42 - Violet Hill
26 Os Mortos Batem à Porta
Notas iniciais
TRILHA SONORA:
The Greatest (feat. Kendrick Lamar) — Sia
Parte 26: Eu amo você
Povs Fredward Benson:
— Que ódio! — Sam começa a tremer — Não! Não!
— Sammy... — eu toco em seu ombro.
— Saia de perto de mim. Não quero te machucar. — Sam murmura se levantando. Ela está tão quente que a fumaça branca chega a possuir faíscas.
— Ela está brava... — Shelby recua — Vou deixar vocês a sós. Estou lá em baixo com o Spencer.
Shelby se vai. Eu pego a minha calça sem qualquer pressa. Sam não me olha. Ela está além da raiva no momento e dizer qualquer coisa como, por exemplo, "não é sua culpa" só vai piorar tudo.
Ela começa a se vestir. Não sei se está mais brava por causa da Shelby ter atrapalhado nossa chance ou por saber que Carly voltou a ser uma Hexenbiest.
Eu permaneço sem minha camisa e apenas coloco a calça. Meu cinto está no chão, mas Sam rapidamente o pega para mim. Ela já se vestiu. Sam aproveita para passar o cinto pela minha calça, tendo assim que colocar os braços a minha volta. Ela fecha o meu zíper, mas vê a forma que estou. Sam sobe a mão pelo meu peito e segura meu rosto. Ela me beija de uma forma estranha, parece distante.
— Independentemente do que acontecer hoje, eu acho que ainda amo você. — ela sussurra com os olhos fechados.
— Acha? — não escondo minha dor — Saiba que se algo acontecer, eu prometo te proteger. Se todos forem capturados, eu escolherei salvar você. Apenas você. — prometo a ela e selamos essa promessa com mais um beijo. Um beijo amargo demais para um casal que dizia se amar.
Povs Sam:
A noite está fria. Escutamos o som da enorme mansão dos caçadores que fica logo atrás das árvores. Estamos na 36 NW Cherry Loop DrThe Highlands. Minha matilha está presente. Porém o Gibby está em casa cuidando de Dice e Guppy. Na madrugada iremos todos para Portland. A alcateia será entregue ao Gibby, eu não terei mais serventia aqui e me entregarei ao Gatlin, mesmo que isso signifique ter que me casar com ele. Se eu assumir o trono de Viena poderei decretar que não desejo que possuam as terras de Seattle, ainda mais depois de matarmos os caçadores.
Por algum motivo estou pensando no Gibby. Consertamos a minha Harley recentemente e a mesma coisa que o Freddie me disse em casa há alguns minutos atrás, o Gibby disse para mim. Gibby prometeu que me protegeria e que daria a vida por mim, que aceitaria morrer no meu lugar. Eu não sei qual das duas promessas é real e tenho medo de uma descobrir qual é.
Eu estive distante do Freddie ultimamente, mas não por que eu não o amo, na verdade é totalmente ao contrário. Eu o amo tanto — eu acho — que saber que terei que deixa-lo me machuca de maneira horrível e estar com ele só iria piorar na hora de dizer adeus. Mas eu não vou conseguir fazer isso. Sou covarde demais. Temo que eu parta sem me despedir.
Freddie está em silêncio ao meu lado, mas noto sua inquietação.
Não podemos invadir o local até a Carly aparecer. Ela ficou responsável pelas roupas que iremos usar. Ainda não acredito que o espírito da Hexenbiest voltou e Shelby revelou que parecia já ter voltado faz um bom tempo, pois Carly parecia saber controlar o que estava sentindo.
Wendy me olha sabendo que tem algo errado. Ela anda até mim. Pega a minha mão. Ela ruboriza ao ver minha tentativa com o Freddie, se surpreende ao notar meu amor por ele esfriando, mas arregala os olhos ao descobrir sobre a Carly.
— O sangue do Guppy não funcionou... — sussurra Wendy.
— Não. Ele disse que ela poderia ficar pior do que já era. Porém ela estava normal. Conversamos tão bem desde que ela ficou livre do espírito. Era a Carly novamente. Seja lá em que momento o espírito voltou ela continua sendo ela mesma. — começo a argumentar.
— Até onde você sabe... — Wendy ainda está com o pé atrás.
Carly surge ao meu lado com uma fumaça verde a sua volta.
— Acho que precisamos conversar. — ela limpa a garganta.
— Que porra foi essa?! — Wendy grunhe assustada.
— Parece que se você abre portais eu me teletransporto. — Carly responde.
Engulo em seco ao ver que ela cortou o cabelo na altura do queixo.
— Você conseguiu o poder de Königin der Zeit. — diz Wendy que está mais do que surpresa.
— Uma... O que? — Carly fica confusa.
— Königin der Zeit. — responde Nevel em seu alemão fluente.
— É Rainha do tempo. — Freddie diz para nós.
— Só houve um caso assim na história. — fala Wendy — Você herdou um dos maiores e mais perigosos poderes.
— Por que perigosos? Ela pode matar alguém com esse teletransporte? — eu me preocupo.
— Ela pode matar a si mesma. — Freddie parece saber disso.
— Por quê? — eu ainda não entendo.
— Antes da Carly chegar ao lugar que escolhe, ela passa por outra dimensão... Dura apenas dois segundos. — Wendy olha para a mochila nas mãos da Carly.
— Que dimensão? — Spencer pergunta.
— O inferno. — diz Wendy.
— O outro lado. — murmura Nevel.
— O Limbo. — Freddie fala.
— São várias teorias... — Wendy também demonstra preocupação.
— Eu sinto muito por não te contado para vocês antes. — Carly começa a dizer e todos se aproximam dela — Eu fiquei pensando que eu estando normal, vocês estavam me evitando, imagina se descobrissem que eu me tornei uma Hexenbiest de novo. Apesar de que decidi aparecer desse jeito por que não faz mais diferença. Não posso obrigar vocês a gostarem de mim. — Carly me dá a mochila.
— Acho que ninguém está bravo com você, Carly. — Robbie fala.
— Concordo com ele... Acho que apenas permanecemos distante de você... — Cat não consegue terminar e olha para a Jade.
— Por que o Freddie estava longe da Sam. — Jade completa.
— E se eles estão separados, não arriscamos juntar os lados com medo de como pode terminar. — André finaliza.
— Quer dizer que Freddie e eu somos a cola que mantém vocês unidos? — eu pergunto olhando no rosto de cada um.
— Sim. — Beck responde — Por isso se nós perdermos um de vocês... Todos vão sofrer a mesma coisa.
— Ferrou... — eu murmuro sabendo que vou embora — Eu tenho algo a contar para todos...
— Conte. — Tori pede abraçada com o Griffin.
— Eu pertenço à família Real. — digo na lata, ninguém parece surpreso — O Gibby contou né?
— O que você acha? — Spencer ri para quebrar o clima ruim.
— Então vocês sabem que eu vou partir. Irei protegê-los e como rainha, eu não deixarei que os Reais se estabeleçam em Seattle. Mudarei tudo que eu puder para que fiquem em segurança e vivam a vida de vocês da melhor maneira possível. — eu não entendo por que isso não está soando como uma despedida. — Eu juro que amo vocês.
— Nossa segurança em primeiro lugar... Você vai estragar o próprio futuro para nos proteger e acha que temos dúvida que você nos ama? — Spencer balança a cabeça e me pega em um abraço. Cada um faz o mesmo e minha garganta se fecha por causa das lágrimas que não vou derramar.
Quando os abraços terminam eu respiro fundo para falar:
— Continuem sendo essas pessoas incríveis e obedeçam ao Gibby, ele vai ser bom com vocês. — eu sorrio sem jeito — Não existe ninguém melhor do que ele.
Freddie finge tossir e Shelby vira o rosto escondendo um sorriso, ela sabe que antes de ser um objeto imprinted se encantou com o Gibby.
— Acho que já deveríamos estar acostumados a te dizer adeus. — Brad fala por todos.
Eu limpo a garganta e abro a mochila que Carly me entregou.
— Bem, vamos nos vestir e seguir o plano, com algumas alterações é claro.
— Que alterações? — Spencer pergunta.
— Eu irei entrar pelo telhado. — lhe respondo — Agora temos o fator surpresa.
— Quem? — ele ainda não entende.
— Carly. — eu sorrio para ela que fica contente por finalmente fazer parte de alguma coisa.
— Eu entrego... — Carly avisa, mas antes que eu proteste as roupas pretas voam para as mãos de cada um.
Eu largo a mochila no chão e não acredito no que estou segurando.
— O que é isso? — eu sacudo a roupa. É como um longo pano preto de carrascos do século XIX com capuz — Pelo amor de Deus, Carls!
— O que é? — ela começa a colocar a roupa preta por cima da atual.
— Isso está horrível! — eu berro — Se fosse branco estaríamos parecendo membros da Klu Klux Klan. — eu olho aterrorizada para o capuz com apenas dois buracos para os olhos.
— Mas é preto e isso vai deixar uma marca. Se eles querem ser arcaicos nós também seremos. — Carly arruma o capuz no rosto.
Eu estou com medo das roupas. Eu sou a última a me vestir, mas não coloco o capuz. Freddie ri baixinho.
— Peguem as armas. — eu ordeno. Eles pegam na maleta no chão, que Wendy trouxe. Cada um tem uma adaga, faca, espada, ou objeto de sua escolha. Eu com certeza não poderia ter deixado o Dice ser parte disso. Ele não tem que matar ninguém aqui esta noite, mas nós sim.
— Vou te levar para o telhado. — Carly murmura de maneira abafada por causa do capuz.
— Espera. — Freddie me segura para me beijar, eu aceito o beijo dele — Estarei lutando ao seu lado em breve. Fique viva.
— Ficarei. — aceno com a cabeça.
Freddie me solta e abraça a Carly. Ela demora um pouco para abraça-lo de volta. Eu pego um machado que a mãe do Gibby me deu e me preparo. Carly e Freddie rompem o abraço. Carly agarra o meu braço e em um piscar de olhos estamos nas telhas da mansão. Uma imagem de uma floresta escura passa pela minha mente. Deve ser a tal dimensão que a Carly passa, mas nunca vi nada tão aterrorizante quanto aquilo.
— Sabe o que fazer? — pergunto andando até o alçapão do telhado.
— Invadir. Pensar antes de agir. Não ser pega. — ela repassa os passos que ensinei a todos com a ajuda de Shelby.
— Vamos. — eu abro o alçapão e pulo.
Estou dentro da biblioteca principal. Coloco o capuz e tiro meu machado da bainha. Vagueio sorrateiramente para a sala ao lado onde escuto vozes. Lembro-me dos nomes e dos rostos de quem apoia os Reais. Deslizo o machado entre os meus dedos. Os caçadores são Wesens, poucos são humanos.
— Eu me teletransporto e antes que eles vejam estarão mortos. — Carly sussurra. Eu dou um simples aceno com a cabeça.
Adentramos na sala. Os caçadores se levantam ao notar nossa presença. Alguns fazem o Woge.
— Como entraram aqui?! — um deles pergunta — Achei que a segurança tinha sido reforçada!
O que?! Eles sabiam da nossa chegada?!
— Matem-nas! — um homem ordena. Ele é um dos que apoiam Os Reais.
— Não podemos fazer isso! — um membro mais velho protesta, ele não está na lista.
— Carly. — eu chamo seu nome e ela sabe o que tem que fazer.
Eu corro para cima deles. O machado crava nas costas de um. Eu quebro o pescoço de outro. Carly está em vários lugares ao mesmo tempo. Os Wesens não conseguem lidar conosco. Carly surge próximo de mim. Ela é rápida e mata um Wesen que tentou me agarrar. Ela usa uma espécie de chicote verde. Seus poderes chegaram a níveis altíssimos.
Minha roupa está suja de sangue. Pelo menos não é branca.
Alguns caçadores estão assustados conosco. Eles estão no canto da sala sem saber o que fazer.
— Contem o que aconteceu aqui. Contem que os... — eu faço uma pausa lembrando que não possuímos um nome definido.
— Que Os Mortos Batem à Porta não irão permitir a família Real na cidade por muito mais tempo. — Carly completa para mim.
Os caçadores apenas acenam com a cabeça.
Deixamos aquele lugar e vamos para o corredor. Sei que se eu continuar andando em linha reta dará na sala de conferência. É para lá que eu corro. Carly se tele transporta. Ela chega antes de mim.
Hugo Neither é o próximo a morrer. Meu machado decepa sua cabeça. O sangue dele suja minhas mãos. Eu preferia armas de verdade seria menos sangrento que tudo isso.
Quando retorno para o corredor, escuto os gritos do andar de baixo. Carly me leva rapidamente para a batalha.
A fila de preto avança destruindo o lugar. É fácil perceber o Freddie. Ele se movimenta com agilidade e graça pelo local. Ele está apertando o pescoço de um caçador quando se vira para me olhar. O caçador aproveita o momento de distração e crava uma faca de prata na barriga do Freddie. Shelby — suponho que seja ela, pois seu cabelo liso castanho ficou para fora do capuz — quebra o pescoço do homem e retira a faca do Freddie, que cambaleia ferido para o lado. Eu tento andar em sua direção, mas um caçador se joga em cima de mim. Eu corro, dou dois chutes na parede, viro um mortal e caio atrás do caçador. Eu tento atingi-lo, mas ele faz Woge. Ele me bate no rosto. Fico desnorteada. Caio no piso de carpete. As garras dele arranham minha bochecha destruindo o capuz. Deve ser um Blutbad. Eu agarro o pescoço dele até que ele fica sem ar enquanto suas garram cortam cada vez mais meu pescoço. O sangue quente molha minha roupa. Sinto escorrer pelo meu ombro. O Wesen está morto. Eu o solto. Minha pele se regenera, mas o sangue me sujou totalmente.
Levanto-me. Tudo que escuto são gritos de terror. Vejo minha alcateia brigar com Wesens. Vejo a sede sendo destruída. É quando percebo que a Carly sumiu. Eu vagueio a procura dela retornando para o andar de cima.
Carly está apanhando de um homem duas vezes maior que ela. Eu grito e corro em sua direção. Algo me prende pelo pescoço. É uma corrente. Eu tento me soltar, mas estou ficando sem ar. Minha visão está escurecendo. Não é uma corrente qualquer, é uma corrente de aço Valiriano, impossível de quebrar.
Alexander — do Conselho Wesen e braço direito de Jeremiah — aparece saindo de uma sala. Ele retira uma arma do paletó e olha para a Carly, em seguida para mim.
Eu continuo a tentar me soltar. Vou morrer por asfixia.
— Eu sabia... — murmuro sem ar — Sabia que você estava envolvido com Os Reais.
— Jura? — ele aponta a arma para mim. Um tiro por piedade. É melhor do que eu morrer aos poucos nas mãos de um caçador qualquer.
Alexander dispara a arma. A corrente em volta do meu pescoço fica frouxa. O corpo do caçador tomba para o chão.
Eu caio de joelhos buscando o ar.
Alexander se vira e atira no Wesen que tenta matar a Carly. Ele guarda a arma no paletó novamente. Ele me ajuda a se levantar.
— Mas eu pensei que... — procuro o que dizer.
— Eu luto contra Os Reais. Jeremiah é o traidor. — diz Alexander retirando meu capuz — Ele contou ao Conselho dos caçadores o que você planejava fazer, desde então eles estão mais alertas, hoje a segurança foi aumentada por que alguém de sua confiança contou a eles seus planos.
— Quer dizer que temos um traidor entre nós? — eu me distancio dele.
— Ou talvez mais do que um. — ele arruma o terno — Preciso ir antes que a situação piore. Estou tentando sair do Conselho Wesen há muito tempo, estou convencendo outros a fazerem o mesmo.
— Não seria mais fácil matar o Jeremiah? — eu pergunto.
— Não exatamente. Temos que começar por partes, a mudança vem de baixo, não de cima. Estou convencendo a todos a se juntarem a Muralha de Adriano, uma organização contra a família Real. Agora parece que uma organização chamada... — ele falha em segurar um sorriso — Os Mortos Batem à Porta estão mostrando o mesmo interesse.
Penso a respeito de quem eu realmente sou e do que eu vou fazer. Se eu serei realmente a rainha, tentarei proteger a tal Muralha de Adriano.
— Obrigado por ter me salvado. — eu agradeço.
Alexander apenas mexe a cabeça.
— Eu também agradeço. — diz Carly se juntando a nós.
— Disponha. — Alexander olha para o fim do corredor — Tem alguns escondidos nas paredes, perto do corredor tem um quadro, se você o girar abrirá uma porta que leva para outra sala.
— Não mencionava isso na planta do lugar. — eu digo.
— Tem dezenas de coisas que você não sabe sobre este lugar. — ele começa a andar — Se cuidem. — Alexander corre para as escadas.
Carly e eu nos entreolhamos. Corremos juntas para o tal quadro. É uma pintura de Van Gogh. Giramos a pintura para a esquerda. Uma porta se abre um pouco mais ao lado. Entramos nessa sala. Nesse momento uma corrente se bate contra o meu rosto e eu vou para o chão. Alguém agarra a Carly e coloca um pano contra o seu rosto. Ela desmaia. Eu tento me levantar, mas alguém chuta minha cara. Fecho os olhos implorando a mim mesma para não desmaiar. Sinto dois pares de braços me levantado. Sou arrastada para algum lugar. Minha cabeça pesa. Minha visão está embaçada.
Alguém me prende a outras correntes. Fico em pé. Abro os olhos e me deparo com uma espécie de porão. Carly está inconsciente em uma cadeira. Sua face está suja com um pouco de sangue. Um homem vestindo um terno cinza está ao lado dela. Ele tem uma espada na mão.
Olho para os meus pés. Duas correntes os prendem. Mesma coisa em minhas mãos que estão atrás das costas. Eu tento me soltar, mas fracasso. Aço Valiriano.
— Então a recompensa que corre daqui até a costa leste será minha. — reconheço o homem que fala como Bartolomeu Ferraz, o líder dos caçadores.
Eu cuspo em sua cara. Bartolomeu limpa a face e bate no meu rosto. Eu rosno e a fumaça surge. Porém o aço Valiriano empata a transformação.
— Eu vou te matar. — prometo para ele.
— Acho que não... — ele balança a cabeça.
— Já posso mata-la? — o homem com a espada pergunta se referindo a Carls.
— Sim. Vou apenas me divertir com a Samantha um pouquinho. — responde Bartolomeu.
Eu puxo as correntes de novo.
— Não! — eu grito com medo — Ela não tem nada haver com isso!
— Ela tem sim... — Bartolomeu vai até o homem com a espada, a pega da mão dele, entrega ao homem uma faca pequena e volta para perto de mim.
— Por favor, não a mate. Sou eu quem você quer. — eu estou praticamente implorando.
— Você matou quase todos nesse complexo, está na hora de perder um dos seus... — ele passa a espada pelo meu pescoço de leve, em seguida desce para o meu peito — Irei fazer o seguinte, você morre ao mesmo tempo em que ela morre.
— Não. — uma voz familiar diz entrando no porão.
Bartolomeu sorri e se vira devagar.
— Fredward... — ele ri como se já o conhecesse – Oh não... Acho que você vai ter que escolher.
Eu arregalo os olhos. Freddie está em pânico. Bartolomeu começa a empurrar a ponta da espada no meu peito, exatamente no meu coração. O homem de terno cinza coloca a faca ao redor do pescoço da Carly. Freddie não pode salvar as duas. Ele realmente terá que escolher.
Fredward me olha. Estou quase gritando "Salve a Carly seu idiota!", quando ele faz a sua escolha mais rápido do que eu pensava. Freddie corre para a Carly e mata o homem em míseros dois segundos. Bartolomeu apenas afunda a espada em mim. Não tenho tempo de gritar. Sinto a dor. Sinto o sangue circulando de maneira errada. Fecho os olhos e me entrego à escuridão. As correntes me mantém em pé, se não eu já teria tombado no piso de pedra. A minha alma quer sair do meu corpo.
....................
Escuto vozes.
— Temos que leva-la! — Wendy grita.
— Ficou louca?! — Freddie berra.
— Vou abrir o portal!
— Mas e a Sam?! — Freddie parece abalado.
— Não temos tempo! — a voz da Wendy está distante — Vão matar todos nós.
— Quantos?! — Freddie pergunta.
— Uma dúzia. Talvez mais. A família Real mandou reforços. — escuto o barulho do portal sendo aberto — Eu sinto muito Freddie.
— Espere! Não! — ele grita e depois tudo fica em silêncio.
Tento abrir meus olhos, mas como provavelmente estou morta — ou quase — eu não consigo. A espada está no meu coração e a sinto saindo pelas costas. Irei morrer aos poucos, pois meu coração vai se regenerar até não suportar mais o aço Valiriano.
Passos ecoam no porão. Vozes. Eles berram obscenidades. Dizem que eu estou morta. Escuto um rugido. Não. Não é um rugido. É um rosnado. Agora é um uivo. O uivo se repete. Gritos e sons de dilaceramento começam. Tudo fica em silêncio novamente. Minha audição é perfeita então sei que o som que ouço agora é o de alguém trocando de forma. Ouço o som do tecido passar pelas pernas.
A espada é retirada do meu coração. Eu consigo respirar, mas mesmo assim ainda acho que vou morrer.
— Pelo amor de Deus abra os olhos... — a voz calma de menino me diz — Não desista! Vamos Sam! Eu ainda ouço seu coração batendo! — ele consegue abrir as correntes e me tirar dela. Sinto alguém me deitar no chão com cuidado. Uma massagem cardíaca se inicia. Um, dois, três. Em sequência. Alternadas. Em sequência novamente. Ainda acho que estou sem ar. Uma boca quente, totalmente em chamas se junta a minha. Lufadas de ar são sopradas na minha garganta. Eu preciso acordar agora. Eu sou a melhor desta noite.
Abro os olhos e a primeira coisa que encontro é um par de olhos castanhos esverdeados.
— Gibby... — eu sussurro pegando sua mão. O rosto dele está arranhado. Os lábios estão vermelhos de sangue. Ele parece estar fraco e quase morrendo.
— Graças a Deus. — ele sussurra me abraçando contra seu peito nu. Seus braços me envolvem e ele me levanta rapidamente. Eu afundo meu rosto no seu peito. Inalo seu cheiro de pinho e mel. Ele está morrendo. Ele não pode morrer, não desta forma, não pode morrer por que foi tentar me salvar. Por que ele quer ser meu herói? Será que eu suportaria sua perda?
— Não precisava estar aqui. — eu murmuro fraca.
— Eu precisava estar. E não foi em vão. — ele me solta com pressa — Explicações ficam para depois, eu tenho que te tirar daqui. — Gibby me puxa pela mão antes que eu tenha tempo de opinar. Tem uma faca cravada nas suas costas, perto do seu coração. Eu ergo a mão e puxo a faca. Gibby grita e cai no chão. Tenho que o levantar enquanto o sangue escorre do corte aberto.
Saímos do porão e acabamos na sala que eu tinha entrado com a Carly. Gibby me leva para o corredor ao lado de fora, tem mais corpos do que eu pensava. Tem sangue por todo lado.
Eu paro e olho para o Gibby. Ele está usando um shorts jeans, a técnica de amarrar na perna realmente serviu pra alguma coisa.
— Você me salvou. — eu sussurro — Não precisava arriscar a sua vida, mas você quis... Por quê?
— Eu prometi... Não existem palavras para isso. — ele cora um pouco aguardando as feridas cicatrizarem — Eu apenas deixei o Guppy e o Dice com a minha mãe. Vim correndo para cá. Estava tudo um caos... — Gibby tosse com dificuldade para respirar — Foi quando disseram que tinham capturado você e a Carly. Eu fiquei louco. Vasculhei cada canto da mansão, ainda em forma de lobo. Eu vi os servos dos Reais entrando na sala dizendo seu nome, os persegui. Acho que vi Wendy empurrar o Freddie dentro do portal. Ele queria ficar, queria te ajudar, ele estava em pânico, mas parecia que segurava alguém nos braços. Quando a Wendy fechou o portal, os caras que entraram perderam o controle, cada um gritava uma coisa, foi quando os matei. Em seguida eu ouvi seu coração bater... Voltei à forma humana, vesti o shorts e retirei a espada do seu coração. E aqui está você... — ele finaliza e uma lágrima escorre do seu olho direito — Por que o Freddie não salvou você? — outras lágrimas aparecem — Eu precisei te salvar...
Eu olho para o Gibby. Sua coragem, seu amor por mim e sua lealdade são inigualáveis. Acima de tudo ele manteve sua promessa. Ele prometeu que me salvaria e de fato salvou. Queria dizer que estou confusa com tudo. Com a escolha do Freddie. Com a minha falha em proteger a Carly. Com o traidor no meio de nós. Mas eu não estou confusa. E muito menos irei beija-lo agora apenas por que ele me salvou. Não. Eu irei beija-lo por que eu o amo.
Eu não deixo Gibby falar mais nada. Eu o beijo com paixão. Diferente do beijo na varanda de casa. Diferente do beijo falso para passar os direitos de alfa. Esse beijo é diferente de qualquer coisa.
Gibby agarra minhas costas e me empurra na parede. Eu aliso todo o seu peito. Seus lábios são brasas acesas com poder. O beijo é além de qualquer coisa que eu tenha sentido. É forte. É como se estivéssemos a um passo do imprinting. Se ignorarmos o ambiente a nossa volta, esse beijo poderia ser o melhor que eu já tive o prazer de experimentar. As mãos dele rasgam a minha roupa preta, deixando a camisa e a calça normal que eu estava por baixo. Entrelaço minhas mãos no seu pescoço e ele ergue minhas pernas para que se passem em volta dele. A boca do Gibby acompanha a minha. Escuto um barulho no fim do corredor, mas não estamos a fim de parar. Gibby e eu sentimos a falta de ar, então deixamos nossas respirações se misturarem. Eu puxo seu cabelo com euforia. Seus braços fortes me dominam. Seu corpo em chamas e macio se gruda ao meu.
— Sammy! — grita Shelby.
Gibby me solta sem acreditar no beijo.
Shelby vem me abraçar emocionada. Ela está com as roupas um pouco rasgadas e com o capuz na mão.
— O que... — eu tento falar.
— Eu pensei que estivesse morta... Eu pensei... — ela choraminga no meu pescoço.
— Onde está a Carly? — eu pergunto me soltando da Shelby — Ela está bem?
Shelby suspira se recuperando da emoção.
— Ela está bem. Wendy apareceu na floresta através de um portal com Freddie e Carly. Apesar de que a Carly estava inconsciente.
— E os outros? — me preocupo.
— Estão na floresta. — ela passa a mão no rosto e se suja de sangue — Mas o Nevel sumiu...
E está na cara por que ele sumiu... Mas talvez eu esteja errada.
— Abandonem os arredores do complexo. Cada um tem que ir para um lado, se separem. — eu a aviso.
— Não se preocupe, matamos todos.
— Não importa. Vá.
— Está bem. — ela me abraça de novo — Você vem?
Troco um olhar com o Gibby.
— Iremos em breve.
— Olha... Eu não sei o que aconteceu aqui... — ela fica sem jeito — Mas não é da minha conta. — Shelby joga os cabelos pelos ombros como sempre faz e corre.
Eu encosto-me à parede para poder respirar.
— Era para o nosso primeiro beijo ter sido assim. — eu falo ao Gibby.
— Adiantou mentir para si mesma? — pergunta Gibby.
— Não. Não adiantou. — eu passo o dedo nos lábios — Eu via tudo o que temos como uma forte conexão, mas hoje, quando vi o que você fez... Quando eu vi o quanto eu tive medo que fosse morrer... A ideia de te perder era atordoante.
— Você me ama e está apaixonada por mim. — ele estende a mão para que eu a pegue.
— Sim. Essa é a verdade... — coloco minha mão na sua — O mundo precisa de mim e do Freddie juntos, mas você e eu temos algo muito além de qualquer explicação.
— Não quero explicação, deixe tudo como está. — Gibby começa a andar comigo — Temos que ir.
— É temos. — eu concordo e saímos de mãos dadas.
Passamos na casa do Gibby nos certificando que não fomos seguidos. Dice irá dormir lá, pois é uma casa segura contra vampiros e tem dois Grimms para o fim das dúvidas. Gibby tomou banho, trocou de roupa e me levou de volta para casa no fusca. Iremos para Portland em algumas horas, assim que toda a matilha estiver disponível.
Eu saio do fusca e o Gibby também. Fico na grama do quintal. Ele vem me abraçar, eu não recuo e o deixo cheirar meu pescoço.
— Vou sentir sua falta... — ele sussurra na minha orelha.
— Eu também. — aperto ele com força.
— Gostaria que tivesse se tocado que me amava antes... Mas por que agora?
— Acho que é por que o Freddie ama a Carls e eu vou embora, não há motivos para eu controlar o que sinto por você. — respondo da melhor forma que posso — Freddie meio que me pediu em casamento algumas vezes.
— Mas você negou... — ele passeia com os lábios pela minha bochecha.
— Eu apenas não respondi... Não faria diferença.
— Você ama mais o Freddie ou eu?
Eu penso antes de responder.
— Ah... Não é que eu ame menos o Freddie, mas você não cometeu tantas burrices como ele. Eu fico feliz que ele escolheu salvar a Carly ao invés de mim. Ele salvou a vida dela, mas foi a escolha que ele fez. Freddie a ama e vai protegê-la... E eu tenho que partir para proteger vocês.
— Nos proteger... — Gibby me faz olhar em seu rosto, ele está sorrindo — É o que você faz de melhor.
— Bom... — dou carinho no seu rosto — Quero que saiba que não vou embora para sempre, que eu irei voltar um dia... Eu irei voltar por você.
Ele não consegue esconder o choque ao ouvir isso.
— Eu amo você. — diz Gibby.
— Eu também amo você. — respondo feliz com esse antigo e ao mesmo tempo novo sentimento.
Ele retira os braços de mim e caminha para o carro.
— Se vemos no Mont Hood em Portland... Vai querer uma carona?
— Não. — eu nego sorrindo — Não quer ficar?
— Se eu ficar temo que nós não vamos para reunião nenhuma... — ele revela segundas intenções.
— Ainda temos tempo. — eu não vejo problemas.
— Mas só temos tempo por que é tarde demais. — ele me manda um beijo – Te vejo depois gata.
— Até depois lobo. — eu aceno sorrindo.
Ele liga o velho fusca e some na escuridão.
Eu vou para dentro da casa. Subo para o meu quarto. Tomo um banho demorado para retirar o sangue que se grudou na minha pele.
Eu visto uma calça jeans, uma camisa branca e uma jaqueta de couro marrom. Procuro botas confortáveis para eu ir até Portland. Escuto passos no telhado. Preparo-me para a batalha. Vou para a janela do corredor, subo pelas madeiras e fico no telhado.
Freddie está sentado observando as estrelas.
— Conseguimos. — ele murmura.
— Pelo visto sim. — me sento ao seu lado.
— Acho que no fundo eu sempre soube que você realmente o amava, só que estava tão focada em mim que não conseguia ver isso. — Freddie diz juntando as mãos.
— Shelby te contou? — pergunto preocupada.
— Ela não precisou. — ele parece magoado — Eu vi. — oh, então o barulho no corredor era ele.
— Você fez sua escolha, eu fiz a minha.
— Eu sei.
— Sabe mesmo? — resmungo baixo.
Deixamos o silêncio se estabelecer. Eu penso em me levantar e ir embora.
— Eu só não entendo como nós ainda nos amamos... — ele me olha.
— Nós? Nem sei se ainda existe um "nós". Seja lá o que sentimos, vai estar no passado agora.
— É... No passado.
— Você deveria saber que nada entre nós daria certo.
— Eu sabia, mas eu te amava.
— Há. — eu rio friamente.
— O que?
— Você disse amava, parece que é o fim mesmo.
— Eu imaginei que se eu te dissesse que ainda te amo, não faria diferença. — ele passa a mão no cabelo.
— E não faria.
— Você devia desligar a humanidade. — ele sugere algo perigoso.
— Acha que eu não consigo ligar com tudo isso?
— Ao contrário, você vai conseguir lidar, mas não precisa provar isso a ninguém. Deveria apenas deixar para lá.
— Vou pensar. — eu minto.
— Acho que já vou... — Freddie se levanta — Isso é um adeus?
— Você quer que seja um adeus?
Freddie arrisca pegar minha mão.
— Não.
— Eu via tudo que tínhamos como algo bom... Algo que seria bom no futuro, olhando bem, eu não tenho tanta certeza agora. — eu fico mais próxima dele.
— O futuro ainda não aconteceu.
— Ah.
— Eu ainda amo você. — ele arrisca me beijar rapidamente, eu sinto a textura fria dos seus lábios de mármore pela última vez — Domingo pela manhã eu passo para me despedir melhor.
— Não devia. — me distancio de sua presença.
— Mas eu quero. — ele tem leves tremores.
— Até domingo, Benson. — eu me despeço.
— Até domingo, Puckett. — ele pula do telhado e desaparece.
Eu volto para o meu quarto. Pego meu capacete, tranco a residência e retiro minha moto da garagem. Fico sentada nela aguardando o sinal. Um uivo ao longe corta o ar. É agora. Ligo a Harley, ajeito meu capacete e parto para Portland. No meu peito eu sinto uma dor, uma perda... Fredward. Não é simples esquece-lo, mas é assim que tudo deve ser. Wendy estava certa, eu vou embora. Irei para protegê-los.
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