50 Tons de Desejo
42 Descontrole
Notas iniciais
P.O.V Da Sam
— Levanta! — Ordenou me lançando aquele olhar duro, seu tom de voz estava alterado.
Me coloquei de pé sentindo o meu corpo tremer ainda mais, meu coração estava disparado, abri a boca, mas nenhuma uma palavra saiu.
Ele me deu as costas, querendo que eu o acompanhasse até o Quarto de Tortura, vulgo, o Quarto do Prazer. Não me movi, eu estava muito nervosa e assustada, temendo a punição que ele iria me dar.
Freddie parou de andar e se virou para mim, enguli em seco, seu olhar era intimidador até demais. Ele não falou nada, apenas caminhou até a mim e me agarrou pela cintura, erguendo-me e me jogando por cima do ombro esquerdo.
Eu não me debati ou chorei, não ia adiantar em nada. Me deixei ser levada, ele me carregou para fora do quarto e caminhou com passos apressados até o outro quarto à poucos metros dali.
Assim que adentrou comigo naquele cômodo, senti um calafrio e o meu estômago embrulhar. O quarto decorado em tons de vinho e vermelho estava completamente equipado com diversos apetrechos de "tortura", na minha opinião aquilo não iria me causar prazer algum, eu não era masoquista, e nem levava jeito para ser submissa.
Correntes e chicotes pendiam de uma grade preta presa à parede. Cordas, algemas, mordaças, e outros objetos feitos de madeira e couro, de diversos tamanhos e formatos, eu não sabia o nome de nenhum, mas aquilo tudo me deixava intrigada e amedrontada.
As prateleiras estavam repletas de frascos, embalagens lacradas, caixinhas e brinquedos sexuais que eram estranhos na minha opinião. Todos os vibradores ficavam nas gavetas, nas cômodas de mogno, inclusíve, os Plugs anais e alguns lubrificantes importados. Óleos aromatizantes e comestíveis.
Tacos de sinuca e as Canes estavam no suporte feito de aço, havia outros tipos de varas também. O divã e a mesa estavam encostados numa parede. A enorme cama estava com colcha e fronhas vermelhas-bordô, olhei para o teto e logo vi que o espelho que ficava na direção da cama estava coberto com um tecido preto.
Freddie trancou a porta e me colocou no chão, abracei meu corpo. Eu estava nua por debaixo do robe, passou por mim apressado e foi em direção à uma cômoda avermelhada. Abriu a terceira gaveta e tirou uma gravata preta de lá.
— Tire o robe! — Mandou, obedeci um pouco relutante.
Coloquei o tecido macio e sedoso dobrado sobre a cama.
Ele se aproximou esticando a gravata, eu ainda sentia um pouco de vergonha toda vez que ficava nua na frente dele. Tentar cobrir meu corpo só faria ele ficar mais bravo, descruzei os braços e deixei ele me vendar.
— A curiosidade matou o gato, sabia? — Sussurrou naquele tom de causar arrepios.
Mordi o lábio inferior, ele tocou no meu cabelo, arquejei com o primeiro puxão.
— Eu poderia te fazer ajoelhar e chupar o meu pau agora, depois eu a colocaria de quatro e te comeria até eu ficar exausto e você suplicar para eu parar, mas não vou fazer isso... Não vou foder você, vou apenas te punir! — Avisou agarrando o meu seio esquerdo, apertando-o, torceu e puxou o mamilo me arrancando um gemido sôfrego. — Já está molhadinha? — Sussurrou no meu ouvido e mordeu meu lóbulo.
— Sim... — Falei no mesmo tom.
— Sim, o quê? — Deu um forte puxão em meu cabelo, ofeguei.
— Sim, mestre! — Me corrigi.
— Boa garota, é assim que se fala. — Deu dois tapinhas em meu queixo. — Agora vem! — Agarrou-me pela cintura e me conduziu, dei alguns passos trôpegos.
Ele me fez parar e se afastou, ouvi barulho de correntes. Tinha alguma coisa descendo do teto. Lembrei da grade e da cordas, correntes e espécies de algemas que pendiam do teto. Ele nunca havia usado qualquer uma delas comigo.
— Levante os braços! — Ordenou.
Obedeci, já imaginando o que ele iria fazer. Freddie juntou meus pulsos e os atou, prendendo-os com firmeza. Senti algo em volta de ambos, era como couro grosso, seria aquilo algemas de couro ou simplesmente cordas? Eu não fazia ideia, eu odiava ficar vendada. E ficar presa, pior ainda...
Suas mãos firmes e levemente geladas deslizaram sobre meus braços suspensos. Me senti como um animal pendurado num abatedouro. Desceram sobre os ombros, busto, ele apertou meus seios e desceu a mão para a minha barriga, indo diretamente para o lugarzinho quente e sensível entre minhas coxas.
— Hum... Está deliciosamente encharcada. — Deslizou os dedos por minha abertura sem me penetrar. Gemi baixinho.
Por quê eu estava excitada? Eu não deveria estar nem um pouco excitada...
Senti o primeiro tapa estalado em minha bunda, sobressaltei. O senti se mover para trás de mim. Eu estava totalmente nua e vulnerável ao seu bel prazer, sua respiração batia em minha nuca.
— Você é tão cheirosa. — Encostou o nariz no meu pescoço. — Está toda arrepiada. Não pode negar, isso tudo te excita e nós dois sabemos disso. — Suas mãos percorreram minhas costas.
Desceram até a minha bunda, estremeci quando ele me apertou, agarrando minhas nádegas com firmeza.
— Elas foram feitas para mim, são tão boas de apertar, bater e apalpar... — Comentou tranquilamente. — Você é muito gostosa. Tem uma bunda linda. Belos seios. E uma... — Encostou a boca no meu ouvido direito. — Bucetinha apertada, deliciosa... — Suas palavras chulas e nada delicadas mexiam comigo. Me excitavam... Aquilo parecia tão errado.
Finalmente parou de me estimular e direcionou os dedos molhados para a minha outra entrada. Prendi a respiração, fiquei tensa e esperei, estremecendo, ele prensionou os dedos ali e riu se divertindo como se tivesse saboreando alguma piada interna.
— Calma, eu não vou te foder... Hoje não! — Se afastou.
Soltei o ar, respirando aliviada, eu não ia me entregar de novo daquela forma. Não mesmo. Eu não iria mais fazer aquele tipo de sexo. Duas vezes foram o bastante.
— Vou amarrar o seu cabelo agora. — Voltou para perto de mim e prendeu o meu cabelo, fez um rabo de cavalo e o jogou por cima do meu ombro direito. — Pronta para a sua punição? — Acariciou minhas costas.
— Sim, mestre! — Respondi indecisa.
— Pois bem, vamos começar... — Avisou.
[...]
Só tive certeza que aquilo era uma palmatória quando minha nádega direita foi atingida de cheio pela terceira vez. A forte palmada causada pela madeira aqueceu minha pele, não doía tanto, porém, causava palmadas ardidas. Depois de mais algumas palmadas ritmadas, ele passou para a nádega esquerda.
Eu sabia que ele estava apenas esquentando a minha pele, o pior ainda estava por vir.
— Ainda não estou ouvindo você gemer. — Disse insastifeito.
Eu não daria aquele gostinho à ele. Nem pensar.
Desferiu a última palmada com bastante força, o impacto fez o meu corpo ir para frente e eu arfei com a dor que se espalhou, minha nádega ficou latejando.
Depois da palmatória, veio o chicote. Eu podia sentir perfeitamente as tiras e o cheiro de couro. Era um de seus chicotes de tiras. E minhas costas foram o alvo da vez.
A primeira chicotada me fez curvar um pouco, foi ardida e dolorosa. As tiras de couro se chocaram contra minhas costas de novo e de novo. Arfei um pouco, sentindo-me ser chicoteada sem piedade. Ele não estava pegando leve. Não era brincadeira. Estava realmente me punindo. Não havia nenhum contexto sexual.
Impacto. Dor. Ardência. Impacto. Dor. Ardência... Era uma sequência sem pausas.
Parou e resfoleguei, buscando ar... Minhas costas ardiam. Minha nuca pinicava. Eu já sentia o suor brotar da minha testa.
— Qual é a palavra de segurança? — Indagou.
— Vermelho, mestre. — Respondi.
— Use apenas quando não suportar mais ou quando achar que estou passando dos limites. — Me instruiu. Apenas assenti. — Vou soltá-la. Não se mexa. — Avisou.
Fiquei aliviada, meus braços estavam cansados e dormentes. Massageei meus pulsos assim que me vi livre.
— Está com sede? — Apertou a gravata, pelo visto ainda me manteria vendada.
— Sim, mestre! — Minha boca estava seca.
Depois de esvaziar um copo de água, eu me recompus um pouco e o Sr. Benson me conduziu para o enorme "X", segundo ele aquilo era a Cruz de Santo André, muito usada em casas de BDSM. Eu já tinha visto no quarto quando não estava coberta e não sabia o nome, também vi uma no Clube de BDSM e achei bem bizarro.
Ele me posicionou na Cruz e me prendeu ali. Me deixando de costas, no Clube a mulher estava presa à Cruz de frente e não de costas. Estranhei a posição. Ele disse que eu deveria relaxar. Aquilo era impossível. Havia uma abertura para eu encaixar o rosto, devia ser uma Cruz diferente das outras.
— Só para garantir, qual é a palavra de segurança?
— Vermelho, mestre! — Falei com firmeza.
— Lembre-se disso. — Ouvi ele se afastando, o chão do quarto era revestido de madeira escurecida.
Meus tornozelos e meus pulsos estavam bem presos, não tinha como eu sair dali. A posição que eu estava não era uma das melhores. Eu podia ouvir ele se movendo pelo quarto, mexendo em seus "brinquedinhos". Aquilo me deixava agoniada.
As palmadas e as chicotadas não haviam sido o suficiente?
Não poder ver nada só piorava as coisas. Eu simplesmente não conseguia relaxar.
Ouvi e senti ele se aproximar, meu coração batia enlouquecido. Medo, adrenalina e excitação. Tudo estava à flor da pele. Minha pele aquecida estava ultra-sensível ao toque.
O primeiro impacto me atingiu de cheio, a dor se alastrou por minhas costas. Soltei um gemido. Logo reconheci aquele apetrecho.
Era uma de suas Canes. Eu não tinha certeza, mas devia ser a Cane nº 4. A maior de sua coleção.
Costas. Bunda. A parte de trás de ambas as coxas. Golpes fortes e punitivos intercalando entre essas regiões.
Não reclamei. Aguentei firme até o último segundo da Sessão de Spanking. Ele batia cada vez mais forte obtendo um rítmo, revezando nos lugares escolhidos para me golpear com aquela maldita vara.
Gritei quando o último golpe foi desferido na minha bunda, minhas nádegas estavam ardendo.
— Amo as marcas que minhas Canes deixam. — Comentou o cretino. — Sua pele está com uma coloração vermelha muito bonita. — Seu tom era de pura satisfação.
— Já acabou, mestre? — Ousei perguntar.
— Calada! Não te dei permissão para falar! — Me repreendeu num tom rude.
Mordi o lábio inferior, me segurando para não retrucar.
— Vamos iniciar a próxima Sessão de Spanking. — Me informou.
Quantas Sessões seriam? 10? 20? 30?
[...]
Eu sabia que o pior estava por vir. Mas não imaginava o que era. Poderia ser um daqueles tacos de sinuca ou um daqueles objetos medonhos. Sei lá.
O alto estalo e o ardor que eu senti na minha bunda me fez arquejar, e sobressaltar. O latejo se intensificou.
Seria uma corda de couro ou outro chicote?
Gemi de dor. Soltei mais um gemido... Ofeguei alto.
Zunia e o impacto era violento. Arquejei e me contraí. Outro impacto mais forte. Fui golpeada novamente.
Bunda. Coxas. Costas. Nas costas doíam mais. Doía demais.
Os estalos aumentavam à cada golpe. Aquilo era um chicote.
Lembrei de sua coleção de chicotes de açoite e comecei a me apavorar.
Eu estava sendo açoitada para valer. Sem piedade. E aquilo estava saindo do controle...
— Freddie... — Choraminguei, muito dolorida e assustada.
Não me ouviu ou simplesmente me ignorou.
— Freddie! — Protestei, chamando seu nome mais alto.
Ele não parava. Me chicoteava cada vez mais forte.
— Pare... — Choraminguei, meus olhos já estavam lacrimejando.
Minhas costas eram o alvo principal.
O impacto violento. A força das chicotadas. O chicote zunindo. Marcando e ferindo minha pele.
Gritei não suportando a dor que me atingiu. Senti algo escorrer. Ardeu muito. Minhas costas estavam em brasas.
Aquilo era sangue? Ele estava me ferindo para valer, era isso?
— Pare! Pare! — Tentei me soltar da Cruz.
Palavra de segurança. Palavra de segurança. Palavra de segurança.
"Qual era mesmo a maldita palavra?"
Eu não conseguia lembrar. O pânico havia me dominado. A lacinante dor não me deixava pensar direito. Comecei a chorar já em puro desespero.
O Freddie estava passando dos limites. Me machucando de verdade.
Minhas costas ardiam, eu sentia os golpes abrindo minha pele. O chicote era fino e parecia afiado. A dor era insuportável. Eu sentia o bolo se formando em minha garganta. Meu corpo fraquejou. Meu estômago embrulhou. Eu estava suando e me sentindo esgotada.
Limites. Aquele era o meu limite. E o Sr. Benson já havia o ultrapassado.
Zunido. Impacto. Dor. Medo. Desespero.
Fui ficando tonta e me senti sugada para a escuridão total.
[...]
P.O.V Do Freddie
Seus gemidos foram cessando, dei mais algumas chicotadas nela. Apertei o cabo do chicote e a golpeei novamente, suas costas estavam bastante avermelhadas, bati novamente marcando-a ainda mais. Eu estava agindo no calor da raiva e da minha excitação, punindo-a por ter feito o que não devia. Ela havia quebrado outra regra, a primeira foi saindo com o meu primo, e a segunda foi mexendo nos dados confidenciais sobre minhas ex-submissas.
Aquilo foi a gota d'água. Era inaceitável. Sam realmente merecia ser punida para aprender a controlar sua curiosidade, me obedecer e andar na linha comigo. Uma submissa não pode contrariar e ser tão petulante, e teimosa.
Dominado principalmente pela raiva, acabei perdendo o controle. Só notei que passei dos limites quando a Sam não reagiu mais sob as chicotadas. Notei seu silêncio e o sangue escorrendo por suas costas.
Larguei o chicote, ela havia desmaiado. Eu havia ultrapassado os limites.
— Merda! — Baguncei meu cabelo.
Linhas de sangue saiam dos cortes causados pelo chicote de açoite. Usei força demais.
"Que porra eu fiz? Não, meu Deus, não... De novo não."
A soltei com cuidado, primeiro os tornozelos e depois os pulsos.
— Ah, Sam... — Lamentei pegando-a no colo.
Sua pele estava quente. Suas costas marcadas e ensanguentadas me sujaram. A coloquei em cima da cama com cuidado. Seu rosto estava molhado com rastros de lágrimas.
— Sam... — Me desesperei vendo-a tão machucada, desacordada. — Por favor, acorde... Sam! — Dei tapinhas em seu rosto.
"Como eu pude perder o controle? Minha intenção nunca foi machucá-la..."
— Mas que merda! — Esbravejei, furioso comigo mesmo. — Olha o que você fez seu idiota! — Chutei o móvel mais próximo.
Errei com a Katherine. Quase a matei... Eu deveria ter parado... Por quê ela não usou a palavra de segurança? Eu não cometeria o mesmo erro que fiz com a Katherine. A Sam deveria ter usado... Duas submissas. Machuquei duas submissas. A Katherine nunca me perdoou. A Sam vai querer quebrar o contrato."
"Seu imbecil... Você a machucou. Ela está sangrando por sua causa."
[...]
P.O.V Da Sam
Quando abri os olhos, me deparei com um belo par de olhos cor de chocolate me fitando aflitos. Freddie tocou no meu rosto, afastei sua mão e tentei me levantar.
Meu corpo dolorido protestou, gemi fechando os olhos e tentei segurar o choro.
— Sinto muito. — Disse num tom baixo, sua voz estava completamente rouca.
Abri os olhos e me encolhi diante do seu olhar, tentando cobrir o meu corpo.
— Minhas costas... — Choraminguei.
Elas latejavam, ardiam... Eu sabia que eu estava ferida.
— Me deixe cuidar de você? — Tentou me tocar.
Recusei seu toque, balançando a cabeça. Além de ferida, eu estava muito magoada. Ele havia passado dos limites.
— Não toque em mim... Quero ficar sozinha. — Virei o rosto.
— Oh, Sam, não complique as coisas, por...
Tomei fôlego e gritei:
— SAI! ME DEIXA SOZINHA! EU NÃO QUERO OLHAR PARA A SUA CARA!
— Não vou sair. Não vou te deixar sozinha. Eu te machuquei. Vou cuidar de você, eu sei que está me odiando e acredite, eu também estou me odiando por ter feito isso... Vou te levar para o meu quarto. — Disse me pegando no colo com cuidado.
Não adiantava protestar. Aquele homem era irredutível.
[...]
Decidi ficar quieta e deixei ele ver os ferimentos em minhas costas. Eu estava deitada de bruços em sua cama macia, com o cheiro dele impregnado na colcha e nos cobertores.
— Vou ficar com cicatrizes? — Perguntei, receosa.
— Acho que não... — Respondeu, incerto.
Suspirei e ele começou a limpar os cortes.
— São apenas cinco cortes, não são tão grandes, acho que vão cicatrizar bem... Os vergões vão sumir daqui à duas semanas. — Explicou limpando minhas costas.
— Vergões? Eu fiquei muito marcada? — Me preocupei.
— Sim. Sinto muito. — Lamentou. — Principalmente nas costas... Sua bunda também está muito marcada. — Foi sincero.
— Por quê não parou quando eu pedi? — Perguntei, ressentida.
— Você não usou a palavra de segurança. — Respondeu com a voz baixa.
— Você poderia ter me matado. — Falei com raiva.
Ele não falou nada. Apenas continuou me examinando e limpando os cortes. Comecei a chorar baixinho.
— Te machucar nunca foi minha intenção. Eu só queria te punir. Mas infelizmente as coisas sairam do controle. — Confessou.
— Precisava me espancar desse jeito? — Eu estava muito indignada.
Ouvi ele suspirar. Funguei e abafei o choro no travesseiro.
— Você precisa de um banho. — Tocou no meu cabelo.
— Vai arder muito... Hoje não. Amanhã eu tomo banho. — Não era manha. Minhas costas iriam arder mesmo.
Portanto, ele passou apenas uma pomada antiinflamatória e para aliviar o ardor.
— Tudo bem. Agora vira, vou limpar você. — Me virei devagar e ele saiu do quarto.
E quando retornou, tinha uma caixinha rosa na mão. Eram lenços umedecidos.
— Eu mesma faço isso. — Estendi a mão para pegar a caixinha.
Freddie me ignorou, sentou na cama e pegou um lencinho, afastei minhas pernas e deixei ele me limpar. Não senti vergonha, ele já havia feito aquilo antes.
— Você está excitada? — Deslizou o lenço lentamente.
Senti o meu rosto esquentar. Desviei o olhar.
— Não estou te tocando com malícia... — Disse com calma.
— Cala a boca. Estou com raiva de você! — Deixei bem claro.
— Sei que está... — Pegou outro lenço.
— Não... — Eu sabia o que ele iria fazer. Aquilo seria constrangedor demais. — Ei, eu não me borrei, ok? Você só tirou sangue de mim! — Fui rude mesmo.
Ele largou o lenço e eu fechei as pernas. Se levantou e foi para o closet. Saiu de lá com uma camisa de abotoar lilás e uma cueca boxer branca. As jogou em cima da cama e saiu do quarto sem me olhar ou dizer nada.
Vesti a boxer e a camisa. Descartei os lenços usados na lixeira do banheiro da suíte. Me olhei no espelho. Meu rosto estava vermelho e um pouco inchado por conta do choro. Joguei água no rosto e fiz um coque no cabelo.
[...]
Tomei um analgésico e um remédio para dor de cabeça. Um relaxante muscular seria bem vindo. Devorei uma sopa de copo que aqueci no microondas.
Fui para o "meu" quarto, era espaçoso, aconchegante e estava decorado ao meu gosto. Liguei a TV, eu não gostava do silêncio.
— Sam? — Me chamou dando duas batidas na porta.
Abaixei o volume. Decidi ficar em silêncio. Eu estava sensível e olhar para ele era difícil.
Ele abriu a porta e entrou mesmo assim.
— Não vou conseguir dormir, eu preciso te perguntar uma coisa. — Ele parecia hesitante.
— Pergunte. — Falei sem olhar para ele.
— Você quer continuar seguindo o contrato? Você tem o direito de desistir disso tudo. De romper com o contrato. Eu ultrapassei os limites, sabemos disso. Não vou te obrigar a continuar sendo minha submissa. Se quiser, amanhã mesmo vou contatar o meu advogado e pedir para ele preparar a papelada. Nós assinamos e mantemos tudo o que aconteceu em sigilo. O que você me diz? Ainda quer continuar sendo minha submissa? — Indagou, sério.
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