42 - Violet Hill
45 O gato na caixa
Notas iniciais
Povs Sam:
Eu escuto um barulho na janela, acho que é o Freddie que chegou. Olho no meio da escuridão e vejo ele subir na cama.
— Você demorou... — eu meio que reclamo com ele. Freddie saiu de manhã para Violet Hill e só retornou agora.
— Ocorreu alguns imprevistos, desculpa. — ele me abraça — Gibby e Carly acabaram de sair?
— Não... Eu os mandei embora pela manhã.
— O quê? Por quê?
— Flint.
Freddie suspira e olha para a minha barriga.
— Ele não gosta deles?
— Não sei...
As mãos dele tocam minha barriga. Freddie se inclina para colocar o ouvido.
— Eu vou te proteger do mundo inteiro, você precisa ser protegido, bem cuidado e ter o melhor dessa Terra. — ele sussurra — E se... — Freddie se senta me encarando — Eu dissesse que ele estaria melhor com o Gatlin? Que corre perigo com nós...
Minha expressão se vira em horror.
— O quê?
— Sam, se ele estivesse em perigo por ficar conosco, mesmo assim iria preferir arriscar a segurança dele do que deixa-lo viver em um bom lugar com gente para cuidar dele todos os dias? — Freddie pergunta mas também apresenta uma expressão de pânico.
Recordo o que o Gibby me falou a respeito da decisão da mãe dele em deixar Guppy morando em La Push.
— Com certeza eu iria prezar a segurança dele.
— Esse é o certo Sam.
Eu balanço a cabeça em concordância.
— Qualquer mãe faria o mesmo. — repito a mesma frase do Gibby.
— Sinto muito que as coisas tenham que ser assim.
— Achei que estava hipoteticamente falando.
— Eu não estava.
— Freddie... — eu seguro sua mão com medo de perder o Flint.
— Eu falhei de novo...
— Não. — eu seguro cada lado de seu rosto e junto nossas testas — Você fez tudo que pôde e não acabou ainda.
— Na verdade está prestes a acabar. — ele se deita como se tivesse uma longa história para contar — Eu conheci uma garota chamada Tasha Ramirez, ela namorou a Shelby durante um tempo, nós éramos melhores amigos... Tasha é uma Hexenbiest. Gatlin fez um acordo com ela para que quando o bebê nascer ele fosse notificado. Foi ela que prendeu a alcateia no círculo de fogo mas ela não fazia ideia que a história toda tinha haver comigo. Ela se lamenta muito por tudo isso... Tasha não teve culpa.
Procuro uma forma de digerir a história.
— Quer dizer que é isso? Quando o Flint nascer realmente estará acabado?
Freddie se levanta. Ele solta um rosnado profundo, que faz eu erguer as sobrancelhas.
— O que eu fui... O que sou... Nada faz diferença, eu me sinto impotente o tempo inteiro. Não consigo nem te fazer feliz.
— Você me faz feliz todos os dias, alguns menos que outros, mas mesmo assim consegue. Nada está em suas mãos, você não pode controlar tudo Benson... Talvez tenha que ser assim, talvez eu tenha que perder o Flint por que lá na frente...
— Não me venha com essa de ver o futuro, você não sabe nada lá na frente, mas eu sei! — Freddie se altera comigo — E agora tenho medo disso por que o Alfa vai ser o maior perigo do planeta e eu o odeio por isso! Mas vou mentir para você e dizer que está tudo bem! Ninguém sabe o que ele vai se tornar! Mas... Eu sei. Posso sentir a emoção dele.
Eu coloco as duas mãos na barriga.
— O Flint é o Alfa?
— Eu não posso te responder, você terá que descobrir sozinha, apenas se lembre de que ele tem que ser os dois lados... Eu queria que você soubesse, seria tão mais fácil. Você o conhece tão bem ou pelo menos acha isso.
— De todos da nossa alcateia só sobrou o Dice. Ele não teve imprinting por ninguém.
— Nossa alcateia? — Freddie demonstra um sorriso.
— Dice... — Sam sussurra.
— O Alfa sempre esteve com...
Um barulho lá fora interrompe o que Freddie ia dizer. Um grito cômico é ouvido da minha janela.
Eu me levanto da cama com a intenção de saber o que é. Freddie me acompanha para a janela, o olhar dele está tenso. Eu sorrio ao ver toda a alcateia em forma humana.
— Posso ajudar? — eu pergunto sorrindo para cada um.
Uma explosão roxa se abre no meio deles. Wendy sai de um portal portal perturbada com alguma coisa, Brad, Carly e Gibby vem atrás dela. O portal se fecha.
— Boa noite, estamos te sequestrando para uma noite no Mont Hood, algo parecido com um camping. — Carly fala por todos — Então arruma suas coisas mamãe e vamos embora comigo, ou com a Wendy, o meio de transporte mágico que mais te convém.
— Sério? Me sequestrando? — rolo meus olhos — Sumam do meu quintal, com exceção da Wendy, irei para o Mont Hood em alguns minutos.
Carly sorri contente.
— Te aguardo loira.
— Te vejo em breve morena. — eu aceno.
Me viro e vou para a minha cômoda. Freddie me agarra por trás. Ele beija meu pescoço e desce as mãos pelo meu corpo. Eu solto um gritinho de surpresa. De maneira ágil ele me vira e me dá um beijo de tirar o fôlego.
— Acho que não fui convidado para o camping... — ele demonstra um sorriso triste.
— Acho que é para ser uma noite sem vampiros, o que é ridículo por que eu sou híbrida.
— A híbrida mais linda do mundo. — ele sussurra com uma voz doce.
Eu não consigo segurar o rubor que se espalha pelas minhas bochechas, mas quero dar uma boa resposta.
— A única coisa que eu queria fazer agora era ficar naquela cama você.
— Como se eu não quisesse o mesmo. Na verdade eu tenho grandes planos que envolvem a minha boca pelo seu corpo inteiro, mas pelo visto você prefere sair com seus amigos do que fazer um sexo quente com seu namorado. — Freddie me fala sorrindo ao final.
— Eu realmente prefiro um sexo quente com você, mas eles não são meus amigos, são minha família e talvez seja bom passar um tempo com eles... — eu coloco as mãos nos ombros do Freddie — Ei garoto, não se preocupe.
Ele segura minha cintura.
— Não estou preocupado.
— Você é um péssimo mentiroso.
— Tem certeza? — ele ergue a sobrancelha.
— Nossa. — eu me solto dele.
— Desculpa, não quis dizer que estou mentindo para você, é só que... Ah você sabe... — ele tenta consertar o que falou, Freddie está estranho desde que entrou nesse quarto.
Eu abro a gaveta à procura de roupas para o camping e que fiquem boas em mim por causa da minha barriga.
— Acho que você devia passar um tempo com a Trina ou com algum amigo vampiro, você está estranho.
— Você também ficaria se soubesse quem é o Alfa.
Isso chama minha atenção novamente.
— Você ia me contar algo antes de sermos interrompidos.
— Eu vou te contar... Mas não agora. A Wendy está vindo. — Freddie caminha para a janela.
— Pronta Sammy? — pergunta Wendy na porta do quarto.
— Ainda não, me ajuda aqui.
— Divirta-se. — Freddie faz menção de pular da janela.
— Não se afaste de novo Freddie, por favor. — eu peço por mim e pelo Flint.
Freddie retorna correndo para perto de mim e me toma em seus braços.
— Eu não irei me afastar agora. — ele desfere um beijo calmo nos meus lábios. Minhas preocupações somem. Eu me sinto feliz por saber que ele não vai se afastar agora... Espera! Ele disse "agora", então quer dizer que irá se afastar depois? Por quê? Não tenho tempo de perguntar, por que o Freddie já não está mais em meu quarto.
Estamos em volta de uma fogueira assando marshmellows. A coisa não podia ser mais clichê. Carly cantarola canções de trilha, enquanto eu peço a Deus que ela se engasgue com a própria saliva e pare com isso. Estou aqui faz duas horas e não entendi o propósito de tudo. Flint parece tão confuso quanto eu.
— Está na hora. — Gibby disse algo que parece que vai fazer a noite estranha ficar mais bizarra ainda.
— Estão vindo? — Carly pergunta finalmente parando de cantar.
— Sim. Escuto os passos deles daqui, talvez assim a Sam se anime um pouco. — Gibby sorri e me da um tapinha na coxa. Carly limpa a garganta sentindo ciúmes. Eu acabo por corar. Flint se incomoda. Gibby abre um enorme sorriso para mim, como se eu fosse especial demais para ele. Algo no nosso olhar se torna estranho e Flint parece ter algo haver com isso.
— Dá para sentir o cheiro de lobo do outro lado da floresta. — a voz mais familiar do mundo é ouvida do meio das árvores.
— Freddie... — eu me levanto e a presença do Gibby ou de qualquer outra pessoa parece insignificante.
— Eu não tive tempo de trazer minha barraca. — ele aparece em minha frente.
Eu troco um beijo rápido com ele.
— O que é tudo isso? Você sabe o que está acontecendo?
— Na verdade eu não sabia até pouco tempo. Tasha entrou em contato com a Shelby e organizou isso tudo aqui. Ela quer se desculpar conosco. — responde ele olhando por cima do meu ombro. Sigo seu olhar e vejo que ele está olhando para Carly, depois para a minha barriga e em seguida para o Gibby. Freddie parece extremamente confuso e abismado.
— Boa noite. — outra voz surge na noite.
Meus olhos vão direto para a morena usando uma longa saia florida. Creio que seja a Tasha.
— Gibby como líder deve recebê-la. — murmura o Freddie e me puxa para se sentar no tronco em que eu estava.
— Espero que tenha achado uma forma de evitar a vinda do Gatlin. — Gibby diz como se soubesse de tudo e mais um pouco.
— Eu não achei, na verdade se eu morrer ou não, se eu cumprir o acordo ou não, vocês ainda correm perigo se não entregarem o bebê. — responde a Tasha se aproximando das chamas da fogueira.
Freddie se assusta com alguma coisa.
— Oh... Não... Não... Mentira. — ele sussurra procurando alguém entre os presentes aqui. Ignoro a conversa que Tasha está tendo com os outros e me foco no Benson.
— O que foi? — eu pergunto baixinho.
— Nada. — ele sussurra mas seu olhar ainda procura alguém.
— Me diga o que aconteceu.
Freddie coloca a boca no meu ouvido.
— Dice.
— Ele está aqui em algum lugar. — eu o tranquilizo.
— Sim mas ele teve...
— O gato na caixa. — Carly murmura chamando minha atenção. O que eu perdi na conversa?
— O que é isso? — eu pergunto para ela e deixo de lado a preocupação do Freddie com o Dice.
— É uma famosa metáfora. — responde Tasha — Existe uma caixa com veneno, colocamos um gato dentro dessa caixa e fechamos a tampa. Dois mundos podem coexistir, o mundo em que o gato está morto por que comeu o veneno, ou o mundo em que o gato está vivo por que não comeu.
— Mas ninguém sabe disso até abrir a caixa, então existem dois mundos. — completa Carly — Nosso mundo sobrenatural está desse jeito. Tudo pode ser duas coisas até a caixa ser aberta.
— Então o Alfa é o gato... — Spencer diz.
— Não, o Alfa é o veneno. — fala Gibby.
— Concordo com o Spencer, o gato é o Alfa. — Griffin opina também.
— Não, eu acho que o gato é o gato. — Brad murmura.
— O gato é o gato. — Wendy demonstra ter entendido.
Eu acabei de entender. Duas realidades podem estar existindo agora. O gato representa nós. Ele pode morrer se comer o veneno que representa os erros ou até mesmo o Flint. Só sabemos da realidade se abrirmos a caixa.
— O Alfa é a tampa. O Alfa é a caixa. — eu digo a eles.
— Exatamente. Ele é o único que vai saber, até lá, sem o Alfa não podemos abrir a caixa. — Tasha prossegue na metáfora.
— Vamos continuar vivendo em duas realidades torcendo para que o gato não seja burro. — Freddie parece soltar uma indireta para mim, achei que já tínhamos passado da fase de brigar por causa do nascimento do Flint.
— O que o Alfa está esperando? — Gibby pergunta.
— Por que está perguntando algo que você já sabe? — Shelby pergunta sabendo quem é o Alfa.
— O que quis dizer com isso? — Gibby está confuso.
— O Alfa pode ser um espírito, mas ele é um de vocês. Deve ser incrível ter um poder tão poderoso dentro de si e não saber. — Shelby olha para mim e pisca — Não é mesmo, Sam?
— Certamente se o Flint for o Alfa... — eu começo a dizer.
— Tudo mundo sabe que é o Gibby, não sei por que tanta enrolação. — Carly resmunga.
— Talvez seja mesmo o Gibby, ninguém jamais viu um imprinting como o de vocês. — Spencer concorda com a irmã.
— É o que todos dizem. — murmura Dice. Ele esteve bem calado e agora parece preocupado com alguma coisa, igual ao Freddie.
— Apenas três pessoas aqui sabem quem é o Alfa. Uma não vai contar por medo. A outra não vai contar por que precisa protegê-lo. Por último, tem a pessoa que não vai contar por que sabe que não é a hora certa e talvez nunca irá saber até ser tarde demais. — Tasha usa condinomes. Será que o Freddie é quem está com medo? Provavelmente e eu sei disso. Shelby e Tasha também sabem, mas onde se encaixam? Desvendar como cada um está lidando com a situação é difícil.
— Uma guerra se aproxima... Falta pouco mais de um ano. Estejam alertas. — sussurra Wendy.
— Dá para sentir no nosso sangue. — Gibby abraça a Carly sentindo medo de alguma coisa.
Eu também abraço o Freddie e no fundo eu sei que ele vai me proteger, assim como também preciso protegê-lo.
Ando em direção à Wendy que observa o lago. A maioria está dormindo nos sacos de dormir ou nas barracas, outros caminhando, Wendy preferiu ficar sozinha.
— O que você viu que quando foi me buscar lá em casa parecia incomodada? — eu pergunto escutando o som da fauna.
Wendy solta uma gargalhada.
— Eu fui pegar alguns detalhes com a Carly, me arrependi ao ver o que o Gibby fez com ela...
— Ah! — eu dou de ombros — Ah entendi.
— Isso ainda te deixa sem jeito, dá para perceber.
— É confuso, ele olha para mim como se eu fosse especial e parece que Flint tem algo haver com isso.
— Flint? Ele controla suas emoções?
— Não. — eu me abaixo para pegar uma pedra — Só que ele é bem seletivo na hora de escolher quem deseja por perto. Quando Carly e Gibby estão próximos Flint me chuta o tempo todo. Quando o Gibby está sozinho comigo tudo parece calmo.
Wendy também pega uma pedrinha na terra.
— E o Freddie? O que Flint sente?
— Freddie disse que o Flint se se sente feliz e eu me sinto eufórica. — eu arremeço uma pedrinha no lago — Você sabe que o Fredward nunca pôde controlar minhas emoções e eu agradeço a Deus por isso. Eu gosto de ter raiva dele, gosto de sentir amor, gosto de sentir alegria...
— Finalizando, você gosta de sentir tudo com o Freddie e se ele te controlasse seria um saco.
— Sim, seria.
— Hum... Vocês são perfeitos tentando lidar um com o outro.
— Eu sei. — eu sorrio e jogo outra pedrinha no lago escuro.
Wendy olha de soslaio para mim.
— Brad e eu... — ela faz uma pausa.
— Diga.
— Nós vamos embora.
— É o quê? — eu quase me engasgo.
— É só por um tempinho, vamos juntos para Dartmouth este ano e iremos voltar ano que vem, quando chegar a hora.
Eu bato o pé e me envolvo com os braços.
— E você vai saber quando voltar?
— Sim, eu vou saber. — ela observa a lua — Precisamos de um tempo longe disso e o Gibby autorizou a saída temporária do Brad da alcateia. E além do mais Sam, o Brad precisa envelhecer um pouco, não quero ele paralisado para sempre.
— Claro, claro. — eu mordo o lábio — Quando você vai para New Hampshire?
— Amanhã.
— Mas o quê?! — eu explodo com ela.
— É, isso tudo meio que é uma despedida.
— Wendy, você...
— Você tem a Carly, tem o Freddie, tem seus amigos... Tem o Gibby. Você vai ficar bem sem mim, é só por um tempinho. Eu te prometo que vou voltar, mas não nos obrigue a ficar aqui. — ela se vira de costas para que eu não veja seu rosto.
— Você não quer me ver morrer, não é? Acha que se o Oráculo estiver errado eu não sou a garota lutando no Gloriandei... Você acha que eu vou morrer ao dar a luz ao Flint, certo? É isso que você pensa. É por isso que você vai embora.
— Sam... O Flint pode ser a melhor coisa do universo, disso eu não vou discordar. — ela diz me encarando com medo — Mas nem por isso quer dizer que você não vai morrer quando ele nascer... Eu sei que ele não vai ser um monstro, mas ele é muito forte e você não vai aguentar.
— Eu vou dar um jeito. Eu vou tentar...
— Manter o coração batendo? Não é tão simples assim. — Wendy suspira como se tivesse terminado e se afasta aos poucos.
— Se eu conseguir, você vai voltar? — eu pergunto alto.
— Não, por que eu sei o que vai acontecer depois.
— Como sabe se não enxerga meu futuro?
— Eu não preciso ser vidente para saber que quando o Gatlin pegar o Flint, você e o Freddie vão se desligar ou fazer coisa pior. — murmura Wendy e retorna para o lugar onde as barracas ficaram.
O que seria pior do que se desligar? O que Freddie e eu seríamos capazes de fazer?
Povs Freddie:
Eu me aproximo da Carly que está cortando um pedaço de graveto com um canivete.
— Oi. — eu me sento ao lado dela.
— Oi Freddie. — ela murmura e não levanta a cabeça para me olhar.
— Eu sei que você reparou na forma que ele está olhando para ela, mas com certeza a culpa é do Flint. Gibby não sorria para ela desse jeito depois do imprinting até a Sam ficar grávida. — eu tento tranquilizar a Carly.
— Tudo bem. — ela funga se focando no que está fazendo.
Eu assobio uma canção baixinho pensando no que dizer para sairmos do clima constrangedor.
— Você quer que eu te acalme? — eu pergunto sendo cortez.
— Não. — Carly não está para conversa comigo.
— Eu fiz alguma coisa errada?
Ela larga o graveto e me olha, acho que está pensando em me furar com o canivete.
— Não é você o problema. É o que você sabe.
— O que eu sei... Ham?
— O Alfa. Você não vai contar nem mesmo à Sam?
Eu sorrio achando engraçado a raiva da Carly.
— Não posso contar, tudo tem seu tempo.
— Você sabia que a Wendy descobriu?
— Meu Deus... Quantas pessoas já sabem?
— Shelby, Tasha, você e agora a Wendy.
— E onde está a Wendy agora? — eu me arrepio.
— Não sei, mas...
Eu corro antes da Carly terminar. Procuro no acampamento pela Wendy. Encontro a Hexenbiest entrando na sua barraca. Eu me jogo atrás dela e acabo caindo no meio dos lençóis. A Wendy ri ao ver meu desespero.
— Você sabe? Você contou para a Sam? — eu questiono.
— Sim e não. Eu apenas contei que Brad e eu estamos indo embora por um tempo. — ela responde — Eu parto amanhã, voltarei no final do ano que vem.
— Não devia ir.
— Eu devo sim.
— E sobre o Alfa? A Sam vai surtar se souber. Ela não está preparada para tanto poder, você sabe que no fundo a Sam não vai estar preparada para nada disso. — eu falo feito uma metralhadora.
— Voce duvida demais da Sam. Ela está mais preparada do que você pensa... Na verdade acredita que vai sobreviver... Duas realidades, se lembra? — Wendy se senta e eu também — A Sam entendeu a referência do gato na caixa, só não entendeu que faz parte da metáfora. A profecia diz que o Alfa irá vir, mas em qual das duas realidades estamos vivendo? Você sabe a resposta.
— Eu não sei. Quero ter fé.
— Fé não vai salvar a Sam... Você a ama tanto que quis ficar do lado dela, você não fez isso pelo Flint e no fundo sabe disso. — Wendy joga a verdade na minha cara.
— Eu preciso amar o bebê Wendy, é o que a Sam quer.
— E você a ama e vai fazer de tudo por ela, mesmo que inclua mentir...
— E hoje eu disse que era um bom mentiroso, droga, o que eu estou fazendo com ela? — eu coloco meu rosto nas mãos — Errando de novo.
— Pois é... Bom, depois do que aconteceu com o Dice vai ficar visível quem é o Alfa.
— Você viu?
— Sim... Ele ainda não está preparado.
— Ano que vem, certo? Até lá ele vai parar de se transformar. Eu falei com ele.
— Contou a verdade? — Wendy pergunta pensativa.
— Não, mas acho que ele desconfia.
— De todos logo o Dice. Vai ser bom ele não se transformar, não quero que a alcateia saiba de nada.
— Eles não vão tocar no Alfa, sabem que isso magoaria a Sam.
— Há... É engraçado a forma que você fala.
— O que eu falo?
— Nada. — ela ri baixo — Dependendo da realidade sabemos como o imprinting vai funcionar.
— Bem que na profecia diz que a Sam está ligada ao Alfa.
— Sim... Está ligada.
— Ela sempre esteve. — eu murmuro engolindo em seco.
— Ela não tem chances... — Wendy muda de assunto.
— Ela tem sim.
— Você está acreditando na realidade errada.
— Não estou e minha mãe também sabe.
— O Oráculo é escrito pelas nossas escolhas, sua mãe não pode controlar tudo isso e você sabe que ela pode falecer em breve se alguma cadeia for quebrada. — Wendy revela algo que faz minha respiração parar.
— Que cadeia? — eu fico com medo do desenrolar dessa história.
— Se alguma linha do tempo for quebrada, se alguma coisa alterar umas das realidades o Oráculo muda e a sua mãe também. Ela vai falecer por que o propósito para o que ela foi feita irá ser mudado. Espero que você esteja pronto. — ela se deita como se tivesse contado qualquer coisa.
— Ela não vai morrer Wendy! — eu grito e me levanto.
— Você não pode salvar todo mundo e nem todo mundo precisa ser salvo.
— Ela é minha mãe! E eu vou proteger quem eu puder!
— Até o Alfa chegar, por que você sabe o que vai acontecer depois... O bonzinho vira o mau da história.
— Você não devia ter descoberto.
— E muito menos você... Vai querer brigar com o próprio filho, Freddie?
— Adeus Wendy. — eu saio da barraca.
Ela sussurra uma frase que eu ignoro completamente e torço para que ninguém tenha ouvido.
Povs Sam:
Hoje é dia vinte de Agosto. Eu cambaleio pelo quarto do casebre com a minha enorme barriga. Estou meio que sendo mantida como refém aqui, por que segundo as fontes Flint pode nascer a qualquer momento.
Eu não consigo enxergar meus próprios pés. Eu só quero tomar um ar lá fora. Alguém vem correndo em direção à porta.
— O que acha que está fazendo? — Freddie pergunta vindo me segurar.
— Argh! Eu só quero tomar um ar.
— Por que não me chamou?
— Eu posso andar sozinha.
— Pode mas não deve. Sam, ele quebrou três costelas suas, quase fraturou sua espinha e você ainda quer andar por ai? Só para de tentar se matar, ok?
— Eu apenas ia me sentar lá fora.
— Eu te levo lá para fora. — ele avisa e me ajuda a sair do quarto.
— Onde está a sua mãe?
— No hospital... Cirurgias importantes hoje.
— Como se tivesse alguma menos importante que outras. — eu rio de leve e isso me causa certa dor.
Freddie me conduz para a pequena varanda. Ele me senta na cadeira macia. Eu observo as flores roxas afundada na escuridão da noite. Freddie beija meu rosto com carinho e passa a mão pela minha barriga. Eu sorrio diante da cena.
— Eu preciso arrumar o gerador, mas não quero te deixar sozinha... Quanto tempo Carly e Gibby vão demorar?
— Você devia ir arrumar, eles ainda vão demorar para voltar.
— Sam... Eu não posso te deixar aqui.
— E se a energia acabar agora de noite o parto do bebê pode dar errado... É melhor você ir verificar.
Freddie não pode lutar contra o argumento. Ele se levanta e suspira.
— Se sentir que algo vai acontecer apenas grite e eu venho correndo. — ele me beija na boca e depois beija minha barriga — Aguenta um pouco Flint.
Eu acaricio o cabelo do Freddie e nos beijamos mais uma vez. Ele corre para longe querendo ser rápido. Fico sentada aguardando ele voltar. Minhas mãos estão tremendo. Estou começando a suar frio. Não Flint. Agora não. O Freddie já tem muita culpa sobre ele pra você querer nascer agora e algo dar errado. Tenho que chama-lo de volta. Eu abro a boca para gritar, mas nesse momento o Flint se mexe e eu perco a voz. O ar sumiu do meu corpo. Me inclino para frente e caio da cadeira. O mundo inteiro se escurece. Eu sou o gato. Eu comi o veneno. Tarde demais.
Em breve:
— Você acredita no céu e no inferno? — ele perguntou torcendo para ganhar uma boa resposta.
— Acredito... Mas e daí? — ela ficou desconfortável com a pergunta do garoto.
— Você matou a minha mãe e acha que mesmo assim vai para o céu?
— Vocês estão me irritando, fiquem quietos. — a pessoa que acompanha os dois tinha chegado ao seu limite e o pior de tudo é que não sabia que tinha um. A pessoa era calma mas hoje sua vida está prestes a mudar.
O garotinho empurrou a morena.
— Você ainda vai pagar pelo o que fez.
— Não pode me machucar, seu irmão não permitirá isso. — ela lembrou.
— Ele não está aqui agora. — o garoto jogou as garras de sua arma de Grimm contra ela.
— Mas eu estou! — a pessoa gritou e soltou um longo rosnado.
Primeira parte: a Terra tremeu.
O dia chegara mais cedo do que Wendy previra. A pessoa tomou a forma esperada. A profecia estava se cumprindo. A guerra estava apenas começando.
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