38
12 Capítulo 12: Erro
Notas iniciais
Regina's POV:
Acordo com os barulhos. Saio do barraco e vejo as pessoas indo pra lá e pra cá. Depois que a Emma havia me mandado sair do campo, dei uma desculpa para o comandante e tinha voltado para base. Geralmente as pessoas não mandavam em mim, eu mandava. Mas por alguma razão que eu não sei, desta vez foi diferente. Eu sentia que de alguma forma eu estava mudando graças a Emma. Mas uma mudança boa, eu acho. Procuro o comandante ou até mesmo Booth para saber o que tudo isso se tratava, quando vejo a Ruby.
— O que está acontecendo?
Pergunto.
— Oh, Regina...
Ela faz uma careta ao me ver.
— Eu sinto muito.
Ela fala. Sente muito o que? Eu não estava entendendo nada. Faço uma expressão de confusa.
— O comandante Büttinger... Ele faleceu.
Ela fala, me deixando surpresa. Como assim?
— Foi logo depois que você voltou de lá. Um dos soldados americanos atirou.
— Oh.
Por fim falo, não conseguindo processar a informação ainda. Ele era uma das melhores soldados e era difícil acreditar que ele foi morto desse jeito, de uma hora para outro. Ficamos um tempo em silêncio, até que pergunto.
— Quem vai nós comandar agora?
Ruby olha para mim e dá o ombro.
— Não faço a mínima ideia. So sei que, seja lá quem for que vai entrar no comando, vai ser difícil conseguir uma verdadeira confiança de nós, como o comandante Büttinger tinha.
Concordo com a cabeça, então despedi dela, voltando para a minha barraca. No caminho de volta um soldado havia me parado dizendo que um novo comandante (incrível como eles já arranjaram um novo comandante sem mais sem menos) havia mandado uma ordem para mim, uma missão. E eu não tinha gostado nada daquele missão. Não pelo fato de já terem nomeado um novo comandante, mas sim a detalhe do missão. Não era difícil, era simples : matar o soldado que matou o comandante Büttinger. O problema é que a única descrição que tem do soldado é que, para começo da história, ela é mulher. E loira. Quero acreditar que seja uma coincidência, afinal Emma não é a única mulher com cabelos louros que se alistou para exército nos EUA... eu acho. Suspiro, não querendo pensar em muita coisa. Saio dali para comer café da manhã e encontro o Booth.
— Você está parecendo uma merda.
Digo, chegando perto dele. Ele levanta a cabeça lentamente e olha para mim com aqueles olhos vermelhos de lágrimas. Ele realmente não estava bem. Ele dá um sorriso fraco.
— Ah... Acho que sim.
Por fim fala. Então ele abaixa a cabeça de novo, voltando para a sua refeição, no qual não tinha comido nem a metade o que tinha no prato. Suspiro, virando os olhos. Então sento na frente dele.
— O que foi?
Pergunto. Então ele levanta a cabeça novamente, e começa a contar sobre vida dele. Assim que ele começou a falar e não parou mais, me arrependo de ter perguntado. Resumindo: a vó dele estava muito mal, à beira de morte e ele era muito apegado a ela. Então a morte do comandante. Ele só conhecia a alguns meses mas ele respeitava muito e imagino que deve ter sido um choque enorme saber que ele já não está entre a gente. Por fim, felizmente ele muda de assunto então terminamos de comer a café da manhã. Como sempre voltamos para a nossas barracas e descansamos um pouco então fomos para o campo. Cada dia... Cada hora, para ser mais específico, o meu número de pessoas que eu havia matado aumentava. Apesar da missão que suposto novo comandante mandou para mim, hoje eu fiquei como sniper, cobrindo o pessoal de fuzileiros. Para isso tinha motivo: Ibrahim.
Tudo bem, talvez eu fui insensível de mais ( ou não, pelo menos eu acho que não fui ) mas isso não é o motivo para que ele saia contando para base inteira o que aconteceu. Quantos anos ele tem? Cinco?
Eu hein. Por causa dele, ficou mais difícil de socializar (digamos assim) com os outros soldados. ( e olha que já era difícil porque eu era 'diabo'!) Então para evitar toda aquela briga desnecessário decidi que era melhor ir como sniper. Que na verdade o que eu já era, antes de tudo isso acontecer. O soldado chega, então troco de turno. Desta vez já saio dali, e vou direto para a igreja abandonado. Era bem melhor que ficar com os outros soldados.
O dia estava bonito comparada às outras dias. A clima estava ótima, e não estava tão quente então decidi ficar por parte de fora da igreja, sentando bem em baixo do árvore que tinha do lado da igreja. Era uma árvore grande, e bem bonita. Só de bater o olho já soube que árvore que era: juazeiro.
Eu não sou especialista de árvores ou algo do tipo, mas essa eu conhecia pois tinha no jardim da casa. E era a árvore favorita do meu pai ( na verdade ele nem conhecia essa árvore, um dia apareceu no nosso jardim e meu pai cuidou, acabou apegando e quando cresceu, amou). O árvore era grande (como já havia dito) e tinha tantas folhas que criava uma sombra embaixo, não deixando nenhum sol entrar.
Deito ali, e fecho os olhos. Me arrependo de não ter trazido a câmera, pois a visão que eu tinha era realmente maravilhosa.
Abro os olhos quando vejo uma pessoa se aproximando lentamente. Não precisei adivinhar quem era pois já sabia que era a Emma.
— Você está fora hoje, que milagre.
Ela fala, sorrindo.
— Só tinha vindo aqui uma vez, mas hoje parece que essa árvore tá mais bonita.
Ela fala olhando para cima, observando. Gargalho e olho para ela, que estava ainda olhando para cima boquiaberta, parecendo boba.
— Que árvore que é será?
— Juazeiro.
— Como sabe?
— Tenho lá no jardim da minha casa.
Emma arregala os olhos.
— Para ter uma árvore desse tamanho no seu jardim, a sua casa deve ser enorme.
Dou sorriso. Então suspiro.
— Emma.
Chamo, então ela olha para mim.
— Você matou alguém, ontem?
Ela abre a boca para falar algo mas então fecha. Suspira e finalmente senta no meu lado.
— Ah, hm... Sim.
Fecho os olhos por um momento. Merda. Então realmente a minha missão era matar a Emma. Viu? Parece que todas as pessoas ao meu redor ou coisas quebram ou morrem. Talvez seja o meu destino viver sozinho, então morrer. Sozinho também.
— Desculpe, era ou você ou aquele rebelde.
Ela da o ombro.
— Bem, eu... Escolhi você.
Balaço a cabeça positivamente.
— Emma... Você matou o meu comandante ontem.
Ela arregala os olhos. Aposto que ela pensou que aquele soldado não era tão importante.
— E... O novo comandante...
Pauso. Eu devo confiar nela? Posso?? Emma realmente estava me mudando. Se fosse antiga 'eu', nunca que ia passar uma informação desse para alguém, muito menos para inimigo! E até onde sei, o pessoal da Emma também está querendo me matar. Se eu contar isso, capaz dela pegar a arma agora mesmo e atirar. Aqui mesmo.
— O que?
Ela pergunta, curiosa. Baixo a cabeça sem saber o que responder. Eu não gostava dessa sensação. Essa sensação de que eu sou fraca, impotente. De não pegar a arma agora mesmo e atirar nela. Essa sensação... Não, esse sentimento. Eu não gostava de todas as sentimentos que eu estava sentindo, por ela.
— Regina, você pode confiar em mim.
Ela fala suavemente, pegando na minha mão. Desvio o rosto, pensativa.
— Emma...
Sussurro. Afastando a minha mão da mão dela.
— O que estamos fazendo? Digo, nós.
Olho para ela.
— Nós não podemos continuar com isso.
Por fim falo. Decidindo não contar a verdade para ela. Emma pisca, confusa.
— Por que?
Pergunta.
— Nós somos inimigos, Emma. Já percebeu isso?
Falo irônica.
— Claro que eu percebi isso, Regina.
Ela retruca de volta.
— Pode ser que no futuro dê algo errado...
Ela começa a falar quando um vento sopra e o cabelo louro da Emma balança levemente.
— Mas no momento, você e eu? Parece ser a coisa certa.
Ela termina de dizer e dá um sorriso.
— Você acha mesmo que você e eu, juntos, é a coisa certa? E não um erro?
Pergunto. Ela dá um pequeno sorriso e geme um pouco, fingindo estar pensativa.
— Não, na verdade. Mas seríamos um belo erro.
Acabo dando um sorriso ao ouvir isso. Nunca pensei que um erro seria belo.
— Você é idiota.
Falo, empurrando ela. A loira dá uma gargalhada então me joga no chão, me beijando. O beijo começa a ficar tenso, quando nós fomos obrigados a se separar um pouco para recuperar o fôlego.
— Agora meu cabelo vai ficar cheio de areia.
Reclamo, tocando no meu cabelo negro, tentando limpar. Ela gargalha então pede desculpa.
Eu sempre fui o erro da vida de alguém. Da minha mãe, do Daniel e até mesmo do Rifaah. Minha mãe vivia dizendo que eu era um erro, que se fosse por ela nem teria nascido. E por eu ser um erro para ela, sempre me tratava mal. E no caso de Daniel e Rifaah, por minha culpa ambos estavam mortos. Então eu fiquei realmente feliz por saber que para Emma, pelo menos, eu era um erro belo.
Talvez era melhor assim, não contar a verdade para a Emma, sobre a minha missão. Era melhor, para nós dois, não saber a verdade, viver um pouco na ilusão. Ou não, talvez eu só esteja com medo, de como a Emma iria reagir.
Viver na ilusão, de fato isso funcionou para nós.
Até um momento.
**********
Emma's POV:
Vejo a Regina ficando todo sorridente ao falar que nós seríamos um belo erro. E acabo sorrindo também. Não era raro, mas era difícil ver um sorriso da Regina já que ela sempre era séria, fria, irônica e todas essas coisas que vocês já sabem.
Já passara meses e cada dia que passava, eu me perguntar se eu fiz certo vindo para cá. Cá entre nós, aqui era um inferno. E a única coisa que me deixava mais calma era esse lugar, essa igreja islâmica e a pessoa quem sempre estava por aqui, Regina. Aqui era muito quieta, quase não conseguia ouvir um barulhos de tiros ou explosões. E não tinha ninguém em volta. Era só eu e a Regina.
Eu ainda tive sorte de ir direto para o campo, sem ter sofrido "bullying" dos soldados experientes. Diferente do Mark, o novato. Os outros obrigavam ele ir buscar os corpos dos soldados mortos e para quem não é experimente isso é uma missão de vida e morte, sem mencionar a trauma que pode causar. Mas mesmo assim, eu sentia que de alguma forma eu estava mudando. E eu estava com medo, dessa sensação de que eu não sou mais eu mesma. E queria acreditar que era apenas uma sensação, que eu continuava eu mesma. Mas no fundo eu sabia, que se eu acreditar nisso, eu estava mentindo para mim mesma. Conversamos vários assuntos aleatórios, enquanto ela estava deitada no meu colo e eu mexia o cabelo negra dela. Até que o nosso tempo acabou e tivemos que nos separar. No máximo, ficávamos 1 hora e meio. E era 1 hora e meio mais longa e curta ao mesmo tempo. Não podíamos arriscar de ficar longe do equipe por mais tempo.
Volto para campo, naquele meio de um caos, com os barulhos explodindo no meu ouvido. O pessoal do meu equipe ainda estava comemorando pois acreditava que eu havia matado o Diablo.
— Swan, você vai conseguir ganhar uma medalha. Cara! Parabéns! Agora só falta matar a outra!
O hook fala, me empurrando todo ansioso.
Segundo algumas soldados, havia 2 diablos. A Regina, e outro, que é o comandante da Regina que eu acabei matando. Sinceramente eu não sabia que tinha um outro Diablo, mas pelo que falaram, esse cara havia sumido do campo a anos então tudo mundo acreditou que ele já estava morto. E nem sempre chamavam ele de Diablo, mas sim, de "o líder". Passaram chamar ele de Diablo quando a Regina apareceu no campo. O comandante também estava muito feliz que eu tinha conseguido matado "o líder". Mas a missão ainda continuava a mesma: matar o Diablo.
Vejo o Neal chegando de longe quando eu estava no refeitório comendo.
— Ficou sabendo?
Ele fala, assim que se senta na minha frente. Balanço a cabeça, negativo.
— De que?
Falo, ainda com comida na boca.
— Mark.
Ergo a sobrancelha. Mark, o novato, claro. O que esse moleque aprontou dessa vez?
— O que ele fez?
— Nada. Ele vai voltar para EUA, amanhã mesmo.
Franzo a sobrancelha, não entendendo.
— Como assim?
Pergunto, colocando a comida na boca.
— Ele ficou louco. Coitado do Mark, fizeram ele buscar os corpos lá no sul. Ficou por fora 2 dias, então Billy achou ele no meio do deserto.
Fiquei de boquiaberta sem saber o que responder. Não acredito que obrigaram a ele ir tão longe. De repente ouço uma gritaria, então vejo 2 soldados segurando o Mark pelos braços, enquanto ele gritava e murmurava.
— Falando nele...
Neal sussurra. Observo o Mark novamente. Ele claramente não estava sã. Ficava gritando e repetindo as mesmas palavras: "Não posso ficar aqui. Olha quantas, Ana? Porque está aqui? Não deveria estar cuidando do bebê? Ah... O barulho, olha o barulho. Você está mesmo aqui? Os corpos, Ana. Eles estão em todo lugar, há bichos no corpo, eles devoram. Os corpos Ana, o bebê? Não deixe o bebê aí, Ana. Eles vão devorar. Ah! Os corpos, Ana... O barulho... "
Ele repetia, e repetia, e não parava nunca.
E nenhuma delas fazia sentido. Mas estava claro que ele havia enlouquecido ficando naquele deserto, coletando os corpos.
— Quem é Ana?
Pergunto para Neal.
— A esposa dele... Ele tinha acabado de ganhar um filho...
Tento desviar o olhar. Não queria ver Mark agindo daquele jeito. Sei que todos nós que assistimos a cena pensou em mesma coisa: se um dia iríamos ficar daquele jeito, que nem o Mark.
— Você mudou, um pouco.
Neal fala de repente, me observando.
— Como assim?
— Não sei dizer. Antes, você era mais correta, sabe? Justa. Inocente. Pura. Mas agora...
Ergo a sobrancelha.
— Sombrio, talvez?
Ele dá risada. Mas fica séria rapidamente, quando viu que eu estava sério.
— A guerra faz isso com você. Acredite, eu era assim também. Todos nós éramos. Mas guerra mostra a realidade. E isso acaba mudando a gente.
— Por que disse isso agora, de repente?
Pergunto. Após segundos de silêncio, ele responde.
— Você não viu como você estava olhando para ele: sem expressão, sem sentimentos. Nem mesmo uma compaixão, dó ou piedade. Como se não importasse.
Por fim ele dá um sorriso pequeno e bate a mesa de leve, se despedindo. Observo as costas dele ficando cada vez mais pequeno ao se distanciar dali. Suspiro fundo e saio dali deixando a comida na mesa, inacabado.
—
Escrevo uma carta para os meus pais, tentando parecer que eu estava feliz com a notícia que eles falaram para mim na carta: eu vou ganhar um irmão.
Eu não estava tão feliz quanto eu deveria estar, mas sei que isso realmente era importante para os meus pais, já que eu não estava lá mais com eles. A filhinha deles, estava numa guerra agora.
Será que eu fiz uma escolha certa? O que o vovô dizia sobre como eram as guerras, cada vez mais pareciam ser uma mentira. Talvez para ele, aqui, realmente era legal. Mas para mim? Eu já não estava conseguindo lidar direito. Depois de escrever uma carta para os meus pais, fui para o barraco do comandante, onde me falaram a mesma coisa que escuto nos últimos 3 meses e meio: Mate o Diablo.
E eu apenas concordava, mentindo que assim que ver, iria matar. Eu não sabia até quando essa mentira ia durar, sabia que em algum momento o comandante iria descobrir que eu tinha virado... "Amiga", do Diablo. Era questão de tempo.
— Emma.
O Neal me chama, com um olhar sério.
— Olha, sei que depois daquela conversa ninguém iria querer coletar os corpos mas...
Ele dá o ombro.
— Já que nós não estamos mais com Mark, alguém precisa ir.
— Você quer que eu vá?
Pergunto, erguendo a sobrancelha. Realmente, depois do que ele me contou e agora pedindo para eu ir lá? Até parece que ele estava querendo que eu enlouqueça.
— Não! ...Sim. Quero dizer, não. Mas sim.
Franzo a testa. Neal, se decide por favor.
— Eu vou com você.
Por fim ele fala, como se isso evitasse a possibilidade de eu enlouquecer. Suspiro. Quando disse que eu ainda tinha sorte porque não ficava coletando os corpos que nem o Mark? Acho que estava enganada.
— Ta, qualquer coisa.
Digo. Já indo para barraco buscar as minhas coisas.
Assim que ficamos prontas já fomos direto no campo para coletar os corpos. E assim que chegamos lá, fico boquiaberta. Não tinha como não enlouquecer ali. Tinha tantos corpos que um corpo ficava em cima do outro, sem mencionar o odor fortíssima de decomposição. Claro que, não era só nos dois que estávamos coletando os corpos, mas pela quantidade de corpos, precisava de mais pessoa para coletar. Tampo a narina para evitar o odor e olho para Neal, para saber o que diabo deveríamos fazer agora.
— Bem... Só... Vamos coletar e ir embora daqui o mais rápido possível.
Concordo com a cabeça e pego um pano, para tampar a boca e o nariz. Precisávamos fazer isso rápido e atenta já que aqui era dead zone, ou seja, uma área perigoso. A qualquer minuto os rebeldes podiam vir aqui e nos atirar, pois eles sabiam que muitos dos corpos se acumulava aqui. Mas não era só os corpos de soldados americanos estava aqui. Havia também dos cidadãos do Iraque, vítima dessa guerra. Até mesmo crianças. Passaram-se mais de 2 horas quando vejo uma criança com um bebê no colo. Claramente ele estava andando discretamente (ou tentando ser discreta), até que 3 carros (dos soldados americanos, para carregar os corpos) se aproxima. O garoto rapidamente se esconde atrás de uma pedra de tamanho média com bebe e tenta acalma-lo, já que estava chorando. Após o carro passar, o garoto levanta e olha em volta, assustado. Então começa a chorar. Mas ele limpa rapidamente as lágrimas e começa a caminhar novamente.
Me pergunto se um dia, essas crianças inocente terão a paz. Uma família.
Aproximo deles, calmamente. Tentando não assusta-los.
Assim que chego perto ele abraça o bebê forte e se afasta de mim.
— Calma, não vou te machucar.
Falo, na esperança de que ele saiba falar inglês.
— Eu não acredito em você.
O garoto fala. Então fico feliz que ele saiba falar o inglês.
— Confie em mim. Não vou machucar vocês.
Falo levantando a mão. Vejo que o garoto se acalmou mais, então puxo assunto.
— É o seu irmão?
Ele olha para o bebê, então balança a cabeça positiva.
— Cadê seus pais?
— Vocês mataram.
Suspiro.
— Sinto muito.
— Não, não sente.
Fico calada sem saber o que responder.
— Se... Se um dia tudo isso acabar, o que você faria?
Pergunto. Na esperança de encontrar a resposta para mim também. Eu não sabia o que eu deveria fazer, quando voltar para EUA. Viver como se nada estivesse acontecido?
— Meu pai... Ele viva dizendo para a gente lutar, e sobreviver. Mas antes dele morrer, eu segurei ele e ele me disse para tomar a conta do meu irmãozinho, faça uma escolha melhor para o seu irmão, lute para sobreviver. Pois um dia vai chegar o fim. Mas quando perguntei quando que a guerra iria acabar, ele...
Ele pausa, olhando fixamente para uma pedra que havia no chão. Provavelmente lembrando daquele momento marcante.
— Só os mortos conhecem o fim da guerra. Foi o que ele disse.
Ele fez uma expressão triste então sussurra.
— E eu sei que eu e meu irmão já estamos próximo do fim. Nós vamos encontrar o papai.
Por fim ele começa a caminhar novamente, se distanciando cada vez mais de mim.
"Só os mortos conhecem o fim da guerra"
Se isso for verdade... Quer dizer que para eu sair desse inferno terei que morrer? Claro que era uma hipótese. Eu sei disso. Mas vejo os corpos espalhados no chão e não posso deixar de pensar nesse hipótese. Mas talvez, talvez. Eles realmente conheceram o fim da guerra e conseguiram sair desse inferno. É só uma hipótese, eu sei. Uma hipótese...
" You say there's nothing left to fight for Cause it feels like too much Your heart is too afraid to want more Of the pain you left to touch You only win if you don't give up When everything won't be enough "
Fale com o autor