20 Primaveras

28 Será que tem alguém pra mim?


Notas iniciais
Hey, peoples! Como vão? Gostaram de saber que manjo de inglês, né? hahaha Amores da minha vida, espero que gostem do capítulo *-*

Mas a Letícia nem me deixou dormir direito e já está aqui, sentada na minha cama, tomando leite e me jogando mil perguntas do porquê eu fui “vigiar” o Guilherme. Sim vigiar entre aspas, porque eu não acho que eu fui fazer isso, e se esse caso fosse a julgamento eu não aceitaria ser condenada pela prática de ciúmes.

Porque não foi ciúmes.! Eu só fui na verdade cuidar do que é meu e que certas pessoas(Gabriela) estava na pura intenção de roubar.

Expliquei tudo para a Lê e acho que conversei tanto, mas tanto, que no meio desse diálogo -mais parecido com um interrogatório- deu tempo dela tomar 3 copos de leite. Temos duas opções para resposta:

à Ou eu falei muito e deu fome na Letícia

à Ou a Letícia é um estômago de Dragão mesmo, que não tem fim e só usou da minha distração para acabar com o estoque de leite da minha casa.

Quem acertar e marcar a segunda opção ganha um doce!

Sério, eu não sei como esse ser come desse jeito e não engorda uma grama sequer. Já eu, só de olhar pro chocolate já ganho todas as calorias daquele pedaço e dos pedaços nos pratos alheios. Lê, ensina esse truque pra gente, vai!

— Preciso desse feriado todo que está vindo aí, para me recuperar da festa de ontem – disse Lê se jogando na cama e ligando a TV.

— Não marcamos de fazer nada, hein? – disse a ela.

Toda vez que tinha um feriado maior, nós duas sempre arrumávamos algo para fazer. Dessa vez não iríamos para o interior porque já fomos da outra vez e nossos pais estão viajando na casa de uns parentes então sem chances de ir para lá.

Mas poxa vida, já passamos o tempo todo grudadas na Faculdade e quando tem uns dias para descansar não faremos nada? Mas é claro como pensar em alguma coisa se apareceu aquela Gaby do nada, a Lê arrumou um Douglas da vida, que agora já não tem mais Douglas.

Agora Lê mais uma vez entrou para o time das solteiras. Estou contando no relógio para ver se dessa vez ela consegue bater o recorde de solteirice.

— É o Gui! – disse ao ver meu celular tocando.

Me afastei da Letícia e fui atender o celular.

— Oi Gui – disse.

— Oi amor! — respondeu- Bom, amanhã começa o feriado e uns amigos me chamaram para ir a Praia Grande nesses dias. E eu pensei que seria ótimo já que nós não marcamos nada mesmo, mas decidi te perguntar antes, você aceita ou prefere ficar em casa? Porque se preferir eu fico também, não tem problema, afinal aquele lugar só vai ter graça se tiver você- disse todo fofo e eu dei uma risada.

Praia Grande? Claro!

— Estava reclamando agora mesmo com a Lê que tínhamos nos distraído e nem marcado nada para o feriado – disse a ele.

— Pois é, agora já temos um lugar para ir. Ficaremos na casa de praia dos pais desse amigo, irão outros casais também e uns amigos que estão na fase de curtição... A Letícia vai com alguém? – perguntou.

Eu achei que ele tivesse esquecido da Lê.

— Não a Lê não está com ninguém – disse e dei uma risada.

— Solteira novamente? – rindo junto sabendo o porquê que isso era engraçado.

— Sim.- disse – Mas quem sabe no meio desses amigos de curtição que estarão por lá, ela não encontra um? – disse numa voz esperançosa.

— Torcemos para que sim. – disse – Amor, então vai arrumando as coisas, que sairemos bem cedo amanhã – comentou.

Ah, eu amava viajar, mas acordar cedo, não!

— Quantas horas seria esse “cedo”? – perguntei pensando que fossem umas 07:00 hras.

— 4:30 – disse na maior tranqüilidade.

— Mas tão cedo assim Gui? – disse surpresa com o horário.

Gente, pra descansar o necessário então eu já deveria estar dormindo a no mínimo 5 horas. Se não fosse a Lê querendo saber demais eu já teria dormido um bom sono.

— Sim minha linda, tem que ser cedo assim. Para podermos aproveitar bastante- disse.

Eu concordei com ele e combinamos que ele passaria aqui amanhã nesse horário. Desliguei o telefone e fui saltitante para o quarto dar a noticia a Lê que estava com cara de cachorrinho assistindo a TV com os olhos quase se fechando.

— Já temos um lugar para ir passar esse feriado – disse toda animada.

— Humm, que bom! – disse Lê com a maior desanimação da vida.

Nossa, eu não imaginava que a Letícia fosse ficar tão animada assim, só que não. Ela ficou do mesmo jeito que estava. Iríamos viajar, como ela poderia ficar assim?

Mas eu tenho certeza que quando eu dissesse para onde e que haverá lindos caras por lá ela se anima na hora.

— Não quer saber para onde? – perguntei.

— Ah, deve ser no mínimo para algum sítio de um Tio seu, sempre é assim, quando não temos para onde ir vamos para o meio do mato e mosquitos – disse desdenhando.

Letícia detestava o campo, e eu amava. Não tinha lugar no mundo que eu goste mais do que o campo, fazenda, sítio, roça, não sei como vocês chamam. Eu gosto do silêncio, do canto dos pássaros, daquele vento bom...definitivamente eu amo.

— Praia Grande – sussurrei.

— Que? – perguntou Letícia confusa.

Sim eu havia sussurrado o nome da cidade só para ver o que ela faria, e eu acertei ela abriu os olhos na hora.

— Nós vamos passar o feriado que você tanto esta desdenhando em Praia Grande! – afirmei.

Vi na minha frente uma Letícia que aparentava ter tomado um litro de Vitaminas, de tão rápido que ela levantou da cama e se animou.

— Você está brincando, não vamos para a praia? – questionou parecendo uma criança.

Afirmei com a cabeça e a Lê começou a dançar no quarto como uma criança.

Bom eu amava o campo, e a Letícia como podem ver é louca de pedra por praia. Desde criança ela fazia cara feia quando nossos pais nos levavam para o campo e ria sem igual quando ficava correndo pela areia da Praia.

Já fomos em muitos lugares mas Praia Grande ainda não.

Ela não sossegou enquanto não contei detalhe por detalhe a ela. Já perceberam que a Letícia sempre me enche de perguntas e não me deixa em paz até eu contar as virgulas existentes na conversa, né?

Se não, comecem a reparar.

— Já imaginou se eu encontro um turista, lindo? – perguntou e deitou abraçando uma almofada.

Se fosse dessa forma que ela queria apertar o cara, como está apertando a almofada, ele no mínimo morreria asfixiado.

— Sim, já imaginei- disse pegando a mala.

Comecei a colocar minhas roupas que usaria na viagem, já estava quase beirando as 19:00 hras, e olhei para a Lê.

— Que foi? – questionou vendo que eu a encarava.

— Você virou mágica agora e sua mala vai se arrumar sozinha? Pela força do pensamento? – perguntou debochando dela.

Ela se levantou rápido me deu um beijo na bochecha e foi correndo para o apartamento dela.

Quando pensei que a Lê já estava arrumando suas coisas vejo uma Letícia descalça correndo pelo meu apartamento.

— Daqui a pouco eu estou de volta, para jantar ok? Me espera aí não come sem mim- disse na maior calma e voltou para o apartamento dela.

Como assim, volta pra jantar? A Letícia está me achando com cara de quê?

Essa minha amiga é uma folga que só vendo, convivendo e tendo muita paciência. Mas prefiro fazer a janta para nós duas, do que escutar o carro do corpo de Bombeiros parando em frente ao prédio para apagar o fogo que a Lê quase coloca na cozinha quando tenta cozinhar. Sim, ela era ruim a esse ponto.

Terminei de arrumar a mala, tomei um banho e fui preparar o jantar.

Logo vejo a Letícia chegando na cozinha de pijama. Ela ficou quietinha no canto, pensativa e mexendo no pano da mesa.

— O que houve? – perguntei largando as panelas e me aproximando dela.

— Nada – disse.

— Quem nada é peixe, vai me diz logo o que você tem. – disse soltando essa piadinha para tentar fazê-la rir, mas não obtive sucesso.

Ok, a Lê não estava bem, agora o porquê eu preciso descobrir porque ela saiu daqui toda feliz e agora voltou toda triste.

— Vai me conta, desabafa com a sua psicóloga grátis aqui, vai – disse sentando e ela fazendo o mesmo.

— Sei lá, Becca – começou – tem hora que eu acho que vou para de procurar o cara certo sabe? Até porque ando procurando e só dou trombada com os errados. Teve uma vez que briguei com o meu cupido e mandei ele ir pro inferno.. só que eu acho que ele não soube levar na esportiva e foi mesmo – comentou, creio eu que sendo sincera, porém mais me pareceu um deboche.

—Deve ser por isso que não encontro quem preste. Se eu afastei até o cupido que flecha os corações para que se apaixonem, quem dirá o homens que se aproximam de mim? Devem ter pavor desse ser que arruma briga até com o próprio cupido. Deve ser praga dele, não é? – me perguntou.

Não estava acreditando que a Letícia estava se preocupando em não encontrar o cara certo. Ok, realmente o mundo está perdido!

— Lê, que isso, não tem nada a ver. — disse a acalmando – Você não brigou com o seu cupido, e nem ele te abandonou. Mas você tem que pensar que o cara certo está sendo preparado para você, só precisa ter paciência- completei.

— Ok, terei mais paciência – disse se levantando e indo em direção as panelas.

— Mas nem assim você esquece da comida né? – perguntei rindo.

É claro que eu preferia mil vezes ela assim, sendo Letícia, comendo, rindo e gritando feito uma louca, do que toda pensativa achando que no mundo não existe ninguém para ela.

Terminei de preparar o jantar, e servi para nós duas. Depois como sempre, deitamos no sofá, após lavarmos a louça e ficamos assistindo os filmes que passavam até pegarmos no sono.

Que o Destino abençoe a Lê e faça ela se divertir lá em Porto, não quero ver minha amiga assim triste achando que nada para ela dá certo. Ela merece alguém, mas antes de qualquer qualidade, alguém que preste, como ela mesma disse. Agora cor dos olhos, sotaque e naturalidade não me importam.

Quero ver o coração da minha amiga preenchido de amor, por um homem que saiba amá-la. Tem 20 anos na verdade, mas parece que tem 5. Confia em todo mundo, e não desconfia de nada. Mas ela sabe que sempre estarei aqui, para defendê-la de todos que queiram lhe fazer mal.

Notas finais
Ô Lê fica assim não! Sempre tem alguém para nós, relaxa e vai vivendo. Gostaram? Comentem! Beijos!