21 Contos Sobre O Fim Do Mundo
3 A Garota Tola
Notas iniciais
A Garota Tola
Annie corria entre os campos artificiais, corria com suas pernas pequenas e atrofiadas, afogada num vácuo profundo, cavernoso e escuro contradizendo a imagem de sol incandescente.
Claro, a garota rechonchuda não estava ciente dos meteoros atingindo o seu campo australiano. Simplesmente creia que eram estrelas cometas, e fazia desejos banais com um sorriso élfico.
O fim do mundo estava próximo, já tinha começado, e Annie colhia as últimas campânulas azuladas para trança-las nos cabelos pálidos.
A menina rodopiava e rodopiava. Ela caiu consequentemente na grama fofa, e expôs um risinho apressado. Os olhos azuis aquosos tinham sido trocados por olhos anis, que exalavam tranquilidade e certeza.
Certeza de que o mundo ia acabar. Certeza essa que lhe quitava todo o medo comunal, e a fazia desejar ter todos os momentos mais poéticos ali naquele instante.
A garota tola lembrou-se triste do Bob Esponja, daquele desenho animado antigo e antiquado, e imaginou que ele lidaria com as coisas com seu mesmo bom-humor.
Annie também rolou os olhos azuis, pensando em era incrível como as pessoas grandes ficavam desesperadas com o fim. Era notável que se o mundo estava acabando, era para outro muito melhor surgir!
Ela se aconchegou mais no chão, e mexeu os braços e as pernas angelicalmente, olhando para o horizonte, onde rasgões brilhantes vislumbravam no céu.
Uma daquelas estrelas vinha em sua direção, constatou satisfeita. Era, claramente, um sinal bom, que ela era amada pelas estrelinhas e que todos os seus sonhos se realizariam.
Sorriu e riu satisfeita. Annie sonhava com campânulas azuis, cheias do orvalho matinal.
❝ A vida é a infância da imortalidade.— (Goethe) ''
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