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9 Capítulo 9: Father
Notas iniciais
Regina POV's
Saio da igreja rapidamente, deixando a Emma sozinha. Eu nem estava com tão pressa assim. Olho para o céu e vejo a chuva passando e agora estava apenas chuviscando. Volto para a base, onde minha mãe estava uma fera, já que eu havia saído de fininho da base, após agendar um helicóptero para a minha mãe.
— Onde diabos você estava, Regina!!!?!??
Ela exclama assim que me viu.
— Fui dar um passeio por aí.
Ela fica vermelho ao ouvir eu dizendo aquilo.
— Passeio?! Passeio, Regina?!?! Eu mandei um dos soldados ir atrás de você, e além de você despachar dele, ele disse que você foi bastante longe!!
Ela exclama mais alto ainda. Chamando o atenção de tudo mundo. Suspiro fundo e entro para a minha barraca, deixando-a. Ela me segue e entra na barraca.
— Regina! Estou falando com você!
Fico de costas para ela, ignorando-a.
— Já chega. Você vai voltar comigo.
Ao ouvir isso viro rapidamente para ela, com os olhos arregalados.
— Quê?! Não!
— Vai sim, aproveita e você vê o seu pai. Vamos, prepare as suas coisas.
Ela vira as costas e sai andando.
— Mãe!!!
Exclamo, mas desta vez quem ignorou foi a minha mãe.
*
Pego minhas coisas e saio da barraca. Não adiantava discutir com a minha mãe, pois se ela quiser algo, ela terá. E ela tinha muito poder por aqui, então mesmo que eu ficasse insistindo para poder ficar, o comandante não iria deixar sabendo que a minha mãe quer que eu volte com ela. Aproximo da minha mãe que estava conversando com o comandante.
— Ah Regina.
O comandante cumprimenta.
— Sua mãe e eu estávamos conversando, e chegamos a um acordo que você poderá voltar para sua casa.
Viro os olhos, quando o comandante acrescenta um "mas" na frase.
— Só te darei 3 dias no máximo para você poder ver o seu pai, depois terá que voltar.
Olho para ele, surpresa. Ele pisca para mim então olho para a minha mãe.
— 3 dias?
Franzo a testa.
— 3 dias.
Ele confirma.
— Bem vamos indo, vocês vão se atrasar.
Andamos até o helicóptero que nos levará de volta, quando o comandante me da um abraço de despedida.
— Você pode me agradecer depois.
Ele sussurra no meu ouvido. Dou uma gargalhada baixo.
— Vou agradecer nada, você só fez isso porque precisava de mim.
Sussurro de volta fazendo com que ele sorrisse.
— Talvez. Talvez não.
Entro no helicóptero, e observo a terra, as pessoas diminuírem cada vez mais.
*
— O que o pai tem?
Quando estávamos a cerca de 10 minutos de viagem, pergunto.
— O coração dele.
— Coração?
— Sim, o coração, besta. Ele teve uma ataque esses dias e está internado no hospital, precisa de transplante.
Minha mãe fala, sem interesse.
— Então se ele fazer o transplante, ele pode viver, certo?
— Hmmm, não.
Ela faz a careta. Então ergo a sobrancelha. Ué.
— Não?
— Não. Porque ele não vai poder fazer o transplante. E para de fazer com que eu repita mesma coisa duas vezes, Regina.
— Como não?!
— Ele está na fila de espera e tem mais 15 na frente dele, Regina. Até a vez dele chegar ele já vai estar em baixo da terra.
— Não tem nada que você possa fazer?
Pergunto, após alguns segundos de silêncio. Minha mãe finalmente olha para mim suspirando.
— Tipo o que? Subornar os médicos? Eles são tudo certinhos, capaz de me processar dizendo que eu tentei subornar um médico. Não vale a pena.
Fico quieta, sem saber o que responder. Por mais que ela falasse grossa desse jeito, ela tinha razão. Não havia como furar a fila de espera e conseguir um coração para o meu pai. Suspiro, não acreditando ainda que meu pai está para morrer.
*
Chego no hospital e aguardo na sala de espera, enquanto minha mãe fazia toda aquela procedimento dos hospitais. Após terminar fomos para o quarto, onde meu pai estava deitado. Aproximo dele, devagar. Ele percebe a minha presença, então sorri, começando puxar o papo.
— Filha!
Ele dá um sorriso largo.
— Oi, pai.
Dou um sorriso, e sento na cadeira próxima da cama. Minha mãe saiu, deixando-nos a sós.
— O que você está fazendo aqui?? Não deveria estar no campo de guerra?
Ele pergunta, alisando os menus braços. Diferente da minha mãe, meu pai era muito carinhoso e atencioso comigo, desde pequena, e talvez eu não virei totalmente uma pessoa fria, sem sentimentos graças a ele.
— Eu estava, mas a mãe falou do seu estado de saúde.
Coloco a mão no braço dele, como um ato de carinho. Talvez era o máximo que eu conseguia.
— Oh, filhota...
Ele murmura, fazendo uma cara triste.
— Me desculpe por não ter contado eu mesma.
Ele se move lentamente, se sentando na cama e coloca a mão na cama, me chamando para sentar ali, com ele. Sento ao lado dele, então ele começa a falar:
— Bem... De mim você já deve ter ouvido as coisas da sua mãe... Então, como você está?
Ele pergunta, olhando direto nos meus olhos, e por segundo passa a imagem da Emma, então tiro-o do pensamento rapidamente.
— Ah... As coisas de sempre, pai. É guerra.
Ele da um sorriso.
— Demorou um pouco para responder hein?
Arregalo os olhos e ele gargalha.
— Tá gostando de alguém lá, não é?
Desvio o olhar sem saber o que responder. Não estou, não mesmo. Mas por alguma razão não consegui dizer isso em voz alta.
— Você sempre gostou dos seus colegas.
Mordo o lábios inferior, me sentindo nervosa. De fato, sempre gostei de colegas meus, e o Daniel era um deles.
— Você ainda tem sentimentos por Daniel, não é? Ele era um bom garoto...
Abaixo a cabeça, lembrando dos tempos com ele, e sinto o meu rosto esquentando, úmido. Então percebo que eu estava chorando. Porquê? Não sei.
— Oh, Regina.
Ele me abraça forte e sinto as minhas lágrimas descendo cada vez mais.
— Eu só quero ser feliz.
Sussurro, sentindo meu pai me abraçando mais e mais forte.
— Então seja.
Ele sussurra de volta, ainda me abraçando.
— Então seja. O que te impede?
Ele repete, me soltando. Limpo as minhas lágrimas, e dou o ombro, sem responder a pergunta dele.
— É porque você ainda não esqueceu do Daniel? Se sente culpado por isso? Por gostar de uma pessoas, e mesmo assim, ainda não conseguindo esquecer dele?
O silêncio surge, e fica assim por uns segundos.
— Você não precisa esquecer. Você não deve. Sempre lembre dele com uma lembrança boa, triste, e todos os tipos de sentimentos que pode imaginar. São essas lembranças, Regina, que te faz o que você é hoje.
Então ele me encara, com lágrima nos olhos.
— E eu amo essa Regina. É a minha filhinha, minha princesa.
Sorrio, dando risada um pouco.
— Não... Acho que não é mais uma princesa, não é? Agora virou uma rainha.
— Pai.
Sorrio mais ainda, envergonhada. Então ele me abraça forte novamente.
— Nunca tente esquecer de alguma memória do passado, essas memórias do passado é o que você é hoje.
Sussurra. Então balanço a cabeça positivamente. Ele alisa meus cabelos, com um sorriso ainda no rosto.
— Te amo também.
Digo. Vejo-o deitando lentamente, fechando os olhos. Ouço o som da máquina de frequência cardíaca cada vez mais lento, até que ele fique totalmente reto, sem nenhum batimento. Aliso o rosto dele pela ultima vez, e me afasto dele, permitindo que os médicos tentassem ressuscitar ele, mesmo sabendo que isso não iria acontecer.
Encontro a minha mãe do lado da fora do quarto, com uma cara séria, mais de alguma forma, para mim aparentou estar com uma cara de tristeza também. Minha mãe passa as mãos nas minhas costas, então saímos de lá, sem mais sem menos. O dia estava começando a escurecer e as nuvens estava com um tom de azul escuro, se misturando com o céu que estava com uma cor meio laranjada, amarela. Sinto o meu rosto gelar por causa do vento que batia, e arrepio. Continuamos a andar até encontrar o motorista da minha mãe. A vida continuava, ele nunca para. Mesmo que o mundo esteja parado para você.
"Mas como você quer ser amado, se tem medo de se apaixonar?"
************
Emma's POV:
Volto para onde o pessoal estava, então me misturo. Estávamos no meio de uma missão, onde a nossa equipe tivera que cobrir os pessoal do equipe 4, enquanto eles estavam fazendo o missão principal. A tarefa era simples, cobrir os soldados do equipe 4, e não deixar que os rebeldes atrapalhassem. Ao terminar o missão, voltamos para a base, onde a clima estava pesado. Vejo em volta e percebo que conseguiram recuperar os corpos dos soldados hoje, e identificando-os com Dog Tag, já que a maioria dos rostos estavam irreconhecíveis. Killian chega perto de um dos soldados:
— Quantas, Billy?
Ele fala, com uma expressão triste, séria.
— 146.
Billy murmura, abaixando o cabeça. Ficamos em silêncio até que um outro soldado se aproxima de nós, entregando uma caixa cheio de anéis ao Billy.
— Eu tenho que entregar isso para o Kevin.
Então ele se afasta. Tinha tantas anéis, e eu sabia de onde surgiram tantos anéis. Dos soldados mortos. Ele recolhem anéis e quando tem nome nele, devolve para os seus parentes, esposas. Mas caso ao contrário, eles descartam. Ou quem sabe se eles não derretem e faz outras coisas? Eu e Killian nós olhamos por um segundo, sabendo que talvez, talvez um dia seríamos as nossas anéis, pertences ali dentro, sem nome, descartado, sendo esquecidos do mundo.
Encontro o Neal na barraca de comidas para receber o Kit dele, então me aproximo dele.
— Que porra, Neal?!
Sussurro. Então ele arregala os olhos.
— Oi para você também, Emma.
Ele pega o kit dele, e sai andando então sigo ele.
—Neal!!
Exclamo fazendo com que ele parasse de andar.
— Você colocou o colar na minha mochila!
Ele ergue a sobrancelha então ele puxa o meu braço, entrando em um dos barracas vazias que havia.
— Você a entregou, não é?
Ele pergunta com os brilhos nos olhos.
— Quê?!
Exclamo, confusa.
— Sabia! Eu percebi esses dias que você sumia um pouco quando estávamos no campo, então imaginei que...
Interrompo-o.
— Caralho, Neal! Não contou a ninguém, contou?!
— N-Não! Claro que não.
Ele levanta as mãos. Suspiro fundo, passando a mão na cabeça.
— E eu não vou contar a ninguém também. Eu prometo.
Ele fala baixo se aproximando de mim.
— Então Emma. Estava pensando que... Ah não sei, talvez poderíamos... Hm, sair?
Ele fala murmurando. Ergo a sobrancelha, surpresa.
— Sair... Tipo, um encontro?
— É, não sei, talvez.
— Neal, estamos no meio de uma guerra.
Digo, franzindo a testa.
— Eu sei.
O silêncio surge e me fez pensar sobre o assunto. Talvez eu possa ir, como amigos, só para me divertir um pouco, para esquecer toda essa confusão.
— Uma.
Digo, quebrando o silêncio.
— Uma?
Ele repete, confuso.
— Uma vez.
Levanto o dedo indicador. Então ele fica toda sorridente.
— Uma tá ótima para mim. As 20h passo na sua barraca.
Ele sai rapidamente dali, toda alegre. O Neal era uma pessoa boa, e eu confiava nele, já que ele sabia de um segredo meu, e não havia contado para ninguém. Volto para a minha barraca e como um pouco, em seguida tomando um banho. Mesmo que era um encontro não havia outra roupa a não ser do exército, de soldado. Enquanto aguardo o Neal, sento num canto, começando escrever uma carta para os meus pais, afinal, tinha prometido a eles que iria escrever. Quando a carta chegou em 2 folhas e meio, o Neal entra na barraca, me chamando. Peço para ele aguardar um momento e termino de escrever. Aproximo dele, perguntando:
— Então, onde vamos?? Não temos muitas opções por aqui.
Brinco.
— Tenho uma lugar que gostaria de levar você.
Então sigo-o. Quando andamos por mais ou menos 5 minutos ele para num lugar, se sentando. Estávamos no observatório, e a vista não era uma das melhores mas era bonito.
— Gosto de vir aqui, ficar sozinho as vezes.
Ele conta, tirando as comidas da mochila.
—Legal.
Digo, observando o lugar novamente. Me sento para comer e começamos a falar. O assunto rendeu bastante e foi legal, até que ele se aproximou de mim, tentando me beijar. Me recuo rapidamente, olhando surpresa para ele.
— Eu... Me desculpe.
Murmuro, sem saber como reagir.
— Desculpe eu, pensei que... Bem deixa pra lá.
Então surge um silêncio constrangedor. Até que finalmente quebro o silêncio.
— Eu preciso ir, acordo cedo amanhã para ir no campo.
Falo levantando, ele balança a cabeça concordando. Me despedi dele e fui para a minha barraca, já preparando para dormir. Eu estava constrangida um pouco, o único amigo que tivera por aqui tinha uma queda por mim, e por causa desse acontecimento talvez tenha perdido a amizade entre nós.
*
Acordo cedo, com voz de alguém me chamando. Levanto ainda sonolento e vou para onde a voz me chamava.
— Te acordei? Desculpe.
Ele fala ao me ver, entregando uma carta para mim.
— Mas achei que você iria quer isso agora.
Agradeço ele e já volto para a minha barraca, me deitando novamente. Vi que não iria conseguir mais dormir, então me viro, de barriga para cima e pego a carta que acabara de receber. Viro a carta e vejo de quem era, meus pais. E aparentemente já fazia um tempinho que eles haviam mandado essa carta para mim. As vezes o correio atrasa e as cartas chegam em sequência todo errado. Para quem recebe, até parece uma quebra-cabeça, já que você tem que juntar toda carta e ver sequência para entender toda história escrita ali. O assunto era que apesar deles estarem muito preocupados, ainda me apoiava e as novidade que tinha lá. Sorrio ao terminar de ler, e guardo nas minhas coisas. Me arrumo rapidamente já que já estava quase na hora, então fomos ao campo. Hoje fiquei mais tempo no campo antes der uma fugidinha, já que nós últimos dias eu estava sem presença até de mais. O dia até que foi tranquilo, já que era só para cobrir os soldados da outra equipe. Quando vi que se eu saísse por alguns minutos não fariam falta, saio de fininho, indo para igreja. Isso estava meio que virando uma rotina e uma das coisas que eu mais espero no dia. Ao chegar na igreja, me surpreendo que a Regina não estava lá. Aguço a boca, sem graça. Sento-me em qualquer lugar, descansando. Onde diabo ela está?? Bem... Talvez esteja ocupado fazendo missões e não pude vir... Começo pensar em várias possibilidades, até que acabo adormecendo.
Acordo sonolento, sem saber que horas que eram. O céu ainda estava clara. Bem, não devo ter dormido tanto. Pego as minhas coisas e saio dali. Talvez amanhã a Regina esteja por aqui.
Voltamos para a base, quando vi o Neal. Ele olha para mim mas em seguida desvia o olhar, se afastando também. Suspiro, indo para a minha barraca. Não estava com fome então decido ir dormir direto. Era tão estranho. Só fazia 1 dia que não havia visto a Regina mas por incrível que pareça, estava com um pouco de saudade. Das sarcasmos dela, da voz dela, da companhia dela, até mesmo cheiro. Eu sabia que algo estava errada nisso, de eu sentir todos esse sentimentos que não se explicar por ela. Não era normal. Na verdade era aterrorizante, sentir algo que nem você sabe o que é. E por mais que ela seja grossa, fria daquele jeito, eu conseguia entender ela de alguma maneira. Sabia que ela é daquele jeito por alguma razão. Suspiro fundo e fecho os meus olhos, na esperança de encontrá-la amanhã no mesmo lugar de sempre, deitada.
"Quando o sol nascer, feche os olhos e dorme nos meus braços, a música parou, mas ninguém poderá nos machucar. Irei te segurar até o último dia. "
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