3000.
2 Corin.
O vento sopra meus cabelos com suavidade. Uma gota de suor escorre por minha face. Respiração rápida. Andar de bicicleta é uma das poucas coisas que gosto de fazer.
A cidade está acordando. Posso ouvir os portões das fábricas abrirem a alguns metros daqui. Crianças sonolentas indo à escola. Vejo a marcha daqueles que estão indo ser treinados para controle de poderes. Nada muito extraordinário. Sempre a mesma coisa.
Um bando de refugiados atravessa a rua. Sei que deveria frear, mas será mais divertido fazê-los abrir passagem. As crianças caem, e os pais pulam para trás. Não me importo. Odeio essa gente.
Os refugiados são aqueles que não são quase robôs como os de Hidden, que também não possuem dons, para controlar fogo e água, e muito menos, são elfos. Esse tipo de gente, mora em lugar nenhum. Não pertence a lugar nenhum. Não deveriam sequer existir. Não entendo porque Joose –comandante de Outward– permite esse tipo de gente aqui, se é que podem ser considerados gente. E o pior é que talvez, venham a ganhar lares, direitos, e até mesmo ir à escola! Isso é ridículo, e não posso de modo algum admitir isso, sabendo que, após fazer aquelas tarefas ou sei lá o que, e ser a única sobrevivente, voltarei aos estudos.
Paro em frente a minha casa, jogando a bicicleta de lado e subindo a escada. Abro a porta vagarosamente, imaginando que pode haver alguém dormindo, mas como esperado, estão todos acordados –tensos.
Meu pai mastiga em silêncio, batendo os talheres no prato com determinado tremor. Jim –meu irmão mais novo– gira o prato, sem distração alguma. Tora –meu irmão mais velho– não come, apenas encara o prato vazio.
Passo vagarosamente por eles, tentando não ser notada. Eu sei por que estão assim. Estão com medo de minha morte. Tiveram que assistir vovó e mamãe serem executadas, e nossa família sendo destruída. O medo de perder a última mulher da família é inevitável. O medo de perder uma parente –novamente– é inevitável. Mas, é horrível saber que não confiam em mim. Eles acham que irei morrer. Mas não irei.
Estou definitivamente pronta para mostrar que sou a melhor.
Olho para minha imagem no espelho do meu quarto.
Meus cabelos loiros caem sobre minhas vestes negras. Meus olhos azuis encaram o espelho. Minha boca levemente avermelhada está desidratada. Minhas sardas se destacam no meu rosto. Meus punhos estão cerrados.
Eu vou ser a melhor.
Fale com o autor