Notas iniciais
Achei que este capítulo ficou um pouco melhor do que o anterior. Porém percebi que algumas informações sobre os personagens estão um pouco vagas, então irei esclarece-las nos capítulos futuros. Espero que gostem.

As últimas duas semanas foram as melhores de minha vida. Em apenas 14 dias fomos para os Estados Unidos e visitamos cinco tipos de cidades diferentes. Começando em Nova York, passando por Washington, Los Angeles, Seattle e terminando fazendo uma viagem para a França direto para Paris.

Experimentei todo o tipo de comida, andei em os mais diferentes centros turísticos... Enfim, cheguei até, por um momento, pensar que o câncer foi algo bom em minha vida. Em todo este tempo, minha mãe, Karoline, não tirava o sorriso do rosto.

– Sua estadia na terra irá valer a pena. Em apenas dois meses terá mais histórias para contar do que muita gente que viveu por 50 anos! — ela sempre me falava isso durante as refeições, e eu sempre respondia com uma bela gargalhada.

– Pena que não estarei vivo para contar estas histórias. — pensava.

Agora estou aqui, pegando um vôo direto pra casa. Sempre tive medo de aviões, mas quando seus dias já estão contados, esse medo some. Ouço o comissário de bordo avisar algo no microfone, mas ignoro. Sempre com aquelas informações "super úteis" de quantos pés estamos de altitude.

Minha mãe estava dormindo ao meu lado encostada em meu ombro. Mesmo mantendo todo esse sorriso, em uma noite quando estávamos no hotel de Washington, a peguei aos prantos, chorando calada próximo ao parapeito do prédio. Aquilo doeu meu coração. Achava que minha mãe tinha aceitado a ideia do fato de eu estar morrendo.

Fui tirado dos meus desvaneios quando uma aeromoça cutuca meu ombro perguntando se precisava de alguma coisa. Simbolizo que não com a cabeça e solto um longo bocejo. Nem tinha percebido que estava tão cansado depois de tanta aventura. Lentamente, minhas pálpebras pesam e adormeço.

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Acordo com o barulho do comissário falando no microfone. Ele pedia para apertarmos o cinto pois iriamos pousar. A esta altura minha mãe já estava acordada, e solta um sorriso ao me ver acordado também.

– Bom dia. — disse.

– Bom dia? Mas são... — olho no relógio e me assusto. Dormir era 10 horas da noite e já eram 8 horas da manhã. — Oh céus! Como eu consegui dormir por tanto tempo?

– Pensei em te acordar, mas estava em um sono tão gostoso que não queria atrapalhar. Estou acordada desde as 7. — observou.

Só então percebi a sede e a fome que estava. Chamei a aeromoça e esta me serviu um hambúrguer (pelo menos era o que parecia) e um copo de água.

Neste mesmo instante ouço o comissário repetindo a ordem do cinto de segurança, adicionando a informação que iriamos pousar em 20 segundos. Dou uma última checada no cinto e espio a janela para ver o céu pela última vez. Aquilo fora um vôo de 16 horas, queria logo chegar em terra firme.

O avião depois de pousar, demorou mais 10 minutos até o piloto conseguir manobrar ele pela pista de pouso. Quando finalmente peguei minhas malas e saí da cabine, passando pelo terminal direto pro centro da pista, soltei um suspiro de alívio.

– Terra firme! — me espreguiçei enquanto falava. — Finalmente!

Minha mãe vinha logo atrás de mim carregando o dobro de malas que eu tinha levado.

– Eu realmente não entendo o porque de tantas malas assim. — observei.

– Temos que levar o dobro de coisas que os homens, querido. Mulheres tem maquiagens, roupas íntimas dobradas.. Ser mulher não é fácil. — ela riu e continuou caminhando ao meu lado.

Chegando perto do restaurante do aeroporto, peço batatas fritas para a moça, já que odeio comida de avião, não sei se observei isso. Minha mãe pede apenas um copo de água. Enquanto eu me dirigia para a mesa mais próxima, fiquei com um sentimento de que alguém estava me observando. Sentei cautelosamente na mesa dando uma rápida estudada do local.

Não encontrei ninguém, e então tirei esta idéia da cabeça.

– Devo estar ficando paranóico. — pensei.

Após terminar de comer as fritas, me apressei para ir logo para o táxi e pegar o caminho mais próximo direto para casa. Estava com saudades de meus amigos do skype. Quando passo pela porta principal do aeroporto e minha mãe chama um táxi, aquele sentimento de estar sendo observado volta novamente.

Minha mãe encontra um táxi e nos dirigimos em direção a ele enquanto o taxista gentilmente sai do carro e nos ajuda a colocar as malas no porta-malas. Não pude notar o olhar que minha mãe lançou para o taxista. Um homem de meia-idade, com uns 40 anos em boa forma.

– Dá pra parar de secar o taxista com o seu olhar? — sussurrei no ouvido da minha mãe.

– Mesmo depois do seu pai ter morrido você quer me controlar, criatura? — ela riu.

– Você ri bastante, sabia? — comentei.

Abrindo a porta do carro, vi as pernas de alguém sentado no banco traseiro. Sem nem mesmo olhar, pedi desculpa pois não sabia que o táxi estava cheio, mas o passageiro logo se apressa:

– Não não. Pode ficar. Estamos indo para o mesmo destino. — uma voz feminina falou.

– Como você sabe aonde estou indo? — entrei no carro e olhei para a cara da moça que estava. Naquele momento meu coração parou por vários segundos.

Com um cabelo moreno que lhe caia até os ombros, uma regata branca e um short até os joelhos, uma das meninas mais bonitas que já tinha visto na minha vida estava na minha frente.

Fiquei sem graça e sentei calado.

– Prazer, meu nome é Cassandra. — ela estendeu a mão para mim, e eu a apertei sem jeito. — Já nos conhecemos antes.

Fiquei curioso com essa afirmação, e não conti a pergunta:

– É mesmo? Aonde?

– Estava na fila para ir visitar o médico junto com você.

Lembrei do dia que recebi a notícia sobre meu câncer de estômago e me deu vontade de chorar. Mas a curiosidade venceu, e perguntei:

– Oque foi fazer no médico? — como o médico era especializado em câncer, já sabia a resposta.

– Câncer de pulmão. — respondeu.

Notas finais
Próximo capítulo sai amanhã, talvez.