38
17 Capítulo 17: What I've done?
Notas iniciais
Regina's POV:
Fazia algum tempo que a Emma havia voltado para sua base, e eu estava fazendo de tudo para tentar esquecê-la. E já que ela já havia partido, decido voltar para a minha casa, resolver os assuntos que minha mãe deixou pra trás. Vou para igreja pela última vez, para despedir. Fiquei algum tempo lá, relembrando então volto, já pegando o vôo para voltar para casa.
Assim que chego, falo com a Belle despedindo-a. Ninguém mais estaria naquela casa, e não havia o porquê dela estar lá, trabalhando.
– Regina, eu sinto muito.
Ela fala, passando a mão no meu braço como um ato de carinho. Balanço a cabeça positiva agradecendo. Mesmo sabendo que a minha mãe havia falecido, ela não saiu da casa e cuidou dele, enquanto eu estava fora. E também ela morava aqui. Vejo-a arrumando as coisas para se mudar então tento impedir.
– Belle, você pode ficar aqui. Eu disse que não precisava mais de seus serviços, mas só. Você não é mais empregada é uma moradora comum.
Ela olha com os olhos arregalados mas em seguinte dá um sorriso, me abraçando.
– Acho que vou fazer uma janta para nós!
Ela fala empolgada, e sai dali. Indo para a cozinha. Vou para o meu quarto, me trocando então pego dois colares que tinha o Jefferson havia me entregado antes de morrer, decidindo entregar para os pais dele e filha, hoje.
– Volta antes da janta, Regina!
Ela exclama assim que eu saio.
–
Assim que chego na frente da casa deles fico parada, sem saber o que fazer. Devo bater e já anunciar a morte? Ou melhor fazer ela sentar? Decido fazer a segunda opção, então toco a campanha, nervosa.
Após 3 toques uma senhora atende a porta surpresa.
– Sim?
– Senhora Lynd? Posso entrar para conversar sobre seu filho?
Ela arregala os olhos e vejo lagrimejando. Mas ela engoliu o choro e dá um espaço, para eu entrar. Assim que entro dou de cara com a Grace, brincando no chão da sala. A senhora Lynd se senta no sofá próximo e faço o mesmo, sentando na sofá que estava logo na frente dela. Ficamos em silêncio por algum momento, até que a senhora pergunta.
– Gostaria de café... Ou chá...?
Balanço a cabeça negativo.
– Não, obrigada.
Olho para Grace, então suspiro fundo. Tomando coragem.
– Sinto muito informar que... O seu filho faleceu.
Assim que eu falo, ela morde o lábio inferior e acena com a cabeça. Abaixa a cabeça em seguinte, chorando.
– Eu sinto muito.
Falo, tentando conformar-lá. Ela continuou com a cabeça baixada, até que a Grace chega perto, estranho o comportamento da sua vó.
– Vó? O que aconteceu, por que está chorando?
Ela olha para mim confusa, buscando a resposta.
– Grace...
Chamo-a. Como posso dizer para ela que o pai dela nunca mais irá voltar para casa? Sem saber o que dizer apenas entrego-a o colar que ela mesmo havia dado para o seu pai. Ela arregala os olhos, pegando o colar. E ela certamente não era burra. Afinal, ela tinha 12 agora. Entendeu o que isso significava.
– Ele disse que te ama muito...
Vejo os olhos dela lagrimejando e gritando em seguinte:
– SAI DAQUI!
Ela exclama, apontando para a porta, segurando o colar que havia dado para o seu falecido pai com força. Agora ela chorava.
– VOCÊ É DEMÔNIO, COMO PODE DIZER ISSO?
Ela exclama.
– MINHA AVÓ DIZIA QUE OS SOLDADOS ERA COMO SE FOSSE ANJOS PORQUE ESTÁ PROTEGENDO A GENTE DO MAL! MAS VOCÊ NÃO É! VOCÊ É DIABO!
ela continua exclamando então levanto, já saindo dali. A vó dela levanta, me levando até a porta, ainda chorando.
– Por que você fez isso com ela? Ela só é uma criança.
Olho surpresa mas sério.
– Ela tem idade suficiente para saber a verdade.
Falo calma. Grace chorava no canto da sala então vejo novamente para a vó dela, pegando outro colar com anel. Entrego-a dizendo:
– Ele... Disse também que te amava antes de...
Engulo o ar. Não precisava terminar a frase. Ela tinha entendido.
– Lamento.
Digo, como se isso confortasse elas.
Viro as costas, saindo dali.
Talvez depois de todos esses tempos, ainda continuo um demônio. Talvez chorar não significa nada. Pode provar que tenho sentimentos ainda, mas continuo um demônio e isso nunca irá mudar. Eu não lamentava pelos mortes que eu causei, nunca senti dó ao matar alguém. E a único momento em que eu não era "diablo" e eu era apenas a Regina, era quando estava com a Emma. Ela me via de verdade. Via o verdadeiro eu. Mas isso não importava mais.
Quem diria que um demônio tinha sentimentos? Estava bem no fundo, escondido, e era tão pequeno. Nem o próprio demônio sabia que tinha.
E isso foi crescendo e crescendo, preenchendo o vazio do demônio. Mas isso não importava também.
Por que afinal, os violões não tem um final feliz.
Certo?
**********
Emma's POV.
As minhas memórias estavam começando a voltar aos poucos e isso era coisa boa já que eu poderia nunca mais ter recuperado todas essas memórias. Mas ao mesmo tempo isso me afetava muito pois o antigo 'eu' era como se fosse uma pessoa totalmente diferente do que eu sou agora e era como se eu estivesse duas personalidades dentro de mim. E isso me confundia bastante. E sobre o sonho, não tive mais lembranças. Era irônica, pois o que eu mais queria lembrar, eu não conseguia. E as coisas estavam começando a ficar normal já que agora tinha as memórias de volta e eu podia ser "eu" mesma. A única coisa diferente da minha rotina agora é que agora eu ia para aquela cidade de fantasma (ou abandonada. Mas eu particularmente acho mais legal chamar de cidade de fantasma) quase todos os dias. Eu ficava sentada por alguns minutos, tentando lembrar o que aconteceu aqui. Mas nunca tive sucesso.
Eu ia para aquele igreja abandonada para tentar lembrar do sonho mas também ia porque de alguma maneira aquele lugar me confortava, já que era mais quieto que os outros locais. Não tinha tiros, não tinha explosões, não tinha inimigos, e eu não precisava matar alguém. Aqui, neste lugar, eu era apenas uma mulher preguiçosa que fica deitada na maioria do tempo, comendo, olhando para o céu. Fazendo nada. Nada de missão.
Eu sei que, alguns devem estar pensando:
nossa, essa menina não honra o seu próprio país, lutando para ele, lutando contra o inimigo do país.
Antipatriótico.
Talvez.
Mas eu precisava fazer essa "pausa" para me manter viva. Isso tudo estava me matando por dentro, aos poucos. E de alguma forma, acredito que todos fazem uma pausa, do seu jeito.
Eu sentia que cada minuto que passava, eu estava ficando solitária. Sem miguem ao lado. A guerra estava tirando um pedaço de mim cada dia, e os meus pais agora tinham o baby Neal. Eu fui adotada quando tinha 11 anos, pois eles não estavam conseguindo engravidar. De alguma maneira, isso sempre foi o meu medo, desde o primeiro dia que fui adotada por eles. Me perguntava todos os dias o que aconteceria se eles conseguisse engravidar. Tinha medo de que eles possam me levar de volta para orfanato, me abandonado. E agora, isso estava acontecendo. A diferença é que eles não precisavam me levar para orfanato de volta. Afinal, eu já era adulta e eles tinham o Neal agora. Eles não precisavam mais de mim.
–
Percebo que esses dias a base estava mais calma, não tinha todos os soldados feridos como antes e estranho.
– Os rumores é que o diablo morreu.
Ouço outro soldado sussurrando para o outro.
– Se eles acham mesmo que o diablo morreu está bem enganado.
Neal comenta, escutando o sussurro também. Também discordava de que ela tinha morrido. Pelo pouco que a conheci ela não parecia do tipo que morre fácil. Mas o que realmente estava me perguntando era o porquê dela ter me ajudado. Eu sabia que ela era inimiga, mas agora que sei que ela que é diablo isso ficava mais interessante para mim. O diablo que eu conheci não era nada do que eles falavam. Bem, talvez seja um pouco. Costomam dizer que ela é extremamente fria e sem sentimentos. Ela era de fato uma pessoa fria, era possível ver isso. Mas eu não diria extremamente. Afinal, uma pessoa sem sentimentos e extremamente não cuidaria de um soldado inimigo. Pode ser um pouco mas ela tinha sentimentos. Ou talvez ela tenha bastante, como eu e você. Só que ela não sabe demonstrar.
Pego a bandeja de comidas e sento ao banco próximo dali.
– Então. O que você acha que está acontecendo?
Neal me pergunta com a boca cheio de frango. Levanto a sobrancelha então ele engole a comida, me perguntando novamente.
– O que?
Respondo, colocando a comida na boca.
– Diablo. Você quem sabe mais sobre ela. Por que acha que os ataques dela pararam? De repente?
Dou o ombro, ainda mastigando a comida. Eu realmente não sabia. Eu nem sabia o nome dela. Como eu saberia?
– Hmm...
Ele murmura, balançando a cabeça, concordando. Certamente não estava convencido de que eu realmente não sabia o porquê dos ataques terem parado.
Volto para a minha barraca, arrumando a minha mochila para amanhã. Pego a foto que estava dobrado no fundo da mochila e vejo. Era foto da morena que tinha cuidado de mim. Fico observado a foto por alguns segundos. Era claro que eu e ela éramos uma amiga próxima, para eu ter tirado uma foto dela. Mas queria saber como eu aproximei tanto dela. Eu lembrava como se fosse ontem a risada dela ou quando finalmente ela ficou sentada do lado de mim quando pedi, e o cheiro peculiar dela. Balaço a cabeça, voltando para a realidade. Guardo a foto de volta e vou para cama, já dormindo.
–
Pouco antes de amanhecer nós já estávamos no campo mirando para uma suposta casa onde os soldados iraquianos estavam. Sincronizo a minha respiração com a arma e aguardo. Não tiro os meus olhos do scope nem um momento e fico observando a casa cada minuto que se passava. De repente os minutos parece uma eternidade, e tudo em minha volta começa a ficar devagar como se estivéssemos em câmera lenta. Automaticamente a minha mente se desliga de todos os sons em volta e agora apenas escuto a minha própria respiração.
Vejo um homem se aproximando de uma maneira esquisito. Coloco o dedo no gatilho e observo-o. O homem carregava algo escondido em baixo das suas roupas e olhava para os lados o tempo todo. Respiro fundo e puxo o gatilho, fazendo com que ele caísse no chão. Assim que o homem cai no chão, uma luz forte cega todos nós.
– ...ma
– ...mma!
– Emma!
Abro o olho finalmente e tento me levantar. Que diabo aconteceu? Faço careta ao levantar pois a minha cabeça estava doendo e o meu ouvido estava zumbindo demais. Era quase impossível escutar alguém falando. Olho para o Neal que estava me chamando.
– O que aconteceu?
– O que aconteceu?! Emma você ativou a bomba matando aquele homem!
Pisco várias vezes tentando entender a situação. Olho para ele confusa.
– Desculpa, não é sua culpa, eu sei. Geralmente eles carregam bombas que podem ser explodidos só quando apertam o botão. Mas essa... Foi diferente. Talvez por isso que ele andava daquele jeito, todo cuidadoso.
Abro a boca para responder mas simplesmente não sai nada. Eu estava muito confusa ainda. Descemos do edifício que estávamos e olho para a casa que até agora pouco eu estava observando do scope. Assim que chegamos mais perto, engulo o ar e fico sem palavras.
– Aqui era uma escola...?
Neal sussurra e olho para ele aterrorizada. As crianças estavam em baixo da casa devido à explosão. Não havia apenas uma ou dois crianças havia vinte deles. Arregalo os olhos e percebo ficando sem fôlego.
O que que eu fiz...?
Fale com o autor