42 - Violet Hill

19 Contaminatio Ritualis (parte um)


Notas iniciais
Bom dia jovens cidadãos do planeta terra. Esse capítulo é um daqueles que vocês adoram ler para me xingar depois. Sim caros leitores, eu já sei como irão reagir antes mesmo de eu postar, se essa fic é estranha as coisas não podem ser normais... Vejamos o que temos hoje, Carly entrando para o mundo sobrenatural, infelizmente só iram ver a primeira parte, pois a segunda eu liberarei na quarta feira... Leiam com calma queridos: P.S: Como assim tem gente que deseja muito ver a Carly como vilã? Uau hein... (eu também quero)

Parte 19: Beba

Povs Sam:

— Estou esperando há mais de uma hora e meia, onde diabos você se meteu, merda? — eu pergunto já expondo as presas para a Shelby.

— Se você se esqueceu linda, eu sou o mais novo objeto imprited de um lobo e precisava esclarecer coisas com ele. Não estou acostumada a precisar de alguém — ela responde, mas até seu jeito está mais sutil. Outra que eu perdi para a droga do imprinting, não aguento gente babando pelo amor da sua vida no meu pé.

— Onde é a casa da sua tal amiga Hexenbiest? — Vou direto ao assunto.

— Na Rua Holy, número 4221.

— Quem chegar por último...

— Vê se cresce — ela rola os olhos, mas me empurra para correr primeiro.

— Hey! Não vale! — Eu me lanço atrás dela.

Paramos de correr ao chegar na rua. A casa é simples. De madeira clara e dois andares. Tem uma van branca estacionada na frente de uma cerca de metal decadente. É a área mais simples da cidade. Shelby abre o portão enferrujado e sobe os degraus imundos da varanda. Eu a sigo. Antes que ela bata na porta, uma garota a abre e tem um olhar meio doentio.

— Shelby... Sam. Que surpresa agradável — diz a mulher de cabelos marrons claros e olhos perturbadores.

— Olá Nora — Shelby cumprimenta e entra na casa. Eu permaneço atrás dela aguardando o convite.

— Pode entrar Samantha — Nora segura a porta para mim.

Adentro na residência. Por dentro tem todo tipo de coisa pendurada, mas os móveis são dos mais caros e impecáveis que já vi. Quem está ao lado de fora, não sabe o luxo que possui aqui dentro. Eu observo com cautela a Hexenbiest nos levar para a sala. Ela aponta para o sofá no qual nos sentamos.

— Como sabia que estávamos vindo? — Eu arrisco perguntar. Minhas mãos soam. Meu couro cabeludo pinica.

— Eu sei das coisas... — ela ri de uma forma estranha. — Como vai o plano de tentar lutar contra os Reais?

Eu pisco me preparando para correr. Shelby segura minha mão me acalmando.

— Calma Sam. Nora Dershlit é uma Hexenbiest poderosa, ela consegue saber de tudo apenas olhando para nós. Ela vê tempo e espaço.

— Ah... — É só o que digo.

— Então, Nora, você sabe que não estamos aqui para falar sobre os vampiros de Viena — diz Shelby

— Eu sei que não. Vocês estão aqui para saber por que o Freddie está se tornando humano — ela se levanta devagar. — Um vampiro somente se torna humano ao ingerir ”A Cura”.

— Achei que era apenas uma lenda... — Shelby pigarreia.

— O que é “A Cura”? — Eu pergunto para ambas.

— Uma antiga poção mágica que ao ser tomada por um vampiro o faz retornar ao estado humano. Porém o efeito é imediato — responde Nora.

— Não é o caso do Freddie — menciona Shelby.

Nora caminha pela sala.

— Ele não foi mordido por alguém?

— Por mim e seus lábios sangraram — lhe respondo.

— Antes disso... Em algum momento você liberou veneno em alguma mordida? — Ela me olha com seu olhar doentio novamente.

Eu vasculho a minha mente em busca disso. Lembro-me do Freddie com a humanidade desligada, eu o mordi para que meu veneno o incapacitasse.

— Sim. Eu o mordi — eu sussurro.

Nora ri de um jeito estranho.

— Então você sendo membro da família Real, possui algo parecido com “A Cura” em seu veneno, pois o próprio sangue de um Real já contém tal poção... Mas agora tem um motivo muito maior para o Freddie retornar a ser humano. É quase como uma profe...

— Espera! — Shelby agarra meu braço com força. — Você faz parte da família Real?!

— Se espera que eu responda que sou a filha que fugiu, então está certa... Vai fazer o que? Me entregar? — Eu fito a Shelby.

— Não. Eu não faria isso — ela nega.

— Mas eu sim... — Nora diz e nós a encaramos. — Parece que a Carly ainda vai ser necessária para a família Real, e eles vão ficar ainda mais felizes ao descobrirem que a filha bastarda está de fato viva e é poderosa. Eles podem não aceitar uma Hexenbiest na linha de sucessão, mas aceitam como aliadas. Cometeram o maior erro vindo aqui — a Nora conta sem qualquer remorso. — A visita está encerrada.

— Eu vou te matar, antes mesmo que tenha a chance de nos entregar! — Eu tento voar sobre ela, mas a Nora faz um gesto com a mão e me joga pela janela. O vidro se quebra e eu estou na grama coberta de cacos de vidro. Shelby é jogada em seguida. Ela cai por cima de mim. Ficamos em pé para entrar na casa novamente, mas raízes profundas, pretas e enlameadas agarram nossos tornozelos nos prendendo. Os cacos de vidro se juntam novamente. O vidro da janela volta a existir, não é como se tivesse se partido em mil pedaços. As raízes nos soltam.

— Droga! Estamos fodidas — Shelby começa a caminhar para a rua.

— Que bela amiga você tem Shelby! Ela nos ferrou! Agora Carly corre sério perigo! Que merda! — Eu ando na direção da Shelby querendo bater nela. Meus lábios estão cortados, ardem enquanto cicatrizam.

— Não é a primeira vez que eu ferro você ou alguém a sua volta. Baixa a bola — Shelby fala distraída.

— O que quis dizer com isso? — Paro em sua frente.

— A alcateia de Salem que tentou matar você e seus lobinhos... Quem você acha que mandou? A intenção de sequestrar o Dice para que você se aliasse com os vampiros, de quem acha que foi a ideia? O lobo que tentou sequestrar a Carly, quem você acha que o ordenou para que fizesse isso? Você não percebeu ainda, Sam? Nós nunca estivemos do mesmo lado — Shelby diz como se fosse óbvio.

— Então você me trouxe aqui de propósito? Sabia que ela iria revelar tudo e dar a nossa sentença de morte? — Meus dentes se trincam.

— Não. Disso eu não sabia... Eu precisava matar você no começo por que eu estava trabalhando para a família Real... Eles temem que o alfa irá fazer até eles se curvarem e ninguém pode ser tão poderoso quanto à família Real. Quando eu vi que tudo estava dando errado e nada destruía vocês, eu resolvi trocar de lado e por que... — Ela faz uma pausa. — Eu meio que ainda amava o Freddie.

— Mas que porra?! — Eu me controlo para não encher ela de soco.

— Nós já estávamos mantendo contato fazia um tempo... Ele me procurou para irmos até a Polônia, nos beijamos por que eu sentia algo por ele, mas mesmo com a humanidade desligada ele parecia preso a você então não fizemos nada do que eu queria — ela me puxa para caminhar ao seu lado, estou tão chocada que praticamente ela tem que me arrastar.

— Prossiga.

— A partir do momento que eu fui até sua casa te contar a verdade sobre a família Real, eu queria salvar você... — Ela justifica. — Por isso fui com o Freddie para a Polônia. Eu iria começar a me aproximar de vocês, por que eu queria salva-los. E agora tenho que proteger vocês por que o Spencer me ama e eu o amo. O mundo é diferente para mim agora, gostaria que pudesse entender a complexidade do imprinting.

— Está dizendo que se não fosse o imprinting você já teria nos matado? — Quero arrancar a cabeça dela.

— Não. Se não percebeu antes mesmo disso eu já estava ajudando vocês... O imprinting só me deu mais uma razão para fazer isso — Shelby suspira e para de andar. — Sei que você jamais vai me perdoar, assim como eu também não irei por você ter me transformado, porém você não pode me matar, assim como ninguém pode.

— Tem razão... — Eu admito fria.

— Por que um objeto imprinted de um lobo não pode ser morto — dizemos ao mesmo tempo.

— É a nossa lei mais absoluta — eu balanço a cabeça sem acreditar. — Shelby... Eu te transformei por que eu matei duas pessoas importantes para mim, então quando eu te vi ali... Naquele quarto, perdendo a consciência, eu percebi que eu tinha a oportunidade de salvar alguém e esse alguém era você. Uma vida salva... Agora só falta mais uma.

— Mas você salvou o Spencer e a Carly... — Ela sussurra.

— Eles iriam sobreviver mesmo sem mim, Spencer conseguiria se salvar sozinho e ajudar a Carly, eu apenas os salvei por que pertenciam à família Real. Só que foi tarde demais quando eu acabei os amando tanto e eles me amaram também. Foi o mais perto que eu tive de uma família após matar a minha — as revelações prosseguem.

— Você não precisou do imprinting para amar o Freddie, e sabe que boa parte das coisas é culpa dele. Como você consegue? — Ela fita meus olhos.

— Apenas conseguindo. Eu não sei como explicar, mas lá na frente, eu imagino algo muito forte entre ele e eu... Só queria saber o que é.

— Seja lá o que for vocês vão permanecer juntos — Shelby me abraça e eu fico sem jeito. Respiro fundo pela boca para não sentir seu cheiro e devolvo o abraço para ela. Estamos condenados. Carly vai ser levada ou até mesmo eu. Minha matilha irá morrer. Gibby irá morrer. Eu ainda o amo tanto. O clã do Freddie também vai sofrer. O que foi que eu fiz?

Quando me dou conta, estou chorando contra o ombro da Shelby. Ela acaricia minhas costas me consolando.

— Eu... — Solto um soluço. — Eu sou a culpada.

— Shhh... — Shelby me aperta com carinho. — Não é culpa sua e nem tudo está perdido — ela me solta devagar.

— Como assim? — Enxugo as lágrimas.

— Escutou o que a Nora disse? Os vampiros de Viena não aceitam uma Hexenbiest na linha de sucessão — ela passa os polegares nas minhas lágrimas.

— Mas eu não sou uma Hexenbiest. — distancio suas mãos. Eu quero parecer forte.

— Mas a Carly pode ser — ela finaliza e nos entreolhamos com a ideia perfeita.

— Carly? — Eu pergunto entrando no apartamento 8C.

— Estou aqui Sammy! — Ela diz da cozinha onde mexe algo no fogão.

— Preciso falar com você.

Shelby e Wendy me seguem.

Spencer sai do seu quarto. Ele sorri para a Shelby que vai ao seu encontro rapidamente. Wendy me segue até a cozinha.

— O que foi? — Carly acena para a Wendy.

— Melhor você se sentar — aponto para a cadeira vermelha.

— Está bem — ela fica nervosa e se senta.

Eu me sento na beirada da mesa. Wendy senta na cadeira ao lado da Carly, ela está preocupada.

— Eu preciso te contar a verdade a respeito da sua família... Sobre quem você é e sobre a quem você pertence — eu inicio o que vai a deixar chocada.

Ela estreita os olhos para mim.

— Que história é essa?

— Não sei o quanto a Shelby te contou a respeito da família Real de Viena, mas eu vim preencher os espaços em brancos — pego na sua mão.

Carly ergue as sobrancelhas

— Espaços em brancos?

— Sim — limpo a garganta. — Voltemos para o dia em que seus pais morreram... Você era tão pequena, não é a toa que não se lembra de muita coisa... Aquele acidente foi armado pela família Real. A caminhonete que bateu no carro em que sua família estava era dirigida por aliados. Com isso, os Reais causaram o acidente que fez o carro do seu pai parar dentro do rio. Seu pai e sua mãe faziam parte da família Real de Viena, porém abandonaram a coroa e quiseram viver uma vida normal aqui em Seattle. Os vampiros de Viena não aceitaram a traição por parte de um casal de humanos e resolveram colocar um fim nisso de forma que parecesse um acidente. Eles iriam retirar você e seu irmão do carro... — Eu olho para o Spencer que se aproxima com a Shelby. — Mas eu cheguei primeiro e matei os aliados. Retirei vocês da água e acabei por decidir protegê-los... Você cresceu e não sabia da verdade. Spencer cresceu e não podia te contar por ser tão pequena, enfim quando ele entrou para a alcateia, ordenei que não te contasse e que escondesse dos outros membros da matilha — respiro fundo para contar o item seguinte. — Shelby e eu fomos até a casa de uma Hexenbiest para resolver um problema, porém a infeliz era uma aliada da família Real e pretende comunicar a eles que podem vir buscar você. É isso que tenho para te contar — eu finalizo levantando da mesa.

Carly permanece sentada. Lágrimas silenciosas escorrem pelo seu rosto. Ela as enxuga com força. Ela quer parecer forte, assim como eu. Carly se levanta arrastando a cadeira no piso fazendo um barulho irritante.

— Eu sei que queriam me proteger, mas agora a decisão é minha, certo? Eu poderia muito bem escolher a família Real, não é? — Ela pergunta aquilo que eu temia.

— A decisão é sua. Ninguém vai te empatar — eu falo por todos. — Porém saiba que você vai acabar nos matando, ou nós iremos ter que matar você. Dessa vez não dá para escolher os dois lados, Carly.

Ela nos fita com certo ódio.

— Eu não abandonaria vocês — sua expressão se alivia. — Mas não quero coloca-los em perigo.

— Você não vai nos colocar em perigo — eu digo mudando o tom, um raio de esperança surge.

— Temos uma ideia que pode ajudar — diz Shelby.

— Basta você aceitar se tornar parte do nosso mundo — Wendy finalmente se pronuncia.

— Me tornar uma vampira? — Carly acha que vai conseguir o que sempre quis.

— Não. Uma Hexenbiest — eu respondo.

— Por que?

— Uma Hexenbiest não pode entrar na linha de sucessão. Você estaria segura — Shelby garante a ela.

— Se quiser te damos um tempo para você pensar — Wendy fala sem pressão.

O silêncio se estabelece por alguns segundos. A expressão da Carly vai mudando aos poucos. Raiva. Dor. Ódio. Calma. Serenidade. Determinação.

— Quando começamos? — Ela pergunta e suspiramos aliviados.

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— É um processo complicado, mas já vai salvar a gente de alguma maneira — Wendy nos conta dentro do carro. Após o almoço na casa da Carls, estamos rumo a uma missão.

— Então me deixem ver se eu entendi... — Carly vai repetir o plano pela décima vez. — Iremos até a casa da Nora para mata-la, a mesma Nora cujo jogou Sam e Shelby pela janela apenas com o poder da mente, estou certa?

— Certíssima — Shelby diz no banco de trás. Carly está sentada na janela do lado esquerdo e Shelby está no meio. Spencer parece nervoso observando pela janela do lado direito.

— E ela sabe as intenções das pessoas? — Carly continua.

— Exatamente — eu murmuro no banco da frente.

Carly parece não acreditar ainda.

— Depois que ela estiver morta, irei arrancar o coração da Nora, beber um pouco do sangue dela, colocar o coração em um jarro, cavar um buraco em Violet Hill e enterrar o jarro. Certo?

— Isso mesmo — diz Wendy dirigindo.
— Acho que vou vomitar — Carly tem uma ânsia.

— É só não pensar nisso... — diz Spencer. — Pense que o coração é um pedaço de geleia.

Carly abre a janela para tomar um ar, ou está vomitando.

— Amor, você não está ajudando — Shelby sussurra e eu dou risada. Ela dá um tapa na minha cabeça.

— É engraçado ver você sendo fofa com alguém, normalmente você é uma... — busco as palavras do Freddie. — Pegadora generalizada.

— Não enche — ela solta um muxoxo.

Spencer a beija no rosto. Pergunto-me como o cheiro da Shelby não o irrita. Shelby vira o rosto para beija-lo na boca. Carly volta com a cabeça para dentro do carro, mas quando vê os dois se beijando, coloca a cabeça para a fora de novo e vomita de verdade.

— Carly! — Wendy reclama no volante.

— Não a culpe, ela não está em um bom dia hoje — eu defendo a minha melhor amiga.

— Alguém dá um antiácido para ela — Shelby fala rompendo o beijo com o Spencer.

— E vocês dois parem de se agarrar no banco de trás porra! — Wendy faz uma nuvem magenta começar a invadir o carro, me sinto sufocada. O nevoeiro vai para o banco de trás, a Carly apaga em segundos e Spencer tosse.

— Wendy... — Eu sussurro enjoada.

— É uma proteção, ela não vai detectar nossa presença aqui — explica Wendy e estaciona o carro em um beco atrás da casa da Nora.

— A Carly desmaiou? — Eu pergunto retirando o cinto.

— Por alguns minutos... Acho que exagerei na dosagem para um humano — Wendy sai do carro e caminha para o porta-malas. Ela abre para pegar a bolsa que contém adagas prateadas com desenhos entalhados. Armas para matar uma Hexenbiest.

Eu tento ligar para o Freddie, mas ele não atende. A ajuda dele seria bem-vinda.

Spencer e Shelby saem do carro juntos deixando a Carly deitada no banco.

— Qual é o plano? — Eu esfrego as mãos uma na outra.

— Pelo o que a Shelby me contou, Nora é extremamente poderosa, preciso abrir um portal para entrar na casa com cautela — Wendy nos conta, ela entrega uma adaga para cada um e deixa a bolsa dentro do carro próxima da Carly. — Prontos?

— Não — Spencer nega.

Wendy revira os olhos e abre um portal. Eu respiro fundo. Wendy entra. Shelby, Spencer e eu pulamos em seguida. O portal nos levou para o corredor da parte de cima. Wendy precisa treinar essa coisa de localização.

Ela leva o dedo aos lábios indicando silêncio. Andamos sorrateiramente atrás dela. Escutamos música no andar de baixo. Caminhamos para as escadas.

— Por que simplesmente não usamos velocidade e a pegamos de surpresa? — Shelby pergunta sussurrando.

— Hexenbiests esperam por isso. Antes que se dê conta você vai estar com a sua cabeça sobre o seu braço — Wendy responde em tom baixo.

Descemos as escadas com cuidado. Spencer respira com calma, mas está com medo. Eu aperto sua mão o acalmando. Shelby segura seu braço com carinho.

Chegamos ao fim da escada e nos jogamos atrás do sofá. Wendy gira a adaga em sua mão, ela parece ter prática nisso. Que outros segredos ela esconde?

Ela nos dá um sinal para esperarmos. Lentamente ela se mantém abaixada e vai para o outro sofá. O mesmo sofá se arrasta para um lado revelando Wendy. Eu tapo a boca para não gritar.

Nora olha de maneira perigosa para a Wendy. Em um salto Wendy joga a adaga certeira no coração da Nora, mas infelizmente, Nora é mais rápida e consegue desviar, a adaga se crava na parede. Saímos de trás do sofá e a cercamos sem saber ao certo o que fazer.

— Eu devia saber que voltariam aqui e não viriam sozinhas... — Nora ri daquele jeito perturbador dela. — Trouxeram mais amiguinhos para morrer.

— A única que vai morrer aqui é você. — Wendy faz um jarro da mesa voar na cabeça da Nora, dessa vez ela não consegue desviar, isso a deixa irritada.

Nora tenta atingir Wendy com um tipo de raio azul, mas Wendy rola no chão e revida batendo palma. Ela forma um estrondo e algo parecido com chamas magentas fazem Nora cair no chão, porém ela se levanta e me fita. Sua mão faz um movimenta como se apertasse alguma coisa, é tarde demais quando noto que ela está apertando meu pescoço. Estou totalmente sem ar. Não consigo retirar a mão imaginária que me aperta.

— Desgraçada! — Shelby voa na Nora, que tem que se defender e soltar meu pescoço que na verdade nem estava sendo segurado de verdade.

Shelby tenta cravar a adaga em Nora, porém a Hexenbiest passa um raio azul pelo seu corpo e ela voa como uma bala para uma estante da sala que se quebra caindo sobre ela. Shelby não se mexe.

Spencer corre para a Nora. Ela o detém, mas Wendy é mais ágil e coloca algum tipo de escudo em volta do Spencer. Nora se desvia das tentativas do Spencer de feri-la.

Wendy começa a se aproximar e eu também. Nora recita algumas palavras, seus olhos ficam brancos e Wendy para como se não conseguisse andar.

O escudo em torno do Spencer desaparece e Nora toca na testa dele. Spencer grita como se visse alguma coisa em sua frente, mas não tem nada, é apenas uma alucinação. Ele cai de joelhos ainda gritando e tremendo. Wendy é lançada para um lado e se choca em dezenas de jarros de vidro que cortam seus braços.

Nora se aproxima de mim sorrindo friamente. Tento usar a adaga, mas o objeto já não está mais em minhas mãos. Nora segura meu rosto e sopra algo na minha boca. Eu caio para trás. Uma dor começa na minha garganta, desce pelo meu peito e vai para a minha barriga. É como ter um bicho me comendo por dentro. Eu grito sentindo a maior dor do mundo.

Eu vou morrer. Não acredito que é assim que eu vou morrer. Sem poder dizer uma última vez ao Freddie que eu o amo, sem poder pedir perdão ao Gibby por não ter escolhido ele. Eu choro lágrimas de sangue, enquanto seja lá o quê, me come de dentro para fora.

Viro o rosto a procura dos meus amigos. Shelby tenta se mexer, mas parece fraca. Spencer grita no chão próximo à porta da sala ainda tendo alguma alucinação invisível para o resto de nós. Parece tão real que ele chora e range os dentes em desespero. Wendy busca forças para se levantar, mas Nora a segura pelos braços e coloca a boca próxima da dela como fez comigo, mas em vez de soprar, ela está sugando algum tipo de fumaça roxa. Os poderes da Wendy.

Eu grito tentando pedir para que ela pare, mas só sai um chiado de palavras erradas. Eu aceito o meu destino. Deixo o verme me comer sem pestanejar, apenas grito por causa da dor que me assola.

Olho para a minha barriga. Não tem sangue. Não tem nem algo se mexendo. Não existe verme. Isso está dentro da minha cabeça. Isso não é real. É apenas uma ilusão. “Ninguém que tem um dom apenas mental consegue derrubar você". A voz do Freddie retorna à minha cabeça.

Me acalmo aos poucos. Permito-me relaxar e paro de gritar. Repito diversas vezes que não é real. Meu corpo aceita meus comandos. A dor se esvai. Estou quieta. Eu me sento. Olho para lado. Nora se da conta que estou ativa novamente. Ela arregala os olhos.

— Mas como... — Ela larga Wendy no chão que tosse constantemente.

— Está surpresa? — Eu avanço em sua direção.

Nora segura meu pescoço, sua mão queima como fogo. Ela está tentando me decapitar! Eu agarro o pescoço dela com minhas duas mãos, mas ela é mais forte e retira a mão do meu pescoço, onde sinto um fio me cortar. Eu caio de joelhos. Nora controla o fio. Eu sinto a pele se rompendo.

— Te vejo no inferno Samantha — diz Nora preparada para me matar.

— Não. Você é que vai para lá sozinha, vadia — Carly diz atrás da Nora e enfia uma adaga nas costas da Hexenbiest.

Nora grita e um brilho azul aparece onde a adaga está cravada. Carly insere a lâmina mais profundamente enquanto Nora cai de joelhos. Ela desaba no chão de olhos abertos. Seu coração dá uma leve batida em seguida para. Ela está morta. Carly a matou e salvou todos nós.

Spencer para de gritar no chão. Ele apenas chora em pânico. Shelby retira a estante de cima de si, parece que o raio azul que a atingiu teve o efeito finalizado.

Me aproximo da Wendy que respira com dificuldade.

— Wendy? — Eu seguro ela nos meus braços.

— Estou bem... — Ela responde tossindo. — Ela tentou retirar meus poderes, mas não conseguiu — Wendy se mexe sentindo dor. — Meus braços estão cortados.

— Temos que te levar para um hospital — eu a advirto.

— Nada de hospital. Não quero ter que justificar isso para minha mãe. Vamos para sua casa — Wendy tenta se levantar e eu a ajudo. — Carly... — Ela abraça a amiga. — Você salvou nossas vidas.

Carly está um pouco chocada. Ela desfaz o abraço empurrando a Wendy. Ela parece que vai desmaiar enquanto olha para o sangue em suas mãos.

— Eu... — Ela começa a se desesperar. — Precisava... Eu a matei — seus olhos se enchem de lágrimas.

— Foi necessário — eu a acalmo.

— Realmente foi?

— Sim. Não se culpe.

Carly fica calada.

— Temos que sair daqui — Shelby fala ajudando o namorado se levantar. — E de preferência pegar o coração da Nora.

— Carly. Você deve fazer isso — eu retiro a adaga das costas da Nora e coloco na mão da Shay.

— O que?! — Carly parece que vai vomitar de novo.

— É necessário fazer isso, os espíritos tem que aceitar você — Wendy diz e procura algo entre as estantes quebradas. Ela encontra um jarro de vidro. Ela procura por outras coisas e eu volto à atenção para a Carly.

Carly se ajoelha e abre a camisa da Nora. Ela enfia a faca sem olhar para as mãos e começa a cortar.

— Acho que vou vomitar — Spencer dispara para fora.

— Vou ficar lá fora com ele — Shelby também não parece à vontade com a cena e desaparece.

Carly prossegue com o corte. Eu sinto meu estômago revirar. Seguro os ombros da Carly para dar apoio. Wendy retorna com um jarro com terra e um copo de vidro. Ela se ajoelha ao meu lado.

— Como conseguiu sair da alucinação? – Perguntou Wendy.

— Eu me lembrei do que o Freddie me disse uma vez, algo sobre dons de ilusão não funcionarem em mim. Foi o que me fez perceber que nada daquilo era real – eu respondo sorrindo.

Quando finalmente Carly consegue retirar o coração, Wendy dá o copo para ela.

— Beba – Wendy pede.

Carly coloca o copo no chão e espreme o coração nele até que metade do copo se preencha de sangue. Ela leva a mão à boca segurando a bile que deve subir pela sua garganta. Ela respira fundo e toma de uma vez.

Ela coloca o coração dentro do jarro, Wendy nos avisa que o corpo tem que ficar no mesmo lugar, pois ainda vai ser útil para a última parte do ritual.

Entramos no Chevy e Wendy liga para o Brad encontra-la em minha casa. Eu ligo para o Freddie pelo celular da Wendy, pois ele não atendeu meu número. Ele parecia relutante em ajudar com qualquer coisa. Preciso dele para acalmar a Carly que está totalmente histérica.

Wendy estaciona o carro na frente da garagem. Ajudo a Carly sair do Chevy. Ela segura o jarro com as mãos trêmulas. Eu a guio pelos degraus de madeira. Wendy abre a porta para nós e entramos em minha casa. Brad corre para abraçar a namorada, que geme com dor, já que seus braços estão cortados.

— O que vocês estavam pensando?! – Brad pergunta desesperado.

— Era necessário – Wendy justifica. – Carly precisa permanecer segura.

— Fazendo ela passar por um perigo ainda maior? – Freddie me pergunta aparecendo. – Achei que você queria protegê-la.

— Para sua informação foi ela que nos salvou, ela não ia correr perigo nenhum – eu retruco com raiva.

— Eu matei ela... – Carly sussurra em choque, enquanto caminha para a sala. Ela deixa o jarro sobre a mesinha e fica tremendo. – Matei ela...

— Isso é um coração? – Brad olha para dentro do jarro.

— Carly que retirou da Hexenbiest com as próprias mãos – Shelby responde surgindo com o Spencer.

Carly olha para nós. Ela vai desmaiar ou ter um ataque cardíaco. Suas mãos estão cobertas com uma grossa camada de sangue.

— Você passou dos limites com ela Sam – Freddie fala e isso me magoa profundamente.

— Você precisa acalma-la – eu peço.

Ele acena com a cabeça e vai para perto da Carly. Ele não hesita em passar os braços em volta da cintura dela, enquanto ela começa a chorar em desespero.

— Vai ficar tudo bem. Carly fique calma – ele começa a usar o dom nela. Carly vai amolecendo aos poucos, praticamente cai de joelhos no chão com o Freddie. Ele segura o rosto dela com uma mão. Carly segura o rosto do Freddie enquanto chora. Os polegares dela acariciam os lábios macios dele.

— Eu a matei, Freddie... – Carly sussurra chorando.

Freddie encosta sua testa na dela. Eu recuo com ódio da cena. Ele lentamente roça seus lábios nos da Carly a acalmando. O dom funciona em segundos. Freddie abraça Carly que coloca o rosto contra o ombro dele. Ela fica em silêncio. O único som que ouvimos são nossas respirações.

Freddie me encara e balança a cabeça negativamente como se me culpasse. De repente eu não quero estar ali. Não quero presenciar o quanto ele é perfeito tomando conta dela. Não quero ficar com a culpa sobre meus ombros. Wendy está certa. A visão vai acontecer. Eu não quero e nem vou estar aqui para presenciar.

Eu saio da sala e vou para a cozinha. Pego um kit de primeiros socorros e aguardo a Wendy aparecer. Ela anda hesitante com o Brad. Ouço Shelby e Spencer contarem ao Freddie o que aconteceu.

Eu abro a maleta laranja e aguardo Wendy se sentar. Eu trabalho em silêncio. Desinfeto os ferimentos, retiro os cacos de vidro e controlo a sede que queima na minha garganta. Enrolo o braço da Wendy e permaneço calada.

— Temos que fazer a segunda parte – Wendy me avisa.

Eu dou um aceno com a cabeça e me levanto. Spencer se coloca na minha frente, ele me empata de entrar na sala.

— O que é? – Eu pergunto.

— Talvez... – Ele se prepara para concluir. – Seja melhor você permanecer aqui.

— Não. Eu vou. Sou a melhor amiga dela – desvio dele e vou para a sala. Freddie está sentado no sofá. Carly permanece nos braços dele. Ele se levanta com uma postura rígida.

— Não deveria ir – ele me diz.

— Eu deveria sim, por que eu sou uma amiga presente, diferente de você – rebato sem me importar. – Onde estava naquela maldita batalha? – Recordo de Violet Hill, ele fugiu durante um tempo. – Onde estava quando o Dice morreu? – Mesmo eu tendo ordenado que ele me deixasse em paz, Freddie não deveria ter me abandonado. – Onde esteve quando eu estava confusa a respeito do que eu sentia pelo Gibby? – Relembro quando ele desligou a humanidade. – Onde você estava quando eu descobri que sou apenas mais uma híbrida no mundo? – Eu me seguro para não chorar. – E onde você estava hoje quando precisamos da sua ajuda? – Eu agarro a mão da Carly e a puxo para que se levante. – Você nunca esteve presente Freddie. Eu estive. Não queira fingir que se importa com a Carly e que está presente agora.

Freddie suspira e passa a mão no rosto.

— Eu sinto muito Sam, se você enxerga as coisas dessa forma – ele tenta se aproximar, mas eu recuo levando a Carly junto. – E como ousa dizer que não me importo com a Carly?

Eu solto a mão da Carly e olho dentro dos olhos castanhos do meu namorado.

— E você se importa?

— Claro que sim... Eu a amo – ele se refere à Carly.

— É. Deve amar ela mais do que ama a mim – eu saio da sala e os outros me seguem.

Notas finais
To saindo de jato! Comentem seus lindos e leitores fantasmas saiam do outro lado... Hoje não tem perguntas por que deixarei para responde-las na quarta-feira, sei que esse capítulo vai dar muito o que pensar. A história vai começar a virar de cabeça para baixo, se agarrem à gravidade por que em breve ela deixará de existir. Amo vocês! See you soon guys! Very soon...