38
18 Capítulo 18: Demons
Regina's POV:
Volto para casa e janto. Por pouco havia conseguido chegado na hora. Termino logo de comer e vou para o quarto da minha mãe, mexendo nas papeladas. Por sorte minha mãe não tinha deixado nada que precise de muito atenção e tempo então logo logo eu já estaria de volta no campo. Após algumas horas mexendo nos documentos decido ir para cama pois estava exausta. Entro no meu quarto, me preparando para dormir mas antes pego a caixa, abrindo-o. Pego o anel cuidadosamente. Me pergunto o que teria acontecido se ele ainda estivesse vivo. Eu guardava o anel porque no fundo ainda não queria admitir que ele havia partido, havia essa esperança de que ele voltaria um dia. Mas todos esses pensamentos desapareceram no dia que eu beijei a Emma. Com ela, tudo era diferente. Tiro a chave do meu colar e coloco o anel no lugar.
Eu sentia que era um momento certo de usar esse anel, agora que consegui aceitar que ele não iria mais voltar para mim.
Acordo dia seguinte cedo, e saio para resolver as coisas. Por sorte a minha mãe não deixou tantas bagunças para trás e até meio dia tudo já estava em ordem.
Volto para casa e vejo que a Belle havia saído para fazer às compras. Coloco a chave na entrada e olho a casa. A casa era enorme, com decoração de preto e branco e madeiras na maioria. Era gosto da minha mãe, mas eu até que gostava. Era a casa que eu cresci, que eu vivi, que eu briguei inúmeras vezes com a minha mãe. Tudo que estava ali, era muito familiar, mas de alguma forma, eu não sentia mais como um lar. Apenas... Uma casa no qual eu cresci. Então... Onde que é a minha casa?
" So I wake up everyday asking to myself where I belong.
Because baby, I don't know where I supposed to be.
I don't know where's my home.
And I don't know how come back.
But maybe, just maybe.
I never had a home, where I can go back. "
Como as coisas acabaram mais rápido do que pensei decidi voltar para o campo, afinal, querendo ou não eu tinha que voltar e terminar o meu serviço. Despeço-me da Belle logo após o almoço e pego o vôo para base de volta.
Assim que cheguei na base o Booth já veio direto na minha direção, começando a contar o que houve enquanto eu não estava por aqui. Não havia nada de novidade, mas ele sentiu uma necessidade de contar do começo ao fim, detalhadamente. E ele simplesmente
não
calava
a
boca.
Entro na minha barraca enquanto o Booth ainda falava no meu ouvido. Assim que tiro o meu casaco ele para de falar de repente, olhando no colar que estava no meu peito.
— Você arranjou namorado?
Ele pergunta, franjando a testa.
— Não.
— O que é isso?
Abro a boca para responder mas fecho novamente, ficando pensativa.
— É... Complicado.
Respondo dando de ombros. Desvio o olhar, desfazendo a mala. O voo demorou mais do que o normal e já estava tarde, até tinha pensando em ir para o campo hoje mas desisto. Já já o equipe estaria de volta, não faria sentido se eu fosse para lá agora. Decido dar uma passadinha no barraco onde tem comidas já que estava com fome. Por sorte dia de ação de graças estava chegando e o barraco estava cheio de comida. Fico toda sorridente procurando por algo quando escuto uma voz familiar.
— Eu já estava com saudade de chegar aqui e ver você roubando a comida.
Olho para trás surpresa e vejo o Davis na entrada do barraco.
— Davis!
Exclamo. De fato fazia um bom tempo que eu não roubava comida daqui e via ele. Ele dá um sorriso e entra dentro do barraco.
— O que que você tá querendo roubar agora hein?
— Quero comer doce.
— Não veio muito esse ano, Regina. Eles vão saber se você pegar.
Faço cara de deboche então ele gargalha, se aproximando mais.
— Toma essa.
Ele pega uma barra de chocolate, me entregado.
— Sério?
— Sério.
Dou um sorriso com agradecimento e saio dali, já comendo a barra de chocolate.
—
No dia seguinte ja estávamos no campo realizando nossos missões. Estava tudo tranquilo, quando escuto alguém exclamando logo atrás de mim.
— É ela!!
Viro rapidamente para trás para ver do que se tratava, quando me deparo com o soldado americano. Merda!
Antes que eu pudesse me defender ele pega uma canivete, me atacando. Desvio rapidamente, arranhando apenas a minha bochecha esquerda. Pego rapidamente o braço dele e chuto uma das pernas, fazendo com que caísse no chão. Pego a minha arma rapidamente, atirando. Sinto algo líquido escorregando no meu rosto, então passo a mão, quando percebo que estava sangrando um pouco.
Volto para edifício onde o equipe do snipers estava e pego um BAND-AID, colocando no arranhão.
— O que aconteceu?
Um dos colega me pergunta.
— Quase fui atingida pela faca...
Respondo. Vejo que havia 3 snipers então decido sair um pouco, para tomar ar. Vou direto para igreja abandonada, já sentando para relaxar, me sentindo solitária. Eu sabia que a Emma nunca mais voltaria aqui. Mas mesmo assim continuava vindo pra cá, pois por mais que esse lugar me deixa solitária e um pouco triste, era único lugar que eu podia relaxar, e sair dessa guerra. Ter 30 minutos de paz. Sem nada para preocupar. Pego a metade da barra de chocolate que tinha ganhado do Davis ontem e como, quando ouço um barulho, me assustado. Acabo engasgando o chocolate e olho para trás tossindo, quando vejo alguém familiar.
" But then I realize that my home wasn't a place, but a person.
I realize that you're my home.
It's with you that I feel safe, loved.
So now I can say, I found my home.
I'm not alone in this world "
*********
Emma's POV:
Voltamos para o base em silêncio. Ninguém ousou em abrir a boca para dar um comentário. Mas eu sabia muito bem o que todos estavam pensando.
Eu sou uma assassina. Matei crianças inocentes.
Assim que chega na base, todos saem do carro ainda em silêncio e cada um seguiu o seu caminho. O Neal deu uma olhada em mim antes de ir, mas foi só isso também. Aquele olhar de "eu sinto muito". Volto para minha barraca sem jantar e já durmo, querendo esquecer o que aconteceu hoje. E por mais estranha que pareça, eu acreditava que eu já tinha voltado a ser "antiga eu" mas isso não era verdade. A antiga Emma teria mais cuidado nessas horas, e eu não fui quando decidi atirar naquele homem. E por mais que sei que tem vários amigos aqui, que me apoiaria e iria dizer que a culpa não foi minha, mesmo sendo, eu me sentia solitária. E estava carregando toda aquela culpa nas costas sozinha. Não importava quantos colegas ou amigos eu tinha aqui. Depois de eu ter perdido as memórias por algum tempo, eu acabei ficando mais sozinha na base, não conseguia relacionar muito bem com os outros, sendo a Emma que todos conhecem. Mesmo com a memória de volta, eu nunca fui a mesma Emma. Tentei atuar aquela Emma que todos conhecem mas alguma coisa sempre era diferente.
Então de repente começo a sentir falta daqueles tempo quando eu não fazia ideia de quem eu era, daquele quarto minúsculo e escuro olhando para porta esperando a morena entrar. Me sentia seguro com ela, como se todas as coisas que estava lá fora, não importasse. E única coisa que importava era aquele tempo curto, de mim e a morena.
Não sei se esse sentimento estranho que tem dentro de mim já tinha, antes de perder as memórias. Ou se criou depois, quando ela estava me cuidando. Só sei que, seja lá qual for, eu estava sentindo saudade dela.
E nem lembrava da nome dela.
—
Acordo dia seguinte um pouco atrasada então corro direto para o carro, sem ao menos tomar café da manhã. Aparentemente agora todas as pessoas sabiam o que aconteceu ontem e clima estava bem constrangedor. Sei que alguns está fazendo isso para me proteger e outros apenas mantendo seu silêncio, mas me olhando com olho torto. Eu estava me sentindo cada vez mais culpada. Sabia que eventualmente o comandante irá saber e iria me chamar para conversar com ele, pois o que eu fiz era crime. Então eu seria suspenso daqui e voltaria para América talvez ter uma vida normal. Ou dependendo do que ele decidir... Bem... Ir para cadeia.
O carro finalmente chega no lugar então cada um foi para sua posição. Me preparo para entrar em posição também quando o Neal pega no meu braço, fazendo eu parar.
— Hã... Fica tranquilo hoje, descanse um pouco, e deixa a gente fazer... Beleza?
Fico em silêncio por angina segundos e olho em volta, onde algumas pessoas tava olhando para mim, outros ignorando. Puxo com força o braço e dou de ombros, saindo dali.
— Tudo bem.
Eu entendia que eles não me queriam no grupo. O que um faz, vai ser responsabilidade de todos, e ninguém queria ir para cadeia por causa de mim. Mas não sei, poderia ter mencionado isso antes, assim eu não viria aqui à toa. Eu poderia ter ficado lá, com eles. Sentada no meu canto "descansando" como o Neal falou mas isso seria muito constrangedor e no momento que eu sai do edifício eu já estava começando a lagrimejar. A única coisa que sei fazer e treinei para conseguir fazer é isso, e eles apenas me descartaram como se eu fosse um lixo qualquer. Na metade do caminho eu já estava chorando e precisava de um lugar para me esconder um pouco, quando encontro aquela igreja. Abro a porta da igreja ainda chorando quando encontro alguém. A pessoa começou tossir então vira para trás, olhando para mim.
Assim que vejo quem era viro de costas rapidamente, limpando as lágrimas.
Era a morena. Aquela que cuidou de mim. Como isso aconteceu?
— ...Emma?
Escuto a voz dela surpresa. Aquela voz grave. Fazia tanto tempo que não escutava...
— O que está fazendo aqui??
Fico paralisada, sem saber o que fazer, quando a morena fala de novo.
— Olha para mim.
Depois de limpar mais uma vez o rosto, para ter certeza de que não está mais molhada de lágrima viro para ela.
— O que está fazendo aqui? Você tá chorando??
Então ela levanta, se aproximando de mim.
— Não! Não! Eu não estava! Eu...
— Emma, você está com cara de choro, você chorou. O que aconteceu?
Ela me interrompe, falando num tom mais forte que nas outras vezes. Ela acaricia o meu rosto e começa mexer nos braços, cabeça, se não havia nenhum machucado.
— Eu não estou machucada.
Falo finalmente. Ela para o movimento e olha nos meus olhos.
— Emma...?
Ela fala num tom suave desta vez, e quando percebo minhas lágrimas já estava caindo. Ela não fala nada e apenas me abraça enquanto eu chorava.
E o choro não parava. Porque não era apenas o choro de culpa, por ter tirado várias vidas inocentes, ou porque me senti como um lixo qualquer. Era como se todas as mágoas guardados dentro de mim saísse tudo de uma vez, e não parava simplesmente.
Quando finalmente me acalmo, me afasto rapidamente dela, me desculpando. Ela apenas deu um sorriso pequeno com aquele olhar triste dela.
— Eu não sei o que aconteceu, Emma... Mas seja lá o que for, você vai ficar bem.
— E você?
Pergunto.
— Que?
— Você. Você vai ficar bem?
— Eu estou bem.
— Não, não está.
Ela olha para fixamente, sem falar nada por alguns segundos.
— ...Nós vamos ficar bem.
Fala finalmente, mas desta vez com um olhar mais gentil.
— Sabe... É estranho, mas eu senti a sua falta.
Falo, tentando puxar o assunto. Então ela faz uma cara triste e abaixa a cabeça. Nem para puxar assunto você serve Emma?!
— Emma... Você precisa ir. Não é seguro ficar aqui comigo.
E ela estava certa, se alguém nós ver estávamos ferradas.
— Mas...
Eu nem sei o seu nome.
— Vá.
Levanto lentamente. Não queria ir. Não queria voltar lá novamente e encarar a verdade. Queria fugir, esquecer de tudo. Tudo... Menos esse momento ou quando ela cuidou de mim. Trocamos últimos olhares e começo a andar direção à porta quando começo a olhar cada canto da igreja. Paro de repente e olho em volta. Sentia que alguma coisa havia aqui.
— Emma?
Ela chama o meu nome, estranhando. Olho em volta mais e mais vezes, cada vez mais estranhando. Eu conhecia aquele lugar. E não apenas no sonho. Começo a lembrar de algumas coisas e então olho para morena, que já tinha desistido de saber o que eu estava fazendo e andando a direção à porta, indo embora. Sinto a minha coração acelerar, e começo ver vários flashbacks. Sinto ficando sem fôlego então olho para igreja pela última vez, agora lembrando de tudo. Por fim olho para morena que estava de saída.
— ...Regina?
Ela olha para trás surpresa, ainda com a mão na maçaneta.
Agora eu lembrei da nome dela.
Regina Mills.
O erro mais belo que eu tinha cometido.
A mulher que eu estava apaixonada.
"My demons fall in love with hers, calming the chaos in our souls, in our hearts"
Fale com o autor