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6 Seis - Lotus Flower - Parte 2
Notas iniciais
Aviso: Numa parte usem o google tradutor de irlandês para português, caso queiram saber o que disseram.
Boa leitura!!!
Por vontade própria Anne pediu que Isabele não a acompanhasse, ela não queria admitir que estava com medo e que queria sim que a amiga fosse junto com ela. A luz do crepúsculo tomava conta das ruas. Era hora de entrar em ação. Colocou um moletom azul marinho e partiu de casa num estalo, uma única coisa na cabeça: tirar Emily de lá, nem que fosse arrastada pelo cabelo. Olhava para um pedaço de papel na mão. Era um desenho, um mapa, indicando onde ficava o Lotus Flower. Quanto mais Anne avançava menos movimentada as ruas ficavam. Até chegar num lugar e não ver mais ninguém além dela. A cidade pequena facilitava chegar a qualquer local andando tranquilamente.
Um nome em neon “Lotus Flower” numa cor rosada iluminava a pequena rua, cuja nenhum poste oferecia uma iluminação descente. As lâmpadas velhas piscavam sem parar. Ela avistou uma pequena fila para entrar no local, enquanto um cara gigante, logicamente o segurança, controlava o fluxo de saída e entrada de pessoas no Lotus Flower. Tentava bolar algum meio de entrar. Ela e nem Isabele imaginaram que aquele horário ficava cheio, a ponto de ter fila na entrada. Caminhou lentamente com as mãos nos bolsos do moletom. As pessoas da fila olhavam para Anne enquanto passava por elas em direção do brutamonte careca e de cavanhaque. Ela hesitou um tempo, olhou para cima e encontrou o olhar raivoso do segurança. Ele a examinou da cabeça aos pés.
— Dançarinas entram pelos fundos! — ele apontou o polegar para trás.
Anne ficou um tempo sem cair na real. Tinha sido mais fácil do que imaginava. Não precisou fazer absolutamente nada. Mas aquilo fez ela se lembrar do que Isabele, ainda viva, tinha dito a ela um dia no colégio: “Você tem um corpo de stripper”. Ela riu consigo mesma da lembrança que o que parecia, era verdade. Depois de quase o segurança empurrá-la para a direção certa ela pegou o caminho por um beco ao lado do clube e viu uma porta com uma pequena lâmpada amarela em cima. Anne empurrou levemente a porta. Uma luz vermelha iluminava o local e logo avistou uma porta semiaberta a sua frente. De alguma forma sabia que era ali mesmo que queria ir.
Garotas com roupas provocantes, algumas com toalhas em volta do corpo, outras se maquiando, tudo parou por um segundo, os olhares caíram em cima de Anne. Perguntaram-se quem era ela, mas deixaram pra lá e voltaram ao que estavam fazendo antes dela aparecer. Caminhou lentamente e se sentou numa cadeira a espera de ver sua amiga. Minutos, horas se passaram e Emily não apareceu. O camarim já estava vazio. Todas as garotas já estavam no clube com seus “clientes”.
Anne notou que parada naquele lugar não conseguiria nada. Pegou umas das várias roupas e vestiu. Um minisshort, um sutiã vermelho de paetê e botas pretas cano alto. Antes de sair parou onde estava. Não podia ir lá mostrando seu rosto, vai que encontrava alguém conhecido ou alguém a reconhece dias depois em algum lugar da cidade? Procurou e achou uma máscara preta de seda. Só escondia mais os seus olhos, mas pelo menos já era algo. Anne abriu as duas cortinas vermelhas que davam acesso ao corredor que levava a boate. Caminhou com um pouco de dificuldade nas botas gigantescas. E deu de cara com um salão cheio de gente.
Luzes piscavam freneticamente enquanto a batida da música alta acompanhava. O lugar estava muito escuro e aquela máscara piorava a situação. Tantas garotas loiras transitavam pelo local que era difícil saber qual delas era Emily. Anne caminhava entre a multidão na pista de dança com dificuldade. No caminho sentia os homens apalpando sua bunda. O pior foi o que deu um tapa que fez Anne parar e olhar quem era. Um gordo, barbado e bêbado. Ele abriu um espaço entre o dedo indicador e o do meio passando a língua repetidas vezes, para cima e para baixo. O estômago de Anne revirou ao ver aquilo. Rapidamente se recompôs e voltou a procurar Emily. No meio do caminho ela de repente parou e tudo a sua volta também. As luzes, a música, as pessoas, tudo.
Uma fragrância dançava pelo ar. Não era um perfume qualquer de alguém que passou perto dela. Era aquele aroma. O aroma de seus pesadelos. Hipnotizante. Maravilhoso. Seus passos agora eram guiados a partir que o aroma ficava mais forte. Ela avistou o seu vizinho. Sozinho. Numa área reservada. Lá estava ele, lindo e sedutor como em seus pesadelos. Cada vez ficava mais perto até não ter mais para onde ir. Anne não pensava mais, era apenas guiada por seus desejos carnais. Ela o queria somente para ela. Ninguém poderia tocar nele além dela, ninguém poderia desejá-lo além dela, ninguém poderia beijá-lo além dela. Anne queria guardá-lo numa caixinha somente para ela e mais ninguém.
Os lábios que Anne tanto ansiava para beijar abriram-se e soltaram um som, o qual não conseguiu decifrar, pois estava notando os traços perfeitos dele ao invés de ouvir o que dizia. Ela sentou-se no grande estofado de couro vermelho e aproximou-se até sua perna tocar a dele. Olhava para o rosto esguio, de feições perfeitas, lábios vermelhos e convidativos, um olhar sombrio e provocante, tudo que ela queria estava a poucos centímetros. O aroma agora era quase extasiante.
— Vamos para os quartos!
Ele levantou-se, a mão quente pegou a dela e os dois caminharam para o lado contrário à multidão. Subiram vários lances da escada de metal ao lado do minibar. Portas vermelhas eram reveladas num enorme corredor. Silencioso demais pra fazer parte de uma boate. A jaqueta de couro deixava seu vizinho ainda mais bonito. Ela não tinha caindo em si do que teria que fazer, já que o vizinho achava que era uma prostituta. Os dois entraram num dos quartos. Uma suíte, para ser mais exato. Uma cama enorme com lençóis pretos e coxa preta. Ele soltou a mão dela e empurrou os travesseiros, também pretos, ao chão. Guiou Anne lentamente deitando-a na cama e em seguida indo para cima dela.
Ele também estava fascinado com a incrível beleza dela. Não acreditava que ela poderia ser uma prostituta, as outras tinham suas belezas em particularidades, mas já essa garota era algo que ele não encontrava a anos. Inclinou-se sobre ela, tocando o lábio quente e macio no seu pescoço. As mãos passando por todo o corpo dela. Ele se afastou. Tirou a jaqueta e depois a camisa. O corpo atlético e esculpido se aproximava de Anne com um calor intenso, mas tinha algo a mais. Uma trilha de palavras circulares atrás de cada mão eram ligadas por uma trilha ainda maior que passava pelos braços e se encontravam num círculo parecido com o sol nas suas costas, um pouco abaixo no pescoço. Mas aquilo não chamou a atenção de Anne, ela estava mais entretida pelos beijos que o garoto distribuía por seu corpo.
— Qual o seu nome? — Anne perguntou enquanto ofegava com os beijos que caminhavam pela sua barriga e só desciam cada vez mais.
— Isso não importa agora. — a voz grave e áspera ecoou nos ouvidos de Anne, ela não tinha conseguido ouvir claramente a voz dele, até agora.
Ele parou de beijá-la por um momento e deixou seu corpo pesar sobre o dela. Olhos nos olhos. Ele fechou os seus e Anne fez o mesmo. Os lábios dele, suaves e macios, se encaixavam perfeitamente nos dela. O beijo era delicioso, Anne queria mais e mais, não queria parar de beijá-lo em momento algum, mas ele se afastou. Os olhos azuis tomaram um tom violeta. As sobrancelhas dele se juntaram. Algo nela era familiar. Antes que Anne pudesse fazer algo já era tarde, ele tinha arrancado a máscara do rosto dela. O encanto acabou e Anne voltou ao normal. Os olhos dele voltaram ao tom azul novamente.
— Que merda você faz aqui garota? — ele levantou-se e colocou as roupas novamente.
Passava as mãos nos cabelos, não sabia o que fazer agora. Anne ficou confusa com a reação dele.
— Não sei, era para eu estar... — a mente de Anne estava em branco.
Não se lembrava mais do que tinha ido fazer naquele lugar.
— Quer saber? Esquece que me viu aqui! — ele estava com vontade matar aquela garota imbecil. Ela não sabia no que estava se metendo.
Ele tomou o caminho da porta e tocou a maçaneta. Anne levantou-se imediatamente sobre as enormes botas de couro.
— Não vá embora!
— Sinto muito, mas você não tem noção do que eu sou!
De algum modo quando ele abriu a porta, Anne estendeu a mão na direção dele e um brilho azul surgiu na sua palma. Um enorme holofote na sua mão que fez a porta bater fortemente antes que ele pudesse sair.
— Mas eu quero que você fique! — as pupilas de Anne dilataram-se estrondosamente, de modo que todo seu olho ficou negro.
O garoto parou onde estava e depois colou as costas na parede ao ver a garota de olhos negros e mãos brilhantes. Não era possível que ainda existiam.
— I gcás ina raibh tú ag teacht? — perguntou o garoto.
— Ní chuireann sé ábhar, — de alguma forma Anne também sabia falar aquela língua — Cad is ainm duit?
— Peter Huston! — respondeu ele — Interessante que você tenha caído em meus encantos tão facilmente!
Os olhos de Anne voltaram ao normal e suas mãos não produziam mais brilho algum. Mas de algo tinha certeza, era para ela fugir daquele lugar agora. Alguma coisa em sua cabeça dizia que ele não era coisa boa. Ainda zonza atravessou o quarto, abriu a porta e correu pelo corredor. Tudo girava, caia várias vezes no caminho e levantava-se com dificuldade. Ao descer a escada perdeu as forças e acabou caindo. Os degraus passavam sob seu corpo duramente. Quando chegou ao andar de baixo caída ao chão, um círculo de pessoas se criou em volta dela e o último rosto que imaginava ver apareceu.
— Todos saiam daqui, ela é minha amiga! — o rosto de Emily girava várias e várias vezes na cabeça de Anne.
Emily chamou as outras dançarinas com quem tinha feito amizade. Juntas carregaram Anne para o camarim. O teto branco e brilhante se escurecia e de repente os olhos azuis e apertados de Emily foram às últimas coisas que viu.
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