20 Regras para Alcançar a Felicidade
2 Primeira Regra - Roubar Morangos
Notas iniciais
Guardei o papel na minha calça jeans e segui para a casa do Sr. Stone, meu estômago estava doendo, só de pensar que teria que roubar os deliciosos — porém perigosos — morangos do Sr. Stone tremia de medo.
Você tem que ter coragem Beatrice. – pensei.
Quando enfim cheguei a frente à casa do mesmo, olhei para o muro, que não era tão alto, aparentemente tinha 1,50cm.
— Vamos lá Beatrice, você consegue. — encorajava a mim mesma.
Então dei um pulinho para alcançar o topo do muro, pisei em algumas frestas e enfim, sentei no muro, só que algo que não estava nos meus planos aconteceu.
— O que a Srta. Prior o que está fazendo?
Minhas mãos começaram a suar, e o meu coração a acelerar.
Peter estaria rindo de mim nessas horas.
— Vou roubar um de seus morangos! — gritei, sem ao menos pensar no que dizia.
— Não precisa roubar, eu te dou! — Sr. Stone gritou de sua varanda.
— Não! O senhor não entende! Eu tenho que roubar! — eu realmente não sabia o que estava falando.
— Desça daí menina tenho que te mostrar uma coisa! — gritou o velho, logo em seguida dando as costas e voltando ao seu quarto.
De todas as coisas que eu pensei que o Sr. Stone gostaria de me mostrar, o pior que eu pensei foi a terrível bengala que ele acertava em Peter todas as vezes que ele roubava morangos de sua casa.
Essa não. — pensava desesperadamente.
— Ei menina! — o Sr. Stone me chamou — Venha.
Meio receosa, fui até a casa do mesmo, quando entrei me deslumbrei, Peter lembre me dizia que quando entrou escondido na casa do velho, que todos os cômodos estavam em ruínas, tudo bem que ele me dizia isso quando tínhamos onze anos, porém eu nunca desacreditava em uma palavra que o mesmo dizia.
— Sente-se — Sr. Stone estava sendo bem Cortez, algo totalmente diferente da figura que ele me passava quando o via dando broncas em Peter. Então me sentei.
Logo percebi que ele segurava uma caixa em suas mãos, sentou-se ao meu lado e me entregou a caixa.
— O que é isso? — perguntei.
— Algo que deixaram para você.
Senti um frio terrível na barriga, quem deixaria algo para mim nas mãos do Sr. Stone? Então abri a caixa e me deparei com a seguinte frase em um envelope.
Te peguei Bea(atriz).
— Foi o Peter? — perguntei.
Sr. Stone assentiu, quase instantaneamente senti as lágrimas escaparem de meus olhos — abri o envelope — e comecei a ler uma carta que tinha dentro do envelope.
Você achou que eu ia fazer isso com você?
Bom, mas veja pelo lado bom, você aprendeu a pular o muro! Eu sabia que eu teria que morrer para você fazer isso (risos) então uma semana antes de eu bater as botas fui à casa do Sr. Stone pedir perdão por todos os furtos de morangos que cometi durante meus dez anos de pura vergonha na cara (e ganhei uma cesta de morangos para comer no hospital ). E aproveitei e deixei essa surpresa para você.
Do seu querido e falecido, gostoso e tudo o que a de bom (ex-namorado, porém eterno amigo) Peter.
PS: Deixei um CD dentro da caixa, peça para o velho para assistir em seu DVD.
O Espetacular pode ser agora!
Quando dei conta já havia encharcado a carta inteira, e Sr. Stone fazia o possível para não chorar.
— O DVD está ali — Sr. Stone apontou para o DVD em cima da televisão.
Tremendo, coloquei o CD no DVD e voltei a me sentar no sofá, então algo me fez chorar desesperadamente, um vídeo de Peter segurando um violão.
— Ei, Beatrice, espero que não caia aos prantos nesse momento, pois eu estou pagando o maior mico em frente ao velho. Diga um oi para Beatrice Sr. Stone!
— Oi!
— Então, aqui vai uma música em homenagem aos nossos tempos de comer morangos depois da escola!
Peter limpou a garganta e afinou o violão.
— Quero que tente controlar o seu tesão quando ouvir a minha humilde voz cantando.
Não consegui é controlar as minhas lágrimas, que escapavam dos meus olhos desesperadamente. Peter começou a cantar minha música favorita dos Beatles, Strawberry Fields Forever.
Let me take you down
'Cause I'm going to strawberry fields
Nothing is real
And nothing to get hung about
Strawberry fields forever
Living is easy with eyes closed
Misunderstanding all you see
It's getting hard to be someone
But it all works out
It doesn't matter much to me
Let me take you down
'Cause I'm going to strawberry fields.
Nothing is real
And nothing to get hung about
Strawberry fields forever
No one I think is in my tree
I mean, it must be high or low
That is, you can't, you know, tune in
But it's all right
That is, I think it's not too bad
Let me take you down
'Cause I'm going to strawberry fields
Nothing is real
And nothing to get hung about
Strawberry fields forever
Always, no sometimes, think it's me
But you know I know when it's a dream
I think I know I mean a yes
But it's all wrong
That is I think I disagree
Let me take you down
'Cause I'm going to strawberry fields
Nothing is real
And nothing to get hung about
Strawberry fields forever
Strawberry fields forever
Strawberry fields forever
Nunca chorei como aquele dia, Sr. Stone pegou alguns lenços e me ofereceu, quando a gravação acabou peguei o CD e o coloquei na caixa novamente.
— Posso deixá-la aqui até eu voltar de viajem? — perguntei.
— Claro — concordou Sr. Stone.
— Agora tenho que ir, antes que eu perca o voo.
— Pode pegar quantos morangos quiser. — Sr. Stone me ofereceu um abraço, e eu aceitei, o apertando bastante.
— O senhor fez parte dos melhores momentos que eu tive com Peter — sussurrei, pois chorei tanto que não existia forças para falar — Obrigada.
— Eu que agradeço, por ter ganhado dois netos. — aquela frase me emocionou mais ainda — eu lhe acompanho até o portão.
Quando andamos no seu quintal, o Sr. Stone colheu uma rosa e me entregou dizendo:
— Peter disse que era a sua cara, e se não estivesse aqui para fazer isso, para mim lhe entregar.
Peguei a rosa, e senti o seu perfume, coloquei minha bolsa no chão e peguei um livro, coloquei a rosa dentro do livro, o coloquei cuidadosamente na mochila novamente e coloquei em minhas gostas.
Quando chegamos ao portão, abracei o Sr. Stone novamente e disse:
— Obrigada por tudo.
— Eu que lhe agradeço — sorriu me entregando alguns morangos.
— Obrigada.
Quando me virei para ir embora, pensei que Sr. Stone nunca fora um velho rabugento, e também cheguei à conclusão que até o final dessas regras poderia encher um reservatório com as minhas lágrimas.
Vou dar a minha vida para cumprir essas regras.
...
Às vezes eu fico pensando em como a vida foi injusta comigo, me presenteando com alguém que fez tanta importância para mim, e depois o tomando de forma tão bruta.
— Com licença, a moça não vai fazer o Check-in? — perguntou-me uma mulher esperando eu lhe entregar as devidas documentações.
— Desculpe. — lhe entreguei a documentação.
A mulher carimbou algumas folhas e me entregou.
— Seu voo sai às 13h00min.
— Obrigada — guardei a documentação e segui para a sala de embarque.
Deixei minha mochila no chão e sentei ao lado dela. Tirei da mochila os morangos que o Sr. Stone tinha me dado, desembrulhei o guardanapo e comi um. Encostei minha cabeça na parede e fechei os meus olhos.
— Você tem que deixar de ser certinha minha atriz. — Peter sentou-se ao meu lado e ofereceu um morango que roubou do Sr. Stone, e eu aceitei.
— Você não pode se negar aos pequenos prazeres da vida! — mordeu um morango — Vou recitar um poema para você.
— Então recite — tentei controlar o riso.
— Água mole, pedra dura... — começou.
— É esse o seu "poema" — demonstrei as aspas com os dedos.
— Brincadeira, Bea Atriz para de rir de mim.
— Tudo bem — me rendi — Recite então meu arteiro poeta.
— Viva todas as suas vidas, como se fossem as últimas.
— Isso é uma frase, nem chega a ser uma citação, onde está o poema?
— O poema a parte em que você vive.
Sorri para o mesmo, Peter costumava dizer muitas coisas complexas, porém eram coisas marcantes. Peter aproximou-se de mim e acariciou o meu rosto.
— Quando foi que você roubou o meu coração minha atriz?
— Quando você descuidou dele — respondi corada, já sentia sua
respiração quente, que me fez estremecer.
— Isso foi clichê demais. — sorriu.
Peter se aproximou da minha orelha e sussurrou:
— Você é absolutamente linda.
E logo depois me dei conta que nossos lábios enfim estavam juntos, não somente os lábios, como a as nossas almas também.
— Com licença? — uma voz feminina me desperta de meus devaneios — O voo das 13h00min é o seu?
Dei um salto para levantar e coloquei a mochila nas costas.
— Obrigada — e saí para o embarque.
...
Encostei a minha cabeça na janela do avião, e fiquei me perguntando em qual parte do céu Peter estaria. Esse pensamento pode ser clichê, mas é que chega a me confortar.
"Vou te observar lá do céu, em frente a uma gigante piscina celestial tomando uma água de coco fluídica”.
Era o que Peter dizia, sorri ao lembrar isso, e acabei adormecendo.
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