20 Regras para Alcançar a Felicidade
3 Segunda Regra - Te peguei!
Notas iniciais
Acordei com alguém escutando um som absurdamente alto. Ainda sonolenta abri os olhos e vi que quem escutava um som ensurdecedor era um grandalhão cheio de piercings e tatuagens.
— Com licença — cutuquei seu braço — O seu som está alto demais!
— O que você disse menina? — o mesmo tirou o fone de ouvido e me fuzilou com o olhar.
— Eu pedi educadamente para abaixe o som. — tentei ser cordial — É pedir demais?
— O que eu vou ganhar se eu abaixar? — o mesmo me fitou e abriu um sorriso malicioso.
Primeiramente, eu não gosto desse tipo de flerte, para falar a verdade eu odeio flerte, desde que Peter partiu dessa para melhor eu me sinto o mais próximo de ser assexuada, odeio ser paquerada, acho que é algo que as “viúvas” (ou quase) rejeitam quando o marido/namorado bateram as botas recentemente.
— Que momento inoportuno de me dar uma cantada, não é grandalhão? — sussurrei — Mas é melhor você baixar a sua bola e me deixar em paz, eu não sou obrigada a aguentar um cara frustrado enchendo o meu saco. — sorri falsamente — Pode abaixar ou não?
— E você acha que tem muita moral comigo?
Senti o meu sangue ferver e a minha mão coçar.
— E você acha que só pelo fato de ter “quatro metros” de altura, e ter cara de malvado acha que eu tenho medo de você?
— A gatinha ficou nervosa? — perguntou.
Sinceramente aquela foi a gota d’água.
— Você pode ou não abaixar?
— Tudo bem, eu vou abaixar. — sorriu e logo após desligou o celular.
— Obrigada — agradeci e voltei a encostar minha cabeça na janela.
— Qual é o seu nome? — me perguntou o grandalhão.
— Beatrice. — respondi ríspida, sem ao menos perguntar o nome do mesmo.
— Eu sou Eric — disse.
Eu realmente não estava a fim de continuar aquela conversa, então tentei ignorar a presença daquele armário e tentei adormecer.
...
Quando acordei Eric não estava mais ao meu lado (e dei graças a Deus por isso), estiquei meus pés e bocejei. Nunca havia dormido tanto na minha vida.
— Quanto tempo para chegarmos ao Havaí? — perguntei para a aeromoça que passava empurrando o carrinho com sucos.
— Duas horas.
Eu dormi demais — pensei.
— Obrigada. — agradeci.
Abri a mochila que estava bem leve, peguei a caixinha de regras e no fundo da caixa havia alguma coisa escrita.
Bem, aqui vai as regras das regras (complexo não acha?).Então, se você já abriu essa caixa e pegou o papel lacrado da primeira regra, pegue o papel da segunda regra no seu quinto dia de viagem. (Planejei tão bem as coisas, que fico com dó de mim mesmo de ter morrido). Então faça um favor agora? Olhe para a janela do avião e veja a bela vista que tem! Aproveite pegue o seu celular e ouça Your Love do The Outfield, lembra? Foi com essa música que te dei o primeiro amasso.
O Espetacular pode ser agora!
— Peter, sempre aprontando — ri sozinha — Não entendo o porque ele sempre me falou desse Espetacular.
...
— Chegamos ao aeroporto de Honolulu! — dizia a aeromoça, levantei-me e coloquei a mochila nas costas. Então meu coração ao mesmo tempo em que disparou se partiu, pois eu me imaginei fazendo essa viagem com Peter. Quando desci do avião coloquei os meus pés no chão disse:
— Aloha, Havaí.
Entrei no aeroporto e procurei algum lugar para comer, um lugar que ao menos vendesse uma comida saudável — difícil achar algum lugar saudável em um aeroporto. Logo avistei um, que se chamava Aloha Vegan. Andei até o restaurante, sentei-me em uma das mesas e olhei o cardápio.
— São tantas coisas gostosas... — disse alto demais para que todos que me cercavam ouvissem.
— Quer um palpite? — um homem que eu mal conhecia sentou-se ao meu lado na mesa — Prove o hambúrguer de soja.
Eu realmente não entendi o porque um homem totalmente desconhecido sentou-se ao meu lado e ainda por cima deu um palpite sobre o que eu deveria comer.
— Desculpe — falei — Mas eu nem te conheço. — tentei falar mais normal o possível, porem acabou saindo rude demais.
Ele sorriu e tirou seus óculos escuros (que eu nem havia percebido que o mesmo usava um).
— Bem, eu peço minhas sinceras desculpas. — sorriu novamente sem graça — Me chamo Quatro.
Não prestei atenção em seu sorriso, nem eu seu nome, eu apenas me perguntava o porquê um homem estranho sentou na mesa de uma estranha (no caso eu).
— Porque se sentou aqui? — minha voz saiu estridente.
— Bem, eu não costumo me sentar ao lado de garotas explosivas que eu mal conheço — disse sério — Mas você me chamou a atenção.
Mas você me chamou a atenção.
Eu realmente não sei aonde esse cara quer chegar.
— Sim, e por isso sentou-se ao meu lado sem pedir a minha permissão? — falei com a voz alterada — Desculpe, mas eu acabei de vir de Chicago para o Havaí, não conheço ninguém e estou completamente perdida, então eu creio que não devo confiar no primeiro cara que se senta ao meu lado.
— Uau — sorriu — Chicago? Então você veio se aventurar no Havaí, e sozinha?
— E eu acho que isso não lhe diz respeito. — levantei-me e coloquei minha mochila nas costas.
— Espere — o tal Quatro, se isso é de fato um nome, segurou o meu braço — Se você está sozinha, é perigoso sair por aí não é?
— Mais perigoso é eu ficar aqui ouvindo suas ladainhas. — soltei meu braço e me afastei o mais rápido possível daquele cara.
Porque eu simplesmente não posso fazer uma viagem normal?
Mas algo me fez paralisar, estava tão ocupada xingando mentalmente aquele cara, que me esqueci completamente de que eu não sabia onde me hospedar e não sabia nada sobre o Havaí.
— Que droga! — sussurrei — procurei um lugar para me sentar novamente, procurei onde o tal Quatro não me avistasse, sentei-me no banco e abri a mochila para pegar a caixinha de regras.
— Não vou conseguir esperar até o quinto dia, nem sei se sobreviverei até lá. — abri a caixinha e peguei a segunda regra, guardei a caixinha na mochila e abri o papel lacrado.
Te peguei novamente! (melhor parar de fazer isso, antes que você fique com um ódio mortal de um pobre defunto).
Eu sabia que você nem ao menos faria uma reserva em algum hotel antes de viajar, então fiz uma reserva para você ai mesmo em Honolulu. No hotel chamado Ohana Waikiki, quando chegar lá apenas apresente sua documentação.
Viu? Como eu cuido bem (ou cuidava) da minha Atriz?
Do seu maravilhoso e angelical (um trocadilho não faz tão mal assim).
Peter.
O Espetacular pode acontecer agora!
PS: Abra a terceira regra no quinto dia (agora é sério, apenas no quinto dia!).
— Peter sempre aprontando para mim — sorri, porém não deixei de ficar triste.
Peter está tão vivo em suas cartas, porém apenas em suas cartas.
Peter está morto.
— Acho que a sua tentativa de fugir de mim deu errado. — reconheci a voz, era a de Quatro.
Bem, eu realmente cheguei a conclusão de que arrumar briga com Quatro não ia dar em nada, parece que ele conhece muito bem o Havaí, e eu poderia pedir sua ajuda para encontrar o tal hotel em que Peter fez a minha reserva. Parece precipitado de minha parte, mas eu consigo perceber quando alguém está mal intencionado comigo, e pelo incrível que pareça, senti que Quatro não está.
— Agora ficou muda? — disse Quatro.
Tentei sorrir naturalmente, mas o jeito de me irrita, no momento tudo nele me irritava até o jeito que piscava os olhos.
— Bom, já que você veio de Chicago, e não sabe nada sobre o Havaí, eu posso te oferecer a minha ajuda. — propôs.
— E você propõe isso de boa vontade? — pergunto desconfiada, pois mesmo sentido que ele é uma boa pessoa, eu deveria ter as minhas duvidas.
— Você está hesitando, tudo bem se você não quiser a minha ajuda eu...
— Eu preciso — o interrompi rapidamente.
— O que você disse? — quatro colocou sua atrás da orelha — É isso mesmo?
— Foi o que você ouviu. — bufei.
Quatro sorriu e me ofereceu o braço dizendo:
— Me acompanhe.
Revirei os olhos e disse:
— Não é pra tanto.
Então o mesmo recuou-se.
— Pode me dizer o nome do hotel? — perguntou.
— Posso, é Ohana Waikiki.
Ele sorriu e então falou:
— É um ótimo hotel, você vai gostar de lá.
— Como sabe que eu vou gostar de lá? — perguntei — Você nem me conhece.
— Eu fiz uma analise assim que bati os olhos em você — sorriu novamente.
Uma coisa que percebi no Quatro foi que ele não para de sorrir, e isso me remeteu a Peter.
Mesmo em seus últimos dias de vida, ele sorria a todo o momento. — pensei.
Então meus olhos (que sempre escolhem o momento inapropriado para “lacrimejar”) se encheram de lágrimas, e Quatro não deixou isso passar despercebido.
— Está tudo bem? — ele fez uma voz fragilizada — Você está passando mal?
Hesitei a principio em responder, então inventei qualquer desculpa esfarrapada.
— Estou com enjoo, por conta do avião. — senti que não fui convincente.
— Uma coisa que percebi em você em apenas vinte minutos de convivência — disse sério — Você mente muito mal.
Um silêncio constrangedor se fez presente, e eu realmente não sabia o que dizer depois do que Quatro disse.
— Voltando para a minha analise — Quatro quebrou o gelo — Eu esqueci completamente tudo o que eu ia falar.
— Então não tinha importância. — falei.
Ele sorriu.
— Você me parece tão dócil, porque insiste ser seca comigo? — fez bico.
Fiquei ligeiramente fragilizada devido ao bico que Quatro fez, porém imagine um homem forte, de quase dois metros de altura, corpo malhado, ombros largos e um rosto delicado, porem não deixa de ser masculino. Olhos perfeitamente azuis e um cabelo louro bem aparado.
Fazendo bico, isso se torna hilário se for pensar.
— Não estou sendo seca — menti — Eu apenas não te conheço para ser legal com você.
— Então para você ser legal com alguém, deve conhecê-la primeiro?
— Eu creio que sim. — respondi.
— Então vou dar um exemplo, uma senhorinha pede para você ajudá-la a atravessar a rua, e você não conhece ela, então vai trata-la mal e negar ajuda-la porque não a conhece? — perguntou.
Aquele pergunta realmente me pegou de jeito.
—Mas essa situação é diferente...
— Porque diferente? Só porque sou bonito demais para ser verdade? — senti o tom de brincadeira em sua voz.
— Pra começar, deve ser mais humilde, humildade é tudo — falei — E se você quer chegar a uma conclusão com essa conversa, você não vai. — falei.
— Você é tão distante — sussurrou — Eu sinto que falta algo em você.
— O que falta em mim? — deixei a pergunta escapar.
— Amor — respondeu.
Espere, um cara desconhecido faz uma analise de mim e ainda diz que me falta amor? Ele não tem esse direito, eu tenho muito amor dentro de mim, um amor que vai durar uma eternidade, amor pela minha família, por meus amigos, e pelo Peter, será que esse amor não é o suficiente?
— Quer dizer, amor próprio — Quatro percebeu a minha reação sobre o comentário dele, então logo completou sua resposta.
Como se isso adiantasse alguma coisa.
— Bem, eu acho que você não deve falar o que não sabe. — um nó terrível se formou na minha garganta — Eu acho que você tem que medir o que você fala, principalmente se for com pessoas que você não conhece.
Quatro comprimiu os lábios, depois abriu a boca para falar alguma coisa porém desistiu.
— Eu não queria me precipitar — finalmente falou — Só que é essa imagem que você me passa.
— E daí se é essa a imagem que eu te passei? Você não me conhece Quatro, você não sabe nada sobre mim. — consegui engolir o nó da minha garganta.
— Então vamos começar de novo — Quatro me estendeu a mão — Meu nome é Quatro, eu tenho 25 anos e eu moro aqui em Honolulu há cinco anos, tenho uma loja de pranchas de Surf.
— Meu nome é Beatrice, sou de Chicago, vim para o Havaí para me aventurar nesse paraíso. — apertei a mão de Quatro.
— Então vou ser o seu guia turístico, se você me permitir. — sorriu.
— Só se você não dizer outra vez que me falta amor próprio.
— Combinado, agora venha, que esse anjo vai te mostrar o paraíso.
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