20 Primaveras

27 Podia ser qualquer um


Notas iniciais
Oi gente! Será que as bagunças dessa festa, já tiveram um fim? hahaha

Fiquei dançando com o Guilherme e me divertindo muito. Estava extremamente segura de mim e acompanhava qualquer ritmo que viesse.

—Ué garota, não imaginei que iria te encontrar aqui – disse uma voz conhecida.

Rezei para que não fosse a Lê, porque ela iria ficar chateada por eu estar aqui na festa sendo que ela me chamou para ir em uma e eu não aceitei. E quando me virei era realmente a Letícia.

Mas espera aí, isso aqui está parecendo cena de novela onde todo o núcleo se encontra no mesmo ambiente. Que coisa do destino! Eu nunca imaginei que a festa que a Lê viria era justamente a festa do amigo do Guilherme. Isso aqui está parecendo muito novela, definitivamente, não vejo a hora que o diretor grita: “CORTA!”

Porque não é possível eu encontrei aqui a garota que dá em cima do meu namorado, vivi ali uma ceninha de quase luta de boxe com ela( mesmo que a cena onde eu dou um puxão naqueles cabelos de laranja dela tenha acontecido apenas na minha cabeça), e agora encontro minha amiga aqui, a mesma que eu disse com toda a certeza do mundo que não queria ir a uma festa hoje. Paguei a língua e ela iria me perguntar como uma agente do FBI o porquê eu vim a essa festa.

— Porque você veio a festa? – perguntou Lê

Não disse?

Ela me fez essa pergunta perto do meu ouvido, enquanto o Guilherme conversava com o pessoal que estava com a Letícia, pelo o que parece ele os conhecia. Guilherme também poderia se candidatar a política, ganharia de lavada, nunca vi conhecer tanta gente assim.

— Eu vim porque o Guilherme veio e não queria vir sozinho – disse dando uma desculpa muito tosca.

Letícia me olhou.

— Então você me troca assim pelo seu namorado? – perguntou como se estivesse chorando.

Palhaça nota 1.000.

— Para de fingir, Lê – disse e ela começou a rir.

— Mas você só veio aqui porque o Gui te convidou? – questionou.

Ela sabia que eu não viria só porque o Gui me convidou, nunca banquei a ciumenta e ele sempre pode ir a festas e eu também, sem necessariamente estarmos juntos.

— Sim – respondi e desviei meu olhar do dela.

A Letícia se fez de convencida, e começou a mexer o corpo no ritmo da dança, mas lançando os seus olhos para todos os lados como se procurasse alguém.

—AHAM! – disse do nada e me deu um susto.

— Que isso garota, ficou doida? – disse a ela.

— Tu não me engana Becca! – disse rindo maliciosamente – Já achei o motivo que você veio a essa festa.

Ah não! Porque vida? Hein?

— Ai Letícia e qual foi esse motivo hein?- perguntei já temendo a resposta.

— Aquela bêbada ali ó – apontou para onde a Gabriela estava – vulgo, Gabriela. A prima tarada do Guilherme, vulgo seu namorado – disse fazendo gestos com as mãos e depois as colocando na cintura como se fosse a rainha de desvendar mistérios.

Olhei para ela, como se pedisse para ela calar a boca, ela havia falado alto porque as músicas estavam estrondosas, e quando o Gui escutou o nome dele se virou pra mim, e eu apenas fiz um sinal indicando que não era nada, que eu só estava conversando com a Lê e ele sorriu voltando a conversar com os colegas. Ainda bem que ele só escutou o nome dele, porque se não, teríamos uma briga... de novo.

— Fala baixo – repreendi Letícia.

— Ah Becca, tu veio defender o território, foi? – perguntou rindo da minha cara.

— Claro que não! – disse com raiva.

— Foi como hein? Urinou em volta do Gui? – disse rindo muito da minha feição de “cala a boca”

— Você está me chamando de que? Cadela? – perguntei batendo em seu braço.

— Mas bem que está parecendo, sabia Becca? – disse limpando as lágrimas dos olhos, causadas pela risada dela.

— Eu não vim defender o território- disse já entrando na brincadeira.

Realmente a forma como eu agi, ficou mesmo parecendo que eu estava marcando o território, mas foi por um bom motivo. Pelo menos pra mim isso faz sentido.

— Para vai, depois eu te conto como tudo aconteceu – disse para a Letícia, quando vi que Guilherme vinha até nós.

Ao se aproximar de mim ele me abraçou, e eu belisquei a Letícia, dando um sinal para ela circular com a turma dela. Eu precisava tirar a Lê dali antes que ela dissesse alguma asneira. Até porque ela estava como no dia que eu reencontrei Gui, e sabemos bem que Letícia bêbada é uma Letícia sem sanidade.

Eles nos deixaram sozinhos, e nos continuamos dançando.

Desviava o meu olhar para a Gabriela em alguns momentos e confesso que perdi as contas de quantos copos de bebidas ela virou. Da forma como ela ia acabaria a noite jogada no chão.

—A Gaby parece estar meio desolada com algo, não? – perguntou Gui olhando para a prima.

“ Claro meu bem, depois que eu a coloquei em seu lugar, não tinha outra forma de ficar” – Pensei.

— É, ela está meio estranha – respondi.

Gabriela realmente estava exagerando na bebida e antes dela ser minha “inimiga” ela era um ser humano e por isso não deixaria que ela passasse mal com essas doses. Até porque sei muito bem que ela está assim por pura pirraça. Ela queria sair ganhando e como não conseguiu está fazendo isso. Porém se alguém não a conter , essa infantilidade não vai terminar muito bem.

—Alguém poderia ir lá e ajudá-la né? – comentei com a maior pureza do meu ser.

— Eu vou lá fazer isso- Gui logo disse e se afastou de mim para ir ajudar a Gabriela.

Que coisa Rebecca! Tinha que abrir esse bocão?

Guilherme entenda meu amor, eu pedi para alguém ajudá-la. Poderia ser o Papa, o presidente dos Estados Unidos, o Sheik Árabe, a avó dela, as formigas, até um dinossauro! Poderia ser qualquer um menos você.

Eu amo essa forma prestativa do Guilherme ser, mas eu detesto a forma como ele se presta a ajudar pessoas que não prestam. Velho, como pode! Será que eu sou a única pessoa do mundo que vê que essa garota gosta do Guilherme?

Eu ia vendo meu amor ir salvar aquela coisa esquisita, e eu já estava sentindo raiva. No meio do caminho eu faço o Gui parar, assim que vejo o amigo dele( o dono da festa) já estava perto da Gabriela tirando o copo da mão dela e contendo aquela desvairada que saiu do bar cambaleando e falando na maior altura.

—Aí Gui, pronto! Gabriela já está a salvo.- disse e ele olhou pra mim ainda querendo ir até ela – Agora vamos voltar a dançar? – pedi a ele que ao ver minha cara de cachorrinho Poodle no resistiu.

Ele sorriu, me deu um beijo e foi me conduzindo pela mão até a pista novamente.

Dançamos tanto, mais tanto, que meus pés já não sentiam mais nada, já passaram do estágio de câimbra.

Para explicar melhor a que horas saímos da festa, só direi uma coisa:

“ Fomos varridos juntos com a sujeira.”

Ou seja, ficamos até o limite, fomos os últimos a saírem. Nunca havia feito isso e realmente amei ter ido nessa festa. Sei que fui mais para não deixar a Gabriela dando em cima do Gui, mas mesmo assim.

Não estavam nos meus planos sair hoje, mas foi a melhor coisa que eu fiz, já que esse encontro com a Gabriela foi o ponto final da minha insegurança e o inicio da minha fase de auto confiança.

“É quando menos esperamos que as mudanças acontecem.”

Logo que pensei nessa frase corri pata anotá-la no celular, mesmo com os olhos quase fechando de tanto sono. Assim que chegasse em casa passaria para a minha agenda.

Digamos que o dia de hoje foi cansativo mas de eterno aprendizado. Vi que para me impor diante de alguém não preciso gritar, nem agredir, eu apenas preciso estar segura do que eu sou e do que eu digo. Agora o que aconteceu com a Gabriela eu não sei, mas espero que ela nunca mais se intrometa no meu caminho.

Cheguei em casa e me joguei debaixo do chuveiro. Tudo o que eu precisava agora era de um belo banho e depois minha cama. Ah e claro, coragem para contar para a Letícia amanhã, ou melhor hoje mais tarde porque já são 07:00 hras da manhã, como foi que eu fui parar naquela festa.

Notas finais
Gui, querido. Seja prestativo mas com quem presta, ok? Quem quer um Gui desses na vida? Eu estou querendo, uma coisa tão maravilhosa dessas, qualquer um quer hahahaha Deixem seus comentários. Beijos!