42 - Violet Hill
47 Coelhinho, caveira... Coelhinho, caveira...
Notas iniciais
Povs geral:
Freddie entrou no apartamento dele se sentindo alegre e ansioso. Ele queria retornar para perto da Sam e do Flint. Sua vida parecia completa como nunca antes. Ele correu para o quarto, pegou algumas roupas e foi para o chuveiro. Ele tentou se lavar com pressa, mas tinha sangue pelo seu corpo e isso o atrasou. Após vinte minutos Freddie conseguiu terminar o banho. Ele se vestiu com uma calça jeans e uma camisa de manga curta branca. Ele escolheu um All-Star preto e o amarrou contando cada segundo como se fosse preocioso.
Freddie já estava prestes a sair quando se lembrou que deveria avisar sua mãe que tudo ocorrera bem — ou quase — e que o Flint era maravilhoso. Freddie andou pelos cômodos da casa sem saber se sua mãe estava por aqui ou se ainda estava no hospital. Ele chegou à porta do quarto dela e bateu. Freddie inalou. Ele sentia o cheiro da mãe, mas por quê ela não o veio receber? Ele empurrou a porta e viu o corpo no chão. Freddie estava ao lado dela antes que piscasse. Ele abraçou a mãe que permanecia imóvel.
— Mãe?! — ele chamou tentando fazer ela se acordar — Mãe! Acorda mãe! Não... Mamãe. — Freddie sentia a garganta se fechando. Ele queria chorar. Ele tinha transformado ela com a intenção de poder ter a mãe para sempre. Agora estava tudo acabado. No fundo ele sabia que aquilo que Wendy tinha dito se cumprira.
Uma linha do tempo do Oráculo fora quebrada. Marissa Benson não poderia continuar viva se os propósitos foram mudados. Tudo seria diferente... As páginas do livro foram reescritas pela magia.
Freddie com cuidado retirou o colar que sua mãe carregava no pescoço. Era um símbolo que significava muito para ele. Ao retirar o colar, o corpo de sua mãe se tornou cinzas e se desfez em suas mãos. Freddie gritou e isso ecoou pelas paredes do apartamento. Era como se o colar estivesse ali, a espera de alguém que o retirasse para que a forma do Oráculo fosse destruída.
Freddie se deitou no chão chorando. A alegria que carregava consigo poucos minutos atrás não parecia mais existir. Ele desferiu socos no chão. Ele queria alguém para culpar. Não... A culpa não era da Wendy, ela apenas tinha o alertado. No fundo Fredward sabia quem era culpada. A morte da mãe dele foi causada por Tori.
O choro voltou, carregado de raiva e ele estava tão exausto que não percebeu quando dormiu.
A luz do sol tentava atravessar a cortina do quarto. Freddie se acordou se xingando mentalmente. Ele tinha deixado a Sam sozinha tempo demais.
Ele se levantou e olhou a sua volta. Freddie não queria nada daquele apartamento. Ele precisava deixar aquele lugar. Ele precisava se livrar de tudo. Fredward iria provocar um incêndio. Ele colocou o colar da mãe no bolso e partiu para a cozinha. Com cuidado ele perfurou o encanamento do gás. Ele voltou para o quarto, pegou os documentos que considerava importante, esvaziou o cofre, colocou tudo dentro de uma bolsa e saiu do que um dia costumara chamar de lar.
Freddie estava saindo do prédio quando ouviu a explosão e os gritos começarem. Por sorte ele sabia que ninguém ficaria ferido, mas do apartamento não sobraria nada.
Freddie estacionou a Lamborghini em frente à casa em que Tori estava morando com o Griffin. Ele saiu do carro pisando duro. Ele não tinha se desligado, mas só conseguia sentir raiva da própria irmã. Ele subiu os pequenos degraus da varanda e deu duas batidas fortes na porta. Tori apareceu para abrir.
— Oi Freddie... — ela cumprimentou como se não estivesse afim de vê-lo.
— Que merda você estava pensando quando resolveu assumir a alcateia? Me fala?! — ele perguntou bravo e tentou entrar, mas ele nunca tinha sido convidado para aquela casa.
— Eu estou fazendo algo que o Gibby não consegue. — respondeu Tori.
Freddie deu um soco na madeira da porta.
— Algo que o Gibby não consegue? Jura?! Você a matou!
— Matei quem? — Tori não compreende.
— Wendy disse que se algo quebrasse uma linha do tempo do Oráculo, minha mãe iria morrer. Você fez isso ao se tornar a Alfa da matilha antes do momento certo. Você e esse seu orgulho... — Freddie não conseguia falar sem tremer.
— A mamãe morreu? — Tori sussurrou e uma lágrima escapou sem controle.
— Você tinha que tentar ser a melhor, não é? Não dormiria se não tentasse superar a todos!
— Eu sinto tanto Freddie. Me perdoa. — ela abraçou o irmão — Eu ainda falava com ela, todos os dias... Eu a amava. Ela sempre vai ser a minha mãe.
— Sua mãe? — Freddie recuou para longe da irmã — Fiquei até cansado de olhar para essa sua cara de falsa. — ele repetiu as mesmas palavras que Tori disse antes de se mudar.
— Ela era importante para mim Freddie. — Tori secou o rosto.
Freddie trincou os dentes.
— E agora você a matou.
— Eu... Se tiver alguma forma de recompensar isso...
— Recompensar? Traga ela de volta dos mortos!
— Freddie... — ela tentou se aproximar mas tudo que Fredward queria era distância — Pelo menos me deixe preparar o velório, eu creio que...
— O que? — ele não acreditou no que ouviu — Velório? Não sobrou nada! Ela virou cinzas quando eu tirei o colar do pescoço dela!
— O colar? Nosso pai deu o colar para ela.
— Você escutou alguma coisa do que eu disse?! — perguntou ele quase gritando.
— Eu entendi, mas o colar... Freddie, August deu o colar a ela. E quem deu o colar a ele foi o Klaus. — disse Tori.
Isso chamou a atenção do Freddie, mas ele estava magoado demais agora para prestar atenção em alguma coisa. Ele ainda teria um logo processo de luto para passar.
— Apenas saiba que ela morreu por sua culpa. — Freddie murmurou antes de se virar.
— Eu precisava liderar a alcateia, eu nasci para isso... A morte dela talvez tenha sido necessária. — Tori arriscou dizer.
— Necessária? — Freddie se virou e voou para cima da irmã, que retornou para dentro da casa, ele não poderia fazer mal a ela enquanto a mesma não saísse da residência — Pro inferno com isso Vega! — ele rosnou com ódio.
— Eu queria poder te ajudar, mas infelizmente...
— Não faz diferença não é mesmo? Ela nem era sua mãe. — Freddie soltou essa e se afastou da casa — Você nunca teve uma para saber como é.
Tori sofreu com as palavras dele, mas não tanto quanto Freddie estava sofrendo por ter perdido a própria mãe.
Fredward guiou o carro pela cidade tentando acalmar a mente, ele não podia se esquecer que hoje era aniversário da Sam e em parte do Flint. Ele amava os dois acima de tudo e então colocaria ambos acima de suas necessidades. Freddie poderia entrar em luto pela morte da mãe depois, no momento ele precisava pensar no que daria para a Sammy, pois para o Flint ele já sabia qual seria o presente.
Freddie se viu dirigindo pelas ruas das lojas indígenas onde comprou para a Sam o colar do pequeno lobo de madeira simbolizando o Dice. Ele sabia que ela guardara aquilo por que Dice estava mais vivo do que nunca, mas não deixava de ter um valor especial. Freddie queria oferecer no dia de hoje algo tão importante quanto aquilo e ele teve uma ideia. Iria dar o mesmo presente, mas de uma forma diferente. Com rapidez ele comprou algo com certo medo.
Em seguida ele passou em um velho conhecido que vendia carros usados. Deixou a Lamborghini por lá — pois, iria buscá-la depois — e saiu com outro carro que acabara de comprar. Agora a próxima parada era o presente do Flint. Freddie primeiro foi em uma gráfica imprimir uma pequena foto que tinha no celular dele e da Sam. Após isso foi para uma joalheria onde comprou um colar caro de prata, que poderia ser aberto e conter uma foto. Ele encaixou a pequena fotografia ali e sorriu contente, o último passo era chamar a Tasha.
Freddie entrou no carro e retirou o celular do bolso onde o pusera. Viu que perdera diversas ligações. Era por causa da explosão no apartamento. Ele suspirou fechando os olhos tentando não pensar na mãe.
Freddie discou o número da Tasha e aguardou. Ela atendeu. Ele foi rápido na ligação. Tasha desligou e já estava vindo encontra-lo.
O vampiro estava próximo ao Sound. Tasha foi rápida em chegar em um Mercedes preto.
— Você sabe que eu precisei notifica-lo, mas ele só virá na próxima semana, problemas em Viena. — Tasha foi sincera, ela tinha cumprido a parte do acordo com o Gatlin.
Freddie sentiu que ia desmaiar. O mundo dele estava desmoronando cada vez mais. Ele ainda não podia fazer nada. Freddie estava com ódio.
— Não estou bravo com você Tasha, mas nos deve um favor e sabe disso. — murmurou Freddie observando o mar.
— Você sabe que eu farei qualquer coisa depois do ocorrido no camping.
— É. Imaginei isso.
— Você falou com ele?
— Ainda não o vi... Já faz algum tempo.
— Claro... Temos que manter em segredo.
— Pela segurança dele.
— Somente pela dele? — Tasha perguntou, ela admirava que Freddie conseguia falar de um assunto tão perigoso mas sem esboçar reação nenhuma ou especificar sobre o que se tratava. Ele sabia esconder tudo tão bem.
— Pela de todos. — Freddie respondeu.
— O que eu faço exatamente?
Freddie mostrou o colar.
— O feitiço que quebra a maldição do Sol nos vampiros. Quero que faça nisso aqui para o Flint. Eu pediria à Carly mas provalmente ela já deve estar na casa da Sam e eu gostaria de fazer uma supresa.
— Me dê o colar. — Tasha pediu e Freddie o entregou. A Hexenbiest não se demorou muito e fez o que Freddie tinha pedido. O colar pegou fogou. Tasha jogou no chão e pisou em cima. Ela devolveu a ele.
— Agradeço. — ele tentou sorrir — Ah e eu comprei isso para a Sam. — Freddie mostrou rapidamente mas Tasha conseguiu ver.
— Ficou louco? Vai mesmo fazer isso?! — ela surtou com o vampiro.
— Não deixarei que ela veja, não hoje... Por isso comprei outra coisa para ela. — ele mostrou o segundo presente estacionado no acostamento.
— Aquela lata-velha? — ela perguntou com nojo ao ver a picape.
— Sam gosta. O importante é isso. Não se dá um camaro a alguém que só deseja uma bicicleta. — Freddie deu de ombros.
— Você sempre me surpreende.
— No mau sentido?
Tasha fez que não com a cabeça.
— No bom sentido.
— Que bom.
O celular da Tasha tocou. Ela o atendeu com rapidez.
— Alô?
— Você viu o Freddie?! — era a voz da Shelby gritando.
— Estou olhando para ele agora. — respondeu Tasha franzindo a testa — Qual é o problema?
— O apartamento dele explodiu, tudo foi destruído... Tinha cinzas de vampiro no quarto da mãe dele, mas Tori contou que não foi por causa disso que ela tinha morrido. — Shelby falava rapidamente.
— Hum... Eu... Meu Deus. — Tasha abraçou o Freddie, mas o vampiro não correspondeu.
— Eu que causei o incêndio. — sussurrou Freddie.
— O que?! — gritou Shelby.
— Eu ligo depois. — Tasha desligou a ligação ainda nos braços do melhor amigo — Freddie... — ela olhou no rosto dele — Eu sinto muito pela sua perda.
— Não quero falar sobre isso, não toque no assunto. — Freddie a abraçou para manter a amizade.
— Ah Freddie... O que o mundo fez você passar? — ela sentiu dor por ele e infelizmente Freddie teve que sentir isso vindo dela.
Freddie entrou na casa da Sam. Alguém ria na sala. Ele andou para lá e viu o filho nos braços do Dice. Carly e Gibby discutiam sobre de quem era a vez de alimentar o bebê. Freddie arregalou os olhos. Aquilo não era possível. Por quanto tempo ele tinha dormido? O bebê estava muito maior do que ontem. Ele se aproximou para olhar mais de perto.
— Olha Flint, é o seu pai. — Dice disse rindo.
Carly e Gibby ficaram em silêncio.
Flint olhou para o Freddie que rapidamente o pegou nos braços.
— Flint... Você está maior... — ele sussurrou confuso.
— Acho que o crescimento dele é sem precedentes... Ele é seu filho e filho da Sam, nunca teve um casal como vocês na história. — disse Carly.
— Onde a Sam está?
— Lá em cima dormindo, ela ficou a noite toda acordada. — respondeu Gibby.
— Então é melhor deixa-la dormir. — eu me sento no sofá — Pode ir para casa se quiser Dice, eu fico aqui com o Flint.
— Não quero ir para casa. Eu quero ficar aqui com vocês... — Dice sorriu.
— Por que? — Freddie sabia o motivo mas queria ouvir do garoto.
— Você sabe por quê.
Freddie deu um sorriso triste, ele ainda sentia a morte da mãe.
— Freddie... Sabemos sobre o apartamento. — Carly murmurou.
— Não vamos tocar nesse assunto. — Freddie foi direto.
— Como quiser. — ela compreendeu e suspirou.
Freddie sentia que Carly estava sofrendo por ver ele triste e Gibby também estava abalado. Ele não queria sentir aquilo.
— Sei que é aniversário da Sam, mas poderiam me dar um tempo a sós com o meu filho? — ele pediu se segurando para não gritar.
— Tudo bem. — Carly e Gibby se levantaram — Estaremos por aí, quando a Sam acordar voltaremos.
— Obrigado. — Freddie agradeceu e olhou para o Dice que também se levantara. Assim que Carly e Gibby se viraram, Freddie balançou a cabeça negativamente para o garoto que entendeu a mensagem secreta.
Dice seguiu Carly e Gibby e depois de uns 5 minutos voltou sozinho.
Dice se sentou ao lado do Freddie novamente. Ele despitara os dois e retornara.
— Você é esperto. — Freddie comentou.
— Eu preciso ser. — Dice sentiu orgulho.
— Foi a Sam que te apelidou de Dice, né?
— Acho que ela apelidou todo mundo.
— Ela tem o dom de encantar as pessoas.
— Sério?
— Sim. Eu descobri isso.
— Nossa.
— Não é da maneira que você está pensando. — disse Freddie arrumando Flint em seus braços que se mexia inquieto — Se ela ama alguém, instantaneamente cria um vínculo muito profundo com aquela pessoa, ela sabe amar de verdade, ela ama como ninguém.
— Quando vocês se apaixonaram um pelo outro? — Dice queria saber a história.
— Acho que quando eu morava na reserva, antes de eu ter sido transformado em vampiro. Nos conhecíamos desde pequenos. — Freddie beija o rosto do Flint — Todos que nos olhavam diziam que estávamos destinados a ficar juntos, bom, eles estavam certos.
Dice deu um sorriso amarelo.
— E você não precisou de um imprinting para isso.
— Não, mas... Nós sabemos que no fundo falta alguma coisa.
— O imprinting é apenas uma ligação... Bem forte para ser exato.
— E falando nisso, como você está?
Dice suspirou.
— Eu me sinto perfeito. E ela está confusa mas lisonjeada, agora vai ter que me esperar.
— Em breve você vai voltar a envelhecer, calma.
— Eu estou calmo. — Dice deu carinho no Flint — Apenas ansioso.
Flint colocou a mãozinha no rosto do pai.
— O que é garotão? Quer me contar alguma coisa?
Flint mostrou ao Freddie algo que fez o coração dele quase parar.
— Freddie você está bem? Calma, o que foi que você viu? — Dice se preocupou.
Freddie apenas balançou a cabeça e colocou Flint de lado, para que ele mostrasse a mesma coisa ao Dice.
Dice olhou o rosto do Flint e também viu a imagem. Ele se arrepiou.
— Ele... — Freddie não conseguiu dizer.
— Como ele pode nos mostrar algo que nunca viu? — perguntou Dice em tom alto demais.
— Não sei, mas ele não tem medo ao contrário de nós. Ele até gosta. — Freddie acariciou o rosto do bebê que dessa vez mostrou a mamadeira.
— Eu conheço essa cara, é fome. Ele nem precisa me mostrar. — Dice pegou a mamadeira e Freddie trincou os dentes sentindo sede — Eu posso fazer isso Freddie, sei como se sente.
— Não. Eu tenho que fazer, pelo menos uma vez. — ele tirou a mamadeira das mãos do Dice e colocou na boca do bebê.
Dice cruzou os braços meio bravo por perder a chance de alimentar o Flint.
— Quando foi a última vez que você caçou?
— Não se preocupe com isso, vou ficar bem.
— É sério Benson. — Dice imitou Sam falando e Freddie revirou os olhos — A Sam sabe que você está se privando? Você pode estar se tornando humano ou sei lá o que, mas ainda sente sede.
— Eu vou caçar em breve. — Freddie focou a atenção no Flint.
— Ah vai... Quando a Sam acordar irei avisar a ela.
— E você por acaso adora criar um bebê...
— Flint não é como os outros bebês, ele não chora e não faz sujeira, sem contar que mostra coisas legais e tudo que quer é que alguém o interta. — Dice mostrava gostar do Flint.
Freddie bufou.
— Claro, claro.
— Quer comer alguma coisa? Eu fiz ovos e bacon.
— Eu adoraria, mas... — Freddie não pôde terminar por que Dice partiu correndo para a cozinha.
Freddie estava comendo com pressa enquanto Dice segurava o bebê. Ele observava os dois ainda tentando lidar com a morte da mãe. Ele não conseguia acreditar que era real. Freddie precisava de uma distração e olhando para o seu filho nos braços do Dice, ele sabia no que focar.
— Por que está sendo tão prestativo comigo? — Freddie perguntou escavando o prato, ele realmente estava com fome.
— Você sabe por quê. — Dice repetiu a frase e deu de ombros.
— Isso não significa nada Dice, o bonzinho pode virar mal, está preparado para isso?
Dice o encarou.
— Eu confio no Alfa.
— Eu não. — Freddie fez uma careta.
— Como pode não confiar nele?
— Simplesmente pelo fato que não podemos confiar em ninguém. — respondeu Fredward — Nem em nós mesmos.
— Pois bem, eu confio em mim. — disse Dice com convicção.
— Azar o seu.
Ambos ficaram um tempo calados enquanto Freddie terminava de comer. Dice sabia que tinha algo errado com o amigo por causa da morte da mãe, pois o olhar deve estava sempre vidrado e pertubado, sendo constituído de uma dor profunda.
— Freddie, quer desabafar? — ele perguntou.
— Não é que eu não queira te contar, eu apenas gostaria de contar à Sam primeiro.
— Tudo bem.
Freddie terminou de comer e largou o garfo no prato.
— Pronto agora me dê ele aqui. — ele fez sinal para o Flint.
— Escove os dentes primeiro. — Dice não queria soltar o bebê.
— Agora você me dá ordens? — Freddie se levantou.
Dice deu de ombros.
Freddie foi para o andar de cima e entrou no quarto. Uma chuva quente caia lá fora. Sam dormia na cama usando apenas uma camiseta, foi por isso que Freddie reparou o que ela tinha feito no braço. Ele viu o símbolo da alcateia tatuado ali também. Provavelmente fez quando o Dice chegou, mas por quê?
Freddie foi escovar os dentes. Quando saiu do banheiro viu Sam com os olhos abertos fitando o teto pensativa.
— Oi Sam. — Freddie murmurou se sentando ao lado dela.
— Hey amor. — ela ronronou se sentando para beija-lo. Freddie aceitou o beijo e acariciou o corpo dela, mas por estar sofrendo com a perda recente, não conseguiu ir longe.
— Sammy... — ela sussurrou e deitou a cabeça nas pernas dela.
— Freddie o que houve? Cadê o Flint? — Sam se desesperou.
— Não é o Flint, ele está lá embaixo com o Dice. — a voz do Freddie se tornou embargada.
— O que aconteceu com você?
— Comigo não, com a minha mãe.
— Ela está bem? — Sam perguntou dando carinho nos cabelos castanhos dele.
— Ela morreu.
Sam ficou muda durante alguns segundos.
— Morreu? Como assim?
— Tori. Ela quebrou uma linha do tempo do Oráculo ao se tornar a Alfa. Wendy me disse que era possível minha mãe morreu e de fato foi o que houve... Ela virou cinzas, bem na minha frente e eu não pude fazer nada. O Oráculo mudou, ela não poderia permanecer viva, é tão complexo... Eu só queria... Eu só... — Freddie não encontrava palavras para expressar tamanha dor — Eu não aguento mais sofrer... Não suporto tanta dor.
— Freddie... — Sam também estava com a voz carregada de lágrimas pela dor do noivo — Eu sinto tanto meu amor e eu sei que nada vai te ajudar a superar, por que até hoje eu não superei.
— Mas a culpa foi minha...
— Shh. Não Freddie. — ela abraçou ele e se deitou — Pare de se culpar, chega de tanta culpa, tanta mágoa.
Freddie segurou um soluço. Ele estava destruído emocionalmente e seu próprio dom não funcionava em si mesmo. Ele não podia se acalmar.
Ele se libertou pela primeira vez de verdade nos braços dela. Freddie chorou como nunca antes. Ele tremia sem se importar de parecer fraco. Ele queria sumir. Ele queria desaparecer. Ele queria fugir mas não tem como escapar de si mesmo.
Sam ficou com os braços em volta dele fazendo pressão para tentar acalma-lo. As lágrimas dele pareciam infinitas por que quase trinta minutos passaram e ele prosseguia com o choro amargo. Ele não conseguia parar. Sam estava se desesperando por que não sabia se vampiros entravam em choque assim e também se lembrava que agora ele estava virando humano. Era uma bagunça sem tamanho.
Sam pensou na única coisa em que podia fazer. Ela cantou:
— Quando contei meus demônios, vi que havia um para cada dia... Com os bons nos meus ombros, eu afastei os outros para longe.— ela cantarolava baixinho — Então se você se sentir negligenciado... E se achar que tudo está perdido, eu estarei contando meus demônios, sim...— Freddie foi se acalmando aos poucos - Esperando que tudo não esteja perdido.— ela inspirou antes de prosseguir — Quando você pensou que tudo tinha acabado, você podia sentir tudo ao seu redor.— Freddie se sentiu tocado demais com essa parte. — E todos querem te causar problemas, não deixe isso te derrubar... Caso sinta-se negligenciado, se pensar que tudo está perdido, eu estarei contando meus demônios, sim, esperando que tudo não esteja perdido...
Freddie se sentou na cama suportando tudo da maneira que podia. Sam era sua calma. Ela era o arco-íris após a tempestade. Ela era a essência máxima da vida dele. O que mais Freddie iria querer?
— Obrigado por isso Sammy. — ele beijou a testa dela — Venha comigo. — ela a puxou da cama e os dois foram até a janela do corredor que tinha vista para a rua — Feliz aniversário. — Freddie mostrou a caminhonete vermelha desbotada.
— Freddie... — ela ficou confusa — Após toda essa dor que você passou, ainda tenta me fazer feliz? — Sam secou lágrimas do próprio rosto que escaparam — Por quê Freddie?
— Porque é assim que eu sou. — ele justificou — E eu lhe comprei isto também. — ele mostrou um saquinho fechado — Mas esse você só pode abrir quando for o momento certo, é um pedacinho de mim com você novamente.
Sam sentiu o pequeno embrulho nos dedos.
— Quando eu irei saber?
— Você vai saber querida. — Freddie a abraçou e ela adorava estar nos braços dele — Agora que tal irmos dar o presente do nosso filho?
— Você também comprou algo para ele?
— Claro. — Freddie desfez o abraço e exibiu o colar — Tem o mesmo efeito que meu anel e o relógio.
— Você é um pai incrível.
— E serei um marido incrível também.
— Sim, eu sei. — Sam o beijou encostando ele na parede. Freddie desceu a mão pela camisa dela para alisar o corpo da Sam. Ele estava ficando excitado por tê-la em seus braços trajando apenas uma camiseta.
— Melhor você se vestir. — ele murmurou.
— Claro, claro. — Sam retornou para o quarto e Freddie a seguiu aproveitando para olhar a bunda dela. Ele pensou no que gostaria de fazer quando tivesse a chance de leva-la para a cama de novo. Seus dentes morderam o próprio lábio.
Freddie balançou a cabeça e de repente se recordou de algo.
— Se Tori quebrou uma linha do tempo, o Oráculo mudou. — ele procurou o livro pelo quarto enquanto Sam vestia um shorts — Temos que ver o que o livro alterou.
— Tem razão. — Sam foi para perto do Freddie que tinha o Oráculo nas mãos.
Freddie abriu o livro. Os desenhos nas páginas ganhavam vida com cada movimento. Tudo parecia normal. O Gloriandei estava destacado com a garota usando uma roupa comum e lutando contra um soldado da família Real em sua armadura. A garora era a Sam. Ela sabia disso. Freddie voltou algumas páginas sentindo um frio na barriga ao passar pelo Alfa, Sam também se contraiu. Os dois viram ao mesmo tempo o que tinha mudado naquele livro tão mágico. Tinha uma flor compostas por várias linhas ligada ao Alfa. Várias tinham se rompido. Sam fechou o livro e o jogou em um canto do quarto.
— Sam? Por quê fez isso? — perguntou Fredward.
— Se verificarmos cada linha rompida, iremos descobrir quem é o Alfa e eu não quero saber quem ele é. Eu o odeio com todas as minhas forças, por que ele poderia muito bem se revelar agora e empatar que meu filho fosse tirado de mim. — Sam sussurrou e sentou levando as mãos à têmpora.
Freddie se ajoelhou em frente a ela como na primeira vez em que esteve nesse quarto.
— Então o culpe, por que eu também farei isso.
— Como eu poderei lutar por alguém que vai destruir a minha vida? Por culpa dele iremos perder o Flint.
— Eu sinto muito. — Freddie beijou as mãos dela e ficaram um tempo em silêncio, até que Freddie recordara de uma coisa — Eu peguei isso da minha mãe. — ele tirou o colar do bolso.
— Combina com a pulseira que eu te dei.
— Esse colar está na minha família por gerações. Tori me disse que Klaus deu isso ao meu pai que deu à minha mãe. — falou Freddie com um olhar interrogativo — Será que Klaus realmente ainda está vivo?
— Não é fácil encontrar alguém que não quer ser achado.
— Ele poderia nos ajudar.
— Vai ver o Alfa é ele, pelo o que lemos no diário.
Freddie rolou os olhos até a hipérbole.
— Você leu o resto do diário?
— Não, mas vamos ler lá embaixo junto com o Dice e dar o presente do Flint. — Sam disse se levantando mas olhou o Freddie com pena — Amor, eu não sei mais como te consolar, eu não sei o que devo fazer mas eu te prometo que não vou sair do seu lado.
— Eu vou ficar bem. Vai levar um tempo mas eu preciso ficar bem. Tenho que cuidar de você e do Flint, enquanto eu tiver tempo. — ele segurou o rosto dela e a beijou — Eu te amo.
— Eu te amo.
Eles se beijaram novamente.
Sam e Freddie desceram para o andar debaixo. Dice estava contando ao Flint como entrou na alcateia. Sam correu e se sentou ao lado dos dois, ela já estava com os dedos coçando para pegar o bebê. Flint estendeu as mãos. Sam colocou ele contra seu peito. Flint gostava de ficar ali onde ouvia o coração dela bater.
— Quer ver o que seu pai comprou para você? — Sam perguntou e colocou o colar no bebê — Gostou?
Flint mordeu a prata. Ele queria dizer que sim.
— É perfeito. — Dice falou.
— Sim. É. — Sam fechou os olhos abraçando o filho.
— Trouxemos o diário do Klaus para lermos, posso começar? — Freddie perguntou aos três.
— Claro, não importa o que contenha, precisamos saber. — murmurou Sammy abrindo as pálpebras
— Ok. — Freddie respirou fundo e abriu em uma página aleatória — Não foi uma noite qualquer, aconteceu de novo e vem se repetindo. Eu o enxergo aonde quer que eu vá. Entrei em um grau perigoso de insanidade mas vampiros não deveriam perder a cabeça, mas eu perdi. O legado que possuo me perturba. O espírito do Alfa vaga esperando o escolhido nascer e esperar para que chegue a hora. Eu queria rir e dizer que eu seria um ótimo Alfa, mas por eu ser um vampiro jamais poderei ser escolhido. A vida é injusta com os bons, acredito que não seja algo novo para ninguém que tenha perdido tanto em tão pouco tempo.— Freddie terminou a leitura sussurrando.
— Klaus queria que o espírito escolhesse ele, mas sabia que não ia acontecer. Ele deve ter se sentido arrasado. — suspirou Dice.
— Mais ainda quando perdeu a Triny. — Sam se recordou da verdade.
— Não precisamos ver essa parte. — Freddie pulou as páginas a procura de algo útil e quase desmaiou ao ver seu nome no livro — Ele observou a garota por que a amava. Eu via em seus olhos que em todo momento na batalha ele tentou protegê-la. Fredward Benson fez tanto por todos e principalmente por aquela garota loira cujo o nome eu não sei.— Freddie fitou Sam e Dice.
— Ele está descrevendo a batalha de Violet Hill. — Sam disse sem realmente crer — Ele estava lá conosco.
— Se ele estivesse eu saberia.
— Freddie, pense bem, vários clãs lutaram naquela batalha e morreram, por poucos não fomos mortos também. Klaus deve ter fugido e nem vimos. Não sabíamos quem era ele, mas ele conhecia você de alguma maneira e sua mãe sabia disso. O colar se lembra? — Sam foi rápida em juntar as peças.
— Mas agora ela está morta e não pode nos esclarecer nada. — Freddie fechou o diário se sentindo puto.
— Alguém mais deve saber. Você não tem nenhum parente aqui em Seattle?
— Não... Mas eu tenho em La Push. — Freddie admitiu querendo vomitar.
— Por que você teria parentes em La Push? — dessa vez Dice que teve que perguntar.
— Ela é meio que minha prima de tantos graus. — Freddie não sabia explicar — É uma Benson, mas agora tem outro sobrenome por que se casou.
— Qual é o nome dela? — perguntou Sam.
— Sue. — Freddie respondeu olhando para o lado.
Sam recordou o nome e não queria acreditar.
— Ela é humana?
— Sim. — ele fitou o rosto da Sam.
— Diga que não é quem eu estou pensando.
— É exatamente ela, Sammy.
— Sue Gibson? — até Dice percebeu — A madrasta do Gibby? Espera ai... Uou, uou... — Dice riu mas era de nervoso — Um Gibson se casou com uma Benson?
— Bem vindo ao meu mundo. — murmurou Freddie.
— As coisas estão normais e mudam... Ficam trágicas. — Sam olhou para o Flint.
— Coelhinho, caveira... Coelhinho, caveira. — Dice mencionou fazendo a comparação entre o fofo e o horror.
— E agora iremos visita-la? — Sam perguntou sabendo a resposta.
— Pergunte ao Gibby, por que ele acaba de chegar. — falou Freddie e Gibby entrou na sala com a Carly.
— Gibby, precisamos visitar a Sue e seu pai. — Sam foi direto ao ponto.
— Por que? — ele ficou extremamente confuso.
— Porque Sue era uma Benson. — respondeu Dice.
— Oh meu Deus. — sussurrou Carly e Gibby se abismou.
Nada irá prepara-los para o que está por vir.
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