50 Tons de Desejo
9 Conhecendo o Quarto do Prazer
Notas iniciais
P.O.V Da Sam
Seus dedos deslizaram pelo meu braço até chegar na minha mão, aonde ele a pegou e me puxou, levantei da cadeira ainda trêmula e me virei para olhá-lo.
— Venha, Samantha. — Chamou me puxando, o segui e saimos de seu escritório. — Eu tenho um quarto especial onde vamos praticar tudo que eu tiver vontade, é o quarto que eu chamo carinhosamente de Quarto do Prazer! — Informou quando seguimos pelo grande corredor ainda de mãos dadas.
— Ou seja, o Quarto da Tortura! — Falei temorosa imaginando o que teria naquele quarto.
Quais eram os utensílios de tortura? Chicotes? Palmatórias? Algemas? Pensei com muito medo.
Paramos no último quarto que ficava naquele corredor, ele pegou um molho de chaves do bolso e começou a procurar a chave correta para abrir aquela porta. Torci meus dedos nervosa, minhas pernas ainda estavam trêmulas e se eu quisesse fugir correndo não teria como.
Ele abriu a porta e entrou, continuei parada no mesmo lugar, as luzes do quarto acenderam e eu fui puxada para dentro.
— Seja bem-vida ao Quarto do prazer, Samantha! — A voz dele soou animada e eu congelei ali mesmo.
Misturas de essências de incensos invadiram o meu ofato, olhei ao redor do tal quarto, o piso é de madeira envernizada, as paredes estão pintadas de cor de Vinho. Olhei para o teto vermelho escuro, o meu olhar desceu e parou numa enorme cama de estilo King Size, a colcha deve ser de cetim, é vermelha e só há dois travesseiros redondos. E no teto, exatamente na direção da cama há um enorme espelho e uma grade com cordas.
Olhei mais atentamente para todos os lados, os móveis são de estilo rústico e a iluminação do quarto é suave. Poderia até ser considerado acolhedor a não ser por aqueles objetos espalhados pelo quarto, muitos deles acoplados nas paredes.
Andei devagar olhando para as coisas que estavam ali, muitas delas eu nem sei o nome. Havia uma poltrona preta perto de uma das paredes, e também uma enorme estante onde alguns objetos metálicos brilhavam. Banco de madeira e um divã.
Havia diversos tipos de cordas e correntes penduradas numa espécie de grade acoplada na parede ao lado da imensa estante. Há quatro cômodas espalhadas pelo quarto e acredito que os pequenos objetos de tortura estão guardados nelas.
— Você vai usar tudo aquilo ali em mim? — Perguntei assustada apontando para cinco varas de tamanhos e larguras diferentes ao lado de quatro tacos de sinuca pendurados perto da estante.
— Talvez! — Ele respondeu me fazendo estremecer. Caramba, ele vai me bater com aquelas varas e tacos, estou com medo.
— Para quê serve aquela mesa ali? — Apontei para uma mesa de madeira escurecida e ao lado da mesa havia outra poltrona, esta era menor e de cor marrom.
— Quer mesmo que eu responda? — Sua voz soou tão grave que me deu vontade de sair correndo e não colocar os pés ali nunca mais, enguli um seco.
Decido parar de olhar as coisas estranhas que estão ali, nem quero saber para o que servem, são assustadoras. Não sei o nome delas e nem quero saber, e a única coisa que tenho certeza é de que elas machucam e muito. As prateleiras quase cobriam as paredes repletas de objetos assustadores.
O que mais me intrigou foi a grande cruz ali no quarto.
Estou tremendo e com vontade de vomitar, me sinto tonta. O cheiro de incensos, madeira e couro não estão me agradando. Não sou medrosa, se eu fosse eu já teria saido correndo dali.
— O que achou do meu Quarto do Prazer? — Perguntou e eu me virei para olhá-lo.
Céus! Como esse homem consegue ser tão lindo? Deve ter algum segredo. Esse rosto, esses olhos e essa boca. Ele sem dúvidas é o homem mais lindo que eu já vi em toda a minha vida.
— Samantha? — Senti meus ombros serem sacudidos e eu pisquei sem parar até focar somente em seu rosto. — Você está pálida! — Avisou me puxando e por fim saimos do quarto e eu pude respirar aliviada.
— Seu Quarto de Tortura me deixou tonta! — Falei parando no corredor e me apoiei na parede.
E pela primeira vez, eu ouvi o som de sua risada. Oh, meu Deus! Ele está rindo de mim, parabéns sua idiota. Ele deve estar te achando uma grande medrosa.
— Não tem graça! — Cruzei os braços e olhei séria para ele.
— Desculpe-me, Samantha! — O Sr. Benson se recompos ficando sério.
— É Sam, me chame apenas de Sam ou eu vou te chamar apenas de Sádico Maníaco por controle e Torturador de Donzelas Indefesas! — Avisei e ele fechou a cara. Ótimo!
— Tudo bem medrosa! — Disse voltando a me puxar corredor afora.
[...]
— Por favor, me leve para o hospital aonde minha mãe está internada? — Pedi quando saimos de seu apartamento e rumamos para o seu carro.
— Como quiser. — Falou abrindo a porta do carro e eu entrei. Ele deu meia volta e logo ocupou o seu lugar ao volante, dando partida.
— Você é sempre assim? Sério e culto? — Perguntei curiosa.
— Sim, Sam! — Respondeu.
— Que triste... Ricos deveriam ser felizes e não assim como você... Tão solitário! — Comentei. Eu e minha boca grande, Só sei falar besteiras. — Ah, meu Deus! Desculpa, eu não...
— Sem problemas, eu admiro a sua sinceridade. Você é tão verdadeira! — Disse me tranquilizando.
Preciso me manter calada. Coitado! E se ele se sentiu ofendido? Fecharei minha boca e ficarei quietinha, afinal, estou diante do meu chefe.
[...]
Olho para a mulher que deu a vida, a mulher que eu mais amo nesse mundo. Minha guerreira, minha amada mãezinha. Oh, está tão debilitada, tão sofrida.
Acaricio seu rosto, sua pele está pálida e as olheiras arroxeadas são visíveis e horrendas. Ela está dormindo e eu estou aqui do seu lado segurando sua mão esquerda. As lágrimas são inevitáveis, ela está sofrendo e eu também.
Maldita doença! Penso... Seus cabelos loiros se foram, cairam no início do tratamento há 5 anos atrás. E ela está morrendo aos poucos...
Às vezes eu rezo pedindo para ela partir logo, não suporto mais ver esse tamanho sofrimento. Mas não consigo aceitar, e foi por isso que eu aceitei aquela proposta e assinei o contrato. Tudo para fazer com que a minha mãe tenha mais algum tempo de vida, mesmo que seja por apenas 2 ou 1 ano de vida a mais... Pois os médicos avisaram que ela tem pouco tempo de vida e só temos que esperar a hora dela partir.
[...]
Caminho lentamente até o Sr. Benson que está me esperando pacientemente no corredor de espera do Hospital. Ele se levanta rapidamente assim que me ver chegando. Estou triste, sempre quando saio de perto da minha mãe e tenho que voltar pra casa me sinto assim, arrasada, destroçada...
— Me leva para casa, por favor. — Pedi apressando os passos.
Paredes brancas, cômodos muito iluminados, cheiro forte e enjoativo de Hospitais me deixam angustiada e nauseada.
Assim que me vi fora daquele lugar respirei fundo e aliviada, o clima lá fora estava gostoso e os barulhos de carros me distrairam, diferente daquele leito silencioso. Amo Seattle, mas Vancouver é o meu lar e não aqui onde nasci e fui criada.
— Desculpe lhe fazer ficar dirigindo para mim, mas foi você que me sequestrou de Vancouver, agora me leva para lá, por favor! — Praticamente implorei.
— Certo! — Concordou e segurou minha mão direita, conduzindo-me até o seu carro luxuoso.
[...]
Às 20:16 da noite...
— Obrigada pela carona, Sr. Benson. — Agradeci saindo do carro rapidamente.
— Disponha, Srtª Puckett, até logo! — Se despediu e eu acenei dando um tchauzinho.
Me apressei e entrei no Prédio, logo corri para o elevador. E não demorou muito para eu chegar no meu apartamento, tirei minhas chaves da bolsa e abri a porta rapidamente.
— SAM! — Ouvi o grito da minha amiga. — Tranquei a porta e logo a morena pulou em mim me abraçando e quase quebrando meus ossos. — Eu liguei para a casa do seu pai e ele disse que já vai fazer um mês que você não vai visitá-lo. — Disse ela me soltando.
— Tá legal, eu menti... Não estava na casa dele! — Admiti.
— Onde você estava? Por quê mentiu? — Cruzou os braços e me olhou séria.
— Com o Sr. Benson! — Revelei me encaminhando para o sofá e me joguei no mesmo.
— O QUÊ? Com o Fredward Benson? O cara mais desejado de Seattle? — Perguntou chocada e eu assenti. — Ah, meu Deus! Você passou a noite com ele? Me conta tudo, quero todos os detalhes. Oh, meu Deus! Não tô acreditando... Como foi? Ele foi carinhoso? Te tratou como devia? Doeu? Meu Deus! Jura para mim que ele não te machucou? Porque se ele tiver te machucado eu juro que...
— JÁ CHEGA! — Gritei exaltada. — Calma, Carly... Não aconteceu nada disso que você está imaginando, eu não fui pra cama com ele! — Falei constrangida com suas perguntas nada convenientes.
— Okay... Mas ele está caidinho na sua, vai por mim. Sua sortuda, ele te quer e vai acabar te pedindo em namoro e depois em casamento... No próximo encontro eu mesma irei te arrumar, olhe suas unhas e esse cabelo, estão precisando de cuidados, Sammy. Você é linda, mas precisa se cuidar mais... O que acha de renovarmos o seu guarda-roupa, hein? Jeans e Tênis são legais, mas não para sair com aquele homem, ele é muito chique. Ah, meu Deus! Não vejo a hora de você chegar com uma aliança de Diamante... Me convida para ser a madrinha? Vocês formam um belo casal, sabia? Vai ser tão lindo você entrando na Igreja parecendo uma princesa com um vestido de noiva incrível, amiga... E a Lua de Mel? Vai ser em Paris, né?... Oh, meu Deus! Meus sobrinhos! Me chama para ser madrinha dos filhos de vocês? Por favor, Sammy,eu...
Me levantei do sofá rapidamente e saí correndo indo para o meu quarto, subi as escadas chorando. Ela gritou meu nome, mas eu ignorei e me tranquei no meu quarto, me joguei na cama, abafei um grito no travesseiro... Continuei chorando me sentindo mal por tudo que aconteceu hoje.
Pelo contrato que assinei, pela visita que fiz a minha mãe e pelas palavras de Carly... Ilusões, tudo ilusões. Eu não queria quebrar a cara e nem sair com um belo coração partido, mas como sempre acontece... Já estou sentindo que eu vou me dar mal.
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