2035 - My Future
7 Capítulo 7
Ler a carta de mamãe me fez perder todo sentimento de abandono que eu sentia por ela, o que veio no lugar foi culpa. Me sentia culpada por culpá-la de me abandonar, mas não foi nada disso, decidi que pela manhã iria pedir para Carlos me contar o que ela tinha falado com ele e porque nunca me contou nada. Sabe a desculpa que ele me deu?
- Você nunca perguntou sobre ela! – Disse ele me olhando com os seus olhos verdes espantados
- Como assim? Eu deveria? Não dava para chegar um dia e me contar sobre ela?
- Ah cara... – Ele começou e estava sem jeito. – Tipo, achei que isso era tipo sobre como explicar sobre os bebês ou o que houve com metade das pessoas do mundo. Você quem tem que correr atrás e eu nunca soube que você queria saber sobre a sua mãe. Na verdade... Ninguém nunca me perguntou como chegou até a mim.
Isso era verdade. Nem eu, nem Curt, Joanna ou Jack havíamos perguntado sobre isso, mas que eu me lembre Curt sempre esteve com Carlos.
- Você em! Acham que eu sou o que? Tenho que contar tudo? Vocês quem tem de perguntar, sabe? Demonstrar interesse, porque nada bate a porta de vocês, vocês quem tem de correr atrás.
Então Jack levantou meio sonolento e pediu que Carlos contasse como chegamos a esse ponto.
- Ai, ai... Foi assim... – Ele se espreguiçava e sua barriga aparecia. Sua blusa era curta demais pra ele. – Primeiro a ser deixada a minha porta foi o Curtzinho. Ele chegou lá quando ainda estava na barriga da própria mãe. Ela quem pediu abrigo para mim. Eu, gostei muito dela, me senti atraído, apesar de ser meio doentio, afinal, ela estava grávida de outro e eu compromissado. A mãe de Curt era adolescente e usava roupas curtas demais para ela. Ela disse que havia sido estuprada por um rapaz drogado, que a viu andado na rua, de noite e sua mãe a expulsou de casa quando descobri que a filha queria ter o filho de seu estuprador. Isso tudo aconteceu antes da tal explosão. Era tudo muito normal nessa época. Minha noiva, Maria, ficou com pena da mocinha e abrigou ela na nossa casa. Eu tinha uma curiosidade enorme de saber porquê ela não abortou, afinal, ela fora estuprada e isso era meio estranho, as meninas geralmente não querem se lembra de algo tão terrível assim. Ela me olhou docemente e esfregou a mão na barriga:
- Sabe, senhor Carlos, todos merecem viver e essa criança não teve culpa de nada. Na minha opinião, apesar de como ela foi feita, ela merece ver o mundo, por mais terrível que seja. Ela pode salvar vidas, fazer milagres e muito mais. E eu acho que a mais errada foi eu nessa história toda. Eu tinha ido escondido a casa do meu ficante, por isso coloquei uma sai muito curta e um top, para provocá-lo, mas além dele estar com outra garota lá, ele me deu um fora e voltei para casa daquele jeito e o bairro onde eu morro é perigoso. Depois do ocorrido, fiquei com medo de contar pra minha mãe e ela me castigar. Mas descobri algo pior ainda: estava grávida. Primeiro achei que era do meu ficante, mas quando fui no médico ele me disse que eu estava de cinco semanas, que foi quando ocorreu aquilo tudo. Minha mãe, depois de um tempo começou a desconfiar porque eu engordava tanto e me perguntou se estava grávida. Quando contei tudo, ela me bateu e me chamou de puta e me expulsou. Isso nos meus seis meses de gravidez. E é isso, senhor.
- Nossa, você é bem corajosa de sair por aí atrás de alguém que não compromissado com você e ainda mais desse jeito. E enfrentar ruas perigosas de noite com essas roupas... E o modo que você pensa é meio infantil e meio adulto. Você tem razão sobre a vida, mas não tem razão sobre as conseqüências e o quanto essa criança pode sofrer por aí.
Ela ficou sem jeito e se retirou. Alguns dias depois teve a explosão. Minha noiva morreu nesse dia. A sua mãe, Curt – Ele falava olhando diretamente para ele e Curt prestava uma imensa atenção. – Ela se contaminou e você acabou nascendo antes do esperado, mas você era tão pequenino. Ela morreu logo depois do parto, se desfez praticamente, pois havia algo de errado dentro dela, tanto que depois que você saiu, alguns órgão dela vieram com você.
Estávamos todos horrorizados com isso.
- Daí eu cuidei de você, algumas semanas depois veio uma outra mãe, desesperada e doente. Sua mãe Fernanda. Ela queria que eu abrigasse você. Concordei, ela me contou o que estava escrito na carta e me emocionei com isso, então decidi ficar com você. E como vocês sabem, ou talvez não se lembrem, Jack chegou quando vocês tinham 6 anos e ele 8. Ele chegou sozinho e tava tão pequenino que deu tanta pena. É eu sei, tenho um coração mole, que seja. Acho que estou na falta de mulher. Daí, três anos atrás, veio a Joanna, com a sua cadelinha, que faleceu dois meses depois e nós juntamos e fim! Algo mais?
- Nada – Falamos eu, Jack e Joanna
- Nadica de nada – Disse Curt
Seguimos em frente, rumo a tal Utopia e eu pensava na minha mãe e comecei a sentir saudades de alguém que nunca tinha visto.
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