42 - Violet Hill
44 Meu Sol
Notas iniciais
Povs Sam:
Saio da cama após uma noite conturbada de sono. Eu sonhei com um lobo preto me perseguindo. Era atordoante. Meus pés se prendiam na neve. Eu não conseguia me mover direito. O lobo ficava mais perto. Ele me alcançou e travamos uma batalha. Eu acordei quando encarei os olhos dele. Eram vermelhos.
Aperto o roupão à minha volta. A perda do Hayes ainda não saiu da minha mente. Gibby e os outros — que acordaram após ficarem presos no círculo de fogo — levaram o corpo de Hayes para o cemitério da reserva e o enterraram ao lado do túmulo da Melanie. Eu sinto muita falta deles.
A Hexenbiest não foi encontrada. Não sabemos o que ela deseja. Ela deve estar a mandato de alguém.
Desço as escadas ignorando as risadas que ecoam estrondosas da sala. Gibby e Freddie assistem alguma coisa idiota na TV. Por quê eles não podem se comportar assim o tempo todo? Como pessoas normais? Sem ser vampiro e lobo? Apenas Fredward e Cornelius?
Eu vou para a cozinha. Carly está mexendo em seu Pearpad e tomando uma xícara do que suponho ser café pelo cheiro.
— Bom dia mamãe. — ela me cumprimenta sorridente.
— Não me disse que viria aqui. — eu murmuro indo pegar leite na geladeira.
— Resolvi aparecer, se não for incômodo.
Eu pego o leite e levo para a mesa.
— Você sabe que não é. — sorrio para a Carly.
— Você está bem?
— Sim e você?
— Bem.
— Se arrepende por ontem? — eu pergunto indo pegar uma xícara.
— Não. Eles mereciam ser salvos.
— Claro, claro. — eu despejo café na minha xícara, na mesma está escrita "manhãs são para café e contemplações".
Eu vou me arrastando de volta à mesa. Sento ao lado da Carly e coloco leite no meu café. Coloco duas colheres pequenas de açúcar e tomo um gole.
Carly tem um olhar inquisitivo para o meu pescoço. Seus dedos tocam minha pele. Eu coloco a xícara na mesa e viro o rosto para ela segurando um sorriso.
Carly estreita os olhos para mim e coloca uma música em volume alto em seu Pearpad. Minhas orelhas se contraem.
— Ele te mordeu? — ela pergunta baixinho. Agora entendi. Ela não quer que o Freddie escute.
— Dá para perceber? — eu pego o Pearpad para usar de espelho. Vejo a pele marcada em meu pescoço. Está horrível.
— Você esqueceu que não se transforma a muito tempo e que por causa disso sua pele demora muito mais para se regenerar? — Carly relembra.
— Eu realmente me esqueci. — largo o Pearpad e beberico meu café com leite.
— Mas você está bem? Quero dizer... É normal entre vocês?
Eu cuspo a bebida na mesa ao dar uma risada. Carly não se aguenta e ri também. Ela pausa a música e vai pegar um pano. Isso chama a atenção dos meninos. Eles vêm descobrir o que está havendo.
— Bom dia Sam. — Freddie tenta me beijar, mas a Carly se atravessa na frente e limpa a mesa, empatando que o Freddie se aproxime.
— Oi. — eu murmuro revirando meus olhos.
Freddie aguarda a Carly terminar de limpar a mesa.
— Agora pode. — Carly sorri e volta a se sentar ao meu lado.
— Ótimo. — Freddie se inclina e trocamos um beijo — Como vocês estão?
— Eu estou bem, obrigada. — Carly responde.
— Me refiro à Sam e ao Flint. — Freddie responde pegando a Carly de surpresa que pelo visto ainda não sabia que ele finalmente está aceitando o bebê.
— Oh, que fofos. — ela bate palmas, mas se levanta para ir até o Gibby.
— Estamos bem. — eu respondo ao Benson.
— Que bom. — ele cheira meu rosto.
Carly se retira da cozinha. Gibby suspira olhando para namorada. Seu olhar volta para mim e para o Freddie.
— Tem dias que ela está bem... Às vezes não. A crise sempre volta. — ele se refere a maldição que sua mãe jogou sobre a Carls — Ela está tentando aprender a conviver com a perda, ainda estamos trabalhando nisso.
— Eu sinto muito por vocês dois. — eu lamento sendo sincera.
— Não esquenta. — Gibby dá um sorriso fraco e se vira para encontrar a Carly.
Freddie se ajoelha. Ele alisa minha barriga por cima do roupão.
— Eu preciso ir a um lugar, mas não queria te deixar sozinha.
— Por isso mandou os dois para cá?
— Sim.
— Onde você vai? — eu acaricio seus cabelos castanhos.
— Violet Hill.
— Fazer o que?
— Você vai ver quando eu terminar. — ele sorri e me dá outro beijo — Volto ao anoitecer, cuide do Flint.
— Vou cuidar mané.
— Eu te amo. — ele sussurra como se tentasse me lembrar disso.
— Eu também te amo.
Ele me dá um selinho e sai pela porta da cozinha. Flint se mexe. Acho que ele também já está sentindo falta do Freddie.
Eu desisto. Ter Carly e Gibby juntos sozinhos comigo é o inferno. Eles riem aos montes de qualquer coisa. O imprinting tirou até mesmo o bom senso de ambos. Sem contar quando por acidente se esbarram um no outro, eu vejo a eletricidade e o desejo reprimido deles. Faz quanto tempo que eles não ficam sozinhos para dar um jeito nesse desejo? Provavelmente desde que começaram a namorar. Eles estão me frustrando. Eu deveria estar feliz por estarem comigo enquanto meu namorado louco está fazendo algo por ai. Não gosto dos segredos do Freddie, mesmo que envolva surpresas. Eu não gosto de surpresas, isso não mudou. Agora eu tenho que me preocupar com Carly e Gibby na minha casa. Não dá. Eu vou mandar a Shelby vir pra cá se o caso é não me deixar sozinha e mandarei o casal Cibby de volta. Em meio ao meu estado repentino, essa coisa entre eles não está me fazendo bem. Flint não quer eles aqui. Algo está fazendo Flint me chutar o tempo todo, ele está nervoso, eu acho.
Acabo por mandar os dois para casa e peço para que eles mandem Shelby e Spencer para cá. Sei que eles ficaram um pouco magoados, mas alguma coisa neles deixou o Flint agitado demais.
Povs Geral:
Carly e Gibby retornaram cabisbaixos para o 8-C. Uma pressão confusa se instalou no peito de ambos. Estão confusos por que ao ficarem próximos da Sam, se sentiam mais eufóricos e ela cada vez mais incomodada. Em suas mentes conturbadas, eles acham que fizeram alguma coisa de errado.
Carly abriu a porta do apartamento. Gibby segue seus passos para onde ela for. Ele não consegue se manter longe de sua companhia. O andar dela, o jeito de falar ou até mesmo o cheiro são inebriantes. Ele está perdido nela, mas nunca se sentiu tão vivo e tão certo.
Os dois entram no apartamento à procura de Shelby. Nem ela ou Spencer estão presentes.
— Devemos voltar para a casa da Sam? — perguntou Gibby desejando pela primeira vez na vida que a resposta fosse "não".
— Não acho que seremos de grande ajuda lá, se o Freddie ficar bravo nos entenderemos com ele depois. — respondeu Carly fazendo seu caminho para as escadas.
Gibby a seguiu em silêncio, recordando que em uma das vezes que a seguiu para o quarto, tiveram um momento significativo juntos. Ele não se esqueceu daquilo e com certeza agora que a ama com toda a sua existência não vai querer esquecer.
Ela adentrou no quarto e sem pensar duas vezes puxou a camisa pela cabeça, retirou as sapatilhas e a calça com muita pressa e se atirou na cama. Procurou o controle debaixo do travesseiro e ligou o ar-condicionado, por que o clima em Seattle esquentara terrivelmente.
Gibby se sentou na beirada da cama. Ele pegou a mão da Carly com carinho e a olhou nos olhos. Carly sorriu lembrando de quando perdeu a virgindade com o rapaz. Ela queria fazer de novo. Ela queria fazer de novo agora.
— Eu estava relembrando a nossa primeira vez... — ela murmurou sem ficar vermelha.
Gibby ergueu as sobrancelhas.
— Lembrou? — ele riu.
— Sim, você foi tão romântico...
— Hum... — Gibby soltou a mão dela para retirar os sapatos.
— É engraçado por que você não pediu para repetir o que fizemos desde quando começamos a namorar.
— Por que não faz falta para mim, não mais. Não perguntei se queria fazer por que eu não ligo. — Gibby é sincero e Carly franze os lábios com isso — É tudo diferente agora.
— Mas e se eu te pedisse?
Gibby sorriu alegre.
— Eu faria por que te amo, mas eu não seria romântico ou doce.
Ela soltou um longo suspiro
— Eu não pedi isso, não pedi para que fosse.
— Sério?
— Eu apenas quero você.
Ele estreitou os olhos.
— Eu posso te machucar...
— Então me machuque. — ela sussurrou sem medo dele. Carly no fundo queria isso. Ela queria entrar no lado negro que era o sexo no mundo sobrenatural. Sam mencionara algo sobre isso para Carly, que agora desejava experimentar pessoalmente e vê até onde os pensamentos da sua psique humana podiam ir durante o ato nos braços do rapaz que ama.
Gibby se levantou após retirar os sapatos e trancou a porta do quarto. Ele retornou para a cama desabotoando a camisa. Seu olhar queimava o corpo da Carly, a garota se sentia em chamas e gostava disso.
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— Tire o sutiã e a calcinha. — ele ordenou em tom alto.
Carly fez o que ele mandou sendo rápida. Ela sentia a umidade do meio das suas pernas apenas por escutar a voz dele.
Gibby tirou a camisa e fez um sinal para Carly apontando para as calças. A morena se inclinou e abriu o cinto dele. Carly desceu a calça pelas pernas do Gibby, levando junto a boxer preta.
Ela se perguntou se ele a faria beijar seu membro ereto, mas Gibby tinha outros planos. Ainda em pé no carpete macio, ele virou Carly de bruços na cama. Ele desferiu dois tapas na bunda macia dela, que ficaram rosadas com o impacto. Gibby não fez com força para machuca-la, ele bateu somente com a intenção de deixar uma marca e lembrar à Carly que ela pertencia a ele. Carly gostou da sensação.
Gibby desferiu um terceiro tapa e, dessa vez, seus dedos entraram no sexo dela. Ela gemeu e não resistiu em se mexer contra os dedos dele.
— Você está molhada e eu mal tinha te tocado. — ele sussurrou cheio de tesão.
Gibby virou Carly novamente. Ele abriu as pernas da garota e colocou a boca na sexualidade dela. Ela urrou pega de surpresa. Gibby girou a língua no clitóris dela ao mesmo tempo em que ficava colocando e retirando o dedo da sua entrada. Gibby achava que ela tinha o melhor gosto do mundo. Ele sugou produzindo um barulho com a boca. Carly tremia se agarrando aos lençóis.
Gibby parou o que estava fazendo.
— Eu vou fazer isso com você e quero que você goze na minha boca, depois eu vou te foder e você vai gozar de novo, entendeu? — ele perguntou massageando o clitóris dela com a mão.
— Entendi. — ela sussurrou olhando para a mão dele.
A boca dele estava no sexo dela de novo. Ele foi rápido dessa vez. Carly tapou a própria boca com a intenção de parar de gritar, mas Gibby bateu na coxa dela repudiando o fato dela estar abafando os próprios gritos. Carly não teve outra escolha a não ser deixar que ele escutasse o que estava causando nela. Os lábios do Gibby se moviam para cima e para baixo distribuindo beijos. Carly subiu o quadril para a boca dele e fez um movimento circular. Ele rodou o dedo dentro dela e voltou a usar a língua. Estava feito. Carly gemeu sentindo orgasmo se apossar dela. Ela gozou na boca dele. Gibby aguardou o ápice dela terminar depois se levantou.
Ele limpou a boca e se abaixou para pegar a calça. Procurou pela carteira, quando encontrou abriu a mesma à procura de uma camisinha. Ele não tinha.
— Foda-se. — ele xingou e virou a Carly de bruços novamente. Ele bateu na bunda dela de novo.
Com as mãos prendendo os pulsos da Carly no final das costas da mesma, Gibby entrou nela. A garota gemeu sem se controlar e Gibby gostava desse som. Ele penetrava mais fundo enquanto fodia Carly de quatro na cama. Quantas vezes ele teve vontade de fazer isso com ela? Gibby não era romântico, era um especialista e Carly estava amando este fato.
— Porra... — ela murmurou baixinho sentindo Gibby se chocar contra ela.
— Gosta quando eu te fodo desse jeito? — ele perguntou para provoca-la.
— Sim. — respondeu ela — Mais forte.
Gibby liberava gemidos. Ele meteu mais forte na Carly sentindo o sexo da garota ficar mais apertado.
— Mais forte safada? — ele queria agrada-la.
— Aham... — Carly conseguiu sussurrar ofegante.
Ele apertou as mãos dela com mais força. Seu quadril se movimentou mais rápido. Gibby era forte, tinha uma força animal em seu corpo e era fácil buscar um desejo intenso pela Carly. Ele a amava de várias maneiras, assim como queria fodê-la de todos os jeitos possíveis.
— Geme alto... — ele pediu se afundando nela — Anda vadia, geme!
Carly gritou não por que ele pediu, mas por que ela não aguentava segurar mais o que vinha sentindo. Ela não se importou pela forma que ele a chamou, Gibby a amava da forma mais pura e poderosa do universo e Carly sabia disso. Ela queria ser dele. Queria foder com ele quantas vezes ele pedisse. Ela também o amava, com toda a sua alma.
— Gibby... — ela chamou por ele.
— Carly... Você me faz inteiro. — ele disse, mesmo alegando que não seria romântico.
Ela choramingou o sentindo diminuir o ritmo. Gibby a virou na cama e subiu em cima dela. Carly procurou pela boca dele. Ele a beijou com fervor. Seu membro estava dentro dela novamente. Carly puxou o cabelo fodido dele.
Gibby gostou da posição em que se encontrara. Uma mão sua foi para o seio esquerdo da Carly. Ele torturou o mamilo dela. Gibby apertou com força o seio da Carly para ouvir ela gemer. Ela estava ficando rouca.
— Ah! Faz mais rápido! — ela implorou a ele.
Gibby se assustou sem acreditar que Carly estava surportando isso.
— Quer com força, Carly?
— Sim, por favor. — ela abraçou ele com as pernas, fazendo ficar mais profundo desse modo.
— Diz que gosta Carly, se não eu paro de te foder... — ele ameaçou com um sorriso lascivo no rosto.
— Filho da puta... — Carly murmurou e deu um risinho, mas pela forma que Gibby se encontrava dentro dela ocasionou uma onda de prazer em ambos — Você sabe que eu gosto...
— Você é muito sexy. — ele a beijou pedindo espaço com a língua. Carly abriu a boca e subiu o quadril. Gibby começou a enfiar devagar, mas indo até onde podia. Carly gemia contra a boca dele. Gibby desfez o beijo e quase gritou quando Carly usando seus poderes ficou por cima dele.
— Você é minha vadia agora. — ela disse rebolando no pau dele.
Ele não acreditou no atrevimento vindo dela.
— Caralho... — ele acertou um tapa na coxa da Carly. Ela mordeu o lábio abafando um gemido. — Não reprima nenhum grito. — ele murmurou.
— Só me fode. — ela fechou os olhos saboreando aquilo.
Gibby segurou os seios da Carly, enquanto ela cavalgava em cima dele. Ele adorava ver seu pau entrando e saindo dela. Gibby gostava de saber que Carly era propriedade exclusiva dele.
O prazer andava por todo o corpo da Carly. Ela nunca tinha chegado a esse ponto com ninguém... Nem na primeira vez com o Gibby, nem com o Brad, nem com o Nevel e muito menos com o Gatlin. Somente agora o Gibby a fez se sentir totalmente adorada e aparentemente satisfeita, por mais que ainda não tivesse acabado. Carly se sentia no céu, ou o mais perto que podia chegar.
— Eu vou gozar. — murmurou Gibby acertando outro tapa na Carly, na coxa direita dessa vez.
Carly se firmou no peito dele e se mexeu fazendo com que ambos sentissem o orgasmo chegando. Gibby fez Carly quicar em cima dele. A cama protestou. Ele sorriu e quando Carly abriu os olhos devolveu o sorriso.
— Caralho Gibby! — ela se contorceu e se libertou. Carly gozou parando de conduzir o ato, mas Gibby prosseguiu enquanto tinha um orgasmo violento dentro dela.
— Puta merda... — Gibby sussurrou tremendo ao sentir seu sêmen escorrer.
Carly caiu exausta sobre o peito dele. Ela sentia dores nos pulsos, nos seios, na cintura e em outros lugares, mas amou cada segundo. Estava satisfeita como nunca antes. Droga... A garota tinha descoberto o tal lado negro e amara isso.
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Gibby beijou o topo da cabeça dela e partiu para o banheiro. Ele ligou o chuveiro. A água fria caiu em seu corpo quente. Ele dizia que era o seu próprio Sol.
Carly abraçou o Gibby por trás. Ele ficou contente com isso.
— Não vou pedir desculpas. — ele murmurou.
— Não quero que peça, eu adorei. — ela beijou as costas dele.
— Como suportou?
— Não sei... Eu apenas quis. — ela está sendo sincera. Gibby pode ter sido rude, mas ela jamais se sentiu tão amada quanto o momento que ele a possuiu. Ela não estava confusa por ter gostado, ela queria mais.
Gibby se virou para beija-la. Carly empurrou ele para a parede fria do box. Uma batalha de línguas e dentes se travou durante o beijo. Eles decidiram parar quando o fôlego se foi — quando o fôlego da Carly se foi, Gibby não precisava muito de ar — agora estavam conectados como jamais estiveram.
— Eu te amo Carly. — sussurrou Gibby para ela.
— Eu também te amo Gibby. — respondeu ela de volta — Obrigado por ser meu.
— No imprinting não foi você que foi feita para mim, eu que fui desenhado e moldado para você.
Ela sorriu e o beijou com carinho.
— Realmente eu tenho o cara perfeito.
Os dois riem em harmonia.
— Queria discordar. — Gibby voltou para debaixo do chuveiro com ela.
Eles tomaram um banho juntos. Um longo e demorado banho por causa do calor. Fizeram seu caminho para a cama. Gibby deixou a Carly em cima de seu peito. Carly dormiu no peito dele.
Gibby teve que se levantar com cuidado para não acordar a Carly, mas por estarem tão ligados, ela sentiu falta dele e se acordou.
— Para onde vai? — ela perguntou com vontade de chorar, ela não queria que ele fosse. Carly detestava ficar sozinha, não depois de tudo.
Gibby estava colocando a calça.
— Voltar para casa e ficar com meu irmão, não confio muito em deixar ele sozinho com meu avô. — Gibby respondeu fechando o zíper.
Carly engoliu a bile para empatar o choro que já se formara.
— Não posso te convencer a ficar?
— Carly... — ele suspirou procurando uma forma de explicar.
— Tudo bem... Pode ir, ele é seu irmão. — Carly se virou na cama para que ele não a visse chorando. Ela encontrou uma conexão tão forte com ele que ao estar longe se sentia enfraquecida. A crise voltava mais forte. Carly só encontrava forças ao lado do Gibby e quando ele se foi, ela perdia isso. As lágrimas desceram pelo rosto dela. Um soluço escapou revelando para o Gibby o estado verdadeiro em que ela se encontrava.
— Eu posso ficar se você quiser. — ele sabia que teria que ficar.
— Não... — murmurou ela — Você pode ir.
Gibby suspirou e abriu o zíper. Ele retirou a calça e a cueca, subiu na cama e passou os braços em volta dela.
— Pode parar de chorar, eu vou ficar. — ele beijou o rosto da Carly — Não vou a lugar nenhum sem você.
— Desculpa... — ela disse chorando — Eu apenas... Eu... Eu não consigo ficar sozinha.
— Eu entendo amor.
— Sei que não posso passar vinte e quatro horas com você, mas toda vez que você vai eu me sinto perdida, abandonada e todas as memórias ruins voltam. Eu te amo tanto que dói. Quando você não está eu me sinto no escuro. Eu queria dizer que você é a cura, mas você é apenas um remédio, por que quando você se vai, eu fico ruim de novo. Eu estou viciada em você, não posso te deixar partir... Eu... — Carly afundou as mãos no rosto e chorou ruidosamente.
— Não vou te deixar sozinha, eu prometo. — Gibby começou a beijar a face dela, assim enxugando cada lágrima.
— Meu Sol... — ela sussurrou como se lesse a mente dele. O imprinting deles até então era a coisa mais poderosa da Terra, então que tipo de impacto teria o imprinting do Alfa? O universo inteiro terá um colapso total.
Carly estava arrumando o quarto. Gibby estava deitado na cama mexendo no celular. Algo em cima da mesa do computador da Carly chamou sua atenção. O garoto se levantou engolindo em seco com medo do que viu. Ele foi para perto da mesa e pegou a folha de papel que continha um desenho. Não era um desenho comum. Poderia ser perfeito por que a Carly sabe desenhar como ninguém, mas o desenho era sombrio.
— Por que desenhou isso? — perguntou Gibby segurando o papel.
— Eu o vi há muito tempo. Retornou para minha memória de forma nítida então decidi desenha-lo. — ela respondeu se aproximando.
Gibby encarou o lobo preto de olhos vermelhos no papel, ele também já o viu, assim como todos os outros. Sua mente trabalhou em busca de uma resposta. Gibby acha que o espírito do Alfa não tem planos de escolher um lobo, ele acha confusa toda a história e Shelby sabe da verdade, mas não contou para ninguém. Por quê o Alfa é tão importante a ponto de ser mantido em segredo?
— O desenho é bonito, só que assusta um pouco. — disse Gibby e colocou o desenho de volta na mesinha.
— É uma forma de superar o medo. O encarando. — Carly pegou o desenho — Eu lembro que gritei muito quando vi esse lobo, senti muito medo, agora quando eu olho para esse desenho não me importo muito e o medo parece até bobo. O Alfa virá para nos proteger e não para nos matar.
Gibby envolveu a Carly com os braços.
— É o que a profecia diz.
Carly cheirou o pescoço do namorado tomando coragem para entrar em um assunto do qual não poderá fugir por muito tempo.
— A Sam me fez uma promessa e eu quero muito que ela cumpra. — ela disse.
— O que é?
— Após o nascimento da Kimera, a Sam vai me transformar. — respondeu ela em um só fôlego.
— Te transformar? — Gibby não entendeu.
— Sim... Em vampira.
Gibby desfez o abraço. Ele andou para trás sentindo o corpo tremer. A fumaça subiu envolvendo seu corpo.
— Não. — sussurrou ele com os dentes trincados — Não mesmo. — ele falou mais alto dessa vez.
— A escolha não é sua, eu quero viver para sempre com você. Gibby você não envelhece... — Carly foi para perto dele sem medo — E se eu morrer de alguma causa natural você sabe que vai sofrer. Se eu virar vampira, poderemos passar a eternidade juntos. Você sabe que um lobo não pode perder seu objeto imprited.
— Não. — disse ele novamente — Não finja que está fazendo isso para alguém além de você.
— Você ainda vai me amar.
— Carly, não faça isso, como acha que vamos conviver juntos se eu vou ter que trancar a respiração toda vez que for te beijar? Ou tentar não te matar quando a raiva subir por causa do instinto? É algo estranho, me dá nojo.
— Shelby e Spencer conseguem.
Gibby controlou a tremedeira no corpo que agora se apossou apenas das mãos.
— Isso não vem ao caso. — ele se sentou no pequeno sofá que tinha no quarto.
— E todos os outros casais que geraram híbridos também conseguiram. — Carly se ajoelhou na frente do Gibby — Juntos podemos fazer qualquer coisa... E pense melhor, eu não vou cansar... — ela usou segundas intenções.
Gibby deu uma gargalhada fraca.
— Ah, então acha que estou preocupado com o sexo?
— Não, mas...
— Você vai ser gelada, não vai ter um coração batendo, nem sangue nas veias, nunca mais vai corar quando eu te elogiar, nem ficar cansada após um dia de trabalho, não vai querer comer algo que eu preparar e nem nada de outras coisas humanas. — ele listou o que o preocupava.
— Quer dizer que vou estar morta para você? — Carly perguntou sussurrando.
— Não, você vai estar morta para si mesma. A decisão é sua. — Gibby se curvou derrotado.
— Você não vai me amar quando eu for uma vampira? O imprinting vai se desfazer? Eu não serei a mesma coisa para você? — ela perguntou com medo que todas as respostas fossem "sim".
— Você sempre será "minha Carly". — ele sorriu e a beijou nos lábios, depois a puxou para seu colo — Minha Carly só que um pouquinho menos frágil.
Ele cheirou o cabelo dela. Carly ficou quente, além de parecer orbitar em volta dele e se guiar conforme ele se movia. Gibby acreditava que era seu próprio Sol, mas não, ele era o Sol dela.
Povs Freddie:
A noite caiu e eu nem me dei conta. Estou em Violet Hill. Desci aos arredores da colina para ligar um antigo gerador que fornecia energia ao pequeno povoado que havia aqui na década de 60. Ainda existem os resto das casinhas, as mesmas usadas pelos moradores de 1880. Agora o antigo casebre em que a Sam morou tem energia para os equipamentos hospitalares que eu instalei com a ajuda da minha mãe. Ela realmente está disposta a me ajudar no que for preciso e eu expliquei para ela por que a Sam não quis permanecer no apartamento. Flint não gostou de lá, ele que conduz as ações da Sam. É um alívio o monstrinho... Quero dizer, o bebê, gostar de mim. Se ele não gostasse Sam e eu não poderíamos passar tanto tempo juntos.
Minha mãe retornou para o Bushwell faz alguns minutos. Eu estou terminando de verificar as coisas. Quero deixar tudo perfeito para quando a Sam chegar. Ouço passos na relva ao lado de fora. Eu caminho para sair da casa. Tem uma garota morena olhando com certa admiração para tudo.
— Tasha? — eu chamo por ela sem acreditar no que os meus olhos vêem.
— Olá Fredward. — ela cumprimenta se aproximando.
— Mas que droga você está fazendo aqui? Pensei que estivesse no México após a morte do JFK.
— Eu trabalho para a família Real, eu tinha negócios para resover por aqui. — ela me responde.
Eu entendo de imediato o que a trouxe para Seattle. Também sei que ela é a Hexenbiest que prendeu a alcateia no círculo de fogo. Tasha Ramirez é uma Hexenbiest de grandes poderes, ela descobriu um feitiço para imortalidade e agora não envelhece. Ela está paralisada nos 20 anos. Seu corpo assim como o dos vampiros não muda, porém ela tem características humanas. Ela não é uma Wesen perigosa, nunca foi, éramos amigos, posso arriscar dizer que éramos melhores amigos. Perdemos contato durante um tempo, agora que a encontro aqui é por um motivo horrendo.
— Foi você que o Gatlin mandou para se certificar que quando o bebê nascer seja entregue à família Real. — essa é a verdade.
— Eu fui paga para executar um serviço, mas eu não fazia ideia de quem eram essas pessoas. Pensei que era um caso de imprinting comum entre lobo e vampiro, eu não sabia que era você. Eu não fazia ideia de que a história era muito maior do que o Gatlin me contara. Eu estou aqui há algum tempo e venho observando vocês... Descobri que são uma família, por mais que aconteça algumas intrigas. — ela se senta nos degraus de madeira do casebre — Eu fiz um acordo de sangue, você sabe... — ela fez gestos com as mãos — Aquele com a corda. Se um dos lados romper o acordo, morre na hora, o coração é perfurado. Gatlin já cumpriu a parte dele, falta apenas eu cumprir a minha e agora me vejo diante disso.
Eu me sento ao seu lado.
— Está dizendo que não vai se sacrificar pela minha felicidade?
— Eu não sei... — ela me olha com pena — Talvez eu já tenha vivido demais.
— Tasha... — eu coloco a minha mão em cima da mão dela.
Ela apoia a cabeça no meu ombro.
— Como está a Shelby? Digo... Eu a vi, mas queria saber de você.
— Feliz, mais do que feliz para ser exato.
— Não acredito que no final a minha Shelby ficou com um lobo. — ela murmura. Tasha e Shelby namoraram durante uns quatro anos.
Eu solto um riso.
— É, mas por estar ligada à minha noiva ela arrasta uma asa para a Sam.
— E quem não arrasta? Perdão mas sua noiva é linda. É uma híbrida original. Ela é a única híbrida do mundo que foi mordida e não concebida assim. Ela é fantástica, no pouco tempo que venho observando vocês eu me encantei por ela.
A imagem da Sam vem em minha cabeça, eu me pego sorrindo feito um bobo. Ela nunca precisou estar perto de mim para mexer comigo.
— Nossa...
— Eu queria me desculpar pelo incidente no cemitério, levei um tempo até perceber que vocês eram unidos demais... As instruções que eu recebi foram para destruir a alcateia primeiro, mas aquele moreno alto e bonitinho, de olhos meio verdes...
— Gibby. — eu completo para ela revirando os olhos.
— Isso, que seja. — ela dá um tapinha na minha coxa — Não ficou enfeitiçado e recuou quando viu os outros indo para o meio do cemitério. Eu acendi as chamas e ele rapidamente ligou para alguém. Eu não sabia o que ele estava fazendo. Ai então chegou você, junto com uma morena muito linda...
— Carly. — eu rio novamente.
— Eu não estou ligando para nomes aqui. — ela rola os olhos — E com você também veio a Shelby. Ah e um cara alto um pouco parecido com o... Qual é mesmo o nome do bonitinho?
— Gibby.
— É, Gibby. O cara alto se parecia com o Gibby.
— São parentes, é uma longa história.
— Vai me contar depois?
— Depois? Se quiser eu te conto agora, a história foi feita aqui. — eu mostro em volta.
— Tá, mas deixa eu terminar.
— Termine.
— Então do nada a Carly com o poder de Rainha do tempo conseguiu tirar todos do círculo e quase morreu... — ela olha para mim esperando confirmação e eu balanço a cabeça positivamente — Ai aconteceu aquele fuzuê e tudo terminou bem, com exceção daquele cara que revelou para a Shelby quem era o Alfa.
Eu fico surpreso.
— Como você ouviu?
— Me aproximei sem chamar a atenção e fiquei atrás de uma enorme cripta. Se você não sabe, eu sei ler lábios. Eu vi quando ele disse o nome do Alfa. Não fez sentido para mim, mas talvez um dia faça. — ela volta a colocar a cabeça em meu ombro — O nome foi estranho, mas ai entendi.
— Quem é ele? — eu quero muito saber.
— Não faça perguntas quando não quer saber a resposta.
— Me diz quem é.
Tasha aperta minha mão com força. A boca dela vem para o meu ouvido. Ela sussurra o nome. Eu fico pasmo. Eu sabia. No fundo eu sempre soube. Teria que ser alguém tão imprevisível a ponto de surpreender a todos. Eu não tenho palavras para isso.
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