21.12.12 - A Invasão
10 Conseguimos uma ajuda especial
Notas iniciais
Gente, quem for a favor do casal Joshen (Josh e Gwen) fala pra mim no comentário.
E quem for a favor do casal Glark (Gwen e Clark) fala também (:
Imagem do capítulo 1: Clark arrumando um "jeitinho" de calar a boca de sua melhor amiga.
Imagem do capitulo 2: Gwen e Josh conversando depois de Josh descobrir a verdade.
No momento em que dei as costas para Clark e fui em direção à casa de Josh, me arrependi por completo.
Clark estava curiosamente calado, e tinha o rosto mais triste que eu já vira. E saber que eu causara sua tristeza... me deixava triste também.
Sei o que esta pensando: E por que não o beijou? Por que não lhe explicou o porquê de não saber o que dizer? Um simples “Podemos conversar sobre isso mais tarde?” bastava! Idiota, idiota, idiota!
Ah, ora, eu concordo plenamente com você. Eu poderia tê-lo beijado, já que era algo que eu tinha vontade de fazer desde quando voltara para a Terra. Ou então podia pedir para que conversássemos sobre isso depois, mas nãããããão, eu resolvi lhe dar as costas e correr, literalmente, para a casa de meu amor platônico.
Seguimos para a casa em estilo vitoriano da esquina. Ela tinha um gramado bem aparado e um pequeno arbusto coberto de neve. Um cachorro, provavelmente um Labrador, circulava incansavelmente o tal arbusto. Era uma cena cômica.
Clark apertou a campainha e senti que meu estomago começava a se enrolar todo.
Quem atendeu a porta foi o doutor Orson, e foi quando lembrei que esquecera a carta e os documentos endereçados a ele em casa. Mordi o lábio, com raiva de mim mesma, e esperei que ele nos atendesse.
– Olá jovens. – Disse ele, casualmente. – O que posso fazer por vocês?
Olhei para Clark, mas ele olhava o Labrador com extremo interesse. Disfarcei a tristeza com um pigarro e sorri para Dr. Orson.
– Hã... nós precisamos muito falar com seu filho. – Percebi que Josh me olhava da janela de frente e aumentei o tom de voz – É de extrema urgência.
– Ora, se é tão importante assim, fale para mim primeiro. Preciso saber da vida de meu filho, certo?
Pensei realmente em lhe revelar a verdade, pois pelo visto ele sabia que havia algo estranho em relação a seu filho, mas nesse momento a porta se abriu novamente e Josh saiu por ela.
Josh estava ainda mais bonito, se é que era possível. Estava um pouco mais alto que Clark, bem mais forte, seus cabelos haviam ficado mais loiros e seus olhos haviam adquirido uma cor de verde exuberante e vibrante. Ele vestia regata branca, jaqueta de couro, jeans escuros e tênis Nike.
Mais uma vez, quando nos olhamos nos olhos, senti aquela sensação de reconhecimento. Como já sabe, sou péssima em explicar esse tipo de coisa, mas vou tentar: Era como se eu já o conhecesse, como se eu soubesse tudo o que se passava em sua mente, porém, era uma sensação rápida e que causava formigamentos por todo meu corpo.
– Algum problema pai? – Perguntou Josh ao Dr. Orson. Sua voz não era tão sedutora quanto à de meu melhor amigo, mas era grossa e suave, enquanto a de Clark era rouca, lenta e baixa, sem falar em seu sotaque britânico.
– Esses garotos dizem que precisam falar com você...
– E que é urgente. – Completei, ansiosa para poder falar com Josh o mais rápido possível.
Dr. Orson fez uma careta, mas assentiu para o filho. Olhando para Josh e seu pai, comecei a divagar sobre sua mãe. Josh não tinha nenhuma característica de Orson, então pensei que ele fosse idêntico à mãe.
Josh olhou de relance para Clark e em seguida seus olhos voltaram para mim. Ele repetiu esse gesto mais três vezes até nos deixar entrar.
A casa dele era realmente muito... bagunçada. Dr. Orson nos pediu desculpas pela bagunça e pediu para que não reparássemos, mas era um pouco difícil de não reparar. Havia pares de meias desconexos por toda a sala de estar, um gato siamês dormia tranquilamente em cima de uma cueca vermelha e havia uma muda gigante de roupas sujas em cima da mesa de jantar. Josh nos apontou a escada e nos guiou até seu quarto.
Para minha sorte, o andar de cima da casa não parecia tão bagunçado, e seguia o mesmo estilo de portas e janelas da minha casa. Também havia uma estante gigante de livros coloridos, novos e velhos, e uma pequena estante do lado, que continha apenas alguns livros verdes e cobertos de poeira.
O quarto de Josh era o cômodo mais bagunçado da casa toda, até onde eu pudera ver. Sua cama era uma confusão de lençóis e travesseiros, um pé de um par de pantufas de tubarão estava no meio do quarto e ele deveria estar jogando vídeo game, pois sua televisão era um embolado de fios pretos e amarelos e um controle estava jogado para o lado esquerdo da TV.
Percebi que, ao lado da televisão, havia dezenas de fotos dele com Samantha. A maioria estava rasgada ou amassada, enquanto as outras estavam riscadas. Divaguei sobre ele ter terminado com Samantha, o que parecia ser uma coisa óbvia. Josh começou a tentar arrumar o quarto as pressas e pediu para que sentássemos em sua cama.
Joguei os lençóis e os travesseiros para o lado e me sentei, fazendo um gesto para que Clark se sentasse ao meu lado. Ele o fez, mas parecia estar distante e frio em relação a mim.
Josh guardou sua bagunça em seu guarda-roupas e se sentou em uma cadeira de rodinhas.
– Certo... – Ele riu. – Nunca pensei que um dia vocês estariam dentro do meu quarto.
Sorri para Josh enquanto Clark não emitia som algum com a boca e deixava claro que não tinha nenhum desejo de estar naquele lugar.
– É, bem, nunca imaginei que estaríamos aqui também. – Então mordi o lábio, controlando minhas batidas cardíacas aceleradas em demasia. – A coisa que precisamos te falar... é realmente importante.
– E urgente. – Josh completou, fingindo pensar enquanto eu ria e Clark bufava feito uma mula. Então Josh sorriu encantadoramente para mim e disse – Então... sobre o que querem falar?
Olhei para Clark e, dessa vez, ele retribuiu meu olhar apreensivo. Engoli em seco e me levantei, encostando-me no parapeito da janela e respirando fundo.
– Hã... – Escolhi as palavras certas para lhe falar, tendo para mim que, caso ele não acreditasse, ainda teríamos a nave espacial para provar. – Me diga uma coisa primeiro, Josh.
Ele deu de ombros.
– Pergunte.
– Quem são seus... hã... pais? – Josh me olhou de modo estranho, provavelmente surpreso com minha ousadia de lhe perguntar uma coisa dessas. – Olhe, sei que estou sendo intrometida e tudo o mais, mas... eu preciso saber, porque...
– Por que...? – Josh me incentivou.
– Porque o que tenho pra te... pra te revelar...
– É doido demais. – Clark completou para mim e eu o olhei agradecida.
Josh assentiu para Clark e olhou profundamente em meus olhos. Curiosamente, consegui retribuir seu olhar sem desviar, ou mesmo piscar, ou ficar vermelha feito um tomate. Eu simplesmente lhe encarei também, e nem percebi que estava fazendo isso.
– Não sei por que, mas... – Josh me disse, a voz num tom mais baixo do que o normal. – Quando eu olho para você, sinto que posso confiar em você. Sinto que você é como eu, ou algo assim, sei lá.
Lhe lancei um sorriso sincero, ciente de que Clark nos observava minuciosamente, mas eu não podia fazer nada. Ali, de frente para Josh, eu descobrira que ainda desenvolvia uma paixão avassaladora por ele. Eu gostava de Clark, eu o amava, mas ainda estava apaixonada por Josh, de algum modo que desconheço.
– Eu sou como você. – Murmurei, aproximando-me um pouco de Josh enquanto este se levantava. Olhei para cima, para poder ver seus olhos. – Você pode me confiar o segredo de sua família?
– Posso. – Ele respondeu de imediato, surpreendendo-me. Então passou as mãos pelos cabelos, bagunçando-os e pediu para que eu me sentasse ao lado de Clark novamente. Quando o fiz, ele se sentou na cadeira outra vez e respirou fundo. – Precisam me prometer que não vão contar nada para ninguém ok? – Então riu. – Francamente, não sei nem porque eu vou lhes contar isso, quer dizer, eu não falo com vocês há dez anos!
– Não iremos contar... – Prometi. Olhei para Clark e lhe cutuquei a barriga. – Certo?
– Ah, é, é. Não vou contar nada. – Disse ele.
Josh assentiu uma segunda vez e mordeu o lábio inferior. Foi a primeira vez que percebi que seus lábios eram carnudos e tinham um quase formato de coração. Imagino como estava sendo difícil para ele nos contar sua história, mas era preciso, para que minha explicação fizesse sentido para ele. Era curioso o fato de ele já estar confiando em nós para contar isso, mas provavelmente era coisa da tal... “sensação” que compartilhávamos. Ou talvez pelo fato de eu ser metade Plêiade. Os Plêiades eram conhecidos como os seres mais confiáveis do universo. Josh podia ainda não saber, mas seus genes Arianos viam em meus genes Plêiades um verdadeiro porto seguro.
– Dr. Orson... ele não é meu pai. Ele me encontrou há dezessete anos, na entrada dessa casa. Eu estava dentro de uma... hã... cápsula e tinha um bilhete de meus verdadeiros pais. – Josh observou nossa reação por um instante, mas como permanecemos impassíveis, ele continuou – Orson não... não conseguiu traduzir o que estava escrito.
– Você ainda tem esse bilhete? – Perguntei.
Josh assentiu.
– Depois mostro para vocês.
– Certo. Pode continuar. – Sorri.
– Bom, não tem muita coisa depois disso. Quer dizer, ele me mandou para um orfanato e me adotou dois anos depois. Colocou-me na escola e vem me criando desde então. – Ele franziu o cenho. Deus, até fazendo careta ele é irresistível! – Hmm... Acho que é tudo.
Assenti.
Clark revirou seus olhos.
– E ele nunca fez... hm... testes esquisitos com você e seu sangue? – Perguntou.
Josh deu de ombros.
– Ele é um doutor graduado em história e medicina, Darth Vader, e meu sangue é especial. Ele seria louco em não fazer testes.
Clark piscou.
– Darth Vader? Sério?
– Algum problema com isso?
Clark se levantou rapidamente da cama, assim como Josh da cadeira. Eles se encararam e começaram a gritar ofensas um para o outro. Enquanto Clark dizia para Josh que ele não saberia o que era um Darth Vader nem se o próprio Darth Vader estivesse em sua frente, Josh dizia que pelo menos ele seria um cara que teria uma namorada, diferentemente de Clark, que só vivia para contos espaciais.
Eu estava paralisada, com medo de me intrometer e acabar machucando alguém.
Meu melhor amigo gargalhava.
– Contos espaciais? Você é um conto espacial, seu idiota!
– Que tipo de xingamento é esse?
Clark sorriu de modo inocente. E agora eu já sabia que ele estava prestes a estragar tudo.
– O nome “Ariano” significa alguma coisa para você?
Josh fechou os olhos com força e em seguida os abriu. Ele ficou um pouco tonto e caiu com tudo em sua cama. Seus olhos estavam arregalados e ele tremia violentamente. Suor frio escorria de sua testa. Ele estava ficando mais branco do que o normal e estava gemendo como se alguém o estivesse torturando. Ele estava se tornando um Ariano.
Bati em Clark.
– Seu idiota! – Reclamei. – Eu tinha todo um plano na cabeça! Eu ia devagarzinho para que ele não sofresse esses sintomas! Sabe o que esta acontecendo com ele agora? Seus genes estão ficando mais fortes, e provavelmente ele esta se lembrando do planeta Ário! Seu idiota! Idiota, idiota! Idi... – E então Clark me beijou, calando-me.
Fora um beijo extremamente rápido. Um selinho. E fora o bastante para me deixar tonta.
Clark riu de minha reação e foi ver se Josh estava bem.
– Clark... – Murmurei enquanto passava o indicador por meus lábios.
– Shh. – Fez ele, pressionando um dedo nos lábios. – Venha, você é a expert nessas coisas.
Em transe, me aproximei de Josh e pousei uma de minhas mãos em sua testa fria e suada. Ele agora parecia estar dormindo, mas se recontorcia como se estivesse em um pesadelo. E provavelmente estava... As lembranças nunca eram boas para os nossos corpos. E... bem, ele era um extraterrestre por completo, então imagino que era mil vezes pior para ele do que para mim.
Clark me envolveu com seus braços, virou-me para ele e depositou um beijo ardente em minha testa.
– Ele vai ficar bem? – Perguntou, usando aquele seu tom rouco e baixo para me fazer esquecer-se de como se respira.
– É, acho que sim... – Murmurei olhando para Josh. – Quando Shawus me contou o que eu era e que a Terra estava em risco de desaparecer... eu fiquei mais ou menos assim. Mas acordei bem mais disposta a cooperar.
Clark assentiu e começou a cantarolar Nem York, do Frank Sinatra. Sua voz era excelente para cantar, e me fazia ficar relaxa. E me fazia pensar.
Certo, provavelmente você esta pensando a mesmíssima coisa que eu nesse momento: E agora?
É uma excelente pergunta.
Eu ainda me sentia apaixonada por Josh, mas Clark havia me surpreendido com esse selinho. Certo, não fora um beijo de verdade, mas mesmo assim, me deixara ainda mais confusa em relação aos meus sentimentos.
Sai do abraço confortável de Clark e me aproximei de Josh. Antes que pudesse pensar no que estava fazendo, comecei a cantarolar uma música suave e em vietnamita. Era essa a música que papai e Shawus cantavam para mim lá em Plêiade, e ela sempre me acalmava.
Aos poucos, parei de ouvir Clark cantando e aumentei um pouco mais meu tom de voz, passando a fazer movimentos circulares com as mãos na testa de Josh. Passado alguns minutos, pedi para que Clark fosse falar com Dr. Orson sobre o “problema” do sangue. Pedi também que, caso fosse preciso, para que ele revelasse a história toda ao doutor.
Nós precisaríamos da ajuda dele.
Clark pareceu um pouco receoso em me deixar sozinha com Josh, mas mesmo assim fez o que pedi. Era só o que me faltava... meu melhor amigo achar que agora era meu namorado. O pior era que agora eu teria que falar para Clark que ainda estava apaixonada por Josh, e que seu beijo apenas havia complicado ainda mais as coisas. Eu sei que isso o magoaria, mas eu não podia fazer nada. Eu teria de lhe contar a verdade sobre a demasiada confusão dentro de meu coração.
Nesse momento, Josh abriu seus olhos o olhou para mim. Pude ver a clareza dentro de sua íris, pude ver quer ele descobrira sobre si mesmo, sobre seus pais e sobre sua verdadeira origem.
Fiz a mesma coisa que Shawus fez comigo: Abracei Josh e lhe murmurei palavras de reconforto – em vietnamita, é claro – no ouvido. Quando senti que seus músculos relaxaram e o ouvi suspirar, o soltei.
Mas preferia não tê-lo feito, pois Josh tinha um cheiro maravilhoso de baunilha.
– Ah, uau. – Josh murmurou, passando as mãos pelos cabelos e pelo rosto.
Soltei uma risadinha à contra gosto e Josh olhou para mim de modo esquisito.
– Você é... é alienígena como eu?
Assenti.
– Quase isso. Eu sou metade Plêiade e metade Terráquea. – Sorri. – É bem legal na maioria das vezes.
Josh assentiu.
– Ah, cara... Minha cabeça parece que vai eclodir.
– Isso é a coisa mais normal para pessoas como nós. Mas descobrir o que você descobriu foi só a parte fácil, ainda há mais coisas.
Então repeti a história que havia contado para Clark mais cedo. Quando cheguei na parte dos Arianos, os olhos de Josh se encheram d’água e ele virou o rosto para que eu não o visse chorando a perda dos pais e do planeta.
– Então quer dizer que daqui a três dias a Terra vai sumir se você não a defender?
Assenti outra vez.
– Não só eu, como você. – Suspirei e me levantei, alongando as juntas e estralando os dedos. – E provavelmente há outros extraterrestres aqui na Terra. Eu só preciso...
– Pedir a ajuda deles. – Josh completou e eu afirmei com um aceno de cabeça. – Mas o que é que eu posso fazer? Não fui treinado como você nem nada.
Eu ri.
– Você é um Ariano, não é a metade dele. Seu treinamento deve ser a coisa mais simples do mundo. Você consegue se treinar sozinho, mas eu posso ajudar se quiser.
Josh aproximou seu rosto do meu, invadindo meu espaço pessoal e me deixando com dificuldades respiratórias.
– É óbvio que eu quero. – Então ele baixou os olhos e os direcionou para as fotos de Samantha. – Tive que terminar com ela ontem, sabe?
Fingi tristeza, mas na realidade eu estava extremamente feliz por ele finalmente ter terminado com aquela insignificante.
– Por quê?
Josh deu de ombros.
– Ela estava... esquisita demais.
– Como assim “esquisita”?
– Ah, do tipo em que acorda no meio da noite para cortar o meu pescoço.
– Oh... – Foi à coisa mais inteligente que pude dizer.
Nesse instante a porta do quarto se abriu e Clark entrou por ela. Ele olhou de mim para Josh e de Josh para mim novamente.
– Hã... acho que deveriam ver isso.
Fale com o autor