42 - Violet Hill
46 O Flint
Notas iniciais
"Eu não quero nadar o oceano
Eu não quero lutar contra a maré
Eu não quero nadar eternamente
Quando estiver frio eu gostaria de morrer."
Povs geral:
Enquanto Sam estava em Violet Hill à beira da morte, uma batalha era travada aos arredores da reserva. A alcateia brigava contra aqueles que temiam a vinda do Alfa e queriam se apossar da tribo Klautriny. Não era uma briga difícil, os vampiros também estavam nessa, mas com os líderes Freddie e Gibby ausentes, a alcateia e o clã ficaram um pouco confusos. Sem Brad e Wendy para ajudar, Tasha concordou em entrar na luta.
Os lobos Klautriny atacavam aquela alcateia bizarra que ainda pensava que teria chance, mas com Robbie, André, Trina e Cat usando seus dons, a batalha já estava vencida. Apenas Jade, Beck, Griffin, Tori e Spencer estavam como lobos. Dice ficou em casa. Ele não se transformara desde o ocorrido no camping que somente Fredward viu, então para omitir a identidade do Alfa, Dice não permitia a matilha ler seus pensamentos, não importa o que lhe custasse. Ele precisava guardar esse segredo, por que nem ele mesmo estava preparado para o poder que possuia.
Tori se colocou como a líder. Ela era a Beta e protegeu a alcateia da melhor forma que pôde. Com audácia e muita astúcia, Tori guiou a matilha na luta. Os seus pensamentos davam ordens que todos os lobos seguiam sabendo que era a coisa certa.
Ninguém sabia o que estava acontecendo com a Sam. Ninguém sabia onde Carly e Gibby estavam. Eles se sentiam abandonados pelas pessoas mais importantes. Que tipo de líder era o Gibby, que em vez de suspeitar que algo estava errado desligou o celular para não ser incomodado, apenas para passar um tempo com a Carly? A alcateia se sentia traída. O clã sabia que Freddie não poderia ajudar pois precisava ficar com a Sam, mas como lidariam com isso depois? Eles precisavam dele para coordenar e até mesmo limpar a bagunça.
Ao fim da batalha, com assobios e sinais de fumaça, os morteiros foram chamados. A alcateia e o clã se entreolharam. Ninguém ali precisava ler mentes para saber o que assombrava seus pensamentos. Os problemas pelos quais cada um passava eram por culpa do quarteto. Carly, Sam, Freddie e Gibby se metiam em merdas o tempo inteiro. No fundo o clã e a matilha sabiam que a vida seria bem melhor sem eles...
Spencer se abalou ao ver a lealdade que tinha com o Gibby se rompendo. A alcateia não parecia mais ligada ao Gibby e muito menos à Sam. Algo estava errado no ar. A alcateia tinha escolhido um novo líder, ou melhor, uma nova líder.
Tori uivou para a lua. Seu peito estava forte. Ela sentia a energia possuí-la com força. Seu corpo tremia. A lealdade da alcateia estava com ela agora. Tori de Beta se tornou a Alfa. Os lobos da tribo Klautriny agora pertenciam a ela. A alcateia se curvou. Tori sabia que ela seria uma líder melhor. Ela seria uma Alfa perfeita. Tão boa quanto a Sam, muito melhor do que o Gibby e mais sábia que Hayes. Ela se sentia o Alfa da profecia, mas estava totalmente enganada, ela apenas tinha quebrado o Oráculo. Ela acabara de quebrar uma linha do tempo.
— Eu não quero parecer egoísta, mas quando a Sam perder o Flint vamos poder se apoiar uma na outra... — dizia Carly amarrando o tênis sentada na cama em seu quarto. Ela acabara de fazer sexo com o Gibby e sabia que precisava retornar para Violet Hill.
— Ao mesmo tempo em que é algo horrível se torna bom. Vocês têm uma amizade linda. — disse Gibby e beijou o rosto da Carly.
Carly suspirou entristecida sabendo que no desenrolar dos fatos nada teria um final feliz.
— Ficaria mais fácil para a Sam e para o Flint se na hora que ele nascesse eu virasse o rosto dela. Se ocorrer o primeiro contato vai ser pior quebrar o elo depois. — Carly especulou.
— Primeiro, acha mesmo que ela vai sobreviver para ver o rosto do filho? E segundo, se ela conseguir, não vai querer deixar de vê-lo.
— Mas...
— Ela sabe o que vai ser melhor.
— É... Talvez saiba.
— Precisamos ficar com a Sam.
— Claro.
— Eu estou pronto. — Gibby arrumou a calça no quadril, se levantou da cama e andou para a porta.
— Hora de ir. — disse Carly o seguindo. Ambos colocaram os celulares no bolso.
Carly e Gibby chegaram à Violet Hill faltando poucos minutos para a meia-noite. As luzes do casebre estavam acesas. Eles caminharam para a varanda e a cena que viram quase os fez desmaiar.
— Sammy! — gritou Carly e se jogou no chão. Sam estava inconsciente. Uma poça de sangue estava em volta das pernas dela.
Gibby se ajoelhou e pegou a garota loira em seus braços.
— Cadê o Freddie?! — ele perguntou com raiva. Ele sentia uma dor em seu peito, mas achava que era por causa de Sam, ele não sabia que não possuía mais uma matilha.
— Eu não sei. — Carly estava prestes a chorar.
— Precisamos fazer o parto agora, o coração de ambos não está batendo no ritmo certo.
— Coloca ela na cama hospitalar do quarto, eu vou ligar para a senhora Benson.
— Não, não, não. — Gibby correu para o quarto e Carly o seguiu — Não dá tempo. Nós vamos ter que fazer isso.
— Ok... — Carly estava preocupada.
Gibby com muito cuidado colocou a Sam na cama. Ele também estava com medo mas não era hora de surtar. Sam precisava ser salva e Flint também.
— Escuta, eu também estou com medo Carly, mas não é hora de entrar em pânico. Precisamos fazer isso pela Sam. — sussurrou Gibby.
— Tá. Vou pegar a morfina. — Carly disse.
— Não! — Sam acordou e gritou — TIREM ELE! AGORA!
— Você não vai aguentar! — berrou Carly.
— Ele está me sufocando! — Sam gritou novamente e cuspiu sangue. Seus olhos rolaram nas órbitas.
— SAMANTHA! — Freddie apareceu e se colocou ao lado da noiva — NÃO!
— Onde você estava?! — perguntou Gibby.
— Eu estava arrumando o gerador para manter a energia funcionando! Ela disse que iria gritar se eu algo acontecesse! — Freddie procurou a pulsação da Sam.
— O importante agora é tirar o bebê. — Carly pegou o bisturi na mão.
— Morfina. — avisou Freddie.
— Ela vai morrer antes que faça efeito. — respondeu Gibby rasgando a camisa da Sam.
— Eu faço isso. — Freddie tirou o bisturi das mãos da Carly.
— Ele vai morrer... — Sam sussurrou tossindo — Não deixa ele morrer. — ela perdia e recuperava a consciência, enquanto o bebê quebrava cada parte das costelas dela.
— Você tem que ficar viva Sam, por mim, pela Carly e pelo Freddie... — Gibby disse segurando a mão da Sam — Olha para mim, matenha seu coração batendo.
— Gibby... — ela murmurou e seu corpo teve espasmos na cama.
— Olha para mim, não se preocupa com mais nada agora. — Gibby apertou a mão dela com mais força — Freddie, faça logo!
— Eu sinto muito Sam. — sussurrou Freddie e passou o bisturi pela barriga da Sam.
Ela gritou antes de entrar em colapso e desmaiar novamente. Gibby já estava chorando. Carly não aguentou a cena e vomitou pela janela. Freddie tremia enquanto tentava abrir a barriga dela. A placenta era muito dura. Era algo como um aço protegendo o bebê. Freddie não tinha escolha a não ser rompê-la com os próprios dentes. Ele se inclinou e mordeu sentindo o sangue invadir sua boca. Os estalos dos ossos sendo quebrados pelo bebê eram como socos na barriga de Freddie e Gibby. Na cabeça do Fredward tudo que ele precisava era salva-la. Ela era sua vida. Freddie não tinha motivos para seguir em frente sem a Sam... Porém, agora tinha que salvar o bebê.
Freddie conseguiu abrir aquela pele áspera, mesmo assim o bebê quebrou todos os ossos daquela parte do corpo da Sam para que pudesse se esticar. O coração da Sam tinha parado em algum momento durante o processo.
Carly chorava perdendo as esperanças. Gibby já aceitava que estava segurando a mão de um cadáver. E Freddie... Bem, ele estava funcionando a base da adrelina e quando acabasse não sobraria mais nada.
Freddie estava afundado até os cotovelos na barriga da Sam. Com cuidado ele retirou o filho de dentro do corpo da amada. O bebê não estava acordado. Realmente era um garotinho. Sam estava certa.
Carly trouxe uma toalha e envolveu o bebê, após Freddie cortar o cordão umbilical com os dentes.
— Ele vai ser um lobo, dá para sentir daqui... Apenas irá levar algum tempo para ele descobrir isso. — Gibby suspirou surpreso — Mas ele não está respirando e se você mordê-lo sabe que poderá salva-lo. Ele será um híbrido exatamente como a Sammy.
— E a Sam? — Carly correu para a amiga.
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Soundtrack: When It's Cold I'd Like to Die — Moby
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— Sam? — Gibby soltou a mão da garota e começou a fazer massagem cardíaca — Acorda! Você prometeu! Eu te amo! — ele admitia sem medo das consequências de suas palavras depois — Eu te amo tanto! Não faz isso comigo! Não faz isso com o Freddie!
— Ele não quer acordar... Ele não quer acordar. — Freddie murmurou sentido as lágrimas pelo rosto. Sua preocupação era com o bebê.
— Você só pode salvar um dos dois Freddie. — Carly lembrou a ele — Não vai poder salvar ambos.
— Freddie! — Gibby chamou por ele — Por favor, você precisa salvar ela.
— Não! O bebê! Você tem que fazer a vontade da Sam! — Carly ordenou.
Cada um gritava uma coisa. Freddie permanecia em silêncio. Ele olhou para o rosto angelical e pálido do bebê, manchado de sangue, enquanto tremia de medo. Ele não poderia salvar os dois. Ele amava a Sam, mas ao olhar para o rosto do Flint, ao olhar o rosto do seu filho, ele sabia o que devia ser feito.
— Eu sinto muito. — ele beijou a cabeça da criança e olhou para o Gibby — Não posso.
— Desgraçado! — Gibby berrou voltando a chorar de raiva e dor — Sammy... Acorda...
Freddie desviou o rosto do corpo inerte da Sam e levou o bebê para próximo de seus lábios. Freddie mordeu o pescoço do filho com rapidez e depois cuspiu o sangue que se acumalara em sua boca. Ele andou para a sala com o Flint que em breve acordaria chorando e continuaria durante horas até que o veneno tivesse feito seu trabalho. Freddie se sentou na varanda. Ele chorava enquanto o corpo do bebê se contorcia. Freddie fechou os olhos. Nesse momento a criança abriu as pálpebras e chorou. Ele se manteu agarrado ao bebê pedindo desculpas. Ele não suportava a dor que tinha causado na criança, mas sabia que tinha salvado a vida dela. Wendy disse que ele passaria por estágios... Uma de suas funções era criar uma vida e ele fez isso. Seu gene junto com o da Sam formou o Flint.
Horas da madrugada se passaram. O choro do bebê se tornara rouco e abafado. Em breve estaria terminado. Freddie não se moveu. Ele permaneceu ao lado do filho durante a metamorfose.
Freddie observou o rostinho do bebê quem enfim tinha parado de chorar. A emoção imediata que Freddie captou foi gratidão. Flint entendia o mundo a sua volta mais do que Freddie imaginava. O garotinho queria agradecer mas não sabia como. Com muito cuidado a criança conseguiu abrir um sorriso. Freddie sorriu também e chorou contra o rosto dele.
— Eu te amo Flint. — ele murmurou ainda chorando.
Flint mudou sua emoção de agradecido para preocupado. Ele queria perguntar sobre a Sam. Mas como ele avisaria ao Freddie se não sabia usar as palavras? Algo na cabeça do Flint o ensinara a se comunicar sem precisar falar. Flint olhou fixamente nos olhos do Freddie e o fez enxergar a Sam. Flint não precisou nem ao menos toca-lo. O dom dessa criança era fazer alguém ver tudo que ele quisesse.
Freddie entendeu a mensagem se admirando com o dom do filho. Ele ainda podia... Ainda podia salvar a Sam.
— Gibby, pegue o bebê! — Freddie ordenou entrando no quarto, onde Gibby estava imóvel deitado com o rosto na cama ensanguentada.
— Jogue-o pela janela... — Gibby murmurou quase rouco.
— Me dá... — Carly sussurrou saindo do chão onde tinha ficado o tempo inteiro — Me dá ele aqui...
— Ele é um vampiro, precisa dar sangue a ele... Tem A positivo guardado no freezer. Era para a Sam caso ela precisasse. — disse Freddie passando o bebê para a Carly. Sua maior preocupação além da Sam era que o bebê mordesse a Carly por estar sentindo sede. Flint sabia que tinha algo errado. Mais uma vez ele fitou o pai nos olhos e mostrou que gostava de Carly. Freddie sorriu e beijou os cabelos castanhos do bebê.
— Traga ela de volta. — Carly exigiu com o corpo frio da criança em seus braços.
— Essa é a tarefa do Gibby. — disse Freddie para a surpresa deles.
Fredward se inclinou contra o corpo da Sam e mordeu todos os lugares onde as veias se encontravam. Joelhos, pulsos, lados do pescoço e tornozelos. Assim que o veneno queimasse no corpo da Sam, Gibby teria que dar a maior ordem de Alfa que pudesse. Ordenar para que a Sam vivesse. Ordernar para que a Sam voltasse seja lá para onde a alma dela tenha ido.
— Você precisa buscar todo o poder que tiver. O poder mais desconhecido que possuir... — Freddie tocou o ombro do Gibby — Eu sei do que você é capaz e nesse momento se você ama a Sam por alguma razão até então desconhecida mesmo tendo imprinting pela Carly, você precisa trazê-la de volta. Se conecte com a alma dela. Dê a ordem. Diga para ela retornar. Faça isso por todos nós. Seja o Alfa que esperávamos que você fosse.
— Mas eu não sou ele. — Gibby se lamentou se referindo ao Alfa da profecia.
— Você vai... — Freddie se deteve — Não temos tempo Gibby.
— Está bem.
— E como você é o Alfa descendente de Hayes Gibson eu te peço que permita que a Sam se transforme quando ela retornar, para que consiga cicatrizar os ferimentos. Peço que revogue sua própria ordem e salve-a. — Freddie pediu a única coisa que temia que não pudesse ser desfeita.
Gibby concordou com a cabeça. Ele continuava a não perceber que não tinha mais uma alcateia.
— Eu revogo minha ordem. Eu quebro todas as leis e juramentos, mas que ela seja salva acima de tudo.
— Faça o que tem que fazer. — Freddie soltou o ombro do Gibby e ambos no fundo sabiam que talvez não funcionasse. Que talvez tivessem perdido a Sam essa noite.
— Aqui não. — falou Gibby. Ele pegou um cobertor e envolveu o corpo mutilado da Sam. Assim como a trouxe para dentro em seus braços, a levou para fora do mesmo jeito. Ele a deitou entre as flores da Colina Violeta.
Freddie se ajoelhou com medo de perder a amada. Seu coração se despeçou por que a morte não deixaria a Sam escapar dessa vez. Freddie olhou para o céu e pediu um milagre. Ele fez promessas a Deus e disse que cumpriria todas se trouxesse a Sam de volta. Seus olhos se fixaram no Gibson que procurava um poder até então desconhecido dentro de si mesmo.
— Você consegue. — sussurrou Fredward.
Gibby acenou a cabeça de novo e se preparou.
— Eu invoco o poder de todos os ancestrais Klautriny. Eu vogo pela vida de uma filha da tribo. Eu chamo pela vida da Samantha Puckett, filha de Pamella Puckett descendente do primeiro lobo Alfa a se transformar na Terra. Eu chamo pela alma da Ômega da tribo Klautriny. Eu ordeno... — Gibby respirou fundo — Samantha, eu ordeno que você volte. — ele chamou mas nada aconteceu, o corpo da garota continuava inerte no chão, enrolado no cobertor.
— Use tudo que tem Gibby. — falou Freddie.
— Eu ordeno que volte. Não importa onde você esteja, retorne para seu corpo. — Gibby falava com calma.
— Você não está fazendo isso direito.
— Quer tentar? — Gibby se estressou.
Freddie segurou a lingua mais uma vez.
— Não.
— Samantha Joy Puckett, pelo poder de cada lobo, híbrido, vampiro e seres mágicos eu ordeno que volte! — Gibby finalmente gritou — Que sua alma retorne ao seu corpo!
Tudo que se ouvia ao final dos gritos do Gibby era o som da floresta. Nem um mínimo movimento na Sam parecia acontecer. Ela se foi totalmente. Gibby chorou desolado e afundou o rosto no ombro do Freddie que também abraçou o Gibby para sufocar a própria dor. Eles estavam destruídos. Sam causava um efeito neles que ninguém jamais entendera por que esse era o dom dela. Além da mente da Sam ser totalmente protegida por uma magia poderosa — o que não deixava qualquer dom mental se apossar dela — ela podia formar um vínculo com as pessoas a quem amava. Sam se conectava e se tornava parte vital da vida dessa pessoa. Sam amou Freddie. Sam amou Gibby. Eles eram parte dela. Por mais que ainda teria mais uma justificativa a respeito do amor de Gibby pela Sam, ou pelo amor de Freddie por Carly em um futuro não tão distante. Uma coisa muito maior os envolvia, mas no momento, Fredward e Cornelius perderam o vínculo que Samantha Puckett formou. Nada a traria de volta... E o Alfa ainda não estava pronto para realmente poder salva-la da sua morte iminente.
Gibby finalmente sentiu que a alcateia o abandonara. Ele chorou com os dentes tremendo de ódio. Não acreditava que além de perder a Sam, também tinha perdido a matilha.
Carly olhava a cena pela janela enquanto alimentava o Flint com uma madeira preenchida com sangue. Ela tentava segurar as lágrimas. Não sabia como lidaria com a morte da melhor amiga. Elas prometeram proteger uma à outra e Carly fracassou, ou pelo menos se sentia como se tivesse fracassado. Ela não podia permitir a morte da Sam, ela precisava trazer a amiga de volta de um jeito ou de outro.
Carly pegou uma faca na cozinha, saiu do casebre e avançou para onde os garotos estavam. Os choros dos dois estavam abafados. Ela colocou Flint contra o peito e se abaixou.
— Coloquem as mãos juntas, isso vai doer, mas a magia de sangue acordará todos os ancestrais necessários para trazer a Sam de volta. — comentou Carly se preparando.
— E é seguro? — Gibby perguntou.
— Quem liga? — Freddie enxugou o nariz — Eu faço qualquer coisa.
— Não. Não é seguro. Um de nós vai ver algo terrível... Alguém aqui vai ter que sentir a morte enquanto Gibby tentar tirar a Sam dela. Freddie eu quero que você entenda os riscos... — Carly avisara com antecedência — A morte vai tentar levar alguém. Não tem como escapar. Se você quer trazer o amor da sua vida de volta, então saiba que a vida de um de nós está com os minutos contados. A decisão é sua.
— Eu morro... Eu morro no lugar da Sam, apenas traga ela de volta. — implorou Freddie.
— Não sou eu quem decide quem vai morrer no lugar dela, é a pessoa que lutar contra a morte, ou seja, terá que ir no lugar da Sam. — Carly sussurrou a última parte — Segure o Flint.
Freddie pegou o bebê e o deixou em seu braço direito. Gibby colocou a mão esquerda sobre a mão esqueda do Freddie, Carly fez o mesmo com a sua mão esquerda. Os três olharam para a faca. Carly afundou a lâmina primeiro pela mão do Gibby, a lâmina se cravou e desceu para a mão do Freddie, por último atravessou a mão da Carly e o sangue dos três se juntaram no chão daquele lugar sagrado. Um raio cortou o céu. Um vento frio soprou quase arrancando as flores de seus lugares na terra. Eles fecharam os olhos. Gibby sabia o que precisava fazer.
— Eu quero que a alma da Samantha Puckett seja devolvida e quem um de nós vá em seu lugar. — ele pediu para o nada.
A morte estava presente entre eles, a mesma que tentara levar a Sam uma vez. A besta com suas asas tinha feito sua escolha. Perdera Samantha de novo, porém queria levar a alma daquele ser incorruptível antes que a profecia fosse cumprida e o poder do Alfa protegesse a todos. A morte surgiu em frente ao Freddie que abriu seus olhos. Ele encarou a besta que afundou a foice em seu peito. Freddie sorriu cínico sabendo que ele não iria morrer por que a realidade em que estava vivendo não incluía a morte dele. Ele enganara a morte sem os outros saberem. A alma da Sam estava livre enquanto o demônio com suas asas medonhas tentava arrastar Freddie com ele para o abismo.
— E que o Senhor te repreenda. — sussurrou ele tão baixo que Carly achou que tinha sido um zumbido. A morte se desfez em uma fumaça preta. Ela foi enganada. Ela estava furiosa. Ela precisava ceifar a alma de alguém... Infelizmente o Oráculo acabara de ser quebrado não muito longe dali. A morte sabia quem levar.
Carly sentiu a energia do lugar mudar. Ela retirou o Flint dos braços do Freddie e retornou correndo para dentro do casebre, não podia colocar Flint em perigo.
Gibby não tinha muito tempo até a alma da Sam divagar de novo, dessa vez para o Outro Lado.
— EU ORDENO QUE VOCÊ SE LEVANTE SAMANTHA PUCKETT E VOLTE PARA A FORMA DE SEUS ANCESTRAIS, RETORNE PARA O QUE VOCÊ FOI FEITA! — Gibby gritou o mais alto que pôde e usou todo o poder que continha dentro de si. Mais dois raios cruzaram o céu.
Sam voltou à vida e em instantes em seu lugar havia mais uma vez aquela loba branca de olhos azuis. Sam uivou sentindo dor enquanto as feridas cicatrizavam. Ela rosnou caindo nas flores. A loba tremia de medo. Freddie a abraçou da maneira que deu, mas era difícil passar os braços em volta de um lobo tão grande. Gibby chorou de alegria. Ele nao hesitou em abraçar o Freddie. Eles tinham a conexão com a Sam estabelecida de novo.
Não levou se quer uma hora para que a loba estivesse totalmente recuperada. Sam se sentia mais forte do que nunca. Sua mente estava calma. Ela sabia o que viria depois disso, mas no momento só queria ficar com o filho, aquele o qual ela ainda não vira. Ela se colocou de pé e trotou até a porta do casebre. Freddie adentrou no lugar, pegou algumas roupas para a Sam e retornou.
Gibby sumiu para longe, querendo dar alguma privacidade aos dois e também sofrer pela perda de sua matilha.
Sam voltou à forma humana e se vestiu. Ela abraçou Freddie e cheirou o pescoço dele.
— Eu te amo. — disse Sam. Era uma frase bastante apropriada para o momento.
— Oh Sam. — Freddie abraçava ela com força.
Por ter voltado a se transformar em loba a meia-hora atrás, Sam era tão forte quanto Freddie mais uma vez.
— Flint... — Sam murmurou.
Freddie rompeu o abraço sorrindo.
— Ele é incrível, você precisa conhecê-lo.
Sam sorriu tentando imaginar como o bebê era. Ela "morreu" muito antes de ter visto ele sendo tirado de si. Sam se sentia vazia, era como se a gravidez não passasse de um sonho.
Freddie tomou a mão dela e os dois correram para dentro do casebre. Carly estava sentada balbuciando coisas para o bebê. Sam se assustou ao ver a mamadeira cheia de sangue em cima de uma mesinha.
— Sam... — Carly sussurrou com os olhos vermelhos de tanto chorar.
— Não se levante, eu vou até você. — até mesmo a voz da Sam estava diferente. Parecia uma melodia perfeita. Uma voz forte e profunda, de certa maneira até atraente. Ela tinha voltado extremamente poderosa. Sam acabara de nascer de novo.
— Você está viva... — Carly estava emocionada.
— Mais do que isso. — Sam sorriu e pegou o filho nos braços pela primeira vez — Ah... — ela se assustou por que o bebê era gelado.
— Ele não estava acordado. Talvez nem fosse acordar... Eu tive que mordê-lo. — Freddie se desculpava — Era a única forma de salvar ele.
— Mas ele vai ficar para sempre como um bebê? — Sam não compreendia e no momento estava encantada com o Flint.
— Flint vai envelhecer, até que se transforme em lobo. Ele é exatamente como você. Sem tirar e nem pôr. — Freddie disse abraçando a Sam.
— Ele parece com você. — ela sorriu para o filho que também estava alegre. Flint tinha covinhas.
Freddie analisou o rosto do Flint. Cabelos castanhos e olhos azuis. Sam errou apenas na fisionomia.
— Hum... — resmungou Freddie — Mas ele tem seus olhos.
— Verdade... — Sam não continha a emoção. Flint se sentia forte por olhar o rosto de seus pais. Ele olhava para os olhos da Sam e a mostrou o Gibby. Queria saber onde ele estava. — Mas o que é isso? — Sam perguntou confusa.
— Como eu controlo as emoções? Como outros controlam pensamentos? É um dom. Ele te mostra exatamente aquilo que quer, uma forma de comunicação. — respondeu Freddie com orgulho do Flint.
— Ele estava tentando me perguntar onde está o Gibby, eu acho que era isso. — Sam olhou em volta.
— Eu vou procura-lo. — Carly avançou para a porta.
— Carly. — Sam chamou — Obrigada por tudo.
— Prometemos proteger uma a outra, se lembra? — Carly sorriu e depois foi procurar pelo Gibby.
Sam distribuiu beijos pelo rosto do Flint. Freddie estava eufórico por ver o seu filho nos braços da mulher que ama.
Sam fez uma careta ao perceber uma coisa.
— Ele ficou inconsciente enquanto o veneno agia?
Freddie engoliu em seco e fez que não com a cabeça.
— Se serve de consolo, eu senti a dor dele. — disse Fredward.
— Consolo? Acha que o fato dos dois sentirem dor serve de alguma coisa para mim? — Sam se estressou com rapidez. Ela era uma loba de novo e não podia perder o controle com o Flint nos braços.
— Eu não quis dizer isso. — Freddie rolou os olhos.
— Às vezes é melhor você ficar calado. — Sam murmurou.
— Você que não entende o contexto do que eu falo.
— Freddie, cala a boca.
— Não vou ficar quieto. — ele já sabia que tinha começado uma discussão.
Flint não gostou da cena. Rapidamente ele colocou seu dom em ação.
Sam arfou com o que viu.
— Que atrevido. — ela gargalhou.
— Acho que nosso filho acabou de mostrar que queria nos ver se beijando e não discutindo. — Freddie riu e robou um selinho da Sam — Perdão amor. Desculpa Flint.
— Desculpa Freddie. — Sam beijou o rosto dele — E me desculpa Flint. — ela balançou o filho — Você é lindo... O bebê mais lindo do mundo. Eu te amo.
Flint demonstrou à Sam que também a amava. Sam se comoveu e uma lágrima sua molhou o rosto dele. Ela sabia que não teria muito tempo com Flint, no máximo dois dias.
— Eu vou limpar o quarto. — Freddie avisou.
— Não... Acho melhor voltarmos para casa... Flint acabou de mostrar que não gosta daqui. — Sam contou fazendo as vontades do filho.
— Tudo bem... Eu limpo outro dia.
— Vamos apenas aguardar Carly e Gibby voltarem.
— Como quiser amor.
— Você devia descansar um pouco.
— Eu estou bem. — Freddie deu de ombros — Vou preparar algo para você comer.
— Obrigada. — Sam agradeceu e se sentou na poltrona em que Carly estava antes. Flint colocou as duas mãozinhas no rosto da Sam. Com seu dom ele mostrou a mamadeira. — Cara, você é demais. — ela riu de novo.
Após Freddie trocar a camisa e lavar as mãos, ele fez algo para Sam e ele comerem. Eles sabiam que por Flint ser um vampiro, não iria dormir nunca, então passaram a enterte-lo com o que o mesmo pedia.
Freddie percebeu que se esquecera de algo. Ele não acreditava na tamanha coincidência. Ele também já se culpava por ter esquecido algo tão importante.
— Feliz aniversário Sammy. — ele susurrou no ouvido dela.
— Oh... Eu tinha esquecido. — ela suspirou.
— Parece que você e o Flint fazem aniversário no mesmo dia.
— É....
— Se você tecnicamente estava envelhecendo então agora tem dezoito.
— E você continua belíssimo paralisado para sempre com dezessete anos.
— Verdade. — ele a beijou rapidamente espantando da sua mente o que gostaria de fazer com a Sam. Ele tinha que se comportar na frente do Flint.
— Que demora dos dois. — Sam revirou os olhos.
— Gibby me surpreendeu. — Freddie relembrou da maneira que ele agiu.
— Por que diz isso?
— Ele ainda te ama. A Carly é a escolhida, mas existe uma conexão muito forte entre vocês. Me perturba. — agora foi a vez do Freddie se estressar.
Flint fez uma careta e mostrou algo para a Sam. Ela sabia o que tinha visto.
— Então rompe essa ligação ridícula com a Carly, querido. — murmurou a Sam com certo nojo.
— O que o Flint te mostrou?
— Não importa. Algo está errado entre nós quatro. Nada disso faz sentido.
— Eu só sei que a cabeça do Gibby não está no lugar. — Freddie disparou.
— A cabeça de quem não está no lugar? — Gibby perguntou entrando no casebre.
— Graças a Deus voltaram, onde estavam? — perguntou Sam.
— Aconteceu um problema. — disse Carly logo atrás do Gibby.
— O que? — Freddie ficou curioso.
— Tori é a Alfa da alcateia. — respondeu Gibby.
— Mas que porra?! — Sam se levantou chateada.
— Shhh, não fala palavrão perto do bebê. — advertiu Freddie.
Flint soltou um barulho que poderia ser uma risada. Gibby olhou para o bebê com certo desgosto. Flint se irritou com a postura do Gibby e mostrou para ele o quanto Sam e Freddie amavam um ao outro.
— Cara, que parada foi essa? — Gibby levou a mão à cabeça.
— O que ele te mostrou? — Carly perguntou.
— O Flint? O Flint fez isso? — Gibby bufou.
Carly fez que sim com a cabeça.
— O dom dele é mostrar aquilo que quer.
— Inacreditável... — Gibby mordeu o lábio e evitou olhar para a Sam.
— E sobre a Tori? Como assim ela é a líder agora? — Freddie retornou para o assunto.
— Houve uma batalha próxima da reserva... — Gibby começou a contar.
— Uma batalha? Alguém saiu ferido? — Sam se preocupou.
— Não. Pelo o que Tori me contou no telefone, tanto os vampiros como os lobos se sentiram traídos por nós não estarmos lá. A lealdade da matilha passou para ela. Tori é a Alfa agora... Ou tecnicamente tomou meu lugar de Gama, não dá para saber, é tudo confuso. — Gibby se sentou no chão, ele estava exausto.
— Eu sou a Ômega, posso ter qualquer matilha que eu queira, se lembra? Posso recuperar de volta para você. — afirmou a Sam.
— Seria como tratá-los feito escravos. A decisão foi deles. Não me importo mais. — Gibby fez descaso.
— Um Alfa de verdade tentaria reconquistar sua alcateia. — disse Freddie.
— E o que você sabe sobre isso? — Gibby perguntou mostrando que a camaradagem entre eles já tinha acabado.
— E agora? — Carly perguntou sonolenta.
— Eu vou voltar para casa com o Flint e com o Freddie. Vocês devem descansar. — Sam se levantou do sofá e Freddie a acompanhou — Hey Gibby, relaxa, eu posso ser a sua Alfa se você quiser.
— Ah vê se dá um tempo Samantha. — Gibby bufou novamente e se levantou do chão — Carly, leva a gente de volta.
— Claro, teletransporte é útil. — ela resmungou — Sam e Freddie, querem uma carona?
— Não. A Lamborghini está ali nas árvores. — Freddie apontou para fora.
— Ok... Se precisarem de uma babá, eu estou disponível. — Carly disse sorrindo.
— Se precisarmos a gente te chama. — falou Sam — E se por acaso se encontrarem com os outros digam que está tudo bem.
— Claro. — Carly pegou a mão do Gibby — Xau Flint.
E tudo que restou foi uma fumaça verde.
Freddie entrou na casa primeiro do que a Sam e acendeu as luzes. Ele retornou para fora e a ajudou a sair do carro, mesmo que ela não precisasse disso.
— Até parece que estou de resguardo. — Sam riu baixinho.
— Me dê o Flint, vai tomar banho. — Freddie exigiu.
— Ok. — Sam passou o bebê para ele.
Sam partiu para o quarto e Freddie foi se sentar na sala. Ele balançava o bebê olhando profundamente nos olhos dele.
— Eu não quero perder você, Flint. — Freddie admitiu sofrendo.
Quando Sam saiu do banho e se trocou, viu que Freddie também não estava nas melhores condições e aparentava cansaço.
— Vou te colocar na cama. — Freddie disse saindo do sofá da sala.
— Não. Eu fico com ele. Você vai dormir e isso é uma ordem, entendeu? — Sam não estava com saco para discutir dessa vez — Vá para o apartamento.
— Sam, eu quero te ajudar. — Freddie fez biquinho.
— Flint, mostre ao seu pai que ele precisa dormir. — Sam pediu ao bebê.
Flint se mexeu e olhou para o pai. Freddie viu uma cama e não conteve as gargalhadas.
— Está bem. — concordou ele.
Freddie primeiro beijou o rosto do Flint e depois beijou a Sam. Ele saiu da casa e iria para o apartamento tomar banho, mas em sua mente sabia que depois do banho retornaria para casa da Sam, mesmo que tivesse que dormir no sofá.
Sam levou o bebê para a cozinha. Ela riu por que sentia fome de novo. Flint sentia sede mas ele iria esperar para pedir o que desejava.
— Você é a pessoa mais especial do mundo, sabia disso? — Sam perguntou abrindo a geladeira sem tirar o Flint do braço esquerdo. Flint sabia sim. Sam encarou o rosto do filho, ela queria chorar. — Flint, eu não posso perder você. — ela repetiu quase a mesma frase que o Freddie tinha dito. Nenhum dos dois queria perder o próprio filho, será que algo iria empatar isso?
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