Notas iniciais
Demorei, mas aqui estou eu com mais um capítulo de 50Tons. Boa leitura!!!

Algumas semanas depois...

P.O.V Da Sam

Estava de folga àquela noite, a Carly também, decidimos ficar em casa, algo que não fazíamos há muito tempo. Carly sempre saia com o Josh nos finais de semana e eu tinha que ir para a casa do Benson. Mas ele havia me dado uma folga alegando que iria trabalhar em casa, no seu escritório até tarde, não deu muitos detalhes, apenas me dispensou.

Não reclamei, eu realmente estava precisando de um pouco de descanso. Meu corpo. Minha mente. Tudo implorava por dois dias de descanso.

Eu também estava naqueles dias. Carly tinha me dado remédio para cólica. Mas a dorzinha chata ainda nem tinha passado.

Também sentia falta de estar com minha melhor amiga. Carly também sentia a minha falta.

Por isso naquela noite, alugamos alguns filmes, colocamos nossos pijamas confortáveis e Carly fez sua famosa e deliciosa pipoca doce. Não era a minha preferida, mas era muito boa e eu gostava.

E estávamos nos divertindo como nos velhos tempos, a morena tinha escolhido o primeiro filme para iniciarmos a nossa sessão de cinema caseiro.

Noite de meninas, segundo ela. Fazia um tempão que não fazíamos aquilo. Ficar em casa de bobeira, comendo besteiras e maratonando algum filme ou alguma série até apagarmos no sofá com a TV ligada...

Como sempre, o primeiro filme era alguma comédia romântica boba, apesar de gostar de um bom filme de suspense ou terror, eu até curtia um pouco. Carly simplesmente amava e às vezes até chorava, algo que me fazia rir.

Minha amiga era aquele tipo de pessoa que chorava assistindo comédia romântica, às vezes até em filmes de animação, principalmente com os filmes da Disney.

Foi por volta das 20:00 horas que meu celular tocou.

Sabe aquele aperto que indica o tal pressentimento ruim?

Meu coração disparou, minhas mãos começaram a tremer, e eu enguli em seco... Olhei para o celular tocando na mesinha de centro, temerosa...

— Não vai atender? — Carls havia pausado o filme.

Enguli em seco novamente. Não era boa coisa... Eu sabia. Meu pressentimento me dizia.

Com receio, peguei meu celular. No visor, logo li o nome de Christine. Meu coração falhou uma batida.

— Atende logo, Sam! — A morena me apressou.

Deslizei o dedo sobre a tela, mas tinha parado de tocar. Minhas mãos tremiam tanto. E aquele aperto no peito apenas aumentava.

Christine era a moça que eu havia contratado para ficar de olho na minha mãe. Ela ficava no hospital como acompanhante. Antes da minha mãe ficar internada, a Christine cuidava dela em casa.

— Atende, por favor... — Passei o celular para Carly quando recomeçou a tocar.

Eu estava com medo. Carls me olhou aflita quando viu quem estava ligando.

— Alô! — Ela atendeu.

A conversa foi curta. Logo fiquei sabendo apenas por seu semblante.

— Sammy... — Disse chorosa.

— Não, Carls, por favor, não... Diz que não é o que estou pensando... — Fechei os olhos, o choro estava entalado.

— Eu sinto muito, amiga... — Lamentou chorando.

— Por quê, Carls? — Me joguei em seus braços, me permitindo chorar. — Por quê Deus tinha que levá-la? Eu tinha tanta... Tanta fé... — Eu estava inconformada.

— Sinto muito, Sammy... — Me apertou, afagando minhas costas.

— Ela também tinha fé... Ela era nova e não merecia isso... — Comecei a soluçar.

Meu mundo desabou naquela noite.

— Eu sei, amiga, eu sei... A Christine disse que devemos ir para o hospital agora. Os médicos querem falar com você. Você quer que eu ligue para o seu pai para dar a notícia? — Perguntou ainda chorando.

— Eu não quero ir... Só quero ficar sozinha agora... — Me soltei do seu abraço.

— Mas Sam, a Christine disse que...

— EU SEI! A MINHA MÃE MORREU... NADA VAI TRAZÊ-LA DE VOLTA! VOCÊ IMAGINA A DOR QUE ESTOU SENTINDO? SÓ QUERO FICAR SOZINHA! — Gritei me levantando e corri para o meu quarto.

Bati a porta e me joguei na cama.

Eu não estava preparada... Mas sabia que iria acontecer. Como eu iria me preparar para aquela notícia? Como? Não... Não tinha como me conformar. Era minha mãe, a mulher que havia me dado a vida. A pessoa que eu mais amava no mundo.

"Por quê Deus? Por quê não a curou? Por quê tinha que levá-la?"

Aquilo não era justo. Maldito câncer. Aquela doença era cruel. No caso dela, sem cura...

Aquela estava sendo a pior notícia que recebi em toda a minha vida. Estava doendo tanto. Uma dor que não podia ser medida... Uma dor que eu não desejava para ninguém.

Eu estava indo visitá-la uma vez por semana. E estava ciente de que o quadro de saúde dela estava piorando... Infelizmente havia surgido algumas infecções, e ela estava na UTI.

E os médicos já tinham me avisado. Não havia realmente mais nada para se fazer... Ela partiria em qualquer momento...

E quando o celular tocou, eu já sabia. Já temia pelo pior. Pela notícia mais triste que eu poderia receber.

Fiquei ali trancada em meu quarto. Eu não tinha forças para levantar da cama. Chorei até as lágrimas cessarem. Eu não queria ver e nem muito menos falar com ninguém.

Ignorei todas as vezes em que Carly bateu na porta me chamando. Ela tinha que respeitar o meu momento. Não queria compartilhar a minha dor. Muito menos que ela assistisse o meu sofrimento... Eu só queria ficar sozinha. Aquilo era pedir muito?

[...]

— Sam, o Freddie está aqui, eu liguei para ele. — Avisou vindo me chamar de novo.

Sentei na cama e esfreguei os olhos. Me levantei e fui abrir a porta.

— Você não tinha o direito de ligar para ele. Por quê fez isso, Carly? Já te falei! Só quero ficar sozinha! — Briguei com ela.

— Me desculpa, mas você não abria a porta e nem respondia, eu estava muito preocupada... Eu pensei que... — Começou a chorar.

— Não devia ter ligado, eu não fiz e nem vou fazer nenhuma besteira, pode ficar tranquila enquanto à isso... Você não entende... Dói muito, Carls... Não quero ir ao hospital hoje... Não posso... Não consigo... Você ligou para o meu pai? — Minha voz saiu embargada demais.

— Sim. Ele já está resolvendo tudo, assinou os papéis no seu lugar. Ainda hoje eles vão encaminhar o corpo para o necrotério, para o preparem para o velório... — Me informou ainda chorando.

— Meu pai ainda a amava... — As lágrimas vieram com tudo. Ele falou sobre a causa da morte? — Eu precisava saber.

— Ela teve uma parada cardíaca... — Respondeu com a voz rouca por conta do choro.

E me abraçou com força. Carly costumava chamar a minha mãe de tia. E minha mãe simplesmente adorava a Shay.

— Eu fiz de tudo, Carls... Tudo que estava ao meu alcance, e eu faria de novo... Mas não consigo me conformar, não consigo... — Chorei ainda mais.

— Eu sei, amiga, eu sei... — Acariciou meu cabelo.

— Me arrependo de tantas coisas... Você sabe, dei muita dor de cabeça a ela... Se eu pudesse voltar no tempo... — Lamentei. — E quando ela adoeceu, e tivemos o diagnóstico... Eu desejei estar no lugar dela... Ela fez tudo por mim, tudo... E eu não fui uma boa filha, e se ela soubesse que eu...

— Shhh... Foi uma fase. Você tinha 15 anos, Sam. E ela já te perdoou por toda a sua rebeldia na época, e ela te amava mais que tudo nesse mundo! — Tentou me consolar.

— E eu sempre vou amá-la. — Falei.

Minutos depois...

— Ele já foi? — Perguntei quando ela entrou no meu quarto com uma bandeja.

— Sim. — Respondeu colocando a bandeja sobre a cama.

— O que disse a ele? — Peguei a xícara de chá, ela também trouxe torradas.

— Não se preocupe. Ele entendeu. Mas ele queria muito te ver... Sabe, ele se importa com você, eu vi nos olhos dele, ele estava abalado e muito triste, disse que sente muito, e que virá para o velório... — Contou.

— Hum... — Soprei o chá para esfriar. Ela pegou a outra xícara.

— O que foi? — Indagou.

— Nada... — Eu não queria falar para ela. Não naquele momento.

— Fora da empresa, e quando não estão praticando aquilo, vocês são como amigos, certo? — Perguntou.

— Eu não quero falar sobre isso agora, é complicado... — Eu queria muito mudar de assunto.

— Tá. Tudo bem! — Assentiu.

Suspirei triste.

O velório seria no dia seguinte... Carly foi dormir e eu fiquei acordada.

No dia seguinte...

Virei a noite sem sono. Eu tinha que agradecer o meu pai. Ele havia se encarregado de cuidar de tudo.

Eu tinha que me levantar. Mas era muito difícil. Em algumas horas eu teria que velar o corpo da minha mãe. Teria que receber parentes, amigos e conhecidos que gostavam dela.

Aquilo não me agradava, nem um pouco. E ainda tinha o enterro.

— Você precisa se alimentar, Sam. — Carly já estava vestida para o velório.

O corpo ainda não tinha chegado. Mas poderia chegar em qualquer momento.

Abri a boca para respondê-la, mas fui atingida por um enjôo forte e horrível. Eu já tinha amanhecido um pouco nauseada. Tonta e com dor de cabeça.

Me curvei e vomitei ali mesmo no quarto, sobre o carpete.

Com certeza era por conta de toda a angústia, e todos os sentimentos ruins que eu estava sentindo. A noite tinha sido longa, e eu não estava nada bem. Por conta daquilo, acabei passando mal.

Carls correu vindo me socorrer, segurou o meu cabelo enquanto eu vomitava. E quando o vômito cessou, respirei fundo, tentando me recompor e sentei na cama com a ajuda dela.

— Vou preparar um chá para você. — Afagou minhas costas.

— E vou escovar os dentes agora... — Eu tinha que tirar aquele gosto horrível da boca.

Notas finais
Alguém ainda acompanha essa Fic??? Cadê as minhas as leitoras queridas??? O que acharam do capítulo??? Tadinha da Sam... A Pam se foi. O drama está apenas começando. Comentem, nada de vácuo, hein? Bjs