254 Dias Com Meu Professor
1 Prólogo - Trailer
Notas iniciais
Eu poderia dizer que odeio Marcelo Brezon, mas não consigo. Mesmo com todo o acontecido naquela maldita noite – que deveria ter sido uma das melhores –, eu ainda não consigo mudar meu coração.
Deus, como posso amar alguém de uma forma tão arrebatadora como essa?
Ele me fez sofrer as formas mais improváveis e infelizes que se pode imaginar para uma pessoa que esconde o relacionamento de todo resto do mundo.
Ele pisou no resto de dignidade que eu tinha e saiu sem dar explicações.
Mas não, eu só conseguia pensar nas coisas boas.
Aqueles pequenos momentos felizes que tivemos em seu apartamento; Aqueles momentos engraçados em que nos batíamos com travesseiros e corríamos pela casa à procura de algo para jogar no outro na maior inocência e infantilidade de um casal apaixonado.
Será que havia valido a pena? Eu tomaria outro caminho se possível? Eu deixaria de lutar por ele agora que ele mais precisava de mim?
Não. Eu não consigo deixá-lo. Nem agora, com tubos e agulhas enfiadas em parte do seu corpo, tentando mantê-lo acordado e oxigenado e com a chance de que ele jamais se lembre de mim. A possibilidade de ele acordar e se perguntar “Quem é essa menina?” é grande, e isso parte meu coração.
No momento, ele parecia imóvel demais, como se beirasse à morte próxima. Mas eu implorava o contrario. Implorava para que ele acordasse. Eram 254 dias já. Quase um ano a sua espera. Um ano vendo-o imóvel e “sem vida”.
Talvez eu devesse deixá-lo. Jogar fora todas as flores amontoadas que eu havia trazido no decorrer de 254 dias. Doar os inúmeros ursinhos, devolver os quadros com fotos de família à dona Elizabeth... Devia seguir com a minha faculdade, voltar ao meu emprego, apagar seu número de celular da minha lista de contatos e fingir que ele nunca me amou e vice e versa. Talvez até mesmo encontrar um novo amor...
Mas eu não conseguia deixá-lo.
Afinal, eu o amava.
E foi por isso que eu não o abandonei.
“Desde o primeiro dia que ele entrara em coma, tenho sentado nessa mesma poltrona, ao seu lado, e lhe contado toda nossa história. Como tudo aconteceu, para que ele saiba que estou aqui, e estarei, até o último minuto”.
Fale com o autor