42 - Violet Hill
4 Polos
Notas iniciais
Parte 4: O Jantar
Povs Samantha Puckett:
Chego em casa relembrando meus momentos com o Gibby. Eu apenas o empurrei para que se deitasse e ficamos conversando por horas, mesmo que tudo tenha sido perfeito o peso dos meus segredos e de todos à sua volta estão começando a piorar as coisas. Apesar de tudo, foi um ótimo jeito de passar o entardecer de uma segunda-feira.
Entro em casa pela porta da frente. Devem ser quase sete e meia e eu ainda não esquentei o jantar. Vou à cozinha. Lavo as mãos na pia com rapidez. Abro a geladeira. Retiro o jantar e mais algumas coisas para complementar e coloco sobre o fogão. Em segundos a comida está esquentando. Começo a pegar pratos nos armários quando alguém bate na porta. Deixo os pratos empilhados na mesa e vou ver quem é.
Freddie está parado na soleira da porta vestindo uma camisa social branca com um colete cinza por cima, está usando um jeans azul e tênis de cor escura. Tori está atrás dele segurando um recipiente de plástico que pelo cheiro parece ser salada de maionese.
— Por que não entrou? — Pergunto sorrindo.
— Prefiro ser educado e esperar você me convidar para entrar — ele responde.
— Não vou te convidar, você já é bem-vindo aqui — dou espaço para que ele entre. — Sinto cheiro de maionese Tori.
— Eu não queria aparecer de mãos vazias então resolvi fazer algo rápido — ela me entrega o pote. — Obrigada pelo convite.
— De nada — fecho a porta quando ela entra.
— Onde posso lavar minhas mãos? — Tori pergunta.
— No fim do corredor na porta que fica debaixo das escadas — lhe respondo indo para a cozinha com o Freddie.
Tori desaparece no corredor mal iluminado.
— Posso te ajudar em alguma coisa? — Freddie me pergunta.
— Me ajude a arrumar a mesa — indico os pratos.
— Claro — ele permanece no mesmo lugar.
Eu ando até a mesa e coloco o pote de Tori em cima, de repente Freddie passa os braços em volta da minha cintura e deixa os lábios no meu pescoço.
— Freddie, o que você está fazendo? — sussurro o deixando sugar meu pescoço.
Meu instinto é de ataque, mas eu tento controla-lo dando passagem para outra sensação: a excitação. Viro-me e Freddie me prende na mesa. Eu deixo minhas mãos contra seu peito e ele geme aproximando os lábios dos meus.
— A porta não quer abrir! — Tori grita assustando Freddie e eu, que nos soltamos ofegantes.
Ela surge no corredor e nos fita confusa.
— Pode usar o banheiro do andar de cima, fica antes do meu quarto — aponto para as escadas fingindo que nada aconteceu.
— Eu até lavaria as mãos na pia da cozinha, mas tomei quase dois litros de refrigerante no carro — Tori murmura subindo as escadas.
Assim que escuto os passos dela no andar de cima olho para o Freddie tentando entender o que aconteceu. Ele começa a arrumar a mesa sem fazer contato visual comigo. Decido não comentar sobre o que houve, pois ainda sinto a frieza dos seus lábios no meu pescoço.
Quando começamos a colocar os talheres, acabamos esbarrando um no outro e dessa vez não recuo por causa do frio, apenas fico parada esperando ele fazer alguma coisa, mas Freddie apenas se senta no lado esquerdo da mesa sem ainda me olhar. Ele parece confuso e chateado. Fredward passa os dedos nos lábios como se sentisse um gosto estranho.
— Não faço o seu tipo? — Me sento na ponta da mesa.
— Ao contrário, você faz totalmente... Tem algo que quer me contar? — Ele olha para o meu pescoço.
— Como assim?
Freddie se inclina ainda passando o dedo nos lábios.
— O que você realmente é, Sam?
Meu coração falha rapidamente e vejo meu próprio reflexo de pânico através dos olhos dele. Escuto os passos e o cheiro se aproximando.
— Voltei! — Tori anuncia sentando ao lado do Freddie que se senta normalmente, vejo que nem precisou colocar um prato para ele.
— Que bom — me levanto para colocar as panelas na mesa.
— Hey, Sam — Tori me chama. — O Gibby vai vir?
— Não — pego duas panelas do fogão e coloco no centro da mesa. — Ele não pode saber dessas coisas.
— Quando pretende contar? — Ela arruma a panela da maneira certa.
— Ele vai entrar na alcateia em breve, então vai saber de tudo... Mas às vezes demora para ativar o gene, a febre ainda não bateu nele — conto para ela, não há motivos para esconder coisas da Tori, por que ela meio que faz parte do mundo sobrenatural mesmo que seja perigoso.
— Deve ser o máximo ser um lobisomem — seus olhos brilham.
— Prefere lobos do que vampiros? — Pergunto querendo irritar o Freddie que só nos observa.
— Acho que sim, porém nenhum dos dois seria possível para mim, Freddie não quer me transformar — ela revela.
— Eu não quero que você tenha uma vida como a minha — Freddie a interrompe. — Já conversamos sobre isso, eu não vou te transformar, se quer tanto se tornar vampira peça aos outros.
Tori cruza os braços com raiva.
— Eles não fariam isso por que sabem que você nunca mais olharia na cara deles ou pior.
— Tori, você sabe que se tornar uma vampira é morrer, por que gostaria de passar por isso? — Fico com nojo disso tudo.
— Eu sei como funciona, o veneno entra na corrente sanguínea, em horas o coração não resiste e quando a pessoa retorna está transformada — Tori não fecha a matraca.
— Prefiro que entre para a alcateia a se tornar um monstro — Freddie rosna na mesa.
— Eu não tenho sangue Klautriny para... — Ela se detém e de repente nós três nos olhamos.
— Sua mãe... — Eu relembro. — Sua mãe era da tribo.
Freddie permanece em choque.
— Então quer dizer que tenho chance de entrar na alcateia? — Tori parece ter encontrado sentido na vida.
Franzo os lábios.
— Tem 50% de chance, mas seu pai era um vampiro, duvido muito.
— Não — Freddie diz. — Não mesmo.
— Por que não? Qual é o problema? — Tori reclama. — Foi você que acabou de dizer que preferia que eu entrasse na pack.
— Eu não quero que você seja parte disso, quero que você viva a sua vida e seja uma pessoa normal — ele responde segurando a mão da irmã.
— Minha vida nunca vai ser normal! — ela fica com raiva e bate na mesa, não creio que a febre vai acontecer agora. — Eu sou filha de um monstro e talvez você tenha razão, não quero ser como você! — Tori se levanta e vai para a porta da cozinha. — Eu quero ser como a Sam — ela sussurra e sai para o quintal.
Fico sentada olhando para o Freddie sem saber o que dizer, ele respira desolado.
— Eu sinto muito — seguro sua mão e ele se surpreende com meu gesto.
— Eu fico feliz que ela tenha entendido que sou um monstro — ele dá carinho nos nós dos meus dedos.
— Ela estava estressada, não quis dizer isso. Você não é um monstro, você é diferente — olho profundamente nos seus olhos.
— Sam... — Ele suspira. — Tem algo que eu preciso te contar.
— Conte... — Aproximo mais nossos rostos, ele acompanha meu movimento e sei que vamos nos beijar. Quando seus lábios frios tocam os meus escuto alguém entrando.
— Vou vomitar antes mesmo de comer — Jade avisa ao lado do Beck.
Eu solto a mão do Freddie e ele recua torcendo o nariz.
— Griffin está chegando com o Dice — Beck me avisa se sentando no final da mesa com a Jade.
— Perfeito — dou um sorrisinho. — Alguém teve notícias do Brad?
— Ele não se transformou o dia inteiro, Jade e eu estávamos dando uma volta e não ouvimos os pensamentos dele — Beck franze a testa.
— Mais alguma coisa? — Abro as panelas.
— Sim. Eu tenho pergunta — Jade olha para o Freddie. — Por que ele está aqui?
— Eu o convidei — sirvo o jantar para mim. — Freddie vá buscar sua irmã.
— E eu recebo ordens de você agora? — Ele pergunta, mas vejo que é brincadeira.
— Vai logo — dou um tapa no seu braço e o som estala nas paredes.
— Tá — ele ri e acaricia meu pescoço quando passa por mim, Jade finge estar com ânsia e Beck balança a cabeça em negação.
— É sério, qual é a sua com o Benson? — Jade pergunta colocando o jantar para Beck.
Eu começo a comer.
— Apenas estamos na famosa paz armada.
— Ele é um bom pedaço de garoto, mas é um vampiro — ela admite agora servindo o jantar para si mesma.
— É Sam, mesmo que ele seja legal com você e não te deteste ou não tenha nojo, vocês jamais poderiam ficar juntos, nunca teve um caso assim na história — Beck argumenta.
— Então talvez a história esteja errada — não acredito que estou defendendo o Freddie.
— Não é por que não pode ter imprinting que de todos os caras do mundo você deve escolher logo o Freddie, por que não escolhe o Gibby? Ele é legal para todos os efeitos e você se sente bem com ele — Jade banca a conselheira.
Retiro a franja dos olhos e pretendo brincar um pouco.
— Mas por que não o Freddie?
— Tem razão, por que não eu? — Freddie entra rindo com Tori, os dois se sentam e ele olha para Jade. — Vai ter que controlar essa sua aversão a mim, imagina o que aconteceria se a Sammy resolvesse namorar comigo...
— Prefiro não imaginar — Jade faz cara de nojo.
— Não duvido nada que isso aconteça em breve — Tori fala baixinho na mesa e depois nos olha confusa. — O que foi? — ela leva a mão à boca. — Porcaria, eu me esqueço de que vocês podem ouvir.
— Por essas e outras que gostamos de você — Beck ri e Jade o chuta por baixo da mesa.
Escuto o barulho de algo grande correndo vindo em direção à casa. Forço mais a audição e descubro que são dois. Escuto o som deles trocando de forma e o barulho de tecido subindo pelas pernas. Em alguns segundos Dice e Griffin entram na cozinha trajando apenas shorts jeans e com os corpos um pouco molhados por causa do tempo e da floresta úmida.
— Aqui estamos nós — Dice vem me abraçar.
— Oh pequeno Dice — eu o abraço com força. — Amo muito esse garoto — mostro afeto por ele, Freddie me olha pensativo e depois abaixa a cabeça meio bravo.
— E aí galera, tudo bem? — Dice se senta empolgado, Beck e Jade o cumprimentam.
— Fiz o que me pediu senhorita — Griffin se senta na cadeira. — Spencer está vindo. Passamos por Brad e Carly, eles estão vindo de carro. Brad tentou acelerar aquela velha camionete dele, mas somos mais rápidos — ele se gaba pegando um prato.
Eu dou um tapa na mão dele.
— Vai lavar a mão. E você também Dice. Vocês estão sujos de terra.
— Tá bom — Dice se levanta e segue Griffin até a pia. — Qual será a rota da patrulha hoje? — Ele me pergunta enquanto lava a mão.
— Iremos até Marysville, Freddie e eu já patrulhamos até Blaine — respondo sabendo que vão bufar de raiva, menos Jade que se sente aliviada, mas ao mesmo tempo enojada.
— E lá vêm eles... — Freddie anuncia.
De início não entendo o que quis dizer, até que escuto o barulho da camionete estacionando na grama. Brad e Carly vão entrar pela porta da frente. Escuto os passos deles. Carly entra primeiro e retira os sapatos, Brad aparece logo depois e puxa a Carly para um beijo rápido, os dois riem.
— Cheguei lindos — Carly fala entrando na cozinha e Freddie ergue as sobrancelhas para ela.
Quando Carly me abraça noto o cheiro que exala do seu corpo. Primeiro capto o próprio cheiro dela, não parece o mesmo. Segundo inalo o cheiro de frésnias, o mesmo sabonete que o Brad usa. Terceiro, ela tem uma empolgação grande demais para alguém que só conversou com o cara que gosta o dia inteiro.
Escuto passos mais leves vindos lá de fora, deve ser o Spencer. Ele surge usando uma camisa meio manchada de tinta e jeans surrados. Deve ter amarrado no tornozelo como Griffin e Dice fizeram com seus shorts.
— Oi crianças — ele cumprimenta a todos, a animação fica bem visível. — Carly está aqui, é um alívio.
— Estou — ela cora por algum motivo.
— Sente-se Spencer, já pode comer — me levanto cedendo meu lugar a ele. — Preciso falar com a Carly.
— O que? — Ela se assusta quando começo a puxa-la escada a cima.
Não respondo nada, apenas a arrasto para o meu quarto e fecho a porta.
— Que droga você fez Carly?! — Esbravejo com ela. — Achou que eu não ia descobrir?
— Eu tenho dezessete anos, meu Deus! — Ela rebate me fazendo ver vermelho.
— Sabe a besteira que você fez?
— Fiz o que qualquer outra garota da minha idade faria com alguém que gosta... — Ela abaixa a cabeça.
— Eu não mereço ver isso nos pensamentos do Brad depois.
— Ah me poupa Sam, você me viu sem roupa a vida inteira, não diga que isso incomoda você — ela dá de ombros colocando as mãos no bolso.
— Eu não sou o problema Carly, mas tem certeza que é isso que você quer que os outros vejam? Dice, Griffin, Beck e até seu irmão? Por que eles vão achar bem interessante o showzinho hoje — digo sentindo meu estômago revirar.
Ela me olha chocada e leva as mãos à cabeça.
— Ai meu Deus... O que foi que eu fiz?
— Eu sinto muito Carly... — Não me aguento e vou abraça-la. — Você transou mesmo com ele, não foi?
— Sim — ela choraminga um pouquinho contra meu peito. — Desculpa, desculpa. Eu gosto tanto dele Sam.
— Eu vou dar um jeito nisso, ok? Vou proibir que ele se transforme até controlar os pensamentos... Não vou deixar ninguém ver nada que não deva
— Eu devia ter te escutado.
— É você devia — seguro o riso.
Ela me bate no antebraço, é como uma pluma macia caindo sobre mim.
— Acabei de tirar dele uma das coisas que ele mais gosta.
— Ele vai superar.
— Ele vai me odiar por que Jade e Beck não se importam com isso. Acho que ele estava pensando que eu não iria me importar também — ela se afasta para se levantar.
— Ele não vai te odiar, o Brad ama você — tenho que contar a verdade.
— Ele disse isso? — Sua boca cai aberta.
— Não, mas os pensamentos dele já deixaram bem claro.
— Mas como é possível se ele não teve imprinting por mim?
— Porque é questão de afeto, talvez o imprinting dele leve anos para acontecer, quem sabe nem aconteça...
— O que te fez mudar de ideia?
Fui pega em flagrante.
— Não sei... Medo de o Freddie querer você.
— Ele me quer? — Carly arregala os olhos como se adorasse saber disso. — Espera, você está com ciúmes?
— Não — me levanto rapidamente.
— Sim — Freddie replica entrando no quarto.
— Calado.
— Qual é o problema ter ciúmes, Sam? Você o ama — Carly argumenta.
Freddie olha para mim esperando que eu negue ou afirme, seus olhos brilham.
— Olha, eu não sei qual é o propósito disso tudo aqui, mas o pessoal lá embaixo deve estar amando — eu sussurro. — O que veio fazer aqui em cima? — Me dirijo ao Freddie.
— Chamar vocês por que a coisa está tensa lá embaixo — Freddie olha para a Carly e a faz corar, isso me deixa com muito ciúme.
— Vamos descer — pego a mão da Carly e saio do quarto desviando do Freddie.
— Você está mesmo com ciúmes, caramba — Carly sussurra enquanto descemos as escadas.
— E você está bem encrencada, uau — resmungo chateada.
Entro na cozinha ainda segurando a mão da Carly. Rapidamente Dice se levanta e consegue colocar mais duas cadeiras na mesa. Ao me sentar Freddie em instantes se coloca ao meu lado.
Eu como em silêncio enquanto os outros conversam, Freddie apenas respira ao meu lado calmamente enquanto esboça um sorrisinho. Frequentemente Spencer lança olhares interrogativos em nossa direção.
Quando todos terminam de comer, começam a se levantar e correm lá para fora, com exceção de Jade que irá se trocar comigo na garagem.
Jade entra na garagem e eu fico ao lado de fora com Freddie e Tori.
— Se importa de ficar aqui e tomar conta da Carly até eu voltar? — Pergunto para Tori.
— Claro que não, pode ir — ela troca um olhar com o Freddie.
Escuto um rosnado e vejo que partiu de Griffin que já está em forma de lobo, seu pelo chocolate fica brilhante na luz da lua.
Todos os outros já estão alinhados, com exceção de Brad que me espera próximo a matilha em forma humana. Eu faço um sinal para o Brad com a mão e ele se aproxima hesitante.
— O que é? — Ele cruza os braços.
— Você não vai conosco — disparo de uma vez.
— Como? Eu sou membro da alcateia tanto como qualquer outro, não pode fazer isso comigo.
— Posso e eu vou. Quando souber o que é ser um lobo vou começar a trata-lo como um, você não vai fazer patrulha hoje, não depois do que fez com a Carly — abaixo o tom da voz no final e Freddie trinca os dentes como se sentisse ciúmes da Carly.
— É minha vida, Sam — Brad começa a ficar bravo.
— Mas seus pensamentos são nossos — endireito os ombros.
— Não — ele nega com força. — Não me impeça.
— Brad, vá para casa.
— Não — Brad nega de novo.
— Me desculpa — passo a mão no cabelo e respiro fundo. — Brad Prentice, você não vai se transformar até que controle seus pensamentos, você está proibido de se tornar um lobo a menos que todos estejam em forma humana, e isso é uma ordem — ao finalizar a frase ele cai de joelhos no chão e a alcateia inteira treme. – Levante-se – sussurro.
Brad mantém a cabeça baixa enquanto se levanta. Ele apenas caminha para a parte da frente da casa, mas o vejo lançar um olhar para a janela do meu quarto, onde a Carly observa a cena chocada.
— Tome cuidado — Freddie me diz e uma onda de rosnados que suponho serem vaias emana da matilha.
— Eu sempre tomo — me inclino e beijo seu rosto como ele fez comigo na escola. Freddie se alegra por algum motivo.
Eu entro na garagem para retirar a roupa. Jade já está em forma de lobo praticamente ocupando quase a garagem inteira. Ela lambe as patas como se algo a incomodasse. Jade anda para fora me dando espaço para minha transformação, já que eu sou muito maior que ela.
Saio da garagem como loba e lanço um olhar ao Freddie, lembrando de não respirar dessa vez. Tori é corajosa o suficiente para se aproximar e acariciar minha cabeça. Embalo-me contra a mão quente dela e depois coloco a língua para fora como se fosse um sorriso. Ela ri e dá tapinhas na minha cabeça.
— Eu sempre quis ter um cachorro — ela comenta.
Eu olho para o Freddie e reviro meus olhos diante do que a Tori falou. Distancio-me dos dois e corro para a alcateia que está rodando em círculos. Vejo Dice morder o Spencer por que ficou na minha frente, eles riem como se tudo fosse uma brincadeira, apesar que os pensamentos de todos estão embaralhados, a maioria dispara para mim e minha amizade intensa com o Freddie.
Vamos! Aviso a eles e corro para a floresta, todos me seguem em ritmos pesados.
Não entendo como não sente repulsa do Freddie, diz Griffin.
Isso está estranho, Sam, mas nada contra só é apavorante, argumenta Spencer
Você parece gostar dele, fala Dice.
Parem de repetir o beijo na mente, eu vou vomitar e acabei de comer, reclama Jade.
Fiquem quietos e se foquem na patrulha, eu resmungo.
As mentes não param um segundo, acidentalmente Beck repassa um momento quente com Jade e os outros se encolhem tentando ignorar. Eu mesma fico constrangida, mas é bom ter o poder de esconder deles. Não tenho silêncio quando estou nessa forma com os outros transformados. Os espíritos do passado que estão presos do outro lado, vagueiam pela minha mente sussurrando coisas, os outros não sabem, mas eu sei.
Corremos como raios pela noite, tomando cuidado ao passar pelos becos da cidade sem sermos vistos, o que é quase impossível já que somos enormes. Nossas patadas no chão ecoam nas paredes. Em breve teremos que nos mudar para a área de La Push, na reserva Quillayute. Iremos cursar a faculdade em Port Angeles assim que concluirmos o ensino médio, por que está perigoso demais fazer as patrulhas pela cidade com os caçadores espreitando, eles acham que somos uma ameaça quando na verdade deveriam se preocupar com os vampiros... Bem, com alguns vampiros, outros não apresentam perigo, Freddie é um exemplo, um grande, gostoso e perfeito exemplo.
Não sei como dizer isso, mas você falou alto dessa vez, Jade chama minha atenção.
Desculpa, murmuro totalmente envergonhada, caramba.
Gosto disso, você está perdendo o controle sobre seus pensamentos e assim podemos ouvir, Dice entra na conversa.
Não é uma opção, não consigo fazer vocês me ouvirem, repito o que sempre digo.
Spencer se coloca ao meu lado correndo na mesma velocidade que eu.
Os anciãos disseram que só é assim com você, Spencer relembra.
Um mistério a ser descoberto, solto um riso que sai como um ganido.
Eles ficam em silêncio pensando em diversas coisas, ainda não sei como não enlouqueci com tantas vozes em minha mente.
Farejo um cheiro novo de lobo e toda a matilha já se coloca em posição de ataque. Paramos próximos uns dos outros.
Pode ser de La Push? pergunta Dice
Pouco provável, eles não iriam tão longe, replica Jade.
Devem estar checando alguma coisa, Beck ricocheteia a calda no ar enquanto anda próximo à Jade.
Duvido muito, Griffin já anseia uma briga.
Vamos averiguar, ninguém ataca sem que eu dê a ordem, corto a festinha dele.
Está vindo, Spencer avisa se virando para as árvores.
Estamos em uma clareira antes de Tulalip Bay.
E são muitos, Beck é mais ágil.
Perfeito, se tivermos uma batalha me lembre de culpar o Brad pela desvantagem, digo com raiva.
Mas foi ordem sua não deixá-lo vir, Dice relembra sem maldade na voz.
Eu sei, mas se ele não tivesse fodido com a Carly eu não teria o proibido de vir, quando termino de falar Spencer se retrai.
Droga! São oito, estamos em desvantagem! Dice fica preocupado, ele nunca esteve em uma batalha antes.
Dois para mim, não se preocupem, sei que dou conta, Jade se gaba.
Calma ai querida, quem disse que isso vai virar uma batalha? Sento-me nas patas traseiras.
Devemos baixar a guarda? Griffin me pergunta.
Sim, não vamos representar uma ameaça, se eles partirem para o ataque vão ser trucidados, acalmo todos eles.
Griffin se senta ao lado do Spencer, Jade e Beck desabam no chão.
Dice se afunda nos meus pelos do lado direito e solta um ganido assustado no meu ouvido.
Você tem razão, eu não estou pronto, ele profere baixinho.
Sim, você está, e jamais deixe alguém dizer o contrário, você é forte e sei que venceria qualquer luta que travassem com você, empurro seu ombro com o meu.
Eles chegaram, ele volta a atenção para uma parte da floresta, de onde surgem oito lobos enfileirados, não são tão grandes como nós e certamente não são os gigantes de La Push, devem ser de Salem, me pergunto o que fazem tão longe de casa.
O bom de ser lobisomem é poder se comunicar com outros lobisomens por pensamento mesmo que eles não sejam da sua alcateia, mas eles só ouvem o que nós permitimos.
Boa noite, o lobo caramelo maior anuncia, o alfa provavelmente.
Olá, cumprimento educadamente.
Desculpas entrarmos em sua rota, ele se desculpa, mas sei que não foi sincero.
Estão desculpados... Vocês vieram de Salem? Começo a me levantar.
Tem algo de errado, Beck se levanta com Jade.
Sim, somos de Salem, somente o alfa responde avaliando nossos movimentos.
O que fazem aqui? Eu pergunto erguendo mais os ombros, assim ficando muito mais alta que todos.
Os lobos de Salem soltam rosnados entre si. Minha matilha roda em círculos atrás de mim e se aproximam como se estivessem prestes a me proteger, assim como eu protegeria eles.
Procuramos membros da tribo Klautriny, mas uma fonte confiável disse que eles estariam em patrulha, pelo visto são vocês, o alfa me responde e os outros mostram as presas enquanto rosnam.
Pelo visto suas intenções não são amigáveis, exponho meus dentes, Preparem-se! Aviso a minha alcateia.
Temos a missão de matar todos aqui, mas deveria ter sete... O lobo caramelo faz um sinal com a cabeça para dois lobos que partem correndo.
Eles vão procurar pelo Brad! Dice se desespera.
Beck! Jade! Matem eles, não deixem que se aproximem de Seattle! Ordeno com uma autoridade suprema na voz, eles não perdem tempo e correm atrás dos lobos.
Estão em quatro, somos seis, espero que tenha truques na manga, fala um lobo cor de areia suja pra gato.
Não precisamos de truques, bem vindos ao outro lado, refiro-me ao lugar para onde criaturas mágicas vão ao morrer.
Se lembra Dice, apenas morda o pescoço, arranha o focinho com as patas e dá um giro, já praticamos isso. Griffin acalma Dice.
Você consegue garoto, tem um instinto maior em você, Spencer o encoraja.
Serão dois para você e para o Spencer, digo ao Griffin, O alfa é mais forte, então é meu, finco as garras na terra.
Sim, senhora, Spencer e Griffin falam em uníssono.
Os lobos avançam em nossa direção e eu agilmente me lanço contra o alfa o derrubando na relva. Ele solta uma onda de rosnados enquanto meus dentes dilaceram seu pescoço, porém ele parece ser um bom lutador e me prende embaixo dele, suas garras ferem meu peito.
Os pensamentos de Spencer e Griffin são um borrão de movimentos, enquanto Jade e Beck travam uma briga feia com os dois lobos que conseguiram alcançar antes que chegassem à fronteira de Seattle.
Dice deixa o medo de lado e briga ferozmente com um lobo duas vezes maior que ele. O garoto aprendeu muito em pouco tempo e todos os seus movimentos são rápidos demais para o lobo que parece só ter aprendido a morder e fugir ao mesmo tempo.
Griffin arranca os tendões de um lobo enquanto crava as garras no pescoço do outro que consegue fugir. Spencer conseguiu matar um que já retornou para a forma humana no chão, que mais tarde terá a cabeça ou o coração arrancado por um de nós.
Eu continuo na minha disputa com o alfa, solto um riso na mente sabendo que eu posso mata-lo em segundos, só estou me divertindo um pouco.
Sam, por que tanta demora? Spencer pergunta durante os momentos finais de sua luta.
Quero saber por que nossa tribo foi sentenciada a morte. Ele não é o primeiro e nem vai ser o último que quer nos matar, respondo e dou uma patada na cara do alfa.
Desgraçada! Ele rosna sem um dos olhos que vai regenerar em um minuto.
Por que querem nos destruir?! Grito no pensamento me jogando em cima do lobo caramelo de novo.
Porque é isso que todos deveriam fazer! Vocês se erguem sobre todos. Tem um alfa mais poderoso que virá em breve. Possuem aliados mais fortes e possuem um território maior. Não podemos arriscar perder nenhum dos nossos que quiserem ter novos territórios! Se morrermos aqui saibam que virão outros, ele se debate procurando uma forma de me atingir, E aquele clã de vampiros que puxam o saco de vocês também vai pagar!
NÃO! Eu grito para mim mesma. Freddie não pode morrer, nunca! Ele é meu.
Ninguém ceifará essa tribo, nem essa matilha e eu juro por Deus que matarei todos que tocarem em um único fio de cabelo dos meus meninos! Abocanho seu pescoço com tamanha força que ele se quebra como um pescoço de galinha nas mãos de alguém.
O alfa desaba morto em minha frente. Volta para a forma humana e eu mordo seu pescoço novamente, separando sua cabeça do seu corpo. Os morteiros — bruxos ou bruxas que limpam a região — cuidarão do corpo depois.
Dice celebra contente sua primeira batalha bem sucedida, mas não quero que ele tenha que morder o pescoço do garoto já morto em sua frente.
Eu cuido disso, Griffin já me avisa mancando um pouco por causa de uma mordida na pata traseira, vai sarar em breve. A culpa cai sobre ele por ter deixado um fugir, eu o conforto imediatamente.
Essa foi uma das boas, Spencer limpa o focinho de sangue na grama molhada.
Jade e Beck se saíram melhores do que nós, Dice murmura, através do seu olhar vejo como ele os enxerga, tem muita magia envolvida e um amor imenso pelos seus irmãos mesmo não sendo de sangue e sim de matilha.
Retornaremos juntos para Seattle, depois vocês vão para a reserva. Eu tenho que buscar a Carly. Freddie e eu a levaremos até o Bushwell, a última parte informo ao Spencer.
Eles não respondem, sabem que não temos tempo para qualquer palavra contrária, mais uma batalha está vindo e será de uma proporção muito maior que a de Violet Hill.
Entro no quintal de casa e Freddie já está me esperando em frente ao Audi A5. Eu passo por ele correndo e vou para a garagem vestir minhas roupas. Visto-me pego as roupas da Jade e coloco em uma prateleira.
Vou para fora e caminho até o Freddie que parece tenso.
— Oi — a voz dele sai estranha.
— Hoje tivemos uma briga dos diabos, temos que levar Carly para casa em segurança, eu dormirei lá hoje, nenhum de nós está seguro...
— Eu protegi bem a Carly hoje, conversamos muito — ele ri, mas nota a minha expressão de pânico. — Quando você disse "nós", você quis dizer que...
— Nem mesmo você e sua família estão seguros — quando vejo já estou em seus braços. — Eu tive medo...
— Medo da briga? — Ele pergunta me abraçando contra seu peito frio.
— Não. Medo que eu fosse perder você — fungo contra seu pescoço, o cheiro irrita meu nariz, mas dessa vez eu não me importo de sentir minhas narinas queimarem, isso prova que o Freddie está vivo ou pelo menos não está morto, morto.
— Ninguém vai me tirar de você — ele aperta minha cintura. — Ficaremos bem.
— Espero que sim, se não eu te mato — uso meu lado duro.
Ele pega meu queixo com a mão e me olha nos olhos, sua expressão é engraçada, poderia ser um sorriso, poderia ser uma careta, é difícil dizer.
O celular dele toca interrompendo o momento. Freddie atende sem tirar os olhos de mim.
— Alô?
— Passe para a Sam! — A voz da Wendy é urgente no iPhone.
Freddie me entrega o celular sem me soltar do abraço.
— Wendy? — Minha voz sai cheia de preocupação.
— Algo aconteceu com o Gibby, ele não tomou a decisão de voltar para casa e Trina tem haver com isso — ela fala rapidamente sem nem respirar.
— Freddie! — Tori sai correndo de dentro da casa.
— Teve notícias da Trina? — Freddie pergunta ficando assustado, até que ele vê a forma que estamos atados e se solta por causa da irmã e por causa da Carly que apareceu atrás de Tori.
— Sim ela... — Tori começa a dizer, mas lembro de Wendy no telefone.
— O que a Trina fez?! — Eu grito no celular.
— Você sabe o que ela fez... Não consigo encontrar o Gibby, mas ele está em algum lugar próximo ao Discovery Park, ele não tem muito tempo — ela teme por ele, alguém chama seu nome ao fundo. — Não irei à aula amanhã, eu tenho que ir à Salem, algo grande está acontecendo lá.
— Salem de Oregon? Não. Wendy me escute, retorne para Seattle, eu matei uma alcateia de Salem, a coisa toda está um caos, sem sua visão para ver o futuro bloqueado pelos lobos você não saberá se vai estar em perigo — a alerto.
— Simplesmente eu não irei pelas rotas que desaparecem, eu vou ficar bem. Sam, você precisa salvar o Gibby antes que outro vampiro o encontre... Eu sinto muito — ela desliga o celular.
— Porra! — Esbravejo devolvendo o celular para o Freddie. — Eu vou matar a Trina, eu juro por Deus.
— Não. Você não vai — ele trinca os dentes.
— Se o Gibby morrer, eu vou matá-la — coloco a mão no seu bolso e pego a chave do carro.
— Não precisa fazer isso — ele segura meu pulso e eu sinto nojo da frieza dele.
Empurro seu peito de pedra e entro no carro.
— Eu estava enganada a respeito de vocês — balanço a cabeça.
— Você disse que eu era diferente — ele se debruça contra a porta quase colocando o rosto dentro do carro e me beijando.
— Nenhum vampiro é diferente — olho para o lado. — Entra Carly! Eu vou te levar para o apartamento!
Ela corre e entra pela porta do passageiro.
— Iremos com vocês, o carro é meu — Freddie resmunga e senta no banco de trás, Tori também.
Dou partida no carro e acelero ele abusando muito da velocidade até o Bushwell, ninguém tem coragem de dar uma palavra dentro do Audi.
Eu paro na entrada e olho para Carly de uma forma que ela entenda que tem que descer e ficar em segurança com o irmão. Ela se inclina e me abraça com força.
— Eu te amo Sam, traga o Gibby por favor — ela sussurra.
— Eu também te amo Carly — é só o que digo, temo que o Gibby não sobreviva e uma dor horrível percorre meu peito, se ele morrer, eu morrerei junto. Gibby. Meu Gibby...
Carly sai do carro e aguarda por Tori que desce em seguida.
Freddie sai do Audi e vem na minha janela de novo.
— Por que ele é tão importante para você? — Ele pergunta prendendo meu olhar.
— Por que eu o amo — e assim eu destruí qualquer coisa que tinha começado entre o Freddie e eu.
Fredward não dá uma palavra. Apenas se distancia do carro com uma expressão de dor maior do que qualquer uma que eu já vi. O maxilar trincado. Os olhos em pânico. Eu acho que choraria se pudesse.
Eu conduzo o carro pela rua lembrando-se da sua expressão, ela vai ficar cravada na minha mente, para sempre. Agora meus nervos são polos que se descongelaram.
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