecia que era alguma mensagem sobrenatural e realmente Anne não tirava de cogitação essa hipótese após ter visto sua amiga ao seu lado depois de morta. Tudo era possível a seu ver. Pensava para onde Isabele poderia ter ido.
— Saia dessa fossa, minha morte não foi por sua culpa! — Isabele apareceu de repente na janela, olhando para o lado de fora do quarto de Anne — Eu ainda estou procurando quem me matou naquela noite.
Anne estremeceu com aquilo. De novo estava acontecendo. Os longos cabelos negros e cacheados com pontas roxas dançavam para ela enquanto Isabele caminhava por seu quarto. Anne apoiou as duas mãos ao lado do corpo e se sentou na cama. Olhos arregalados, suor frio e a vontade de gritar, era o que dominava Anne naquele momento de surpresa. Isabele parou na frente da cama. Apoiou as mãos na cintura. O mesmo vestido vermelho de bolinhas brancas. A pele branca e reluzente cintilava a luz da manhã que invadia o quarto de Anne pela janela aberta. Era impossível imaginar que alguma luz ainda passava por aquelas janelas que não eram limpas há séculos.
— Não faça essa cara de espanto, — Isabele revirou os olhos como sempre fazia — não é a primeira vez que me vê e saiba que estou muito feliz por encontrar alguém que possa me enxergar. Sabe como é ser invisível para todas as pessoas a sua volta? Principalmente para sua mãe?
— Ma... Mas vocês não tinha ido embora? — Anne se levantava da cama ainda horrorizada com a figura em seu quarto, caminhou até o lado contrário ao de Isabele sem tirar os olhos dela.
Isabele bufou.
— Sou dramática, adoro uma encenação, fiz aquilo para deixar seu dia mais alegre!
Ela dizia aquilo como se fosse à coisa mais óbvia do mundo. Só não sabia que aquela “encenação” tinha causado efeito contrário no dia de Anne. Mas ela resolveu não falar nada a Isabele. Apenas fez a pergunta mais óbvia.
— O que você está fazendo aqui? — as palavras saíram um pouco ásperas, fazia parecer que Anne não queria Isabele ali, bem que isso não seria uma mentira.
Isabele tomou uma posição mais séria. Sentou-se na cama de Anne e olhou para a amiga.
— Está sabendo algo de Emily?
— Não, por quê? — Anne começava a ficar preocupada.
Caminhou e sentou-se na cama, sem dar importância se sua amiga ali era um fantasma ou não. Isabele respirou fundo.
— De alguma forma, só você pode me ver, não faço ideia por quê. Mas por isso resolvi espionar Emily e se você souber como ela está não irá acreditar. — Isabele brincava com um anel de crânio em seu dedo anelar esquerdo enquanto continuava a conversa — Todos os dias ela mente para os pais e fala que vai ao colégio, mas no meio do caminho desvia. Ela vai para um clube noturno chamado “Lotus Flower” e é lá que está trabalhando agora. Transa com um homem a cada noite. Fiquei maluca quando a vi caminhar no clube com um cara para um dos quartos. Nem me dei ao trabalho de ver no que iria dar. Não se era difícil de imaginar no que resultaria os vários beijos e carícia que trocavam. E fiquei surpresa, Emily realmente tinha uma beleza escondida, ela se transforma todas as noites naquele lugar. Parece uma metamorfose. Mas na realidade...
Isabele se interrompeu e olhou para a amiga como um cachorro pidão. Anne lançou um olhar de desdém e inclinou a cabeça para o lado sorrindo.
— O que você quer? — a pergunta saiu entre um riso disfarçado.
— Queria saber se tem como você entrar e convencê-la a sair daquele lugar, afinal, é nossa amiga lá e algo aconteceu com ela para estar fazendo isso consigo mesma.
— Claro que vou ajudar! Palavra de escoteira! — Anne levantou a mão direita estufando o peito e rindo dela mesma.
— Agora vamos aos planos!
Anne poderia matar um dia de aula, não faria mal algum. Levantou-se da cama e trancou a porta. Um plano estava sendo elaborado a portas trancadas, para enfim salvar a amiga delas. Com certeza aquela noite no “Lotus Flower” o bicho irá pegar e tudo estará em jogo. Só o que Anne não imagina, é o que encontrará. O que vocês acham que pode se esconder por lá?
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