42 - Violet Hill
59 Ozymandias - O Grande Blefe
Notas iniciais
Parte 59: Aquele não é o Flint!
Soundtrack: Free Bird — Lynyrd Skynyrd
Povs geral:
— Caramba perdi uma batalha e tanto, droga! — reclamou Klaus se aproximando com Shelby e Spencer.
— Spencer! — gritou Carly e soltou o guerreiro dourado. Ela correu e abraçou o irmão. Shelby estava com um olhar apagado, ela estava desligada.
Sam continuava olhando para o chão onde o corpo do Gatlin tombou.
— Sammy... — Freddie sussurrou no ouvido da esposa. Ele já trajava apenas um shorts jeans. — Ele mereceu morrer. Gatlin fez e mandou fazerem coisas terríveis. Eu fui nas prisões em Whistler, eu vi através da mente do Brad e do Spencer... E o quê ele fez com nós... O quê fez com o Flint...
Sam enfim retornou para o momento atual.
— Eu sei é que... Eu queria poder matá-lo de novo. — respondeu ela olhando para o Freddie — Não foi o suficiente, o vazio continua o mesmo.
— Eu sei. — ele disse e se virou ao escutar algo se aproximar.
— Desgraçado! — Sam xingou e partiu para cima do guerreiro que tentava escapar. Ela pulou sobre ele e quebrou o pescoço do soldado. — Ué... — ela se levantou achando estranho um vampiro conseguir ter o pescoço quebrado — Freddie desculpa, era pra você fazer isso...
— Tudo bem... Mas quem é ele? — Freddie perguntou confuso — De todos os soldados por que Gatlin colocaria ele para matar você?
— Eu também não sei. — Sam olhou a armadura. Ela sabia que o guerreiro ainda estava vivo.
— Vamos tirar o elmo. — sugeriu Freddie.
— Não dá. Está preso por um feitiço. — Carly falou.
— Caramba, de onde você saiu? — Sam se assustou.
— Rápida né? — a morena sorriu orgulhosa da própria velocidade — Eu tentei tirar mas, dá para perceber que uma Hexenbiest jogou uma magia no elmo que o empata de ser tirado.
— Leve ele para o sótão da nossa casa. — pediu Freddie para a Carly — Wendy, Tasha, tentem desfazer o feitiço... Vá com elas Sam.
— Por que? — Sam não entendeu.
— Shelby está desligada, precisamos fazê-la se ligar e eu não quero você aqui vendo isso. Por favor, vá com a Carly. — Freddie respondeu e beijou Sam na boca com pressa.
— Depois conversamos. — Sam murmurou e foi arrastar o guerreiro junto com a Carly. Wendy as seguiu ao lado de Tasha.
— Gibby, comigo. — Freddie chamou o amigo.
— Como iremos ligar a humanidade dela? — perguntou Gibby.
— Você vai ver. — Freddie se aproximou de Klaus — Atrasado.
— Perdi a batalha mas ganhei a guerra. — brincou Klaus e deu um soco no ombro do Freddie — Pronto tigrão?
— Claro.
— Eu posso ir embora? — perguntou Shelby revirando os olhos.
— Não. — Freddie respondeu.
— Eu não tenho serventia aqui e a menos que me faça de escrava eu não vou ficar. — Shelby desejava ir.
— Escuta, você... — Freddie ia dizer mas escutou um grito vir dos arredores da reserva — Me sigam! Você também Shelby, isso é uma ordem.
Eles partiram correndo em direção ao grito.
Freddie percebeu que era Becca segurando Oddie na neve, em frente à uma casa.
— O quê houve? — perguntou Fredward.
— Eu o encotrei assim... — Becca respondeu chorando — Vô, o quê você viu?
Freddie segurou o ombro de Oddie.
— Ele tem visões?
Becca secou as lágrimas.
— Sim... Ele vê coisas às vezes...
— O guerreiro... Dourado... — sussurrou Oddie — Ele me matou... Ele... — o ancião fechou os olhos devagar e deixou a mão por dentro da blusa — Becca... Continue o seu propósito...
— Sangue. — Freddie sentiu o cheiro e abriu a roupa de Oddie — Ele levou uma facada na barriga.
— Tira isso dele! — Becca implorou.
— É aço Valiriano, não há nada que possamos fazer. — Freddie se desculpou.
— Sim, tem algo que podemos fazer, matar o maldito guerreiro! Onde ele está?! Ele matou meu avô!
— Ainda não descobrimos quem ele é.
— Eu quero vê-lo! — Becca apertou o braço do Freddie — Você não vai me querer ver brava Fredward Benson!
— Eu sinto muito pela sua perda Becca, você poderá falar com o guerreiro, o deixarei vivo o maior tempo que eu puder para você. — Freddie se ergueu com o corpo de Oddie nos braços.
Eles foram para a casa de Becca e o corpo foi deixado no sofá.
— Por que ele não estava no círculo de proteção com vocês? — perguntou Gibby.
— Ele não quis, tinha algo para fazer, não podíamos obrigá-lo. — respondeu a mãe de Becca que chorava muito pela perda do pai.
— Eu vou matar o guerreiro, entenderam? Eu quero e vou! — Becca tremia de ódio.
— Filha... — a mãe de Becca tentou consolar ela.
— Não! As coisas não vão ficar assim! Deixa eu falar com ele! — a garota tinha o gênio forte e segurava o cabelo castanho com raiva.
— Senhora Luzimani, vou levar a Becca comigo, estaremos de volta em breve. — Freddie não pedia mais, ele simplesmente dizia o quê ia fazer.
— Eu vou chamar algumas pessoas, podem ir. — a senhora Luzimani respondeu, se sentando ao lado do pai falecido.
Fredward saiu da casa. Ele notou que seria difícil ligar a humanidade de Shelby, mas já tinha um perigoso e horrendo plano para ser colocado em ação.
— Por que você não pediu? — Gibby perguntou andando com o Freddie de volta à casa do Alfa.
— Pedi o quê? — Freddie estava confuso.
— Pedir para trazer a Becca junto... Você praticamente ordenou.
— Algum problema com a forma que eu falo?
— Eita... — Spencer murmurou achando cômico aquilo.
— É que você está abusando demais disso. — Gibby explicou — Eu sou seu amigo e entendo a pressão, mas em breve o quê vai faltar para que mate um de nós que te contradizer? Apenas diminua o ritmo, seja mais paciente.
Freddie segurou o Gibby pelo ombro.
— Só assim para eles me ouvirem, eu fui bom por muito tempo e isso fez com que as pessoas que eu amassem se machucassem. Isso não vai acontecer de novo. — respondeu o Alfa e prosseguiu andando.
—-----
Carly e Sam colocaram o guerreiro no sótão. Elas os prenderam com correntes.
Wendy tentava reverter o feitiço que fora lançado no elmo. Ela estava usando toda a sua capacidade. Tasha também tentou. Por fim as duas resolveram fazer isso juntas.
O elmo caiu do rosto do assassino. Sam recuou e Wendy tossiu.
— Meu Deus... — Sam sussurrou — Não...
O garoto abriu os olhos. Eram de uma cor azul linda, exatamente da cor dos olhos de Sam.
— Merda! — o garoto exclamou e recuou mas estava preso pelas correntes.
Freddie entrou em cena e olhou para o garoto.
— Mas que merda?! — Freddie se assustou ao ver o rapaz.
— Edward?! — Becca gritou e foi segurada por Gibby.
— Oh meu Deus... — Sam tremia de medo.
— Flynn? — Sam e Freddie perguntaram juntos.
— Quem? — o garoto tentava se soltar das correntes — Por quê não me matam? Vão fazer o quê comigo?! — perguntava ele em um sotaque perfeito — Becca? Ah que merda é essa... — ele era estúpido.
— Não podemos te matar. — respondeu Sam ainda assustada com o tamanho do rapaz.
— Por que? Vocês destruíram o exército inteiro! Não tem mais nada em Viena! Mataram tudo em que eu acreditava! Agora eu vou ser o quê? O cachorrinho de vocês? — o garoto tentou se soltar novamente — Porra! Me tirem daqui!
— Hey! Para de gritar! — Freddie não ordenou, apenas pediu.
— Vai se fuder cara! — o rapaz respondeu de volta.
— Precisamos desfazer o feitiço, trazer as memórias dele de volta... — Sam dizia.
— Não tem como desfazer, não foi apenas uma pessoa que tiramos da mente dele como fizemos daquela vez com a Carly, aqui é diferente, apagamos totalmente quem ele era. Não dá pra desfazer Sam, eu sinto muito. — Wendy se desculpou.
— Apagaram quem? — ele não entendeu.
— Sua memória, quando você era bebê. — respondeu Freddie.
— Que história louca é essa? Eu não conheço vocês. — disse Flynn.
— É que você não se lembra. — Sam explicou ainda sem acreditar no rapaz formoso e perfeito em que Flint tinha se tornado.
Freddie — ao contrário de Sam — achava que estava vendo um assassino em série cruel e sanguinário. O mesmo que quase o matou com a lança. E debaixo daquilo estava o filho dele o qual ele tentaria trazer de volta.
— Vamos dar um jeito de trazer sua memória. — Freddie disse e olhou para Becca — Não posso deixar você matá-lo.
— Por que? — ela tentava se soltar do Gibby.
— Porque ele é nosso filho. — Sam respondeu.
— Como é? Vocês estão loucos? — Flint estava absorto — Eu prefiro a morte a ficar com vocês!
— Filho? — Becca ergueu as sobrancelhas — Como?
— Crescimento acelerado, é uma longa história... — Freddie apertou a parte de cima do nariz.
— Se vocês não me matarem agora eu mesmo irei fazer isso... — Flint avisou — Crescimento acelerado? Chamo mais de sentença de morte, por que em um ano e meio eu cresci dezesseis anos, significa que em menos de quatro ou cinco anos estarei morto! Mas vocês não se importam com essa porra não é? Mataram um exército inteiro!
— Baixa o tom e controle o linguajar. — Freddie grunhiu e empurrou o garoto que caiu sentado — Eles eram assassinos!
— Você também é! — Flynn disse a mesma coisa que Fredward disse à Sam, no estacionamento após o baile de máscaras.
— Discutir não vai levar a lugar nenhum, precisamos trazer as memórias do Flint e provar para ele que somos seus pais. — disse Sam — No seu pescoço tem um colar... Dentro tem duas fotos, como não pôde perceber isso?
— Esse colar não abre, eu já tentei, Gatlin disse que foi um presente dos meus pais... Apenas sei disso. — respondeu Flint.
— Feitiço... — Wendy e Tasha disseram ao mesmo tempo. Nem toda magia elas podiam quebrar.
— E seu dom... Você pode fazer as pessoas verem o quê quiser. — citou Carly finalmente dizendo alguma coisa.
— Eu nem sabia que fazia isso. — o garoto deu de ombros.
— Seu nome é Fredward Hayes Benson, acha coincidência? — Gibby disse soltando Becca que estava calma.
— Tá e daí? Quero dizer... — ele riu com desgosto — Vocês são meus pais, e? Não importa, eu não lembro de vocês e eu mereço morrer, certo? Matei aquelas pessoas, usei as garotas, lutei contra a loira aí e tentei matar o Alfa, matei o avô da Becca... Foi para isso que fui criado. Eu fui feito para matar e se me deixarem solto não me resta nada, por que eu perdi meu propósito. Então eu vou matar um por um aqui por que eu sou isso. Eu sou apenas um assassino... E nada mais.
As palavras foram como adagas nas costas de cada um. Sam não aguentou e saiu do sótão. Ela correu para fora da casa e ao chegar na grama coberta de neve gritou. Ela segurou a barriga como se fosse vomitar e se ajoelhou chorando.
— A vida é uma droga, depois você morre. É queria eu ser tão sortuda. — murmurou Shelby.
— Ah você voltou... — Sam sussurrou destruída emocionalmente.
— O Gatlin mexeu mesmo com a cabeça do garoto, ainda morto te deixou aquele presentinho.
— Cale a boca antes que eu te mate, faço esse favor pra você.
— Então me mata por que estou entediada demais para fazer isso. — Shelby brincou com os cabelos da Sam.
— Você devia se ligar e me ajudar, achar um jeito de devolver as memórias dele.
Shelby se abaixou.
— Sabe o que é estranho é o fato de que agora que estou desligada, não tenho mais vínculo com você... Então não adianta fazer essa carinha que eu não vou me ligar, você tinha a chance de me ter e me perdeu. — ela mentiu.
— Então suma daqui. — Sam reclamou.
— Eu iria mas seu marido não deixa. — Shelby sussurrou no ouvido da Sam e depois roçou os lábios próximo da boca dela.
— Sai daqui Marx. — Sam se distanciou — Não estou afim dos seus joguinhos agora.
— Agora que está casada ficou tão chata.
— Chata por quê não quero me pegar com você? Vê se dá um tempo.
— E aí? Alguma ideia para matar o assassino lá dentro.
— Olha como você fala do meu filho! — Sam se levantou com raiva.
— Seu filho é um assassino e merece morrer querida.
— Repita isso e eu mato você.
— Um assassino e merece morrer. — sussurrou Shelby e aguardou.
Sam pulou sobre ela e as duas rolaram na neve. A loira começou a socar a cara da Shelby. A vampira agarrou os braços de Sam e inverteu as posições. Eram socos e rosnados partindo das duas. Shelby mordeu Sam, mas ela não recuou ao sentir o veneno queimar nas veias, isso só aumentou sua raiva. Sam puxou o cabelo de Shelby e bateu a cara dela contra a neve. Shelby conseguiu se soltar e arremessou Sam em uma árvore da floresta. A loira irritada lançou uma árvore inteira para cima da Shelby, que foi acertada pelos galhos.
— Agora você foi longe demais. — Shelby rosnou e correu até a Sam.
As duas foram se batendo enquanto destruíam tudo à sua volta, até mesmo a Lamborghini do Freddie que Klaus tinha trazido.
Shelby jogou Sam em cima do parabrisa. O vidrou se estilhaçou cortando as roupas e os braços de Sam.
— Vadia! — Sam saiu de cima do carro e acertou um tapa na cara da Shelby.
— Você não vai me matar? — Shelby empurrou Sam para o chão.
— Sabe que eu não consigo fazer isso, não importa as merdas que me diga por que essa não é você. — Sam limpou o sangue da boca e se levantou — Você acha que não fez nada mas, salvou a todos nós nos avisando sobre a família Real ano passado. Foi graças a sua bondade que ficamos vivos. E sua festa para o Freddie, as coisas que comprou para mim, o jeito que me amava mesmo após estar com o Spencer... — Sam segurou o rosto da Shelby — E o jeito que me beijou quando eu estava com a humanidade desligada, mesmo sabendo que eu poderia matá-la. Você tomou conta do Dice quando ele precisou e eu não estava lá. E durante a guerra, só nos mantemos vivos por que você ensinou como se lutava contra o exército de vampiros de Viena. Os lobos aprenderam e ensinaram uns aos outros. Shelby você fez muito por todos nós... Sem contar que me protegeu, me curou, me salvou... Perdoou o Freddie por tudo que ele fez. Você tem um coração tão bom e eu te amo por isso, te amo da maneira certa. Você é parte da minha família, assim como eu sei que sou da sua.
Shelby piscou atônita e aproximou o rosto da Sam quase a beijando, mas a loira se afastou.
— Esse é o problema Sam, a ligação fez com que eu me apaixonasse por você e agora eu vejo isso... — Shelby deu um passo para trás — E se eu me ligar não vou sentir nada e eu não quero te perder. Por isso não vou me ligar, o Spencer merece ser feliz e eu não sou um pacote cheio de felicidade para ele.
— Viu? Mesmo com a humanidade desligada tem bom senso.
— Eu desliguei a humanidade e não o juízo. — ela repetiu a frase que Sam disse logo após de ter sido salva por Shelby, quando Carly capotou o fusca do Gibby.
— Shelby, volte. — pediu Sam — Fique conosco. O Spencer precisa de você. Eu também preciso.
— Não vai dar linda, quero viver a minha vida e se isso inclui matar você ou alguém para que o Freddie me deixe ir, então eu matarei. — Shelby inalou o ar — Mande o seu marido me deixar partir e eu prometo que nunca mais me verá de novo, caso contrário eu irei matar a todos e pedirei ajuda ao seu filho para isso.
— Shelby, não. — Sam implorou.
— Rápido. — Shelby pediu.
— Eu ouvi tudo Shelby. — disse Freddie saindo da casa, os músculos dele se mexiam enquanto ele respirava — E não vou te deixar partir.
Carly, Gibby, Becca, Wendy, Tasha e Klaus também saíram da casa.
Spencer foi o último a sair e Freddie o puxou pelo braço.
— Spencer, você sabe que precisamos ligar a Shelby, certo? E que se ela se ligar com ou sem a sua ajuda ela vai partir, correto? Por quê ela se acha insuficiente, não é?
— Exatamente. — concordou Spencer.
— Então... Shelby, você pode se ligar, por favor. — Freddie pediu educadamente.
— Não, otário. — Shelby deu de ombros — Não vou me ligar, esquece.
— E se eu matar o Spencer? O quê acha disso? — Freddie ameaçou.
— Há, há, há... — cantarolou Shelby — Você não vai matar ele, a Carly iria te matar depois.
— Posso lidar com ela... Então é melhor você ligar.
— Você não vai matar o Spencer, Freddie! — Carly se irou.
— Você não vai fazer isso. — disse Shelby.
— Liga. — Freddie pediu de novo.
— Corta o teatro, eu não vou.
— Ok Shelby... A culpa foi sua. — Freddie falou e mordeu o pescoço do Spencer, em seguida cuspiu o sangue da boca na neve.
Spencer caiu gritando para a sua morte.
Shelby olhou a cena com desdém, porém Spencer continuou gritando.
Gibby não acreditou no quê estava vendo. Carly gritou se assustando e o resto não sabia o quê fazer.
Até mesmo Klaus estava paralisado.
Freddie mordera Spencer. Todos sabiam que Spencer gritava por causa do veneno nas veias, que em meia-hora iria matá-lo.
— Spencer? — Shelby perguntou voltando a si — Spencer! Spencer! — a humanidade dela fora ligada de novo — Não! Meu amor! Não! O quê você fez Fredward?! O quê você fez?! — ela agarrou o corpo do Spencer contra o peito e murmurava palavras de amor.
— Eu disse que ia matá-lo... Eu não blefo. — Freddie respondeu.
Carly voou sobre o Freddie, mas ele apertou os braços dela com força.
— Você matou meu irmão! Por quê fez aquilo? Filho da mãe! Eu vou te matar! — ela gritava de puro ódio.
— Não se atreva a encostar em mim Carly, nunca mais me desafie e agora você vai cair, por que eu sou dono de tudo e todos, inclusive de você. — respondeu Freddie e soltou a Carly que caiu de joelhos com a autoridade do Alfa.
Freddie deu às costas para todos.
— Freddie... — Gibby murmurou querendo chorar — Por quê?
Fredward se virou com o queixo erguido.
— Porque eu posso. — o Alfa respondeu sendo mais do que apenas superior — Tudo o que você mais ama o rejeitará ou morrerá. Tudo o que você já criou será jogado fora. Tudo de que você mais se orgulha terminará em lixo. Sou Ozymandias, o rei dos reis. — ele ignorou a cena e caminhou de volta para a casa, deixando Gibby em estado de choque.
Sam não sabia o quê fazer e permaneceu parada vendo tudo à sua volta desmoronar.
Freddie entrou no sótão e tirou o Flint das correntes.
— Vai me matar? — o garoto perguntou.
— Não. Vamos para um passeio. — respondeu Freddie — E tira essa armadura ridícula e não me faça ter que te ordenar a fazer isso.
— Vou tirar. — Flint agarrou o metal e puxou pela cabeça. Por baixo da armadura usava calça jeans e camisa preta de botões.
— Me siga e tente não matar ninguém. — Freddie saiu do sótão.
— Como você matou aquele cara lá fora? — perguntou Flynn seguindo o pai.
— Isso não é da sua conta. — Freddie puxou o rapaz pela camisa.
Eles saíram da casa e Carly ainda estava no chão.
— Onde vai levá-lo? — Sam perguntou desviando a atenção do sofrimento de Carly e Shelby.
— Para um passeio por Violet Hill, prometo o trazer de volta. — respondeu ele arrastando o Flint.
— Freddie, precisamos conversar. — sussurrou ela com medo do próprio marido.
— Não. Não precisamos, não me faça te colocar de joelhos também... Quantos de vocês vou ter que matar para mostrar que sou eu quem manda aqui? — ele murmurou e foi embora com o Flint.
— Onde fica esse lugar? — perguntou Flint dentro da floresta da reserva — E nós vamos andando?
— Sabe correr? — perguntou Freddie.
— Sim, sou bem rápido...
— Ok, então me siga e se tentar fugir eu tiro sua vontade, entendeu?
— Claro Alfa. — Flint cuspiu no chão.
— Não te deram educação?
— Deram, mas não uso com você.
— Me respeita por que eu sou seu pai.
— Eu não pedi para que fosse e nem precisa achar agir como tal! — Flint ergueu a voz.
Freddie trincou os dentes e segurou o garoto pela gola da camisa.
— Você vai aprender a me respeitar, por que eu vou trazer suas memórias de volta de um jeito ou de outro.
— Ah... Entendi, é isso que te assusta, o fato de todos te obedecerem e eu desafiar sua autoridade... Pois, bem, Alfa — Flynn encarou o pai — Terá que tirar minha vontade então, por que diferente daqueles idiotas eu não vou lamber o chão por onde você passa.
— Não quero que me obedeça, quero que me escute.
— Impossível não te escutar, você não cala a boca um segundo.
— Apenas me siga. — Freddie soltou o filho e correu.
Flint bufou e seguiu o pai pela floresta cheia de neve.
Eles chegaram próximo à Violet Hill. Freddie reconheceu que era ali que ele tinha se transformado pela primeira vez. Ele se abaixou e vasculhou a neve que cobria o chão. Ele estava procurando o anel de casamento, mas com tanta neve seria quase impossível.
— O quê está procurando? — perguntou Flint.
— Um anel.
— Meio impossível achar algo nessa neve, deveria esperar até ela derreter.
— Isso vai levar meses e eu não disponho desse tempo, sua mãe vai ficar uma fera se eu não achar.
— Ela vai ficar uma fera se você continuar assassinando os amigos dela, isso sim.
— Flynn, fica quieto um pouco garoto.
Flint sorriu mas Freddie não percebeu. O garoto achava estranho que estava sendo tratado como alguém especial, mesmo que não se lembrasse de nada e tivesse feito coisas horríveis.
— Não é mais fácil comprar outro? — ele também se dispôs a procurar o anel.
— Não. Eu quero esse, foi sua mãe que me deu.
— Claro, claro. — ele murmurou a mesma expressão dos pais sem se dar conta. Freddie sentiu um raio de esperança.
Freddie fez buracos na neve em diferentes pontos da área. Infelizmente só encontrava gelo e o solo abaixo daquilo.
Flint estava pensando em como fugir ou matar o Freddie com agilidade, mas no fundo ele sabia que tinha encontrado algo que sempre buscou: a explicação para o quê ele era e uma família. Porém, Gatlin destruiu toda a bondade que um dia Flynn teve e agora ele se tornara alguém amargo.
Ele coçou a cabeça tentando pensar direito, procurando uma saída.
Os dedos dele nem se deram conta no que estavam tocando. Flint soltou um riso ao ver o anel. Ele pegou e se levantou.
— Achei. — ele jogou o anel para o Freddie.
— Graças a Deus, obrigado. — Freddie colocou no dedo anelar da mão esquerda.
Flint deu de ombros.
— Vamos voltar?
— Não. Vamos adiante, vou te mostrar onde você nasceu. — Freddie andou para a floresta.
— Tem um hospital aqui perto?
Fredward apertou os lábios.
— Não. É uma casa antiga.
— Essa história não pode ficar pior. — Flint colocou as mãos no bolso.
O Alfa caminhou com pressa e então ambos chegaram à Violet Hill. Freddie indicou o casebre para o rapaz que olhava tudo sem esboçar reação.
— Parece familiar para você? — Freddie perguntou.
— Nem um pouco. — ele suspirou — Talvez deva desistir, por que tudo o que você me mostra e me diz não faz sentido algum. Eu sei que sou filho de vocês, a história é convincente... Mas cara... — Flint olhou em volta — Eu não lembro de nada. Tudo significa nada que é o nada que se resume em nada. Essa é a palavra que me define. Eu sou um nada e existe apenas um vazio na minha cabeça onde você e a loira deviam estar. E eu nem sei se quero que o nada vá embora. Eu não sei se quero ter vocês na minha cabeça de novo. Só para de tentar recuperar algo que se perdeu para sempre. Eu posso fazer papel do filho de vocês e apenas isso, por que para mim vocês nunca serão meus pais.
Freddie não viu quando uma lágrima desceu pelo próprio rosto. Ele rapidamente secou com as costas da mão.
— Você tem razão... — ele admitiu — Tem razão...
— Eu tenho? — Flynn franziu a testa.
— Tem, então só me resta uma coisa.
— O quê?
— Te matar.
— Espera... — Flint ergueu as mãos recuando.
— Um vampiro para de envelhecer na idade em que foi transformado... — Freddie foi se aproximando — Mas eu te transformei quando você era apenas um bebê e você continua a crescer, estranho não?
— Muito, mas...
— Infelizmente eu terei mesmo que te matar, por que você não vai querer que a Becca faça isso, não é mesmo?
— Ah... — Flint estava assustado — Você não pode me matar, você é meu pai!
— Há, agora eu sou seu pai? Não foi você mesmo que disse que eu jamais seria isso?
— Cara, não faz isso. — Flint notou um sentimento forte aumentar: a raiva.
— Vai ser rápido. — Freddie continuou com a falsa postura de assassino.
— Não! Você prometeu à sua esposa que me levaria de volta!
— Eu digo que você fugiu, óbvio que ela vai acreditar.
— Como pode ser tão ruim? Que tipo de Alfa é você?! — gritou Flint — Eu jamais faria isso com ninguém! Assassino!
— Tal pai, tal filho. — Freddie expôs as presas — Vai correr?
— Não! Você não vai me matar! Não! — Flint avançou no Freddie, mas seu corpo todo tremia e a fumaça o tomou.
Flint rosnou e teve espamos. Freddie saiu de perto do garoto. Flynn explodiu em um lobo preto de focinho branco.
— Calma Flint! Eu não vou te matar! Eu precisava te deixar bravo para isso! — Freddie explicou. Ele guardou o anel no bolso do shorts, o retirou e ainda abaixado também virou um lobo.
Você é louco?! Não era mais fácil ter me pedido ou me ensinado a se transformar? Eu achei que fosse me matar pai, Flint dizia sem parar.
Pai? Temos um progresso aqui? Freddie empurrou o lobo com o ombro.
É só por que eu estou bravo e... Flint parou de falar ao ver que lia a mente toda do pai, toda a verdade sobre si mesmo e a explicação para todos os últimos acontecimentos.
Isso é tudo, sussurrou Freddie querendo chorar.
Era tudo verdade e... Foi armação? Ele não morreu? Você é bom! Realmente tem um coração puro! Estava fingindo para todos inclusive para a Sam! Você é um gênio, Flynn uivou desajeitado descobrindo mais coisas.
E mesmo após eu ter te mostrado tudo isso, você ainda não se lembra.
Não... Eu sinto muito, o lobo preto e branco ganiu, Mas pelo menos sei de tudo, já é alguma coisa.
Vai fazer o papel de filho?
Não, eu realmente posso ser isso, posso ser filho de vocês...
Progresso.
Cara vocês sofreram tanto, o Gatlin era... Ele impulsionou as memórias mostrando o quê passou no castelo.
Sua mãe já cuidou disso.
Ainda não é o bastante, nunca vai ser.
Eu sei, Freddie estava preparando um sermão e Flynn sabia disso.
Então... A Carly tem uma filha?
Flynn não mude de assunto, Freddie tomou uma atitude de pai, Eu não te culpo pelo o quê fez mas deve desculpas às meninas por ter usado elas, deve principalmente desculpas à Becca e também aos familiares dela. Você vai ter um grande peso nas costas e vai ter que aprender a lidar com isso.
O lobo abaixou as orelhas.
Tudo bem... Eu irei.
Mas hoje não, no momento você vai voltar para casa e descansar, quando você retornar à forma humana vai se sentir cansado, vai descobrir o quê é dormir, o quê é sentir fome e outras coisas humanas, Freddie explicou.
Sou híbrido igual a você?
Não, você é exatamente como a sua mãe.
Ela é incrível, a admiro muito.
E será mais incrível ainda se você se lembrar de quanto a amava.
Nem tudo é possível, mas vou dar o meu melhor.
Sim vai, senão eu te dou uma surra.
É o quê?
Eu ainda sou seu pai, não se esqueça disso.
Não vou me esquecer Fredward, Flynn ainda continuava com a arrogância.
Freddie pegou o shorts com a boca.
Vamos voltar Flint.
Sim senhor, o lobo bufou e seguiu o Alfa.
— O Freddie passou dos limites. — Carly dizia andando de um lado para o outro na casa da Sam.
— Já foi tudo resolvido... — respondeu Sam com um frio na barriga.
— Uma ova que foi e ainda saiu com aquele psicopata!
— Com o meu filho! — Sam se estressou.
— Acorda Sam! Seu filho está morto! Aquele não é o Flint! Aquilo é uma máquina de matar, um maníaco sexual que você quer manter dentro da sua própria casa!
— Não vou pedir para que retire o quê disse por que eu sei no que ele se transformou. Eu não quero brigar com você Carly, já tive minha dose diária de briga com a Shelby hoje. — Sam murmurou, relembrando que ainda estava com as mesmas roupas rasgadas.
— É loucura! Tudo isso é loucura! Fredward precisa dar um tempo nisso tudo.
— Ele estava fingindo amor. — disse Gibby segurando a Carly para que ela parasse de andar — Freddie fez um teatro muito bom a propósito, mas sabemos quem ele é.
— E quem ele é? — perguntou Carly.
— Nosso Alfa. Aquele que deveria vir. Graças a ele estamos vivos. Ele jamais faria mal a nenhum de nós. — respondeu Gibby — E o quê ele é para você, Carly?
Carly suspirou antes de responder.
— Meu melhor amigo, como sempre foi.
— Então não há mais nada para discutirmos, agora vamos para casa por que temos uma filha para criar, isso se a Sam não quiser a nossa ajuda... — Gibby fitou Sam.
— Podem ficar até o Freddie voltar, por favor? — a loira pediu com a sensação que algo tinha acontecido.
— Tudo bem. — Gibby concordou.
Carly se sentou no sofá levando o Gibby junto.
Fredward voltou com Flint para casa. Os lobos pararam na porta e Sam nem precisou perguntar o quê tinha acontecido. Os dois foram para os fundos. Freddie se vestiu primeiro e colocou o anel no dedo. Flynn aguardou Sam trazer roupas para ele.
Assim que se vestiu retornou para a frente da casa.
Carly foi de encontro ao Freddie e acertou um tapa na cara dele.
— Eu pensei que ele tivesse morrido! — ela berrou.
— Aí. — Freddie segurou o maxilar — O grande blefe... Eu precisava garantir que Shelby fosse ligar e que vocês também acreditassem que era verdade, só então assim Shelby veria que não pode viver sem o Spencer. Eu já tinha combinado tudo com ele. Não o mordi com as presas, meu veneno não chegou nem perto dele, admito que foi um plano e tanto. — Freddie se gabou do que tinha arquitetado.
— Seu louco, você Fredward Benson quase fez com que eu perdesse o juízo. — Carly ainda não acreditava que tinha caído em um truque, ela riu e Freddie também, os dois estavam extremamente próximos — Ah... — ela olhou pro Flint — Está ai delinquente? Não tem ninguém pra matar?
— Hum...- Flint tinha uma resposta na ponta da língua — A Sam não se incomoda por causa do jeito que você olha para o marido dela? Vocês dois só faltam começar a se agarrar.
— Flint! — Freddie se afastou da Carly.
— Retira o quê disse ou eu estouro seus dentes. — Gibby ameaçou com as mãos tremendo.
— Falou o cara que também já pegou a minha mãe... — Flint colocou as mãos nos bolsos.
— É. Ele leu na minha mente mais do que devia. — Freddie franziu os lábios.
— Chega Flynn, mais uma dessas e você vai se ver comigo. — Sam era uma excelente mãe.
— Comeram o senso de humor? — o garoto levou a mão à barriga sentindo uma sensação estranha — Ah... Eu estou com fome, eu acho.
— Entra, vou preparar algo para você. — Sam fez sinal para o filho.
— Fazer o quê né... — ele riu — Cadê os outros patetas?
— Foram para casa. — respondeu Sam e deu um tapa na cabeça do filho — E não chame meus amigos assim, entra moleque.
— Não espere que eu te chame de "mãe". — murmurou o garoto.
— Fica quieto. — Sam o empurrou para dentro.
— E agora? — perguntou Carly ao Freddie.
— Agora começa os anos de paz... — ele respondeu.
— Larga isso Fredward Hayes Benson! — Sam gritou de dentro da casa.
— Chata... — Flynn reclamou.
— Paz? Duvido muito com aquele projeto de serial killer. — Carly resmungou.
— Você gostava tanto do Flint, por quê o ódio agora? — Freddie não compreendia.
— Aquele não é o Flint, aceite isso. — Carly pegou na mão do Gibby.
— Senhor? — Gibby chamou irônico.
— Dispensado Gibby. — Freddie apertou a mão do amigo — Vá descansar e dentro de alguns dias traga Kimera, sim?
— Ok amigo, não perca a linha.
— Nunca. — Freddie se despediu e quando virou de costas levou outro tapa no rosto.
— Isso foi por você ter forjado a morte do Spencer. — disse Shelby — Mas obrigada.
— De nada. — Freddie abriu a boca para aliviar a leve dor.
— Nos vemos em breve?
— Com certeza. — Freddie a abraçou e finalmente entrou em casa.
Após Sam ter feito algo para o Flint comer, o deixou sozinho na cozinha e foi para o quarto onde Freddie estava arrumando o guarda-roupa.
Freddie olhou para a Sam e ela também deu um tapa na cara dele.
— Isso foi por ter falado comigo daquela forma. — disse ela e depois o beijou de maneira rude — E isso é por que eu te amo.
Freddie afagou o rosto dela.
— Perdão e eu também te amo amor...
— Eu sei. — ela deu um selinho nele.
— Como você está após tudo isso? Deveria deitar, eu fico de olho no Flynn.
— Eu estou bem, foi apenas um dia e tanto.
— Sim... Foi. — Freddie se sentiu cansado.
— Você quer...
Um barulho na cozinha chamou a atenção deles. Freddie e Sam correram para lá com pressa, mas ao chegar encontraram somente Flint debruçado sobre a mesa dormindo e o garfo no chão.
Freddie sorriu e pegou o garoto nos braços sem acordá-lo. Ele o levou para o andar de cima, o colocou na cama que estava no quarto que ficava no final do corredor e o cobriu com cobertores.
Freddie se inclinou e plantou um beijo na testa do filho.
— Sammy... — Freddie sussurrou e deixou as lágrimas rolarem pelo rosto — Precisamos trazer as memórias dele de volta.
— Sim. — Sam concordou com a voz embargada — Nós precisamos.
E mais uma vez eles estavam diante de um problema. Eles precisariam resolver isso para finalmente começar o "felizes para sempre."
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