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2 2. James Sirius Potter


Notas iniciais
Depois de cinco séculos e meio, voltei para atualizar essa história amorzinho. Demorei, eu sei, me desculpa. Mas mil coisas aconteceram (coisas do tipo acabei de concluir meu primeiro ano na universidade, no curso que eu sempre quis, yay!). Espero que gostem. Estamos agora com nosso maravilhoso James Sirius Potter!

James Sirius Potter

— Eu te amo – a garota disse, cravando suas unhas no ombro do garoto, seguindo um gemido longo.

— Eu também – ele respondeu, sem interromper o movimento que realizava sobre o corpo da mulher.

Após um tempo, caiu ao lado dela, respirando com dificuldade. Passou a mão pelos cabelos bagunçados, os fios antes colados na testa pelo suor. Percebeu pelo canto do olho ela – qual era mesmo o nome dela? Ah, sim, Hanna – lhe encarando, sorrindo.

Ergueu o tronco da cama onde estavam, alcançando a camiseta jogada no chão e começando o processo de vesti-las novamente.

— Mas você já vai? – Hanna murmurou, manhosa, arranhando de leve a lombar do rapaz.

— Tenho de voltar para o trabalho, você sabe. Se eu ficar muito tempo longe começam a perguntar. – ele concluiu toda a fala encarando a parede de um laranja claro (uma mulher diria ser pêssego) do quarto da mulher.

Levantou-se da cama, abotoando a calça e encaixando o cinto pelos apoios. Após enfiar os pés no sapato social, enquanto colocava o sobretudo negro, finalmente encarou o rosto meio que angelical de Hanna, ensaiando um sorriso.

— Obrigado – curvou-se e beijou-a nos lábios.

— Até depois, James? – ela apertava o lençol sobre os seios, como se estivesse envergonhada que ele os visse, contrariando todos os momentos anteriores.

— Até depois – piscou um dos olhos ao mesmo tempo em que fechava a porta.

Ajeitou a gola do sobretudo e, chegando à calçada da Londres trouxa, começou a seguir os outros cidadãos. Com as mãos nos bolsos, chegou a uma região menos movimentada, olhou para os dois lados certificando-se que não vinha ninguém, e aparatou.

Surgiu em meio a lareiras de fogo verde flamejantes e diversos bruxos de chapéus pontudos. Entrou no elevador, cumprimentando educadamente os colegas de trabalho, jornalistas – sempre haviam muitos, que não cansavam de tirar o chapéu e murmurar “Sr. Potter, é um prazer” – e alguns visitantes do Ministério.

Quando o elevador parou no andar do Departamento de Aurores, ele pulou para fora, lançando um “Bom dia” para os que ficavam. Andou apressado pelo corredor, tentando entrar na sua sala antes que alguém o visse ali de fora.

— James? – a voz atrás de si chamou, e ele continuou a andar tentando ignorá-la – James Sirius – a voz insistiu, a ponto que ele girou sobre os calcanhares, a ponto de ver as entradas no cabelo negro do homem de óculos redondos.

— Pai – ele sorriu, abrindo os braços para o homem de meia idade, em sua mais perfeita performance de filho maravilhoso.

— Sua mãe tentou te mandar uma coruja, sobre Lily. Você não a respondeu.

— Vou responder – ele assentiu – Muito trabalho, uma correria.

— Onde você estava?

— Fui até um café na Londres trouxa, surpreendente quantos cafés diferentes podem fazer.

— E cadê seu café? – o mais velho ergueu a sobrancelha, curioso e um pouco desconfiado.

— Eu, ãn, tomei no caminho. – sorriu mais uma vez – Mas Lily está melhor, certo? – desconversou.

— Sim. De toda forma, responda Ginny. Você sabe como ela fica.

— Vou responder. – repetiu. – Preciso ir indo – apontou para atrás de si – O senhor ser o chefe do Departamento não me livrou de muita papelada.

Sorriu mais uma vez e acenou para o pai, voltando para o seu caminho rumo a sala. A insígnia vermelha e dourada estampava o uniforme que o rapaz vestia na fotografia sobre a mesa, e ele pensou novamente porque havia sido selecionado para a casa dos leões. Provavelmente porque implorara ao chapéu seletor: naquela época, importava demais com o que os pais pensavam dele, do que sua família pensava – ainda importava, verdade.

Por esse motivo, pegou o celular – bendito aparelho trouxa, como os bruxos sobreviviam sem aquilo? – e iniciou uma chamada para Alice, com o intuito de convidá-la para ir na casa dos pais a noite (dois coelhos com uma cajadada: acalmar os nervos de Ginny Potter e levar a namorada para uma noite com os sogros).

— Hey Jay – ela atendeu, com o insuportável barulho das máquinas de costuras e todas aquelas outras coisas do ateliê (agora montado sobre o Três Vassouras, que também pertencia a ela) era perceptível ao fundo.

Ele respirou fundo antes de continuar, rogando por paciência para ser o namorado perfeito durante aquela ligação.

— Oi amor.

— Está um pouquinho apertado aqui agora... Podemos conversar depois?

— Claro. Na verdade, queria apenas te chamar para irmos lá nos meus pais hoje. Você pode?

— Seria ótimo – ele pode perceber que ela sorria do outro lado da ligação – Já avisou a sua mãe?

— Mandarei uma coruja agora. Passo na sua casa as sete, ok?

— Ok. Até depois, Jay. Amo você.

—Também. Até.

Ele desligou a chamada, encarando a foto da garota de cabelos curtos e escuros, sorrindo tão inocentemente que pareciam estar de volta nos primeiros anos de Hogwarts.

Eles eram somente amigos durante os primeiros anos de Hogwarts. Eles se conheciam desde antes da escola, devido a amizade ainda persistente entre seu pai e Neville Longbottom, pai da garota. Nas férias, quando Longbottom não tinha aulas para ministrar e era liberado de Hogwarts, não era raro encontrar pai, mãe e filha na casa dos Potter, n’A Toca, ou em algum passeio que fizessem em conjunto.

Era natural então que, quando James entrou para a escola no mesmo ano que a garota e em um que Fred fosse o único primo que se dava bem indo (não podia contar com Dominique ou Molly), eles acabassem por se procurarem em um primeiro momento. Imaginem o desespero que James sentiu quando não a encontrou em nenhuma cabine do trem – ele procurou em todas, acreditem quando digo todas.

Acabou por se sentar na cabine que Victoire estava junto a Teddy e alguns amigos, todos mais velhos, terrivelmente chatos com suas conversas que ele não compreendia muito bem – tirando o fato que, de cinco em cinco minutos, era obrigado a desviar o olhar para não ter a visão de Teddy a enfiar a língua na garganta da prima (ele, como um garoto de onze anos, só conseguia pensar: eca!, e ao encarar Fred espremido no outro canto da cabine, pode perceber que não era o único).

Alívio foi conseguir avistar os cabelos lisos e negros de Alice assim que saiu do trem já na plataforma. Correu para a encontrar – e daí se garotas eram estranhas? Antes alguém estranho do que ficar sozinho, certo? – e quase não conseguiu parecer menos animado ao cutuca-la no ombro.

— Oi! – ele disse, ao passo que a garota pulou com o susto, retribuindo o cumprimento com um sorriso – Te procurei no trem...

Ela sorriu um pouco mais, e ele ficou se perguntando se devia ter mencionado aquele fato ou aquilo iria fazer dele um completo idiota logo no primeiro dia de aulas. Ela também acenou para Fred, que estava parado ao lado do rapaz.

— Moro aqui em Hogsmeade, esqueceu? Não faria sentido pegar o trem – ela respondeu, simplesmente, dando de ombros, enquanto os dois entravam no mesmo barquinho – Pra qual casa você acha que vai cair?

— Bom, — nesse ponto ele já recuperava um pouco da sua autoestima invejável – não tenho dúvidas de que será na Grifinória. – estufou o peito, orgulhoso – E você?

Nesse ponto, eles já podiam avistar o castelo em toda sua impotência.

— Mamãe era da Lufa-Lufa, acho que meu pai ficaria feliz se eu fosse para lá, você sabe, ele sempre diz que eu o faço lembrar ela. Está sendo difícil depois que tudo, hun, aconteceu. – James pode perceber que ela encolheu os ombros ao lembrar-se da morte recente de sua mãe – Mas ele também fica todo animado ao pensar na possibilidade de eu também acabar indo para a Grifinória. E seria legal, você não acha?

Acabaram ambos indo se sentar na mesa dos leões, e Alice sorriu e chegou para o lado quando James também foi selecionado – ao contrário de Fred, que acabou caindo na Corvinal, fato que distanciou os garotos de uma forma inimaginável. Seus grupos de amizades acabaram, por uma ironia do destino, sendo o mesmo. Já no terceiro ano, não se viam eles se não na mesma mesa – lotada de gente, como era de se esperar de um Potter – quando em Hogsmeade.

James nunca foi um santo, todos sabiam disso. Ginny amaldiçoava o dia em que havia permitido a Harry colocar esse nome no garoto: não bastasse um, mais dois marotos em um ser só? Ela estava louca, só podia. Era provável que tivesse herdado a auto confiança do avô, a paixão pelas mulheres de Sirius, uma marotagem de ambos. Diziam até que o espírito de Fred havia errado e batizado a pessoa errada: toda sua benção certamente tinha sido conduzida a ele, no lugar de Fred II.

Seus primeiros seis anos em Hogwarts não podiam ter tido mais confusões, mais detenções ou mais mulheres. E no sétimo ano, em um dos passeios a Hogsmeade, ele conseguiu ver Alice. Enxerga-la não mais como aquela garotinha que brincava de correr com ele nas férias, ou aquela que ele puxou papo na estação: ele a viu como a mulher que ela havia se tornado – e que mulher.

Mas ele não havia pensado direito. Bom, na verdade, ele havia. Mas ele achou que iria conseguir: iria conseguir ficar com ela, ama-la a tal ponto que bastaria e ele esqueceria tudo que as outras mulheres tinham significado para ele. Ele realmente conseguiu, por uns três meses. Mas, aí, ele percebeu: Alice gostava demais dele e apesar de também gostar dela, não conseguia resistir a sua vida de solteiro.

Ele se sentiu amargamente arrependido nas primeiras vezes, tanto por ter traído a amiga quanto por ter desperdiçado a amizade tentando algo a mais. Ele lhe contou, na primeira vez que aconteceu e, com aquele coração enorme que ela tinha, ela lhe perdoou. E ele jogou isso fora. Simples assim.

Agora já somavam anos de namoro e somente alguns meses de fidelidade. Alice era simplesmente incrível, Ginny e Harry a adoravam, e eles se davam bem, realmente bem: por que estragar isso?

James então pegou o pergaminho, a pena e escreveu a carta para a mãe, informando que ele e Alice iriam hoje para jantar; selou a carta e enviou sua coruja. Parou, olhou para o nada, respirou fundo e enfim voltou para a papelada do seu trabalho.

JP

Ter Sirius no nome tinha algumas vantagens, definitivamente. Uma delas, foi ter ganhado a moto que era do padrinho de seu pai no seu aniversário de dezesseis anos. Hagrid havia conseguido concerta-la anos antes, e seu pai havia a usado por mais outros tantos. Apesar de velha, tinha lá seu valor e utilidade. Como naquele momento.

Eram pontualmente sete quando desceu da moto e tocou a campainha do apartamento de Alice. Ela abriu o portão sem se dar ao trabalho de fazer alguma pergunta e gritou lá de dentro um “Pode subir, Jay, a porta tá aberta”.

Ele adentrou o apartamento da namorada, sentando-se no sofá.

— Oi, amor – ela apareceu, sorrindo, enquanto acabava de colocar o brinco na orelha.

Aproximou-se de onde James estava, deu-lhe um beijinho e voltou correndo para calças os sapatos.

— Não era minha intenção atrasar, mas acabei saindo tarde demais do ateliê, teremos um casamento na semana que vem, você sabe.

Alice era assim: ela não parava de tagarelar na maior parte do tempo. James era ótimo em ouvi-la e, quando estava animado – ou um pouco bêbado – admitia que também falava sem parar.

— Lily está melhor? – ela perguntou em uma voz estranha, considerando que escovava os dentes ao mesmo tempo que afivelava a sandália.

— Vem cá, deixa que eu arrumo pra você.

Ela fez uma expressão de “Ai Merlin, obrigada, é por isso que te amo”, se aproximando do homem e colocando seu pé no sofá do lado dele para ele ajeitar a sandália enquanto ela podia se concentrar na escova de dentes e em não deixar espuma cair na sua roupa.

Em menos de dez minutos ela estava pronta e eles já estavam apagando as luzes e saindo.

— Eu sei que você ama essa moto, Jay – ela disse, quando teve de colocar o capacete – mas eu odeio nunca poder usar vestidos ou fazer algo no meu cabelo toda vez que vamos sair. Talvez fosse mais fácil simplesmente aparatar, você não acha?

— Nunca gostei do mais fácil – ele comentou, desafiador, fazendo com que ela soltasse aquela risada gostosa que só ela tinha.

Sentiu os braços dela o abraçando pela cintura alguns segundos antes de acelerar a moto e saírem voando pelos céus, até conseguir avistar as luzes da casa dos Potter.

Tirou o capacete e ajudou Alice a desembaraçar os cabelos com os dedos, antes de baterem na porta. Não demorou mais que alguns segundos para que sua mãe aparecesse sorrindo a porta. Ginny Weasley – agora Potter – não era mais nova, mas era muito mais bonita que muitas garotas novas por aí, e James sabia disso.

— Até que enfim alguém resolveu dar notícias, lembrou que tem família? – sua mãe era assim, e ele já esperava isso.

— Não foi por mal, mãe, você sabe disso. Oi pra você também – ele disse, abraçando-a sem esperar resposta.

— Oi Sra. Potter – Alice cumprimentou-a com um abraço.

— Você já é da família, Alice, já disse que é Ginny. Por Merlin, não sou tão velha para um senhora, sou? E pense bem na sua resposta – ela ameaçou, antes de soltar a nora do abraço.

Alice riu e ele podia jurar que quando ela ria, não havia uma pessoa no mundo que conseguia odiá-la, ou até mesmo não gostar dela.

— Ah, minha nora favorita chegou – seu pai, Harry Potter, chegou na sala, logo abraçando Alice.

— O senhor diz isso porque sou a única – ela sorriu.

— Bem, continua sendo a favorita – ele confidenciou, sorrindo em seguida para James – Olá, James. Estava com saudade de te encontrar fora dos corredores do trabalho.

— Estava com saudades de te ver sem aquele terno também, pai. Cadê Albus?

— Não é como se seu irmão desse explicações antes de desaparecer, James – sua mãe disse.

Alice foi ajudar Ginny na cozinha – James tinha uma séria desconfiança que as mulheres faziam isso apenas para poderem ter suas conversas sem pé nem cabeça sem interrupções masculinas – e ele ficou jogando xadrez bruxo com o pai na sala.

— Vocês já estão juntos a quanto tempo mesmo, James? – o pai começou a certo ponto do jogo.

— Alguns anos, pais. Desde o último de Hogwarts.

— Vocês dois já estão formados, trabalhando com o que querem... Já estão começando a pensar em casamento?

James começou a tossir e jura que não foi de propósito, foi apenas a sua saliva. E ele engasgando com ela. De um jeito bem tosco.

— Casamento, pai?

— Sim. Sabe, casamento. Alianças, votos, vestido branco.

— Sou muito novo pra isso, pai.

— Seus avós se casaram logo após Hogwarts.

— Eles estavam em uma guerra, pai. Nós não.

— Bem, você quem sabe. Mas vocês já estão juntos a tanto tempo, ela é uma menina tão boa, e eu realmente queria um neto, James.

— Você tem mais dois filhos, pai – James revirou os olhos, antes de tentar mudar o assunto para de volta ao jogo.

JP

Depois daquele dia que seu pai comentou sobre casamento com ele, James começou a perceber coisas que antes não estava percebendo. Cada vez mais convites de casamento se empilhavam na sua mesa de centro, endereçados a James e Alice – por que todos os seus amigos haviam resolvido que aquele era o momento de casar? – e alguns convites de chás de bebê também estavam chegando. Honestamente, bebês?

Outra coisa, ele começou a perceber que Alice sempre comentava sobre todas as criancinhas que passavam na rua, ou sobre como ela sempre enchia os olhos d´água em todos os casamentos quando jogavam feitiços sobre os noivos, quando pensava que ninguém estava olhando.

Ela queria casar, James – finalmente – concluiu. E, aí, ele começou a entrar em desespero. Tudo bem, algum dia ele se imaginava casando, mas definitivamente não era agora e, por Merlin, ele nem sabia se era com Alice que ele queria casar. “O que porra as mulheres têm na cabeça para quererem se casar tão novas? ”. Blá blá, relógio hormonal, querer criar seus filhos sem estarem tão velhas... Besteira! O que elas queriam mesmo era prenderem seus homens em uma coleira invisível, isso sim. Ele concluiu esse pensamento enquanto batia a porta da sua sala atrás de si.

O celular apitou com uma mensagem de texto de um número desconhecido com um único “H”. Era Hanna, o chamando para ir à sua casa novamente. Ele bem que estava precisando de uma boa foda, tentar esquecer toda aquela maluquice de matrimônio e de filhos. Mas isso também significava Hanna sendo completamente melosa e ele tendo de ser também, pelo menos até conseguir deitar ela no sofá. Isso ia exigir tanta força de vontade dele que ele simplesmente ignorou a chamada.

E então o telefone começou a tocar novamente – e ele ia ignorar mais uma vez – mas o indicador mostrava que não era mais Hanna, e sim Alice. Fechou os olhos, respirou fundo, colocou um sorriso no rosto e atendeu ao telefonema.

— Hey.

— Oi amor! – ela disse, do outro lado – Estava pensando em cozinhar algo aqui em casa hoje, sim?

Ele olhou para a agenda, confirmando se não tinha nenhuma reunião. Pelo jeito, ele ia conseguir aquela foda que tanto queria.

— Tudo bem, gatinha. Levo um vinho.

— Te amo – ela disse, antes de desligar.

James colocou o celular na mesa e, olhando para a carta de sua mãe que havia recebido uns dias antes – que até seu pai havia lhe cobrado resposta – resolveu que definitivamente era hora de responde-la.

JP

— Jay – Alice murmurou, manhosa, enquanto desenhava cada uma das costelas dele com o polegar, deitada sobre seu peito.

— Hun? – ele afagava o cabelo dela em resposta, enrolando-o e desenrolando continuamente uma mecha por seus dedos.

— Lembra da Hestia? Do nosso ano de Hogwarts... Da Lufa-Lufa?

— Hestia... Hestia... – ele murmurou, tentando lembrar da imagem da garota, até que uma garota alta e com cabelos pretos volumosos surgiu em sua mente – Hestia Silver?

— Isso. Ela me mandou uma carta hoje – Alice continuava a afagar o namorado.

— Não sabia que vocês eram amigas.

— Mantemos algum contato – ele sentiu ela dar de ombros, levemente – Mas, bem, ela está grávida – Alice levantou o rosto, apoiando-se nos cotovelos, olhando diretamente para o rosto de James – Isso é ótimo, não é?

— Bom, se ela e o cara quisessem o bebê, claro, uma ótima notícia – ele respondeu, sem entender muito bem o porquê de Alice estar lhe contando aquilo.

Alice pareceu desapontada com a resposta, e voltou a se deitar por sobre o peito de James, agora acariciando em círculos um ponto específico da barriga dele. Ele decidiu que ignorar aquela reação era a melhor alternativa, já que não tinha dito nada – absolutamente nada – de errado.

— Acho que devíamos ir visita-la, sabe? Levar alguma lembrancinha.

— Sim, sim, seria ótimo. Com quem ela está mesmo?

— Com o Ian, lembra? Eles começaram a namorar alguns meses após a formatura. Fomos no casamento deles ano passado.

— Ah, sim, claro – ele acenou de qualquer forma e sorriu para Alice, pegando em seu rosto para voltar a beijá-la.

— James, uh – ela disse, entre os beijos, afastando o rosto dele em seguida – Mas sobre o bebê de Hestia...

— Alice, deixa o bebê dela crescer em paz – ele disse, voltando a beijá-la mais uma vez.

Ela o beijou de volta por alguns minutos, antes de se afastar novamente e falar novamente.

— Sua prima, Victoire, ela estava no hospital também, algo sobre bebês. Você ficou sabendo o que aconteceu?

— Porra Alice, o que tá acontecendo? – ele se sentou de supetão, aumentando um pouco a voz.

— Que isso, James?

— Eu ‘tô tentando te beijar e ficar contigo há um tempão e você só quer saber de falar de bebês de outras pessoas.

— Ah, então você não quer falar sobre o bebê de outras pessoas, James? – Alice também havia elevado seu tom de voz, ao mesmo tempo em que se levantava da cama e amarrava sem robe na cintura – Ótimo, não vamos falar dos bebês das outras pessoas. Prefere falar sobre o nosso?

— Nós não temos um bebê, Alice – James havia colocado sua cueca enquanto Alice falava anteriormente e agora estavam ambos em pé, cada um de um lado da cama.

— Pois bem se temos! Eu estou grávida, James! Grávida! – ela gritou a última palavra – E eu só não te contei antes porque você tem sido um perfeito filho da puta nos últimos meses.

James não respondeu, ficou apenas encarando a namorada.

— Ah, agora não sabe o que falar, claro – ela já estava vermelha – A gente namora desde sempre, James, e eu já aguentei muita burrada sua. Você acha que eu não sei dos seus casinhos? É claro que eu sei, James. Mas eu achei que era uma crise, que logo ia passar. Mas parece que só piora. Só piora. Você não conversa mais comigo, você não responde as cartas de Ginny, você nem mesmo dá a mínima pros seus irmãos. Olha Lily o que ‘tá passando, e você ‘tá aqui, sendo um babaca.

— Não coloca a Lily no meio – ele disse, nervoso.

— O que eu quero dizer, James, é que eu ‘tô grávida, de uns dois meses, e você nem sequer notou nada. A gente namora desde sempre e você nunca cogitou a ideia de noivarmos. A gente namora desde sempre e você nunca cogitou a ideia de morarmos juntos. A gente namora desde sempre e você parece não querer mais do que tínhamos em Hogwarts. Deixa eu te contar uma coisa, não estamos mais em Hogwarts!

— Eu não entendo por que tudo pra vocês mulheres tem que terminar em casamento!

— Não é o casamento, James. É evoluir, é andar pra frente no nosso relacionamento, é não ficarmos presos na mesma fase. Eu nunca te obriguei a casar comigo ou a fazer nada disso, mas eu não aguento mais ficarmos aqui parecendo com um namoro de adolescentes. Eu não sou mais uma adolescente, James! E nem você é.

Depois de dizer isso, ela bufou e saiu do cômodo, deixando James parado a encarar a parede atrás de onde ela estava. Alice estava grávida. Essa era a única parte de toda a discussão que realmente importava para ele.

Ele era o pai de um bebê, o bebê que Alice carregava, que dali a sete meses viria ao mundo. Que dali a sete meses viria e dependeria dele.

James Potter podia ser muitas coisas – muitas mesmo – mas covarde ele não era. Aquele bebê era sua responsabilidade e, mesmo não tendo sido planejado, mesmo não querendo ser pai naquele momento, ele seria um pai – e um pai maravilhoso. Ele não sabia como, mas seria.

Ele iria se virar, porque era James Potter.

Notas finais
Espero que tenham gostado! Não coloquei dreamcast ou uma montagem bonitinha no início do capítulo porque já tinha demorado demais para trazer essa atualização, e se eu fosse fazer iria demorar mais ainda. Talvez eu depois atualize e coloque :) Não sei se vocês repararam, mas eu tento colocar links sutis com os outros capítulos da história (alguns comentários com a Victoire, do capítulo passado, e alguns sobre a Lily e o Fred II, de capítulos futuros). O que acharam de ser assim? Espero vocês nos comentários, sim? Beijinhos, Paulie.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.