42 - Violet Hill
27 Limbo
Notas iniciais
Parte 27: Alfa, Beta, Gama e Ômega.
Povs Sam:
Caminho para o meio do círculo. O Conselho da tribo está cantando canções antigas. A alcateia está presente.
— Que essa reunião seja convocada para elegermos um novo alfa. — o avô do Gibby anuncia — Samantha Puckett tem protegido a tribo com lealdade, porém é uma híbrida e seu erro em esconder isso requer um julgamento, mas esse julgamento virá da parte do novo alfa. Cornelius venha para o meio de nós.
Gibby caminha para próximo da fogueira.
— Sam, você sabe o que fazer. — ele me chama.
Eu dou um aceno com a cabeça. Aproximo-me dele. Coloco-me de joelhos. Vejo Jade virar o rosto com pena.
— Eu Samantha Joy Puckett, desonrei a tribo Klautriny ao jurar protege-los. Sou metade vampira e coloquei pessoas em risco. Não mereço o título de alfa e muito menos o reconhecimento de alguém. Permaneci longe da tribo, pois eu não podia entrar em solo sagrado. Permaneci longe das terras da reserva para não colocar ninguém em perigo. Cumpri minha posição da melhor forma possível, hoje a entrego a um descendente legítimo, Cornelius Orenthal Hayes Gibson. — no final minha voz sai como um sussurro.
O senhor Gibson joga algo sobre a fogueira. As chamas tomam forma de lobo e envolvem o corpo do Gibby. Algo se desprende de mim. Não sei quando comecei a chorar, mas eu sei que é a dor de não possuir mais uma alcateia.
— Levante-se Samantha Puckett. — Gibby ordena e eu me levanto, seus olhos prendem os meus — Agora que sou o alfa, prometo proteger tudo e todos, darei minha vida, meu nome e minha lealdade à tribo Klautriny. — ele pega minha duas mãos — E você Samantha, como acusada de um crime será julgada por mim.
Os murmúrios começam. A minha... Não, eles não são mais minha matilha. São apenas meus amigos. Eles estão resmungando sem acreditar no que o Gibby vai fazer.
— Eu aceito o julgamento. — eu digo em voz alta.
— Os seus crimes são colocar em risco a vida da alcateia sendo metade vampira, se aliar com os vampiros e prometer favores aos nossos inimigos. Você será julgada pelo novo alfa de acordo com a vontade dele. — Caleb, um dos anciãos me diz.
— Eu Cornelius Orenthal Hayes Gibson, declaro você... — Gibby trava, mas tem que fazer isso — Culpada.
Meus amigos vaiam o veredicto. Gibby ergue as mãos por que eles não param de vaiar. Ele ergue o braço.
— Você só pode estar brincando! — Griffin reclama.
— Silêncio! — Gibby ordena e abaixa o braço, todos caem de joelhos — Sua pena agora que é culpada, será nunca mais se transformar em loba novamente até o dia de sua morte. Que isso seja escrito e passado de geração a geração por toda a eternidade.
— Por toda a eternidade. — repete todos do Conselho juntos.
— Gibby... — Dice sussurra ainda de joelhos — Você praticamente condenou Sam a morte, se ela não se transformar vai envelhecer como uma pessoa normal.
— E que assim seja. — ele murmura, mas vejo a dor em seus olhos — Agora teremos a reunião dos novos planos, permaneçam aqui.
Eu não me despeço deles, apenas volto para a minha moto que está estacionada a mais de um quilômetro de distância daqui. Começo a caminhar. Quero desmaiar de tanta dor. A alcateia não é minha. A perda é sufocante. Se tirassem um pedaço de mim não seria tão ruim quanto isso. Morrer ainda não seria o suficiente. Eu tentei ajudar a todos e no final recebi isso, eu sei que não mereço reconhecimento, mas vai ser difícil lidar com tantas coisas.
— Eu quero te pedi perdão, mas foi necessário. — Gibby diz de repente, eu não o escutei chegando.
— Você não tem que pedi perdão, eu daria a mesma sentença se eu tivesse no seu lugar. Desonrei a tribo e agora irei pagar por isso. — lhe respondo andando mais rápido.
— O Dice tem razão, eu te sentenciei a morte... É como se eu tivesse te matado.
— Não seja tão dramático como ele, um dia eu iria ter que envelhecer, eu mesma não gostaria de viver para sempre.
— Por quê? — ele entrelaça nossos dedos.
— A eternidade só é boa quando se tem alguém ao seu lado para vivê-la... E eu pensava que esse alguém seria o Freddie.
— Mas você não vai mais viver para sempre e vai ter que aturar o Gatlin.
— Ele não é pessoa ruim... — eu desconverso — Só está seguindo a tradição da família. Como dizer para alguém que algo é errado se ele passou a vida toda vivendo assim?
— Olha quem você está defendendo. — Gibby ladra uma risada.
Eu não digo nada. Deixo o silêncio permanecer enquanto prosseguimos até a moto.
Eu subo e pego o capacete. Gibby me abraça com força. Eu beijo seu pescoço, seu rosto e por fim seus lábios. É um beijo simples, apenas uma despedida. Não voltarei a vê-lo de novo nem tão cedo.
— Você sentir falta disso. — me refiro o beijo.
— Eu também. — ele fecha os olhos e me beija de novo — Sabe que pode voltar... Podemos dar um jeito, podemos lutar.
— Eu sei que podemos, mas não quero ver nenhum de vocês perecerem. — eu coloco meu capacete — Tome conta deles alfa.
— Tomarei até que o verdadeiro apareça e nos salve. — Gibby me ajuda a subir na moto.
— Espero que ele venha em breve.
— Ou ela né... — ele alisa meu rosto já que o capacete é aberto dos lados.
— Acha que é uma garota?
— Não sei... Poderia até mesmo ser você. — Gibby me da um selinho — Não faça nenhuma besteira.
— Tudo bem. — ligo a Harley — Não perca o controle garotão.
— Jamais.
Trocamos um último beijo e eu acelero a moto.
Acordo sabendo que tenho que ir à Place Of Towers. Arrasto-me pela casa após me arrumar. Tomo apenas uma xícara de café. O silêncio me acompanha. Eu saio da casa sem me importar em tranca-la. O vazio no meu peito continua.
Eu vou de moto até a Eliott Bay. Estaciono a moto a poucos metros da entrada da mansão. Homens de terno me observam.
— Posso ajudar? — um deles pergunta me olhando com desdém, é o primeiro que vou demitir quando eu assumir a porra toda.
— Diga ao príncipe Gatlin que Samantha Puckett trouxe o que ele queria. — eu respondo.
Os homens mexem a cabeça e apenas um entra na mansão, o outro fica me vigiando.
Alguns minutos depois o homem de terno retorna.
— Ele está a sua espera na última sala do segundo andar. Tem um quadro de Picasso ao lado.
— Obrigada. — eu adentro na mansão.
Percorro o lugar até a sala. Gatlin está sentado jogando uma bolinha na parede. Quando me vê se coloca de pé. Ele parece diferente demais usando uma camisa social meio amassada.
— Perdão pelo meu estado. Eu dormi por aqui mesmo... Muito trabalho com algum grupo radical chamado Os Mortos Batem à Porta. E eu achei que Muralha de Adriano era o problema... – Gatlin encosta-se à parte da frente da mesa — Conseguiu o que eu queria?
— Não escutou o que seu guarda te disse? — sou rude com ele.
Gatlin suspira com minha ousadia.
— Quero ouvir de você.
— Eu trouxe a filha bastarda.
— Interessante senhorita Puckett, mas eu não a vejo, só estou vendo você... — ele está confuso.
— É só ligar os pontos, Gatlin. — ando pela sala para observar um quadro na parede — Sou eu quem você procura. E não estou inventando isso para salvar meus amigos.
— Não... Você não está inventando. — ele se junta a mim sendo menos gracioso do que no dia em que nos conhecemos — Você continua me surpreendendo.
— Claro, claro...
Gatlin mantém a postura e olha para a pintura comigo.
— Você gosta?
— Não sei dizer... — respondo observando o campo de tulipas que me lembra de Violet Hill — Não entendo como as pessoas conseguem sobreviver apenas pintando quadros...
— A arte não é uma questão de sobrevivência. É sobre a transcendência. Sendo mais do que animais, elevando-se acima. — ele me fala.
— Claro, sempre no topo. Que outra coisa o ser humano buscaria?
— Nada... O ser humano insiste em buscar poder.
Eu opto por mudar de assunto.
— Agora eu serei obrigada a me casar com você?
— Ninguém vai te obrigar a nada, Sam. – ele sussurra e eu evito corar.
— Eu poderia assumir o trono sem o casamento?
— Claro. A coroação vem em primeiro se você achar melhor.
— Mas em algum momento eu terei que me casar com você.
— Isso foi uma pergunta ou uma afirmação? — ele coloca as mãos atrás das costas.
— O que você acha?
— Sim. Você terá que se casar comigo em algum momento... Mas primeiro iremos nos conhecer ou no mínimo nos tolerar. Você está apaixonada por alguém, vai ser difícil para esquecer. — ele vê mais do que eu pensava.
Eu começo a suar frio.
— Acha que irei sentir falta do Freddie?
— Certamente, mas não só dele. — ele da um passo para frente — Durante o baile eu te perguntei se estava apaixonada por alguém, você hesitou. Quando me respondeu no jantar parecia o tipo de "não" que as pessoas usam ao fugir de situações. Eu não te culpo por amar outra pessoa, o Freddie não era a melhor escolha para você e ele ama a Carly como você me disse.
— E você se acha a pessoa certa para mim?
Gatlin nega com a cabeça.
— Não tenho uma resposta para isso, mas sei que o lobo por quem você é apaixonada também não é... Ele não teve imprinting por você.
Eu tremo com medo.
— Então parece que existe mesmo um traidor contando tudo para vocês.
— Se sentiria melhor se eu dissesse que o traidor será morto pelos meus servos? Por que se ele desonra o seu lado, quem garante que não vá desonrar o meu? Ele é uma ameaça à coroa.
— Pode me dizer quem é? — eu peço mesmo já sabendo quem é o traidor. Eu só não quero estar errada.
— Um sábio uma vez disse, para não fazer perguntas quando não quer saber a resposta.
— Bela frase. — eu encaro seus olhos azuis piscina — Quando partimos?
— Para Viena? Amanhã à noite... — seus olhos parecem frios.
— Então eu posso fazer uma coisa antes de ir?
— Envolve deixar a mansão?
— Gatlin... — eu murmuro e ele faz uma careta — Vossa alteza — eu ironizo — Vá se acostumando por que eu não vou te chamar de príncipe.
— Dá para superar. — ele balança a mão não dando importância.
— Eu já me entreguei, mas preciso resolver algumas coisas... Não vou fugir, estarei de volta amanhã de manhã. Eu prometo. — termino de falar e seguro a mão dele.
— Você pode ir Sam, não é prisioneira aqui. — ele da de ombros e finalmente sorri — Mas posso saber o que irá fazer?
— Passar o dia com umas amigas e encontrar um velho amigo, talvez ele tenha as respostas que eu preciso.
— E eu espero que encontre as respostas que procura. — ele me abraça como fez no jantar — Boa sorte. Se vemos amanhã.
— Eu te acho uma boa pessoa. — murmuro quando o abraço termina — Você foi criado assim, não tem culpa.
— É o que as pessoas dizem quando não me conhecem. — ele volta para a mesa dele — Aproveite o dia, pela manhã mandarei um carro buscá-la, pegue suas coisas se quiser.
— Comprou as passagens para que horas?
Ele ri e me da mais um de seus sorrisos.
— A família Real tem seu próprio jato.
— Deu por hoje. — eu me viro e saio da sala.
O casebre está mais uma vez iluminado com velas. Eu mesma acendi cada uma e preparei as coisas para Wendy. Hoje eu irei entrar no outro lado, mas totalmente e não apenas meu espírito. Preciso de respostas e apenas Hayes pode me oferece-las.
O portal magenta se abre. Carly, Wendy e Guppy pisam na madeira desgastada do lugar.
— Tem certeza que deseja mesmo fazer isso? — pergunta Wendy.
— Somente o Hayes pode me ajudar agora. — respondo um pouco nervosa.
— Quando você pretende partir? — Carly finge não querer chorar, ela perguntou isso durante o dia todo.
— Amanhã. — vou abraça-la – Já conversamos sobre isso hoje... Você vai ficar bem Carly. O Freddie vai tomar conta de você.
Carly não suporta e chora no meu ombro. Wendy se comove e vem nos abraçar. Guppy observa tudo em silêncio.
— Ok... — Wendy dá batidinha nas minhas costas — Nada de choro. Precisamos fazer isso funcionar.
— Como vai ser? — Guppy pergunta.
— Iremos mandar o corpo da Sam para o outro lado. — Carly diz retirando livros antigos da mochila.
— Você vai nos servir como uma luz. Será mais fácil convocar diretamente o Hayes se possuirmos um descendente. — fala Wendy ao Guppy.
— E como o Gibby não está aqui, você é nossa única opção. — finaliza Carls.
— Corro algum risco? — Guppy fica com medo, ele é muito fofo.
— Não. — Carly o assegura.
— Não era mais fácil ter feito isso quando ressuscitamos o Dice em fevereiro? — eu reviro os olhos.
Wendy me da um peteleco na orelha.
— Eu não tinha poder suficiente e muito menos outra Hexenbiest. E lá nós iriamos ressuscitar alguém, era mais complexo. Aqui vamos te mandar para lá com a intenção de uma comunicação breve.
Balanço a cabeça.
— Entendi.
— Usa isto aqui. — Carly me entrega um colar com duas pedras, uma vermelha e uma preta — Quando terminar de conversar com o Hayes, pressione diversas vezes uma pedra na outra, elas irão acender e isso nos mandará um sinal.
— E ai saberemos quando te trazer de volta. — Wendy murmura.
— Ok. — vou para o centro da sala.
Carly se abaixa e faz símbolos a minha volta, inclusive um círculo. Wendy diz ao Guppy que ele precisa dar as mãos para mim. Ele se coloca em minha frente e eu pego suas mãos gordinhas.
— Potestatem mittere in nostris finibus terræ. — Carly começa a dizer baixinho.
— Erraverunt in te ordinare super inquisi tionem eorum quae vocamus. — Wendy fala mais alto, o círculo a minha volta começa a faiscar. Tá pegando fogo bicho. Wendy joga algum líquido em cima. As chamas ficam azuis.
— Rogamus autem vos joins Hayes Ezekiel Gibson. — Carly se levanta e toca meu ombro.
— Nec iam hinc inter oram peragere inceptum...— sussurra Wendy e eu caio no chão antes de poder dizer qualquer coisa.
Sinto a grama macia e úmida nos meus dedos. Escuto sons. Água, máquinas de obras pesadas, barulhos magnéticos, corvos gralhando e as folhas balançando com o vento.
Abro meus olhos. Deparo-me com uma floresta escura. É apavorante. Eu sinto frio. Levanto devagar. Olho em volta. Há algo familiar neste lugar... Eu já estive aqui antes. Eu estive aqui durante dois segundos. É a dimensão pela qual a Carly passa durante o teletransporte.
— Sam! — escuto uma voz familiar me chamar, alguém me vira com certa brutalidade.
— Hayes... — eu sussurro e me afundo no seu abraço — Eu sinto muito... — começo a chorar — Você sempre soube... Sempre soube que fui eu que matei a Melanie. Era para você ter vivido com ela, ter sido feliz e eu tirei isso de você.
— Shhh. — ele me balança de leve — Eu sempre soube que tinha sido você, mas jamais te culpei por isso Sam... No momento temos problemas maiores, como por exemplo, que diabos estavam pensando quando me arrastou para o Limbo?!
Fungo um pouco. Desfaço o abraço. Seco minhas lágrimas.
— Não sei o que deu errado. Carly e Wendy deviam ter me colocado do outro lado e não aqui... Que lugar é esse?
— É algum tipo de submundo para onde os maus vão. Tudo aqui pode causar a morte e daqui segue-se o juízo. — ele fala baixo e olha em volta — Eu já ouvi histórias sobre aqui.
— Mas como isso é possível? — começo a falar baixo também.
— Até onde sua crença na bíblia vai?
— Vai ao que está escrito em cada página, por quê?
— Humanos só têm dois lugares para ir... Nós criaturas do mundo sobrenatural temos diversos. Se praticarmos o bem, vamos para o outro lado, se praticarmos o mal somos enviado ao Limbo, se somos terríveis demais para conviver com outros somos mandados direto ao inferno. — Hayes treme um pouco — Nesse momento estamos onde os maus habitam, aqui é questão de sobrevivência. A qualquer momento homens com zarabatanas ou flechas surgem para tentar te matar. Vermes que habitam as árvores se grudam na sua cabeça sugando sua vontade. Aranhas de proporções gigantescas aparecem sem explicações... Inundações sem lógicas. Perda da gravidade. Resto de fábricas e hotéis abandonados como se fosse aquilo que o ser humano jogou fora. Tudo isso habita aqui no Limbo.
— Estamos em perigo? — eu pergunto me irritando com os barulhos no fundo.
— Estamos. — ele olha para o meu colar — Como vai voltar?
— Carly e Wendy vão conseguir me levar de volta com isso. — eu mostro o colar.
— Não devia ter vindo.
— Eu tenho perguntas.
— Então as faça.
— Não sei por onde começar. — me sinto horrível — Abandonei a alcateia para me juntar ao inimigo. Nada é mais errado do que isso.
— Você os abandonou para protegê-los. Qualquer outro faria isso em seu lugar. Eu tenho orgulho de você Sam. Sempre irei ter. — ele é sincero o que faz meus olhos se encher de lágrimas novamente.
— Você foi como um pai para mim. Foi meu amigo, meu protetor e mentor. Você foi leal. — minha voz se embarga.
— Todo lobo possui isso no sangue. — ele diz a mesma coisa que eu falei ao Gibby.
— Só me diga que estou no caminho certo, que no final tudo isso vai se tornar algo bom.
— Eu não prevejo o futuro, Sammy.
— Eu só não quero perder meus amigos a toa.
— Você não está perdendo seus amigos, está perdendo sua família. — ele chuta o pau da barraca.
— E nem quero perder o cara que eu amo.
— Se refere ao Freddie? — Hayes cruza os braços — Por que seja lá o que você acha que sente pelo Gibby, não é real... Assim como o amor do Freddie pela Carly. Isso que vocês estão sentindo é uma coisa passageira, é uma válvula de escape.
— Como sabe disso tudo?
— Tem muita coisa para se observar do outro lado...
— Está dizendo que eu não amo o Gibby?
— Não. Claro que você o ama, só que não é um sentimento para sempre... Ele não teve imprinting por você então não fique surpresa quando esse conto de fadas que você acha que vai viver, lutando por seu amor pelo Gibby enquanto é obrigada a se casar com o Gatlin, acabar. — Hayes extrapola comigo sem medir as palavras.
— Perfeito... Eu não tenho um futuro com ninguém... Realmente terei que me apaixonar pelo Gatlin! — cuspo no chão.
— Fale baixo. — Hayes me repreende como fazia antes, me sinto uma criança perto dele — E perdão Sam, mas você não se apaixonaria pelo Gatlin nem fodendo.
Eu arregalo os olhos ao escutar tal coisa vinda da parte dele.
— Eu serei condenada pelo resto da vida a ser a ex-alfa da alcateia que não serviu para merda nenhuma.
— Você nunca foi a alfa. — agora ele corta minhas pernas.
— O que? Como não? Você mesmo disse...
— É complicado...
— Me explique. — eu bato o pé.
— É como partículas de radiação... Um poder grande em cada pessoa. Foi depois de morto que fui entender, foi quando eu vi como tudo estava funcionando, foi quando conversei com outros lobos... Esqueça tudo que te ensinaram até agora por que é mentira. — ele olha dentro dos meus olhos — Você não faz ideia do poder que possui.
— Se eu tenho poder, o que eu sou? O que o Gibby é? E quem é o Alfa? — faço todas as perguntas que eu quero.
— Gibby não é um beta. — Hayes responde fora de ordem — Ele é algo chamado Gama. Tem poder demais, assim como eu tinha, é forte por que é meu descendente legítimo, a alcateia é dele por direito... — sua orelha direita se contrai como se ele escutasse algo — Tori Vega... Essa garota tem algo forte no sangue, é assustador demais... — ele revela me fazendo tossir — Se o Gibby quiser descanso, ela é a verdadeira beta, pois sua descendência tem poder em muitas coisas.
— A mãe dela era da tribo Klautriny, o poder vem disso? — estou grogue de tanta informação.
— Também, mas o pai dela... August veio de uma linhagem peculiar, estou buscando respostas aqui, procurando saber de onde ele veio. Quando for para Viena, quero que faça um favor para mim... Não posso deixar Seattle estando preso do outro lado, então ache uma forma de me mandar um sinal ou coisa do gênero. O castelo em que você irá morar tem uma biblioteca com livros possuindo histórias de gerações, a família de August está em um desses livros. — ele vira o rosto para o lado direito tentando enxergar alguma coisa.
— Eu prometo que irei procurar... Mas talvez eu deva perguntar ao Fredward, August era pai dele. — relembro,
— É uma boa ideia, se você ainda estivesse em um relacionamento com ele, porém você parte amanhã. — murmura Hayes se preocupando com alguma coisa — E sobre você... Sam. — ele olha para mim de novo — Você é a Ômega. Pode possuir qualquer alcateia mesmo que a mesma não seja vinda da tribo Klautriny.
— Então eu tenho poder como o Gibby? — estou chocada com tudo.
— Menos quando o assunto é a sua ex-alcateia, ele ainda permanece tendo um pouco mais de poder, não que seja algo a ser feito, mas você poderia pegar a alcateia emprestada no fim de semana, uma vez ou outra. — ele ri. Pela primeira vez após mais de um século eu o vejo rir de verdade – Eu tinha palpites sobre quem é o Alfa, eu pensei que era Tori... Temia que fosse o Gibby... Mas você...
— Opa. – ergo as mãos — Gibby é o Gama, Tori é a Beta e eu sou a Ômega... — tento encontrar sentido nisso.
— Exatamente desta forma. — ele mostra orgulho de mim novamente.
— O Gibby pode ser o Alfa... A profecia diz que o Alfa terá imprinting, talvez ainda vá acontecer...
— Você quer que aconteça? – ele me encara cínico.
— Não quero... Mas é preciso.
— Você sabe que um dia esse seu amor por ele fará sentido, no momento é apenas ridículo.
— Já pode parar Hayes. – eu chuto uma pedrinha no chão.
— Como você está lidando com o Freddie? O fato de ele amar a Carly...
— Eu não vim aqui para falar disso...
— Não. Não veio. – ele ri achando algo engraçado – Mas você quer falar disso.
— Eu vim buscar respostas... Algo tem que acontecer no futuro. Tenho que encontrar uma saída. – eu estou quase chorando de novo – Eu sinto que tem algo em mim prestes a explodir... Algo diferente. Hayes eu só quero saber quando o Alfa vai chegar... Você sabe que eu não posso deixar Seattle, sabe que morrerei de causas naturais com o passar do tempo. Sabe que morrerei por todos.
— Eu tinha me esquecido disso. – ele afunda o rosto nas mãos – Você por ser a Ômega tem que permanecer aqui... Você está indo embora sabendo que vai morrer?! Para de querer bancar Jesus Cristo! Você não tem que se sacrificar por eles!
— Sim eu tenho. É o mínimo que posso fazer.
Hayes segura meu braço.
— Você já fez demais. Lute. Permaneça aqui e lute.
— Mas a visão da Wendy...
— Não! – ele começa a ficar bravo.
— Eu preciso ir.
— O Conselho dos 42 estava certo... – ele sussurra – Tem algo forte em você... Falta pouco para se revelar, mas se morrer nós nunca iremos saber o que irá vir de você.
— Não me venha com teorias, não sou Sherlock Holmes.
— Você não percebeu ainda Sam? – Hayes pretende revelar algo.
— Não percebi o que?
— O que tem dentro de você?
Eu suspiro sentindo algo possuir meu sangue.
— Dentro de mim...
— Como é esperar alguém que esteve sempre aqui? Sempre esteve com você. Como é esperar o Alfa?
— Eu... – meu corpo começa a tremer.
— Sam. — ele me chama sério como se tivesse notado alguma coisa em mim.
— Diga.
— Tudo faz sentido...
— O que faz sentido?
— Eu sei quem é o Alfa. — diz Hayes me olhando chocado.
— Quem? — eu pergunto. É agora ou nunca.
— O Alfa é... — Hayes se detém e se joga em cima de mim. Uma flecha passa zunindo acima da sua cabeça — Merda!- ele rasteja pelo chão e me empurra, acabo rolando por uma descida na grama e bato em um toco de árvore.
— O que está acontecendo? — eu tento me levantar, mas Hayes segura minhas mãos.
— Eles nos encontraram... — sussurra ele — Você precisa voltar agora.
— Mas...
— Nada de mais. Obedeça! — ele começa a passar uma pedra do meu colar sobre a outra.
— Sam? — uma garota me chama da escuridão do Limbo.
— Melanie? — eu arfo — Melanie! — eu grito empurrando o Hayes e tento subir o barranco — Eu estou indo Melanie!
— Não! — Hayes tenta me agarrar- Não é ela, Sam! Não é ela!
— É ela sim! — eu berro quase chorando — Melanie! Eu estou aqui!
— É uma alucinação! Colocaram aqui para te pegar! — Hayes tem que me jogar no chão de novo.
— Não! Melanie! — eu grito.
— Ela não está aqui! — Hayes grita comigo.
— Como pode saber disso?!
— Porque ela está do outro lado comigo! — ele fala saindo de cima de mim e começa a fazer as pedras se acenderem. A luz das pedras fica mais forte. Homens deformados aparecem no barraco — Vá embora Sam! — Hayes se levanta e joga uma pedra contra os homens.
— Hayes! — eu berro enquanto a luz das pedras aumenta.
— Não olhe! — ele ordena lançando outra pedra.
— Espera! — eu imploro sentindo meu corpo ficar pesado, Carly e Wendy estão me puxando.
— Não! — ele se ajoelha na minha frente e uma flecha atravessa seu peito. Hayes cai no chão.
— Hayes! — eu grito como se os meus pulmões estourassem. Tento abraça-lo.
Sou trazida de volta e continuo gritando.
— Sam! — Shelby me segura, com a ajuda de Carly e Wendy — Calma! Te trouxemos de volta!
— Não! — eu continuo berrando lágrimas descem dos meus olhos — Ele morreu! Ele está morto! Não!
— Hayes está morto? Mas como isso é possível? — Wendy não compreende.
— Ele morreu para me salvar... Algo deu errado... — eu continuo chorando — Vocês me mandaram para o Limbo. Por quê? Por quê? Oh meu Deus, por quê? — eu choro fortemente sentindo todas as emoções me destruírem.
— Eu disse que a corrente entre o bem e mal poderia levar a Sam para o lugar errado. — Guppy murmura.
— Que droga! Ele se sacrificou! Não! — eu volto a gritar em lágrimas.
— Ela está em choque. — Shelby reclama — Abra um portal para a casa dela agora Wendy!
— Mas... — Wendy tenta argumentar.
— Anda logo! — Shelby berra.
Wendy abre um portal e Shelby me leva para dentro dele.
Shelby me coloca na cama. Eu prossigo chorando sentindo dor.
Carly entra no meu quarto e tenta me consolar. Mas eu a empurro. Não quero consolo de ninguém.
— Eu o perdi. — eu mordo o travesseiro e abraço a mim mesma — Eu o perdi duas vezes. Por minha culpa ele morreu duas vezes... Duas vezes... Oh cara, duas vezes não.
— Eu disse para não usarem esse feitiço e Guppy avisou... — Shelby diz — Vocês não possuíam um equilíbrio. Carly estava como uma força do mal, Wendy como uma força do bem, foi por pouco que não mandaram a Sam para o inferno.
— E literalmente. — diz Guppy.
— Saim daqui! — eu berro com elas- Todas vocês!
— Melhor fazerem o que está pedindo. — Shelby avisa.
Carly some em seu teletransporte levando o Guppy com ela. Wendy abre um portal e desaparece.
Eu não consigo parar de chorar. Shelby suspira sem saber o que fazer.
— Sai... Sai daqui. — eu imploro chorando.
— Não. — Shelby se nega — Você sabe o que precisa fazer.
— O que? — minha voz sai errada entre o choro.
— Você precisa desligar a humanidade.
— Não posso.
— Pode. — Shelby me puxa da cama.
Eu a enforco com as mãos trêmulas.
— Me deixa em paz! — eu berro sem enxergar direito por causa das lágrimas.
Shelby acerta um tapa no meu rosto que me faz vê estrelas. Eu caio sentada no chão.
— Desliga logo essa merda! Você acha que tudo vai ficar bem, mas não vai! Você vai perder seus amigos, as pessoas que ama, vai ser obrigada a se casar com alguém que não ama. Sua vida já era Puckett! E você é muito idiota para não perceber isso! — Shelby não se contém.
— Não... — eu volto a chorar.
— Está à espera do que? Acha esse seu amor pelo Gibby vai dar em alguma coisa? Ele não teve imprinting por você, ou seja, ele nem te ama de verdade... — ela continua dizendo coisas pesadas — E o Freddie ama a Carly. Ele é perfeito para ela, como ninguém jamais será a menos que um imprinting aconteça. — Shelby se abaixa para me olhar — E você quando amava o Freddie, estava tão cega que não viu as coisas que ele fazia... Quem você acha que tirou suas coisas do telhado no baile de máscaras?
— Eu sei que foi ele... — tento segurar o choro, mas é impossível.
— E quem você acha que mordeu o Dice?
Eu levo a mão à boca e me permito continuar chorando.
— Ele disse...
— Não... Ele não o matou. Eu matei o Dice quando fui tentar fazer o garoto ficar quieto, Freddie o mordeu para que ele morresse mais rápido. E depois ele machucou a Carly... Fez negócios com a família Real. — ela diz para me quebrar — Não finja estar surpresa, ele já conhecia o Gatlin, já conhecia aquela mansão como a palma da própria mão. Freddie tentou apaziguar as coisas, mas só ficava mentindo para você. Sem contar que ele te desobedeceu, mentiu e escondeu tudo que pôde, mas hoje... Ah, por favor, Sam, nos poupe e se poupe, hoje foi à gota d'água, ele preferiu salvar a Carly ao invés de você. Ele te deixou lá para morrer... Essa é a verdade, ele nunca te amou, nunca te deu valor, para de se doer por ele, pare de se doer por todos. — Shelby se coloca de pé — E você perdeu sua matilha, a dor vai ficar pior com o passar do tempo.
Eu me levanto tremendo. Quero me transformar, mas não posso. Todas as coisas que ela diz faz algum sentido. Freddie só me destruiu. Ele é culpado de todas as coisas que ocorreram. Sempre foi culpado. Eu sinto um buraco se abrir no lugar onde deveria estar o meu coração... A verdade vai me matar.
— Me deixe sozinha... — eu peço totalmente rouca.
— Não. Desliga! — Shelby agarra minha blusa — Agora.
— Não. — me nego.
— Desliga!
— Não!
— Desliga! — ela acerta outro tapa no meu rosto.
— Nunca! — eu grito pela última vez, mas não suporto mais o vazio dentro de mim. Eu aceito que não tem mais o que ser feito. Eu não preciso nem pensar duas vezes, meu corpo sabe o que fazer. As emoções param como se alguém tivesse puxado uma alavanca ou apertado um botão. É como estar livre, leve e solta. Minhas ações são minhas ações e jamais deverei explicações a ninguém de novo. Eu vivi todos os meus dias no Freddie, mas agora viverei todos os meus dias em mim. Que se foda o mundo, eu irei viver a minha vida. Que se foda toda essa merda.
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