42 - Violet Hill
23 La Push baby... La Push...
Notas iniciais
Parte 23: À procura de um Grimm
Povs Sam:
Carly e Wendy caem no chão rolando. Os raios verdes e roxos se misturam. Alguém leva um tapa no rosto, acho que foi a Wendy. Elas seguem se arrastando pelo chão derrubando coisas uma na outra. Carly empurra a Wendy e se levanta. Wendy também se coloca de pé. Ambas fazem o Woge. Fotos, jarros, livros e abajures voam pela sala enquanto uma tenta acertar a outra. Eu como meu pedaço de bolo sem pressa. A briga continua. Termino de comer e vejo Carly invocar alguma coisa, as luzes que sobraram piscam. Eu suspiro e vou intervir na briga.
— Eu vou dar um soco nas duas. — me coloco entre elas — A missão aqui é ajudar a Carly e não se matar com ela- aviso para a Wendy- E você... — olho para a Carly- Me de um bom motivo para não te dar um corretivo por ter beijado meu namorado.
— Eu já falei, queria que ficasse longe de mim. — Carly responde saindo da feição de Hexenbiest.
Wendy também fica normal.
— Seu pedido é uma ordem, vaza da minha casa.
— Não! — eu seguro a Carly que já estava indo para a porta- Precisamos de uma solução.
Wendy limpa o sangue dos lábios.
— Não vão à aula hoje?
— Não e você por acaso iria? — lhe pergunto.
— Não, eu tinha outros planos... — ela se refere ao Brad.
— Claro que tinha... — Carly murmura baixo.
— O que você disse? — eu estalo os dedos em frente ao rosto dela.
— Nada. — ela rola os olhos para mim- Me perdoa Wendy.
— Eu perdoo... E desculpa por te pulado em você. — Wendy resmunga.
— Eu te desculpo. — elas apertam as mãos, mas eu faço elas se abraçarem.
— Ok, agora me responde Wendy, como faz para uma Hexenbiest se tornar humana? — vou ao assunto principal.
Wendy rompe o abraço com a Carls.
— Se for o caso de uma Hexenbiest nascida, um pouco de sangue de um Grimm daria certo, mas não sei se funciona em uma Hexenbiest criada.
— Um Grimm? — eu olho cética para ela. — Pode ser tornar um problema.
— O que é um Grimm? — Carly pergunta.
— É um humano que consegue enxergar nossa forma Wesen apenas nos olhando caso a gente expresse alguma emoção. Eles cação Wesens desde o começo dos tempos... Mas sempre tem aqueles que deixam os bons viverem. — responde Wendy.
— E o que os outros que não deixam fazem? — Carly se preocupa.
— Cortam a cabeça. — Wendy fala sem rodeios.
— E onde encontramos um Grimm? — pergunto.
— Aqui em casa tem um livro com índices de todos os Grimms conhecidos, deve ter algum aqui em Seattle. — Wendy vai para a estante. Ela pega um livro enorme de couro.
Brad desce as escadas e corre para ajuda-la.
— Onde eu coloco? — ele pergunta para ela.
— Na mesinha da sala. — ela responde.
Brad leva o livro e coloca na mesinha.
— Pronto.
— Obrigada. — Wendy se senta no sofá. Nos sentamos em volta dela. — Vejamos... — ela abre o livro e vai para as últimas páginas- Letra “S” para cidades com “S”. — ela vê dezenas de nomes — Achei Seattle.
— Quem é o Grimm daqui? — eu pergunto dando batidinhas no ombro dela.
— Espero que ele não queira cortar nossas cabeças. — Carly diz.
Wendy deixa o dedo em cima de um nome.
— Nome familiar...
— Quem é? — Brad olha para o nome.
— Mabel Rudhor. — eu pronuncio.
— Temos que achar essa tal Mabel e pedir a ajuda dela. — Wendy fala.
— O problema é saber onde ela mora. — digo.
— Minha mãe trabalha na prefeitura, talvez ela possa nos ajudar. — Brad nos diz.
— Então vamos para a prefeitura. — eu levanto do sofá.
— Vou tomar um banho primeiro, já volto. — Wendy se levanta e corre escada a cima.
Brad olha para algumas coisas quebradas no chão.
— O que houve aqui?
— A Carly espirrou... — eu minto — Foi tipo, "atchin" e quando eu vi tudo foi pelos ares.
— Ah claro. — ele sai do sofá — Melhor eu colocar o Chevy da Wendy para funcionar, ele custa a pegar de manhã cedo. — Brad sai pela porta da sala.
— Eu vou arrumar as coisas. — Carly joga o livro de volta na instante com alguns brilhos verdes, os jarros e fotos quebrados ela empilha tudo em um canto. Esse poder facilitaria muito a minha vida.
— Eu não sei que merda foi aquela com a Wendy, mas eu quase bati nas duas. — eu reclamo com a Carls.
— Olha a minha cara de preocupada. — ela é irônica.
— Vou te dar um soco.
— Vem. — ela faz uma postura de defesa.
Eu não me aguento e dou risada, ela ri também.
— Droga Sammy, o que aconteceu conosco?
— Não sei, mas vamos resolver isso.
— O problema sou eu não querer resolver.
— Não começa...
— Tá bom. — ela levanta as mãos.
— Olha... Se quer tanto ficar sendo parte do mundo sobrenatural, vamos fazer um trato. — eu tenho uma ideia amarga, mas é melhor controlar a Carly com sede, do que controlar ela sendo praticamente um demônio.
— O que sugere?
— Quando tirarmos esse negócio de Hexenbiest de você, eu te transformo após a formatura. — eu revelo.
A expressão dela fica de surpresa total.
— Sério? Espera, não brinque comigo garota.
— É sério. Você faz dezoito anos mês que vêm, as decisões serão suas, então quando você se tornar vampira, vamos para algum lugar afastado, o Alasca, por exemplo, até que você esteja apta para ir a uma Universidade.
Ela grita e corre para me abraçar.
— Obrigada Sam.
— Disponha. — eu a abraço sem jeito- Se lembra de que durante três dias você vai implorar para que eu te mate.
— Eu sei. — ela engole em seco.
Wendy termina o banho, se arruma e desce as escadas. Ela tranca a casa e entramos no carro. O Brad vai ir dirigindo até a prefeitura. No decorrer do trajeto nós comentamos a respeito de como deve ser a tal Mabel. O primeiro nome dela também me parece familiar, não foi só Wendy que percebeu.
Brad estaciona o carro do outro lado da rua. Aguardamos a prefeitura abrir, o horário de funcionamento é a partir das oito, ainda falta cinco minutos. Ele liga o rádio em uma estação local. Carly observa a rua pela janela. Wendy tamborila os dedos no porta luvas. Eu penso se o Freddie vai à aula hoje.
Escutamos umas duas músicas pop da rádio e já passou das oito. Saímos do carro. Atravessamos a rua. Subimos as escadas do belíssimo prédio de vidro com formas projetadas para fora. Brad mantém a porta aberta para nós. Entramos e nos encaminhamos para um longo corredor. Subimos umas escadas que dá em outro corredor, esse tem uma visão linda do centro de Seattle pelas janelas de vidro. Brad entra em uma sala, o seguimos em silêncio.
— Brad, o que faz aqui? Vai se atrasar para a aula. — a senhora Prince diz enquanto digita algo em um computador.
— Não vou à aula hoje, precisamos de sua ajuda. — ele informa a mãe.
— Espero que seja algo importante para faltar à escola, o que deseja? — ela olha para nós- Olá Sam. Oi Wendy. Que prazer em ter ver Carly.
— O prazer é meu. — Carly fica sem jeito.
— Precisamos que a senhora forneça um endereço para nós. — Brad pede.
— Por mais que você seja meu filho, sabe que não posso fazer isso sem uma justificativa plena ou um mandato judicial. — ela responde tirando os óculos, eles ficam pendurado em seu pescoço.
— Que tipo de mandato? — eu me lembro de que tenho alguns lá em casa.
— Um mandato de verdade Sam. — Carly puxa meu cabelo.
— Disfarça. — finjo observar um jarro com flores.
— Mãe, a senhora não entende, é um assunto urgente. — Brad insiste.
— Não posso filho. — ela lamenta.
— Escuta senhora Prince. — Wendy se aproxima- Carly se tornou uma Hexenbiest, agora temos que reverter isso e a única forma é com o sangue de um Grimm. Verifiquei em um livro lá em casa o nome de Grimms aqui em Seattle, achamos uma pessoa chamada Mabel Rudhor, precisamos ir até ela pelo bem da Carly e das pessoas em volta dela.
Brad olha para a Wendy de queixo caído.
A senhora Prince pisca atônita. Ela suspira e coloca os óculos de novo.
— Por que não disseram antes? — ela rabisca algo em uma folha, vejo que é um endereço- Tomem cuidados, podem se surpreender com o que vão encontrar e não quero saber de ninguém faltando à aula de novo, entenderam?
— Sim senhora. — respondemos ao mesmo tempo.
Ela passa o endereço para o Brad. Que coloca dentro do bolso. Agradecemos a ela e saímos da sala.
— O que foi aquilo Wendy? — Brad pergunta pegando na mão dela.
— A verdade. — ela responde- Era a única forma dela nos ajudar e acho que a sua mãe sabe muito sobre os Grimms, pode chamar de intuição.
— Sei... — ele anda rapidamente.
— Ela nunca erra. — eu relembro a ele.
Saímos da prefeitura. Vamos para o carro e Brad coloca o cinto enquanto dá partida no Chevy, que está relutante em ligar.
— Pega, por favor. — Brad gira a chave na ignição.
— Me da o endereço. — eu peço ao Brad. Ele retira o papel do bolso e me entrega.
Eu verifico o endereço e tenho que ler duas vezes para ver se estou certa.
Brad consegue ligar o carro.
— Aleluia. — ele começa a dirigir pela rua- Para onde eu vou, Sam?
— Sua mãe estava certa quando disse que isso iria nos surpreender. — eu olho para ele.
— Por quê? — Brad pergunta.
— Ela nos deu o endereço da casa do Gibby. — eu respondo e ninguém acredita.
O Chevy para em frente à casa do Gibby. O fusca dele está ali, então ele também não foi à escola em que estuda. A casa dele não tem dois andares, mas pega a rua de trás também. A mãe dele é advogada, então me pergunto por que o Gibby tem um fusca.
— Vamos? — Wendy pergunta.
— Não. Me deixem apenas falar com ele primeiro. Não vamos alarmar o garoto. — eu saio do carro e fecho a porta- Já volto. — eu corro para a porta dele.
Bato diversas vezes. Ele abre a porta para mim.
— Oh, Sam... Que surpresa.
— Mabel Rudhor. — eu falo entrando na casa dele.
— O que? — ele fecha a porta rapidamente- Valar Morghulis.
— Valar Dohaeris. — eu digo entrando na onda de Game Of Thrones— É sério, quem aqui na sua casa se chama Mabel Rudhor?
— Ninguém. — ele responde cruzando os braços.
— Ham? — eu fico mais confusa do que ele.
— Bem, a minha mãe se chama Mabel Gibson, Rudhor era o nome de solteiro. — ele me explica-Mesmo após o divórcio ela nunca retirou o nome de casada.
— Onde ela está?
— Em uma conferência em Portland, por isso não fui à escola hoje, vou buscar meu irmão Guppy em La Push. — ele parece preocupado com algo.
— Irmão? Desde quando você tem um irmão? — eu perco as estribeiras.
— Desculpa, mas eu não podia contar isso a ninguém, assuntos de família.
— Assuntos de família? Tipo que a sua mãe é uma Grimm?
Gibby recua.
— Como sabe disso?
— A pergunta é: por que nunca nos contou?
— Ela me pediu para que eu não contasse. Você não entende Sam, a vida dela podia correr perigo, por isso que meu irmão Guppy assim que nasceu foi morar com meu pai em La Push. Por isso o divórcio. Ela abriu mão do filho pela segurança dele, qualquer outra mãe faria o mesmo. — ele relata para mim.
— Quando ela volta? — eu volto ao que interessa.
— Semana que vem. — ele responde para minha desgraça.
— Não disponibilizamos de tanto tempo.
— Tanto tempo para que?
— Até onde você sabe tudo o que aconteceu?
— Muito pouco.
— Vamos ao que importa, Carly é uma Hexenbiest, disso você deve saber, ela disse que vocês estavam trocando mensagens.
— Sim. Disso eu sei.
— Pois bem, precisamos tirar esse espírito da Carly e isso só é possível com o sangue de um Grimm. Por isso precisamos da sua mãe.
— Entendi. — ele balança a cabeça.
— Agora teremos que rever o livro da Wendy e torcer para que tenha um Grimm nas cidades próximas, e torcer também para que ele queira nos ajudar. — eu me chateio.
— Não precisa. — Gibby sorri por algum motivo.
— Por quê?
— Meu irmão também é um Grimm.
— Jura? — eu quase desmaio- Você está indo buscar ele certo?
— Era o que eu ia fazer assim que eu tomasse café.
— Seja rápido... — eu saio correndo da casa dele, em dois segundos estou na janela do carro- Mabel Rudhor é a mãe do Gibby, Rudhor é o nome de solteiro dela. Ela é a nossa Grimm, porém ela está uma conferência em Portland e só volta semana que vem. Por sorte o irmão do Gibby, chamado Guppy, também é um Grimm. Gibby e eu iremos busca-lo em La Push. Alguma pergunta?
— Parece uma metralhadora. — Wendy suspira — Pois bem, acho que não há nada a ser feito até o Guppy chegar... Desde quando ele tem um irmão?
— Longa história. — eu digo.
— Vou voltar para casa então, quer que eu abra um portal para La Push? — Wendy se oferece.
— Não, é melhor ir normalmente de carro, preciso conversar com o Gibby.
— E eu? — Carly fica sem saber o que fazer.
Olho para ela.
— Você vai voltar para o apartamento e ficar lá até chegarmos com o Guppy. Beleza?
— Beleza. — ela concorda.
— Se vemos depois, fiquem vivos. — eu me despeço dele.
— Boa viagem. — Wendy aperta minha mão.
Brad dá partida no Chevy. Esse carro não vai aguentar muito. Uma fumaça preta sai do escapamento. O carro parte deixando um cheiro horrível de gasolina.
Eu espero o Gibby encostada no fusca azul. Ele está trancando a casa e caminha sorrindo até mim.
— Por que você tem um fusca 88? — eu pergunto.
— É um fusca 86. — ele responde abrindo a porta do carro.
— E ele aguenta até lá?
— Não se preocupe, se ele morrer eu te levo nos braços. — Gibby pisca para mim e entra no carro.
Eu dou a volta e entro no lado do passageiro. Coloco o cinto mais por um hábito do que por necessidade.
— Então acho que você precisa saber de algumas coisas.
— Me conte, temos o dia todo. — ele sorri para mim, acabo por sorrir também.
Estamos na saída oeste de Seattle quando termino de contar as coisas que ele perdeu. As lindas florestas da península de Olympic preenchem os acostamentos da rodovia.
— Bem, acho que eliminamos uma parte do problema. — me refiro a Carly não poder mais ser parte da família Real.
— Mas ainda temos que achar a garota que eles querem. — Gibby afunda o pé no acelerador, parece que o fusca vai se desmontar.
Eu procuro ir para outro assunto.
— Daremos um jeito... Então, tenho mais uma coisa para te contar.
— Estou ansioso para ouvir. — ele me olha rapidamente.
— O Freddie está apaixonado pela Carly.
Gibby desvia os olhos da estrada e espera que eu diga que é brincadeira.
— Mas ele te ama...
— Sim, mas se apaixonou por ela quando eu pedi para que tomasse conta dela quando eu partisse. Wendy disse que eles vão ficar juntos em breve. Ela nunca errou uma visão. — eu apoio meus pés no banco.
— Partir para onde? — a voz dele muda.
— Ainda não sei.
— E como você está lidando com isso?
— Bem, depois de anos eu descobri minha localização.
— Então onde você está? — ele entra na brincadeira.
— Na merda. — eu respondo séria, mas depois dou risada com ele.
— A Carly também gosta do Freddie? — Gibby me pergunta.
— Ela diz que não, mas o beijou na noite passada.
— Por quê?
— Para me fazer ficar longe dela, quer me proteger. — reviro os olhos.
— Muita loucura. — ele passa a marcha do fusca.
Recordo a conversa que Wendy e Carly estavam tendo de manhã.
— O que você acha dela?
— Da Carly? — ele pergunta confuso.
— Sim.
— A acho legal.
— Hum... Você a acha apenas legal?
Ele diminui a velocidade quando avista alguns cervos na pista.
— Aonde você quer chegar Sam?
— Só quero saber se ela seria uma opção para você.
— Oh... — ele desvia dos animais e cora exatamente como a Carly na casa da Wendy — Você acabou de me contar coisas sobre ela das quais me assustaram para caralho e agora quer saber se ela é uma opção para mim?
— Bem, eu sei que você me surpreenderia com a resposta.
— E está certíssima. — ele volta a uma grande velocidade- Eu acho que consigo vê-la como uma opção, talvez se ela gostar mais de mim após a ajudarmos com o problema dela... Nunca se sabe.
— Mas? — falta alguma coisa na frase dele.
— Mas eu ainda amo você. — ele me lembra.
— Claro, claro. — entendo perfeitamente.
— E tem aquele lance do imprinting também, eu não tive pela Carly.
— Você falou com ela desde se transformou?
Ele franze a testa.
— Não.
— Então, nunca se sabe.
— Ok, agora você está parecendo desesperada demais para se livrar de mim. Está me jogando nos braços da sua melhor amiga, uau.
— Eu só quero resolver as coisas entre nós.
— Não há o que resolver. — ele murmura sem dar bola.
O motor avisa que a marcha precisa ser passada, eu coloco minha mão sobre a marcha e Gibby também. Quando trocamos para a terceira ele permanece segurando minha mão. Eu olho para nossos dedos entrelaçados. Não me importo. Eu fico olhando pelo vidro da frente uma camada fina de chuva começar.
— Você seria melhor para a Carly, do que o Freddie. Você tem um instinto de protetor, amigo e leal. Todo lobo tem isso em seu sangue. Você seria melhor para ela do que qualquer pessoa seria em um milhão de anos. — eu falo o que eu vim segurando.
— Obrigado. — ele agradece e trocamos um sorriso sereno.
A viagem até La Push continua. Gibby perguntou se eu desejava parar, falei que sim, pois não aguentaria ficar quatro horas dentro do carro. Paramos em um posto para reabastecer o carro e esticar as pernas. Gibby comprou refrigerante para nós. Fui ao banheiro e quando eu voltei para o carro, o Gibby estava cochilando. Eu o acordei e pedi para dirigir, ele deixou e trocamos de banco. Guiei o fusca pelo resto do trajeto. Passamos por Forks, onde parei para comprar algo para o Freddie. Escolhi uma pulseira com cordas indígenas e comprei o símbolo Yin-Yang separado. Consegui fazer uma gambiarra e prendi o chaveiro do símbolo de seu clã no acessório. Coloquei dentro do bolso e voltei para o carro. Gibby estava acordado me olhando.
— Eu fui comprar algo para o Freddie. — respondo sua pergunta não formulada.
— Eu dirijo agora. — ele disse.
Gibby retoma o volante.
Chegamos à La Push por volta de uma da tarde. Quando estávamos próximo à reserva Quileute, ele entrou em uma estrada de terra, que seguia para uma vegetação densa. Inacreditável que o fusca não morreu ainda.
Gibby estaciona em frente a uma casa simples no meio das árvores. Em volta tem alguns descampados, mas a casa certamente é bem isolada.
— E agora? — eu pergunto olhando em volta.
— Vou buscar o Guppy. — Gibby desliga o carro. Ele sai do fusca e caminha pela terra até a casa. Eu aguardo. Gibby bate na porta e um homem o recebe. Eles se abraçam rapidamente. Deve ser o pai dele. Evito escutar a conversa e começo a cantarolar Say you say me do Lionel Ritchie. Gibby entra na casa. Ele retorna depois de alguns minutos com malas e uma mochila nas costas, eu vou ajuda-lo.
— Me dá aqui. — eu pego uma mala dele.
— Obrigado gata. — ele agradece de forma fofa.
Colocamos as coisas no banco de trás. Ele senta no banco do motorista e eu retorno para o banco do passageiro.
— Cadê o Guppy? — fico confusa por ele aparecer com malas e sem o garoto.
— Ele está na escola. Iremos buscá-lo às três da tarde, por hora vamos almoçar em algum lugar. — Gibby dá ré no carro, mas freia com tudo.
Eu olho pelo retrovisor ao ver por que Gibby parou. Um lobo enorme está atrás do fusca. Ele é castanho escuro. Ele trota até minha janela. Outros lobos surgem das árvores. São cinco ao todo. Eles são menores do que o lobo que grunhe para mim ferozmente achando que vai me colocar medo. Ele sai da minha janela e corre para o fundo da casa. Os outros lobos os seguem. Escuto o barulho deles trocando de forma e várias risadas. Gibby e eu nos entreolhamos e saímos do carro. Cinco garotos altos saem de trás da casa usando apenas shorts.
— Você é a primeira garota que vejo não se assustar e começar a gritar ao nos ver. — um garoto que suponho ser o alfa fala comigo.
— Deve ser por que vocês não são assustadores. — debocho da cara deles.
— Já nos conhecemos? — ele me pergunta olhando com cobiça para mim.
— Graças a Deus, não. — Gibby intervém.
— Oh... Seu namorado? — o garoto pergunta rindo com os outros.
— Não. Meu namorado é um vampiro. — eu advirto.
Eles me aplaudem, mas vaiam também. O garoto moreno que fala comigo tem uma expressão de desgosto.
— Que droga lindinha, namora um sanguessuga... Vai ser a refeição dele em breve.
— Sugiram que se afastem e sigam seu caminho, não queremos problemas. — Gibby me segura para que eu entre no carro.
— Vocês é que estão em nossas terras. — outro garoto diz, o mais baixo do grupo. Eles parecem irmãos, todos com o cabelo cortado preto e olhos castanhos.
— Nos deixem em paz. — eu aviso a eles.
— Ou se não o que? — o alfa pergunta para mim.
Gibby e eu nos olhamos e damos um aceno com a cabeça. Nos transformamos ao mesmo tempo e os garotos recuam com o nosso tamanho. São conhecidos como “gigantes de La Push”, mas Gibby e eu certamente ainda somos maiores do que eles. Rosnamos enquanto cravamos as patas na terra. Os garotos aplaudem achando incrível. O pai do Gibby e uma mulher aparecem na varanda.
— Desculpa Gibby, eu deveria ter avisado que eles estavam vindo. — o pai do Gibby se desculpa- Por que você e a Sam não vão para a garagem? Pedirei para Sue levar roupas para vocês. — ele olha para os garotos- Estão olhando para dois alfas... — ele se dirige aos garotos- Impressionante né meninos?
— Morto de medo. — o alfa mostra estar com inveja de nós.
Gibby começa a andar para uma casinha menor quase no fim do terreno. Eu o sigo passando rosnando para os garotos. Gibby dá uma vasculhada nos meus pensamentos. Todas as cenas da noite passada invadem a cabeça dele. Sua tristeza é palpável.
Deixo Gibby ler a verdade a respeito de que eu sou a herdeira legítima do trono de Viena. Ele não parece surpreso.
E era para eu estar? Ele me pergunta.
Não sei, respondo.
Parece que não faz diferença ele amar ela se ainda continua querendo você, Gibby entra na garagem e repassa a cena na cabeça.
Para de se torturar, eu tento pensar em outra coisa.
É a única forma de eu conseguir parar de amar você, mas eu não consigo... Eu daria tudo para ter imprinting com qualquer uma, eu daria tudo Sam, ele pende a enorme cabeça para baixo, eu me aproximo devagar e encosto meu focinho no seu pescoço.
Eu sei que daria, só para romper a ligação.
Isso. Só para romper o que temos, ele ergue a pata e coloca sobre a minha.
Queria poder ficar e consertar isso, mas em breve eu vou partir, quero que seja o primeiro, a saber.
Gibby uiva fortemente como se chorasse. Em sua mente ele repassa todos os nossos momentos juntos. Ele nunca esteve tão triste.
Eu saio de perto dele e vou para um canto da garagem. Vejo uma porta aberta onde tem um pequeno cômodo com apenas uma cama. O lugar parece apertado. Deixo meus pensamentos mudos, apenas foco nos objetos em minha volta. A mente do Gibby está me matando, ele está sofrendo muito. Eu queria dar uma escolha para ele, uma saída, mas não possuo nada.
Uma mulher aparece na entrada da garagem com roupas limpas.
Esta é a Sue, esposa do meu pai, Gibby me informa ainda abalado.
— Eu trouxe algumas roupas para vocês, espero que sirvam. — ela olha para o Gibby.
Ele começa a ficar em pé nas patas traseiras para mudar de forma. Ele sorri para Sue quando já não é mais lobo. Ela toca o rosto do Gibby e fica na ponta dos pés para beijar a testa dele.
— Obrigado Sue. — Gibby agradece sem jeito por estar sem roupa.
— Essas são para você. — Sue sorri entregando roupas masculinas para ele — Essas aqui... — ela se aproxima de mim- São minhas, mas acho que servem em você, as roupas íntimas são novas, não se preocupe.
Eu me curvo como se agradecesse a ela.
— A Sam agradece. — Gibby entende minha reverência.
— Almocem conosco se não for pedir muito. — pede Sue.
— Iremos almoçar na praia, mas obrigado mesmo assim Sue. — Gibby coloca as roupas em um balcão de ferro meio sujo.
— Como quiserem. — Sue limpa a garganta e se retira.
Gibby me olha e eu bufo por que ele está sem roupa. Olho em volta evitando fixar o olhar nele. Gibby se veste rapidamente com uma calça jeans meia desgastada e uma camisa xadrez. As roupas devem ser dele, pois sinto o cheiro familiar daqui. Gibby deve vir aqui nas férias.
Ele caminha em minha direção com as roupas que irei vestir. Eu fico um pouco constrangida. Ficar nua na frente da Shelby foi uma coisa, agora ficar totalmente nua na frente do Gibby é uma coisa bem diferente.
Gibby vê minha insegurança. Rosno para ele como uma ameaça.
Mudo de forma. Entro no quartinho. Gibby me segue. Estou totalmente vermelha.
Arrisco olhar em seus olhos. Seu olhar é calmo e sério, ele não vai tentar nada por que me respeita. Um respeito sem igual nesse mundo.
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