42 - Violet Hill

34 Blood, Sweat and Tears


Notas iniciais
Bom dia humanos... Apenas aproveitem o capítulo, ele está chocante demais... Beijão

Parte 34: Beijo da Morte

Povs Sam:

— Ligue esse carro e a atropele! — Gibby berra ao meu lado — E se você não fizer isso eu mesmo faço!

— Não precisa nem pedir duas vezes. — eu ligo o fusca e piso no acelerador. O pé do Gibby pisa por cima do meu. Ele não vai perder essa chance e provavelmente vai dar ré depois passando por cima dela novamente para se certificar que fez bem o serviço.

O motor engasga, mas funciona. O fusca parte pela rua. Carly fica esperando. Falta pouco. Um pouco mais e eu a mato. Aperto com mais força o pedal por que o Gibby está esmagando meu pé. É agora. Adeus vadia.

De repente Gibby muda a expressão de raiva para surpresa ao encontrar seu olhar com a Carly. Eu já vi essa cena antes. Um cego que finalmente conseguiu enxergar o sol pela primeira vez. Uma criança ganhando o melhor presente do mundo. Alguém olhando para seu amor verdadeiro. NÃO! Tudo leva segundos.

— Sam! — ele grita girando o volante para o lado esquerdo.

— Merda! — eu xingo quando Carly ergue a mão.

Algo levanta a traseira do fusca. Ele capota pela rua diversas vezes. Sou lançada furiosamente dentro do veículo. As ferragens se amassam. Sinto minha perna quebrar. Escuto o som da gasolina pingar. Penso se prefiro morrer na explosão que Carly vai causar ou se prefiro morrer nas mãos dela. Tanto faz.

Gibby está inconsciente preso pelo cinto. Eu estou deitada no teto interno do fusca. O vidro corta meus dedos. Eu rastejo para fora do carro, minha perna direita dói, mas não vou pensar nisso. Eu dou soco na porta para abri-la. Consigo sair do carro. Me corto mais ainda nos vidros estilhaçados. Eu estou de joelhos, já que não consigo me levantar por causa da minha perna quebrada.

Carly aparece na minha frente. Seu olhar é frio.

— O Freddie é meu... — ela diz apertando algo no ar, nesse momento algo aperta o meu pescoço.

— Não... — eu consigo dizer — Ele é meu. Sempre será meu. Jamais pertencerá a você da forma que pertence a mim.

— Se prepare para morrer. — Carly murmura e o aperto fica tão forte que sinto meu pescoço começar a se quebrar.

Irei morrer nas mãos dela. Mas não antes de causar.

— Mande lembranças ao Freddie por mim... — eu sussurro e sou erguida no ar — Principalmente ao corpo dele.

— Cala a boca! — ela aperta meu pescoço com mais força.

Eu rio sombriamente. Não darei o gostinho da minha morte em branco para ela. Morrerei com respeito.

— Ele nunca te amou. — eu murmuro — Ele ama a mim.

— Cansei. — ela fecha a mão, mas o para-choque de um carro bate em suas costas.

Eu caio no chão, Carly é arremessada a alguns metros longe. Shelby sai da BMW preta e sorri.

— Hey lindinha, fiquei magoada em saber que você voltou e não veio me visitar. — Shelby diz sorrindo e retira os óculos pretos do rosto.

— Nunca fiquei tão feliz em te ver. — eu falo me levantando, minha perna está voltando ao lugar aos poucos.

— Pensei que ainda estivesse desligada. — ela coloca os óculos no cabelo.

— Eu desliguei a humanidade e não o bom senso. — respiro com dificuldade — Me ajuda a tirar o idiota do Gibson do carro.

— Tadinho, o que ele fez dessa vez? — Shelby pergunta desvirando o carro, sozinha.

— O idiota teve imprinting pela Carly exatamente na hora que eu ia atropelar ela. — eu quebro a porta para tirar o Gibby de dentro — Ele virou a direção e o carro capotou. Ou foi a Carly... Ah, não sei. — solto o cinto do Gibby e o pego nos meus braços, ele está acordando.

— Carly... — ele sussurra tossindo.

— Está tudo bem com ela mané, relaxa. — eu o levo para a BMW da Shelby, mas ela vem me ajudar ao ver eu quase cair por causa da minha perna.

Gibby é colocado no banco de trás. Eu sento no banco da frente. Shelby retorna com a Carly e praticamente a arremessa nos braços do Gibby que chora baixinho.

— Cuidado... — Gibby murmura ainda meio grogue.

— Otário. — eu reclamo.

Shelby liga para um guincho. Em seguida entra no carro, desvia do fusca e segue pela rua.

— Agora a Carly é do Gibby. Nossa. — Shelby acha tudo divertido, eu queria ter essa capacidade de agir assim mesmo com a humanidade ligada.

— Eu acho que no fundo eu sabia disso... — Gibby sussurra enquanto acaricia os cabelos da Carly — Deveríamos leva-la para um hospital.

— Não. — diz Shelby — Ela vai ficar bem. A batida não foi forte e ela estava usando algum tipo de escudo em volta de si mesma.

— Por pouco ela não me matou... E agora não posso mata-la por que o fofão ai resolveu ter imprinting por ela no lugar errado e na hora errada. — eu aliso a minha perna com a esperança que se cure logo. — E como sabia onde nos encontrar?

— Desde que você voltou o Freddie pediu para eu ficar de olho em você. — responde Shelby — Que bom que ele pediu.

— Nunca entendi essa sua queda por mim.

— Também não. — ela da um tapinha na coxa da minha perna boa — Eu te daria um beijo se o Gibby não estivesse aqui... Ah, é... Ele não se importa mais. — Shelby volta a rir.

— Deixa o beijo para depois. — eu reviro os olhos e algo lá no fundo me machuca.

— Temos que passar na casa da Wendy, você vai a deixar trazer as memórias da Carly de volta, se não quando a Carly acordar ela vai tentar te matar de novo... E o Gibby não vai te salvar. — Shelby me lembra.

— Claro, claro... — uso minha velha expressão.

Carregamos a Carly para o apartamento 8-C. Spencer só faltou me matar e não acreditou quando eu disse que o Gibby teve imprinting pela Carly.

Wendy já está conosco.

— Vai ser rápido... — ela refaz a mesma esfera, mas dessa vez lança primeiro em mim e depois na Carly.

Gibby aguarda olhando para a Carls com uma expressão boba demais. Eu rolo meus olhos.

Carly se acorda respirando de forma pesada. Ela começa a chorar e olha para mim.

— Por que... — ela se levanta e Gibby a segura com medo do que pode acontecer.

— Não. — eu relaxo meu corpo — Solta ela. — peço a ele.

— Sam se você tentar alguma coisa... — Gibby muda totalmente comigo.

— Não vou tentar nada. — eu prometo sem dar à mínima.

— Tudo que aconteceu... — Carly segura à têmpora e depois me dá um tapa no rosto — Eu era sua melhor amiga!

— Você pediu por isso. — eu trinco os dentes — E está brava comigo, por quê? Hein? Por que eu desliguei a humanidade e mandei a Wendy apagar sua memória? Por que o Freddie nunca deixou de me amar? Por que ele traiu você, comigo? Por que você não suporta os próprios erros e quer colocar a culpa em mim, mas não pode? Me diz Carly...

— Sai daqui! — Carly grita e senta no sofá, ela afunda as mãos no rosto — E Wendy o Freddie está preso no quarto dele com aquele feitiço que você usou no quarto da Sam, na segunda após o baile de máscaras.

— Tudo bem. — Wendy praticamente sai correndo.

Eu olho com nojo para a Carly e saio do apartamento mancando. Shelby me segue até o corredor.

— Você já vai? — ela me pergunta.

— Não. Minha estadia é até a semana que vem... — eu encosto-me à porta do Freddie

— Hoje o dia foi louco.

— Sim... Foi. — Shelby me pressiona na porta e me da um selinho. Eu fico parada enquanto a boca dela se encaixa com a minha. Ela recua rapidamente. Eu sorrio e dou um tapa em seu braço.

— Eu devia te matar. — enxugo meus lábios nas costas da mão.

— Eu não sei... Não sei por que fiz isso. — ela está mais confusa do que eu.

— Não importa... Seu segredo está a salvo comigo. — eu comento só pra falar algo.

— Que bom. — ela parece estranha.

— A gente se vê por ai Marx. — eu me despeço.

— É. A gente se vê por ai Puckett. — ela fica meio triste.

Eu saio de perto dela, antes que eu ligue a minha humanidade. Eu estou sendo empurrada de volta. Eu poderia ter todos eles de novo, mas preciso ir. Eu tenho que ir.

Retorno para casa correndo entre os becos com dificuldade. Minha perna está uma droga. Terei que quebra-la de novo até os ossos voltarem de maneira certa para o lugar.

Eu estou tentando abrir a porta da frente. Algo morde minha perna. Eu sou lançada pela grama. Um lobo enorme abocanha meu braço e me sacode para os lados como se eu fosse uma boneca de pano. Que legal. Se a Carly não me matou, esse lobo vai dar conta do serviço.

Eu sou jogada na parede de madeira. O lobo rosna e expõe seus dentes. Eu sei quem é esse lobo. É o mesmo lobo que o Griffin por acidente deixou escapar naquela briga em Tulalip Bay. Oh merda.

O lobo avança para mim. Eu não faço questão de me defender. Ele me joga na grama de novo. As garras afundam nas minhas costas arrancando pedaços de pele, veias e tendões. Eu não grito, apenas o deixo continuar até chegar ao meu coração.

Flashback ON:

— Mas a Melanie pode conversar com o Hayes, isso é injusto! — eu grito com a minha mãe — Ele tem idade para ser o pai dela!

— Você não entende Samantha. — minha mãe repete o que sempre diz — E o Fredward não é uma boa companhia, gostaria de te explicar, mas não posso.

— Você nunca pode. — eu resmungo e saio da sala.

— Não saia desta casa! — mamãe ordena firme.

— Diga isso a Melanie. — eu disparo e saio correndo.

Eu vou para o meio da floresta. Corro rapidamente para o lugar onde o Fredward disse que se encontraria comigo. Ele é o garoto mais lindo da reserva. Tem cabelos castanhos, olhos chocolates ao leite e uma boca desenhada... Ele parece um anjo. Minha mãe não gosta dele. Ela diz que ele não é uma boa pessoa e vai me machucar, mas Fredward jamais me machucaria. Ele gosta de mim. Ele disse isso.

Nos conhecemos desde crianças, mas ele mudou... Faz um tempo que mudou e eu fiquei assustada por que ele parece meio distante. Não nos vemos como antes e ele não costuma aparecer em dias ensolarados — que são os meus preferidos — mas ele continua a falar comigo quando pode. Eu aprendi a respeitar o espaço dele. De todas as garotas da reserva ele preferiu a mim, o que é inacreditável.

As pessoas não deviam se importar por eu ter catorze anos e o Fredward ter dezessete. Deveriam se importar com o fato da minha irmã Melanie ter catorze anos e o Hayes ter dezenove ou vinte. Tudo bem que eles nunca se beijaram em público, apenas conversam, mas é nauseante e errado. Só que ninguém fala nada e as meninas a invejam. Ultimamente também invejam a mim.

Eu me sento em uma rocha próxima de um pequeno rio. É meu ponto de encontro. Fredward sempre me encontra aqui. Eu aguardo nervosa. Arrumo meu vestido. Mamãe insiste que eu use vestido, mas eu prefiro usar uma calça igual a que os meninos usam.

O tempo está nublado. Freddie gosta de tempos nublados. Eu era a única pessoa que chamava o Fredward de "Freddie". Ele gostou do apelido... E ai então todo mundo começou a chama-lo assim.

Freddie gosta de mim. E eu acho que o amo... Acho que descobri o amor. Eu descobri o amor graças a ele. Sei que sou nova, mas eu sei que é isso que eu quero para minha vida. Eu queria namorar com ele. E casar. E ter uma casa na praia. E ser dele para sempre. Ok... Para sempre não, por que ninguém vive para sempre, mas eu queria passar o resto da vida com ele. Ele é meu primeiro amor e eu não quero me apaixonar por mais ninguém.

As folhas se mexem. Freddie aparece. Eu quase desmaio toda vez que olho para ele.

— Respire, Sam. — ele diz como de costume. Nunca entendi como ele sabe que eu me esqueço de respirar.

— Minha mãe pegou no meu pé de novo. — eu murmuro esperando ele se sentar ao meu lado — Ela não quer que a gente se encontre.

Freddie retira seu chapéu e arruma a camisa branca de botão. Seus jeans estão meio sujos. Suas botas marrons estão brilhantes.

— Ela está certa... Não deveríamos mais nos ver. — ele concorda com a minha mãe.

— Não. — eu seguro seu braço. Ele é frio.

Freddie recua. Toda vez que eu toco nele, ele faz isso. Ele não gosta de ser tocado.

— Só que eu já tentei parar de falar com você... Eu não consigo. — ele sorri para me acalmar ao ver que me magoou.

— Por que não consegue? — eu pergunto brincando com as fitas do meu vestido.

— Porque eu gosto de você. — eu adoro o ouvir dizer isso.

Tomo coragem para perguntar algo a ele.

— Por que você gosta mais de mim do que das outras meninas?

Freddie olha para baixo. Ele nunca fica corado com nada. Seu rosto permanece pálido, mas ele ergue as sobrancelhas.

— Você é diferente. É alegre, divertida e sincera. Diz tudo o que quer e não quer estar comigo por que eu sou bonito ou rico... Bem, eu acho que você quer estar comigo por que gosta de mim. — ele pega a minha mão.

Meu coração vai saltar pela boca. Nossos dedos se entrelaçam. Será que ele vai dizer que me ama?

— Eu gosto de ficar com você. — eu fico vermelha novamente.

Fredward sorri de lado. Ele começa a olhar para a minha boca. Eu me inclino querendo beija-lo, mas ele vira o rosto preocupado e começa a respirar fortemente.

— Eu... — ele quer se desculpar e solta as minhas mãos. Fredward coça os olhos, eles parecem estranhos.

— Está tudo bem?

— Está. — ele recupera a respiração e da carinho no meu cabelo — Você parece um anjo.

— Eu penso a mesma coisa quando olho para você. — eu seguro seu rosto gelado em minhas mãos.

Freddie parece determinado.

— Sam... Eu queria te dizer uma coisa.

— Eu também quero.

— Você primeiro. — ele leva minha mão para o peito dele, mas eu não sinto seu coração bater... Que coisa estranha.

— Não... Você primeiro. — eu continuo constrangida.

— Eu te amo. — ele me fala de maneira fofa.

Oh meu Deus! Esse momento é meu!

— Eu também te amo. — eu respondo.

Ele sorri e eu também. Freddie se inclina. Ele me beija na boca. Eu nunca beijei um garoto. Eu não sei o que fazer.

Ele também parece confuso. Eu apenas fico de olhos abertos e mexo um pouco meus lábios. De repente o Freddie me morde sem querer e recua.

— Sam! — ele se distancia de mim.

— Está tudo bem. — eu aliso meus lábios que estão começando a arder — Ai.

— Desculpa, desculpa, desculpa. — ele volta para perto de mim e se ajoelha.

— Eu vou ficar bem. — eu o acalmo. Por que ele está tão histérico? O beijo foi legal.

— Não... Você não vai.

— Meus lábios estão queimando. — eu sinto a queimação aumentar — O que está acontecendo? — estou tonta e quando vou cair Freddie me segura — Freddie o que está acontecendo?

— Eu sinto muito... — ele sussurra.

— Freddie! — eu o chamo quando minha visão começa a se escurecer. Parece que alguma coisa está queimando meu corpo. Eu grito de novo. Meus braços e pernas doem. — Faz isso parar!

— Me perdoa Sam. — ele me abraça.

....

É atordoante. Eu acho que vou morrer. Não aguento mais queimar. É horrível. Parece que estou morrendo, mas a morte não chega. Meu corpo se debate ficando em chamas. Será que eu fui para o inferno? O que eu fiz de errado? Eu não consigo pensar direito. Não consigo respirar direito. Tudo está de cor vermelha. Eu quero fugir, mas não tem como fugir de si mesma.

Devem ter se passado horas. Eu devo ter chorado muito. O fogo está diminuindo na ponta dos meus dedos. Lentamente ele liberta minhas mãos e meus pés. Não existe mais queimação horrível nas mãos. O fogo sobe pelas minhas pernas e pelos meus braços. Todo o calor parece ir apenas para um lugar. A queimação se concentra no meu peito. Eu estou gritando há quanto tempo? Lutei tanto para no fim morrer? Meu peito parece que vai explodir. Meu coração bate desenfreado. Ele está lutando contra alguma coisa, mas essa batalha já foi perdida. Ele dá uma última batida antes de parar completamente.

Eu abro os olhos. Fecho novamente assustada com o céu e com as árvores. Elas estão muito perto ou eu que fiquei gigante? Eu me sento ainda de olhos fechados. Eu tapo os ouvidos. Tem muito barulho, tem gente conversando, crianças chorando. O rio está muito alto. Não sinto dor, mas acho que estou ficando louca. Minha garganta está seca. Parece que estou há anos sem beber uma única gota dágua. Eu sei que tenho que abrir os olhos para rastejar até o rio, mas estou com medo, então vou até lá de olhos fechados. Meus ouvidos me guiam. Eu toco na relva em volta. Eu afundo minha mão na água e em seguida minha boca. Tem gosto ruim. O rio deve estar sujo. Eu cuspo tudo. Minha sede continua. Ok Sam... Você precisa abrir os olhos e tem que ser agora. Tomo coragem e abro as pálpebras. Olho para as coisas a minha volta. Eu consigo olhar tudo tanto de perto como de longe. Seguro meu pescoço com a mão. Minha pele parece ser feita de pedra. Eu quero me levantar. Eu apenas desejo isso e de repente já estou de pé. Eu ando para frente. Quando me vejo estou no meio da floresta, o que deveria ser impossível por que agora pouco eu estava ao lado do rio.

Eu vou para casa rapidamente. Não consigo entrar. Toda vez que tento adentrar no lugar alguma coisa me empurra de volta.

— Melanie! — eu chamo minha irmã e minha voz está diferente Me deixa entrar!

— A porta está aberta! — ela grita comigo aparecendo — Pode entrar Samantha.

Somente agora eu consigo entrar na casa. Eu caminho para perto da Melanie. O cheiro dela se choca no meu nariz. Minha garganta queima muito. Eu não sei por que, mas eu agarro o braço da Melanie e afundo minha boca no seu pescoço.

Eu largo o corpo da Melanie no chão. Eu começo a gritar por ajuda. A sede está controlada, mas eu não sei o que aconteceu. Eu acabei de sugar o sangue da minha própria irmã. Eu me abaixo tremendo.

— Melanie? — eu balanço ela, que tem os olhos abertos mas não se mexe — Melanie acorda!

— Samantha? — escuto mamãe me chamar. Eu me viro e ela começa a chorar ao olhar para mim. — Oh Deus! O que você fez Samantha?! O que você fez?!

— Mamãe! — eu choro e corro para abraça-la. O cheiro dela é bom também. A sede se desperta de novo. Como em um dejavu a cena se repete. — Não! — eu grito segurando dessa vez o corpo da minha mãe — Por que eu fiz isso?!

— Sam? — Freddie pergunta entrando na minha casa. Seu cheiro é diferente. Algo me diz que ele é um perigo. Eu recuo e de repente estou rosnando.

— Se eu entrei aqui isso quer dizer que... — ele para de falar e olha os corpos no chão — Isso é culpa minha. — Freddie se aproxima devagar — Eu tive que te deixar lá e fui buscar ajuda. Quando eu voltei você tinha sumido... E... E agora fez isso.

— Por que eu fiz isso? — eu pergunto com os olhos doendo. Eu devia chorar, mas por que eu não consigo?

— Porque você é uma vampira. Realmente essas coisas existem... E eu te transformei quando te mordi por que eu também sou um vampiro. — ele me responde.
Eu recuo com medo que ele vá me matar.

— Não Sam. — ele me acalma — Não vou te machucar, eu vou te ajudar.

— Elas morreram... Morreram. — eu quero abraça-lo.

Freddie vem para perto de mim. Ele me abraça com carinho. Eu recuo de novo com medo. Ele não está frio.

— Calma Sam. — ele segura meus braços — Temos a mesma temperatura agora.

Eu tremo com medo. Freddie me abraça com força novamente.

— Eu não queria... — eu sussurro.

— Vá tomar um banho e se limpe. Eu vou te ajudar. — ele diz para mim.

Eu concordo com ele e saio para ir me lavar. Tem um peso horrível no meu peito, maior do que qualquer dor que eu já senti. Uma dor emocional totalmente insuportável. Mamãe... Melanie... Eu as matei... Irei conviver com a imagem de suas mortes na minha cabeça durante quanto tempo?

Dentro de mim algo diz que Freddie vai dar um jeito nisso, que ele vai resolver as coisas. Nada parece real e apenas de uma coisa eu tenho certeza: que eu o amo muito mais agora do que qualquer outra coisa. Esse amor que eu sinto é até maior do que essa sede.

Flashback OFF.

Alguém surge e desfere uma voadora no lobo. A luz do sol fere meus olhos. O lobo uiva. Percebo o rapaz moreno se desviar do lobo com rapidez e acertar um soco em seu focinho. O lobo tenta morde-lo, mas o garoto agarra a mandíbula do animal e a quebra em suas mãos. O garoto esmaga o pescoço do lobo. Eu escuto os ossos se quebrarem. Para finalizar ele arranca o coração da fera e dá um assobio alto. Isso chamará os morteiros. Os bruxos vão vir limpar a bagunça rapidamente.

Meu coração está batendo de maneira errada. Minha pele está exposta. A carne está toda arruinada. Deve ter um buraco nas minhas costas. Tem sangue por todo lado. Eu fecho os olhos deixando a morte vir me buscar e ela vem... É horrível como dizem. É um demônio encapuzado com uma foice brilhante na mão. Tem fumaça preta a sua volta... Mas espera! A Morte vai me levar para o inferno! Eu desliguei a humanidade por isso irei para lá! Não! A besta se aproxima deixando um rastro preto pela grama. Eu não quero ir com ela.

Alguém me vira. Eu recuo e desvio o olhar daquele bicho horrendo. Encontro um par de olhos castanhos.

Freddie me abraça contra ele. Eu sinto minha alma lentamente se desprender de mim enquanto a Morte se aproxima com sua foice. Ela faz um barulho terrível.

— Samantha... — sussurrou Freddie me olhando nos olhos.

Eu não quero ligar por que vou para o inferno... Eu quero ligar por que eu amo esse garoto que talvez tenha salvado a minha vida ou não...

Eu me ligo deixando as lágrimas rolarem pela minha face.

— Peça perdão a todos por mim... Diga que eu os amo. Eu os amo... — eu foco em seu rosto, mas as lágrimas me impedem de ver sua face.

— Não morre. — ele junta sua testa com a minha — Não me deixa aqui! Não parta sem mim...

— É bom saber que minha última lembrança será do seu rosto... — eu tusso e sangue molha minha boca.

A Morte se ajoelha ao meu lado.

— Não... Eu liguei! Mais uma vez liguei e dessa vez foi por você! — Freddie chora me chacoalhando. Será que ele não vê o espírito ao lado dele? — Mas se você morrer, eu tentarei me matar por que eu não quero saber o que é sofrer nunca mais!

O demônio vibra com essas palavras. Todos nós sabemos que o suicida não tem perdão de Deus.

— Desculpa... Eu não consigo.

— Sammy... — ele começa a chorar — Se concentra no seu coração, mantém ele batendo.

Eu fecho os olhos, por um momento a Morte me puxa, mas eu volto.

— Vou tentar... E sabe por quê? Por que eu te amo Freddie... — entoo para ele.

A Morte se enraivece. Duas asas pretas enormes surgem de suas costas. O rosto desfigurado da besta se aproxima do meu. Ela vai me dar o beijo. O beijo da morte.

— E eu também te amo, eu nunca deixei de te amar... Eu sou seu, para sempre. — Freddie me beija antes que a Morte faça isso. Ele suja a boca de sangue. Ele me deu um beijo... Esse foi o beijo da vida.

— Hoje não... — eu sussurro para a Morte que começa a recuar.

— Você consegue se regenerar! Você consegue! — Freddie continua a implorar.

Eu faço que sim com a cabeça. Meu corpo força o coração a bater. A pele tenta se ligar novamente, mas não é suficiente.

Eu me contorço em seus braços o empurrando. Rastejo pela grama mantendo distância da Morte que ainda tenta agarrar meu tornozelo. Deixo um rastro de sangue. Eu grito sentindo dor. Física. Emocional. Psicológica. Eu não aguento mais.

Freddie em algum momento me tomou em seus braços. Estamos dentro da casa. Acho que é o banheiro. Um jato de água fria cai em mim. Eu grito de dor. O piso branco é tomado pela cor vermelha. Freddie se molha enquanto tenta retirar o sangue de mim. Minha perna parece errada. Ele não toca nela, mas sabe que terá que quebra-la depois. As mãos dele sobem pelo meu corpo me lavando. Estou apoiada nele enquanto minhas lágrimas se misturam com a água que vem do chuveiro. Freddie termina de me limpar, mas meus ferimentos ainda não se curaram totalmente. Ele retira os lençóis da cama, pega alguns panos velhos e me deita sobre eles, isso tudo sem me tirar de seus braços.

Eu estou chorando. Estou sentindo tudo que eu fiz nesses últimos meses. Cada pessoa que matei. Cada pessoa que magoei. Cada alma que eu ceifei. Eu choro entre gritos. Eu vou morrer chorando. Levo um tempo até perceber que o Freddie está chorando também.

— Você tem qu-que... — eu acabo por gaguejar — Precisa fazer isso agora... — ele sabe que eu me refiro a minha perna.

— Eu vou. — ele se ajoelha na cama.

Eu fecho os olhos. Minha cabeça está pesada com as lágrimas. As mãos frias do Freddie são ótimas na minha pele. Ele toca exatamente onde o osso está fora de lugar. Isso literalmente vai doer mais em mim do que nele. Freddie massageia, mas com um movimento rápido quebra minha perna. Eu grito. Grito para o nada. Grito para o teto. Ele tem que quebrar de novo. Não arrisco abrir os olhos, mas sei que ele está em lágrimas. Freddie coloca as mãos no meu joelho e vira para o lado. Eu mordo o travesseiro abafando outro grito horrível. Estou quase desmaiando de tanta dor, tanto física como emocional.

Começo a tremer. Não sei se estou molhada do banho ou de suor. Minha temperatura está alta. É mais do que uma febre é como ser atirada no fogo.

Freddie termina seu serviço e se deita ao meu lado novamente.

Passam-se longos minutos ou talvez horas, mas estou ardendo em chamas então não sei o que está acontecendo a minha volta. Parece que estou queimando no veneno de novo... Mas eu estou apenas com febre.

Eu olho para a janela. O sol se pôs.

Algo está errado na minha perna. Tem algo queimando cada parte dela. Um lobo de uma pack levaria horas para se curar e depois semanas até andar normalmente, mas eu não sou assim. Provavelmente vou mancar durante no mínimo três dias. Já quebrei alguns ossos antes, como se eu pudesse me esquecer de minha queda da roda gigante em 1974. Brinquedo estúpido.
Eu me sento devagar, mas Freddie me segura.

— Não precisa se levantar, se estiver precisando de algo eu pego para você. — sua mão pressiona minha barriga com força.

— Eu só ia tirar os panos da cama e ligar o ventilador. — eu olho para a sua mão e me dou conta que estou nua.

— Eu faço isso para você. — Freddie passeia pelo quarto fazendo o que eu planejava fazer, em segundos ele está deitado na cama novamente.

Tem lençóis limpos na cama e o ventilador no teto está ligado, já que o ar-condicionado está quebrado.

Eu olho para sua feição. Ele não parece preocupado, apenas está pensativo. Suas roupas estão imundas de sangue... Oh, o meu sangue.

— Ainda está com essas roupas molhadas? — eu pergunto baixo.

— Está pedindo para eu tirar a roupa? — ele consegue encontrar graça.

— Sim. Tire-as.

Freddie se senta. Ele retira a camisa branca, a calça jeans, a cueca e os tênis. Fredward também retira o relógio que Shelby deu a ele. Tento ignorar o fato de que está sem o anel, por que vejo um roxo na sua barriga no lado esquerdo.

— E agora? — ele sussurra se deitando novamente.

— Agora vem cá... — eu respondo mantendo minha voz mais baixa que o som do ventilador.

Freddie se aproxima até que está com o rosto próximo do meu.

— Mais perto? — seu hálito gelado volta contra meus lábios.

— Sobe em cima de mim. — sou direta.

Ele morde o lábio de granito e fica por cima como eu pedi. Freddie se encaixa no meio das minhas pernas. Ele toma cuidado com a minha perna direita.

— Estou aqui. — ele acaricia meu rosto.

— Bom. — eu seguro sua bochecha e planto um beijo na sua boca. Freddie devolve o beijo e sua respiração aumenta consideravelmente. Não demora nada para estarmos nos beijando de maneira feroz. Eu chego a rosnar, porém ele continua distante.

Freddie para de me beijar e eu o sinto ficando "online".

— Você ainda me quer?

— Você sabe que sim. — desço a mão pelo seu peito bem devagar — E você? Tem certeza de que quer fazer isso comigo?

Ele sorri de forma sincera e chega a rir.

— Eu espero a mais de um século para me deitar com você senhorita Puckett. — seus lábios roçam os meus.

— Não se preocupe, pertencemos um ao outro. — eu deixo minha mão ir mais para baixo.

Notas finais
CHOCADOS? LOUCOS? COMENTEM! PRÓXIMO CAPÍTULO TEM HOT SEDDIE FINALMENTE É PRA GLORIFICAR DE PÉ IGREJA PRÓXIMO CAPÍTULO: SAVE ME (Me Salve) See you soon guys! Very soon... P.S: Estou sem internet, estou postando os capítulos aqui na casa do namorado, prometo postar tudo em dia, vou dar meus pulos kkkkk