42 - Violet Hill
28 Adeus Velhos Dias
Notas iniciais
Parte 28: Seu pior pesadelo.
Povs Sam:
— Como se sente? — Shelby pergunta sorrindo.
— Melhor impossível. — mostro outro sorriso.
— Antes da sua partida, vamos comigo para um lugar.
— Que lugar?
— Você vai ver. — ela vai para o meu guarda-roupa e me joga um vestido.
— O que vamos fazer? – pego o vestido nas mãos.
— Iremos fazer justiça. – a voz dela fica fria.
Estou sentada no banco de um bar. Bebo um Martíni. Shelby observa dois rapazes que conversam a alguns metros de nós.
— O que exatamente vamos fazer? — eu pergunto. Estou entediada aqui, eu poderia estar curtindo minha vida e não em um bar sem fazer porra nenhuma.
— Sei que agora você virou as costas para os sentimentos, mas também sei que você jamais gostaria que alguém te tocasse sem seu consentimento. — Shelby coloca uma azeitona na boca só para disfarçar.
— Como assim me tocar? — beberico meu Martíni.
Shelby olha dentro dos meus olhos.
— Se alguém tentasse te violentar, o que você faria?
— Eu matava a pessoa. Por quê?
— Aqueles caras ali... — ela aponta para os dois que estávamos observando — Costumam convidar universitárias para sair a noite com eles... As garotas aceitam achando que vão se divertir, quando na verdade eles as drogam e depois as usam. Cat disse que uma amiga dela passou por isso na mão deles, até agora nenhum deles pagou por nenhuma das coisas hediondas que cometeram. Se a justiça não faz nada, nós faremos.
— Vamos fazer eles nos pagarem uma bebida depois os matamos? — finalmente me animo um pouco.
— Matar talvez seja exagero, mas iremos assusta-los.
— Tudo bem, qual é o plano? — mordo o lábio.
— Eles têm uma fixação por loiras, não gostam de morenas... Faça-os abrirem uma exceção para mim hoje. — Shelby toma o resto do meu Martíni.
— Deixa comigo. — eu saio do meu banco e caminho para perto dos rapazes.
Um deles me vê chegando. Eu me sento em outro branco e troco um olhar com ele. O cara tem cabelo castanho muito claro e olhos azuis, mas não estou afim de me aderir a detalhes. Matar um deles é meu objetivo principal.
— Posso te pagar uma bebida? — ele me pergunta se sentando ao meu lado.
— Pode me pagar duas. — eu respondo usando meu charme.
Os olhos azuis dele cintilam como um caçador que olha para a caça.
— Hey. — ele chama o barman — Duas Blood Mary.
— É pra já. — o barman começa a preparar.
— Quem é o seu amigo ali? — eu olho por cima do ombro dele para o outro cara. Esse tem cabelos pretos e olhos verdes.
— É o Lense. — ele me diz sorrindo.
— Eu tenho uma amiga que está precisando de uma bebida. — jogo meu cabelo para o lado e faço um sinal para que Shelby se aproxime.
Lense se junta a nós e não parece muito animado.
— Eu prefiro loiras. — ele murmura.
— Tem certeza? — pergunta Shelby colocando o dom em ação.
Vejo a pupila de Lense dilatar.
— Ah... Talvez hoje eu abra uma exceção. — ele parece confuso.
— Qual é o seu nome, loira? — o rapaz ao meu lado pergunta.
— Sam. E o seu? — pego minha bebida e tomo um longo gole.
— Polaski. — ele se aproxima mais. Minha garganta fica em chamas. Minha boca começa a salivar.
— O que os garotos fazem por aqui? — Shelby se senta ao meu lado esquerdo.
— Só curtindo a noite. — responde Lense — E vocês?
Shelby batuca os dedos no bar
— Apenas curtindo também.
— Que tal sairmos para algum lugar depois? Temos um apartamento não muito longe daqui, vão gostar de lá. — Polaski sugere mordendo o lábio.
Eu sinto nojo. Com minha humanidade desligada me dá mais vontade ainda de meter a cabeça dele no bar até eu escutar o barulho do crânio se partindo.
— Na verdade... — Shelby percebe meu descontrole e segura a minha mão, quero arrancar o braço dela — Eu fiquei sabendo de uma festa dos demônios ocorrendo no Washington Park Arboretum... Deviam nos levar para lá.
Lense e Polaski se entreolham.
— Gostariam de ir agora? — pergunta Lense.
— Que tal tomarmos mais umas bebidas? Não quero ficar muito sóbria. — diz Shelby para a alegria psicopata deles.
— Como quiser. — Polaski bate as duas mãos no bar — Cara, manda o round da noite para gente.
— Parece que é nossa noite de sorte. — Lense puxa Shelby para seus braços. Ele é bonito, mas Shelby correria se pudesse, ela não está à vontade com isso tanto quanto eu.
Diferente de Shelby, minha mente funciona de uma maneira mais macabra agora. Estou passando diversas formas de fazer o Polaski sofrer na minha mão. Ele vai desejar nunca ter nascido. Tomo minha bebida tentando amenizar minha sede abrasadora. Polaski coloca a mão na minha coxa, ele tenta roubar um beijo, mas eu desvio o rosto.
— Qual é o problema Sam? — ele ri de mim.
— Se você conseguir tomar cinco shoots da noite ganhará mais que um beijo, até lá, não se atreva a me tocar. — eu passo a língua nos meus lábios.
— Gostei. — ele se distancia e vira o rosto — Mal sabe que vou conseguir o que eu quero de um jeito ou de outro... — ele murmura achando que eu não ouvi por causa da música alta.
— O que você disse?
Polaski sorri disfarçando.
— Que eu vou conseguir um beijo seu de um jeito ou de outro. — ele pega uma bebida que o barman colocou sobre o balcão — Saúde.
— Saúde. — bato meu copo no dele — E que comecem os jogos.
— Com certeza. — ele ri novamente e minha vontade de mata-lo só aumenta.
Passaram-se mais de uma hora. Lense e Polaski estão totalmente fora de si. Shelby me disse que estava na hora. Os rapazes saíram do bar aos tropeços e nos oferecemos para dirigir. Antes eles nos fizeram tomar compridos, dizendo que isso deixaria a noite melhor. Eles tomaram outros, parecidos com os compridos que nos deram. Eu ri sabendo que aquilo que eles acham que fará efeito em nós é thinner axid. Um humano ao tomar tem enjoos, seguido de um desmaio. Então é desse jeito que eles estão drogando as meninas, pois bem, isso não fará efeito na Shelby e muito menos em mim. Álcool é a única coisa capaz de me derrubar, mas eu evitei beber muito.
Shelby estaciona o carro no parque Washington. Os garotos saem do carro e vem nos agarrar.
— Cadê a festa loira?! — Polaski grita mesmo não tendo nenhum som alto por perto.
— Está no interior da floresta, é uma coisa mais reservada... — Shelby responde por mim e arrasta para dentro da floresta o Lense que cambaleia um pouco.
Polaski se gruda em mim como um carrapato. Eu já estou ficando puta com tudo isso. Shelby está enrolando demais, por mim matava os dois agora e ainda roubava cada centavo deles. Se até a paciência de Deus tem limites imagina a minha.
Eu sigo Shelby que se afunda nas árvores.
— Não tem festa aqui... — Lense reclama — Acho que deveríamos ir para o meu apartamento.
— Calma gatinho... Não vai querer estragar a noite agora. — Shelby entrelaça o pescoço dele, a luz da lua reflete em seu rosto, vejo as presas surgindo — Vamos nos divertir.
— Uou! — Lensi grita — Acho que estou tão drogado que estou vendo coisas! — ele tenta se distanciar da Shelby, mas tropeça nos próprios pés.
— Sam... — Polaski ignora colocando a mão por cima da minha blusa. Ele foi longe demais.
— Não toque em mim. — eu agarro o pescoço dele.
— O... O... — ele tenta dizer, mas está ficando sem voz.
Eu exponho minhas presas.
— Você vai pagar por cada garota que usou. — eu trinco os dentes.
— Me deixa em paz! — Lense grita tentando rastejar para longe da Shelby, ela pisa na perna dele e um som de algo quebrando me faz sorrir. Lense urra sentido a perna ser amassada.
— Não quer aproveitar comigo por quê? Por que eu não sou loira dos olhos azuis? Sinto-me um pouco ofendida... — Shelby ri e pisa dessa vez no pé dele que se quebra também.
— Deus! Me ajuda! — Lense começa a chorar.
— Deus vai me agradecer por isso mais tarde. — Shelby o puxa pelo pé quebrado e o lança contra uma árvore.
Eu aperto com menos força o pescoço do Polaski.
— Você me deixou puta... E eu não gosto disso... Nem um pouco. — eu aproximo minha boca do pescoço ele.
— Vai pro inferno! — ele vocifera ficando vermelho.
— Eu vou, mas só depois que eu beber um pouquinho. — eu abocanho seu pescoço. O sangue quente borbulha na minha boca. O sabor é inacreditável, nada se compara a isso. Nenhuma sensação do planeta é melhor do que esta. Eu não provo sangue humano desde que matei minha mãe e minha irmã, agora é tarde mais para me culpar sendo que foi o Freddie que causou aquilo. Eu degusto do sangue. Eu sinto o líquido escorrer da minha boca para o meu pescoço. Não quero beber tudo agora, mas é impossível parar. Eu quero isso. Eu gosto disso. Essa sou eu.
Shelby retira o Polasky das minhas mãos.
— Não vamos mata-los, Sam. — ela relembra, mas eu rosno para ela — Calma garota.
— Não ouse me parar Shelby. — eu a empurro da frente.
Polaski se arrasta pelo chão em pânico.
— Socorro! — ele grita para o nada.
— Ninguém virá te salvar. — eu começo a puxar o pé dele e o giro na minha mão, ele berra descontrolado.
— O que você é? — ele chora como Lense.
— Eu sou seu pior pesadelo. — o ergo pela perna, o coloco de pé e quebro seu braço direito — Foi com esse braço que você tocava nelas?
— Pare! — ele implora não aguentando.
— Ou com esses dedos? — eu quebro primeiro o polegar da mão direita, sigo para o indicador e faço todos se quebrarem.
— Não... — ele não suporta a dor e eu o lanço para a terra. Dou um chute nas suas costelas que o faz quicar na grama. Ele grita de novo. Eu me abaixo e rodo o nariz dele. Seu grito ecoa pelo lugar.
— Samantha! — Shelby me repreende.
— Me deixe terminar a refeição primeiro. — eu reclamo colocando o pescoço do Polaski na boca. Ele não consegue gritar dessa vez. A bebida quente é o paraíso. Minha língua chega a queimar. Eu sugo com força abrasando a sede de décadas. Beber sangue animal é para os fracos. O sangue humano é a força vital. Eu me deleito com o que faço. Em alguns minutos noto que estou sugando apenas o vazio. Eu quero mais. Levanto-me largando o corpo já sem vida. Caminho para perto de Shelby que bebe um pouco do sangue de Lense e o deixa ainda vivo, pois escuto o coração bater.
— Para trás Sam! — Shelby se levanta e faz postura de ataque.
— Eu quero até a última gota do sangue dele... Não vou ficar em abstinência nunca mais. Se você tentar me empatar eu mato você e mando sua cabeça para o Spencer. É isso que você quer? — eu a ameaço.
— Sam, por favor, você já matou um. Lense aprendeu a lição dele. — ela mostra piedade, algo ridículo — Mostre misericórdia.
— Misericórdia é para os fracos. — eu me abaixo ao lado do Lense — E os fracos não herdarão esse mundo, eles serão esmagados. — eu me inclino e mais uma vez aprecio o gosto do sangue humano.
Quando eu termino, Shelby me olha em choque. Ela já devia esperar isso de mim. Olho para a boca dela. Tem sangue fresco do Lense. Ela parece que com nojo de si mesma, enquanto eu só consigo ter orgulho de mim. Eu caminho até ela passando a língua nos lábios.
— Sam... — ela da um passo para trás — Já conseguiu o que queria, não tem motivos para me matar.
— Eu não vou te matar... Apenas fique parada. — eu sussurro e seguro o rosto dela.
Shelby treme levemente. Eu passeio com a boca pelo seu queixo e vou seguindo limpando o sangue com os meus lábios, o gosto continua bom. Eu beijo seu pescoço onde o sangue de Lense ficou. Eu beijo e sugo o canto da sua boca.
— Se eu não fosse do Spencer eu realmente aproveitaria essa chance com você, mas temos que ir agora. — ela sussurra no meu ouvido.
Eu a olho e passo o dedo no cantinho dos seus lábios onde ainda tem sangue. Coloco o dedo na boca e depois sorrio.
— Vou só pegar algumas coisas. — eu corro para o corpo do Polaski. Pego os mais de trezentos dólares da sua carteira.
— Você vai ser rainha de Viena e precisa levar o dinheiro dele? — Shelby não compreende.
— Questão de orgulho próprio lindinha. — eu a imito e vou para o corpo do Lense. Também pego alguns dólares dele.
— Eu vou ligar para o 911. — ela me avisa.
— Faça o que quiser. — eu vasculho os bolsos do Lense e encontro um celular. Não tem senha então eu vou direto para a galeria. Tem centenas de fotos de todas as garotas que Polaski e ele se aproveitaram.
Shelby retira o celular da minha mão e o deixa no chão com a galeria ainda aberta.
— A polícia vai agradecer por isso. — ela suspira — E quando você ligar a humanidade, vai se lembrar de que tirou a vida de estupradores.
— Quem disse que vou ligar? — eu me viro e a deixo sozinha.
Entro em casa. Continuo com meu sentimento de orgulho. Na verdade eu também estou querendo beber sangue novamente... Eu poderia pegar a primeira pessoa na esquina, ou fazer uma visita, principalmente ao meu vizinho que gosta de colocar o som alto, mas algo em mim me faz pensar naquilo que a Shelby falou, se eu ligar a humanidade vou relembrar de cada vítima... Preciso encontrar pessoas que mereçam morrer. Quero ver a alma delas saindo enquanto eu brinco de "Dona Morte". Eu quero sangue. Tudo gira em torno de sangue agora. Quero saciar minha sede e minhas vontades.
Eu retiro meu vestido sujo e o jogo em qualquer lugar. Coloco tênis pretos, calça jeans e uma camisa escrita "Blood". Chega a ser um humor negro. Vou dar um passeio em Snoqualmie. Um subúrbio de Seattle. Sei que muitos de lá são assassinos e alguns são da tribo Salish. Eles podem me ajudar com meu probleminha de sede.
Alguém me dá tapinhas no rosto e me balança com força.
— Acorde! Sam! — reconheço a voz irritante do Freddie — Você está ferida?!
Eu abro os olhos e o empurro com raiva. Levanto-me e paro na frente do espelho. Tem sangue no meu rosto, no meu queixo, no meu pescoço, nos meus braços e em minhas mãos. Eu retiro a camisa sem me importar que o Freddie esteja ali. Eu quero é mais que ele se foda. Começo a tirar a calça, de raiva por ter me acordado sem motivo eu atiro a calça em seu rosto.
— Que bom que eu vou embora, por que não aguento mais olhar nessa sua cara de falso toda manhã. — eu vou para o banheiro tomar um banho.
— Eu vim falar com você. — ele diz na porta do banheiro.
— Quando eu sair daqui eu vou pensar se vou ter tempo para te ouvir ou não.
— Estarei aqui. — ele murmura.
Eu demoro bastante debaixo do chuveiro. Tem tanto sangue em mim. Não me lembro de onde veio metade dele. Não me sinto satisfeita, mas me sinto controlada.
Eu termino o banho e saio do banheiro já retirando a toalha. Freddie engole em seco.
— Não precisa nem disfarçar. Como se não fosse assim que você queria me ver há muito tempo. — eu falo totalmente nua na frente dele e procuro o que vestir nas minhas coisas — E não se preocupa... — me viro para ele de propósito — Não vou contar a sua namoradinha Carly que você me viu sem roupa.
Ele ri e se senta na cama. Seus olhos vagueiam pelo meu corpo. Eu me viro de novo vasculhando minha cômoda.
— Então a senhorita realmente desligou a humanidade... — ele comenta.
— É. Por sua culpa. Assim como tudo que aconteceu comigo foi culpa sua. — eu coloco uma calcinha e fico de frente para ele para por meu sutiã — Você não cansa de estragar a vida das pessoas?
— Eu nunca quis te causar problemas, e nunca foi minha intenção te magoar. — ele prossegue olhando para o meu corpo da mesma forma.
— Claro... Nunca teve intenção. — eu visto uma calça um pouco folgada e uma camisa sem mangas.
— Quando irá embora?
— E isso importa? — eu corro e me sento no seu colo — Qual é a sensação? Me diz que eu quero saber... Me diz qual é a sensação de me perder. Me fala como é saber que eu vou embora e não terei você em meus pensamentos.
— Não precisamos falar disso. — ele segura minha coxa.
— Precisamos sim... Quero te fazer sofrer. — eu fico de joelhos deixando minhas pernas em volta do quadril dele — Como foi quando me viu beijando o Gibby?
— Sam... — ele trinca os dentes e fecha os olhos — Pare.
— E saber que eu preferia estar com ele nessas últimas semanas do que com você. — eu mordo sua orelha — Eu o amo... Ou pelo menos amava... Eu o amava de uma forma que eu nunca amei você. — encaro seu rosto e ele abre os olhos.
— Essa não é você Sam. — ele diz como se não estivesse magoado.
— E eu vivia cada dia inútil da minha vida te amando, ou fingindo isso... Não sabe o quanto estou feliz por não ter que sentir mais nada por você. — desço a mão para o primeiro botão da sua camisa e desabotoo-o.
Freddie fica com os olhos carregados de lágrimas de ódio.
— Você me amava.
— Não. Eu te tolerava... Nada foi real e hoje eu odeio você, vou te odiar para sempre.
— Sammy... – uma lágrima escapa dele.
Eu o beijo na boca.
— Se venho aqui para se despedir, então vamos fazer isso logo. — começo a desabotoar o resto da camisa dele.
— Não iremos fazer isso. Essa não é você. — ele segura minhas mãos, mas eu me mexo em cima dele o provocando e o beijo de novo.
Freddie tenta recuar, mas eu o deito na cama e continuo com meus lábios nos dele. Eu não sinto nada, só excitação. Quero me aliviar e não ama-lo. Alguma coisa lá no fundo quer me puxar de volta e eu não vou deixar.
Ele inverte nossas posições.
— Não vou me deitar com você. — Freddie consegue se distanciar de mim e seca as lágrimas.
Eu me levanto e reviro os olhos.
— A palavra certa é sexo. Não tente romantizar.
— Essa não vai ser a última coisa que me lembrarei de você, o mínimo que me deve é uma boa lembrança. — ele abotoa a sua blusa.
— Eu não te devo porra nenhuma e se quer uma boa lembrança, volte para esta cama agora. — eu rosno para ele.
— Não. — ele termina de fechar a camisa — Saiba que quando partir, Carly me lembrará da pessoa maravilhosa que você era, então mesmo que queira que eu me lembre desse seu lado ruim, eu lembrarei apenas do seu lado bom.
Eu dou uma risada debochada. A visão que a Wendy teve me dá uma ideia.
— Acho que a Carly não vai se lembrar de muita coisa... — eu ando para a porta.
— Sam, aonde vai? — Freddie segura o meu braço, mas eu o lanço do outro lado do quarto quebrando a madeira da parede.
— Vou fazer a visão da Wendy se concretizar. — eu corro rapidamente, infelizmente não poderei fugir dele, por que ele sentirá o meu cheiro.
Eu vou entrando na casa da Wendy sem pedir licença. A mãe dela não está, que bom, uma a menos para eu matar se me tirar do sério. Wendy está na cozinha tomando café com o Brad. Ela se engasga ao me ver.
— Eu não sabia que viria aqui. — ela diz limpando a boca.
— Enfia a recepção em outro lugar, você vem comigo para a casa da Carly ou eu te arrasto até lá, não me importo. — já vou dizendo.
— Sam você... — Wendy se levanta.
— Ela desligou a humanidade, cuidado Wendy. – Freddie-estraga-prazeres chegou falando merda.
— Sam! Não... — Wendy se comove.
Eu bufo.
— Engole esse teatro e vem comigo logo. — eu exijo.
— Não vou a lugar nenhum com você Sam, você precisa ligar a sua humanidade, as coisas não precisam ser assim. — Wendy se aproxima devagar.
— Ok... Vai ser do jeito difícil então... — eu olho para o Brad que faz menção de se levantar, eu agarro o pescoço dele com uma força extrema. Ele fica sufocado.
— Sam! – Brad exclama tentando tirar minhas mãos do seu pescoço.
— Não! — Wendy berra.
— Vamos fazer assim. — eu aperto o pescoço do Brad com mais força — Você vem comigo e eu não mato o Brad.
— Sam... Solte ele, por favor. — implora Wendy já em lágrimas.
— Wendy, ela não vai parar. — Freddie diz.
— Ele tem razão Wendy... O Brad está morrendo, é melhor concordar em vir comigo logo. — eu sinto a pulsação do Brad ficar pior, agora rasgo a camisa dele na frente e coloco a mão como garras na direção do coração dele — E você vai assisti-lo morrer e depois, eu irei te matar para que não tenha a chance de tira-lo do outro lado... Mas se lembre de que você é uma Hexenbiest e tem um lugar garantido no inferno...
— Eu vou com você. — ela fala rápido — Só por favor, solte ele.
— Virá mesmo? — eu afundo a mão no peito do Brad que grita. O sangue dele molha meus dedos.
— Eu irei! — ela berra — O que você quer que eu faça?
— Que apague a memória da Carly. — eu afundo mais ainda minha mão, sinto o coração do Brad na ponta dos meus dedos. Ele arfa de dor e tenta se soltar.
— Eu apago! Eu juro que apago! — Wendy começa a chorar de novo.
— Ótimo. — eu bato a cabeça do Brad contra a mesa e ele desmaia — Abra um portal.
— Me deixe ver se ele está bem primeiro. — ela se desespera.
— Ele está vivo, pergunte ao Freddie detonador de vidas, se não acredita em mim. — eu limpo minha mão na toalha da mesa.
— Ele está vivo, Wendy. Apenas abra o portal. — Freddie pede.
Wendy rapidamente lança um portal magenta. Eu a empurro dentro com brutalidade. Ela cai no chão e fica em pé. Estamos na sala da Carly.
Shelby rapidamente corre para frente da Carly, sabendo que minhas intenções não são lá das melhores.
— Shelby, saia da frente, ou eu vou matar você. — eu lhe digo — Eu adorei nossa noite juntas, mas não foi nada sentimental. — falo isso para tirar o Spencer do sério,
— O que ela quer fazer comigo? Você vai me matar? — Carly treme — Eu sou sua melhor amiga.
— Eu não vou te matar, por mais que agora eu queira. — eu me aproximo puxando a Wendy comigo — A Wendy vai apagar a sua memória.
— Não! — Spencer implora.
— Se você intervir Spencer, eu mato todos aqui dentro e depois matarei o resto. — eu deixo bem claro.
— Sam... Ela vai perder todas as memórias, ninguém merece passar por isso. — Freddie tenta encontrar uma solução — Por favor, me mate se quiser, mas não toque na Carly.
Eu me irrito e dou um tapa em seu rosto.
— Você só diz isso por que a ama e se me lembro bem, essa sua paixão por ela foi um dos fatores que levou ao nosso rompimento. — eu retiro a Shelby da frente da Carly — Anda Wendy faça o que tem que fazer.
— Sammy! — Freddie se atravessa na minha frente — Não faça isso.
— Freddie... — eu solto a Wendy — Você vai ser responsável pela morte de todo mundo, quer isso nas suas costas?
— Me escuta. — ele continua insistindo — Não tire todas as memórias dela, tire apenas as que contêm você. — Fredward olha para Wendy — Você consegue, não é Wendy? Consegue retirar apenas as memórias da Sam da mente da Carly, o resto continuaria intacto, certo?
— Sim eu consigo fazer isso. — Wendy está tremendo de medo.
— Eu não vou permitir. — Carly tenta jogar algo contra mim, eu desvio, empurro o Freddie e puxo a Carly pela blusa — Sam... Não! Eu sou sua melhor amiga! Não faça isso.
— Você está pedindo pra morrer?! – eu grito com ela e a jogo no chão da cozinha.
— Isso não vai ficar assim! – Carly usa seus poderes e joga a mesa contra mim. Eu sou atingida. Caio no chão. Quebro a mesa e jogo um pedaço da madeira contra a Carly, ela vai para o lado escapando. Rapidamente facas e outros objetos voam em mim. Eu uso minha velocidade e a agarro pelo pescoço. Carly me atinge com um poder verde, eu flutuo e caio para trás. Ela está fazendo uma bola mágica, quando eu pego uma faca no chão e jogo em seu peito. A faca bate em algum campo de força invisível. Eu me levanto, desvio da bola esverdeada e acerto um soco na Carly. Ela fica tonta.
— Anda Wendy! — eu falo alto puxando a Carly pelos braços — Ou eu posso voltar e fazer uma visitinha ao Brad!
Wendy não consegue segurar as lágrimas.
— Eu sinto muito. – ela acaricia os cabelos da Carly.
— Só faz essa merda logo. — eu sacudo a Carly que tenta recuperar os sentidos.
— Wendy... — Carly chora baixinho.
— Me perdoa. — Wendy faz uma bola de poder roxa surgir na sua mão, raios me envolvem e em seguida ela lança a esfera contra a testa da Carly.
Carly desmaia e eu a deixo cair no chão. Freddie tenta pega-la nos braços.
— Pois bem... — eu bato palmas — Eu estou indo embora, o primeiro que vier atrás de mim vai ser morto assim como os outros, estejam avisados. — eu saio do apartamento querendo voltar e mata-los para me certificar que não irão me procurar.
Pego objetos pessoais pela casa e coloco na minha mochila. Encontro o colar que o Freddie me deu e por algum motivo o coloco no pescoço. Reviro o quarto a procura de coisas úteis. Não levarei nenhuma das minhas roupas para Viena. Não quero mais nada daqui. Os anciãos da tribo Klautriny saberão que destino dar a casa.
Um carro buzina na calçada. Eu vou para lá sentindo meu estômago roncar. Porra, eu não como nada desde ontem.
Reconheço o motorista como o mesmo que me buscou no dia do baile.
— Hey cara, agora que eu meio que sou a princesa, você tem quem me obedecer também, né? — eu pergunto batendo no banco dele.
— Sim alteza. — ele responde limpando a garganta.
— Então faz o seguinte, não quero encontrar o príncipe Gatlin nesse estado, então me leva para o salão de beleza Orós no centro. — eu não me importo em colocar o cinto — E eu nem preciso dizer que isso é uma ordem...
— Mas o príncipe Gatlin disse... — ele tenta argumentar.
— Foda-se o que o Gatlin disse, eu sou mais do que ele. Eu serei a rainha e você terá o mais alto cargo no meu reinado apenas se me levar na droga de um salão de beleza pra eu arrumar a droga do meu cabelo! — dou chute no banco — Ou eu posso te matar, por mim tanto faz. Estou com sede.
— É para já alteza. — ele sussurra com medo.
Eu saio do salão com meu novo corte de cabelo. Agora ele cai em camadas e está liso. Dei adeus para os cachos. Eles me deixavam santa demais, meiga demais e eu não sou nenhuma dessas coisas. Mantive o comprimento grande, pois gosto de joga-lo sobre meus ombros.
O motorista me leva para o Place Of Towers, onde Gatlin fez questão de me receber na porta.
— Bom dia Sam. — ele sorri para mim. Como eu fui idiota a ponto de me encantar por esse sorriso ridículo, infelizmente é um sorriso sincero. Gatlin gosta da minha ousadia, mas agora nesse meu novo estado, eu não gosto nem um pouco dele.
— O café da manhã foi servido? — eu pergunto entrando na mansão, ele me segue.
— Sim. Eu estava a sua espera para desfrutarmos de uma ótima refeição antes de partimos. — ele entrelaça o braço com o meu sem pedir permissão.
— Que bom. Eu tive uma noite puxada, preciso comer. — eu digo sentindo os músculos de seu braço esquerdo.
— O que fez a noite? — ele fica curioso.
— Digamos que eu saí para beber... — faço aspas com a mão.
— Você está diferente... — ele olha para o meu cabelo, mas não se refere a isso.
— Eu me desliguei. — dou de ombros.
— Oh... A humanidade. — ele suspira.
— Exatamente. Ela não estava me ajudando em nada.
— Nunca tivemos uma rainha com a humanidade desligada antes, mas espero que não seja um problema. — ele fica meio preocupado.
— Não vou causar problemas. Desliguei a humanidade e não o juízo.
— E aquele seu amigo que você iria encontrar? — ele muda de assunto.
— Ele morreu no Limbo, quando foi me salvar. — eu respondo como se não fosse nada.
— Eu lamento.
— Eu não ligo. — murmuro.
Chegamos à mesma sala daquele dia do baile. Eu me sento no lugar em que Gatlin se sentou naquela noite. Gatlin se senta ao meu lado esquerdo. Eu começo a encher meu prato de comida com uma mão, enquanto com a outra eu coloco comida na minha boca.
— Acho que você vai gostar de Viena... — Gatlin se serve de um copo de leite.
— Não. Eu não vou. Estou indo praticamente obrigada, mas o lado bom é que não vou ter que olhar para a cara de ninguém dessa cidade. — eu respondo com a boca cheia.
— Então vamos discutir assuntos importantes... — ele pega uma faca para cortar um pedaço de queijo — O casamento.
— Argh! — finjo ter uma ânsia — Não vamos falar disso tão cedo, eu quero saber da coroação.
— Ela ocorrerá na próxima semana.
— E como irá me colocar no trono se ainda possuo, tecnicamente falando... — eu pego o copo de leite dele e tomo tudo — 17 anos... — finalizo.
Gatlin falha em segurar o sorriso.
— Não se tem uma idade para assumir o trono em Viena. O rei mais novo que tivemos tinha apenas 13 anos quando subiu ao trono.
— Oh... Que interessante. — procuro outras coisas para comer.
— E sobre sua educação, uma equipe ficará responsável por isso... Tem gente no seu colégio para mexer os pauzinhos, ou seja, em julho você irá retornar para a sua formatura aqui. — Gatlin coloca um pãozinho na boca.
— Sério que terei que voltar? Cara, você é chato pra caralho.
— Não sou eu quem dita as regras.
— Então me fala quem dita para eu matar.
— Sam... — Gatlin pega na minha mão — Relaxe minha rainha.
Eu me inclino para perto dele.
— Eu não sou sua rainha... — eu sussurro — Assim como não sou de ninguém. Se me chamar de "minha" de novo, eu arranco sua cabeça com minhas próprias mãos. — volto a me sentar normalmente — Então... — eu sorrio de maneira cínica — Como é o clima em Viena?
Gatlin recua sabendo que eu serei seu pior pesadelo.
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