5 anos depois - HIATUS

11 De dentro para fora


Notas iniciais
TRILHA SONORA: - V.K 克 - 戀冬 - https://youtu.be/LwSX2PRSs4Q - V.K克 - 向日葵的祈愿 / Sunflower's Prayer - https://youtu.be/QjtXl9iHPII - V.K克 - 守護天使 / Guardian Angel - https://youtu.be/-FcEH8li164 Olá pessoas! Será que pelo título você adivinharam quem ganhou? Sim! Nicolas, o lindo, maravilhoso e meloso melhor amigo da Clara :) A competição foi acirrada, o extra do Nick ganhou por apenas um voto a mais! Se você votou em outra opção, não se preocupe! Ainda virão muitos extras pela frente! Esse extra ficou bem grandinho, mas realmente não dava para diminuir o conteúdo sem tirar a qualidade. Espero que gostem e comentem! Beijos. Jojo. PS.: Ouçam as músicas da trilha sonora, elas te deixam mais por dentro da história.

DE DENTRO PARA FORA

Eu percebi que tinha chegado tarde demais quando vi a ambulância virar a esquina. Demorei para perceber do que se tratava. Eu vi a multidão, os gritos e o choro de várias pessoas que eu não conhecia. O desespero começou a querer chegar. Eu mantive a calma. Será que algo tinha acontecido com Clara?

Não, não era possível.

Eu corri. Me aproximei, perguntei para qualquer um que estivesse na minha frente sobre o que estava acontecendo. Tudo o que eu conseguia eram respostas vagas, completamente vazias. Por um momento eu esqueci de qualquer vergonha ou bom senso, e entrei pelo meio do aglomerado de pessoas, me desculpando insuficientemente pelos esbarrões e tropeços.

Eu sabia que algo grave tinha acontecido, caso contrário, não haveria policiais por toda parte. Deve ter sido uma briga, pensei. Mas apesar dos meus melhores esforços, algo me dizia que não era tão simples como eu imaginava.

E então tudo aconteceu devagar, como em câmera lenta.

Ouvi alguém gritar alto, alguém que eu conhecia, mas não tive tempo para lembrar quem era. Na minha frente estava uma BMW amassada contra a parede da casa de Fernanda. Havia sangue por todos os lados e um saco preto estirado no chão. Um corpo. Mas outra coisa me chamava atenção.

Clara. Cercada por paramédicos, coberta por um líquido espesso e escuro que parecia ser sangue coagulado. Suas pernas formavam um ângulo anormal. Seu corpo estava sem cor. Sua cabeça em uma situação indescritível. Senti vontade de vomitar e levei a mão à boca.

Ela não estava morta. Não estava morta. Não estava morta. Ela estava morta.

Senti minha mente estraçalhar. Aquilo não podia estar acontecendo. Não de verdade. Alguém me segurou pelo braço. Um policial inexpressivo me pedia para me afastar. Inconscientemente, andei para qualquer direção. Passei novamente pela multidão. As pessoas falavam, gritavam sobre alguém, um bêbado qualquer. Mas eu não podia entende-las, não completamente. O mundo girou rápido demais e eu fiquei no meio do caminho.

***

Não me lembro de como cheguei em casa. Acordei na minha cama, ainda com as mesmas roupas, uma calça jeans e a minha camisa do Ramones que resolvi usar para provocar Clara.

Clara.

Meu Deus, Clara. O que tinha acontecido com ela?

Desci as escadas em disparada. Todo o meu corpo doía, como se tivesse corrido uma maratona no dia anterior. Meus pais estavam na sala. A casa tinha adquirido um tom fúnebre que não tinha visto desde a morte do meu tio em um acidente de carro. Assim que notaram a minha presença, os dois baixaram a cabeça. Eu engoli em seco.

– Nicolas – meu pai falou – Como você está?

Senti o olhar sincero do meu pai. Para falar a verdade, eu não fazia a ideia de como estava. Eu não tinha pensado em mim.

– O que aconteceu com ela? – Perguntei tentado disfarçar o desespero na minha voz.

Minha mãe olhou na minha direção. O seu olhar era confuso e ao mesmo tempo hesitante. Ela não parecia estar bem, muito menos meu pai. Um breve silêncio desconfortável se instalou entre nós.

– Por favor, alguém pode me responder? – Perguntei perdendo a paciência – O que aconteceu com a Clara?!

Minha voz ecoou por toda a casa. Normalmente, meu pai me repreenderia por gritar. Ele gostava de silêncio, de ordem e distância. Mas de repente todo o mundo perfeito de Henrique Albuquerque desabou, e ele me puxava para um abraço apertado, o nosso primeiro em quase cinco anos.

– Clara e Fernanda sofreram um acidente, filho – disse com a voz embargada – Clara está no hospital.

Meu peito doía. Era como se todo o ar tivesse sido tirado de dentro de mim. As lembranças da noite anterior me vieram à cabeça e tiraram toda ponta de estabilidade que ainda sobrava dentro de mim. Foi então que eu lembrei. Lembrei do saco preto, do corpo estirado no chão. Eu sabia. Sabia quem estava lá. Mas eu precisava perguntar, precisava me agarrar à última esperança de que a minha amiga estivesse viva.

– Pai, o que aconteceu com Fernanda?

Esperei no silêncio. Nenhuma resposta, apenas o choro da minha mãe. Me desvencilhei dos braços do meu pai e me virei. Não os encarei, nem mesmo falei alguma coisa. Apenas subi as escadas de novo, o que parecia um esforço maior a cada degrau.

Dentro do meu quarto, eu desabei.

Lá, ninguém podia me ouvir chorar.

***

– Como você está?

Já devia ser a quinta vez que eu ouvia a mesma pergunta no mesmo dia. Faziam exatas doze horas desde que eu tinha perdido as duas pessoas que mais importavam para mim. Não. Eu ainda não tinha perdido Clara, pelo menos isso, afinal. Mas a sensação de vazio aumentava todo o momento. A cada passo que eu dava em direção ao caixão, mas eu me arrependia de ter vindo. Eu não queria vê-la, não queria que minha última lembrança dela fosse um corpo frio e sem vida.

– Estou bem – respondi dando uma última olhada para minha mãe, que segurava minha mão. – Estou bem, de verdade.

Ela assentiu e sua mão se desvencilhou da minha. Eu precisava fazer aquilo sozinho. Me aproximei do corpo. Fernanda, com seus cabelos pintados de rosa extravagante e a sua pele pálida. Não era a minha amiga naquele caixão. Não era a garota com quem eu tinha invadido a escola ou arrumado briga com um grupo de punks em um show. Era apenas uma casca, vazia.

Me aproximei mais e tirei do bolso do casaco o cordão que Fernanda tinha ganhado de Alex Beat, um guitarrista de bar por quem ela era apaixonada, depois de perseguir o cara por uma noite inteira. O colar era barato, e o pingente da clave de sol estava para o lado errado. Mas ela sempre o usava. Sempre, inclusive no dia do acidente.

– Para mim, você não morreu – sussurrei, deixando o colar sobre o seu corpo – Fernanda Carminati não morreria assim tão fácil.

***

Eu pensei que as coisas melhorariam com o tempo. Achei que assim que o culpado fosse preso, que o enterro de Fernanda fosse digerido e que Clara voltasse para casa, tudo voltaria a ser como era. Ou mais ou menos. Mas Clara não voltou para casa. Não voltou no primeiro mês, nem no segundo, nem no terceiro. E quando disseram que ela não voltaria mais, ninguém mais acreditava que algo bom pudesse acontecer. Nem mesmo eu.

– Nicolas! – Meu pai gritava do outro lado – Abre essa porta agora!

Meu ensino médio tinha acabado. Eu tinha sido empurrado para uma faculdade de Direito e agora estava prestes a ser expulso. Notas baixas, frequência baixa, drogas, bebidas... A minha vida tinha se tornado uma depressão infernal. Mas quem realmente se importava? O meu pai que aparecia em casa duas vezes por mês? A minha mãe que se pudesse morava em uma academia? Ninguém, essa era a resposta.

– Filho, você realmente vai fazer isso? – Ele diminuiu o tom da voz – Você vai jogar fora a sua faculdade por causa do que aconteceu? Vai viver a sua vida inteira como um vagabundo?

Eu fervia por dentro. Queria responder, mas não tinha vontade. Estava bêbado demais para isso. Antes, eu nunca tinha bebido. Mas agora metade do meu dia era preenchido por doses pesadas de whisky e drogas de todo o tipo. Eu queria morrer. “Nicolas Albuquerque é encontrado morto depois de uma overdose”, era a única coisa que vinha a minha mente nos últimos dias.

– Nicolas – meu pai falou novamente, ele parecia estar desistindo – Clara não está morta. Ela ainda pode acordar. E se ela acordar, o que ela pode pensar de você? Que você desistiu de tudo sem mais nem menos?

Não. Ela não podia me ver assim.

Me levantei. Saí da cama, onde estava me escondendo do mundo a quase três dias e abri a porta. Meu pai estava de pé, os olhos inchados, o rosto suado e o corpo apoiado contra a parede. Ele se surpreendeu, não só com o cheiro forte de bebida, mas com a minha atitude.

– Eu não sei se eu consigo – falei, meus olhos se enchendo de lágrimas – Eu não sei se quero mais viver.

Senti seus braços me envolverem. Era a segunda vez que meu pai me abraçava em um ano. Ele não gostava de abraços, e eu também não. Mas a partir daquele momento, abraços passaram a significar mais para mim do que simples gestos. Eu não estava sozinho.

***

– Bom dia, Clara.

Ri comigo mesmo. Ela não podia me ver, o que tornava tudo mais engraçado, no final das contas. Ajeitei o colarinho da gravata, que estava um pouco apertada. Ainda estava me acostumando a usar terno.

– Eu queria te pedir desculpas por não vir antes. – Falei – Eu fiz muitas coisas idiotas, perdi muito tempo vivendo uma dor que tinha cura. Mas eu já voltei aos eixos. Eu sou um empresário agora, sabia? – Sorri – Talvez quando você acorde, você estranhe um pouco as coisas. Eu sei que muita coisa mudou em três anos, mas eu e Joana vamos estar aqui quando isso acontecer.

Engoli em seco. Minhas mãos suavam um pouco mais do que eu esperava. Olhei para o buquê de rosas amarelas em minhas mãos. Eram as flores favoritas dela. Coloquei-o ao lado da cama, no criado mudo, juntamente com os outros balões e cartazes que o pessoal do Clube de Música Comunitário enviava toda semana.

– Eu trouxe flores, as suas favoritas. – Continuei – Eu sei que você não pode vê-las, mas dizem que algumas pessoas em coma podem ouvir o que as outras pessoas falam. Se isso for verdade, Clara, e você realmente estiver ouvindo isso, então... – Suspirei — Eu só queria dizer que eu acredito na sua recuperação. Eu não vou deixar que desliguem os aparelhos ou façam qualquer coisa do tipo. Isso porque você é importante para mim, mais do que você sempre pensou.

Ouvi a porta se abrir. Era uma enfermeira, indicando que o tempo de visita tinha acabado. Me levantei e segurei a mão de Clara, que estava quente, apesar de tudo.

– Senhorita Clara, eu acho melhor você acordar logo – Sussurrei – Eu preciso te dizer uma coisa muito importante, então é melhor não demorar.

Soltei sua mão e caminhei para fora do quarto. Naquele dia, eu prometi para mim mesmo que se ela acordasse, falaria a verdade. Falaria as três palavras que eu queria ter dito naquele dia.

Eu te amo, Clara Fernandes.

Notas finais
Então, o que acharam do primeiro extra de 5 Anos Depois? Comentem suas opiniões e sugestões! Deixo aqui um agradecimento a todas as leitoras - sim, são todas meninas - que tem acompanhado 5 Anos Depois até aqui! Eu ainda sou bem iniciante e preciso melhorar bastante, mas vocês tem me incentivado com cada comentário e acompanhamento! Amos vocês, pessoal :) No futuro, quando escrever outras histórias, vou sempre lembrar da minha primeira história postada de verdade e vocês fazem parte dela! Beijos para todas vocês! Jojo.