Notas iniciais
Olá, pessoal! Hoje eu devo uma super desculpa a vocês! Meu dia foi tão cheio, que mal tive tempo de postar o capítulo. Estou postando mais tarde hoje, mas prometo que postarei mais cedo semana que vem ;) Então, prontos para mais um capítulo? Soem os tambores... Hoje ele finalmente aparece! Quem? Leia para descobrir! Boa leitura. Jojo.

DEPOIS

– Então, você se formou em Direito? – perguntei provando mais uma colher do meu frozen yogurt.

Estávamos na loja que ficava perto da praia, a mesma que costumávamos ir. Tudo ainda estava igual, tirando pelas poucas mudanças de decoração. O vento fresco, o cheiro de água salgada, o sol fraco e Nicolas, uma combinação de coisas que me faziam pensar que o tempo não tinha passado de verdade.

– Eu me formei no meio do ano. – Ele respondeu – Mas acabei decidindo ajudar o meu pai nos negócios.

– Porque você desistiu de fazer música? Não era o seu sonho?

– Nem todos os sonhos se tornam realidade. — Ele me encarou com um sorriso vago. – Mas não se preocupe. Eu até que estou gostando desse negócio de administrar empresas.

– Uhum... Sei. – Respondi com um risinho irônico.

Continuamos conversando. O Nicolas que eu conhecia nunca admitiria assumir os negócios da família. Mas agora ele estava aqui, de volta de uma viagem de negócios, usando roupas chiques e carregando dois celulares – os dois em cima da mesa, para variar. Por um momento eu senti que não o conhecia de verdade, que ele era apenas um estranho na minha frente. O pensamento logo foi embora.

– Então, como foi? – Ele perguntou de repente.

– Como foi o que?

– Ficar dormindo – ele riu – Você se lembra de alguma coisa?

Sorri. De verdade, eu não me lembrava de nada. Era como se eu tivesse tido um dia cheio e pego no sono sem nem perceber. Meu estômago revirou um pouco. A ideia de me imaginar em uma cama por todos aqueles cinco anos ainda me perturbava.

– Foi como dormir – respondi simplesmente – Quando você dorme sem sonhar, raramente você se lembra de dormir. Foi assim. Simples.

– Complicado.

– Tudo bem, complicado. – Sorri – Mais do que você imagina.

Ele me olhou de maneira séria. Desviei o olhar e encarei as ondas ao longe. O dia estava meio fechado e a praia estava bem vazia. Me lembrei de que costumava ir à praia com a minha família quando era mais nova. Eu sempre gostei de sentir a água fria nos meus pés.

– Quer ir para a praia? – Nicolas perguntou, me tirando dos meus devaneios.

– O que? – Falei surpresa – Tem certeza?

– Tenho. – Ele sorriu – Eu volto a trabalhar amanhã, eu preciso aproveitar enquanto eu tenho tempo. Além disso, desde quando a gente não vai na praia?

***

Eu tinha me esquecido de como era sentir a água fria do mar nos meus pés. A sensação era nostálgica. Minha família e a de Nicolas costumavam viajar para Angra dos Reis durante as férias. Eu tinha medo do mar, por isso preferia andar pela borda, observando as ondas. Nicolas sempre me fazia companhia e acabávamos conversando durante horas.

– Nem parece que faz tanto tempo que eu não vejo o mar – Comentei, sentando na areia e deixando a água molhar as minhas pernas.

– Para mim fazem anos – Nicolas se sentou ao meu lado. Ele parecia não se importar em sujar as suas roupas com areia. Pelo contrário, estava com uma expressão de satisfação.

Já devia passar das duas da tarde. O céu estava cinza e ventava bastante, talvez fosse por isso que a praia estivesse tão vazia. Olhei para Nicolas, sentado ao meu lado. Ele olhava para o mar, como se estivesse em algum tipo de pensamento profundo. Eu queria saber o que ele estava pensando, o que se passava na sua cabeça agora. Ele notou que eu o observava e sorriu.

– Ainda não parece que é verdade – falou – Eu pensei que tinha perdido minhas duas amigas naquela noite.

Eu engoli em seco. Fernanda. Pensar que ela estivesse morta ainda era algo fora do normal para mim, como um sonho ruim em que você acorda e lembra que tudo não passou de um pesadelo.

– Nicolas... Como você ficou sabendo? – Perguntei olhando nos seus olhos.

Ele sorriu, um sorriso triste e cheio de amargura. Eu pude sentir a dor destilando das suas palavras.

– Eu estava a caminho da festa. – suspirou – Eu queria evitar que você fizesse besteira, mas eu cheguei tarde demais. Eu vi quando te levaram para o hospital.

Senti uma pontada de dor no meu coração. Alcancei a mão do meu amigo e entrelacei os meus dedos aos dele. Sua mão era quente, reconfortante.

– Posso te pedir uma coisa? – Perguntei olhando nos seus olhos – Eu quero vê-la. Quero ver Fernanda.

ANTES

– Fernanda, o que aconteceu?! – Gritei assustada.

Minha melhor amiga estava no chão do banheiro de casa, chorando, com sangue nos seus braços. Nós tínhamos apenas 13 anos. Fazia apenas uma semana desde que os pais dela tinham se separado, e ela não estava lidando muito bem com isso. Eu entrei em desespero.

– Você está bem? – Me ajoelhei ao seu lado, segurando-a em meus braços. Ela parecia estar prestes a desmaiar.

– Desculpa... – Ela tentou dizer – Eu fiz isso... Papai vai ficar chateado...

Foram as suas últimas palavras antes de desmaiar de vez. A ambulância chegou em questão de minutos, mas que pareceram uma eternidade. Eu não conseguia olhar para Fernanda. Não conseguia encarar o seu rosto pálido ou os cortes no braço. Ao invés disso, segurei seu corpo fraco ao meu até que não pudesse mais. Eu não podia suportar a ideia de perde-la.

DEPOIS

Os dedos de Nicolas se entrelaçaram aos meus assim que chegamos ao cemitério. O imenso campo verde repleto de placas de cimento parecia cada vez mais depressivo com a chuva leve. Instantaneamente, me lembrei da última vez em que estive em um lugar desses. Meu avô, a maneira repentina como ele morreu e como eu não fui capaz de chorar em seu enterro.

Mas agora era diferente.

Nicolas me guiou por entre os túmulos, como se já soubesse o caminho de cor. Me senti pesada. Meus pés pareciam pesar toneladas e cada passo custava muito esforço. Era como voltar no tempo, para quando eu tinha apenas 13 anos, e ter a mesma sensação de encontrar a minha melhor amiga pálida e coberta de sangue. Mas dessa vez não haveria uma ambulância. Fernanda estava morta.

– Chegamos. – Nicolas falou olhando na direção de um túmulo em específico.

Caí de joelhos. Chorei. Tremi. Não fui forte o suficiente dessa vez. Me lembrei dos bons e maus momentos, e senti falta de todos eles. Na verdade, era a única coisa que eu estava fazendo desde que tinha acordado do coma. A sua imagem me passou pela mente. Você, saindo daquele carro, desesperado. Ou será que completamente bêbado? Será que você não percebeu o que tinha feito? Será que tinha pagado pelo que fez?

– Fernanda... – Encontrei forças para falar. Toquei na superfície fria de concreto do túmulo dela. Nicolas se ajoelhou ao meu lado, me envolvendo nos seus braços.

– Já faz muito tempo, não é? – Sorri — Eu queria ter te visto antes, mas você sabe, milhares de coisas aconteceram... Mas eu estou aqui. Eu só queria dizer que eu sinto muito a sua falta. Você não faz ideia... Eu preciso de você, sua boba, mas do que você imagina.

As lágrimas desceram. Chorei e solucei sem poder controlar, como a chuva que caia sobre mim. Nicolas deixou que encostasse a cabeça em seu peito. Continuei a falar.

– Eu sinto falta dos seus conselhos. Você saberia o que me falar, me ajudaria a me adaptar... – Suspirei — Eu só quero que você saiba que eu te amo muito, amiga, e eu vou tentar viver a partir de agora do mesmo jeito que você me mandaria fazer. Eu sei que a gente ainda tinha muitos planos, muita coisa para fazer, mas... Eu sei que você está feliz onde está, pelo menos melhor do que eu.

Percorri meus dedos pelo nome de Fernanda em relevo. Deixei a rosa branca, que eu Nicolas tínhamos comprado no caminho, sobre o concreto. Prometi a mim mesma que voltaria e me levantei.

– É melhor nós voltarmos agora. – Nicolas disse se levantando – A chuva deve piorar.

Concordei e segurei sua mão. Enquanto deixávamos o cemitério, olhei de relance para os túmulos. Estava chorando novamente sem ao menos perceber. Assim que saímos, a chuva ficou subitamente mais forte. Não tínhamos guarda-chuva, então começamos a correr em direção ao carro, que estava do outro lado da rua.

– Eu falei que ia piorar. – Nicolas gritou enquanto corríamos pelas ruas praticamente desertas.

– Percebi – deixei escapar uma risada, mas logo parei no mesmo lugar, completamente estática.

Nicolas chegou primeiro ao carro e abriu a porta do carona para mim. Ele fazia sinal para que eu entrasse, mas eu não me movia. Eu não conseguia desviar os meus olhos do outro lado da rua.

Você estava lá.

Era você, eu tinha toda certeza. Estava usando um uniforme de alguma loja, o seu cabelo coberto por uma touca. Mas eu tinha certeza.

Você olhou para mim. Seus olhos pareciam maiores, como se estivesse assustado. Me diga, você me reconheceu? Conseguiu lembrar da garota que atropelou?

Victor, você lembrava de mim?

Notas finais
Gostou? Não gostou? Acha que algo precisa mudar? Comente! Tenho percebido que o número de pessoas que acompanham a história é bem maior do que as pessoas que comentam. Não é por popularidade ou algo do tipo - embora divulgar a história seja importante - mas é também para que eu possa saber a opinião de vocês e melhorar como escritora. Mesmo que seja apenas um "gostei", fale o que achou! Prometo ter dar um biscoito ✖‿✖ Mentira, sem biscoitos dessa vez. Espero que tenham gostado! Vejo vocês semana que vem - cedo de preferência. Beijos. Jojo.