50 Tons de Desejo
41 Teimosa e curiosa
Notas iniciais
No dia seguinte...
P.O.V Da Sam
Terminei de me arrumar e peguei minha bolsa, eu não ia dar aquele gostinho a ele, não mesmo. Cheguei na empresa sendo pontual, fui direto para a sala dele e liguei o seu computador, ele podia chegar a qualquer instante. Sua mesa estava organizada e fui para a minha sala, a saia lápis e a meia-calça cobriam os hematomas em minhas coxas, a blusa de gola alta também cobria os chupões em meu pescoço, eu tive que disfarçar as olheiras com base e pó compacto. Custei para pegar no sono, chorei até ficar exausta e acabei adormecendo dolorida e com muita raiva dele.
Pendurei minha bolsa no gancho e peguei o tablet, abri a agenda e liguei o computador. Saí da minha sala e acabei o encontrando no corredor.
— O que você está fazendo aqui? — O cretino perguntou. Ele realmente achava que eu não ia conseguir trabalhar.
— Bom dia, Sr. Benson. Já liguei o seu computador e estou indo agora mesmo buscar o seu café. — Evitei olhar em seus olhos e usei meu tom profissional.
— Responda a minha pergunta! O. Que. Está. Fazendo. Aqui? — Perguntou pausadamente, seu tom era de irritação.
— Eu vim trabalhar, não estou doente e nem incapacitada, com licença. — Tentei passar por ele, mas fui impedida, pois ele segurou meu braço direito com força.
— Eu te dispensei, pegue sua bolsa e vá agora mesmo para casa. Tire o dia para descansar. — Disse usando um tom baixo.
— Me solta! — Pedi.
Sua mão se afrouxou em torno do meu braço.
— Isso é uma ordem! — Ressaltou.
— Eu quero trabalhar. Apenas me deixe fazer o meu trabalho. — O olhei irritada.
— Vai mesmo me contrariar? — Soltou o meu braço e trincou os dentes.
— Vou preparar o seu café. — Avisei ignorando sua pergunta.
Minutos depois...
— Aqui está, senhor, do jeito que gosta. — Lhe entreguei a xícara.
— Obrigado! — Sua voz saiu seca e eu me afastei da mesa.
— Já chequei a sua agenda. Hoje o senhor tem uma reunião às 14:00 horas. E também já confirmei o jantar de hoje à noite com os executivos da SGL, vai ser às 19:00 no Pericier Granvitte. O senhor tem uma conferência de vídeo às 16h:30 com o equipe executiva da filial em Chicago. — O informei.
— Desmarque o jantar. Não estou com paciência para discutir com os executivos da SGL. — Avisou com seu humor azedume.
— Lamento, mas isso não vai ser possível. — Falei. — O Vice-Presidente da SGL afirmou que só vai estar em Seattle até amanhã. A secretária dele ligou ontem e explicou que o jantar vai ter que ser hoje. — Expliquei.
— Merda! — Resmungou baixinho.
— Com licença, vou para minha sala agora. Tenho que preparar os slides para a reunião. — Avisei.
— Eu não mandei preparar slide nenhum, por acaso mandei? — Levantou me olhando irritado.
— Não, senhor, mas esse é meu trab...
— Fique quieta! — Ele estava mesmo me mandando calar a boca? — Pra começar, eu te dei folga, você nem devia estar aqui hoje. Você devia estar na sua cama descansando e você está aqui me contrariando. Você com certeza não tem noção de quanto as minhas mãos estão coçando para esquentar a sua pele... Estou me controlando para não te colocar em cima da mesa de bunda para cima e te dar umas palmadas agora mesmo! — Falou, sério.
— Eu não preciso de descanso. Eu só quero cumprir com o meu expediente, eu vim trabalhar e não aturar o seu humor infernal! — Retruquei.
— Você é muito petulante, sabia? — Apertou as bordas da mesa.
— E o senhor é muito arrogante! — Rebati.
— Oras, como ousa...? — Me fuzilou. — Você está merecendo levar...
— Se me der licença, eu vou voltar ao trabalho! — O interrompi. Falando isso, lhe dei as costas.
— Mas que mulher teimosa! — O ouvi resmungar.
[...]
Durante a reunião, Rodrick não parava de me lançar olhares furtivos e sorrisinhos. O Sr. Mandão havia percebido tudo e sua cara não era das melhores, de vez em quando, ele fuzilava o primo e me lançava aquele olhar:
"Estou de olho em vocês!"
E para provocá-lo, eu apenas mexia no cabelo jogando charminho pro Rodrick e mordia a tampinha da caneta.
Rodrick piscava para mim e sibilava coisas como: 'Linda', 'Assim eu não resisto' 'Danadinha', 'Você é tão sexy' e etc...
Sem querer acabei soltando uma risadinha e o Benson me olhou furioso.
A reunião não estava tão chata com o seu primo me distraindo. Rodrick Sullivan era mesmo uma graça.
Meu celular vibrou no bolso interno do meu terninho cor de creme. E discretamente, peguei o aparelho e desbloqueei a tela. Era uma mensagem do moreno divertido.
"Topa almoçar comigo hoje, gata?"
Pensei um pouco e respondi:
"Claro, por quê não?"
Ele me enviou um emocation de uma carinha bem feliz. Enviei uma carinha mandando beijo pra ele.
[...]
— Que porra foi aquela? — O Benson me empurrou contra a parede da sala dele.
— Do que está falando, senhor? — Me fiz desentendida.
— Não se faça de boba. Você sabe muito bem do que estou falando! — Prensou seu corpo ao meu.
— Eu não sei... Me solta! — Suas mãos apertavam minha cintura. Tentei empurrá-lo em vão.
— Todo mundo que estava na reunião viu você e o Sullivan flertando descaradamente! — Seu aperto em minha cintura se intensificou.
— Eu sou solteira e ele também é. E diferente de você, ele não é meu chefe! — Falei no calor da raiva. Qual era o problema dele?
— Escuta aqui, Samantha... — Agarrou o meu queixo. — Você não pode flertar com ele. Nem no ambiente de trabalho e nem lá fora, entendeu? Você está comigo, temos um contrato, já esqueceu? Você é minha submissa. Não te quero perto do Sullivan, ele não é confiável. Ele só está te usando para me atingir, sua tola! — Dizia cada frase apertando meu maxilar cada vez mais.
Meus olhos lacrimejaram. A dor era intensa. Tanto na minha cintura e tanto no meu maxilar.
— Eu não sou sua propriedade. O nosso namoro é uma farsa. Sou apenas sua submissa nos finais de semana! — O lembrei, minha voz saiu um pouco embargada.
— Temos um contrato, lembre-se disso sempre quando for flertar com ele. — Avisou finalmente me largando e se afastando.
— Rodrick não é como você. Você está agindo como se estivesse com ciúmes. — Disparei aquelas palavras sem pensar.
— Não seja idiota! Eu não tenho ciúmes de você. O que nos temos é sexo. Você nem é minha namorada, não é mesmo? — Sorriu, irônico.
Enguli o choro e assenti. Ele tinha razão. Eu não passava de um objeto sexual nas mãos dele.
— Coloque um vestido elegante, vou te pegar às 18h:30. Não posso chegar no jantar de negócios sem minha secretária, certo? — Seu tom exalava sarcasmo.
— Certo, senhor! — Concordei.
[...]
— Que carinha triste é essa? — Rodrick perguntou quando estávamos almoçando.
— Não estou triste. Estou apenas tendo um dia difícil. — Respondi.
— Trabalhar com o meu primo deve ser exaustivo, né? — Indagou.
— Exaustivo e estressante! — Ressaltei.
— Ele é muito metido, chato e arrogante. Perdi até a conta de quantas vezes discutimos e saíamos no soco. — Comentou.
— Isso é sério? — Perguntei.
— Muito sério. — Assentiu. — Uma vez o pai dele deu uma surra nele e o meu pai me deu uma surra porque brigamos no aniversário de 15 anos da Annabel. O Freddie não queria que ela dançasse comigo, ele é muito ciumento com a irmã dele. Bobagens, a Anninha é minha prima e ela com certeza não faz o meu tipo! — Contou.
— Nossa! — Fiquei chocada.
— Pois é, a gente acabou com a festa, caímos por cima do bolo e fizemos a coitada chorar. Tia Marissa e o tio Leonard ficaram uma fera. Nossos pais tiraram o cinto e começaram a nos bater quando os convidados foram embora. — Ele continuou contando, dando risadas.
— E você acha isso engraçado? — Cortei meu bife à milanesa.
— Agora é sim. Eu me culpo por ter estragado o aniversário da minha prima. A surra foi a pior da minha vida, mas eu não me arrependo de ter batido nele. — Confessou.
Comecei a rir contagiada com sua risada que era até gostosa de se ouvir.
— Viu só? Eu te faço rir. Seu sorriso é lindo e você tem uma risada engraçada! — Disse ainda com humor.
— Bobo! — Amassei e joguei um guardanapo de papel nele.
— Linda! — Piscou para mim.
[...]
Quando cheguei em casa, a Carly estava trabalhando no notebook, ela simplesmente amava trabalhar para aquela Revista. Decidi não incomodá-la, fui para o meu quarto e comecei a me despir. Parei diante do espelho e observei o meu corpo desnudo, os hematomas que amanheceram avermelhados acabaram ficando arroxeados.
Os chupões estavam horríveis. Eu precisava cobrir o meu pescoço.
Tomei um banho relaxante, meu corpo ainda estava dolorido devido à noite intensa e selvagem. Chorei debaixo do chuveiro sentindo a água morna relaxar cada músculo tenso.
As lembranças vinham à todo vapor quando eu fechava os olhos. Ele me vendando. Os grampos beliscando minha pele. Suas mãos em meu corpo. A dor prazerosa. O vibrador me dando prazer. O sexo pra lá de intenso. O orgasmo arrebatador.
Por quê eu não o mandei o embora? Por quê deixei ele bater em mim? Por quê fiquei muito excitada com tudo aquilo? E por quê senti prazer fazendo sexo anal? Por quê?
— Maldito homem! Por quê mexe tanto comigo? — Desliguei o chuveiro.
Saí do box e me enrolei na toalha. Tirei a touca do cabelo. Saí do banheiro.
O vestido longo cor de vinho e com mangas compridas rendadas, a lingerie simples e confortável e a maquiagem estavam em cima da cama. Eu também até havia separado o sapato.
Me sequei sem pressa, vesti minha lingerie e um robe branco-perolado por cima. Comecei a me maquiar, meu rosto estava corado por conta do choro e meus olhos estavam inchados. Cobri as olheiras, delineei meus olhos e passei batom vermelho-escuro. Usei pó compacto para encobrir os chupões no meu pescoço. Penteei meu cabelo, o deixei preso para o lado com as pontas cacheadas com Babyliss, ajeitei minha franja e gostei do resultado.
Coloquei o vestido e os sapatos pretos. Aqueles sapatos eram tão caros, de alguma marca italiana que eu não consegui decorar o nome. O Benson sabia cada marca de roupa, sapato e bolsa que ele mesmo comprou para mim.
Eu estava me sentindo linda e dolorida. Por dentro eu estava com raiva, magoada e me sentindo tão suja... O desconforto ao sentar me incomodou o dia todo. Eu ainda teria que ver seu rosto e sentar ao lado dele durante o jantar.
"Você deixou ele te "comer" por trás, agora aguenta..."
A voz irritante do meu consciente gritava em minha mente.
[...]
— Você está deslumbrante! — Me elogiou. Apertei a bolsinha de mão e entrei no seu carro incrível com cheirinho de couro novo.
Ele estava lindo e muito charmoso naquele traje social feito sob medida. Mas eu jamais admitiria em voz alta.
— Que cara é essa? — Entrou no carro.
— Cale a boca e dirige. Quanto mais rápido chegarmos ao restaurante e essa noite acabar, melhor! Eu não tô nem um pouco animada para ir nesse jantar! — Fui grossa, mas e daí? Ele passou o dia sendo rude comigo também.
— Hoje essa sua língua está muito afiada, sabia? — Ligou o Aston. — Acho que está louca para sentir minha mão descendo em você. — Como ele conseguia ser tão imbecil?
— Pode até me espancar agora mesmo, eu vou dar queixa depois, se considere avisado! — Falei sem medo.
— Vai me denunciar por quê? — Riu, debochado.
— Porque você não pode me bater hoje. — Respondi o óbvio.
— Ah, é mesmo... Hoje você é minha secretária. Vou controlar as minhas mãos que passaram o dia todo coçando! — Estalou a língua.
— Faça isso mesmo, chefinho! — O provoquei com meu tom irônico.
— Você já está me provocando demais. Eu posso até ser preso, mas se eu parar o carro, pode ter certeza que vou bater nessa sua bunda dolorida até você suplicar para eu parar! — Ameaçou falando sério.
Enguli em seco e resolvi controlar a língua. Eu sabia que ele era bem capaz de fazer aquilo mesmo.
[...]
— Você ainda nem tocou na sua comida. — Sussurrou quando estávamos jantando com todos aqueles executivos prepotentes de narizes empinados e bons de lábia. O Vice-Presidente não parava de me secar. As outras secretárias eram todas metidas e todas elas estavam usando vestidos bem decotados.
— Estou sem fome. — Sussurrei.
Eu só queria ir embora, eu estava muito entediada e a maioria daqueles homens não tiravam os olhos de mim. Aquilo estava me incomodando e muito.
— Coma! — Continuou sussurrando.
— Não quero! — Balancei a cabeça.
— Me obedeça! — Sua mão esquerda repousou na minha coxa.
— Já disse que não quero. — Continuei sussurrando. — Com licença, senhores! — Falei me levantando.
Todos assentiram e eu me retirei da mesa.
Entrei no banheiro apressada e parei diante do espelho, me apoiando na pia. Respirei fundo. Eu estava sem apetite. Tudo que eu queria era ir pra casa.
— O que pensa que está fazendo? — Sobressaltei com o susto. Aquela voz grave soou pelo banheiro, me causando arrepios.
— Quero ir embora! — Avisei me virando para ele.
— O jantar ainda nem acabou. — Disse irritado.
— Mas eu quero ir embora agora! — Falei com firmeza.
— Você vai voltar para a mesa agora mesmo, vai agir como as outras secretárias, colocando o seu melhor sorriso no rosto e vai fingir que o jantar está sendo muito agradável, entendeu? — Ergueu uma das sobrancelhas.
— Entendi... — Confirmei.
— Boa garota! — Sorriu.
"Cretino! Imbecil! Mandão! Maldito controlador..."
Fui o xingando mentalmente. Cheguei primeiro à mesa para ninguém desconfiar.
[...]
Dias depois:
Sexta-feira, às 19:12 da noite...
— Você já jantou? — Perguntei tirando a jaqueta.
Por mais que eu ainda estivesse chateada com ele, eu ainda me preocupava com aquele idiota. Se não fosse por dona Rose, ele com certeza morreria de fome já que tinha preguiça de cozinhar e mal sabia fritar um ovo.
— Não. Vou pedir comida chinesa daqui à pouco. — Disse sem tirar os olhos da enorme TV.
— Dona Rose veio hoje? — Indaguei.
Eu não sabia quais eram os dias que ela vinha para limpar o apartamento e lavar as roupas dele.
— Ela só vem segunda-feira. — Seu tom era seco. Ele ainda estava puto comigo.
— Não precisa pedir a comida. Vou preparar o jantar. — Avisei.
Silêncio. Respirei fundo e fui para a cozinha deixando ele ali na sala.
Lavei as mãos e vasculhei a geladeira. Ele não comia empanados e nem coisas gordurosas. Zelava muito pelo corpo definido e saudável.
Dona Rose fazia as compras, ela sempre deixava a geladeira lotada de frutas, verduras e legumes. Tinha duas jarras de suco. Carne, frango e até filé de peixe.
Fui abrindo as vasilhas e os pontinhos. Ela havia feito salada de fruta e tinha carne temperada e frango temperado pronto para cozinhar, assar ou fritar.
Decidi fazer algo rápido. Empanei algumas tirinhas de filé de peixe e coloquei para fritar. Decidi fazer arroz de forno com queijo parmesão. E preparei um molho cítrico.
— O cheiro está bom. — Chegou na cozinha quando eu retirava as primeiras tiras de peixe e as colocava num prato forrado com papel-toalha.
Não falei nada. Apenas dei uma olhada no arroz que ainda estava no forno.
— Você sabe que hoje é dia da sua punição, né? — Ele fazia questão de me lembrar.
— Sim, eu sei e não tô nem um pouco preocupada com isso. — Mostrei indiferença.
— Ah, é mesmo? — Sentou numa das banquetas.
— Uhum. — Assenti.
— Hoje você derrubou café em cima da minha mesa e molhou alguns documentos importantes. E fez várias merdas ao longo do dia, derrubou e quebrou o tablet, arruinando minha agenda. Esqueceu de anotar os recados. Não fez quase nada direito, sua cabeça só podia estar no mundo da lua. Você ficou a maior parte do tempo mexendo no celular, dando sorrisinhos. Você não quis almoçar comigo, preferiu almoçar com Rodrick. Você se atrapalhou toda hoje e acabou me atrapalhando também. Sua falta de concentração me tirou do sério. Você me deu muita dor de cabeça hoje, sabia? E...
— Você vai me punir e eu já estou ciente disso. — Apaguei o fogo, o interrompendo.
— Não me interrompa, porra! — Socou a bancada.
— Você acha que fiz tudo aquilo de propósito? — Me indignei.
— Não! Mas hoje tínhamos muito o que fazer. Você só fez merda! Você nem sequer foi capaz de me preparar um café decente! — Disse, irritado.
— Você está exagerando! — Falei ofendida.
— Não estou não! Hoje você estava muito aérea. Nunca te vi tão desconcentrada e tão atrapalhada! — Esbravejou.
— Se não está mais satisfeito, então me demita! — Bati na mesa quase gritando.
— Eu vou é te punir, isso sim. Abaixe o tom quando for falar comigo. — Levantou e eu não abaixei o olhar. Havia cansado de me deixar ser intimidada.
Lhe dei as costas e fui ver se o arroz já estava pronto.
Servi a comida e jantamos em silêncio. Ele sentado à mesa e eu de frente para a bancada.
— Vou para o escritório, tenho umas ligações para fazer. Quero você nua no Quarto do Prazer, ouviu bem? Agora descanse, te vejo daqui à uma hora! — Ele colocou o prato em cima da pia.
— Sim, senhor! — Respondi.
[...]
Acabei cansando de ficar no Quarto da Tortura, nua, esperando por ele. Coloquei meu robe e saí dali. Parei no corredor e por curiosidade, fui verificar se a porta do quarto dele estava trancada. Ele raramente me deixava entrar ali.
Girei a maçaneta e vi que a porta estava destrancada. Entrei no quarto e encontrei tudo perfeitamente arrumadinho, ele era organizado demais.
Eu não tinha nada para fazer mesmo e ele ainda estava trancafiado naquele maldito escritório. Entrei em seu closet, passei as mãos pelas camisas macias e perfumadas, até suas cuecas estavam impecavelmente dobradinhas. Tudo ali estava organizado por cores. Seus sapatos estavam lustrados e suas gravatas estavam alinhadas.
Subi num dos puffes que tinha ali e fui bisbilhotar as caixas que estavam num dos compartimentos presos à parede. Uma delas tinha álbuns de fotos, objetos pessoais e abotoaduras e etc...
Desci do banquinho acolchoado e subi na pequena escadinha para poder alcançar o último compartimento. Uma caixa preta me chamou atenção. A peguei com cuidado. Desci da escada com cautela e sentei no piso amadeirado.
Tirei a tampa da caixa e vi que ali só tinha envelopes pretos. Fiquei muito intrigada e decidi abrir um para matar a curiosidade.
Havia um documento, uma ficha cheia de dados e algumas fotos.
Eram fotos de uma linda morena de lingerie. Havia outro envelope e eu abri me deparando com três fotos da morena nua em posições sensuais...
Na verdade, o documento era um contrato e na ficha, estava todos os dados daquela mulher. Ela era uma ex-submissa. Aquilo era confidencial.
Havia mais seis envelopes com contratos, fichas e fotos íntimas das outras ex-submissas.
— Katherine Evaline H. Forbes. — Li o nome na ficha de uma bela morena de olhos verdes e boca carnuda.
Então, aquela era a tal de Katherine, a moça que ele disse ter machucado...
— Que porra você está fazendo aqui? — Me assustei quando ele invadiu o closet e me flagrou mexendo em suas coisas. Larguei os papéis.
Seus olhos desceram para a caixa preta e eu me enchi de pânico.
— Puta merda! O que pensa que está fazendo mexendo nas minhas coisas, caralho? — Esbravejou furioso e eu estremeci.
Continuei muda e parada no mesmo lugar, sentindo o meu corpo todo tremer. Nunca vi ele tão vermelho de raiva. Seus punhos estavam cerrados. As veias do pescoço dele estavam saltadas.
— São dados confidenciais de todas as minhas ex-submissas. Você nunca deveria ter bisbilhotado as minhas coisas. Agora eu vou ter o imenso prazer te punir. Você vai se arrepender por isso! — Avisou me lançando um olhar sádico.
Meu coração estava quase saltando pela boca. O meu pânico apenas aumentou. Ele estava puto e com razão. Com certeza iria tirar sangue de mim.
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