21 Contos Sobre O Fim Do Mundo
2 A Hippie
Notas iniciais
A Hippie
Nunca mais houve tantos hippies quanto costumava haver. Principalmente no ano três mil, a maioria dos que diziam serem adeptos dos ideais ‘’flower power’’ eram travestidos até o fim do tutano. Entre um dos poucos que eram verdadeiramente hippies, estava Maya.
Maya sempre soube da lei da vida; tudo que começa, acaba. Era assim desde os anos primordiais, onde nenhuma outra lei existia.
Então era claro que o fim do mundo aconteceria. Mais cedo ou mais tarde, e a humanidade tinha cuidado que esse fim fosse mais cedo.
A garota ruiva, em seus plenos quatorze anos tinha fugido do orfanato semidestruído que vivia, na cidadezinha inglesa de Somerhill. Em sua mente determinada estava claro que não ia passar seus últimos dias com crianças amargas.
Por isso fugiu. Fugiu em direção ao desconhecido com apenas o vestido remendado e as chinelas vermelhas. A garota caminhou até um grande círculo de pedras que parecia exalar uma última fagulha de paz. Maya fez do círculo abandonado seu refúgio, e todos os dias refletia sobre a vida. Pensava nos seus falecidos pais, que haviam se suicidado para ter o prazer tolo de ser diferente; na vida que poderia ter tido e , inevitavelmente, no fim do mundo.
A maioria devia estar passando com a família ou os amigos, e ela lá, deitada na grama sozinha em sua companhia. Foi numa dessas reflexões psicodélicas que pensou que o mundo só acabaria quando todos se amassem e encontrassem o nirvana, pois tínhamos o direito de tentar mudar o futuro e não tínhamos tido essa chance ainda.
Com esse pensamento feliz Maya depositou os cachos ruivos na grama verde e fechou os olhos, querendo acreditar que o fim do mundo tinha sido adiado.
Ela, com seu espírito bondoso e livre tinha atingido a suprema felicidade, realização, o nirvana, tão desejado pelos bons. E foi por isso que cochilava numa maré de sonhos enquanto o mundo desmoronava com toda calma do mundo.

Notas finais
Imagem: http://shadowness.com/Atramina
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