3 x 4
1 1. Victoire Weasley
Notas iniciais
É um prazer ter vocês aqui para mais uma história minha. Sim, eu deveria estar atualizando as minhas outras fanfics, porém estou num período de angústia e ansiedade extrema sobre minha aprovação - ou não - em uma universidade (quem é a 9 da lista de espera? Eu. Chamaram até quanto na lista? Até 8. Sim, triste). Então, não estava naquele espírito fofinho de (500) Days of Rose ou no "engraçado" de How I Met Your Mother.
Enfim, essa história é um pouco diferente do que estou acostumada. Será uma coletânea de one-shots sobre a 3ª geração Weasley, e não será "fofinha" ou "engraçada". Ela vai contar sobre como os personagens não são perfeitos - como são gente como a gente, e às vezes são egoístas, mentirosos, traidores, e coisas do tipo.
Gostaria de agradecer à Bárbara (não sei seu nick aqui, me passa depois para eu dar os créditos, haha) que leu esse capítulo quando ainda não passavam de poucas palavras, e antes de estar concluído também. Obrigada!!
Esse primeiro capítulo é sobre a mais velha, é sobre Victoire Weasley. Tive bastante dificuldade de desenvolver o meio do capítulo, não sei porque. Mas, de qualquer forma, espero que gostem dessa nossa Vic!
Victoire Delacour Weasley

Teddy Lupin desabou ao seu lado, logo após terem feito sexo – de novo. Tinham se casado a três anos, depois de muitas discussões e desencontros. Ele, com seus cabelos agora azuis, enrolava uma mecha loira da esposa entre os dedos, enquanto sorria para ela.
— Me peguei lembrando de Hogwarts, essa semana. – ele comentou, distraidamente.
— O que, exatamente? – ela questionou, apoiando-se sobre o braço, para conseguir encara-lo.
— Sobre o quão bem você ficava com aquela gravata azul e bronze. E mais ainda quando estava sem ela.
— Teddy – ela riu, de leve.
— E fico me perguntando para qual casa nosso filho irá – ele começou a acariciar a barriga branca dela – Se ele vai ir para a minha Lufa-Lufa, a sua Corvinal, a Grifinória da sua família, ou a Sonserina da minha...
— Teddy – ela encarou ele séria, agora – Você sabe que eu não estou grávida...
— Ainda – ele comentou, sorrindo mais uma vez – Mas, acredite, depois de hoje, você estará.
Ele levantou-se da cama, dando um beijo na mulher antes de entrar no banheiro. Victoire sustentou seu sorriso branco durante todo o momento que ele levou para fechar a porta, e logo em seguida afundou o rosto no travesseiro, bufando.
Até parece que ela ficaria grávida agora, ou em qualquer outro momento. Aproveitou-se do momento relativamente longo que o marido sempre passava nos banhos pós-transa, caminhou até a bolsa e bebeu mais uma vez a poção que havia feito – a segunda vez no dia.
Se Teddy achasse que ela ia estragar seu corpo, engordar horrores, desenvolver estrias, celulites, flacidez e tantos outros pavores que ela não suportava nem pensar, ele não podia estar mais enganado. Eles tinham conversado sobre isso antes mesmo de se casarem, quando eles ainda estavam em Hogwarts, e ela tinha sido firme na sua opinião e deixado claro que não queria filhos. Nunca, em nenhuma ocasião.
Mas depois de dois anos de casamento, míseros dois anos, ele já começou a tentar dobrá-la. “Olha que bebê mais lindo, Vic”, ele dizia em passeios ocasionais pela ala infantil da Gemialidades Weasley; “Olha, amor, uma mini gravata da Lufa-Lufa!” ele disse em uma visita a Madame Malkin.
Ela sorria e acenava, em todas as vezes que ele lançou indiretas. E, depois, quando Teddy finalmente resolveu ter uma conversa aberta, não foi exatamente como ela esperava. “Amor...”, ele começou, “eu estava pensando. Somos só nós dois a um tempo já, e seria legal ocupar aquele quarto de bagunça com algo mais útil que caixas de mudança nunca abertas, não?”
“Minha família já é bem grande, Teddy”
“A minha não. Não tenho nem contato com os Malfoy direito, você sabe , ele respondia. “Minha família é agora nossa família, amor, você sabe”, Victoire sempre respondia, sorrindo, mas colocando um fim na conversa.
E, pelo visto, ele ainda não entendia.
Se ela se sentia mal por mentir assim para o marido? Talvez. Provavelmente sim. Se ela se sentia mal por tomar aquela poção e acabar de vez com as chances de algum maldito espermatozoide atingir, fecundar ou ao menos ultrapassar os limites do seu óvulo? Nem um pouco.
Teddy voltou para a cama ao seu lado, passando os braços por sobre seu corpo ainda nu, e abraçando-a.
— Vamos conseguir, princesa, vamos sim – ele disse, apertando, antes de beijá-la na testa.
VW
— Victoire! Qual é o problema que você não consegue acertar? É a quinta vez que estou mudando a sua posição e, de alguma forma, quando eu viro as costas você já está horrível.
— Estou tentando, Lydia, estou tentando – ela suspirou, voltando a colocar as mãos na cintura – Não é tão fácil quanto parece, principalmente quando você já está aqui a horas e o vestido te pinica toda.
— Ninguém mandou ser bailarina, querida – a mulher, que a ajeitava pela enésima vez (talvez estivesse sendo um pouco exagerada), disse antes de dar dois tapinhas nas bochechas de Victoire.
— Bailarina nas horas vagas, caso precise te lembrar – ela disse, ajeitando os braços mais uma vez.
— Querida, você poderia ser bailarina por toda sua vida com esse nariz tão perfeitinho e essas suas pernas que foram feitas para o ballet.
— Eu tenho um emprego, Lydia, já conversamos sobre.
— Bem, eu duvido que seja um emprego que você queira tanto como esse. Você nasceu para ser bailarina, querida, é natural. Não sei se é essa coisa da sua família ser francesa, de você ser sei lá quanto veela, mas isso funciona. Tudo o que você dança é como se contasse a história letra por letra, sério. – ela deu uma última olhada para Victoire antes de sorrir – Você é muito mais uma bailarina do que uma pocionista, docinho.
Victoire voltou a sorrir, na sua posição, e realizar os passos de dança perfeitamente elaborados e cronometrados. E, finalizando os passos em uma arabesque e em seguida uma primeira posição nos pés, sentindo o suor escorrendo por sua teste e suas costas, ela sorriu.
— Bom, bom – Lydia voltou para o centro da sala espelhada, ficando lado a lado com a mulher Weasley-Lupin – Eu disse, querida, só falta você admitir que quer ser uma bailarina profissional.
— Não posso largar meu emprego, Lydia. Preciso dele – Victoire sorriu, soltando o cabelo do coque bem preso no topo da cabeça.
— Você também ganharia bem como bailarina profissional, Vic.
— Eu sei, Lydia, não é essa a questão. – ela pegou a bolsa em que colocava a roupa do ballet, colocou a calça jeans que estava ali por cima do collant, e guardou a saia. – Até depois, Lydia.
Sorriu para a mulher, deu um beijo em sua bochecha e se encaminhou para a grande porta que daria para a rua. Mas, antes que pudesse fechar a porta atrás de si, ouviu ainda Lydia gritar:
— Você já provou que não é só um rostinho bonito, Victoire. Você não deve nada a ninguém.
Ela continuou a andar, sem olhar para trás. Assim que pisou para fora da construção no Beco Diagonal, aparatou direto para a porta de sua casa. Pode ouvir o barulho característico de pratos se chocando – e provavelmente caindo no chão – e concluiu que Teddy já estava em casa (ele normalmente era um cara bem barulhento, genes de sua mãe, pelo que Tio Harry dizia).
— Oi amor – ela chegou, lhe dando um beijo enquanto jogava a bolsa por sobre a mesa.
— Hey – ele respondeu, sorrindo – Estou fazendo um jantar pra gente.
— Correção: você está tentando fazer um jantar. E, contando os pratos que já estão remendados por um reparo, está mais quebrando nossa louça do que fazendo a janta. – ela riu com ele – Mas pelo menos o cheiro está bom. O que é?
— Bem... – ele ficou meio acanhado – Macarrão.
— Você fez essa bagunça toda para cozinhar um macarrão, Teddy?
— Pelo menos eu tentei, Vic, qual é. – ele deu de ombros, voltando a mexer no armário para tentar achar algo para por junto ao macarrão.
— Vou tomar um banho então, enquanto você acaba – ela passou a mão pelas costas dele e depois saiu da cozinha.
Tirou a roupa enquanto entrava no banheiro, deixando tudo embolado sobre a pia enquanto ajeitava a água. Quando sentiu com o pé que a água estava suficientemente quente, entrou, evitando o jato de água de ir no cabelo, inclinando a cabeça. Estava tão distraída que não percebeu quando o esposo também entrou no banheiro e ficou a observando.
— ‘Tava bom o ballet?
— Sim, eu amo aquilo sabe – ela respondeu, depois de se sobressaltar com a presença de Teddy. – Lydia estava comentando, amor, sobre dançar profissionalmente.
— Seria interessante – ele comentou, e ela sentiu-se inflar por dentro: ele iria apoia-la naquela decisão! – se você já não tivesse um emprego super foda como uma pocionista super foda. Lydia sabe disso, ela só falou isso como um elogio, amor.
— Sim, claro – ela concordou, acenando a cabeça, apenas para ver o assunto terminado – Já está pronto seu super macarrão? – ela brincou, se enrolando na toalha e em uma clara tentativa de mudar de assunto.
VW
Victoire se remexia na cama, sem parar. Nunca havia desejado tanto que o sol saísse e o despertador tocasse como naquele momento, mas só para contrariá-la, ela encarava o relógio a dez minutos e o visor ainda marcava três e dez. Desistindo de tentar voltar a dormir, arrastou a coberta para um lado e levantou-se.
Era a terceira noite naquela semana que não conseguia nem ao menos pregar os olhos. Logo ela, que até então somente havia ouvido falar de insônia em épocas de extrema ansiedade, estava com aquele problema. E não havia nenhum grande evento, ou algo assim, que justificasse.
Ficou treinando pique turns em sequência ao redor da mesa da cozinha, até que finalmente a luz do sol entrou pela janela. Ela, uma hora ou outra, teria de contar a Teddy que estava cumprindo aviso como pocionista e estava escalada para um papel secundário de uma apresentação de ballet em um teatro trouxa. Talvez, sua consciência lhe dizia, na mesma hora que lhe contasse que na última semana havia acabado com três vidros de poção anti-concepcional.
Se ajeitou logo para o trabalho – antes que Teddy inventasse de transar de novo – e se despediu dele, que ainda se levantava, dizendo ter alguns problemas para resolver. Foi a conta de pisar dentro do seu laboratório, que praguejou ter esquecido os ingredientes para a poção contra dor de cabeça. As enxaquecas estavam sendo tão frequentes que não tê-la a mão era pedir para ter um dia improdutivo e doloroso.
Sua bolsa estava se tornando uma verdadeira farmácia, pelo visto, já que podia contar facilmente cinco frascos. Odiava estar tão dependente de poções, mas, o que mais poderia fazer? Sim, sempre havia aquela vozinha insistente – maldita consciência – que tentava lhe mostrar o quão mais fácil seria abrir o jogo para Teddy. Ele sempre havia entendido seu lado durante os tantos anos de namoro, por que não agora?
O resto da manhã foi resumido em treinar mentalmente modos para começar a abordar o assunto com o seu esposo. Ela considerou contar de um jeito engraçado, como ele provavelmente a contaria se os papeis estivessem invertidos. Ou então ela devia simplesmente anunciar, no meio do jantar, como se fosse algo normal. “Me passa o sal, amor? A propósito, amanhã tenho um ensaio para a minha apresentação de ballet. Você vai, né? Ah, o trabalho? Bem, eu pedi conta, acabo de cumprir meu aviso daqui a alguns dias. Torradas?”.
Ah, sim, sua consciência lhe mostrava o quão brilhante era aquela sua ideia – ela própria teve de revirar os olhos diante daquela tentativa de roteiro falha. Ela decidiu que iria contar em uma hora propícia, quando ela chegasse, fosse quando fosse. Olhou para o caldeirão borbulhante à sua frente, ponderando o quanto um dia já havia amado aquele ambiente de um laboratório de poções.
Ela não era a mesma garota que era em Hogwarts, nem a mesma que se formou com glórias em Poções e que conseguiu aquele emprego que qualquer um cobiçaria. Victoire Weasley não era mais a mesma.
VW
Era terça. Seu aviso já havia sido cumprido, não haviam ensaios do ballet hoje e ela tinha a casa inteira para si – Teddy já havia saído para o trabalho, e só voltaria de tardezinha, com ela tendo dado a desculpa que havia conseguido folga. Normalmente, ela adorava ficar sozinha: sentir que poderia cantar, dançar, comer o que quisesse sem a importunar e escutar música no volume que quisesse, tudo isso só por estar sozinha.
Mas, naquela hora, ela queria que Teddy estivesse ali ao seu lado. Ou seus irmãos, Dominique e Louis. Até mesmo sua mãe ou seu pai, ou sua avó Molly. Qualquer um, na verdade. Ela queria alguém ali para segurar a sua mão e dizer que tudo iria passar, que era uma dorzinha a toa, que um chazinho iria resolver tudo, ou uma daquelas poções especiais da avó Molly.
No entanto, ela estava sozinha. E não estava pensando nessas coisas em uma ordem compreensível. Ela não estava pensando em nada em uma ordem compreensível. Seus pensamentos eram um redemoinho confuso de sucessões e cortes de meias frases, imagens e situações. Provavelmente, estava ardendo em febre.
Possivelmente, a dor insuportável que estava sentindo em sua barriga também estivesse contribuindo para não conseguir raciocinar direito. Tentava alcançar sua varinha desde que começou a se sentir realmente mal, mas o criado-mudo parecia tão absurdamente longe de seu lugar na cama e suas pernas pareciam estar amarradas no lençol.
Seu cabelo loiro estava pregado em sua testa, colado pelo suor frio que ela eliminava. Seus dentes estavam batendo com tanta força que, por Merlim, ela poderia jurar que iriam quebrar. E o que era aquela dor em sua barriga? Era como se alguém estivesse enfiando suas mãos por entre seus órgãos e começasse a brincar por ali com uma agulha.
Ela não sabia de onde havia vindo tanta dor. Começara de repente. E não fora gradual, como ela esperaria que fosse. Foi de uma vez só, uma só cartada: do nada, ela não conseguia mais respirar direito e as lágrimas pingavam uma a uma, silenciosamente, com ela sem forças até mesmo para chorar.
E ainda não era nem o almoço. Provavelmente estaria morta até que Teddy chegasse do trabalho. Possivelmente. Ela esperava que sim, na verdade, já que a opção contrária seria suportar aquela dor durante todo o dia. Nos poucos pensamentos racionais que conseguia formular, se questionava o que estava acontecendo. Nunca tivera problemas de saúde que justificassem aquilo.
Já passava das três quando conseguiu alcançar sua varinha. Tentou conjurar um Expecto Patronum com sua mensagem, mas não havia nenhum pensamento feliz naquele momento. Então somente convocou com um accio seu celular e clicou no contato de Teddy – gostaria de dizer que havia feito isso em poucos segundos, mas provavelmente durou vários minutos.
— Vic? – ela ouviu ele atender o telefone – ‘Tá tudo bem? Estou meio ocupado agora.
— Me ajuda – ela sussurrou, depois de muito gaguejar. Saiu tão fraca e seca sua voz, que não sabia se ele havia escutado.
— Toire? Toire? Victoire! – ele gritou para o celular quando a sua esposa não mais o respondeu.
Ela havia desmaiado, não havia como responder.
VW
Ela abriu um olho. Depois o outro. E, só então, abriu os dois de uma vez. Não conseguiu mantê-los abertos, a claridade era tanta, que fechou com força e tentou levar as mãos até o rosto – vendo-se frustada com a tentativa, pois os braços não conseguiam ser levantados sem doer algo dentro da sua pele.
Com um pouco mais de calma agora, abriu lentamente os olhos. O branco a impressionou tanto quanto a claridade, mas os – muitos – fios ligados a sua mão, despejando gotas constantes, a assustaram verdadeiramente. Ela não sabia porquê estava ali, presumindo que soubesse que o “ali” era o Hospital St. Mungus.
Avistou um botão vermelho perto da sua mão – e, contrariando todas as dicas sobre “não clique no grande botão vermelho” que todos os filmes trouxas que já havia assistido passavam – o apertou. Em questão de segundos, a porta do quarto onde estavam se abriu, revelando uma medibruxa que entrava correndo e, logo atrás dela, Teddy.
Ele estava aflito, tentando alcança-la e se posicionar ao seu lado; porém a medibruxa não permitiu, já que estava realizando testes e auscultando o coração de Victoire, e precisava de espaço. Ficou no canto do quarto, colocando as mãos nos bolsos e mexendo a perna em um ritmo irritante, os cabelos em um tom desbotado de castanho, provavelmente a cor que seu cabelo realmente seria sem a metamorfomagia.
Quando enfim a mulher acabou de fazer seu trabalho ali, por hora, ela acenou positivamente para o homem.
— Só duas visitas de cada vez – ela disse – E só pela próxima meia hora.
Dizendo isso, se virou e saiu, deixando Victoire somente na companhia do esposo.
— O que... Aconteceu? – ela perguntou, lembrando-se vagamente da dor que sentiu.
— Você passou mal, ontem. Conseguiu me ligar, te trouxe o mais rápido que pude para o hospital.
— O que eu tive? – ela franzia a testa, não compreendendo.
— Você estava grávida, Vic. Uma gravidez tubária. Deu uma hemorragia interna, tiveram de remover sua trompa e seu ovário esquerdo. Me desculpa, amor. – ele disse, com os olhos marejados – Achei que você ia morrer, Toire, achei que você ia morrer. Você não pode morrer, tá bom? – ele estava do lado da esposa, segurando a mão dela.
Ela estava em choque. Não podia compreender. Como assim, ela estava grávida? Não tinha como. A poção que tomava era um dos métodos mais eficazes conhecidos pelo mundo bruxo, e ela havia sido cuidadosa, tomando-a sempre. Não, devia haver algum engano.
Engolindo em seco, ela retribuiu o carinho que o esposo fazia em sua mão.
— Você não vai me perder, Teddy. Eu estou aqui. Bem aqui – disse.
Logo em seguida, a porta foi novamente aberta e por ela entraram Fleur e Gui Weasley. A mulher chorava descontroladamente – mesmo assim, continuava linda – e Victoire jurou que pode ver o pai limpando disfarçadamente uma lágrima. Ficaram pouco tempo, dando lugar para seus irmãos, Dominique e Louis.
A próxima vez que a porta abriu, foi para revelar a medibruxa que havia retornado.
— Posso conversar com a Srta. Lupin a sós? – ela perguntou a Teddy, enquanto Victoire constatava que era uma das poucas vezes que ouvia seu nome de casada.
Ele assentiu, sorriu para a esposa e deu licença do quarto. A medibruxa puxou uma cadeira para perto da cama onde Victoire estava deitada, assentou-se e suspirou.
— Sou a Dra. Elizabeth Thompson, mas pode me chamar de Liz, sou a medibruxa responsável por você durante seu período de internação. Sua família já deve ter te contado que você teve uma gravidez tubária e que passou por uma cirurgia complicada em que teve de remover a trompa e ovário esquerdos. – ela disse, em um tom extremamente profissional. – Contudo, — Victoire pode detectar a mudança em seu tom de voz – eles provavelmente não te contaram, porque não sabem, que seu quadro foi agravado pelas poções que você vinha tomando. Sabemos que são algumas, mas não temos certeza de quais ou quantas. Por isso, precisamos da sua ajuda, Victoire. Não temos como escolher a melhor conduta sem ter uma visão completa do que estamos lidando.
A doutora encarou, por fim, fixamente, Vicoire Weasley, aguardando uma reação dela. Mas ela não estava em condições de esboçar reações muito complexas, muito menos explicar tudo o que a mulher queria dela.
Sua cabeça rodava diante de tanta informação. Sim, ela sabia que estava tomando muitas poções, mas o intuito da principal delas era não engravidar, e ali estava ela, pós-operada de uma gravidez tubária.
— Victoire? Você precisa me contar, querida. Precisa me contar o que aconteceu.
Ela suspirou, tentando formular uma frase coerente. Por fim, ela conseguiu listar as poções que estava tomando para a mulher. E, finalmente, ela fez a pergunta que queria fazer desde que escutou a notícia:
— Como, Liz, como eu fiquei grávida? Preparei a poção anticoncepcional perfeitamente, isso não devia ter acontecido.
— Todas essas poções, juntas, o efeito é imprevisível, Victoire. O mais provável é que uma das poções anulava o efeito anticoncepcional da outra, e a outra anulava o outro efeito da outra... Você criou uma cadeia. – a medibruxa tocou de leve a mão da paciente – Talvez fosse mais fácil simplesmente conversar com seu marido, não?
Victoire assentiu, sem saber o que iria fazer. A camisola larga do hospital estava colada em seu corpo, de tanto que suava naquele momento – aperto, remorso, provavelmente ambos.
— Eu vou ter de fazer alguns exames para ver seu fígado, tudo bem?
— Meu fígado? Mas o problema não era no meu útero? – ela se espantou.
— Tantas poções podem ter prejudicado seu fígado, tenho de conferir. É só por precaução. – ela levantou-se da cadeira, voltando-a para o lugar – Posso chamar seu esposo para entrar novamente?
Victoire somente assentiu, esperando que Teddy entrasse no quarto. Ela iria lhe contar tudo, tudo que estava acontecendo – as poções, o emprego, tudo. Respirou fundo, assim que viu a maçaneta girar. Era a hora.
Ou, melhor, seria a hora. Se ele não estivesse com os olhos marejados e os cabelos começando a readquirir o seu tom preferido de azul. Talvez, ele não tivesse de saber agora. Depois ela contaria.
VW
— Cuidado, cuidado – Teddy a levitava com cuidado, muito lentamente, até a cama, seguindo a prescrição médica (à risca) de que ela não podia fazer esforços.
Ela estava de volta em casa, após uma semana internada. Não estava sozinha, é claro: estava acompanhada de algumas pílulas, uma poção para dor (somente uma agora) e um Teddy extremamente cuidadoso, preocupado e atencioso.
Se ajeitou na cama, sorrindo com a atenção que estava recebendo de Teddy.
— Você recebeu cartas, enquanto a gente estava fora. Milhões da sua família, uma da Lydia... – ele comentou, casualmente. Deu um beijo na testa da esposa – ‘Tá na hora do seu remédio, aguenta aí que vou pegar. – ele disse, rapidamente, saindo do quarto.
Acho que é agora, ela pensou, ‘tá na hora de eu contar para ele sobre o meu não mais emprego como pocionista. Quando ouviu os passos dele voltando pelo corredor, ela se ajeitou novamente e começou:
— Teddy...
— Victoire, o que é isso? – ele mostrou para ela a embalagem pela metade da poção anticoncepcional e, na outra mão, ele segurava a bolsa da esposa.
— Teddy, eu posso explicar. – ela começou, sentando-se muito mais ereta de repente.
— Explicar o quê? Como você se viciou em poções, como você me enganou sobre querer um filho ou sobre o quê?
— Te enganei sobre querer um filho, Teddy? – ela disse, com a voz já um pouco mais alta e, definitivamente, mais fina – Eu nunca disse que queria um filho. Na verdade, sempre te disse o oposto disso. Eu não quero ter filhos. E você sempre soube disso. Desde Hogwarts eu sempre te disse isso. Mas você, aparentemente, nunca me escutou.
— Você não é a mesma que você era, Victoire – ele disse, virando as costas pela porta, pegando seu casaco – Você se tornou uma egoísta, e, mais ainda, uma mentirosa. Nunca achei que diria isso, mas parece que não conheço mais minha própria esposa, minha melhor amiga. Eu vou sair para dar uma volta, qualquer coisa me liga.
Ela ainda pode ouvir a porta bater antes de começar a chorar. Ela não queria que tivesse chegado àquele ponto. Ela queria arranjar um jeito de concertar tudo. Um jeito que não envolvesse ela grávida, é claro. Ela iria arranjar.
Ela iria arranjar, porque era Victoire Weasley.
Notas finais
Como puderam ver na imagem do início do capítulo, minha Victoire Weasley é a Johanna Braddy.
Vou tentar manter esse esquema das fotinhas antes de cada capítulo, trazendo como imagino o personagem.
O próximo, não sei quando sai ou de quem será. Provavelmente será do James Sirius, considerando que já comecei a escrever. Mas, vai saber!
Torçam para que me chamem segunda na universidade!
Um super beijo, até o próximo (ou melhor, até os comentários, certo?)
Paulie.
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